Mário Fernandez

Cruz – Ceia

“Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice anunciais a morte do Senhor, até que venha.” (1 Coríntios 11:26)

Confesso que nunca tinha pensado na cruz durante a ceia, embora sempre que falamos em corpo e sangue remetemos facilmente para o cenário da morte na cruz. Recentemente, participando da ceia em uma igreja que fui visitar, Deus falou comigo sobre algo que eu nunca havia dado atenção. Já ministrei algumas ceias em minha vida, mas sempre foquei no perdão, no sacrifício, na substituição e no sangue derramado.

Notemos que a ceia é, de forma muito clara, uma forma de anunciar a morte do Senhor E a sua volta. A conexão entre a morte e a volta fez um sentido adequado. Quem poderá voltar sem ter ido? A vinda faria sentido sem a cruz? Jesus arrebatado entre os anjos sem passar pela cruz teria sentido? Como podemos ver o que estamos esperando se nem cremos plenamente no que já nos foi dado? Eu resumiria dizendo que a cruz é a conexão entre a vinda de Jesus e Sua Volta.

Jesus foi prometido no Antigo Testamento dezenas de vezes, mas segundo alguns estudiosos sua volta é prometida 318 vezes no Novo Testamento. Se a primeira promessa se cumpriu, por que a segunda não se cumpriria? Afinal, por que no nosso tempo parece tão difícil crer que Jesus voltará? Será apenas porque se passaram 20 séculos? A mim parece que não. Além de ser sinal dos últimos tempos, a perda da perspectiva da cruz como ponte para a Salvação por meio da fé em Jesus Cristo, roubou do povo a perspectiva clara de que Ele voltará. Isso nos ajuda a entender por que alguns grupos abandonaram a ceia, outros fazem dela um ato praticamente exotérico de tão complicado e mistificado, e para outros é simplesmente algo na agenda. A perspectiva se perdeu, o significado ficou aguado, o resultado é a mornidão que facilmente encontramos pelos quatro cantos da Terra.

A mim pouco importa o posicionamento teológico sobre a volta de Cristo e toda Escatologia envolvida, pois o ponto focal é claro e brilhante: Ele voltará. Cedo ou tarde, desse ou daquele modo, precedido ou sucedido de eventos, nada disso é mais importante do que o fato de que Ele voltará, SIM. Ao tomarmos parte na ceia, anunciamos que Ele veio até que Ele volte. Ao tomarmos a ceia somos parte desse sacrifício nos tornando um com Ele. Ao participarmos da ceia declaramos para quem quiser ouvir “Ei, eu creio em Jesus Cristo que morreu por nós na cruz, e ELE VOLTARÁ”.

Meu querido leitor, pense comigo por um instante: Paulo repete as palavras do Senhor ao escrever aos Coríntios, certo? Basta conferir nos evangelhos. Mas, o detalhe é que Jesus estabeleceu isso e proferiu estas palavras antes de morrer. Ou seja, também foi uma promessa de algo vindouro.

Para mim, portanto, a cruz é tão parte da ceia quanto o pão e o vinho, pois na última ceia do Senhor Ele anunciou claramente que morreria e isso se deu na cruz. Anunciamos a Sua volta por que é verdade, Ele voltará. Eu não estaria aqui sem o perdão oferecido por aquele sacrifício tão grande.

Na próxima oportunidade que participar da ceia, seja quando e onde for, te convido a meditar no que ela promete, com a mesma dedicação com que pensamos no que ela representa. Maranata.

“Senhor, eu não quero ser abençoado pela metade. Se a Tua Palavra é clara que Jesus voltará em breve, eu preciso crer nisso de todo meu coração. Ensina-me a valorizar essa promessa.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Cruz – Chave da Herança

“E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz. Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome;” (Filipenses 2:8,9)

Interessante como nossa geração tem chaves. Um dia destes vi uma pessoa chegando no hotel onde costumo ficar e tirou 4 ou cinco molhos de chaves, cada um com sete ou oito chaves. O comentário foi algo mais ou menos assim “mede-se a preocupação de uma pessoa pela quantidade de chaves que carrega”. Faz sentido. Mais do que depressa fui contabilizar minhas chaves: 3 chaves de casa, duas de cada escritório, uma do flat, um cartão de acesso, uma de carro… Meu Deus, quanta chave! Jesus só tinha uma: a cruz.

