Mário Fernandez

Algumas Reflexões de um encontro com Rick Warren

Introdução do Vinicios

Estava limpando algumas pastas e jogando fora alguns materiais antigos que não preciso mais e encontrei um texto que o Pr. Mário me mandou há alguns anos.

Era uma lista frases anotadas durante um congresso que o Pr. Rick Warren (EUA) foi o preletor. Ele é fundador da Saddleback Church, que começou com ele e a esposa e hoje é uma das maiores e mais influentes igrejas dos Estados Unidos.

Já faz alguns anos e embora o congresso tivesse foco na liderança, a sabedoria e inspiração que tocaram o Mário naquela época me tocaram de novo enquanto lia.

Espero que toque você também.

Super frases:

  • Não desista.
  • Concentre-se em edificar grandes homens e Deus se encarrega de edificar uma grande igreja.
  • Não desista.
  • O mundo precisa de pastores que sejam modelo de generosidade, não de prosperidade.
  • Não desista.
  • O corpo de Cristo está deformado, sem mãos nem pés, mas com orelhas grandes uma boca enooooooooooooooooooooorme.
  • Não desista.
  • Chega de sermos conhecidos como um povo que é contra alguma coisa. Temos de ser a favor de alguma coisa.
  • Não desista.
  • Devolvi o meu salário de pastor dos últimos 25 anos. Na semana seguinte fui entrevistado pela maior revista americana e pude dizer na cara da entrevistadora que servia de graça há 25 anos. Valeu cada centavo ver a cara dela.
  • Não desista.
  • Maturidade espiritual é saúde. Saúde pode ser medida. Se o médico consegue fazer exames e medir minha saúde, meu pastor tem que conseguir medir minha saúde espiritual.
  • Não desista.
  • Deus tem sim filhos favoritos. Creia nisso. MAS SAIBA: quem decide ser favorito Dele é você. Deus procura filhos disponíveis, e isso é decisão. (2 Crônicas 16:9a)
  • Não desista.
  • Crescimento espiritual não é mito, não é acidente, não é automático. É uma decisão, é sazonal, é progressivo, leva tempo, dói, custa caro, não pode ser terceirizado, é individual, não tem nada a ver com quanto tempo faz que está tentando, tem tudo a ver com o QUANTO e como está tentando, e se não der fruto não é crescimento.
  • Não desista.
  • Deus faz um cogumelo em 6 horas e uma figueira em 60 anos. Decida se quer que sua igreja seja um cogumelo ou uma figueira.
  • Não desista.
  • Ser grande e ter posição de destaque é uma coisa e ser importante é outra. Por exemplo, meu nariz é enorme e proeminente mas eu posso viver sem ele. Já meus rins são pequenos e estão bem escondidos, mas são muito relevantes. Sem eles eu morro.
  • Não desista.
  • Ter poder e influência não é pecado e não é egoísmo. MAS isso não tem nada a ver comigo. Deus nos dá influência e poder para que possamos falar por aqueles que não tem poder nem influência algum.
  • Não desista.
  • Comecei minha igreja com um membro (minha esposa). No primeiro sermão ela reclamou que foi muito longo. Hoje temos cadastrados mais de 29.000 membros em 3600 células que reúnem perto de 100.000 pessoas em 68 municípios ao redor. Na celebração de aniversário da igreja passaram 44.500 pessoas. NÃO DIGA que não sei o que você está passando, minha igreja já foi do tamanho da sua.
  • Não desista.
  • Gosto da ideia de um visitante me ver pelos corredores da igreja e perguntar “quem é esse cara?” e algum membro responder “é o Pr. Rick, ele está aqui há 30 anos”.
  • Não desista.
