Vinicios Torres

A Quem Honra, Honra – David Balmant (In Memoriam)

Você já imaginou alguma vez que a sua vida normal pode fazer diferença na vida de outras pessoas? Muitas vezes nós nos iludimos de que, para fazer diferença, precisamos fazer algo fora normal, espetacular, algo que nos faça parecer heroicos.

Porém, muitas vezes, é justamente a nossa vida do dia dia que vai tocar as vidas das pessoas ao nosso redor.

Este foi o caso do seu David Balmant e sua família.

Eu tinha 14 anos de idade quando minha mãe decidiu que era hora de eu aprender a trabalhar. Então ela foi conversar com o seu Davi, que era alfaiate na cidade onde morávamos, e perguntou se ele tinha uma vaga para um aprendiz. A partir daquele dia comecei a ir todos os dias à tarde na sua alfaiataria para aprender o ofício. Lá trabalhavam, além dele, sua esposa e seu filho mais velho, Carlos.

Por ser filho de um pai alcoólatra a quem eu via muito pouco, e quando via estava quase sempre envolto em problemas, a experiência de trabalhar com seu David e sua família começou a fazer efeito em mim.

Eu não via ele gritando com seus filhos nem falando alto ou de maneira ríspida com sua esposa. Ele era honesto nos negócios e muito cordial com todas as pessoas com quem tratava, fossem clientes ou conhecidos que passassem para conversar com ele na alfaiataria. Seus filhos lhe tratavam com respeito, sempre vinham almoçar todos juntos e conversavam alegremente à mesa. Até então, eu havia experimentado isso apenas em momentos festivos e não sabia que era possível viver assim no dia a dia.

Seu outro filho, Moisés, embora não trabalhasse na alfaiataria, passava a tarde estudando na sala ao lado de onde eu trabalhava. Ele gostava muito de conversar e começou a me falar sobre a Bíblia e a compartilhar as coisas que ele aprendia na igreja. Por causa da maneira como eles viviam eu estava aberto a ouvir o que eles tinham a dizer.

Após algumas semanas eles me convidaram para conhecer a igreja. Eu gostei do grupo de adolescentes e comecei a frequentar a escola dominical. Depois de alguns meses aconteceu um encontro de adolescentes em um retiro da Igreja Metodista, na cidade de Telêmaco Borba – PR. Moisés iria participar e me convidou para ir junto. Neste encontro, durante uma mensagem do pastor Rosalino Domingos, eu entreguei a minha vida a Cristo.

Assim, a minha nova vida começou bem embasada pelo bom exemplo do seu David e sua família. Como Carlos era líder dos jovens, ele me ensinou muita coisa sobre a Bíblia, não apenas nos estudos bíblicos como também emprestando muitos dos seus livros. Como eu já gostava muito de ler, foi juntar a fome com a vontade de comer.

Seu David já partiu para estar com o Senhor a quem ele serviu. Eu sei que eu não fui o único a ser influenciado pela sua vida. Agradeço a Deus que o tocou a aceitar aquele aprendiz magricela que, apesar de não ter aprendido a profissão, ele colocou no caminho do Reino. Sua vida rende muitos frutos ainda hoje pois todos os três filhos são pastores e estão levando adiante a herança de benção recebida do pai.

Quero hoje honrar ao seu Davi e aos seus filhos pois foram instrumentos de Deus para minha salvação.

O apóstolo Paulo diz para permanecermos semeando pois se não desanimarmos colheremos os resultados. Lembre se que a melhor semeadura que nós podemos fazer é aquela que fazemos todos os dias.

Vinicios Torres

A Quem Honra, Honra – Pr. Edson Barbosa

“Dai a cada um o que lhe é devido: … a quem honra, honra.” (Romanos 13:7)

Era 1982 e era a primeira vez que eu o ouvia a pregar. Eu tinha chegado recentemente do interior e estava agora morando em Curitiba, a capital do Estado, e frequentando a Igreja Metodista Central. Eu era um novo convertido pois não tinha ainda três anos que havia entregado minha vida a Cristo. Muitas coisas numa igreja grande de capital eram novidades para mim. Quando o pastor Edson Barbosa, na época um missionário da Cruzada Estudantil e Profissional para Cristo, começou a pregar, imediatamente prenderam a minha atenção duas características muito peculiares: primeiro, a sua eloquência; segundo, a maneira fácil e clara com que ele transmitia conceitos bíblicos que eu ainda não conhecia.

