Mário Fernandez

Dons – Vivendo o Evangelho

“Irmãos, quanto aos dons espirituais, não quero que vocês sejam ignorantes.” (1 Coríntios 12:1)

Deixando de lado a milenar rusga entre pentecostais e não-pentecostais, todos que se intitulam “povo de Deus” reconhecem que Deus concede dons aos seus, para servir de uma ou de outra forma. O que me preocupa e me chama a atenção é, de fato, que o apóstolo Paulo escreveu claramente que não devemos ser ignorantes.

Eu já vivi meus quase 30 anos de evangelho em grupos diferentes com percepções e crenças diferentes sobre este assunto. O que mais me dava arrepio sempre foi a sombra da dúvida. Sabe aquela coisa “e se eu estiver errado” que sempre me perseguia. De uns anos para cá, versículos como este me libertaram do peso e me fizeram mais frutífero no Senhor por um motivo muito simples de entender: eu não preciso me preocupar, preciso é ser fiel!!

Vou explicar melhor: quando Paulo diz para não ser ignorante, está querendo dizer para ser informado, para estudar, para saber, para crer. Nesta condição, eu terei opinião formada sobre o assunto dos dons e portanto poderei crer no que entendo. Se eu tiver opinião formada e agir de forma condizente com isso, estou sendo fiel – e é isso que Deus quer de mim.

Nesta perspectiva, não é estar certo que conta, mas o quanto me dedico e com que intensidade me dedico ao que eu creio. O uso dos dons e sua forma de manifestação não tem unanimidade, mas ser ignorante é não saber de que lado ficar. Meus filhos, a respeito dos dons eu quero que saibam em que creem e sejam fiéis a isso – seria minha tradução livre para este versículo.

Podemos ter certeza de que todos os dons apresentados por Paulo, principalmente neste capítulo, apontam para unidade e edificação da igreja como Corpo de Cristo na Terra. Eu contei 11 versículos neste capítulo que expressam ou sugerem claramente esta ideia – ora, sendo assim não praticar meus dons espirituais seria no mínimo egoísmo.

Não importa qual seja o dom, não importa qual seja a forma que eu o entenda, não importa como vou praticá-lo – tudo que importa é que eu seja dedicado, sincero e fiel a Deus através desse dom. Viver assim é viver o evangelho e não apenas seguir regras.

Já se perguntou porque temos tantos tipos e formas de igrejas em nossos dias? Para mim é a oportunidade para que todos possam se encaixar… usando seus dons!

“Senhor, não quero ser ignorante nem negligente com o que Tu quiseres me dar como dom. Me ensina a Te servir de forma fiel ao que creio e da forma como creio. Aumenta minha fé.“

Vinicios Torres

Insatisfação Midiática

“Sejam agradecidos a Deus em todas as ocasiões” (1 Tessalonicenses 5:17)

Às vezes a gente recebe sabedoria de lugares inusitados. Hoje recebi um e-mail do blogue do Set Godin, guru de marketing americano, que me fez pensar. Traduzi rapidamente para você aqui:

O motor do nosso descontentamento

“Quando a TV foi adotada pela primeira vez, foi um presente mágico. Os shows uniram nossa cultura e os anúncios alimentaram um boom consumidor aparentemente infinito.

Hoje, porém, os comerciantes transformaram a televisão em um instrumento de insatisfação. Os shows alienam a muitos, porque eles trazem um mundo idealizado e caro para as casas de pessoas que cada vez mais não podem pagar. E os anúncios relembram quase todos que suas vidas estão incompletas e infelizes – a menos que comprem o que está sendo oferecido. Pior, as notícias por TV paga são otimizadas para chocar, assustar e dividir as pessoas que a observam.

A mídia social pode amplificar todos esses ciclos descendentes. São 1000 vezes TV.

Daí uma classe média, milhões de pessoas que seriam tão ricas como reis em qualquer outro momento ou lugar, estão angustiadas e desapontadas e se sentem deixadas para trás. Vítimas de um regime de mídia onde elas são o usuário e o produto.

