Luis Antonio Luize

Domine ou Seja Dominado – A Mudança Começa em Mim

“Porque as pessoas que vivem de acordo com a natureza humana têm a sua mente controlada por essa mesma natureza. Mas as que vivem de acordo com o Espírito de Deus têm a sua mente controlada pelo Espírito. As pessoas que têm a mente controlada pela natureza humana acabarão morrendo espiritualmente; mas as que têm a mente controlada pelo Espírito de Deus terão a vida eterna e a paz.” (Romanos 8:5‭-‬6)

As pessoas, e principalmente os homens, são dominadas por algo. Para alguns são as paixões, outros o prazer, ou o sexo ou o poder.

O fato é que sempre haverá uma paixão principal com a qual nos deparamos e lutamos todos os dias. Um exemplo notório foi o de José com a mulher de Potifar.

José resistiu à tentação porque tinha uma consciência clara de quem era Deus na sua vida e quanto lhe custaria em santidade diante Dele.

Essa consciência não ocorreu na hora em que foi tentado e resistiu, mas certamente foi forjada no seu caráter durante toda sua vida, e quem sabe tenha iniciado nos dias em que apascentava os rebanhos do seu pai.

O fato é que toda decisão que tomamos impulsivamente é resultado do que cultivamos durante muito tempo. Desta forma, quando a tentação chega, agiremos da forma como já planejamos ou decidimos. Não é obra do acaso e nem resultado somente da tentação.

Neste tempo todo em que tenho aconselhado casais, é notório que muitas vezes um trai o outro como instrumento de vingança, porque lhe fez algo, ou seja, maquinou isto na sua mente, tomou a decisão e quando a tentação veio entendeu que era uma ótima “oportunidade” de dar o troco.

Da mesma forma, outros(as) que maquinam em suas mentes que não estão sendo satisfeitos no relacionamento e que merecem receber algo bom. Daí para concretizar o pecado quando a tentação chega está fácil.

Entende agora o que quero dizer sobre maquinar primeiro? O desejo já estava alojado na alma há muito tempo.

Quando decidimos por algo geramos uma energia que nos impulsiona a ir em frente e realizar.

Assim, precisamos nos questionar sobre o que temos pensado e meditado todos os dias:

— Quais são nossas fantasias e sonhos?

— Quando estou sozinho, quem sou?

— O que nos dá satisfação e agrada aos nossos pensamentos?

O que vier de resposta em seu coração é o seu verdadeiro caráter.

A Bíblia afirma que quando damos lugar à cobiça, o pecado é concebido e uma vez consumado gera a morte.

O espírito do destruidor estava na esposa de Potifar, é o mesmo espírito que cobiça o lugar de Deus e destruir sua criação, o homem.

Este espírito queria destruir José e consumar o ato com ele, que repetidamente dizia não. Um dia, preparou tudo, dispensou os empregados e preparou-se para o momento, tinha certeza que ele diria sim, mas ele fugiu da investida dela.

Hoje em dia, penso que muitos homens que se dizem cristãos cairiam nesta pegadinha maligna e iriam achar as melhores desculpas para a situação.

Certa vez soube de um casal de noivos que estavam guardando-se para o casamento. Certo dia resolveram consumar o ato e foram à casa da praia sozinhos e ali concretizaram seu intento.

Interessante que, em seguida ao ato, passaram a sentir repulsa um pelo outro o que acabou causando o rompimento do noivado de muitos anos.

Penso eu que este ato realizado fora da aliança do matrimônio gerou neles um sentimento de culpa muito forte que consumiu tudo que nutriram durante todo o período anterior do relacionamento. O intento maligno fora alcançado, e era contaminá-los e torná-los culpados afastando um do outro.

Ser corajoso, portanto, é dar as costas à tentação e fugir.

José pagou caro por isto, e você talvez também pague um preço pela verdade. Não importa quantas pessoas confirmem a mentira, a verdade irá triunfar, da mesma forma como triunfou na vida de Cristo vencendo a morte. A verdade é imortal!

