Mário Fernandez

Obras

“Dirigiram-se, pois, a ele, perguntando: Que faremos para realizar as obras de Deus? Respondeu-lhes Jesus: A obra de Deus é esta: que creiais naquele que por ele foi enviado.” (João 6:28-29 ARA)

Quando vejo alguém dizendo que quer ser pastor, missionário, obreiro, quer dedicar seus dias a servir a Jesus, quer ser pregador – eu sempre fico examinando as motivações do coração para discernir o que devo fazer. Alguns, no fundo de sua alma, querem apenas um emprego eclesiástico. Outros, apenas alguma atividade onde as pessoas as percebam. Outros, do fundo de sua alma, querem apenas ver almas serem resgatadas das trevas e o nome de Deus ser glorificado. São nestas que eu foco.

Pessoas que têm este sentimento entenderam o significado da obra de Deus, que não consiste necessariamente em fazer algo prático. Sou grande defensor e praticante de ações evangelísticas, obras sociais, suprimento de necessidades materiais – mas nada disso substitui uma vida de santidade, de oração e de profunda meditação na Palavra de Deus. Se vier me dizer que não tem tido tempo para uma devocional pessoal por causa destas obras, mando parar imediatamente. Quando falamos de obras, é inevitável pensar em construção de casas ou prédios.

As bases têm de ser mais fortes que as paredes de uma casa, ainda que sejam as paredes que recebem acabamento e são admiradas. Em uma vida, as bases fundamentais são a oração, a meditação na Palavra, que desenvolvem intimidade com Deus. Os atos práticos devem ser como as paredes: são visíveis mas encondem uma base sólida. Temos ainda os princípios da Palavra de Deus, colunas firmes que sustentam as paredes e dão prumo à casa – mas estão sobre as bases. Por cima de tudo, vem a liderança espiritual dada por Deus que nos serve por cobertura. Todo líder do povo de Deus tem por obrigação dar apoio a cada um de seus liderados.

Fazer a obra de Deus não é sair pelas praças com uma Bíblia na mão pregando salvação, ainda que possa incluir isso. Também não é não ter outra ocupação além de trabalhar na igreja, mas pode incluir isso. Crer em Jesus de Nazaré e levar outros a conhecê-lo é a verdadeira obra de Deus, que tem bases e alicerces firmes. Deus nos oriente.

“Pai, quero ser construção firme do Senhor, com bases muito muito sólidas. Ajuda-me a conseguir isso.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Maldizentes

“Sem lenha, o fogo se apaga; e, não havendo maldizente, cessa a contenda.” (Provérbios 26:20 ARA)

Eu odeio a atitude do maldizente, odeio fofoca, reclamação, murmuração. Passo do ponto com estas coisas. Me sinto traído quando fazem fofoca de mim, preciso ir para o meu secreto e tratar do meu coração com Deus quando isso acontece. Este versículo tem me feito feliz diante do Pai.

A causa do evangelho na Terra não é nossa; é Deus quem batalha em favor do Seu Reino e para nossa alegria e privilégio, escolheu pessoas como eu e você para fazer isso. Meros instrumentos de Deus, temos de ser imunes a este tipo de coisa. As contendas não devem ser nem vistas em nosso meio, embora não tenha sido bem assim nos últimos anos. Tenho visto ataques entre irmãos nos sites de vídeos, nas redes e na mídia. Um por que quer o ministério de outro, outro por que não concorda com o estilo de daquele e assim por diante. Nem me refiro aos espetacularmente hereges de nossos dias, que cometem aberrações distorcivas com a Palavra de Deus. Estes nem contam, Papai é juiz deles.

Maldizente é o que fala mal e a raiz é a mesma de maldição. Quem amaldiçoa (não abençoa) faz pela contenda o que a lenha faz pelo fogo. Quem não concorda, ore, interceda. Quando for algo explícito, não concorde, denuncie – mas não julgue para não ser julgado, não amaldiçoe para não ser amaldiçoado. Não alimente a contenda, não seja maldizente. Tenha uma posição firme e defenda a sua fé legítima, com base na Palavra. Mas deixe o Senhor dizer quem é Dele e quem não, até por que a verdade aparece.

