Entries from março 2009 ↓

Certeza Furada

“Sucedeu que, entrando eles, viu a Eliabe e disse consigo: Certamente, está perante o SENHOR o seu ungido.” (1 Samuel 16:6 ARA)

Samuel se enganou. Bem no meio de uma missão dada por Deus, um homem de Deus sério, num momento sério, havia orado, estava consagrado, cercado de gente de Deus – e ainda assim errou feio. Notemos que a palavra chave ali é CERTAMENTE, porque ter dúvida não seria problema.

Eu e você certamente já devemos ter passado por isso algumas (muitas) vezes. Repletos de convicção, cheios de razão e na maior onda do “foi Deus que mandou” nos tornamos incapazes de ver o erro que estamos cometendo. Como é enganoso o coração do homem. Como a gente embarca em situações muito sérias somente por termos convicção. Para Glória de Deus, Samuel não se precipitou e acabou por ouvir a voz de Deus a ponto de pode agir corretamente, mas comigo pelo menos nem sempre foi assim.

Evidentemente precisamos de convicção para o que estamos fazendo. Não podemos ser contra a convicção, afinal é a paz de Cristo que deve ser o árbitro do nosso coração. Mas isso não significa que, se temos convicção, tudo está certo e vai acabar bem, pois o coração do homem engana. Como devemos agir então? Como evitar de cometer um erro que poderá impactar todo um reino, como no caso do profeta Samuel?

Primeiro, devemos controlar nossa ansiedade e esperar Deus se manifestar, como Samuel fez. Enquanto Deus não falou ele não ungiu ninguém, apenas ficou com sua certeza interior ali, latente. Segundo, precisamos olhar as circunstâncias ao nosso redor. Samuel gostou de Eliabe apenas porque era o primogênito e era um rapaz forte e valente, um guerreiro. Ou seja, o retrato de Saul, a quem Deus rejeitara. Terceiro, não custa lembrar que, mesmo convicto da decisão errada, Samuel seguiu todo procedimento para chegar até ali.

Em suma, podemos e devemos ter convicção sim, mas nunca confiar nela como único critério para discernir o que Deus quer de nós.

“Pai, eu quero ter total convicção de tudo que faço pra Ti, mas nem por isso quero ter razão se o Senhor tiver outros planos. Ensina-me a ser humilde e te ouvir.”

Mário Fernandez

Visão Clara

“Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, quando tens a trave no teu?” (Mateus 7:4 ARA)

Vou tomar este texto por base, ainda que o assunto seja ligeiramente fora do eixo. Tenho sido procurado ultimamente pelos inquietos membros de igrejas locais que gostam de polemizar, com o velho assunto do que pode e o que não pode no culto, o que é mundano e o que não é. Aparentemente tudo começou por conta de um grupo de coreografia.

Antes de sair tomando partido, permitam-me dizer que não tenho lado nesta questão. Não sou a favor da coreografia, na mesma intensidade que não sou contra ela. Isso vale para ritmos musicais, teatro, instrumentos musicais e etc. A questão central a mim parece ser muito mais o que nos impede de ver claramente o cisco do que o olho em si.

Se a expressão de adoração do meu irmão é de uma forma que se pode compreender e não desabona o evangelho, que lhe seja permitido, mesmo que eu não goste ou não concorde. A questão é discutir o que é moralmente correto e edificante e o que não é, não discutir se o costume A ou B é mundano ou não é. Falar ao celular e dirigir automóvel não são costumes mundanos? Quem inventou o celular ou o automóvel o fez para glória de Deus? E a internet? E as roupas de marca?

Nossa adoração deve ter expressão clara como um recado que precisa ser dado, mas a Deus. Se os demais ao nosso redor não podem dizer amém, convém fazê-lo sozinho ou não esperar apoio e participação. Se não temos o que oferecer como elemento de adoração, de nada vale discutir se é costume mundano ou não. Já vi pessoas envergonhando a Cristo enquanto oravam publicamente assim com já vi silêncios extremamente irreverentes.

A hora é de questionar a essência das coisas e não mais suas formas. O tempo é pouco e tem gente demais indo para o inferno enquanto discutimos coisas que não mudam a vida de ninguém.

“Senhor, tem misericórdia de nós, tão críticos que somos. Ensina-nos Deus a te adorar como Tu mereces sem criticar a adoração de nossos irmãos.”

Mário Fernandez

O Homem do Céu – Em Brasília

“Não somos absolutamente nada. Não temos nada de que nos orgulhar. Não temos habilidades, nem nada a oferecer a Deus. Ele escolhe nos usar unicamente por sua graça. Não tem nada a ver conosco. Se Deus preferisse levantar outros para realizar sua vontade e nunca mais nos usasse, nós não teríamos o mínimo direito de reclamar.” Irmão Yun

irmaoyun_emBrasiliaAlgumas poucas vezes na vida nós temos a oportunidade de conhecer pessoas a quem passaremos o resto de nossas vidas almejando se parecer com elas.

Sempre fui ávido leitor e quando me converti minha formação espiritual baseou-se nos testemunhos de muitos homens de Deus cujas vidas foram relatadas em livros. Quando temos a oportunidade de ver e ouvir pessoalmente alguém assim é um privilégio. Imagino que devia ser assim nos tempos dos apóstolos e pais da Igreja. Quando um deles aparecia em uma cidade certamente os irmãos se emocionavam em conhecer pessoalmente alguém cuja fama e histórias o precederam.