Mesmo que sua mente e alma estejam arruinados pelo espírito do destruidor, o sangue de Jesus tem poder para te limpar completamente e torná-lo puro novamente aos Seus olhos.

PARA EXERCITAR

  • Tenho vencido as tentações na minha mente?
  • O que posso fazer para ter vitória nas tentações?
Mário Fernandez

Influência – Vivendo o Evangelho

Muito se fala em relevância social, em agregar valor, em mandato cultural, diferencial ou fazer diferença, entre outros termos mais técnicos que nada verdade só expressam com mais elegância uma ideia e um conceito muito antigo do Reino de Deus: influenciar. Este termo até se tornou meio pejorativo.

Viver um evangelho como estilo de vida é influenciar e não tem como ser diferente. O evangelho é o poder de Deus e isso faz diferença, isso influencia. Note que o versículo escolhido para esta meditação é algo de extrema praticidade. Ele praticamente não teoriza nada, não “ensina” muita coisa, basicamente diz “faça”. Ao fazer, estará influenciando.

A palavra “exortar” também recebeu uma conotação equivocada nos nossos dias, pelo menos nas rodas que eu frequentei. Tomou o sentido de uma correção forte, de uma paulada muitas vezes. Ouço muito assim “pastor hoje pregou exortando”. O que ele fez? Chamou o povo à responsabilidade de algo. Isso meu querido, é admoestar e não exortar. Exortar significa encorajar, estimular – ajudar a manter e subir o ritmo. Admoestação segundo o dicionário é “reprimenda que se faz a alguém sobre incorreção ou inconveniência de seu comportamento”. Sejam encorajados então, irmãos, a fazer isso e aquilo.

Os ociosos, ou preguiçosos, ou sem vontade – devem ser advertidos. Mais do que simplesmente animados ou agitados, os que assim se encontram devem receber uma correção, uma advertência, uma reprimenda. Algo no tom do “não ajam assim”. Isso influencia.

Os desanimados do nosso tempo se chamam deprimidos. Precisam de conforto do Senhor, não de surra, ou de exorcismo, como tenho visto tantas vezes. Se tiver demônio expulse, ok. Mas os desanimados devem ser confortados, aconchegados, acolhidos, tratados. Isso influencia.

Os fracos são os que, mesmo tentanto, não conseguem, portanto precisam de ajuda. Esqueça empurrar, ajude. Esqueça tentar entender ou corrigir, ajude. Entenda depois, ajude agora. Alimente, fortaleça, tá tudo certo. Mas ajude. Isso influencia.

Agora, quanto ao termos “todos” quando eu estudava teologia fiz um estudo exegético profundo no grego e cheguei a uma conclusão brilhante digna de um doutorado. Na Bíblia “todos” significa – todo mundo, sem excessão, ninguém de fora. Todos significa simplesmente todos. Isso mudou a minha vida, não pelo significado em si, mas para eu aprender a deixar de bancar o besta de nariz empinado e ler o que está escrito na simplicidade que Deus apresenta. Não preciso perguntar para Deus se devo ter paciência com alguém específico, Ele disse “todos”. Isso me influenciou.

Seja paciente com os que são fáceis de tolerar. Seja paciente com os chatos. Seja paciente com os inconstantes, com os fracos, com os traiçoeiros, com os incompetentes, com os mal intencionados, até mesmo comigo e meus colegas pastores. Seja paciente com os adolescentes, com as sogras, com as vovós, com os tiozinhos. Seja paciente com os operadores de telemarketing, com os carteiros, com os frentistas de posto, com os garçons. Seja paciente com seu filho, com seu pai. Seja paciente no trânsito, em nome de Jesus! Isso meu querido, influencia e muito.

