Mário Fernandez

Incomum

“Porém, quando o Espírito Santo descer sobre vocês, vocês receberão poder e serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria e até nos lugares mais distantes da terra.” (Atos 1:8 NTLH)

Provavelmente lemos ou citamos este versículo centenas de vezes todos os anos. Ao longo de 20 anos de caminhada com Cristo, posso afirmar tê-lo citado ou lido mais de 1.000 vezes, com certeza. Mas Deus tem uma infinita capacidade de nos dar entendimento além da nossa capacidade natural. Este versículo sempre é usado no sentido de missão, chamado ou evangelismo, salvo raras exceções.

Ao ler novamente este verso nesta semana, me dei conta que somos pessoas comuns. Não temos poder, não temos virtude, não temos nada senão uma oportunidade. Oportunidade de receber algo que não é nosso, algo que não poderíamos ter, algo que nem sabemos usar. Oportunidade de receber o poder de Deus através do Seu Espírito.

Isso não nos permite dizer que não somos mais pessoas comuns, pois ainda somos completamente comuns. Somos carne e osso, sangue e água (muita água). Continuamos tendo sentimentos humanos de dor, prazer, medo, paz, frio, calor, amor, ódio – e pecado. Continuamos pecando, muitas vezes ainda por muito tempo em grande quantidade.

Mas passamos a ser pessoas comuns com um objetivo, com uma missão e uma capacitação incomum. Passamos a ser pessoas como Deus, não no sentido de Sua divindade ou perfeição, mas juntos com Ele assumimos o propósito de levar o nome de Jesus a toda criatura ao redor deste enorme mundo. Passamos a compartilhar do Seu Espírito e de Seu poder, ainda que não 100% como foi com Jesus – mas certamente isso é incomum.

Pessoas comuns com uma meta incomum, capacitados de forma incomum. Esta seria uma bela forma de definir a igreja e os cristãos. Pena que ao olharmos para estes grupos, só vemos pessoas comuns. Onde foram parar as partes incomuns desta cena? Vale nossa reflexão.

“Pai, ensina-me a ser comum sem ser mundano, e a ter o Teu senso de propósito para que eu desempenhe Teu chamado em minha vida.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Autoridade IV

“Contra Deus não blasfemarás, nem amaldiçoarás o príncipe do teu povo.” (Êxodo 22:28 ARA)

Interessante voltar a este assunto no Antigo Testamento. Somos tão rápidos e assertivos ao lembrar do primeiro e maior de todos os mandamentos (amarás o Senhor Teu Deus) mas nem sempre sabemos que neste versículo temos algo mais. Não blasfemar contra Deus nem merece explicações, é um assunto bastante pacífico.

Quanto a não amaldiçoar aqueles dentre o povo que se acham investidos de poder e autoridade, aqui chamados simplesmente de príncipes, podemos entender de duas formas distintas. A primeira é no sentido de não levantar a voz contra seus líderes, no sentido de amaldiçoar “ativamente” por assim dizer. Desejar sua ruína, falar mal de sua pessoa, apregoar maldições. O povo evangélico deste tempo é pouco dado a isso, mas convém citar.

Numa segunda ótica, provavelmente mais profunda, devemos nos lembrar que o único nome que podemos dar para falta de bênção é maldição. Então, ao não abençoarmos nossos líderes, estamos automaticamente deixando-os à mercê de serem suas próprias fontes de maldição. Se forem líderes cristãos, menos mal, porque alguém em algum lugar deve estar orando em seu favor (ao menos é o que esperamos). Mas, e aqueles que jamais entenderam a graça salvadora do Senhor? Vamos deixá-los perambulando sem vida? Ou vamos pensar que isso só se aplicava a Israel?

Para não haver dúvida, Paulo cita este texto em Atos 23:5 num contexto 100% neo-testamentário. Há uma regra bem simples e bem básica da interpretação bíblica que nos ensina que quando um ensino ou mandamento do Antigo Testamento é reiterado ou confirmado no Novo, aplica-se a nós.

Diante disso, temos de decidir obedecer ou nos rebelar, pois agora não somos mais desinformados. Cabe a nós agora agir (orar).

“Senhor, eu sinto dificuldade em abençoar pessoas que não julgo merecedoras de crédito. Mas o Senhor me amou enquanto eu ainda estava condenado e quero aprender a agir desta forma.”

Mário Fernandez

Vinicios Torres

Mudar o mundo

Gosto de ler um bom livro. Gosto muito de ler biografias, principalmente em primeira pessoa, ou seja, quando o próprio personagem relata as suas experiências e revela os seus sentimentos enquanto passava por elas.

Muito do meu caráter cristão foi formado através do desejo de me tornar semelhante às pessoas de quem li suas histórias: Irmão André, David Wilkerson, David Livingstone. E também pela coragem e exemplos de muitos que, mesmo não sendo explicitamente cristãos, fizeram diferença por aquilo que viveram e realizaram.

Saí da Microsoft para mudar o mundoRecentemente, ao passar pela seção de livros do supermercado, deparei-me com um livro cujo título me chamou a atenção, “Saí da Microsoft para Mudar o Mundo“. Para alguém, como eu, que trabalha na área de informática, o título não podia ser melhor isca.

Não vou repetir o que você pode ler em qualquer resenha. O que me chamou a atenção é a capacidade de transformação que alguém com vontade pode ter. Inspirado por um desafio que encontrou ressonânicia em seu coração, John Wood, começou a fazer diferença com os recursos de que dispunha e a ajuda de parentes e amigos. À medida que obtinha sucesso no nível em que estava, aventurava-se a ir mais longe no próximo projeto.

A “Room To Read“, a ONG fundada por John, hoje exerce influência e transforma vidas em diversos dos países mais pobres do mundo, provendo livros, bibliotecas, laboratórios de informática e bolsas de estudos para meninas.

O religioso completaria: “mas tá faltando o evangelho”. Concordo, a diferença que ele está fazendo se resume a esta vida e falta a dimensão eterna ao seu esforço.

Porém, estamos vivendo um momento de estranho desequilíbrio na igreja. De um lado temos toda uma ala que só se preocupa com o espiritual, e o outro lado, quando se preocupa com a prosperidade, o faz apenas com a sua própria, sem nada realizar para viabilizar a transformação e prosperidade do seu ambiente.

Isso me lembra Jeremias dizendo que não podemos ser prósperos e ter paz sem estar preocupados que nossos vizinhos e nossa cidade também sejam prósperos e desfrutem a paz (Jeremias 29:7).

Gostaria de recomendar o livro e desafiar-lhe a lê-lo com o coração aberto. Quem sabe o que Deus pode inspirar-lhe a deixar para mudar o mundo também?