Na verdade Jesus não tinha stress, pois Ele é Deus e não pode ser estressado, mas ele tinha uma chave sim. A “chave” de sua herança era seu foco de atenção e cuidado tal como nossas chaves metálicas de hoje. A cruz foi o ponto chave para que Jesus pudesse mudar sua condição de homem mortal para retornar à Sua condição original de divindade, glorificado e totalmente espiritual, imortal, inatingível. E mais, o texto de Filipenses é muito claro que por causa da morte na cruz, Deus Pai o colocou sobre todos os demais “nomes” – significado claro de identidade.

Vejo nossa geração do início do século XXI de modo meio pessimista, na minha opinião nossa evolução social, humanitária, e até mesmo espiritual, tudo isso está mais para uma regressão do que para um progresso, ao contrário de diversas tecnologias que avançam a passos largos. Somos conquistadores e desbravadores, grandes inventores – mas parecemos regredir como seres humanos em si. Qual é a “chave”? Creio que seja nitidamente a falta de percepção de cruz, do sacrifício de Jesus, da expectativa de Sua volta, da vinda inevitável do Reino de Deus.

Temos uma chave para cada porta, menos para a porta do nosso coração. Eis que estou a porta do vosso coração e bato (porque não tenho a chave). Parece que nós a perdemos.

Quando entendemos, absorvemos e visualizamos a cruz como chave para Jesus ser glorificado e restituído à sua posição original junto ao Pai, o que mais acontece é que entendemos que Ele tinha uma herança à sua espera. Você já leu Romandos 8:17? Somos herdeiros juntamente com Ele. Se para Sua herança a chave era a cruz, qual será a nossa chave?

O mais importante para mim sempre é o recado central, ainda que, por vezes, os detalhes menores nos ensinem muito. Neste texto em particular, o centro da mensagem é a humildade de Jesus se submetendo ao plano do Pai, e onde isso foi dar. Humanamente falando? Deu em morte, ou seja, se deu mal. Espiritualmente falando? Aleluia, Ele ressuscitou e foi glorificado retornando à sua condição original de divindade.

Sejamos humildes e entendamos que a chave para nós é Jesus e para Ele foi a cruz. Teoricamente a mesma chave sempre abre a mesma porta. A nossa herança nos espera.

“Senhor, obrigado por me mostrar que posso confiar em Ti e no cumprimento de Tuas promessas. Me ajuda e me ensina a caminhar com humildade para ser e fazer o que Te Glorifica.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Cruz – Inimizade

“Porque muitos há, dos quais muitas vezes vos disse, e agora também digo, chorando, que são inimigos da cruz de Cristo,” (Filipenses 3:18)

Nessa fala, Paulo está discursando sobre seguir exemplos e ter uma conduta condizente com a fé que professa. Fico imaginando como isso seria algo de peso diferente do que compreendemos atualmente, especialmente pelo fato de não terem a revelação da Bíblia tal como temos hoje. Mas se tem algo que não creio que mudou nesse tempo todo é o que significa a palavra “inimigo”.

Notavelmente, o sentido de amigo parece que mudou ou está em mutação, mas o de inimigo não. Por definição inimigo é qualquer coisa ou pessoa cujas ações voluntárias/involuntárias se somam ao contrário do interesse de outrem. Um dos conceitos que eu li falava em sintonia diferente, outra em tirar do foco, outras mencionaram maldade e ódio. Tremendamente aplicáveis todos eles.

Inimigo da cruz, portanto, é qualquer coisa ou pessoa que aponte em outra direção do que a cruz, ou melhor, do que Deus quer mostrar com a cruz e através dela. Posso dizer então que inimigo da cruz é quem desvia o olhar da cruz. Perspectivas como essa me ajudam a entender que quando Deus nos mostra alguma coisa, o mínimo de inteligência que devemos demonstrar é prestar atenção, analisar, meditar, estudar e se dedicar para entender.