Toda vez que a TV e as mídias sociais consomem um tempo significativo em uma casa, o prazer aumenta e a felicidade diminui.

A solução é simples e difícil.

Podemos desligá-la.

Se não conseguir o que você precisa ou deseja, desligue-a por algumas horas.”

Este método do marketing moderno de te tornar insatisfeito com o que você é e com o que você tem colide frontalmente com o conselho bíblico.

O Novo Testamento fala mais de uma vez sobre a necessidade de aprender a estar satisfeitos com o que temos (1 Timóteo 6:6-8; Hebreus 13:5; Lucas 3:14).

A satisfação não anula o desejo de melhoria, ela equilibra o nosso coração para não cair na ganância. A satisfação ajuda-nos a usufruir plenamente o que temos para hoje enquanto trabalhamos pacientemente pelo melhor no futuro.

O insatisfeito e ganancioso está sempre olhando para o que tem e desprezando por desejar mais.

Quando nos tornamos condicionados por este descontentamento midiático, nada nos satisfará e dará prazer por muito tempo. O único prazer experimentado pelo insatisfeito é da conquista do bem/prazer desejado. Assim que a compra termina, o prazer termina, pois a insatisfação instalada no coração já faz ele começar a desejar outra coisa.

Essa insatisfação midiática não nos deixa reconhecer a provisão de Deus. Estamos sempre pedindo, mas não entendemos o que recebemos. Não nos tornamos gratos pela vida e provisão que Deus nos dá.

Quando eu era criança havia um segmento de evangélicos conhecido pelo extremismo de proibir a TV, pois dizia que ela era instrumento do diabo para nos desviar de Deus.

Começo a achar que eles tinham razão.

“Senhor, ajuda-nos a desligar-nos do que nos afasta de Ti e ensina-nos a estar satisfeitos com o que recebemos da tua mão.“

Mário Fernandez

Obediência – Vivendo o Evangelho

“Quem tem os meus mandamentos e lhes obedece, esse é o que me ama. Aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me revelarei a ele”. (João 14:21)

Ontem tomava um café com um pastor a quem amo muito e falávamos do nosso assunto favorito – o Reino de Deus. Este homem tem uma percepção peculiar das coisas sobrenaturais e, se dependesse de mim, eu passaria meus dias com ele tratando disso. Claro, temos mais algumas coisas a fazer e fazem parte da vida que Deus nos deu. Mas justamente este foi o ponto que mais me chamou a atenção: o que deve tomar nosso tempo? A que devemos nos dedicar?

É imperativo obedecer a Deus em Sua vontade, que aliás e antes que eu esqueça de mencionar é boa/agradável/perfeita. Mas de uma maneira bem simples, podemos entender a vontade de Deus dividia em dois grandes grupos de efeito didático. Quero deixar registrado que tenho formação teológica e conheço perfeitamente os pontos teologia sistemática que tratam da vontade de Deus. Opto por simplificar dizendo assim: há mandamentos gerais e há os específicos.

Os gerais ou genéricos são aqueles que se aplicam a todas as pessoas, a exemplo de “sede santos” ou ainda “orai sem cessar” – como sabemos? Pelo texto bíblico. Foi dito para quem, em qual contexto, em que cenário? Interpretação básica e simples. Para estes mandamentos se aplica o texto de João 14:21, ou seja, quem obedece demonstra amor a Jesus. Portanto, qualquer mandamento destes deve ser obedecido sob pena de comprometer o relacionamento com Deus.

Os mandamentos específicos são aqueles que se aplicam a uma pessoa ou grupos determinados – nem todos serão pastores ou mestres, um ou outro deverá ir especificamente ser missionário na Africa ou na China. Estes mandamentos devem ser igualmente obedecidos, igualmente sob pena de comprometer o relacionamento com Deus. Penso eu, de modo muito convicto, que estes mandamentos específicos são mais comprometedores, ou seja, eles abençoam mais e exigem mais responsabilidade, mais comprometimento e mais obediência. Cada um de nós, portanto, precisa/necessita entender o que Deus espera de nós – individualmente. Não é viável praticar um mandamento que não se conhece, não se entende ou não se submete.

