Mário Fernandez

Amor e Justiça – A Noiva de Cristo

“Ou será que você despreza as riquezas da sua bondade, tolerância e paciência, não reconhecendo que a bondade de Deus o leva ao arrependimento?” (Romanos 2:4)

Uma das polêmicas teológicas mais ‘polêmicas’ é essa tensão entre amor e justiça. Alguns dizem e pregam que Deus é amor portanto basta amá-lo e pode tocar sua vida como quiser. Outros pregam que Deus é justo portanto a salvação está sempre por um fio. Afinal, como podemos compreender isso do ponto de vista de uma noiva prometida, com as bodas se aproximando?

Primeiramente, vamos notar que o texto fala nas riquezas de Deus expressas em bondade, tolerância e paciência – méritos abundantes e decisivos. Se nos atermos a tolerância podemos até equivocadamente aniquilar o inferno, pois Deus poderia dar uma segunda chance e a todos perdoar no momento em que quisesse. De fato poderia mesmo, mas não o fará porque Sua Palavra revelou que não o fará e Ele é fiel em tudo que diz. Mas Sua tolerância é uma riqueza e não deve ser desconsiderada, portanto sempre teremos uma oportunidade de sermos tolerados – mediante arrependimento, como veremos a seguir.

Por outro lado inegavelmente justiça é parte integrante do Seu caráter e temos inúmeros textos de referência mencionando isso. Mas podemos simplesmente ler um versículo a mais do que acabemos de ler e veremos que um adiante, já no verso 5, temos uma sentença muito pesada para corações obstinados – a ira de Deus sendo ‘acumulada’ sobre nós. Obviamente tudo tem seu contexto e suas condicionantes, pois quem não tem coração obstinado está livre disso.

O ponto chave aparece no final do texto. A bondade é o que leva ao arrependimento, palavra esta aliás bem mal entendida. O termo grego “metanóia” significa mudança de mente, troca de disposição mental, inversão de valores – ou seja, transformação. É um reflexo produzido pela bondade de Deus e não uma decisão a ser tomada. Eu não consigo mais praticar aquilo que é contra o ‘justo’ de Deus, pois a sua bondade me constrange. Para simplificar, imagine que Ele está sempre olhando, cercado de uma legião de anjos que também estão olhando – como fazer algo que eu sei que é errado? Pois é assim que é.

O equilíbrio é o segredo de qualquer relacionamento bem sucedido e não será diferente no caso das bodas do Cordeiro. Chegaremos diante do Noivo um dia, mas passaremos pelo julgamento. Grandes e pequenos, jovens e velhos, ricos e pobres. Quem estiver salvo não será condenado portanto seguirá para as bodas. Note o equilíbrio, muito razoável.

Minha sincera oração é que o Senhor nos faça perceber que não o seguimos e nem o obedecemos por medo, mas por constrangimento por tanta bondade. Alguns vão chamar isso de amor.

“Senhor, não me permita perder de vista que minha vida e meus atos devem refletir minha percepção da Tua bondade para comigo.“

One thought on “Amor e Justiça – A Noiva de Cristo

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *