Mário Fernandez

Família – Vivendo o Evangelho

“Vós, filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isto é justo.” (Efésios 6:1)

Um dos conceitos que me parece mais deturpado nos nossos dias é justamente o de família. Eu vejo com muito receio os dias vindouros, se continuar o tipo de postura que o mundo está tomando com a família. Não me refiro necessariamente a casamento homoafetivos, divórcios, união estável sem casamento, recasamento e essas polêmicas de sempre. Meu foco é outro. Meu cérebro de gerente está treinado para ficar “um olho no peixe outro no gato”.

Estou muito preocupado com as famílias que parecem, mas não são. Parecem normais, parecem estáveis, parecem harmônicas, parecem respeitosas, parecem estar de bem, parecem espirituais, parecem uma bênção. Mas só parecem. Não é nas aparências que se determina a qualidade das coisas, é pelos frutos. Não sou eu que penso assim, foi Jesus que disse isso. A vida comprova isso, também. Até a lógica confirma isso. Estamos rodeados de famílias que facilmente podemos ver que estão bem de aparência, mas nos pontos que a Bíblia ensina estão mal.

Vamos apenas tomando este versículo como base, afinal essa maravilhosa carta de Paulo aos Efésios fala tanta coisa boa sobre família, a gente passaria semanas escrevendo. Qual o padrão de respeito e obediência dos filhos para com os pais nos nossos dias? Qual o padrão de justiça dos filhos para com seus pais? Em tempos em que dar uma bronca em um adolescente pode dar um processo judicial ou até mesmo prisão aos pais “insolentes” a gente pode esperar de tudo.

Vem chegando aí uma geração que não conhece limites, não sabe lidar com pressão, não conhece responsabilidade, não convive com objetivos a cumprir. Os pais não pode repreender ou corrigir pois são “maus tratos” – não sou a favor de violência, me entendam. Os pais também não querem privar dos confortos pois é “traumático” – não sou contra ter as coisas, me entendam. Os pais também não podem confrontar porque isso é “humilhante” – não sou a favor de espezinhar, me entendam. Mas sabem qual o pior tipo de funcionário que tenho? Os que tiveram tudo. Isso mesmo. São os que desistem na primeira dificuldade, não terminam o que começam, não entendem o conceito de cadeia de comando e nada lhes basta porque sempre querem mais da empresa.

Se para mim não está fácil, pense nos pastores, nos professores, nos educadores, nos legisladores, nos policiais. Misericórdia. Tudo isso simplesmente porque a Bíblia, que deveria ser o manual de fé e conduta das pessoas, passou a ser mais um livro no meio dos outros. Isso não é evangelho, não é estilo de vida de Deus, não é nada mais nada menos do que o esfriamento anunciado para os últimos dias – pela Bíblia. Vai piorar meu irmão, tenha certeza.

Cabe a mim e a ti fazermos diferente com nossos filhos biológicos, espirituais, discípulos, filhos na fé, funcionários, colegas – todos a quem possamos anunciar que este mundo jaz no maligno mas há um Deus, sim há, que se preocupa com todos nós e já nos deixou a receita do sucesso. Evangelho é vida, não conjunto de regras. Os frutos demonstram mais resultado que as aparências. E a família, creia em minhas palavras, é um termômetro mais do que social ou político, é espiritual.

Deus abençoe a todos.

“Senhor, usa-me como instrumento responsável para formar e ajudar a formar famílias que atendam os teus padrões. Quem eu puder abençoar, eu quero abençoar.“

Mário Fernandez

Resumo – Vivendo o Evangelho

“Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas” (Mateus 22:40)

Jesus foi e sempre será o maior. Neste versículo ele mostra que não é apenas o maior ser humano que já viveu, ele era o maior mestre e palestrante que a humanidade conheceu. Ele consegui colocar em meia linha (literalmente) o que levou 40 anos para o povo ouvir no deserto e mais uns 450 para ser interpretado e mal executado. Chega a ser engraçado.

Nós que temos toda revelação a nossa disposição, podemos olhar para os erros do povo de Israel no passado e aprender com eles, evitá-los, estudá-los. Nossos irmãos no passado não tiveram isso, somos privilegiados. Pense comigo: se tivermos que resumir tudo que sabemos de Deus, do Seu Reino, tudo tudo, em meia frase… Não dá, não consigo. Jesus conseguiu. Ame a Deus e seu irmão como a si mesmo.

