Mário Fernandez

Intimidade – Vivendo o Evangelho

“Não lhes dizia nada sem usar alguma parábola. Quando, porém, estava a sós com os seus discípulos, explicava-lhes tudo.” (Marcos 4:34 )

Quanto mais eu ando com Deus, quanto mais eu leio a Bíblia, quanto mais eu congrego com o Povo de Deus, quanto mais eu oro, quanto mais eu escuto pregações da Palavra – pior fica meu quadro. Mais desgraçadamente pecador me sinto e mais nitidamente distante estou do Santo-Santo-Santo. A exposição ao Reino de Deus parece ser meio “radioativa” para mim, me afetando direta e instantaneamente, mas também retardadamente, imediato mas prolongado. Cada vez mais percebo que sou nada mais nada menos do que “eu” e que o Deus a quem eu sirvo é o que é. Mas também, na mesma intensidade, percebo o interesse e o foco Dele em me fazer compreender o valor do tempo a sós com Ele.

Este versículo saltou-me aos olhos numa leitura diária, numa manhã de domingo, enquanto a família ainda dormia e eu desfrutava do silêncio do começo do dia, sem qualquer pretensão extraordinária. Veja que para a multidão Jesus destinou parábolas, mas para os íntimos explicou. Não são dois pesos e duas medidas, são duas situações diferentes para dois povos diferentes. Assim como se pode comprar uma casa pelo valor de R$200.000 até R$10.000.000 – mas serão casas diferentes.

Falar por parábolas é ensinar, sim. É dar o que se pode receber, o que se pode usar. É como fazemos com nossas crianças de 6 ou 7 anos de idade. Contamos histórias, mostramos letrinhas soltas, palavrinhas novas. O ensino está ali, a base está ali. Mas o significado filosófico de uma palava que toda criança conhece como “mãe” por exemplo, só lhe fará sentido na vida adulta. Para algumas infelizmente nunca fará o sentido que deveria.

Sei que vai soar impopular, mas lá vai – é mais importante estar a sós com Jesus do que qualquer outra coisa. Nunca me aconteceu, mas imagino minha reação se um dia um discípulo meu me procurar dizendo algo como “irmão me perdoe que não fui no culto ontem, mas eu estava orando a sós e me empolguei, passou longe da hora”. Penso (creio) que vou começar tendo inveja, depois eu choro. Bem, vou chorar com certeza. Querido, isso é tudo que temos de diferente dessa multidão que perambula pela Terra como ovelha que não tem pastor. Milhares de milhares de almas que flutuam de igreja em igreja, ocupando cargos, fazem coisas, entregam dízimos, fazem orações, cumprem os procedimentos, mas não vivem a parte mais exclusiva e importante do verdadeiro Evangelho – a intimidade com Jesus.

O evangelho não é um conjunto de regras, é uma caminhada a sós com o Cristo de Deus, Jesus de Nazaré, em intimidade e aprendizado direto da fonte, que resulta num estilo de vida. É um mistério, pois todos nós podemos caminhar a sós com Ele ao mesmo tempo, mas o Reino é assim mesmo. Eu consigo compreender a correria dos nossos dias, tenho dois empregos. Eu consigo compreender a dificuldade de ouvir tantas vozes se dizendo certas. Eu consigo compreender os desafios de uma vida de santidade, eu sou de carne e osso. Mas se meu dia não tem pelo menos alguns minutos para ficar calado tentando ouvir as explicações, tudo que aprendo será figurativo. Negligenciar o tempo a sós com Deus seria sentenciar sua vida à uma prisão na qual vai gastar todos os seus dias sabendo o que quero de Deus, sem jamais sequer suspeitar do que Ele realmente quer de mim.

Vamos nos unir em torno do que quisermos, mas somente depois de tirarmos um tempo a sós com Ele. Que sejam 5 minutos, mas que tenham qualidade. Que sejam mais e mais minutos, com o passar do tempo, pois o benefício é unicamente nosso – pois Ele não será mais Deus do que já é.

“Senhor, me perdoa por negligenciar o tempo a sós contigo, retirado das multidões. Me ensina a organizar minha vida e meu tempo para que eu consiga crescer na Tua presença aprendendo diretamente de Ti.“

One thought on “Intimidade – Vivendo o Evangelho

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *