Mário Fernandez

Rebeldes

Surdo“Filho do homem, tu habitas no meio da casa rebelde, que tem olhos para ver e não vê, tem ouvidos para ouvir e não ouve, porque é casa rebelde.” (Ezequiel 12:2 ARA)

Em todo tempo que ando com Cristo, e lá se vão uns 20 anos, não me lembro de ter topado com coisa mais triste que a rebeldia. Ezequiel me inspira a dizer, como no texto acima, que a rebeldia é fonte de surdez, cegueira e tristeza, não apenas para o profeta, mas para todo povo.

Ser cego é triste, mas é muito pior ser cego sem saber que é. Me peguei tantas vezes tateando nos becos escuros da vida e no final, descobri que era claro mas eu não enxergava. Tanta coisa bonita pra ver ao meu redor, e eu cego por falta de perdão, por teimosia – e por rebeldia. Tanta coisa que poderia ter feito e desfrutado, e eu ali, ceguinho. Hoje sou partidário de que ninguém quer ser cego, portanto sempre que puder quero ajudar a sair da escuridão, valendo inclusive pra mim mesmo.

Ser surdo é muito triste. Uma vez aconteceu comigo de ficar temporariamente ensurdecido e percebi a agonia de saber e notar que havia sons, mas eu não podia distingui-los. Bocas se mechendo, coisas se batendo, objetos sendo arrastados – e nada. É bem melhor deixar de lado as práticas ensurdecedoras e valorizar aquilo que tem valor, e me refiro à voz de Deus.

Somos rebeldes todas vez que não fazemos o que Deus quer, fazemos o que Deus não quer, ou simplesmente bancamos o surdo/cego quando Ele fala. Somos rebeldes sempre que algo acontece onde não deveria e deixa de acontecer quando deveria. Somos rebeldes sempre que fazemos primeiro e pedimos que Deus nos abençoe depois. Somos rebeldes sempre que decidimos sozinhos. Somos rebeldes sempre que tomamos o lugar Dele. Aí ficamos cegos, ficamos surdos, ficamos até meio burros pois o pouco que vemos e ouvimos nos escapa ao entendimento. É mais triste ser rebelde do que possa parecer.

“Pai, ensina-me a não ser rebelde para que não pague o preço da surdez e da cegueira.”

Mário Fernandez

Amigo de Verdade

Amigos“Assim aconteceu o que as Escrituras Sagradas dizem: ‘Abraão creu em Deus, e por isso Deus o aceitou.’ E Abraão foi chamado de ‘amigo de Deus’.” (Tiago 2:23 NTLH)

Há alguns anos aprendi com um amigo muito amado que a amizade genuína não se baseia no que fazemos um para o outro e muito menos no potencial de tirar vantagem da outra parte. Há um outro nome para isso, mas nem vem ao caso. Amizade sincera e profunda não depende do que é dado, cedido, emprestado, feito ou deixado de fazer. É baseada no coração.

Abraão exemplifica isso de forma bastante interessente sendo citado aqui por Tiago. O fato dele crer em Deus foi considerado um ato de justiça e Deus aceitou isso como algo valioso, aceitando a Abraão como amigo. Evidentemente Abraão não foi o único que foi assim considerado por Deus ao longo da história, mas sua menção nas Escrituras Sagradas merece ser destacada.

O que Deus fez para Abraão para ele tirar vantagem? Ao que tudo indica, nada de muito grandioso até aquele momento. Fez sim, e fez muito, mas depois. O que fez Abraão para merecer a amizade de Deus? Certamente que nada de que Deus precisasse, portanto não foi por tirar vantagem que o processo aconteceu. Igualmente certo é que Deus aceitou sua submissão e obediência, coroados com uma fé robusta e consistente, como algo de grande valor. Nasce então uma amizade.

E as nossas amizades, como começam? Como são mantidas? A custa de quê nos consideramos amigos de alguém? A custa de quê somos considerados amigos de alguém? Sou amigo porque sou pastor? Ou porque posso influenciar alguma situação? Péssimo caminho, péssimo começo, péssimo indício de final.

Sou amigo porque isso brota em meu coração e sinto de Deus direção para isso, independente de nunca poder ter nada em troca. Ótima postura, ótimo caminho. Não é tão divertido, mas é muito mais abençoado. Talvez isso explique porque temos tanta gente se dizendo filho de Deus e tão poucos que demonstram uma vida de Abraão.