Geralmente nos dedicamos com grande empenho e por longo tempo às coisas pequenas como estilos, denominações, teologias, interpretações menores, bandeiras deste mundo. Não concordo com um monte de coisas que vejo por aí, mas me reservo a orar e dizer para os meus que aquilo não serve. Não somos donos da verdade, devemos respeitar até os mais escandalosos – sem se misturar, sem deixar de ser a gente mesmo e sem deixar de ter uma opinião firme. Cessemos a contenda e talvez escutaremos mais a voz de Deus falando conosco. Tem barulho demais…

“Pai, tem misericórdia de mim. Não devo ser juiz de meu irmão. O Senhor é o único juiz e tomar este lugar é rebeldia contra Ti. Ajuda-me a crer com firmeza sem maldizer a ninguém.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Na Origem

“Entrai por suas portas com ações de graças e nos seus átrios, com hinos de louvor; rendei-lhe graças e bendizei-lhe o nome.” (Salmos 100:4 ARA)

Eu raramento escrevo devocionais sobre Salmos, mas este versículo me saltou em meio a uma meditação pessoal. Eu meditava na questão do tributo, da rendição, do pagamento. O contador da minha empresa falou algo em uma reunião administrativa que me levou a meditar no Reino de Deus “imposto se paga sempre na origem”.

Aleluia, abriu-se um entendimento muito legal. É preciso abrir as postas e adentrar aos átrios para render louvor – por que louvor é tributo de gratidão. Devemos então levar nosso louvor e nossa adoração até Ele. Se é para pagar na origem, estamos equivocados ao querer que Deus venha receber louvor – temos de levar até Ele. O mesmo vale para a adoração. O mesmo vale para todo tributo que quisermos entregar.

Como fazer então com nossas ofertas financeiras? Elas têm um aspecto material (dinheiro) que não temos como levar, mas nosso coração nos motivou a entregar, e este é para ser levado diante Dele.

Mas como fazer isso? Eu não tenho todas as respostas, nem pretendo ter nesta vida. Penso eu, do modo como creio, que o ponto central é apontar para Deus com tudo que fazemos. Se cantamos para ficar bonito, se esperamos os aplausos ou o reconhecimento do povo – não levamos para Ele. Se queremos que o culto seja impactante e todo mundo chore, ou que fique pasmo com o pregador – direção errada. A mim me parece que quanto menos perceberem minha presença no culto, e mais a do Pai se movendo e agindo, mais levamos para Ele a glória, a honra e o louvor, que são os tributos. Se apesar de mim Deus curar alguém, no corpo ou no coração, é um bom indício – mas não mais do que isso.

Eu tenho tributado ao Pai minhas orações, minha gratidão e minha adoração. Sou muito grato ao dizer que Ele tem demonstrado receber minhas súplicas e me deixado muito mais favorecido e abençoado do que acho que mereço. A Ele seja o louvor.

“Deus amado, é fácil demais esquecer que o Senhor não é um de nós. Ajuda-me a ter foco em Ti e apontar pra Ti meu tributo de louvor e adoração, glória e honra.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Efêmero x Eterno

“Respondeu Jesus: Se eu me glorifico a mim mesmo, a minha glória nada é; quem me glorifica é meu Pai, o qual vós dizeis que é vosso Deus.” (João 8:54 ARA)

Jesus tinha no que se gloriar, afinal Ele andava pelas ruas curando enfermos, fazendo cegos enxergarem e paralíticos andarem, levantou mortos e trouxe palavras de uma sabedoria ímpar. Por que motivo então Ele preferia dizer que glorificava ao Pai? Ele é o herdeiro de todas as coisas, que diferença fazia?

A diferença, meu querido leitor, é que a glória deste mundo é passageira, é efêmera, é transitória. Como uma nuvem que vem e logo se dissipa, como um vento que logo cessa. Nada deste mundo vale a pena e Jesus nos ensina isso de uma forma maravilhosa aqui. Alguns talvez pensem nas vidas, nas almas, nas pessoas, mas quero dizer que também penso nelas. Só que considero que elas também não são deste mundo, apenas passam por ele. Somos peregrinos em terra estranha, não pertencemos a este mundo como o ouro e a prata corrompidos desta realidade.

Já o eterno, aquilo que vai durar para sempre, não é deste mundo. Jesus não era deste mundo e sabia disso. Viveu aqui como homem mortal, tanto que morreu. Passou por aqui sujeito e tudo como nós, tanto que teve fome. Experimentou nossas dores e sofrimentos, tanto que chorou. Mas nem isso o contaminou e no momento oportuno, partiu de volta para sua origem, no Reino Celestial. Sabedor de que isso aconteceria, Ele viveu seus dias glorificando ao Pai Celestial, para por Ele ser glorificado em momento oportuno.

Meu querido leitor: se Jesus é o exemplo maior de sua vida, se a obra e dedicação Dele te inspiram, permita que este aspecto também te inspire e sirva de referência. Glorifique apenas ao Pai e espere confiadamente que, no tempo oportuno, Ele mesmo se encarregará de recompensá-lo. Isso é acumular tesouros no céu. Isso é servir ao Senhor sem pretender recompensa.