“O justo viverá pela fé”, dizia ele repetindo o apóstolo Paulo, “mas a nossa fé não é um sentimento. Os sentimentos vêm e vão. Sentimentos variam com as circunstâncias, mas a nossa fé deve ser baseada nas promessas da imutável Palavra de Deus. A nossa vida deve ser como um trem: a fé é a locomotiva que puxa o trem e as emoções são apenas um dos vagões da vida”. Conceito muito simples, mas para mim era uma novidade libertadora, pois eu vivia tentando sentir fé e me frustrava pois todas as vezes que eu precisava de fé os meus sentimentos me confundiam.

A admiração daquela primeira vez fez com que eu participasse dos cursos da Cruzada e alguns anos depois me decidisse participar, agora com minha família, da igreja que ele fundara. Foram muitas as vezes que ele pastoralmente me ouviu e me aconselhou. Eu e minha família tivemos o privilégio de conviver com ele e sua esposa Hilce.

Tenho até hoje um caderno no qual anotava as mensagens e estudos dos quais participava na igreja e em um deles há uma observação: “Este foi o dia que o meu filho convidou o Cristo para entrar no seu coração”. Ele tinha 6 anos de idade e naquele culto o pastor Edson tinha pegado uma mensagem baseada em um versículo de Hebreus que fala sobre Cristo ter sido crucificado fora dos muros da cidade. Mensagem com bastantes conceitos teológicos mas, no final dela, meu filho virou-se para mim e perguntou: “Pai, com isso tudo aí que ele disse significa que eu também tenho que aceitar a Cristo não é?” E eu respondi: “Exatamente meu filho você também tem que tomar uma decisão de convidar Cristo para entrar no seu coração”. Ele perguntou: “eu posso fazer isso agora? Posso ir lá na frente e fazer oração para que Cristo entre na minha vida?” Levantamos, fomos à frente e meu filho fez uma oração entregando à Vida a Cristo naquela noite.

Em vários momentos chaves da nossa vida a influência do Pastor Edson se fez notada.

Um das coisas mais marcantes que ele imprimiu em mim, foi a sua ênfase em cuidar de pessoas. Em todo o tempo que eu conheço sempre vi ele gastando tempo em acompanhar e ajudar as pessoas. Vi várias iniciativas e ministérios nascerem inspirados pelas suas ideias e levadas adiante por pessoas que foram despertadas pelo seu cuidado.

Certa vez assisti a um clipe da música “Flores em Vida”, do cantor Paulo César Baruk, e achei interessante como a mensagem da música e o tema do clipe me lembravam muito as coisas que eu via o pastor Edson ensinar e pregar. Na época, fazia anos que nós tínhamos mudado de cidade e estávamos longe. Algum tempo depois, li uma entrevista do Paulo César contando como foi a inspiração para escrever aquela música. Ele havia recebido um telefonema de um pastor de Curitiba que havia ligado para ele apenas para agradecer pelo trabalho que ele estava fazendo, ele disse que estava dando flores em vida. O pastor em questão era o Pastor Edson Barbosa, conforme as minhas suspeitas.

É muito especial a sua maneira de valorizar as pessoas e fazer com que elas saibam que são amadas por Deus. Veja como ele faz isso assistindo este vídeo de uma devocional realizada em um curso no Instituto Haggai:

Quero hoje honrar ao Pr. Edson Barbosa, agradecendo a Deus pelas sementes da Palavra e das atitudes que foram plantadas em nós. Muitas dessas sementes já frutificaram e outras continuarão a frutificar pelo resto da vida.

Mário Fernandez

Caráter – Vivendo o Evangelho

“E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual estais selados para o dia da redenção” (Efésios 4:30)

Nunca tive a curiosidade de comparar este texto acima com 1 Tessalonicenses 5:19 até que uma leitura de um livro, presente de um amado amigo e irmão em Cristo, me chamou a atenção a isso. Afinal, o Espírito Santo pode ser entristecido e apagado, mas o que é uma coisa e o que é outra?

Meditando sobre isso em uma manhã de domingo, num raro momento de folga dos meus afazeres, balançava na rede na sala e Deus falou comigo a este respeito. Aleluia. Eu jamais por mim mesmo entenderia algo sobre nada disso.