Já ouviu discursos falando de um Jesus que parece que não foi para a cruz? Um Jesus que cura, que faz prosperar, que consola, que liberta, que muda a vida, que deixa tudo melhor, que é vencedor. Tudo isso é 100% verdade, mas nada disso É JESUS, nada disso é a cruz e nada disso substitui a cruz. Aliás, Jesus só é e faz tudo isso por causa do Seu sacrifício na cruz. Sem a cruz, ou o que aconteceu nela, nada disso teria autoridade para acontecer. Sempre que o discurso for de um evangelho facilitado ou sem sacrifício, a inimizade com a cruz aparece patente. E como disse o apóstolo Paulo, é de chorar.

O problema não é gostar ou deixar de gostar, nem tampouco concordar ou deixar de concordar. O problema é entender o que as Escrituras Sagradas dizem claramente. Cada vez que leio Isaías 53, Filipenses 2, Mateus 28, Apocalipse inteiro – quanto mais leio mais me convenço de que sem cruz não tem evangelho, não tem salvação e me perdoem a franqueza, mas Jesus não é quem Ele É. Não é necessário ser apaixonado pelo tema como eu, mas sem sombra de dúvida é indispensável entender o que é inimizade com a cruz, pois isso é grave. Uma coisa é dar menos ênfase, outra é tirar do foco completamente e portanto se estabelecer como inimigo.

Outro ponto a ser enfatizado é que éramos outrora inimigos de Deus, ou seja, nossa condição de inimizade com Ele era antes da cruz, portanto o sacrifício de Jesus deve servir como elemento pacificador entre nós e o Pai – nunca de inimizade.

Não posso concluir sem dizer que Jesus foi muito claro em relação a um aspecto hoje pouco valorizado: quem não é comigo, é contra mim (inimigo!). Posicionemo-nos, portanto.

“Senhor, não me permita ser negligente com algo tão claro. Se a inimizade contigo através da cruz é tirar os olhos de Ti, me ajude a fixar o olhar em Ti, no Teu Reino e na Tua Palavra.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Cruz – Escárnio

“‘O Cristo, o Rei de Israel… Desça da cruz, para que o vejamos e creiamos!’ Os que foram crucificados com ele também o insultavam.” (Marcos 15:32)

Quem de nós, no lugar de Jesus, teria suportado calado tamanho deboche sem reagir e sem fazer “valer os seus direitos”? Imagine ser o dono de tudo e ver seus empregados menos dignos de confiança zombando e fazendo mau uso de tudo. Imagine estar certo e ouvir calado acusações sem fundamento. Imagine colocar sua missão acima de seus interesses a tal ponto de sacrificar sua própria vida. Isso foi o escárnio da crucificação, sendo muito simplicista e reduzindo a poucas palavras algo bem maior.

Inegavelmente isso foi necessário para que nos momentos seguintes, quando deu Seu último suspiro, Ele fosse reconhecido como verdadeiro Filho de Deus. Esse contraponto faz parte do cenário. Mas, e quanto a nós, em que somos alcançados?

Além de sermos chamados a tomar cada um a sua cruz, sermos imitadores Dele, viver como Ele viveu, além de todos estes aspectos, temos de aprender aqui uma lição. Aquele que se deixa humilhar será exaltado, desde que seja em justiça e dentro da missão de Deus. Precisamos lembrar que de Deus não se esconde nada, então fingir ou fazer vista grossa é uma ideia ruim.

Não adianta agir errado, dar mau testemunho, fazer coisas repreensíveis, usurpar de autoridade – depois querer ser “o cara”. Mas faz muita diferença aguentar desaforo estando certo para que no momento seguinte a verdade seja revelada e o verdadeiro justo seja reconhecido. Eu já vivi isso algumas vezes, mais do que gostaria para ser sincero. Dei-me por derrotado e na verdade estava como que grávido da vitória sem perceber. Deus tinha um alvo claro, eu tinha certeza. Outras vezes perdi a bênção por que não me foquei no alvo e o processo me cegou.

