Entries from outubro 2008 ↓

Abertamente

“Jesus lhe respondeu: Eu falei abertamente ao mundo; eu sempre ensinei na sinagoga e no templo, onde os judeus sempre se ajuntam, e nada disse em oculto.” (João 18:20)

Se Deus quisesse agentes secretos, Jesus Cristo seria o primeiro e o mais exemplar deles. Afinal, era Ele o Filho unigênito do Pai, nosso exemplo e referencial em todas as coisas, nos dando exemplo em tantas situações. Pelo contrário, era Ele quem falava mais abertamente, nada em oculto. Mas precisamos ter cuidado para não confundir o recado com a aparência.

Nos últimos 20 anos tenho visto uma enorme expansão na capacidade do ser humano se comunicar. As tvs, artigo caro e de certo luxo, hoje são comuns e relativamente baratas. Os telefones, antes um ou dois por quarteirão, agora estão em todas as casas. Os celulares, coisa que só se via no desenho dos “Jetsons” está na mão de todo mundo. A Internet, algo impensável para a época, está aí conectando pessoas mundo afora. O mundo está ‘menor’.

Contudo, o que vemos no mesmo período são pessoas e mais pessoas falando cada vez mais a respeito das coisas de Deus, especialmente na tv e na Internet. As cidades urbanas estão crivadas, especialmente as grandes, de igrejas, comunidades, congregações, denominações, grupos evangélicos e outras coisas do ramo.

Mas quantas pessoas temos visto falando abertamente DE DEUS? Da Sua pessoa, Seu caráter? Cada vez mais se fala de prosperidade, cura, bênção e nada disso está errado em si mesmo. Mas, e quanto ao dono e Senhor de todas as coisas? Cada vez menos ouço pregações sobre arrependimento, novo nascimento, mudança de vida, pecado.

Jesus falou abertamente sim, mas falou do que mudava a vida das pessoas e não apenas aquilo que enchia sua agenda ou amontoava pessoas ao Seu redor. Será que temos feito valer os recursos que temos? Será que este mundo ‘menor’ está mais alcançado?

“Pai, não permita que eu me perca nas aparências de entorno enquanto pessoas vão para o inferno por ineficiência daquilo que eu falo. Ensina-me a ser claro naquilo que falo de Ti.”

Mario Fernandez

Impossível

“E ele estava na popa, dormindo sobre uma almofada, e despertaram-no, dizendo-lhe: Mestre, não se te dá que pereçamos?” (Marcos 4:38)

Já vi pessoas tentando defender, com base neste texto, que Jesus pouco se importava com seus discípulos, ou ainda que Ele não ligava para as circunstâncias ao seu redor. Bobagem.

Jesus confiava no Pai como nós jamais confiaremos. Ele tinha clareza de sua missão como jamais teremos da nossa. Ele sabia que chegaria em seu destino, com uma convicção que jamais entenderemos. Ele sabia que poderia fazer o que fosse necessário, porque não fazia nada para seu próprio agrado, mas para glorificar ao Pai.

Quando entendermos que o impossível pode ser feito, tudo em nossas vidas mudará. Temos a idéia mentirosa de que impossível é o que não pode ser feito de jeito algum, em lugar algum, em tempo algum e por ninguém – mas isso é mentira. Impossível é aquilo que só Deus pode fazer, quando quiser, onde quiser, do modo que quiser.

Acalmar a tempestade e fazer os ventos e ondas do mar sossegarem é algo tão impossível quanto dormir na popa de um barquinho sem motor enquanto o mundo desmorona ao redor. O nome disso é paz. É impossível porque, se não vier de Deus, não pode ser feito. Mas temos uma vantagem que parece estar sumindo dos púlpitos, das mensagens e até mesmo dos DVDs mais vendidos. Deus é o único que faz o impossível, segundo Sua vontade.

Quando nossos desejos, sonhos, projetos, metas, ambições, planos – quando tudo que somos e fazemos apontar para glorificar o nome do Pai ao invés do nosso nome (do nosso ego), o impossível de Deus passará a fazer parte da vida de todos nós de maneira fluente, tranqüila, beirando o ‘natural’. Até lá, vamos ficar cocheando entre dois pensamentos, como aqueles que estavam no barquinho com Jesus. “Mestre, estamos com medo. O Senhor não está?”