“Pai, muda meu coração para que cada vez mais eu trabalhe e me dedique a Te glorificar, não a mim. Ensina-me a valorizar o eterno.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Sempre Ligado

“Respondeu Jesus: Se eu me glorifico a mim mesmo, a minha glória nada é; quem me glorifica é meu Pai, o qual vós dizeis que é vosso Deus.” (João 8:54 ARA)

Misericórdia. Eu queria ter esta atitude como o Mestre teve. Ao ser reconhecido como alguma coisa importante, apontou a glória para o Pai. Meu coração se inclina a ficar ‘alegrinho’ com qualquer elogio ou palavra mais motivadora. Não deveria ser assim.

A verdade é que todos nós gostamos de ser reconhecidos, o que não é necessariamente mau, desde que não seja doentio. Ouvi um pregador dizendo uma vez “Uau! Eu sou o cara”. Sem comentários. Jesus de Nazaré, humilhado diante do povo e dos principais da época, fossem grandes ou pequenos, ricos ou pobres, só foi exaltado mais tarde, após sua morte. Foi somente com a ressurreição que Jesus foi exaltado diante daquele mesmo povo, daqueles mesmos poderosos, anjos e querubins, principados e potestades. Meu Deus, a maioria de nós quer ser exaltado agora mesmo…

O segredo? Este texto me ajudou a ver que Jesus estava sempre tão ligado ao Pai, literalmente dependente Dele até para ser exaltado, que funcionava. E nós? Dizemos que a Bíblia é nossa fonte de fé e prática, mas nos escusamos de levar alguns textos à cabo. Assim como agradecemos sem lembrar do Senhor quando somos elogiados ou exaltados. Não recusamos os manjares deste mundo. Muitos de nós vivem assim suas vidas e não compreendem por que outros tão mais “simples” são mais íntimos de Deus e o Senhor opera em suas vidas.

Nem me parece que seja questão apenas de humildade, mas sim de real dependência. Se disserem que tem talento, diga “para glória de Deus”. Se te elogiarem, diga “graças a Deus”. Se encherem muito sua bola diga “aleluia” e sussurre “misericórdia”. Pergunte ao Senhor até onde almoçar quando tem opções. Estar ligado ao Pai é questão de decisão, mais do que qualquer outra coisa.

Se nem Jesus disse que estava ali para se glorificar, quem somos nós para querer alguma coisa. Nossa ligação com Ele deve nos levar para mais perto Dele e não do nosso ego.

“Pai, quero realmente entender e viver o que seja uma dependência total completa de Ti. Ajuda-me e fortalece-me.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Alegria e Coroa

“Pois quem é a nossa esperança, ou alegria, ou coroa em que exultamos, na presença de nosso Senhor Jesus em sua vinda? Não sois vós? Sim, vós sois realmente a nossa glória e a nossa alegria!” (1 Ts 2:19-20 ARA)

Eu sei e ensino que nossa alegria e nossa força vêm do Senhor. Isso é verdade, tem amparo bíblico, funciona e é de Deus. Não tenho nenhum problema com isso. Mas o apóstolo Paulo escrevendo aqui nos mostra um outro lado dessa linda verdade. Como podemos receber do Senhor essa alegria?

A nós que somos servos do Altíssimo, cabe servir. Aqueles a quem servimos no Senhor são vidas que devem refletir o resultado do esforço que fazemos por elas, ainda que isso nem sempre seja tão simples ou mesmo que não funcione. As vidas que trazemos para o Reino, que discipulamos, que pastoreamos, que ensinamos que amamos. Deles vem, ou pode vir, a alegria e a glória (coroa) que Deus quer nos colocar. Quando voltar o Senhor, quando nos apresentarmos diante Dele glorificados e livres de toda essa provação, quando tudo estiver consumado – só restarão nossos frutos eternos e isso são vidas.

As vidas em quem investimos são nossa glória nesta terra. Desiluda-se meu irmão de bens materais, polpudas contas bancárias, cargos importantes, pessoas sob seu comando, ou qualquer outro tipo de glória ou troféu que esta vida aparente lhe oferecer, pois isso é tudo ilusão. Quem sabe o que está fazendo neste mundo investe no que é eterno. Quem trabalha para o Reino de Deus investe no que é eterno. Neste sentido, qualquer glória, coroa, ou alegria neste mundo tem de ter sua natureza eterna evidente. E isso, meu querido, são vidas. Nada além de vidas pode te oferecer isso.

Quem me dera, naquele glorioso Dia, ouvir do Senhor que fui a alegria de meus líderes, pastores, mestres, mentores, amigos e irmãos. Quem dera eu tenha tantos a apresentar ao Senhor como fonte da minha alegria.