O texto da carta de Paulo aos Efésios está falando desde o inicio do capítulo sobre questões de caráter. Andar segundo a vocação (atitudes), guardar a unidade (relacionamentos), chamados para diferentes ministérios (vocação), não ser meninos (maturidade), não andar como gentio (santidade), renovar a mente (aperfeiçoamento), parar de furtar (mudança), palavras para edificação (testemunho) – tudo isso se refere ao caráter da pessoa, não necessariamente sendo uma questão “espiritual” por si mesma, ainda que penso ser tudo de fundo espiritual. Quero dizer com isso que esses aspectos todos são do nosso lado e não do lado de Deus, inclusive, afirmo eu, que mesmo pessoas sem Deus podem atingir, no todo ou em parte, este elevado padrão de conduta, ética, bom comportamento, relacionamentos, etc.

Já no texto de Tessalonicenses Paulo começa falando do dia do Senhor, sobre o qual não temos qualquer influência. Ele fala sim de atitudes, de unidade, de gratidão, de oração. Mas muito menos e seu foco é no Reino e não em nós. O que se pode ver é que há, sim, uma distinção do outro texto, embora não haja conflito mas complemento. Fiquei fascinado, admito. Evangelho de verdade é isso, é aprender de Deus o tempo todo, beber da fonte, viver ligado no Trono.

Quando falamos do caráter estamos falando do lado humano da criação de Deus, daquilo que carregamos como pessoas, sejam estas dedicadas a Deus ou não. Então é possível mesmo tendo uma alma renovada e salva, uma conduta cristã, uma vida para o Senhor – sim é possível que no meu deslize, na minha fraqueza, na minha limitação eu o entristeça. Provoco nele um sentimento negativo, causo uma reação contrária Naquele que devia “se orgulhar” de mim. É triste, mas é fato. Minha alma pode então entristecer a Deus com alguma coisa que faço ou deixo de fazer (chamava-se isso de pecado, agora parece ter outros nomes).

Quando falamos de apagar o Espírito (ou extinguir em outras traduções) estamos falando do lado espiritual, não da alma. O Espírito Santo de Deus não pode ser morto, ou destruído. O sentido de apagado ou “extinto” se refere ao seu manifestar, sua movimentação, sua atuação. Neste sentido a tradução por apagar me soa mais fiel ao original. O Espírito Santo é uma pessoa, tem percepção e atuação. Nós podemos apagá-lo tal como podemos apagar uma fogueira, mas Ele pode reacender-se quando e como quiser pois Ele é Deus. Ainda assim, essa brincadeira sem graça de apaga-acende-apaga não é o que Deus deseja de nós.

Temos de encontrar, seja a forma como crermos nisso, um meio pelo qual o Espírito Santo de Deus possa fluir e agir com mais liberdade, rumo à total liberdade. Isso se dará na nossa alma e no nosso espírito. Nossa alma não pode mais entristecê-lo e nosso espirito não pode apagá-lo.

Como já aprendemos que o evangelho não é um mero conjunto de regras e sim um estilo de vida, nada me parece mais apropriado que abraçar, neste estilo de vida, atitudes que conspirem a favor e não contra estas duas coisas.

Como fazer isso? Eu não sei se encontro uma fórmula, mas sugiro começar lendo o Efésios 4 inteiro e 1 Tessalonicenses 5 inteiro. Colocando aquilo em prática na totalidade, quero crer que se faltar algo será pouco. É um belo desafio.

“Senhor, perdoa-me por Te entristecer e por Te fazer cessar de fluir em minha vida. Ensina-me o que devo fazer e deixar de fazer para viver mais de acordo com Tua Vontade para mim.“

Mário Fernandez

Obediência – Vivendo o Evangelho

“Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém.” (Mateus 28:19,20)

Fiz questão de tomar este texto, das diferentes narrativas que a Bíblia oferece, pois além de ser o mais conhecido oferece também o caráter mais impositivo de todos, ou seja, é o que mais se parece com uma ordem. Não vou discutir a exegese e evocar os termos gregos, quero ficar no básico, ou o que está aos olhos.