Neste ponto gostaria de dar meu testemunho. Para glória de Deus estou vivendo um momento profissional em que estou com um rendimento um pouco acima do que preciso para viver. Não é nenhuma fortuna, mas é um excedente. O que fazer com esse dinheiro? Para alguns talvez subir o padrão de vida, para outros ofertar para missões, para outros guardar para a velhice, para outros comprar uma casa. Eu sei EXATAMENTE o que Deus quer que eu faça com esse dinheiro. Se fossem milhões talvez eu não entendesse, não concordasse, mas estou sendo obediente. Não dá pra comprar uma casa, mal daria para trocar de carro – mas eu não preciso, tenho convicção do que fazer, portanto resta obedecer. Em outras áreas da minha vida eu tenho buscado entender e obedecer, mas não está fácil…

Meu amor a Deus e Seu Reino deve ser demonstrado pela obediência aos mandamentos, pois isso é viver um evangelho como estilo de vida e não como conjunto de regras.

“Senhor, eu quero fluir na Tua vontade, quero que ela funcione na minha vida. Ajuda-me a viver sabendo o que queres de mim.”

Mário Fernandez

Unidade – Vivendo o Evangelho

“Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste.” (João 17:21)

O mundo nos colocou numa tal correria, numa tal agenda cheia, num tamanho sufoco, numa tal sobrecarga, que isso se tornou nossa prisão. Durante anos tenho ouvido pregadores falando que esta geração não tem tempo para Deus, não tem vida de oração, não lê as Escrituras, não se dedica a Deus, tudo por falta de tempo (ou alegações deste tipo). Não é mentira, estou certo disso.

Mas nestas meditações da noite, que no meu caso são geralmente longas e solitárias, percebi que o mundo minou algo que deveria ser importante. A igreja dos nossos dias é sem sombra de dúvida a mais desacreditada de todos os tempos. Já houve épocas em que não se cria em Deus, não se ouvia falar de Cristo, não se tinha Bíblia para ler. Resolvemos isso historicamente e agora o povo de Deus é mais um na lista do noticiário com pastores que roubam dinheiro, bispos que engravidam secretárias, apóstolos que enriquecem, membros que não pagam suas contas – é só mais uma casta social, um gueto, um facção, qualquer coisa menos sal e luz. Por quê? O que nos levou a isso?

Na minha humilde opinião como servo de Deus, a correria nos colocou nos trilhos da indiferença e isso se tornou nossa prisão, pois eu não tenho tempo de me importar com mais ninguém. Com isso, a oração de Jesus no versículo acima simplesmente não se cumpre, mesmo passando séculos e séculos. Como vou ser um com meu irmão se tenho tanta coisa para fazer? É tanta correria, tanto trabalho, tanta informação, tanto de tanta coisa que não tenho tempo. Mas deveria ter. Deveria estar no cardápio.

Investir tempo em unidade do Corpo de Cristo é parte da nossa missão na Terra, e tristemente vejo pessoas dedicando sua vida a projetos missionários em lugares distantes e difíceis, passando sofrimentos, se gastando – mas não tendo unidade com ninguém. Pergunto-me se não estão é fugindo da “missão” mais difícil de todas: ganhar nossos irmãos de fé não para o evangelho (eles já são da fé) mas para nosso relacionamento em unidade. Imagine o desafio de ter que suportar essa gente toda ao seu redor como se fossem da sua própria carne e sangue.

