Mário Fernandez

Mãos Santas

“Quero, portanto, que os varões orem em todo lugar, levantando mãos santas, sem ira e sem animosidade.” (1 Timóteo 2:8 ARA)

Mãos são elementos fundamentais para desempenharmos nossas tarefas, expressarmos nossos sentimentos, declararmos alguma coisa sem palavras. As mãos sem palavras ofendem, acusam, rejeitam, magoam, machucam, ferem, quebram e derrubam. Mas também acariciam, elogiam, incentivam, valorizam, adoram, acolhem, consolam, levam cura.

As mãos podem ser benção ou maldição, sem dúvida. A mesma mão que abraça pode apunhalar. Se Paulo orientou os irmãos sob o cuidado de Timóteo que levantessem mãos santas, é por que isso é possível e deve ser feito. Mãos santas são mãos separadas do pecado, imaculadas, limpas de sangue e de sujeira do pecado.

Paulo aqui só relatou textualmente duas características de mãos santas, mas certamente isso não encerra o assunto. Sem ira aponta para mãos que não são usadas contra seus irmãos, seus familiares, seus vizinhos, seus colegas. Mãos que não expressam violência. Sem animosidade é um complemento quase poético, pois fala de ódio e agressão.

Mãos santas são aquelas que não roubam, não agridem, não rejeitam pessoas. São mãos que recebem o necessário cuidado para que no momento de orar e serem levantadas ao Senhor, estejam prontas. Mãos santas são aquelas que não precisam ser preparadas para a adoração, pois estão sempre prontas, sempre limpas, sempre arrumadas.

Podemos ter mãos santas sim, desde que desejemos isso e paguemos o preço de não sujá-las.

Talvez suas mãos sejam grandes ou, como as minhas, um pouco menores. Talvez sejam mãos fortes e calejadas pelo trabalho pesado, ou talvez delicadas e macias como a de quem só trabalha com algo mais leve. Talvez sejam mãos sedosas e bem cuidadas, ou seja ásperas e sofridas pela falta de cuidado. Nada disso importa. Importa é que tenhamos mãos santas, sejam elas grandes ou pequenas, fortes ou fracas, jovens ou cansadas.

“Pai, minhas mãos são para Teu louvor e Tua adoração. Ajuda-me a santificar minhas mãos para encontrar lugar diante de Ti em oração.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Homem Chora

“Davi e os seus homens vieram à cidade, e ei-la queimada, e suas mulheres, seus filhos e suas filhas eram levados cativos. Então, Davi e o povo que se achava com ele ergueram a voz e choraram, até não terem mais forças para chorar.” (1 Samuel 30:3-4 ARA)

Eu cresci com meus pais dizendo “homem não chora”. Ainda eventualmente escuto isso, da boca de alguns que creem nisso com sinceridade, que o papel do homem é ser ‘machão’, não demonstrar fraqueza, não se expôr, não parecer que se emociona. Bobagem.

Não consigo pensar em um personagem guerreiro e conquistador mais eficiente na Bíblia do que Davi. Foi um rei conquistador, derrotou inúmeros inimigos, foi implacável com alguns. Se um sujeito com um perfil destes chora, eu e você estamos a salvo, podemos chorar com total liberdade.

Se o motivo for bom, meu irmão, chore e não tenha nenhuma dose de vergonha disso. E se acha que estou exagerando, lhe convido a conhecer a igreja onde congrego, especialmente num retiro de homens, onde a gente chora mais do que as mulheres. Se o motivo for bom, meu irmão, chore pra valer.

Leia o texto e veja o motivo de Davi e seus homens terem chorado até ficarem sem forças. Eu choro só de imaginar a cena, e eles a viveram. Deus nos fez com emoções, isso vem Dele. Não significa que devamos parar o que estamos fazendo para ficar chorando pelos cantos, seja um homem um ou uma mulher. Mas com certeza esconder seus sentimentos em nome de uma aparência durona que não condiz com o coração, é algo que não faz bem para a alma, em vez disso corrói o coração e gera mágoas.

Não se deixe levar por mentiras semeadas na sociedade para ridicularizar as pessoas. Demonstre seus sentimentos de forma autêntica, genuína, e seja você mesmo. Se não chora, ok não chore. Mas se quiser chorar, encontre um ombro e solte o rio que está em você, antes que ele afogue seu coração.