“Pai, não quero ser sangue-suga do Senhor porque tens poder para me abençoar. Quero ter um relacionamento contigo baseado em amor.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Sábias Palavras

Boca fechada“Até um tolo pode passar por sábio e inteligente se ficar calado.” (Provérbios 17:28 NTLH)

Recentemente vivemos situações distintas porém igualmente tristes, incendiadas pela mesma faísca – pessoas disseram coisas que causaram dor, feriram, magoaram, ofenderam, entristeceram. Parece ser constante a média que o ministério pastoral nos apresenta de que de cada 3 problemas de relacionamento interpessoal, dois são causados por palavras e apenas um por atitudes ou omissões.

Isso já não era novidade nos dias de Salomão, época em que o livro de Provérbios foi escrito. Palavras duras ou suaves, motivadoras ou corretivas, sensíveis ou imparciais. Sempre as palavras. Disse um filósofo que elas são como flecha lançada; não podem mais ser recolhidas ou retiradas. Por mais que o cristão conheça o perdão e se esforce para andar e olhar para frente, o ferimento aconteceu e se não for tratado infecciona a alma.

Não raras são as vezes em que casamentos, empregos, amizades, sociedades, relações familiares, ministérios e missionários – rolam por água abaixo por causa de palavras. Podem ser ofensas, mentiras, agressões, exageros, preconceitos. Mas geralmente o cenário é o mesmo: tudo ficaria melhor com silêncio do que com o que foi dito. Depois de falar, está falado.

A Bíblia nos ensina que a boca derrama aquilo de que o coração está cheio e mais cedo ou mais tarde deixamos escapar alguma coisa. A cura está em nosso coração e não em nossos lábios e nossa língua, que são meros instrumentos. Se nosso coração estiver repleto daquilo que produz vida e amor, será impraticável nossa boca transbordar outras coisas. Vamos aproveitar o tempo que nos resta de vida e ter uma nova disposição, uma virada – dentro e não fora – das nossas vidas.

“Deus querido, embora limitado e fraco como sou, quero ser diferente neste novo ano que inicia. Ensina-me a ser perfeito com a Tua perfeição e não com a minha.”

Mário Fernandez 

Mário Fernandez

Notoriedade

“E nenhum cuidado tinha o carcereiro de todas as coisas que estavam nas mãos de José, porquanto o SENHOR era com ele, e tudo o que ele fazia o SENHOR prosperava.” (Gênesis 39:23 ARA)

A gente pode dizer o que quiser, mas homens como José são uma preciosidade naquilo que Deus quer fazer na história humana. Não no sentido de que alguém seja favorito ou privilegiado por Deus, que a todos trata de forma equilibrada, mas porque se entregam a ser exatamente o que poderiam ser.

Ser de confiança de uma ou de algumas pessoas é algo cada dia mais raro. Imagine um empregado, vizinho, sócio, prestador de serviço, colega de trabalho ou estudo, parente – a quem podemos confiar tudo sem qualquer cuidado. Já são poucos os nomes que nos vêm a mente. Agora imagine um criminoso condenado, como José estava, na sua lista. Se a condenação era justa não importa, pois o trabalho do carcereiro não incluia simpatia ou julgamento, apenas cuidar para que os presos continuassem presos.

Fica saliente a quem olha de fora o quanto Deus faz prosperar nossos projetos, nosso trabalho, nossas investidas. Nem sempre funciona, mas em 100% das vezes em que não deu certo eu me lembro de ter pisado na bola em alguma coisa. Uma vez eu quis ficar rico, de dei mal. Outra vez eu comecei um negócio com uma grande mentira, me dei mal. Outra vez eu tentei bancar o durão e me quebrei. Ainda bem que me converti e deixei destas coisas, porque até mesmo a paciência vai se exaurindo ao longo dos anos.

Quem me dera eu tenha forças pra fazer a minha parte dentro daquilo que eu sei que é certo e longe daquilo que eu sei ser errado. Se meus erros se resumirem apenas à minha ignorância com certeza causarei nas pessoas a mesma impressão que José no carcereiro – de que o Senhor faz prosperar tudo.

“Senhor, longe de mim de te desagradar. Me ensina a persistir nos acertos para colher a Tua prosperidade em minha vida.”

Mário Fernandez