Isso é um resumo poderoso que tem em sua poderosa simplicidade uma verdade um pouco áspera para os nossos dias. Estamos privilegiando outros aspectos da vida cristã e deixando isso de lado. Com certeza. Eu me sinto amando cada vez menos, não creio estar sozinho. Mando mais WhatsApp do nunca, visito menos do que nunca. Lembro de orar mas oro menos. Gente, tem algo errado comigo! Jesus ensinou o contrário, se meu inimigo tiver fome tenho de dar de comer. Pegue tudo que Jesus disse e traduza assim “ame a Deus e a seu próximo como a si mesmo”. Ao tentar simplificar a gente complicou, somos habilidosos, estudiosos, aplicados. Só não amamos.

Eu gostaria de propor ao mesmo tempo uma reflexão e um desafio: será que conseguimos abrir mão de algo que nos seja precioso para amar alguém? Não estou falando de dinheiro (salvo se você que está lendo for um avarento). Mas Deus tem me falado muito sobre as riquezas deste tempo e estou convencido que a maior moeda dessa geração é o conforto (ou comodidade se preferir). Quem de nós abre mão? Saímos de casa numa noite com chuva para uma visita? Trocamos nossa hora de descanso por um aconselhamento?

Sabe, recentemente me perguntaram o que eu consideraria ser “perder a vida para Jesus”. Pensei um pouco e respondi “não morra”. Como assim? Morrer é uma fuga, abafa a sensação de sofrimento, coloca o desconhecido vindouro na pauta. Abrace o presente, viva o dia de hoje para Jesus, gaste sua vida com o evangelho e para o evangelho sem morrer nem “perder a vida”. Serei menos abençoado do que os que vão para os confins da Terra? Não creio. Tem gente perdida ao meu alcance para medir em palmos e não em milhares de km. Uns vão, outros não vão. Desde que todos produzam, tantos os próximos quanto os distantes serão alcançados.

E o desafio? Tente. Abra mão. Pense naquele momento preguiçoso que não é pecado (é descanso merecido) e abra mão de uma parte dele. Depois me conte se Deus não te fez sentir que valeu a pena. Vou testar neste momento, com licença.

“Senhor, tem algo para ser feito hoje de maneira simples que vai refletir o amor a Ti e ao proximo. Eu quero começar com isso e se ficar só nisso terei feito algo. Me ajuda, estou muito devagar.“

Mário Fernandez

Trabalho – Vivendo o Evangelho

“Prepara-se o cavalo para o dia da batalha, porém do Senhor vem a vitória.” (Provérbios 21:31)

Evidentemente o contexto de uma batalha campal como nos dias do Antigo Testamento são diferentes do que conhecemos hoje, tanto no sentido da realidade que vivemos no Ocidente como também pelo tipo das guerras. Não sou aficionado por história (para ser sincero sou pouco interessado) mas tenho noção de algumas coisas. Cavalos, arcos e flechas, escudos, espadas e principalmente um rei no campo de batalha – impensável em nossos dias.

Mas neste texto Deus falou comigo no sentido do trabalho, da preparação, na coisa de cada um cuidar da sua parte. Deus fará a parte Dele com absoluta certeza, Ele dará a vitória da batalha segundo Sua vontade, e isso se a vitória vier. Mas, não podemos negar que há um “cavalo” a ser preparado, não porque Deus precise dele mas porque EU preciso. Se eu não faço a minha parte, perco o direito de esperar que Deus faça a parte Dele.

Estamos vivendo dias em que a confusão é total. Nosso cenário político, econômico, social, etc inspiram “desespero”. Na véspera do dia que escrevi este, vi a notícia de um latrocinio (roubo seguido de morte) numa cidade de pouco mais de 40.000 habitantes no interior do RS, por onde eu passei poucas horas antes vindo para meu trabalho. Um comerciante reagiu a um assalto e foi morto na porta da loja. Isso era coisa de cidade grande. ERA. As condições de vida estão se tornando complicadas em todos os lugares. E isso reflete o mundo espiritual, portanto o avanço do inferno é mais notório que qualquer outra coisa.