  • Conheço velhos imaturos e jovens maduros. São coisas separadas. Creio fielmente que pastoreio a igreja mais madura dos EUA, mas isso não tem nada a ver comigo. Tem a ver com o propósito de Deus para aquelas vidas. Damos frutos e isso demonstra nossa maturidade.
  • Não desista.
  • Quando escrevi Uma Vida com Propósitos, tirei uma licença de 7 meses da igreja. Preguei duas vezes nesse tempo todo. Nesse ínterim, batizaram 800 pessoas. Sabe porque? Porque nunca edifiquei uma igreja ao redor de mim (personalidade) mas ao redor de propósitos. Eu não faço falta, os propósitos sim.
  • Não desista.
  • Ando no mesmo carro fazem 9 anos. Ganhei milhões com o sucesso do livro. Muitos milhões. O que mudou? Posso dar mais. Tenho o mesmo salário, moro na mesma casa, paguei minha passagem para estar aqui com vocês, pago meu hotel e minha comida. Tenho dois ternos. Gostou desse?
  • Não desista.
  • Dia 16 de agosto vou mediar o primeiro debate entre os dois candidatos a presidente dos EUA. É provavelmente o posto mais poderoso do mundo atual. Sabe porque me chamaram? Nem eu, mas se Deus quis eu PRECISO fazer algo a este respeito. Aquele país precisa do Senhor e eu preciso fazer algo sobre isso.
  • Não desista.
  • Dei uma coletiva de imprensa agora há pouco, vindo para cá. Um repórter brasileiro perguntou se eu considerava me candidatar a algum cargo político na Califórnia. Eu respondi que EU JAMAIS DEIXAREI DE SER PASTOR PARA ASSUMIR UM CARGO MENOS IMPORTANTE OU DE MENOS RELEVÂNCIA (INFLUÊNCIA). Isso seria decadência.
  • Não desista.
  • No final do primeiro ano de ministério desmaiei pregando num culto de natal. Tive depressão. Fiquei esgotado. Estava decepcionado. Mas não desisti. Nunca. Toda segunda-feira penso em desistir, mas isso já tem 28 anos.
  • Nunca desista.
  • Não tenho todas as respostas. Estou tremendamente ocupado com as que já tenho.
  • Não desista.
  • Amo pastores. Quero ser amigo deles, equipá-los, treiná-los. Confio em pastores. Sou neto de missionário, filho de pastor, genro de pastor. Como eu poderia ser outra coisa? Por isso mesmo criei uma igreja pra quem não gosta de igreja e não simpatiza com pastores.
  • Não desista.
  • Moro perto da praia. Quando a maré baixa, a areia fica horrível, suja, cheia de problemas. Seu ministério está assim? Ok. Lembre-se que a maré volta.
  • Não desista.
  • Fui aumentando meu dizimo 1% por ano. Hoje, com o dinheiro que ganhei com o livro, dou 90% e vivo com 10%. Mas não estou feliz, quero dar 99% e viver com 1%. O mundo precisa de exemplos de generosidade.
  • Não desista.
  • Estou perdendo para Deus há 33 anos. Eu dou, Ele me dá mais. Eu dou mais, Ele me dá mais ainda. Nunca consigo dar mais que Ele. Faço questão de ser, na minha igreja, quem mais dá – seja dinheiro, tempo, oração, não me importa. Quero ser um exemplo de generosidade em tudo.
  • Não desista.
  • Os holofotes deixam a gente meio cego. Preciso sair de cena de vez em quando, se não serei um cego.
  • Não desista.
  • Jesus convidava seus seguidores com “Venha e veja”. Com o tempo isso se tornava “Venha e morra”. O nome disso é discipulado.
  • Não desista.
  • Jesus amou a todos, treinou e enviou 70, discipulou 12 e mentoreou somente 3. Quanto mais apertado o círculo mais profundo o relacionamento e a responsabilidade.
  • Não desista.
  • Não desista.
  • Não desista.