Jesus em seu ministério fez muitas coisas. Nem todas foram registradas por escrito, como bem disse o apóstolo João no final de seu evangelho. Mas de tudo que Jesus fez, podemos resumir em poucos pontos para entender mais facilmente:

  • Ensinou as Escrituras (aqui incluímos falar sobre o Reino de Deus, sobre o Pai, etc)
  • Orou por enfermos (inclusive ressuscitou mortos)
  • Expulsou demônios
  • Operou milagres e maravilhas (multiplicou pães, acalmou tempestade, etc)

No texto paralelo de Marcos temos a afirmação de que sinais seguiriam os que cressem e são os mesmos 4 pontos. Em Mateus 5 em diante no chamado “sermão do monte” vemos os mesmos pontos. Neste texto de Mateus 28 temos basicamente a mesma coisa.

De onde tiramos a ideia de que é preciso uma preparação ou um ensaio ou uma qualificação para cumprir uma ordem dada por Deus? Se a ordem é “ide” ou “fazei discípulos” é discussão semântica, temos uma ordem a cumprir. Quem nos dá o direito de decidir por nós mesmos quando estamos prontos para obedecer???

Eu tenho em minhas mãos uma Bíblia cheia de referências, textos, ensinos, histórias e mandamentos que me apresentam claramente o que devo fazer. Não encontrei nenhuma referência do tipo “quando se sentir pronto”. No livro de Josué não tem nada como “vai aquecendo que vamos invadir Jericó”, pelo contrário, é mais como “santificai-vos [agora] pois amanhã [data marcada sem opção] o Senhor fará maravilhas”. É como se o trem do mover de Deus fosse passar e a opção que temos é embarcar ou não, nada mais. Se embarcar arque com as consequências e se não embarcar preste contas disso ao dono do trem.

Meu querido, ao ler esta meditação pense no seguinte: Deus só te pedirá o que te é impossível se Ele mesmo te capacitar para tal de forma sobrenatural. Nem mais, nem menos. O impossível para nós é normal para Ele. O nosso normal para Ele é nojento, é carnal, é desse mundo, é imundo. A decisão NUNCA deve ser se estou pronto para orar com os doentes ou para ensinar o Evangelho, mas sim se quero obedecer ou não pois o demais vem dele. Simples assim? Sim, simples assim!

Deus sempre pediu para pessoas fazerem mais do que eram capazes e muitas delas de fato fugiram disso. Outras disseram “se o Senhor não for conosco então não nos tire daqui” o que em outras palavras seria “o que Senhor está pedindo é impossível então faça porque eu não conseguirei”. Mas obedeceram. Fizeram. E não me refiro a Jesus, estou falando de um Davi adolescente matando um gigante experiente, de um Gideão amedrontado liderando exércitos, de um Pedro iletrado curando com a sombra, de um Elias sozinho e desarmado derrotando 850 profetas, de um Felipe pregando a um eunuco sobre batismo no meio de um deserto.

Eu creio sinceramente que é chegado um tempo de pararmos de teorizar e tomarmos uma decisão sincera se queremos [desejamos] ou não obedecer o que Deus já ordenou claramente. Sem profetadas, sem revelações e revelamentos, sem chão tremer, sem ventania, sem nada disso – apenas porque está na Bíblia e não estou fazendo, mas sei que deveria fazer. Eu creio que a hora é agora para abrirmos a porta do templo e deixar aberto enquanto tiver um doente para orarmos. De acordarmos mais cedo para orar, de dormir mais tarde para ler a Palavra, de olhar menos filme e escrever mais da história da nossa geração.

“Senhor, perdoe por resistir aos Teus chamados. Inúmeras vezes eu poderia ter obedecido e não o fiz. Fortalece-me para que eu seja obediente pois isso é melhor do que adorar.“

Mário Fernandez

Fé Funcional – vivendo o Evangelho

“Pois as boas novas foram pregadas também a nós, tanto quanto a eles; mas a mensagem que eles ouviram de nada lhes valeu, pois não foi acompanhada de fé por aqueles que a ouviram” (Hebreus 4:2)

Eu acredito que não preciso mais explicar que “boas novas” é a tradução do termo “evangelho”. Ou seja, o versículo começa dizendo que nos foi pregado o evangelho, portanto as expressões “tanto quanto a eles” inclui os judeus e os gentios – o que em termos bíblicos representa todos nós que nos achegamos ao Reino de Deus independentemente de nossa origem. Aleluia, teve espaço para mim.