Eu não estou dizendo que isso seja fácil ou que isso seja rápido de conseguir, mas é um ensino bíblico para ser obedecido e vai expressar ou testificar do evangelho que vivemos. Conjuntos de regras são fáceis de contestar. Um estilo de vida só pode se aplicado vivendo. Para mim não é fácil, nem um pouco. Confesso que, às vezes, sou eu que desamino e preciso de um ombro. Mas desistir não é para mim, eu não sei nem soletrar essa palavra. Deus nos abençoe.

Mário Fernandez

Palavreado – Vivendo o Evangelho

Vivemos dias complicados em relação ao que polui nossos ouvidos, compromete nossa santidade, contamina nossos pensamentos. Não sou pessimista, sou um homem de fé. Mas está piorando. Viver o evangelho é muito mais do que seguir uma lista de regras, é adotar um estilo de vida. Exemplifico a seguir.

Tentei assistir um filme categorizado por comédia, poucos dias atrás. Era um feriado, eu estava fora de casa e não tenho aparelho de TV. Selecionei o filme num site que sou assinante e tentei. Não deu. As insinuações sensuais eram abundantes mas toleráveis, mas o palavreado era o fim da picada. Nem eu na adolescência pagã ouvia tanta coisa pesada.

Também tentei assistir uma palestra na Câmara de Vereadores de um determinado município, como convidado de um secretário. Foi triste. Pouco palavrão, para ser sincero, mas o peso das farpas de um contra outro eram insuportáveis. Deveria ser uma palestra, virou debate que virou batalha verbal. Não deu.

E eu nas rodinhas? Sou o que ri das piadas que não convem ou sou o que fala o que ajuda? Sou o que não se nota ou aquele que “desmancha” as rodinhas quando chega pois sabidamente não participa? Sou mais um ou sou “o” fulano?

O versículo nos ensina que a boca derrama, transborda – portanto é uma questão de estar ou não preenchido com alguma coisa. A boca de um homem/mulher de Deus, focado em viver o evangelho como estilo de vida, só pode derramar benção. Para uns vai ser necessário um nível de isolamento ou blindagem diferente do que de outros. Eu consigo conviver com os desbocados do meu ambiente de trabalho e me manter limpo, mas seria mais fácil sem isso. Outros não conseguem e até precisam de ajuda. Cada um deve se conhecer e se respeitar para não perder o foco – derramar benção com aquilo que fala.

Independentemente da linguagem que usamos (e alguns grupos eclesiásticos tem palavreado próprio) temos de ser sadios. Insinuações sensuais, violentas, agressivas, pejorativas, depreciativas, inverídicas, tendenciosas – são coisas que não se deve ouvir de nossa boca. Nossa conversa deve ser motivadora, semear fé, amorosa, conciliadora, consoladora. Como num mundo desses? Se enchendo da Palavra de Deus de forma transbordante. Como? Lendo mais e mais da Bíblia, se expondo menos à contaminação externa, estudando mais.

Viver o evangelho será cada vez mais dificil no mundo em que vivemos, pode ter certeza. Seguir regras não ficará mais fácil, e manter um estilo de vida ficará mais difícil. Mas temos de perseverar e nosso palavreado testificará disso.

Vinicios Torres

Começar: o Grande Separador

Alguns tempo atrás li um pequeno artigo do Pastor John Maxwell que é uma inspiração para todos os que são ou desejam ser líderes e fazer diferença em sua vida e no mundo ao seu redor.

Com vocês, John Maxwell:

Você quer ser um sucesso? Como você sabe, muitos obstáculos podem manter mesmo a pessoa mais altamente motivada, longe do sucesso. Mas hoje eu quero falar sobre o ÚNICO obstáculo que nos manterá SEMPRE longe do sucesso: Não começar.

Começar é o Grande Separador. Ele separa…

  • Os que fazem dos que não fazem,
  • Os que têm dos que não têm,
  • Os vencedores dos chorões, e
  • Os bem sucedidos dos fracassados.