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Cruz – Vitória Espiritual

“E, despojando os principados e potestades, os expôs publicamente e deles triunfou em si mesmo.” (Colossenses 2:15)

Muito interessante notar que no Reino de Deus tudo é sempre completo, pleno, perfeito. Somos corpo, alma e espírito. Deus é Pai, Filho e Espírito. As batalhas são naturais e sobrenaturais, ou espirituais. Existe morte física e morte espiritual. Não poderia ser diferente, as vitórias são físicas e espirituais.

Mas vamos olhar para as coisas de uma forma simples para chegar a um entendimento: Deus criou todas as coisas, em suas faces espiritual e material. O homem caiu, por um ato no mundo físico, que lhe trouxe consequências condenatórias em ambos os mundos. Acima de tudo, a morte espiritual entrou pelo pecado. Deus ao expulsar Adão e amaldiçoar a serpente, decretou a futura (ou vindoura) vitória espiritual. O livro do Apocalipse nos fala sobre esta vitória espiritual, com algumas descrições de condenação, salvação, novos céus e nova Terra.

Mas como reunir o físico e o espiritual? Estaremos naquele ponto todos fisicamente mortos. O céus e a Terra passarão. Eis o ponto: a vitória de Jesus na cruz foi uma vitória completa, sobre a morte física (ressuscitou ao terceiro dia) e também sobre a morte espiritual (Ele vai voltar). O triunfo descrito no versículo acima é nitidamente espiritual.

No tempo devido, todas as coisas serão consumadas (ou cumpridas) e neste ponto o que se separou deverá novamente ser reunido. Nós, então fisicamente mortos, seremos ressuscitados com corpo glorificado, nosso espírito vivificado por Cristo será reunido e viveremos com Ele (Trindade) pela eternidade. MAS, o mundo natural passará a se reunir também com o espiritual, mediante a vitória da Cruz. Ela foi a chave para conquistar ou reconquistar aquilo que se havia extraviado.

Com a vitória na cruz, Jesus de Nazaré selou o “destino” da criação (mundo natural) e do espiritual, para que mediante o preço pago por Ele possam ser novamente reunidos diante do Pai. Será a recuperação de algo que se desviou do propósito original por algum tempo. Como Ele fez isso? Vencendo em ambas as realidades para ser o Dono e Senhor delas. E nós, como ficamos? A decisão é sua: se entregar-se a Ele será Dele, se não, infelizmente, vai arcar com o peso de uma decisão que o manterá, fisicamente e espiritualmente, na condição de perdido.

Eu acho maravilhoso tudo isso. Me fascina pensar nisso e estudar isso. Mas por um motivo: me anima mais e mais servir Aquele que fez tudo por mim e mesmo podendo optar por fazer diferente, escolheu me amar e me resgatar. A Ele eu tributo honra, glória, louvor e majestade pelo tempo que eu tiver pela frente – a eternidade.

“Senhor, obrigado por vencer e me incluir em Tua vitória. Quando o físico e o espiritual forem novamente reunidos diante de Ti, eu estarei lá, mesmo não merecendo. Obrigado por me amar.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Deixados Para Trás? Não!

O reino de Deus não é lugar, nem ambiente, para deixar alguém de lado ou atrasado.

Quem desiste não merece, mas quem luta até cansar é do time.

O verdadeiro inimigo do sucesso/amor não é o ódio e sim a indiferença – abandonar os companheiros é o mesmo que odiar.

Veja na pregação do Pr. Mário Fernandez o que deveríamos fazer para reverter a estatística que mostra que 2,7 ex-crentes afastados para cada crente nominalmente praticante.

“A Indiferença” – Pr. Mário Fernandez – 3º Encontro Derramar da Águas

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Cruz – Semáforo

“Somente deveis portar-vos dignamente conforme o evangelho de Cristo, para que, quer vá e vos veja, quer esteja ausente, ouça acerca de vós que estais num mesmo espírito, combatendo juntamente com o mesmo ânimo pela fé do evangelho.” (Filipenses 1:27)

Sou um viajante de longa data, portanto, experiente. Houve fases de viajar muito longe, outras de ficar perto. Houve fases de voar com frequência, outras de dirigir muito. Mas uma coisa é comum em qualquer viagem: saímos da nossa cidade para outra. E os caminhos são diferentes por onde andamos, por isso precisamos nos valer da sinalização sejam placas, letreiros ou semáforos. Na China, alguns anos atrás, as placas e letreiros não me diziam nada, o que me restou de familiar e com significado foi o semáforo.

A cruz de Cristo é o semáforo na vida do cristão. Paulo escrevendo aos Filipenses motiva-os (e a nós também) que estejam no mesmo espírito e combatam juntamente. Se cada um virar para um lado, nada vai dar certo. Quando olho para o povo das igrejas dos nossos dias, vejo semáforos desligados ou escondidos no nevoeiro da arrogância, do ego, da soberba, da sede de poder.

Se a luz de Cristo for verde devemos avançar, se for vermelha devemos parar – simples como um semáforo de trânsito, até onde sei igual em todos os lugares do mundo. Às vezes, nos é pesado ou difícil aceitar o sinal vermelho, mas outros precisam cruzar nosso caminho e para eles está verde. Às vezes, não temos desejo de prosseguir e queremos virar para esquerda, mas o único sinal verde é em frente. Note que aqui temos um mistério interessante: no vermelho podemos esperar um pouco mais e até mesmo distrair, mas no verde não. Quando o Senhor manda avançar só resta ir.