Mas este versículo declara que o evangelho foi de forma absolutamente ineficiente, ineficaz, impotente, incapaz, desprovido de efeito, inócuo – diante de um “poder” maior que ele. Sim, estou afirmando que existe algo mais poderoso que o próprio evangelho adequadamente pregado, ainda que alguns o tenham por irresistível. A incredulidade, ou falta de fé, é algo que merece meditarmos pois tem poder de anular até o que Deus pretenderia fazer se não respeitasse nossa vontade.

A Palavra de Deus nos coloca frequentemente em vários cenários, da antiga e da nova aliança, como donos da nossa decisão. Por vezes não temos capacidade, nos falta força, mas somos nós que decidimos pela bênção ou pela maldição, pela salvação ou perdição, enfim por Deus ou não. A salvação vem pela fé e a fé pelo ouvir a Palavra de Deus, portanto precisamos ouvir. Mas este versículo nos ensina que ouvir sem fé não produz o resultado do evangelho – salvação em Jesus Cristo. Portanto, só podemos concluir que a falta de fé (incredulidade aqui no meu vocabulário) congela, engessa, prende.

Tudo começou porque uma pessoa me questionou sobre o poder da fé e eu como entusiasta do assunto fiz descrições e declarações quase que exageradas a respeito do que é a fé e o que ela pode operar na vida de pessoas e grupos, lugares e situações. A fé é o poder que por meio da palavra move montanhas, que traz salvação, que cura enfermos, que expulsa demônios, que opera milagres. Daí me dei conta que o poder da fé faz falta!!! Sem ela é impossível agradar a Deus então… Sobrenaturalmente, a ausência da fé é tão poderosa quanto a própria fé.

Veja bem, não estou dizendo que tem algo mais poderoso que o Deus Todo Poderoso. Não estou dizendo que falta de fé tem mais poder que a fé em si. O que estou dizendo sim, é que a fé não apenas faz falta como tem efeitos para bem e para mal. Sem ela nem o evangelho tem efeito. Sem ela nada funciona.

Talvez mereça um exame minucioso sobre o que é uma fé funcional (no sentido de que funciona, tem função). Mas a parte fácil de entender é que por falta de fé o evangelho secou na vida de alguns como a semente lançada sobre pedras.

Está achando difícil viver o evangelho? Invista mais na fé. Está difícil anunciar o evangelho? Aplique mais fé. Está complicado encarar o cotidiano com princípios do evangelho? Use mais fé. Está se sentindo cansado, abandonado, esquecido, desamparado? FÉ.

“Senhor, me ajuda a desenvolver minha fé e ter um fundamento firme do que não posso ver. Ensina-me a andar em fé, crescer em fé e aplicar fé em tudo que tu me deste.“

Mário Fernandez

Poder do Reino – Vivendo o Evangelho

“Pois o Reino de Deus não consiste de palavras, mas de poder.” (1 Coríntios 4:20)

Eu não poderia deixar de falar do poder do Reino, depois de ter meditado em tantas formas e fontes de poder. Afinal, há poder no nome de Jesus, no sangue de Jesus, no Espírito Santo, no Pai, na igreja. Mas o Reino de Deus consiste de poder, é feito de poder, é baseado em poder. Aqui precisamos de um claro entendimento do que isso significa.

Poder é uma capacidade, uma habilidade, uma disponibilidade. Não é necessariamente uma vontade ou um desejo. Poder (substantivo) tem relação direta com o que pode (verbo) ser feito ou realizado. Então se eu consigo levantar um galão de água de 20 litros do chão, eu tenho poder para isso. Se eu tenho capacidade para escrever este texto, eu tenho poder para isso. Que tipo de poder então constitui o Reino de Deus?

Isso não chega a ser um mistério, mas a compreensão está reservada para os que vivem um evangelho verdadeiro e puro, descontaminado de coisas humanas. O poder do Reino é o poder de Deus, o Rei deste Reino. Como assim? Pense num reino medieval, como vemos nos filmes. O Reino A tem um exército de 1.000 homens, mas o reino B tem um exército de 2.000 homens. Ainda assim, o Reino A derrota o Reino B na batalha e toma seus despojos, seu território, seu patrimônio. Como? Por quê? Porque seu rei é mais valente, portanto mais ‘poderoso’. Coragem é uma forma de poder, número de soldados também, armamento também, treinamento também. No Reino de Deus o Rei é tudo. É a fonte do poder, é a fonte da sabedoria, é a fonte de tudo.