“Pai, em nome de Jesus eu quero expressar sentimentos verdadeiros, sejam para mais ou para menos, para bom ou para ruim. Ajuda-me a quebrar o preconceito e ter um coração cheio de emoções sadias.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

A Espada

“Então, Simão Pedro puxou da espada que trazia e feriu o servo do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha direita; e o nome do servo era Malco.” (João 18:10 ARA)

Estou na fase de encontrar curiosidades nos textos bíblicos. De onde será que Pedro tirou aquela espada? O sujeito andava com Jesus, para que serviria uma espada? Se fosse Simão, o zelote, a gente poderia entender, mas Simão Pedro era pescador. Eu nunca vi ninguém pescando com espada.

Os historiadores divergem, apontam situações pitorescas e saídas culturalmente válidas para a época. Minha reflexão é mais básica: alguém ali tinha uma espada e não era Judas Iscariotes – claro, ele vinha com o outro grupo. Meu irmão, tem gente armada na sua igreja?

Talvez não literalmente armado com revólver ou faca, mas na minha tem gente armada sim. Tem gente armada com línguas afiadas que dilaceram corações, relacionamentos e a boa fama. Tem gente armada com uma aspereza de trato que consome os irmãos como se fosse lixa. Tem gente que vem armado com escudos e defesas impenetráveis e ninguém consegue aproximar-se. Tem gente que vem armado com um spray congelante que não tem adoração que derreta. Tem gente que vem para a igreja com uma arma terrível, nuclear, chamada espírito crítico – nada serve, nada é bom, ninguém acerta nada.

É uma mera ilustração, mas cortar a orelha de um soldado é algo relativamente trivial num contexto como este, como trivial é vermos um irmão falando mal de outro. Mas nem por isso não dói ou não sangra. Meu querido, entenda uma coisa: sempre dói mais em quem apanha do que em quem bate. Não vá armado para a igreja e nem pense em usar as armas dos outros. A única coisa que consigo imaginar pior do que um pessimista, é alguém que pegou o pessimismo do vizinho. Ou pior do que um reclamão, só os que reclamam por causa dos que estão reclamando.

Vamos nos desarmar? De quebra, Jesus não vai precisar ficar colando orelha cortada.

“Senhor, ajuda-me a ser mais inofensivo e menos armado. Como Pedro, quero me transformar em uma benção para todas as gerações. Ensina-me a ser assim.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Obras das Trevas

“Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor,” (Colossenses 1:13 ARA)

Em toda a Bíblia as trevas são símbolo do mal, das dificuldades, da agonia, da falta de visão, da condenação e assim por diante. Este versículo apresenta o império das trevas como símbolo de todo poder do maligno. Mas algo diferente me chamou a atenção.

Conversando com um amado irmão, atentamos que a maioria dos crimes são cometidos de noite, ou seja, em trevas. Os arrombamentos, assaltos, homicídios, estupros, adultérios, pichações, até mesmo muitas das fraudes são, em sua maioria, cometidos na calada da noite. Será mera coincidência? Não creio.

Não vou cometer o exagero de querer insinuar que haja algum tipo de pressão espiritual para que os criminosos ajam mais durante a noite. Na minha forma pragmática de entender as coisas, é uma questão bastante prática: nas trevas nossos atos são menos visíveis e aumenta no coração pecador do ser humano a esperança de passar despercebido e sair ileso de um ato ilegal. O que talvez muitos não se apercebam, é que para Deus trevas e luz são a mesma coisa e portanto não adianta se esconder do Todo Poderoso.

Assim agimos muitos de nós, muitas vezes. Com vergonha de falar algumas palavras na frente de um pastor, mas não na frente de um Deus que tudo vê. Pecamos como se não pudéssemos ser nunca pegos. Isso, meu amado leitor, é puramente um ambiente de trevas. Seja ele momentâneo ou duradouro, singular ou habitual, muito ou pouco pesaroso ao coração – é pecado, é treva e é falta de luz. Cedo ou tarde prestaremos contas ao Juiz e Ele nos cobrará cada ato.

Temos de nos lembrar que toda vez que praticamos um ato de treva nos identificamos com um império com o qual não devemos mais ter qualquer relação. Temos de lutar contra as trevas, contra o mundo e contra nossa carne – é quase covardia. Mas na força do Nosso Deus, o Todo Poderoso El Shaddai, nada é impossível. Podemos vencer, nem que seja de pouco em pouco até sermos dia perfeito, em perfeita luz.