Isso ajuda a entender alguns acidentes que temos testemunhado. Ajuda a perceber quando erramos. Ajuda a parar quando estamos indo longe demais. Ajuda a ajudar os que não distinguem os sinais, ou as cores, ou ambos. E note outro mistério: quando o semáforo está apagado, o que se faz? Só sabe o que fazer quem conhece a lei do trânsito. Com Cristo apagado, só nos resta seguir a Lei. Sob pena de voltarmos passos atrás no que já foi dado por Deus, precisamos manter o semáforo de Cristo aceso em nossas vidas pela Palavra, pela oração e pela fé.

Eu não me considero um grande motorista, mas tenho rodado frequentemente, às vezes dirigindo por mais de 900km em um dia – meu último acidente foi no século passado e não sou multado há mais de 8 anos. Sorte ou prudência? Deus se compromete com quem se compromete com Ele, posso testificar disso.

Olhemos para a cruz de Cristo e nela vejamos o critério de ir ou de parar, com base em sacrifício, dedicação, empenho e amor. Aliás, estou a ponto de crer que o amor é o carregador da bateria do semáforo da cruz.

“Senhor, me ajude a discernir todos os sinais, principalmente aqueles que me fazem prosseguir conforme a Tua vontade. Ensina-me a ser dirigido e guiado pelos Teus sinais em detrimento dos outros.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Cruz – Reconciliação 2

“E que, havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra, como as que estão nos céus.” (Colossenses 1:20)

Um aspecto pouco mencionado ou pouco estudado da reconciliação é o antecedente, ou seja, a certeza de que havia algo para ser acertado. Andávamos por aí perdidos e fomos resgatados. Para este resgate ser viável foi necessário uma missão de resgate. A missão era completamente suicida (não no sentido de tirar sua própria vida mas de entender que era morte certa), mas ainda assim o emissário a aceitou.

Sem entender que o perdão/reconciliação só faz sentido tendo havido uma ofensa, nos tornamos muitos frios no relacionamento com Deus. A noção do tamanho e da seriedade de nosso estado de perdição dá sentido ao sacrifício da cruz como ferramenta de reconciliação. É lindo pregar e meditar no nosso estado de reconciliados e salvos, mas não vale o preço se negligenciar a consciência de nosso passado. Não é remoer trauma nem semear medo/pânico – é manter na memória a lembrança que abana as brasas da gratidão, do bom senso e, por consequência, da adoração.

Eu creio sinceramente que há um segredo nesse assunto que só entenderemos na Glória, principalmente por que me intriga a expressão “tanto as que estão na terra, como as que estão nos céus”. Há muito mais nos céus do que podemos entender ou imaginar. E cá entre nós, na terra também, embora nos custe admitir. Se isso se refere aos já recolhidos pelo Senhor ou aos anjos ou a qualquer outra coisa, sinceramente, pouco importa ou afeta a vida prática. O importante é que eu e você, vivos neste presente período, fomos alcançados.

No mundo dos negócios frequentemente ouvimos falar de escândalos milionários, de pessoas ou empresas que “aparentemente” sem escrúpulo algum simplesmente levam empreendimentos à bancarrota e prejudicam milhares. Isso acontece no mundo todo, mas não acontece no Reino de Deus. O Único Todo Poderoso que poderia nos deixar no prejuízo fez de tudo para que acontecesse conosco justamente o contrário – quebra tudo mas não quebra comigo.

Nosso Pai Celestial arcou com todo o prejuízo, com todo dano, com todo custo. Pagou o preço da nossa dívida como se fosse miséria, mas não era. Eu, sendo um ser pensante e minimamente razoável, preciso reconhecer a grandiosidade desse ato.

Louvado e exaltado seja Aquele que deu tudo por mim, enquanto eu era menos do que nada. Agora, sou redimido, resgatado e tenho herança na eternidade. Se isso não é motivo de gratidão, o que seria?

“Senhor, não me permita tornar comum ou vulgar aquilo que fizeste por mim. Quero manter aceso em mim o fogo da gratidão.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Cruz – Problema Seu

“Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens” (Filipenses 2:6,7)

Já ouvi diversas vezes a frase “Deus tem mais o que fazer do que resolver os meus problemas”. Hoje quero meditar no seguinte: isso está correto!