Quando se decide ser cidadão do Reino de Deus, não necessariamente tomaremos posse deste poder pois este é intrínseco ao Reino. Mas sendo cidadãos temos direitos e um dos nossos direitos é de usufruir das riquezas e proteções do reino ao qual pertencemos. Deus tem toda riqueza para nós, ainda que alguns não compreendam isso pois associam riqueza com dinheiro deste mundo. As riquezas espirituais alcançam o que o dinheiro não compra. A proteção de ser cidadão do Reino de Deus é total e eterna, a proteção do nosso exército terreno é falha e passageira. Não dá para comparar.

Entender o que significa o poder do Reino de Deus é entender que “posso todas as coisas naquele que me fortalece” não significa fazer o que tem vontade – mas cumprir uma missão. É entender que “somos mais que vencedores” não implica fazer o que quer, mas cumprir uma missão. Pasme, viver um evangelho verdadeiro é mais do que um conjunto de regras, é assumir uma cidadania – é assumir ser cidadão do Reino dos Céus. Suas próprias leis, idioma, costumes, moeda, Rei. E ser um estrangeiro nessa Terra, sendo cidadão do Reino, é um desafio interessante pois só há um tipo de cidadão do Reino de Deus fora de lá – o embaixador. Estes somos todos nós, ainda que alguns não o façam.

“Senhor, me ajuda a entender e viver como cidadão do Teu Reino e não deste mundo. Eu quero aprender a ser um visitante nesta Terra para me preparar para viver contigo eternamente.“

Vinicios Torres

2017 Será Melhor que 2016?

“Ele muda os tempos e as estações; ele remove os reis e estabelece os reis; é ele quem dá a sabedoria aos sábios e o entendimento aos entendidos.” (Daniel 2:21)

Conversava com meu filho ontem sobre alguns planos para este ano e, em dado momento, ele comentou uma constatação que fez:

  • Este ano (2016) foi um ano difícil para todos. Todos os segmentos profissionais foram afetados e sentiram os efeitos da instabilidade política e econômica igualmente. Mas percebi dois tipos de pessoas – um tipo que terminou bem o ano e um tipo que diz que terminou o ano pior do que começou ou, na melhor das hipóteses, do mesmo jeito.
  • Mas aquelas que terminaram mal o ano tem um coisa em comum. Elas reclamaram o ano todo, ficaram dizendo como as coisas estavam difíceis e lamentando os problemas que estavam travando as vidas e as empresas delas. As que terminaram bem o ano eram positivas e estavam constantemente procurando soluções e alternativas.

Particularmente, o ano de 2016 foi trabalhoso (trocadilho para dizer que trabalhei de 12 a 18 horas por dia quase o ano todo, incluindo fins-de-semana e feriados) para dar conta do básico. Mas iniciei o ano com uma forte crença que Deus abençoaria meu trabalho, abriria portas e supriria nossas necessidades. Ainda que sem emprego e sem estabilidade de nenhum tipo, todas as nossas necessidades foram supridas.

Este novo ano será melhor que o anterior?

Com certeza!

Pois me rendi ao Senhor da Glória quando entreguei minha vida a Cristo ao aceitá-lo como Salvador e Senhor, e todas as coisas estão sujeitas à sua autoridade e ao seu poder. Estou descansado que nada em minha vida estará fora do seu controle e que todas as coisas, até mesmo no âmbito político e econômico da nação, estão sob a sua autoridade e Ele poderá usá-las para abençoar a minha vida e de todos os que nEle confiarem.

Ah, sofreremos, sim, pois Jesus disse “no mundo tereis aflições”. Lutaremos, trabalharemos, negociaremos, abriremos mão, tomaremos posse, correremos, descansaremos, aprenderemos, quem sabe até choremos e perguntemos ao Senhor “por quê?”. Mas faremos todas essas coisas na perspectiva de que Deus nos ama, quer nos abençoar, habita em nós pelo seu Espírito Santo e nos dá o poder para viver a vida de Cristo em meio a todas as batalhas que a vida nos apresentar.

Se você começar o ano olhando as circunstâncias e rendendo os seus sentimentos ao negativismo e à desesperança, eu não preciso nem ser profeta para antecipar que você terminará este ano como as pessoas que meu filho comentou, pior do que começou.