E o qual a relação com o texto? Pois é – nós igreja, corpo de Cristo na Terra, ao vermos isso ficamos escandalizados na primeira vez, assustados na segunda, impressionados na terceira, indiferentes na quarta e da quinta em diante… olha…. não tem muita diferença entre nós e os incrédulos, não. Por quê? Primeiro porque se nossa oração fosse regada com lágrimas, fosse intensa o suficiente e precedida de um grande arrependimento Deus faria novamente o que prometeu em 1 Crônicas 7:14. Não estamos preparando o cavalo, a vitória da batalha não está vindo.

Talvez daqui alguns anos este cenário seja apenas histórico, mas para mim é “meu hoje”. Preciso preparar meu cavalo. Preciso orar mais, preciso anunciar melhor o evangelho, preciso ser mais vitorioso. Sem isso, só me resta ser um derrotado sem reclamar, pois Deus teria feito Sua parte.

É uma reflexão dura, um reconhecimento amargo, mas um ensino necessário. Algo precisa ser feito urgente, e se for para ser feito por nós tem que ser por aí. Qualquer ser vivo pode protestar e fazer passeata, mas só o povo de Deus pode orar a ponto de mover o braço do Altíssimo. Vamos nessa?

“Senhor, não quero ser negligente com a minha geração. Se tem algo que posso fazer é orar mais. Me fortalece e me ensina a agir de modo digno do evangelho.“

Vinicios Torres

O Que Você Fala Para Si?

“Por que estás abatida, ó minha alma, e por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei.” (Salmo 42:11)

Você já falou sozinho?

Há algum tempo, ao ler este salmo, percebi que o salmista estava falando consigo mesmo. Ou seja, nos termos atuais, falando sozinho.

Esta é uma ação que a maioria das pessoas considera estranha. Ela é muitas vezes associada às pessoas mentalmente desestabilizadas, principalmente aquelas que conversam com amigos imaginários que só elas veem.

Mas, examinando a maioria da população que pensa que é mentalmente saudável (como nós, por exemplo) chegamos a conclusão que todos falamos conosco mesmos de alguma maneira. A grande maioria o faz apenas mentalmente, sem emitir sons audíveis. Alguns o fazem o fazem em voz alta quando estão sozinhos.

Essas auto-conversas são muito importantes. Elas muitas vezes induzem um estado mental que pode nos animar ou destruir a nossa tranquilidade. Quantas vezes ao pensar sobre um problema você começa a enumerar para si mesmo uma relação de motivos porque tudo vai dar errado? Ou quando vai a uma entrevista de emprego fica dizendo a si mesmo as razões pelas quais você não vai conseguir o trabalho?

O apóstolo Tiago ensina em sua carta que a língua pode determinar a direção do corpo da mesma maneira que um pequeno leme pode determinar a direção de um grande navio. (Tiago 3:3-12) Aquilo que você diz a você mesmo pode levá-lo à vitória ou à derrota dependendo daquilo que você diz.

Davi estava passando por tempos difíceis e constatou que estava abatido pelos problemas. Situação comum a todos nós. A vida nos traz problemas e muitas vezes as energias, sejam físicas, mentais ou espirituais, podem se esgotar. É natural isso acontecer. Ele poderia simplesmente ter percebido isso e ficado sentado num canto da caverna dizendo a si mesmo: “Ó vida, ó azar. Pobre de mim. Prometido rei e acabado perseguido, que será de mim?”

Porém, o que ele disse para si? “Por que você está abatido? Qual o motivo de ficar assim? Afinal de contas, temos a promessa de Deus, então espera nEle, pois ainda haveremos de louvá-lo pelo cumprimento das suas promessas!”

Em vez de dar ouvidos às palavras negativas devido às circunstâncias ele passou a falar para si mesmo palavras de ânimo e incentivo, palavras que mudavam o seu estado emocional para melhor.

Ele não fazia isso sem base. A sua base eram as promessas da Palavra de Deus que haviam sido dadas a ele e sua experiência do cuidado constante de Deus na sua vida.

O profeta Jeremias, em suas lamentações, em determinado momento diz: “Quero trazer à memória o que me pode dar esperança.” (Jeremias 3:21)

O que você anda dizendo para si mesmo? Qual é o conteúdo das suas auto-conversas?