Antes de apedrejar como herege, permita-me expor meu ponto. O texto acima nos fala que Jesus abriu mão de tudo que tinha na Glória Eterna para ser homem como nós. Escolhi este texto pois, além de meu favorito da Bíblia toda, ele demonstra um ato da parte de Deus em nosso favor para “resolver problemas”.

Em Mateus 5 ele prometeu sustento e provisão. Em Mateus 11 ele disse para lançar sobre Ele o cansaço. Isaías 53/Mateus 8 diz que Ele tomou sobre si toda sorte de enfermidade. 1 Pedro nos ensina a lançar sobre Ele a ansiedade. 1 João fala que Ele se manifestou para destruir as obras do diabo. Tito 2 diz que a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens.

Pergunto-lhe: se tirar tudo isso de sua vida ainda sobra problema? Então, a resposta para o nosso enigma não é nada difícil: entregue seus problemas a Ele, confie na boa mão Dele e esqueça. Os problemas passam a ser Dele, daí ele resolve. Enquanto estiver preso na sua mão não é problema Dele, não há motivo para ele resolver. Não consigo encontrar nenhum versículo bíblico que diga “segura aí que eu resolvo”. Tem dezenas de “entregai” ou “lançai” ou “confiai” ou “trazei-me”. É simples como o evangelho: abre mão de cuidar de si mesmo e deixa Deus cuidar.

Deus tem mais o que fazer do que resolver os teus e os meus problemas: Ele tem trilhões de problemas sendo resolvidos por gente como eu e você que a Ele entregaram confiadamente seus próprios sofrimentos, dores, doenças, mazelas, enfim todos os fardos que pesavam.

Muito mais do que uma mera meditação, eu diria que isso é um convite ao aprendizado. Aprender a entregar a Ele, a confiar Nele, a depender Dele. Deus poderia fazer diferente, mas Ele optou por nos tratar assim. Se por um lado somos responsáveis pelas nossas decisões, por outro lado podemos receber alívio ao decidir por Ele.

Termino essa meditação com o texto de João 14 – Não se preocupem, eu já dei um jeito, na casa de meu Pai tem espaço para todos vocês (paráfrase minha). E isso, para variar, foi feito na Cruz.

“Senhor, obrigado por me fazer perceber o quanto o Senhor tem interesse em tomar para Si meus problemas e aflições. Aquela cruz foi um marco de esforço do Senhor para isso.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Cruz – Fiança

“e cancelou a escrita de dívida, que consistia em ordenanças, e que nos era contrária. Ele a removeu, pregando-a na cruz, e, tendo despojado os poderes e as autoridades, fez deles um espetáculo público, triunfando sobre eles na cruz.” (Colossenses 2:14-15)

Um aspecto colateral dessa “fiança” trazida por Jesus à nos na cruz, se refere nitidamente ao senso de endividamento. Na minha geração que aí está, fica muito claro que a corrupção, o senso de impunidade, o descaso com as leis, a incompetência, o descontentamento com as políticas públicas – para não ir além – são fatores comuns e da grande maioria, não apenas no Brasil mas em diversos países. Vivemos um momento histórico de instabilidade social e emocional generalizada. Isso, meu querido, me deixa claro que perdemos o senso de dívida com Deus.

Por conta destes e outros tantos fatores, nossa humanidade pós-moderna do século XXI está se achando auto-suficiente e evoluída, mas estou seguro de que aos olhos de Deus não passa de um povo “pobre, cego e nú”. Obviamente estou generalizando, pois há sim aqueles cujo mover de Deus em suas vidas faz toda diferença, para eles e para seus próximos. Mas estou certo e convicto de ser uma minoria.

Tudo isso me remete à cruz de uma forma clara e direta, no sentido dela ser o lembrete, a marca, o sinal, o referencial e até mesmo, se preferir, o símbolo. De quê? De que fomos, estivemos e continuaremos eternamente endividados. Me permita explicar.

Primeiro éramos devedores a Deus pelo nosso pecado, ou melhor, pela nossa natureza pecaminosa. Dívida impagável, sentença de morte. Esta dívida, para todos aqueles que Nele crerem, nos ensina a Bíblia, está paga. Mas não podemos esquecer que existia essa dívida; ignorá-la não é sinônimo de eliminá-la.