“Deus querido, eu quero realmente me dedicar a investir em luz e não em trevas. Ensina-me a andar cada vez menos identificado com este império ao qual eu não pertenço mais, para glória do Teu Nome.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

História de Vida

“Servindo ao Senhor com toda a humildade, e com muitas lágrimas e tentações, que pelas ciladas dos judeus me sobrevieram;” (Atos 20:19 ARA)

É muito curioso observar jovens vocacionados dando seus primeiros passo na caminhada do seu ministério. Já estive nesta posição e me lembro da ansiedade, do desejo quase desenfreado de servir a Cristo – e certamente de muitas das trapalhadas também. Um líder, em qualquer esfera, precisa primeiro escrever uma história para depois poder desfrutar dela. No meio cristão e eclesiástico também não é diferente.

O apóstolo Paulo também seguiu esta caminhada, primeiramente como judeu perseguidor de cristãos e posteriormente como grande evangelista e mestre no Reino de Deus. Ninguém é melhor do que ninguém, especialmente em se tratando de servir a Deus, mas é preciso reconhecer que a máxima de “ferramenta certa para o serviço certo”, se aplica também aos líderes cristãos. Os jovens e os menos experientes podem e devem servir, mas sempre lembrando que seu treinamento está mais atrás, não abaixo, daqueles que os precedem. Igualmente, aqueles que acumulam mais experiência, não devem vender seu direito por um prato de lentilhas como fez Esaú. O fato de ter mais experiência não nos torna melhores ou superiores, mas apenas um pouco mais adiantados na caminhada. O valor da humildade e do coração de servo devem ser preservados e na minha opinião, mais aguçados com o passar dos anos.

É entristecedor ver iniciantes ao ministério não tendo oportunidade de se desenvolverem, mas é igualmente ruim de ver pessoas mais experientes tendo soberba por conta de seus feitos passados. Paulo escreveu uma história por onde passou, mas avalie e olhe como ele termina sua fala no verso 24. Este deve ser nossa inclinação de alma e coração.

O que passar disso, realmente, não edifica.

“Pai, ensina-me a crescer na Tua Presença alcançando experiência mas mantendo a humildade e sujeição a Ti.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Adoção

“Porque não recebestes o espírito de escravidão, para viverdes, outra vez, atemorizados, mas recebestes o espírito de adoção, baseados no qual clamamos: Aba, Pai.” (Romanos 8:15 ARA)

Interessante que a Bíblia usa a palavra “espírito” com poucos significados: sopro de vida, anjos do bem e do mal, ou estado espiritual como neste caso. Quando falamos em “espírito de morte” podemos estar nos referindo a um demônio. Quando mencionamos “espírito de adoção” estamos falando de um toque espiritual e não de uma personificação espiritual específica.

Se somos adotados é por que não somos filhos legítimos, no sentido da descendência. Não nascemos de Deus, como Jesus de Nazaré, mas de seres humanos. Isso nos torna estranhos a Deus no nascimento. Ao nascermos de novo no Espírito Santo, recebemos este “toque” que Paulo chamou de “espírito de adoção”. Isso nos torna filhos, ainda que não o éramos anteriormente. Por conta disso temos herança, conquistamos alguns direitos e obviamente, assumimos (ou deveríamos assumir) algumas obrigações ou deveres. Ser filho só é sinôminimo de herança desobrigada na cabeça de quem nunca compreendeu o que é uma herança ou nunca a teve.

No Reino de Deus seremos herdeiros juntamente com Jesus e só por isso já vale a pena perder a vida aqui no sentido que for. Esta adoção nos tira de um grande problema: a condenação da morte eterna. Mas traz consigo um aspecto que acabo de mencionar: se Deus passa a ser nosso Pai então lhe devemos obediência, respeito, reverência, honra. Ele nos adotou, este texto é claro sobre isso, além de mais alguns outros como Rm 8:23 e 9:4, Gl 4:5 e Ef 1:5.

Eu creio que nem precisaria mencionar isso, mas o que Deus como Pai te pede, como filho obediente? Será que é algo diferente do que pede a mim? Viver para o Reino, buscar primeiro as coisas do alto, não acumular tesouros neste mundo, santificar-se, orar em todo tempo, anunciar o evangelho a toda criatura… Será que temos como dissociar a herança das obrigações que ela traz? Eu não creio nisso.