Mas se olhar para Deus, crendo em Sua autoridade e Seu amor, buscando a sabedoria da Sua Palavra para viver, vivendo com integridade e disposto a trabalhar, Ele o abençoará e você poderá terminar este novo ano testemunhando o quanto o Senhor fez por você.

Se você quer vida fácil e tranquila, sinto muito em lhe dizer que não encontrei lugar nenhum na Bíblia prometendo isso. Mas por toda ela encontro promessas de vitória àqueles que permanecem firmes e confiantes no agir de Deus.

Nós, que confiamos em Deus, podemos realmente desejar com convicção:

FELIZ ANO NOVO!

Mário Fernandez

Poder da Igreja – Vivendo o Evangelho

“E o Deus de paz esmagará em breve Satanás debaixo dos vossos pés. A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja convosco. Amém.” (Romanos 16:20)

Eu não sou igrejista nem igrejeiro, o que significa dizer que eu não coloco a igreja acima do Reino de Deus, muito menos acima de Deus, e também significa que eu não espiritualizo o que não é espiritual. Igreja é um treco complicado, cheio de gente complicada, funciona mal, não faz tudo que tinha que fazer, acaba perdendo gente por falta de “jogo de cintura”, escandaliza uns, desagrada outros, erra nas prioridades – enfim, o que não tem na igreja é perfeição. Estou ciente disso, convivo com isso. Igreja tem Deus, tem, mas tem pessoas e estas são falhas ambulantes.

Por outro lado, não posso me furtar de dizer que creio na Bíblia e esta ensina que a igreja é projeto de Deus. Há um poder intrínseco no povo que se reúne em torno da Palavra de Deus para orar, adorar, aprender, pedir e agradecer. Podemos até discutir o que é o que não é igreja, as expressões atuais corretas e desviadas, bizarras ou não. Mas não podemos discutir uma coisa: há sim um povo que, reunido ou não, é sincero diante de Deus e busca santificação (sem a qual não se verá o Senhor), usa a fé (sem a qual é impossível agradá-lo) e tem na Palavra de Deus sua luz e estrado. Esse povo, reunido ou não, é a igreja verdadeira do Senhor na Terra e será reunido na eternidade para lá permanecer com o Deus Todo Poderoso. Aleluia, me deu arrepio aqui só de escrever isso.

Debaixo dos pés de pessoas assim, que vivem para o Senhor, há uma promessa poderosa de pintar o chão com a cara do diabo. Há poder na igreja sim, desde que seja igreja. Não na instituição, mas nas pessoas. Há poder a ponto de servir para emprestar os pés para esmagar a Satanás. Note que o texto não diz que Deus esmagará com o Seu pé, ou com os anjos. Em um texto unanimemente dirigido a uma igreja, Paulo diz “debaixo dos seus pés”. Isso é demonstração de poder e de autoridade. Sim, está no futuro, ainda não é hoje, eu sei de tudo isso. Mas nada no Reino de Deus acontece do nada ou de um minuto para o outro, veja que já somos esse povo e portanto esse poder já deveria estar fluindo.

Sonho (literalmente) com dias de culto sem hora para acabar mas sem anarquia. Com reuniões onde as pessoas ao chegarem se sentem péssimas, horríveis, um trapo – por consciência do pecado. Mas vão embora regozijantes, curadas, saradas, restauradas, libertas – e contrariadas, pois queriam ficar. Sonho com um tempo quando as pessoas contribuem voluntariamente com tudo que tem e o uso é absolutamente adequado – como era no começo. Sonho com pessoas que se convertem hoje, são batizadas amanhã, e daqui dois dias já começam a trazer os próximos. E na semana que vem já estão atazanando médicos orando com doentes. Sonho com uma igreja que lê a Bíblia e ora mais do que faz qualquer outra coisa. Será que verei este sonho? Não sei. Mas eu e minha casa estamos lutando para fazê-lo realidade.

Será que é sonho ou é um vislumbre de alguma promessa? Também não sei responder, mas tenho certeza de que é possível, atingível, palpável. Se eu não fizer, meus descendentes o farão. Junte-se a mim e vamos acelerar essa coisa.

“Senhor, ensina-me a ser igreja no meu tempo, na minha geração, na sociedade onde vivo, nos lugares onde frequento. Ensina-me a dar um passo de cada vez para chegar no Teu alvo para mim.“