Mário Fernandez

Vida Normal

“Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo conceda.” (João 15:16 ARA)

Tem pessoas que se contentam em levar uma vida normal. A mim não parece ser isso que Deus espera de nós…

Ainda que sejamos pessoas comuns em uma série de sentidos, fomos escolhidos por Deus para darmos frutos. Ao contrário do que muitos pensam, não fomos nós quem escolhemos ao Senhor, e isso por um motivo facilmente compreensível, ainda que não explícito neste versículo bíblico: estávamos mortos em nossos pecados e morto não escolhe nada.

Mais do que isso, fomos escolhidos com uma finalidade bem clara, um objetivo bastante acertado – dar frutos. Ainda que possamos filosofar muito sobre o que poderiam ser estes frutos, um complemento desta colocação deve alinhar os entendimentos. Os frutos devem permanecer, então não adianta divagar sobre frutos terrenos, obras, prédios, escolas, pessoas que foram abençoadas de uma ou de outra forma material. Estas coisas passam e fazem parte da vida aqui, devem ser secundárias. Aliás, fazem parte de uma vida normal.

A vida de um cristão sério vai além do normal; vai ao sobrenatural, onde os frutos são duradouros ou permanentes. Frutos de vida eterna, frutos de arrependimento, frutos de vida em Deus. Frutos que levam pessoas à salvação, que mudam vidas, que curam enfermos, fazem cegos verem e aleijados se endireitarem. Parece um discurso triunfalista barato? Parece, mas não me culpe, isso é obra de alguns exibicionistas que fazem estas coisas para se promover. Isso de fato não é normal.

A nossa vida não deve ser normal. Deve ser a vida de um imitador de Jesus Cristo de Nazaré, homem nada normal. Vamos subir nosso padrão, vamos aumentar nosso critério. Vamos marcar este mundo com generosidade ao invés de prosperidade, com cura ao invés de dor, com louvor ao invés de lamento, com perdão ao invés de vingança e com intercessão ao invés de crítica. Nada normal…

“Deus, pra mim é impossível ser mais do que normal. Se o Senhor agir em mim e me transformar, sairei da normalidade e serei mais parecido contigo. Ajuda-me.”

Mário Fernandez

Vinicios Torres

O Cesto e a Água

Dizem que isto aconteceu em um mosteiro chinês muito tempo atrás.

Um discípulo chegou para seu mestre e perguntou:

– Mestre, por que devemos ler e decorar a Palavra de Deus se nós não conseguimos memorizar tudo e com o tempo acabamos esquecendo? Somos obrigados a constantemente decorar de novo o que já esquecemos.

O mestre não respondeu imediatamente ao seu discípulo. Ele ficou olhando para o horizonte por alguns minutos e depois ordenou ao discípulo:

– Pegue aquele cesto de junco, desça até o riacho, encha o cesto de água e traga até aqui.

O discípulo olhou para o cesto sujo e achou muito estranha a ordem do mestre, mas, mesmo assim, obedeceu. Pegou o cesto, desceu os cem degraus da escadaria do mosteiro até o riacho, encheu o cesto de água e começou a subir de volta. Como o cesto era todo cheio de furos, a água foi escorrendo e quando chegou até o mestre já não restava nada.

O mestre perguntou-lhe:

– Então, meu filho, o que você aprendeu?

O discípulo olhou para o cesto vazio e disse, jocosamente:

– Aprendi que cesto de junco não segura água.

O mestre ordenou-lhe que repetisse o processo de novo. Quando o discípulo voltou com o cesto vazio novamente, o mestre perguntou-lhe:

– Então, meu filho, e agora, o que você aprendeu?

O discípulo novamente respondeu com sarcasmo:

– Que cesto furado não segura água.

O mestre, então, continuou ordenando que o discípulo repetisse a tarefa. Depois da décima vez, o discípulo estava desesperadamente exausto de  tanto descer e subir as escadarias. Porém, quando o mestre lhe perguntou de novo:

– Então, meu filho, o que você aprendeu?

O discípulo, olhando para dentro do cesto, percebeu admirado:

– O cesto está limpo! Apesar de não segurar a água, a repetição constante de encher o cesto acabou por lavá-lo e deixá-lo limpo.

O mestre, por fim, concluiu:

– Não importa que você não consiga decorar todas as passagens da Bíblia que você lê, o que importa, na verdade, é que no processo a sua mente e a sua vida ficam limpos diante de Deus.


Esta estória ilustra o que o apóstolo Paulo queria transmitir quando escreveu aos Romanos: “Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente” (Rm 12:2, NVI).