Junte-se a mim e vamos investir em vidas.

“Deus de amor, todo mundo quer ter alegrias e eu também quero. Mas quero ter alegria nas fontes corretas e de forma duradoura, eterna. Ensina e capacita-me.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Coisas Melhores

“Porque Deus não é injusto para ficar esquecido do vosso trabalho e do amor que evidenciastes para com o seu nome, pois servistes e ainda servis aos santos.” (Hebreus 6:10 ARA)

A eterna tensão entre fé e obras parece que a cada dia fica mais evidente e toma formas mais acentuadas. De um lado grupos quase platônicos professando uma fé linda, mas que não tira ninguém da cadeira. De outro, grupos que fazer tudo e mais um pouco mesmo sem saber por que estão fazendo.

O fato e o ensino deste versículo é bem simples. Se trabalharmos para Deus, focados Nele, direcionados por Ele – Ele não se esquecerá de nós. Aquilo que fazemos precisa ter a motivação correta, mas primeiramente precisa ser feito. Se não fizermos nada, fica difícil.

O equilíbrio é encontrado quando temos o sentimento e a motivação corretos, produzindo as ações corretas. Ajudar os pobres em suas necessidades é uma ação correta, assim como consolar os que choram. Mas ajudar os pobres para depois pedir algo em troca ou consolar para se aproveitar da fragilidade dos que choram, anula o mérito da ação por motivações tortas.

Deus não se esquecerá de nossos atos, sejam quais forem, pois de tudo prestaremos conta. Mas, aquilo que for feito para expansão do Seu Reino, para que o evangelho seja pregado, para que Seu nome seja glorificado, isso será lembrado como mérito.

O versículo nos mostra ainda algo forte. O amor foi evidenciado por servir. E mais, serviram e continuam servindo. Não pararam, não desistiram. É preciso amar as pessoas com toda a intensidade e isso precisa produzir serviço. Servir é suprir necessidade, é atender, é superar expectativas, é ir além.

Não sei o que nos espera nos próximos anos, mas temo que caminhemos em direção a uma sociedade cada vez mais individualista, reclusa e blindada. Quem será o corajoso que vai quebrar isso? Se não for um cristão, ficarei decepcionado, mas não admirado.

“Pai, ensina-me a andar como Tu queres, servindo e amando as pessoas. Não posso ser indiferente, muito menos omisso. Move-me para servir.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Paz

“Tribulação e angústia virão sobre a alma de qualquer homem que faz o mal, ao judeu primeiro e também ao grego; glória, porém, e honra, e paz a todo aquele que pratica o bem, ao judeu primeiro e também ao grego.” (Romanos 2:9-10 ARA)

Há algumas filosofias e crenças tentando ensinar que o homem é intrinsecamente bom, mas o que a Biblia diz é o contrário. O mal que há em nós está ali, é inerente ao ser humano. Estes versículos mostram um contraste muito interessante neste sentido. Quando Paulo diz “primeiro ao judeu e também ao grego” está generalizando e querendo dizer “a todos”.

O que mais me chama atenção é que glória e honra a gente consegue entender com facilidade. Sermos reconhecidos por quem somos, e especialmente pelo que praticamos, é algo compreensível. Mas esperar paz por praticar o bem parece coisa contraditória. Digo isso por que os bondosos normalmente se metem em encrenca com grande facilidade. Seja por esbarrar em algum tipo de lobby setorial, seja por ferir interesses dos menos eticamente balizados, seja simplesmente por fazer de graça e com generosidade o que tem alguém cobrando para fazer. Mas este texto promete paz.

Num momento da vida a gente vai ter de escolher entre acreditar na lógica, na racionalidade, nos fatos ao nosso redor, na palavra dos estudiosos OU na Biblia. Não é sempre que vamos poder juntar os dois, talvez até eu ousaria dizer, cada vez menos. Num mundo onde as circunstâncias ao nosso redor falam em morte, a Biblia fala em vida abundante. Esta decisão vai afetar radicalmente nosso comportamento, pois poderemos praticar o bem despretenciosamente tendo promessa de paz.

Eu não sei quanto a você, mas eu me preocupo em ter paz. Me sinto mal até em ver crianças discuntindo por pirulito, muito mais adultos se desentendendo, casais brigando, chefes dando bronca, discussões de trânsito, brigas no PROCON… Isso me faz sentir muito mal. Quero paz, sou da paz, sou SHALOM. E você? Também quer paz? Comece crendo nessa promessa.

“Pai, fortalece-me para ser bem sucedido nas tentativas de fazer o bem e deixar o mal de lado. Abençoa-me com paz e me faz crer nisso.”

Mário Fernandez