Talvez eu esteja sensibilizado por algo em particular, mas creio que Deus está nisso. O mundo não está crendo que somos de Deus, estão nos vendo como mais uma das opções de religião. O versículo acima explica isso. Lembro do segundo mandamento com certo constrangimento ao pensar nisso. Sabe, aquele que ajuda a resumir a Lei e os Profetas e fala sobre amar ao próximo…

“Senhor, tenha misericórdia de mim. Meu egoísmo me coloca numa correria tal que não estou em unidade com meus irmãos e nem investindo nisso. Socorro, isso precisa mudar. Ajuda-me!“

Vinicios Torres

Oração e Relacionamentos

“Ora, se eu, sendo o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também. Em verdade, em verdade vos digo que o servo não é maior do que seu senhor, nem o enviado, maior do que aquele que o enviou. Ora, se sabeis estas coisas, bem-aventurados sois se as praticardes.” (João 13:14-17)

Uma das coisas que temos visto acontecer com muita intensidade na igreja de hoje é o uso dos relacionamentos apenas para atingir um determinado fim.

Antigamente (isso é, há uns poucos anos) éramos ensinados que somos servos de Jesus Cristo, o Senhor, e que deveríamos seguir o seu exemplo e servir ao nosso próximo em amor (João 15:12). Jesus disse que seríamos conhecidos como seus discípulos quando o mundo reconhecesse o amor com que nos amássemos uns aos outros (João 13:35).

Atualmente, somos tudo, de reis e príncipes a administradores e líderes, que temos que conquistar as pessoas para nos seguirem e fazerem parte da nossa “turma” (substitua turma pelo nome que você costuma ouvir). As pessoas devem ser convencidas a obedecerem o método que foi implantado na igreja independente de compreenderem o motivo pelo qual fazem o que fazem.

Não sou contra métodos. Ao contrário disso, estudo processos empresariais e sei a otimização e o aumento da eficiência que um método bem definido pode trazer a qualquer organização. O problema é quando o método substitui o relacionamento na igreja.

O método pode ajudar a encher a igreja. Mas o método não cura feridas, não satisfaz a solidão, não consola a tristeza, não muda o caráter. Essas coisas só acontecem com relacionamentos profundos e amorosos, que geralmente levarão bastante tempo para se consolidarem.

Junto com o relacionamento, a oração constante e consistente uns pelos outros trará a cura, o consolo e a mudança desejada diretamente do trono do Altíssimo.

Como tem sido a sua experiência de grupo na sua igreja? Tem sido de relacionamento vivo ou de processo mecânico? Você ora regularmente pelas pessoas com quem se relaciona em seu grupo?

Mário Fernandez

Família – Vivendo o Evangelho

“Vós, filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isto é justo.” (Efésios 6:1)

Um dos conceitos que me parece mais deturpado nos nossos dias é justamente o de família. Eu vejo com muito receio os dias vindouros, se continuar o tipo de postura que o mundo está tomando com a família. Não me refiro necessariamente a casamento homoafetivos, divórcios, união estável sem casamento, recasamento e essas polêmicas de sempre. Meu foco é outro. Meu cérebro de gerente está treinado para ficar “um olho no peixe outro no gato”.

Estou muito preocupado com as famílias que parecem, mas não são. Parecem normais, parecem estáveis, parecem harmônicas, parecem respeitosas, parecem estar de bem, parecem espirituais, parecem uma bênção. Mas só parecem. Não é nas aparências que se determina a qualidade das coisas, é pelos frutos. Não sou eu que penso assim, foi Jesus que disse isso. A vida comprova isso, também. Até a lógica confirma isso. Estamos rodeados de famílias que facilmente podemos ver que estão bem de aparência, mas nos pontos que a Bíblia ensina estão mal.

Vamos apenas tomando este versículo como base, afinal essa maravilhosa carta de Paulo aos Efésios fala tanta coisa boa sobre família, a gente passaria semanas escrevendo. Qual o padrão de respeito e obediência dos filhos para com os pais nos nossos dias? Qual o padrão de justiça dos filhos para com seus pais? Em tempos em que dar uma bronca em um adolescente pode dar um processo judicial ou até mesmo prisão aos pais “insolentes” a gente pode esperar de tudo.