A única maneira da nossa mente ser renovada é quando deixamos a Palavra de Deus limpar as coisas que o mundo coloca nela. Se você perceber, o mundo garante que as suas mensagens sejam constamente repetidas a fim de que elas sejam inculcadas em nossas mentes. Mesmo que não concordemos, acabamos como que dessensibilizados para o pecado que o mundo está promovendo.

Mas Paulo nos diz que não devemos deixar que sejamos moldados por esses padrões, mas devemos renovar a nossa mente. O que é renovar? É fazer com que algo velho volte a ser novo; é restaurar a forma de algo que foi deformado.

A nossa mente depois de “bombardeada” diariamente com os conceitos mundanos acaba “deformada”, por isso devemos fazer o esforço para trazê-la à forma correta. Paulo diz em 1 Coríntios 2:16: “Nós, porém, temos a mente de Cristo”. Esta é a forma correta que a nossa mente deve ter, a mente de Cristo. O próprio Paulo nos dá algumas dicas para renovar a nossa mente:

A primeira dica é entregar o domínio dos nosso pensamentos à Cristo (“levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo”, 2 Coríntios 10:5). Devemos reconhecer que, se Cristo é nosso Senhor, devemos a Ele a obediência em todos os aspectos de nossa vida, inclusive de nossos pensamentos. Este versículo nos diz que devemos anular todo tipo de pensamento que coloca em dúvida a soberania e o amor de Deus através de Cristo e submeter nossos pensamentos ao controle de Cristo.

A segunda dica é não deixar os pensamentos vazios, mas ativamente escolher o que pensar: “Finalmente irmãos, tudo o que for verdadeiro, tudo o que for nobre, tudo o que for correto, tudo o que for puro, tudo o que for amável, tudo o que for de boa fama, se houver algo de excelente ou digno de louvor, pensem nessas coisas” (Filipenses 4:8 NVI). Martinho Lutero dizia que a mente vazia é a oficina do diabo. Não deixe sua mente divagar sem objetivo, traga-a à obediência de Cristo pensando no que é bom.

A terceira dica é meditar e memorizar a Palavra de Deus. O Salmo 1 fala que o segredo do homem que é bem-sucedido no que faz é que ele tem prazer na lei de Deus e medita nela dia e noite. A meditação bíblica, no entanto, não é uma atitude passiva de concentração, mas uma uma busca ativa de oportunidades de colocar em prática a palavra que está sendo meditada e memorizada. Esta é a grande diferença entre aqueles que conhecem muitas passagens bíblicas de cor e os que colocam em prática as poucas passagens que conseguem memorizar.

Vale a pena este esforço. Ao nos apropriarmos da mente de Cristo através da renovação da nossa mente pela meditação e prática da Palavra de Deus poderemos experimentar, nas palavras do apóstolo Paulo, a “boa, agradável  e perfeita vontade de Deus para nós.” (Rm 12:2).

Vinicios Torres

(Esta mensagem foi publicada no site originalmente em 05 de Julho de 2002.)

Vinicios Torres

Bom Perfume

“Porque nós somos para com Deus o bom perfume de Cristo, tanto nos que são salvos como nos que se perdem.” (2 Coríntios 2:15)

Gosto de perfumes. Acho que todos gostam de perfumes. Na verdade, conheço pouquíssimas pessoas que não gostam de perfumes.

Usamos perfume para que as outras pessoas se sintam bem quando estiverem perto de nós. Queremos que elas tenham uma experiência agradável por terem tido contato conosco. Sim, o perfume também tem a função de esconder algum odor que possa desagradar, mas a função primária é a de impressionar e fazer os outros se sentirem bem conosco.

No entanto, não é de todo perfume que eu gosto. Existem alguns cujos aromas não são compatíveis com o meu olfato. Estes, apesar de perfumes, para mim cheiram mal.

Paulo afirma que Deus também usa perfume. E este perfume somos nós mesmos. Assim como um perfume agradável faz com que alguém faça questão de ficar perto de nós, Deus nos usa para atrair as pessoas para Ele. As nossas vidas, nossas atitudes e nossos atos funcionam como perfumes que fazem as pessoas terem vontade e prazer em estarem na presença de Deus. Até o dia em que reconheçam a necessidade que tem do perdão de Deus e desejem, elas mesmas, se tornarem perfume de Cristo.

Para algumas pessoas, seremos bons perfumes, agradáveis e interessantes. Mas para outras, a presença de Deus e o Seu amor serão incômodos. Perfumes que não lhes agradarão.

“Querido Espírito Santo, ajuda-me a viver uma vida que seja um bom perfume de Cristo na vida de todas as pessoas ao meu redor.”

Vinicios Torres