Se desejar fosse suficiente então todo mundo seria um sucesso. Mas o sucesso é como um livro e o início e o fim são a capa e a contracapa. Até que você abra a capa da frente, não pode experimentar nada das páginas que estão dentro.

Então, como você começa?

_1. Comece com você mesmo. _

Se você já voou de avião, então já ouviu as instruções antes do voo acerca das máscaras de oxigênio – que caem do teto em caso de emergência. Se você estiver viajando com alguém que poderá precisar de ajuda, em quem eles dizem que você deve colocar a máscara primeiro? Em você mesmo! Eles querem lembrar-lhe que você não pode ajudar alguém a conseguir oxigênio se você mesmo não consegue respirar.

Começar por você não é um objetivo egoísta – contanto que você não esteja fazendo isso apenas para seu próprio benefício. Colocando a minha própria máscara de oxigênio, eu consigo o ar que eu preciso para poder ajudar os outros a obterem oxigênio também. Como um líder, eu consigo o que eu preciso para poder ajudar aos outros.

2. Comece cedo.

Eu não posso superestimar o quanto você ganha por começar cedo. É algo que você realmente não pode entender ou compreender quando você é jovem. Uma criatura que entende este princípio é a formiga.

Considere o que a Bíblia diz em Provérbios:

“Observe a formiga, preguiçoso, reflita nos caminhos dela e seja sábio! Ela não tem nem chefe, nem supervisor, nem governante, e ainda assim armazena as suas provisões no verão e na época da colheita ajunta o seu alimento.” – Provérbios 6:6-8

A atividade de uma única formiga parece ter pouco impacto. Afinal de contas, ela só pode carregar uma semente ou um pequeno grão de areia. E não fica clara o que um simples grão de areia significa no grande quadro que está sendo formado. Mas, independentemente do que se enxerga de fora, o impacto está acontecendo e alguma coisa está sendo desenvolvida.

Se você está tentando perder peso, construir um negócio, construir um casamento, educar uma criança, superar um hábito, resolver uma depressão, ou construir um negócio, tudo é construído da mesma maneira: um tijolo por vez. E quanto mais cedo você começar, mais tijolos (ou grãos de areia) você acumulará.

3. Comece pequeno.

A maioria de nós gostaria de ver todo o caminho de onde estamos até o fim. Mas a vida não funciona desta maneira. Como uma pessoa que está carregando uma lanterna, muitos de nós só consegue enxergar pequenas porções do caminho na nossa frente. Nossa melhor resposta é apenas para dar o próximo passo.

Por que começar pequeno? Isso encoraja você a começar e lhe permite priorizar e concentrar-se. Também fornece a base necessária para dar o próximo passo.

Como uma pessoa que carrega uma lanterna, seu caminho e iluminará uma curta distância a frente. À medida que nós avançamos, conseguimos enxergar mais à frente. A lanterna que nós carregamos pode não iluminar a casa toda, mas nos mostra o caminho que devemos andar para chegar lá.

4. Comece com o fim em vista.

John Wooden, um treinador americano de basquete, era conhecido por seu foco na preparação. Em cada exercício ele mantinha a meta – o próximo jogo – em vista. Por quê? Porque ele dizia: “É muito tarde preparar-se quando a oportunidade aparece.”

Em primeiro lugar, descubra a sua paixão. Uma paixão, um objetivo que você deseja fortemente, lhe dá energia. Depois, planeje a sua direção. O começo da jornada é o lugar para estudar o mapa. Você pode até não conhecer todo o caminho, mas o seu plano deveria sempre apontar a direção do seu destino.

5. Comece agora.

É muito fácil dizer “Eu vou começar amanhã.” Nós prometemos que amanhã começaremos a dieta, a estudar, uma carreira ou um relacionamento. Mas até que nós comecemos, sonhos permanecem sendo apenas sonhos.