Quero desafiá-lo a examinar essas conversas e passar a usá-las como ferramenta de edificação própria. Em tempos de dificuldades e tristezas, se necessário for, vá para a frente do espelho, olhe-se bem e diga para si mesmo:

“Por que você está assim? Espere em Deus, pois você ainda há de louvá-lo!“

Mário Fernandez

Ansiedade – Vivendo o Evangelho

“Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal.” (Mateus 6:34 ACF)

Nessa nossa geração apressada do século XXI o que tem aos montes é gente ansiosa. Eu já escrevi anteriormente sobre a tensão entre o otimismo e o pessimismo, nas suas relações com a fé. Quero meditar sobre esperar sem perder a esperança.

Todas as definições, artigos e dicionários que pesquisei descreveram ansiedade usando palavras como medo, antecipação, agonia, dor na alma e, em alguns casos, foi descrito como doença. Andar inquieto vai contra confiar em Deus, pois Ele cuida de tudo e prometeu cuidar de tudo.

Ansiedade nada mais é do que perder a esperança e a fé. Posso provar esta afirmação. Enquanto temos esperança estamos tranquilos, pois confiamos naquilo que virá, embora para alguns 10 minutos em uma fila seja uma espera torturante. Mas na fila do banco, com o cartão na mão, tendo total certeza que o dinheiro está na conta e basta chegar sua vez para sacar – tudo bem. Isso é esperança e a agonia da espera ou a inquietação da próxima tarefa não causam necessariamente ansiedade. Sem ter certeza do saldo, aí sim. Sem saber o que vai encontrar, aí sim. Ou seja, o que assusta não é a espera em si, mas o desconhecido à frente.

Agimos assim em todas as áreas da nossa vida. Temos a péssima fraqueza, de maneira geral, de comprometer a comemoração de uma vitória em detrimento da ansiedade da próxima batalha. Tenha fé meu irmão, olhe para ela com olhar de vencedor e creia na mão de Deus se movendo em seu favor. Encare a batalha e se for derrotado, como se diz na minha terra natal, “vai lamber as feridas”. Mas depois, não antes.

Ao confiarmos em Deus para cuidar de nossos problemas, desenvolvemos a fé que enxerga uma saída adiante e essa tira de nós o medo e a ansiedade. Eu viajo muito e ainda assim toda vez que vou para a estrada fico tenso. Tenho 30 anos de evangelho e sou pastor faz mais de 15, mas toda vez que vou pregar os joelhos tremem. Mas isso não é ansiedade, não é inquietação, não é falta de fé. É temor e zelo pelo que tem que ser feito. Me preocupa muito mais o sustento de minha familia se algo acontecer comigo do que tenho medo de morrer. Meu foco é ser fiel às Escrituras e dar o recado de Deus ao pregar, não é medo de passar vergonha.

O firme fundamento do que se espera nos alivia a tensão e permite viver um evangelho que define o estilo de nossa vida. Evangelho não é certeza de nada, é apenas uma boa notícia de salvação. Para quem não consegue confiar, dá na mesma. Para quem pretende viver com Jesus na eternidade, entende que semeia isso aqui e agora, isso é tudo que é preciso.

Controle sua ansiedade meu querido. Leia mais a Palavra de Deus, ore mais, vença a ociosidade, despolua sua mente (tv, internet, música de mau gosto), olhe para o alto e adore Aquele que vive para sempre. Sou testemunha viva: é quase egoísmo, pois a gente é que vive melhor sem ficar ansioso. Deus te abençoe.

“Senhor, eu quero ter fé e não andar ansioso. Me ensina a viver de tal modo que não Te envergonhe perdendo as esperanças e pensando no pior. Me ajuda a focar em Ti e vencer a ansiedade.“

Mário Fernandez

Confiáveis – Vivendo o Evangelho

“Mas escolha dentre todo o povo homens capazes, tementes a Deus, dignos de confiança e inimigos de ganho desonesto. Estabeleça-os como chefes de mil, de cem, de cinqüenta e de dez.” (Êxodo 18:21)

Um homem digno de confiança é um homem que morre mas não trai seus compromissos, não quebra sua promessa, não volta atrás no que diz, honra seus tratos. É um homem previsível, portanto, bastando perguntar ou verificar o que afirmou para saber o que aconteceu. É uma questão de caráter e de coragem.