Vem chegando aí uma geração que não conhece limites, não sabe lidar com pressão, não conhece responsabilidade, não convive com objetivos a cumprir. Os pais não pode repreender ou corrigir pois são “maus tratos” – não sou a favor de violência, me entendam. Os pais também não querem privar dos confortos pois é “traumático” – não sou contra ter as coisas, me entendam. Os pais também não podem confrontar porque isso é “humilhante” – não sou a favor de espezinhar, me entendam. Mas sabem qual o pior tipo de funcionário que tenho? Os que tiveram tudo. Isso mesmo. São os que desistem na primeira dificuldade, não terminam o que começam, não entendem o conceito de cadeia de comando e nada lhes basta porque sempre querem mais da empresa.

Se para mim não está fácil, pense nos pastores, nos professores, nos educadores, nos legisladores, nos policiais. Misericórdia. Tudo isso simplesmente porque a Bíblia, que deveria ser o manual de fé e conduta das pessoas, passou a ser mais um livro no meio dos outros. Isso não é evangelho, não é estilo de vida de Deus, não é nada mais nada menos do que o esfriamento anunciado para os últimos dias – pela Bíblia. Vai piorar meu irmão, tenha certeza.

Cabe a mim e a ti fazermos diferente com nossos filhos biológicos, espirituais, discípulos, filhos na fé, funcionários, colegas – todos a quem possamos anunciar que este mundo jaz no maligno mas há um Deus, sim há, que se preocupa com todos nós e já nos deixou a receita do sucesso. Evangelho é vida, não conjunto de regras. Os frutos demonstram mais resultado que as aparências. E a família, creia em minhas palavras, é um termômetro mais do que social ou político, é espiritual.

Deus abençoe a todos.

“Senhor, usa-me como instrumento responsável para formar e ajudar a formar famílias que atendam os teus padrões. Quem eu puder abençoar, eu quero abençoar.“

Mário Fernandez

Resumo – Vivendo o Evangelho

“Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas” (Mateus 22:40)

Jesus foi e sempre será o maior. Neste versículo ele mostra que não é apenas o maior ser humano que já viveu, ele era o maior mestre e palestrante que a humanidade conheceu. Ele consegui colocar em meia linha (literalmente) o que levou 40 anos para o povo ouvir no deserto e mais uns 450 para ser interpretado e mal executado. Chega a ser engraçado.

Nós que temos toda revelação a nossa disposição, podemos olhar para os erros do povo de Israel no passado e aprender com eles, evitá-los, estudá-los. Nossos irmãos no passado não tiveram isso, somos privilegiados. Pense comigo: se tivermos que resumir tudo que sabemos de Deus, do Seu Reino, tudo tudo, em meia frase… Não dá, não consigo. Jesus conseguiu. Ame a Deus e seu irmão como a si mesmo.

Isso é um resumo poderoso que tem em sua poderosa simplicidade uma verdade um pouco áspera para os nossos dias. Estamos privilegiando outros aspectos da vida cristã e deixando isso de lado. Com certeza. Eu me sinto amando cada vez menos, não creio estar sozinho. Mando mais WhatsApp do nunca, visito menos do que nunca. Lembro de orar mas oro menos. Gente, tem algo errado comigo! Jesus ensinou o contrário, se meu inimigo tiver fome tenho de dar de comer. Pegue tudo que Jesus disse e traduza assim “ame a Deus e a seu próximo como a si mesmo”. Ao tentar simplificar a gente complicou, somos habilidosos, estudiosos, aplicados. Só não amamos.

Eu gostaria de propor ao mesmo tempo uma reflexão e um desafio: será que conseguimos abrir mão de algo que nos seja precioso para amar alguém? Não estou falando de dinheiro (salvo se você que está lendo for um avarento). Mas Deus tem me falado muito sobre as riquezas deste tempo e estou convencido que a maior moeda dessa geração é o conforto (ou comodidade se preferir). Quem de nós abre mão? Saímos de casa numa noite com chuva para uma visita? Trocamos nossa hora de descanso por um aconselhamento?