Pode ser clichê dizer que uma jornada começa com o primeiro passo, mas continua sendo verdade. Pessoas bem sucedidas não esperam que tudo esteja perfeito para então começar a se mover. Eles não esperam que todos os problemas e obstáculos desapareçam. Eles não esperam até que o medo diminua. Eles tomam a iniciativa. Eles sabem um segredo que bons líderes entenderam: o momentum é amigo deles. Quanto mais cedo você der o primeiro passo e começar a mover-se a frente, as coisas se tornarão mais fáceis. Se o ritmo for forte o suficiente, muitos dos problemas cuidarão de si mesmos e o talento desabrochará. Mas isso só acontecerá depois que você tiver dado os seus primeiros passos.

Mário Fernandez

Misericórdia – Vivendo o Evangelho

Viver um evangelho que supera um mero conjunto de regras nos leva a ter mais conhecimento bíblico, pois não há como ignorar os princípios. Tais princípios podem ser ensinados ou aprendidos por tradição, por dedução, por lógica – mas nada disso supera o que a Bíblia diz, pois na qualidade de Revelação inerrante do Deus a quem servimos, amamos e adoramos, a Bíblia é plena e suficiente.

Mas isso contradiz a lógica dos nossos dias, a angústia da nossa sociedade, os noticiários, a realidade da vida cotidiana. Tudo isso vai ficando cada vez mais difícil, tal como a Bíblia anunciou, e basta olhar em volta. Queremos juízo, ansiamos por justiça, olhamos em volta e tudo está complicado. Politicamente o Brasil vive um momento tumultuado, a segurança pública está preocupante, a saúde vai mal, a economia agoniza. Não seria um bom momento para falar em misericórdia.

Mas o evangelho não tem nada relacionado com essas coisas, por que ele é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crer, é um estilo de vida e não um conjunto de regras, é algo para ser vivido e não apenas entendido. Desta perspectiva, e creia-me quando digo que tenho todos os elementos para julgar, não seria um bom momento para misericórdia.

Testemunhei pessoalmente dias (literalmente alguns dias) uma cena terrível – fui abastecer meu carro e vi um jovem sendo baleado no pátio do posto por um carro que passou e nem parou – atirou direto nele. Era dívida de droga? Vingança? Crime passional? Bala perdida? Sei lá. Não sei como foi o desfecho, a ambulância levou o rapaz ainda com vida. E daí, chama polícia, fica olhando, faz que não viu?

Quando olhamos ao nosso redor, como agentes do evangelho, deveríamos buscar nossos jovens na ida para o pátio do posto e não no hospital (ou coisa pior). Teríamos de dar um exemplo vivo que inspire os outros a não dar tiros. Deveríamos encarar aquele mendigo de sempre ao invés de “um traste humano” como “desperdício de um profeta”. Deveríamos nos dedicar mais à pregar a Palavra e menos a ter razão com os vizinhos. Fácil? De jeito nenhum. Viável? Quase que não, mas ainda é.

Não sei como era nos primeiros séculos pois a perseguição era mortal. Não sei como era na idade média, pois a perseguição era mortal. Não sei como era no inicio do “BOOM” das missões, pois qualquer iniciativa era mortal. Mas sei que hoje parece que tudo é mortal, tudo é difícil, tudo se complica a cada dia. Para onde vai a misericórdia? Onde estamos nós, agentes da misericórdia?

Estou convencido de que é chegado um tempo em que fazer diferença é exercer misericórdia. Deixei uma questão para o final intencionalmente: o que é misericórdia? É ter pena? É agir em interesse próprio? É perdoar? É dar suporte ao necessitado? A Bíblia diz que a misericórdia de Deus é a causa de não sermos consumidos, por isso creio que na nossa vez e no nosso papel, misericórdia é antes de tudo propagar a salvação enquanto forma de “não ser consumido”. Tudo que consome é inimigo da misericórdia. É tempo de despertarmos para isso.

Termino dizendo o óbvio: a igreja (povo de Deus na Terra, independente de organização ou denominação) é agente da misericórdia de Deus e portanto é tempo de nós (igreja) apregoarmos a salvação. Ou isso ou seremos consumidos.