Está no Brasil, para uma série de eventos, o Irmão Yun. Pastor chinês, líder de igrejas subterrâneas na China, que foi preso, perseguido e torturado pelo governo chinês em sua tentativa de conter o avanço do Evangelho de Cristo.

Em um país, como o nosso, onde os cristãos estão tão voltados para a busca da sua própria satisfação, ser lembrados que metade dos cristãos no mundo vivem em países onde são proibidos de exercer a sua fé e que assumir um compromisso com Cristo pode custar a sua vida é um desafio e tanto.

Em Brasília, o evento será no dia 07/04/2009, e se você tiver interesse, o ingresso pode ser adquirido na MW Distribuidora (61) 3326-6999. Se você não é de Brasília, fique atento que ele vai estar em várias cidades, quem sabe na sua também.

Você pode ver mais sobre o Irmão Yun nos seguintes endereços:

Livro “O Homem do Céu”
Trecho do livro
Comentário do livro

Para quem for no evento em Brasília, a gente se encontra lá.

Vinicios Torres

Sobrenome

“Paulo, servo de Jesus Cristo, chamado para ser apóstolo, separado para o evangelho de Deus,” (Romanos 1:1 ARA)

Quando se é líder de uma igreja grande ou empresário/executivo de alguma empresa conhecida, é fácil dizer “quem fala é o Pr Mário da igreja tal” ou ainda “sou o engenheiro Mário da empresa X”. Ao perder este status, a alma trinca de cima embaixo como um vidro fraco, e suportar com paciência passa de desafio a desaforo. Isso é o que chamamos de “perder o sobrenome”.

Paulo adotou uma abordagem de grande mérito e totalmente acertada quando escreveu aos Romanos, não adotando o sobrenome que fosse mesmo que tendo direito. Ele poderia ter se nomeado doutor da lei, cidadão romano, pregador de multidões, missionário para todos os povos e por aí adiante. Mas não o fez, preferindo antes ser simplesmente servo de Jesus Cristo, por mais que os outros títulos seria seus por direito. O verdadeiro servo de Cristo sabe e pratica que antes dele vem o seu Senhor.

Se nós em pleno século XXI fizéssemos assim, certamente alguns estranhariam mas com toda certeza não ficaríamos mais expostos a perder o sobrenome. Imagine seu celular tocando, você atende um 0800 qualquer, ligando para oferecer alguma coisa, e você responde “aqui é Mário, servo de Cristo”. Ou então procurar um cliente em seu escritório e apresentar-se à secretária dele dizendo “diga que aqui está o engenheiro Mário, servo do Deus Altíssimo”. O mais importante de tudo certamente é agradar àquele que nos chamou e nos amou primeiro. Todo resto pode ficar para depois, inclusive nosso sobrenome.

Faz parte desta filosofia responder “Glória a Deus” ao invés de “Obrigado” quando alguém elogia uma palestra ou uma música executada. Não apenas é a semente da humildade como ainda dará bom testemunho. Quem sabe não seja isso que esteja faltando numa época tão repleta de títulos e honrarias…

“Deus e Pai, eu não tenho condições por mim mesmo de fazer nada, nem mesmo manter um sufixo no meu nome. Dá-me a coragem necessária para colocar o Teu nome como meu sobrenome.”

Mário Fernandez

Prática da Paciência

“Pois que glória há, se, pecando e sendo esbofeteados por isso, o suportais com paciência? Se, entretanto, quando praticais o bem, sois igualmente afligidos e o suportais com paciência, isto é grato a Deus.” (1 Pedro 2:20 ARA)

Suportar aflição é um assunto que o Senhor vem nos ensinando ao longo dos anos com muito cuidado. Já houve fase emocional, de saúde, com problemas familiares, com problemas financeiros seríssimos, falência, traição nas amizades e negócios e outras coisas. Não murmurar é parte do processo, como integrante de suportar com paciência. Mas nem sempre as aflições serão tão visíveis e permitirão algum tipo de audiência externa. Há situações onde nossa alma sofre e nosso coração partido se inclina para o grito de desespero – mas a esperança está lá.

Suportar com paciência é sempre mais fácil quando o assunto é público do que quando é interior. Ter paciência numa crise financeira não é fácil (sei do que falo), mas exceto por alguns que desesperadamente dão cabo da própria vida, a maioria perde a dignidade social sem perder a honra diante de Deus. Não queira experimentar passar por humilhações contínuas, perda da auto-estima, do reconhecimento, do nome limpo na praça, das amizades. Ser traído e decepcionar-se, não pelo cônjuge, mas pelos melhores amigos. Ou, a pior das experiências emocionais para um cristão sério – ser traído e injuriado pelas pessoas da igreja que servem ao seu lado.

Não estou dizendo para se resignar com a situação contrária, aliás, reaja. Mas não perca a paciência, pois Deus se agradar de você é mais importante que tudo. A paciência produz frutos de vida e embora seja um cultivo doloroso, estes frutos permanecem ao longo de toda nossa vida e nos torna pessoas melhores. Suporte, meu irmão, suporte.

“Deus amado quero ser paciente ao ponto de não murmurar, não perder a linha da ética, não Te desagradar nem pecar. É difícil, e preciso da Tua ajuda.”

Mário Fernandez