Mário Fernandez

Auto-estima

“Então, se inclinou e disse: Quem é teu servo, para teres olhado para um cão morto tal como eu?” (2 Samuel 9:8 ARA)

Esta frase foi proferida por Mefibosete, o filho esquecido de Jônatas, portanto neto de Saul. Aleijado, empobrecido, devastado. Autoestima que é bom, nada. Começa que seu nome significa ‘vergonha devastadora’. Vivia num lugar chamado Lo-Debar, que significa ‘sem nenhum pasto’, ou seja, deserto.

Quantas vezes meu irmão, pessoas normais como eu e você, que usamos calça jeans e comemos feijão-com-arroz, nos sentimos devastadoramente envergonhados. Quantos desertos em nossas vidas tiveram e talvez ainda estejam sendo encarados. Tantas vezes a autoestima estava mais negativa que a conta bancária. Ao menos comigo, foram dias de dor e sofrimento, que pareciam não ter fim.

Mas, meu amado irmão, o Senhor manda um recado ao seu coração. Há um Davi na Terra para restaurar sua dignidade, mudar sua vergonha em honra, mudar sua morada de Lo-Debar para Jerusalém (verso 13). Será hoje? Vai demorar? Haverá restauração de todas as coisas? Comeremos à mesa do Rei? EU NÃO SEI.

O que eu sei é que há um tempo no qual o sofrimento acaba e o Senhor providencia um restaurador. Para tanto, é preciso suportar o sofrimento tal como Jesus suportou a tentação, a fome e a sede no deserto. Depois do deserto vem a terra prometida. Mefibosete esperou, talvez agoniando, talvez impaciente, talvez até pecando. Mas esperou e o seu dia chegou.

É preciso crer. Se nossa esperança em Cristo for somente para esta vida somos uns miseráveis (1Co 15:19). Creia meu irmão, porque no pior caso (se é que podemos chamar de pior) passaremos por esta terra com dificuldades e estaremos na glória eterna assentados ao lado do Rei. Nossa restauração em Jesus Cristo de Nazaré é assegurada por promessa de um Deus que não pode mentir. Aleluia! Pode ser que Ele seja nosso Davi, e sinceramente acho que isso já valeria a pena.

Ainda assim, se houver restauração nesta vida será ainda melhor. Isso é compatível com a Palavra de Deus, portanto podemos esperar e crer.

“Pai, muito obrigado porque os sofrimentos daqui não se comparam ao que me espera na eternidade. Ensina-me a ter paciência e esperar meu resgate do deserto, pois eu entendo que o deserto pode ser necessário.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Honra aos Pais

“Então, deixou este os bois, correu após Elias e disse: Deixa-me beijar a meu pai e a minha mãe e, então, te seguirei. Elias respondeu-lhe: Vai e volta; pois já sabes o que fiz contigo.” (1 Reis 19:20 ARA)

Acho lindo o gesto de pessoas que não têm vergonha de seus pais. Um pastor a quem muito admiro fala de seu pai com tanto orgulho e satisfação que parece ser um homem notável. E é, a despeito de ser um agricultor pobre. Notável não é sinônimo de famoso ou destacado. Não é alguém célebre, culto ou famoso – mas é um homem de Deus que semeou em sua vida.

Eliseu quando recebeu o chamado de Elias, teve uma atitude igualmente bonita para com seus pais. Por mais honroso que fosse o chamado e até mesmo algo que poucos poderiam ser encontrados aptos a responder, ele ainda priorizou seus pais. Basta olhar para os acontecimentos na vida deste homem de Deus, tão logo assumiu seu posto como profeta, para ver cumprido o princípio de que quem honra seus pais vai bem. Eliseu talvez não tenha tido a mesma extensão profética de Elias, seu mestre, mas com certeza foi um profeta bem-sucedido. Isso, meu querido leitor, deveria ser o suficiente para mim e para você.

Sempre que olhamos para nossos pais devemos ver instrumentos de Deus, mesmo que não tenham sido os pais que gostaríamos de ter tido, ou mesmo que realmente não tenham sido bons pais. Cabe a nós honrá-los, respeitando-os se vivos e à sua memória se falecidos. Não significa que devamos necessariamente concordar com eles ou com suas atitudes, mas gratidão pelo dom da vida sim.

Devemos crer nos princípios da Palavra de Deus de forma submissa e confiante, assim como Eliseu o fez. Sou grato pela vida de meus pais que, mesmo não conhecendo ao Senhor, permitiram que eu me desenvolvesse para ter condições de ser quem hoje sou. Procuro honrar a memória de meu pai e a vida de minha mãe na medida de minhas possibilidades e frequentemente, oro a Deus com gratidão por eles.

“Senhor, não posso te chamar de Pai Celestial sem ter gratidão pelos meus pais terrenos. Ensina-me a ter gratidão a despeito de como eles se comportaram comigo, pois sei que o Senhor tem propósito com isso.”

Mário Fernandez