Na minha carreira profissional, fora do meio eclesiástico, eu sou tentado continuamente a quebrar minha palavra ou a me comprometer “convenientemente” sabendo que não vou cumprir. É uma forma disfarçada de mentira, portanto não posso compactuar com isso. Hoje, ao escrever este texto são mais de 22h e tive um dia difícil. Muitos fornecedores cobrando, pressão para produzir, colegas inseguros, funcionários complicados. Seria mais cômodo dizer a cada um o que quer ouvir, mas não seria confiável.

Confiável é um homem que pode ter pouco ou muito estudo, pode ser jovem ou velho, rico ou pobre – mas será sempre previsível, no sentido de que fará o que disser que fará. Digno de confiança é acima de tudo e antes de mais nada “digno”. A Bíblia nos ensina que “Deus não é homem para que minta nem filho de homem para que Se arrependa”. Isso é ser digno de confiança.

É terrivelmente sofrido servir a um líder que não merece confiança, principalmente quando volta atrás naquilo que tratou – creiam, passei por isso mais de uma vez. O povo de Deus não merece isso, afinal pertence a um Deus confiável. Por outro lado, servi ao lado de homens que mesmo com dano próprio não voltam atrás em algo que se comprometeram. É impensável um homem liderar pessoas sem ser digno de confiança. De nada adianta a capacidade mal utilizada ou o temor a Deus sendo comprometido por uma falha de caráter tão grave quanto a de não ser confiável.

O evangelho mais legítimo que consigo imaginar é fundamentado na verdade que liberta, que traz luz. Assim sendo, ser digno de confiança é ser verdadeiro e firme em tudo. Viver o evangelho é amar a verdade a ponto de ter prejuízo para não comprometê-la. Isso, meu querido, é ser digno de confiança. Sem parcialidade, sem interesses escusos, sem surpresas. Como Deus é: Ele nos surpreende sim, mas nunca no que se trata de quebrar a Sua Palavra e Suas Promessas.

“Senhor, me ensina e me fortalece para eu ter coragem para sustentar aquilo que eu assumir, falar ou prometer. Sou humano, mas quero subir meus padrões na direção dos Teus.“

Vinicios Torres

Foco nas Ações que Transformam

“Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, e sim como sábios, remindo o tempo, porque os dias são maus.” (Efésios 5:15)

Já fiz duas considerações inspiradas na citação de Charles Spurgeon abaixo:

“Por que alguns cristãos, apesar de ouvirem mil bons sermões, não têm avanço na vida espiritual? Porque eles negligenciam sua obrigação, seu quarto fechado, a solidão com Deus… eles não meditam no que ouviram. Eles “amam” o trigo, mas não moê-lo. Eles teriam o milho, mas eles não irão ao campo colhê-lo. O fruto está pendurado, mas eles não vão estender a mão. A água está fluindo em seus pés, mas eles não vão se inclinar para beber… Irão reclamar porque outros não fazem isso para eles… De tal loucura livrai-nos, ó Deus!”

– Charles Spurgeon

Hoje, gostaria de perguntar a você: quantas vezes já realizou tarefas ou se envolveu em programas sem ter um propósito claro e definido, um alvo a atingir? Quanto tempo já gastou fazendo coisas que depois você olhou para trás e se perguntou do que adiantou? Para que serviu?

O apóstolo Paulo diz nessa passagem que devemos “ver prudentemente como andamos”, ou seja, devemos ter sob controle o tempo gasto nas atividades de nossa vida, pois, como ele diz, “os tempos são maus”. Paulo estava falando da época em que vivia e ele tinha consciência de que deveria aproveitar todas as oportunidades e realizar o máximo possível, pois sabia que a qualquer momento poderia ser preso, ou morto, e ele não queria terminar a vida com a sensação de não ter realizado o que Deus lhe tinha proposto.

Pelas tom das suas cartas, Paulo transparecia a preocupação de realizar as atividades certas para atingir os melhores resultados. Ele tinha um foco claro, fazia o que sabia que o dirigiria para esse foco, delegava as tarefas para os companheiros de ministério e os orientava para que eles também alcançassem os objetivos propostos (vide especificamente as cartas a Timóteo e Tito, por exemplo).

, você seria capaz de parar e listar em um papel tudo o que fez na semana passada e avaliar o quanto cada uma das atividades que realizou contribuiu para levar você a algum dos alvos propostos para sua vida? Tem coragem de enfrentar a realidade de que boa parte do que faz não ajuda a ir a lugar nenhum?