Depois, por conta da fiança ter sido executada, passamos a dever ao fiador, Jesus Cristo o Justo, em outra moeda. Se antes era sentença de morte, agora é uma sentença de vida – mas ainda há uma dívida a ser saldada. Uma dívida de gratidão a ser paga em liberdade e fé, para que eu faça por merecer, não a minha salvação da morte pois esta não se compra com merecimento, mas minha identidade de salvo, meu nome de salvo, meu legado e herança de salvo.

Resumo este entendimento de uma forma bem simples: Endividado? Sempre! Condenado? Nunca mais!

Deus nos ensine a viver assim, pois se a Ele entregamos nossa vida, nossa alma e nosso coração, por que ainda ficamos esperneando para usá-la como queremos?

“Senhor, obrigado por ‘trocar’ minha dívida de morte por uma dívida de gratidão. Esse preço foi muito alto, mas eu não alcanço compreende-lo. Quero apenas te pedir para me levar além em gratidão, ainda que eu não mereça.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Cruz – Herança Conjunta

“E, se nós somos filhos, somos logo herdeiros também, herdeiros de Deus, e co-herdeiros de Cristo: se é certo que com ele padecemos, para que também com ele sejamos glorificados” (Romanos 8:17)

Outro dia ao meditar na “chave” da herança de Jesus como sendo a cruz, este texto me saltou aos olhos. Existe uma condicionante aqui muito clara, não sei como não a tinha percebido tão plenamente até hoje. A condição é assim: somos herdeiros, SE somos filhos. SE COM ELE padecemos, com Ele somos recompensados. Até aí é simples e quase uma leitura basta. Mas a carta foi escrita por Paulo, um judeu estudado e conhecedor das Escrituras Judaicas. Ele aqui usou uma técnica poética de rima de conteúdo, ou seja, ele disse a mesma coisa duas vezes com palavras diferentes. Sob esta ótica ser filho = padecer com Ele e herdeiros = glorifcados.

A cruz é o inequívoco e unânime símbolo do sofrimento de Cristo por nós, com aspectos substitutivos, vicários, expiatórios, etc. Mas também é o símbolo da nossa filiação em Deus através de Cristo. Pela cruz Jesus padeceu, se com Ele padecemos com Ele seremos glorificados. Se com Ele padecemos temos a nossa parte da herança assegurada por promessa do Pai.

Acho interessante perceber esse tipo de conexão, pois ela afeta aspectos práticos da vida de cada um de nós. Malcomparando, eu sempre penso num casamento. Quando ocorre um casamento, habitualmente a mulher assume o sobrenome do marido, ou no lugar de seu sobrenome original ou em adição à ele. Se a igreja é a noiva de Cristo, que sobrenome assumiremos nas bodas? Interessante pensar nisso. Quando conversei com algumas pessoas sobre isso, ouvi respostas das mais variadas. Embora meio previsível, eu tenho uma sugestão – deveríamos nos chamar “salvo na Cruz”. Eu seria “Mário Salvo na Cruz”.

A despeito do tom de piada, veja que o versículo diz com clareza que somos herdeiros se formos filhos e seremos glorificados se padecermos com Cristo. Minha conclusão é simples: nossa certidão de nascimento no Reino está na Cruz, assim como nossa “certidão de casamento” para as bodas do Cordeiro.

Mas e o aspecto prático? Vejamos. Uma mulher de respeito quando se casa muda de comportamento. Usa aliança, menciona seu conjuge, mude de sobrenome, sai da casa de seus pais, assume algumas tarefas e obrigações para com seu marido, passa a sair acompanhada pelo marido. E nós? Somos igreja, noiva prometida do Senhor, será que estamos nos comportando como tal?

Minha visão de hoje é que a igreja, de uma forma geral na minha geração, perdeu a percepção de noiva a caminho das bodas, portanto perdeu a percepção da filiação divina. Isso, meu querido, compromete seriamente a herança no Reino. Quem não é filho não tem herança. Isso ajuda a entender locais cheios de gente com coração vazio, movimento para todo lado mas poucas mudanças reais, gente com sofrimento que já devia ter superado.

É chegado um tempo de reavaliar nosso compromisso com o Senhor, pois a cruz nos exige isso. Sem compromisso não tem Reino. O prejuízo é totalmente nosso. Deus não deixará de ser quem Ele é, não será abalado nem prejudicado.

“Senhor, me ajuda a resgatar a percepção e o senso de responsabilidade para com a minha herança em Cristo. Quero ser um filho que orgulha o Pai.”

Mário Fernandez