Entries from março 2009 ↓
março 27th, 2009 — Mensagem
“Paulo, servo de Jesus Cristo, chamado para ser apóstolo, separado para o evangelho de Deus,” (Romanos 1:1 ARA)
Quando se é líder de uma igreja grande ou empresário/executivo de alguma empresa conhecida, é fácil dizer “quem fala é o Pr Mário da igreja tal” ou ainda “sou o engenheiro Mário da empresa X”. Ao perder este status, a alma trinca de cima embaixo como um vidro fraco, e suportar com paciência passa de desafio a desaforo. Isso é o que chamamos de “perder o sobrenome”.
Paulo adotou uma abordagem de grande mérito e totalmente acertada quando escreveu aos Romanos, não adotando o sobrenome que fosse mesmo que tendo direito. Ele poderia ter se nomeado doutor da lei, cidadão romano, pregador de multidões, missionário para todos os povos e por aí adiante. Mas não o fez, preferindo antes ser simplesmente servo de Jesus Cristo, por mais que os outros títulos seria seus por direito. O verdadeiro servo de Cristo sabe e pratica que antes dele vem o seu Senhor.
Se nós em pleno século XXI fizéssemos assim, certamente alguns estranhariam mas com toda certeza não ficaríamos mais expostos a perder o sobrenome. Imagine seu celular tocando, você atende um 0800 qualquer, ligando para oferecer alguma coisa, e você responde “aqui é Mário, servo de Cristo”. Ou então procurar um cliente em seu escritório e apresentar-se à secretária dele dizendo “diga que aqui está o engenheiro Mário, servo do Deus Altíssimo”. O mais importante de tudo certamente é agradar àquele que nos chamou e nos amou primeiro. Todo resto pode ficar para depois, inclusive nosso sobrenome.
Faz parte desta filosofia responder “Glória a Deus” ao invés de “Obrigado” quando alguém elogia uma palestra ou uma música executada. Não apenas é a semente da humildade como ainda dará bom testemunho. Quem sabe não seja isso que esteja faltando numa época tão repleta de títulos e honrarias…
“Deus e Pai, eu não tenho condições por mim mesmo de fazer nada, nem mesmo manter um sufixo no meu nome. Dá-me a coragem necessária para colocar o Teu nome como meu sobrenome.”
Mário Fernandez

março 24th, 2009 — Mensagem
“Pois que glória há, se, pecando e sendo esbofeteados por isso, o suportais com paciência? Se, entretanto, quando praticais o bem, sois igualmente afligidos e o suportais com paciência, isto é grato a Deus.” (1 Pedro 2:20 ARA)
Suportar aflição é um assunto que o Senhor vem nos ensinando ao longo dos anos com muito cuidado. Já houve fase emocional, de saúde, com problemas familiares, com problemas financeiros seríssimos, falência, traição nas amizades e negócios e outras coisas. Não murmurar é parte do processo, como integrante de suportar com paciência. Mas nem sempre as aflições serão tão visíveis e permitirão algum tipo de audiência externa. Há situações onde nossa alma sofre e nosso coração partido se inclina para o grito de desespero – mas a esperança está lá.
Suportar com paciência é sempre mais fácil quando o assunto é público do que quando é interior. Ter paciência numa crise financeira não é fácil (sei do que falo), mas exceto por alguns que desesperadamente dão cabo da própria vida, a maioria perde a dignidade social sem perder a honra diante de Deus. Não queira experimentar passar por humilhações contínuas, perda da auto-estima, do reconhecimento, do nome limpo na praça, das amizades. Ser traído e decepcionar-se, não pelo cônjuge, mas pelos melhores amigos. Ou, a pior das experiências emocionais para um cristão sério – ser traído e injuriado pelas pessoas da igreja que servem ao seu lado.
Não estou dizendo para se resignar com a situação contrária, aliás, reaja. Mas não perca a paciência, pois Deus se agradar de você é mais importante que tudo. A paciência produz frutos de vida e embora seja um cultivo doloroso, estes frutos permanecem ao longo de toda nossa vida e nos torna pessoas melhores. Suporte, meu irmão, suporte.