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Luis Antonio Luize

Receber e Confessar – A Mudança Começa em Mim

Hoje em dia há muita gente hipócrita por aí, que dizem uma coisa e fazem outra. Na sua origem a palavra hipócrita significa “alguém que usa uma máscara”, um ator, alguém que desempenha um papel. Na antiguidade, cada vez que um ator trocava de personagem também trocava de máscara, uma espécie de disfarce para se proteger. O mesmo sentido ainda permanece hoje.

Num sentido genérico, é aquele que professa um princípio, mas age diferente do mesmo. Também pode indicar aquele que possui uma certa convicção no coração mas que declara outra com a boca.

O número dos que se dizem seguidores de Jesus mas que demonstram um comportamento inadequado é bastante alto. Creem que devem abençoar, mas sua boca profere palavrões e maldições contra todos que estão por perto.

Estas pessoas creem que Cristo é seu Salvador, mas não confessa e vive de acordo com isso. Nós precisamos levar uma vida compatível com a nossa confissão em Cristo.

Estes dias aconselhava um jovem casal, já com filho, vivendo juntos mas com idas e vindas no relacionamento. Eu os aconselhei que tomassem uma decisão e vivessem de acordo com isto, ou seja, casem-se, pois aquilo que confessamos torna-se um compromisso.

Não confessar seu voto é não assumir compromisso com seu cônjuge. Assim também são muitas pessoas envolvidas com seu trabalho secular que não revelam serem crentes em Jesus, pois seu mau comportamento no trabalho não lhes permite isso. Máscaras.

A confissão pode promover o bem ou o mal. Jefté fez um voto precipitado. Poderia ter confessado seu erro e retirado a palavra, mas preferiu seu orgulho à ter sua filha. Herodes fez o mesmo em relação a João Batista, pois entregou a cabeça dele à filha de Herodias, mesmo não desejando fazê-lo.

Mas quando reconhecemos e confessamos nossa situação, alcançamos a misericórdia de Deus.

Muitos não recebem as bênçãos de Deus sobre suas vidas porque se sentem inferiores ou indignos, mas a palavra diz que Deus não nega bem algum aos que andam retamente.

Se após crermos não confessarmos com nossa boca e formos capazes de recebermos o que Deus tem para nós, nossa crença perde o sentido.

Quero dizer, creia em Jesus, confesse-o andando retamente e dando um bom testemunho para os de dentro e para os de fora, e então receba o que Deus lhe reservou.

José tomou posse de tudo o que Deus lhe deu e prosperou. O sonho não foi ideia de José, mas de Deus, e ele o recebeu com fé. O primeiro capítulo de Gênesis está escrito “Deus disse” e tudo se fez, o Espírito trouxe à existência o que Deus determinou.

O que nos dá condições de receber as bênçãos do Senhor é o fato de Jesus ser digno delas ao comprá-las para nós através de Seu sacrifício na cruz.

Estas riquezas de Deus estão à nossa disposição quando as recebemos pela fé, pois o receber é mediante fé que confessamos.

Confie que Deus suprirá suas necessidades. Creia que Ele fará grandes coisas por você, e então receba estas bençãos do Senhor sobre sua vida.

PARA EXERCITAR

  • Tenho confessado a minha fé através do meu comportamento?
  • O que posso fazer para passar a agir de acordo com minha fé em Cristo?
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Vinicios Torres

Resgatando Esaú

Continuando a releitura da história de Jacó que comecei há alguns meses, gostaria que nós prestássemos atenção em alguém que sempre é lembrando pela lambança que fez.

Não tem como falar de Esaú sem lembrar de sua malograda decisão de vender o seu direito de primogenitura. A própria Bíblia o apresenta como exemplo a não ser seguido por causa disso. Ela diz que Esaú “desprezou” a bênção que lhe estava reservada.