Sabe, recentemente me perguntaram o que eu consideraria ser “perder a vida para Jesus”. Pensei um pouco e respondi “não morra”. Como assim? Morrer é uma fuga, abafa a sensação de sofrimento, coloca o desconhecido vindouro na pauta. Abrace o presente, viva o dia de hoje para Jesus, gaste sua vida com o evangelho e para o evangelho sem morrer nem “perder a vida”. Serei menos abençoado do que os que vão para os confins da Terra? Não creio. Tem gente perdida ao meu alcance para medir em palmos e não em milhares de km. Uns vão, outros não vão. Desde que todos produzam, tantos os próximos quanto os distantes serão alcançados.

E o desafio? Tente. Abra mão. Pense naquele momento preguiçoso que não é pecado (é descanso merecido) e abra mão de uma parte dele. Depois me conte se Deus não te fez sentir que valeu a pena. Vou testar neste momento, com licença.

“Senhor, tem algo para ser feito hoje de maneira simples que vai refletir o amor a Ti e ao proximo. Eu quero começar com isso e se ficar só nisso terei feito algo. Me ajuda, estou muito devagar.“

Mário Fernandez

Trabalho – Vivendo o Evangelho

“Prepara-se o cavalo para o dia da batalha, porém do Senhor vem a vitória.” (Provérbios 21:31)

Evidentemente o contexto de uma batalha campal como nos dias do Antigo Testamento são diferentes do que conhecemos hoje, tanto no sentido da realidade que vivemos no Ocidente como também pelo tipo das guerras. Não sou aficionado por história (para ser sincero sou pouco interessado) mas tenho noção de algumas coisas. Cavalos, arcos e flechas, escudos, espadas e principalmente um rei no campo de batalha – impensável em nossos dias.

Mas neste texto Deus falou comigo no sentido do trabalho, da preparação, na coisa de cada um cuidar da sua parte. Deus fará a parte Dele com absoluta certeza, Ele dará a vitória da batalha segundo Sua vontade, e isso se a vitória vier. Mas, não podemos negar que há um “cavalo” a ser preparado, não porque Deus precise dele mas porque EU preciso. Se eu não faço a minha parte, perco o direito de esperar que Deus faça a parte Dele.

Estamos vivendo dias em que a confusão é total. Nosso cenário político, econômico, social, etc inspiram “desespero”. Na véspera do dia que escrevi este, vi a notícia de um latrocinio (roubo seguido de morte) numa cidade de pouco mais de 40.000 habitantes no interior do RS, por onde eu passei poucas horas antes vindo para meu trabalho. Um comerciante reagiu a um assalto e foi morto na porta da loja. Isso era coisa de cidade grande. ERA. As condições de vida estão se tornando complicadas em todos os lugares. E isso reflete o mundo espiritual, portanto o avanço do inferno é mais notório que qualquer outra coisa.

E o qual a relação com o texto? Pois é – nós igreja, corpo de Cristo na Terra, ao vermos isso ficamos escandalizados na primeira vez, assustados na segunda, impressionados na terceira, indiferentes na quarta e da quinta em diante… olha…. não tem muita diferença entre nós e os incrédulos, não. Por quê? Primeiro porque se nossa oração fosse regada com lágrimas, fosse intensa o suficiente e precedida de um grande arrependimento Deus faria novamente o que prometeu em 1 Crônicas 7:14. Não estamos preparando o cavalo, a vitória da batalha não está vindo.

Talvez daqui alguns anos este cenário seja apenas histórico, mas para mim é “meu hoje”. Preciso preparar meu cavalo. Preciso orar mais, preciso anunciar melhor o evangelho, preciso ser mais vitorioso. Sem isso, só me resta ser um derrotado sem reclamar, pois Deus teria feito Sua parte.

É uma reflexão dura, um reconhecimento amargo, mas um ensino necessário. Algo precisa ser feito urgente, e se for para ser feito por nós tem que ser por aí. Qualquer ser vivo pode protestar e fazer passeata, mas só o povo de Deus pode orar a ponto de mover o braço do Altíssimo. Vamos nessa?

“Senhor, não quero ser negligente com a minha geração. Se tem algo que posso fazer é orar mais. Me fortalece e me ensina a agir de modo digno do evangelho.“