“Pai, me ensina a depositar em ti meus sonhos e projetos para Te glorificar e com isso ver tua boa mão agindo sobre todos nós.”

Mario Fernandez

Vida que Vale

“Portanto, em nome do Senhor eu digo e insisto no seguinte: não vivam mais como os pagãos, pois os pensamentos deles não têm valor,” (Efésios 4:17 NTLH)

Nós sempre ouvimos que se conselho fosse bom era vendido e não dado, mas parece que Paulo não concordava com isso nem um pouco. Neste texto ele coloca as coisas com ênfase de ordem e não faz sugestão mas afirma e insiste. Neste caso, duas lições fundamentais e de alta seriedade precisam ser aprendidas: os pagãos vivem do jeito errado e isso não deve ser copiado; são os pensamentos que definem nossa maneira de viver.

É bem verdade que precisamos um pouco de firmeza para viver uma vida que seja minimamente exemplar, pois é obviamente mais fácil estarmos em perfeita sintonia com nosso próprio ego do que com qualquer outra coisa. Para ter uma vida que não causa admiração em ninguém, basta continuar respirando, mais ainda neste mundão globalizado de hoje em dia em que eu escrevo aqui e sou lido em qualquer lugar do mundo segundos depois. Mas para chamar a atenção, para causar impacto, para ter relevância, para ser exemplar – a coisa é bem diferente.

Preciso ter pensamentos que me levem a ter atitudes que no mínimo no mínimo, façam com que quem me observa tenha a impressão de que comigo tudo vai bem, mesmo quando não vai bem. Não por ser falso, não por fingimento, mas porque a maneira de lidar com as coisas é a mesma quando tudo vai bem ou vai mal. As minhas práticas levam as pessoas a entender que não tenho pensamentos maldosos e isso causa algum benefício.

Para cultivar bons pensamentos que levam a boas atitudes é como na lavoura, a gente planta e colhe o que plantou. No meio vem praga, vem mato, vem erva ruim. Estas são da natureza e devemos arrancar e jogar no lixo. Isso 24h por dia, todos os dias da nossa vida. Tem esforço envolvido, mas o resultado vale a pena.

“Pai, não permita que eu me perca no objetivo de te agradar e viver diferente dos que não te conhecem. Ensina-me a semear pensamentos que fazem diferença.”

Mário Fernandez

Finalidade Clara

“assim como nos escolheu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor” (Efésios 1:4 ARA)

Eu tenho ouvido muita gente pregando muita coisa sobre prosperidade, liberdade, atitude positiva na vida e coisas nesta linha. Isso é legal, mas o que Deus deseja de nós tem a ver com o motivo para ele ter nos criado, o que segundo este texto, é para que sejamos santos (semelhantes a Ele) e irrepreensíveis.

O retrato da santidade é evidentemente a vida de Jesus, o que é corroborado pelo fato de sermos colocados na posição de co-herdeiros com Ele, chamado em João 3:16 como primogênito de Deus – o primeiro de uma geração. Ele é como o irmão mais velho de uma geração que vem em seguida, portanto nada pode ser mais específico em termos de exemplo. O que não é nada simples, sendo nós humanos como somos, é conseguir seguir o exemplo.

A questão toda é que devemos nos lembrar continuamente que Deus nos criou para sermos santos, e isso não é uma coisa pequena. Nos tornamos gradualmente semelhantes a Jesus em caráter e posicionamento exige muito esforço, dedicação e um toque de amor pelas coisas de Deus. O Espírito Santo fará a parte Dele como parte interessada, mas nós devemos assumir a nossa. Não é necessário lembrar que se isso foi uma escolha que aconteceu antes da fundação do mundo, querer nadar contra uma correnteza destas é perda de tempo. Deus tem um propósito e seremos inclusive mais felizes ao perseguí-lo para nossa edificação.

Me perguntaram há alguns dias como eu definiria santidade. Foi duro de encontrar uma formulação mais firme, mas me veio algo como “fazer o que Jesus faria no seu lugar e não deixar de fazer o que Ele espera que você faça, sendo você mesmo”. Se é isso que Deus espera de nós, vamos correr atrás pois ninguém é mais beneficiado que nós mesmos.

“Deus querido, quero ser ensinado por Ti a ter como objetivo de vida o meu crescimento em santidade. Obrigado por me escolher.”

Mário Fernandez