“Pai, obrigado por poder te chamar de Pai. Na qualidade de filho, quero ser um filho melhor, obediente e que honra seu Pai Eterno. Ajuda-me Deus.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Semear

“Lança o teu pão sobre as águas, porque depois de muitos dias o acharás.” (Eclesiastes 11:1 ARA)

A Bíblia nos ensina que pão é para ser comido e semente é para ser semada. Semear pão é desperdício e comer semente é imprudência. Mas este versículo nos dá um terceiro caminho, nem comendo o pão nem semeando-o mas lançando sobre as águas. O sentido profético disso aparece nas bíblias de tradução mais contemporânea, como a Linguagem de Hoje, ou nas parafraseadas.

Aquilo que se poderia ou deveria comer não pode ser semeado diretamente, pois no mundo natural só semente germina, mas pão não. No mundo espiritual, repartir o pão que se poderia comer é uma forma de semear, pois no sobrenatural um pão se transforma em semente por meio de um gesto de generosidade. Evidentemente, tudo deve ser entendido à luz do Reino de Deus e não apenas nos aspectos naturais ou deste mundo.

No Reino de Deus dar um pão a um faminto é semear. Investir em um negócio pouco ou nada lucrativo para abençoar o trabalho de alguém é semear. Repartir seu pão, ou suas roupas, ou seu material de trabalho, gerará recompensa espiritual que eu creio sinceramente será colhido ainda nesta vida. Eu já semeei carro, roupa, comida, dinheiro e até já fiquei por fiador. Coisas que eram inadequadas para minha situação e muitas vezes impraticável na minha realidade. Mas foi semente e colho até hoje.

Lançar literalmente um pão sobre uma porção dágua só servirá, se muito, para alimentar os peixes. Note que o ensino não está no pé da letra. Note que o princípio aparece biblicamente em diversos outros textos. Somos ensinados e incentivados por Deus a não termos o que não precisamos, ainda que ser rico não é necessariamente algo mau ou ruim. Amar as riquezas é idolatria, não tê-las. Nem por isso, devemos nos achar pobres o suficiente para não repartirmos algo com alguém, pois isso é semear. Semeie e colherá.

“Senhor, é muito bom ter certeza das Tuas coisas nesta vida. Ensina-me a fazer uma leitura mais celestial das riquezas que o Senhor tem me dado e reparti-las.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Descendência

“E coabitou Caim com sua mulher; ela concebeu e deu à luz a Enoque. Caim edificou uma cidade e lhe chamou Enoque, o nome de seu filho.” (Gênesis 4:17 ARA)

Interessante que ninguém questiona o fato de Caim ser amaldiçoado, é uma unanimidade, o texto não dá margem a outro entendimento. Mas leia os próximos 5 versículos e note uma curiosidade. Eu estava recentemente em Fortaleza em uma Conferência quando me chamaram a atenção sobre este ponto: a descendência de Caim fez as grandes obras registradas. Edificaram cidades, contruíram instrumentos, trabalharam os metais. Por quê?

Simplesmente por que a maldição de seus antepassados pode ser quebrada e não precisa necessariamente definir o seu destino. Não quero entrar aqui no aspecto da hereditariedade da maldição, mas apenas no aspecto prático: se os descendentes de Caim prosperaram e se multiplicaram, se eles puderam fazer coisas importantes e escrever a história – e quanto a nós? Pode algo nos impedir? Claro, sempre pode. Mas que não seja isso. Se Caim amaldiçoado e marcado encontrou uma esposa e se casou e teve filhos, por que motivo nós não podemos almejar constituir uma familia? Será que Caim vai nos deixar para trás?

Em síntese, devemos olhar em frente ao conduzir nossa vida em vitória por meio de Cristo Jesus. Não devemos nos apegar ao que nos contam ou nos impõe, mas sim ao que a Palavra de Deus, a Bíblia, nos promete. É a promessa Dele que conta, não a história de seus pais ou antepassados. Poder até ser que isso imponha algumas dificuldades, mas vá atrás da promessa para sua vida e não da deles.

Há uma eternidade para entender de Deus o que hoje é polêmico para nós ou de compreensão difícil. Mas o tempo de viver uma vida abundante e que vale a pena – começa aqui e agora. Não se intimide: posicione-se em Deus e siga em frente.

“Pai, obrigado por que eu posso viver uma vida plena e abundante Contigo sem que isso me constranja. Ensina-me a ter esta vida independente daquilo que atrapalhou os que vieram antes de mim.”

Mário Fernandez