Você pode ver os outros artigos a respeito em:

Mas também com Esaú as pessoas se concentram em seus erros e perdem de vista as coisas boas que podem ter acontecido. A vida toda eu tive de Esaú uma má visão, achava que ele tinha amargado o resto da vida as consequências dos seus erros e de suas atitudes.

No entanto, ao pensar sobre as promessas de Deus para Abraão de que ele teria uma descendência grande e abençoada, não pude deixar de pensar que Esaú fazia parte dela. Ele perdeu a herança e o privilégio do Messias vir da sua linhagem, mas era filho do descendente de Abraão.

Quando percebi isso, lembrei que, quando Jacó volta para a terra de Canaã, para a casa de seu pai, 20 anos depois de sair para buscar uma esposa, ele temia que seu irmão ainda guardasse rancor. Para tentar apaziguá-lo, Jacó envia parte de seu gado e de seus pertences como presente para Esaú. Quando Esaú chega onde Jacó estava, ele abraça Jacó e eles choram.

Em seguida Esaú pergunta o que eram todas aquelas coisas que ele tinha visto pelo caminho e Jacó responde sem reserva que era para ser bem recebido por ele. Então Esaú dá uma resposta maravilhosa:

Eu tenho muito! Guarde para você o que é seu.”

Naqueles tempos, o primogênito recebia uma porção dobrada da herança da família, mas naquele episódio Isaque ainda era vivo, portanto a herança ainda não havia sido dividida. De onde Esaú conseguiu tanto e como abandonou o ódio ao irmão para recebê-lo tão bem?

A chave para compreender isso está em Gênesis 27:40, quando em prantos pede ao pai uma bênção, já que o irmão havia recebido a que lhe era destinada. Isaque prediz que a sua vida será de dificuldade e sofrimento e que ele estava destinado a ser inferior ao irmão.

A menos que ele mudasse as atitudes para com a vida.

O versículo 40 da tradução “Almeida Corrigida e Revisada Fiel” é uma das poucas em português que traduz este versículo da mesma maneira que a maioria das versões em inglês: “quando te assenhoreares”. Traduzindo para o linguajar mais cotidiano: quando você se tornar senhor de si mesmo, quando você aprender a controlar seus sentimentos e instintos, quando você tiver domínio próprio.

O que Isaque estava dizendo para Esaú é que enquanto ele não tivesse domínio de si e vivesse tomando decisões irresponsáveis baseadas em sentimentos momentâneos e passageiros, ele teria uma vida difícil e se sentiria inferior ao irmão. Mas quando ele crescesse emocionalmente e tomasse as rédeas da vida chegaria o dia em que este jugo de desigualdade e inferioridade lhe seria tirado.

A Bíblia registra, em Gênesis 28:6-9, que esta mudança começou em Esaú logo depois que ele viu Jacó sair em viagem para buscar esposa. Ele reconheceu a obediência de Jacó e o fato de que suas esposas não satisfaziam o que seus pais consideravam como importante. Sua primeira ação, foi buscar uma esposa entre seus parentes, de maneira que pudesse trazer alguma harmonia entre a sua casa e a de seus pais.

A julgar pelas palavras de Esaú no encontro com seu irmão 20 anos depois, podemos chegar à conclusão de que ele “tornou-se senhor de si mesmo” a tempo de experimentar a liberdade e a prosperidade prometida à descendência de Abraão.

Podemos tirar uma lição importante da vida de Esaú e da sua resposta à profecia de seu pai. Apesar de alguns de nós nos identificarmos com o estilo de vida impetuoso, agitado e aventureiro de Esaú, em relação às coisas importantes da vida, à Palavra e às promessas de Deus, devemos exercitar o auto-domínio.

Nas palavras do apóstolo Paulo, devemos evidenciar o fruto do Espírito chamado domínio próprio. Das sementes desse fruto brotarão liberdade e prosperidade.