Você pode sonhar, orar, chorar, pedir, gritar, estudar, ler, assistir televisão (ou vídeo na internet), ver a timeline infinita do Facebook e mais outras coisas, mas nada mudará na sua vida se você não decidir AGIR.

São as ações que você decidir realizar que levarão você na direção que deseja.

Cada ação criará um resultado que poderá agregar ou não ao seu objetivo. Decida pelas ações que ajudarão você a ir em frente e evite aquelas que não adicionam nada ou apenas fazem você “passar o tempo”. O mundo, e o sistema diabólico por trás dele, convencem as pessoas de que elas devem se sentar em frente a uma televisão (ou um computador/celular) e relaxar. O que ele está fazendo é amarrar milhões de vidas a uma existência medíocre, abaixo da real capacidade de realização do ser humano, por falta de ação focada em um objetivo de vida claro.

Você deve, sim, gastar tempo em oração e receber de Deus a inspiração para seu objetivo de vida. Uma vez recebida essa inspiração é sua responsabilidade escolher as ações corretas para torná-la realidade.

“Senhor, ajuda-nos a te ouvir tão claramente que não tenhamos dúvidas em escolher corretamente como usar o nosso tempo nas ações que transformarão nossas vidas e o mundo ao nosso redor.”

Mário Fernandez

Segunda Chance – Vivendo o Evangelho

“Então Sansão clamou ao SENHOR, e disse: Senhor DEUS, peço-te que te lembres de mim, e fortalece-me agora só esta vez, ó Deus, para que de uma vez me vingue dos filisteus, pelos meus dois olhos.” (Juízes 16:28)

O Deus a quem servimos nos vê de modo diferente do que nós vemos e é por isso que Ele nos dá novas chances de cumprir nossos propósitos. O jovem Sansão teve toda capacitação e oportunidades para ser o que Deus queria que ele se tornasse. Ele optou por ser um jovem impetuoso, briguento, arrogante, quebrador de regras e pior de tudo: mulherengo. Poucos são os atributos positivos deste homem que foi escolhido por Deus para ser um juiz no meio do povo. E ainda assim, Deus o usa atendendo seu pedido que aparece nesse versículo.

Eu fico imaginando, pela minha lógica completamente humana, que Sansão não merecia ser atendido nesse pleito. O propósito maior de Deus não era matar filisteus nem trazer vingança para alguém que estava colhendo os frutos de seus erros. Porque então concedeu o pedido? Porque permitiu a Sansão morrer com mais dignidade do que viveu boa parte de sua vida? A resposta é dolorosamente simples: não sei, Deus não pensa como eu.

O maior ensino que consigo ver neste texto é de que se eu alinhar meu esforço com o propósito de Deus eu terei mais força. É meio maluco, poderia ser mais fácil. Mas me permita explicar: se eu pedir o que Deus quer me dar, eu terei. Se a missão de Sansão era diminuir o numero de filisteus, bingo. Se Deus fez isso “em nome dos velhos tempos”, o que não creio, estaria honrando um pedido final de um servo que em momentos passados foi fiel. Faz sentido, mas é meio desconfortável de aceitar se pensarmos que foi o próprio Sansão quem abriu mão de seguir o caminho “dos velhos tempos” então recompensar um erro fica esquisito.

Daí me vejo com meio século de caminhada, três décadas de evangelho e pouca coisa produzida. Se Deus quer algo de mim ainda tenho tempo, talvez. Se Deus espera que eu peça algo a Ele que é o que Ele quer me dar, eu já deveria saber disso. Vou esperar meu último suspiro? Sinceramente, tenho decidido que não. Estou mais e mais dedicando minhas madrugadas e começos de manhã a buscar entendimento e pedir a Deus para fazer em mim o mais simples de tudo – a Sua vontade. Isso faz parte de um evangelho mais vivido que teorizado, mais genuíno do que enfeitado, mais celestial do que mundano, mais espiritual do que lógico.

“Senhor, eu não quero desperdiçar a única vida que tenho para chegar no fim dela e tentar Te servir. Me ajuda a recuperar a urgência da Tua obra e a pressa em ser e cumprir minha missão na Terra”