“Deus amado quero ser paciente ao ponto de não murmurar, não perder a linha da ética, não Te desagradar nem pecar. É difícil, e preciso da Tua ajuda.”
Mário Fernandez
março 18th, 2009 — Mensagem
“Persegui os inimigos e os alcancei, os consumi os atravessei, aos pés do Senhor caíram, não mais se levantaram” (Trecho de uma música evangélica)
Se você está acompanhando as duas últimas mensagens pode não ter visto a relação entre a primeira (Aos inimigos… amor) e a segunda (Aos inimigos… amor 2). Vamos ver se conseguimos mostrar como elas se encaixam.
Se você observar a área de comentários da primeira mensagem (Aos inimigos… amor) verá que quase todos associaram nossos inimigos com o Diabo ou os demônios, lembrando de Efésios 6:12, onde Paulo fala que a nossa luta não é contra carne e sangue. Ou seja, nossos inimigos hoje são espirituais.
Não nego a existência do Diabo e seus anjos, nem da realidade da sua influência, mas permita-me fazer alguns questionamentos:
- Se nossos inimigos são os demônios, onde, na Bíblia, está escrito que eu tenho de persegui-los?
- Onde Jesus ou os apóstolos deram exemplo de que eles iam atrás dos demônios para atravessá-los e destruí-los?
Sabe o que é curioso? O que vejo é a Bíblia afirmando que Jesus veio para destruir as OBRAS do Diabo (1 João 3:8) e não o próprio.
Quais são as obras do Diabo? A pobreza, a fome, a prostituição, a corrupção, os vícios e todas as mazelas que assolam a humanidade e destroem a imagem de Deus no homem e o afastam da revelação do amor de Deus em Cristo. É contra essas coisas que devemos lutar.
Mas sabe o que nós fazemos? Brincamos de fazer batalha espiritual confortavelmente dentro das quatro paredes das nossas igrejas.
Alguns anos atrás estive em uma igreja onde o líder mandou que todas as cadeiras fossem amontoadas no centro do salão e que as pessoas formassem um círculo em volta delas. Então, em fila indiana, as pessoas andavam em círculo, repetindo as palavras de ordem que o líder gritava no microfone: “Diabo, fora daqui! Diana, fora daqui! Fulano e beltrano, fora daqui!”. Depois de mais de meia hora de marcha e de mandar embora demônios cujos nomes nem sabia que existiam, as pessoas bateram palmas com o líder afirmando que o trono do Diabo estava derrubado naquela cidade.
Sabe o que aconteceu depois?
Nada.
As pessoas continuaram as mesmas e os problemas da cidade também.
Experimente fazer batalha espiritual de verdade indo à favela para evangelizar as pessoas e ajudá-las a vencer o círculo vicioso da fome e da violência. Rapidamente, você descobrirá que os seus inimigos espirituais usarão de pessoas para lhe fazer oposição. Eles o perseguirão, o caluniarão e mentirão a seu respeito (Mateus 5:9-16) para fazer com que você desista da sua missão.
É nesse momento que você descobre o paradoxo que estamos tratando: temos um inimigo invisível que usa de pessoas de carne e osso para nos atingir. O que devemos fazer?
Segundo a Bíblia, devemos nos humilhar diante de Deus e resistir ao Diabo (Tiago 4:7). Resistimos ao Diabo não entrando no jogo dele. Ele opera por meio da violência, da vingança e do orgulho. Resistiremos a ele agindo de maneira contrária à sua provocação.
Devemos amar as pessoas que o Diabo usa para nos atacar, abençoar aquelas que ele usa para nos amaldiçoar, ajudar aquelas que nos acusam de que estamos ali por qualquer outro interesse que não o amor de Cristo por elas. É justamente essa a oportunidade de fazer a diferença praticando o que Jesus nos ensina no Sermão do Monte (Mateus 5:1-6:34).
Aos inimigos espirituais devo resistir, às pessoas que se declaram minhas inimigas devo amar. É por isso que não consigo cantar a música.
“Pai amado, dá-me a humildade necessária para depender de ti sempre que precisar resistir ao inimigo e para amar as pessoas.”