“Senhor, rendo-me ao teu Espírito Santo para que em minha vida se manifeste o fruto do domínio próprio e eu seja conhecido como alguém que te obedece sempre e experimenta a sua bênção abundantemente.”

Crédito da foto: Esau and Jacob reconcile (1844) – Francesco Hayez – The Yorck Project: 10.000 Meisterwerke der Malerei. DVD-ROM, 2002. ISBN 3936122202. Distributed by DIRECTMEDIA Publishing GmbH.

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Mário Fernandez

Passividade – Vivendo o Evangelho

Interessante observar como as pessoas ao nosso redor, dentro da nossa congreção (ou igreja local), encaram essa coisa de tomar a sua cruz. Já ouvi algumas barbaridades que nem vou reproduzir aqui, mas tem algumas ideias que merecem meditar.

Uma vez uma senhora comentou que seu marido alcoólatra era sua cruz a carregar. O pastor perguntou “e quando ele se converter, a irmão não terá mais cruz?“. Outra vez uma pessoa, muito simples no seu jeito, comentou que cruz era qualquer coisa que Deus desse e ela não gostasse. Eu perguntei “como faz pra saber se foi Deus que deu?“. Entre essas e outras tantas, precisamos entender que o verso escolhido nos fala claramente sobre “tomar” sua cruz, portanto independente do que seja seu conceito de cruz – é preciso ter atitude e andar em frente.

Em um dicionário li o seguinte “Passividade é acreditar que tudo o que está posto é como deveria ser e nada pode ser feito para alterar.” Isso meu querido leitor, é exatamente o que eu chamaria de contrário, inverso ou antônimo de tomar a sua cruz.

Tomar uma atitude é deixar a passividade de lado, coisa que está faltando para boa parte dos cristãos/evangélicos do nosso tempo, independente de qual seja sua opção teológica, denominação ou região onde vive. Dentro e fora do Brasil, um número enorme de membros de igreja congregam debaixo da liderança de homens que, preparados ou não, são praticamente tudo que estas pessoas têm de Deus em suas vidas. Por quê? Porque estão apassivadas, sentadas, acomodadas, alienadas, conformadas. A religiosidade não é uma virtude, é um vício. A espiritualidade não é sinônimo de religiosidade, por mais que para alguns possa parecer que sim.

A intimidade com Deus vem com esforço, dedicação, foco, busca, renúncia (muita renúncia) e sacrifício. Já parou para pensar que se não sangra nem queima, talvez não seja sacrifício? Já parou para pensar que a necessidade de esforço foi determinada por Deus em Gênesis 3, quando ele disse que o homem teria de trabalhar, nem tudo daria certo? mundo, aflições… lembra?

Deixar a passividade é tomar atitude positiva, é fazer (contrário de não fazer), é agir (contrário de não agir) e abençoar (contrário de só querer ser abençoado). Deixar a passividade é buscar uma forma de ser canal de Deus no mover sobre a Terra, independente de suas limitações. Viver um evangelho autêntico, genuíno, sem ser “aguado” exige uma atitude sem passividade.

Ser passivo é aceitar o que vem de Deus e reagir ao que vem contra Ele. Passividade portanto é semente de mornidão e isso é muito muito mau para qualquer um. O evangelho não é um conjunto de regras, portanto mais do que tudo é necessário olhar para a Palavra de Deus como sendo mais do que um conjunto de códigos a serem seguidos – é uma riqueza de princípios, histórias, palavras de consolo, incentivos, exemplos (bons e maus), referências, enfim é um tesouro ilimitado. Por isso mesmo, ficar passivo (ou fatalista) não pode nos aproximar de Deus em nada, pois todo tesouro precisa ser explorado.

Para viver o evangelho é preciso agir e reagir. Sair do quadradinho, ir além do mínimo, fazer algo mais, surpreender. Estas coisas são limitadas pelas regras. O evangelho é o Poder de Deus portanto não pode ser limitado.

Deus nos abençoe.