Não adianta também bancar o “panaca” relevando situações em que estamos simplesmente sendo explorados. É preciso sabedoria para diferenciar as coisas. É perfeitamente correto fazer valer seus direitos, mas cuidado – nesse rompante alguns têm perdido de ser abençoados apenas por se afobar em provar que estão corretos.

Jesus não teve pressa, tinha clareza de seu alvo. Para ressuscitar precisava morrer antes, para ser exaltado precisava ser humilhado antes, para reinar precisava servir antes, para ser adorado precisava ministrar antes, para sentar à destra do Pai teve de sofrer antes.

Se tivermos clareza de nosso alvo, bastará olhar em frente e ver tudo que surgir como obstáculo a ser superado. Simples assim. Com esta perspectiva é fácil entender quando se calar e quando se impor. O alvo nos define.

Qual é seu alvo?

“Senhor, agradeço por me mostrar que mesmo sendo humilhado posso estar no caminho certo. Ensina-me a discernir as situações para saber como agir.

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Cruz – Cura

“Mas ele foi transpassado por causa das nossas transgressões, foi esmagado por causa de nossas iniquidades; o castigo que nos trouxe paz estava sobre ele, e pelas suas feridas fomos curados” (Isaías 53:5)

Tem sido um tema polêmico na minha geração esse assunto de cura, pois temos exageros para ambos os extremos. De um lado uma turma que não crê mais que Deus cura, só enxerga racionalidade e medicina, e desconsidera os milagres. Do outro lado, uma turma que vê demônio em tudo, não toma remédio, não crê na medicina nem como instrumento de Deus.

A mim parece que ambos estam equivocados, mas meu foco aqui é simples e direto: existe uma menção de sermos curados pela morte do Messias prometido em Isaías 53, que na uninamidade dos estudiosos cristãos é Jesus de Nazaré. Então, se é assim, o que é razoável entendermos sobre este assunto?

Sendo muito franco, as respostas podem variar e podemos ter alguns aspectos divergentes no entendimento, mas não podemos negar que Deus cura. Cura quando quer curar, quando decide curar, quando permite a cura – mas cura. A mim o mais importante é o reconhecimento de que Deus é soberano: Ele cura o que quiser, seja grande ou pequeno, simples ou complexo, tratável pela medicina ou não.

E o que tem isso com a cruz?

O texto escolhido é um versículo de Isaías 53, a promessa messiânica mais conhecida, rica, maravilhosa, profunda, abrangente, clara. Ela se concretizou na cruz, se cumpriu na crucificação, se tornou realidade com a entrega de Jesus. Isso torna a cruz um símbolo de cumprimento de promessa, de materialização de conceito, de algo totalmente fora do nosso alcance: a nossa cura.

Se me permitem, minha opinião é que temos na pessoa de Jesus Cristo a cura para tudo que o Pai decidir curar. Na minha casa conhecemos a enfermidade muito de perto, mas conhecemos o poder da cura do Senhor ainda mais de perto. Sou testemunha viva e ambulante de que Deus cura, sim. MAS, no meu coração, na minha mente, no meu espírito, em tudo que sou, eu sei e creio que se não fosse pela morte expiatória de Jesus na cruz eu não teria acesso ao Todo Poderoso para ser curado e minha história seria outra – isso se eu ainda tivesse uma.

Para alguns Isaías 53 promete cura para “todas” as doenças. Para outros, é apenas uma referência histórica. A outros ainda é algo que pode ser resgatado ou não, “tomando posse”. Para outros é indiferente. Para mim é um conceito ainda mais simples e claro do que esse nó apertado: o sofrimento de Jesus me permite ser curado de todos os tipos de enfermidades, do corpo e da alma, sempre que o Pai decidir que convém. O momento é Dele, o meio de cura é Dele, o prazo da cura é Dele. Em resumo, O que o Pai quiser curar ele cura. Temos direito a isso pela morte de Jesus na cruz. É tão promessa quando a promessa de que Jesus viria, da qual temos provas históricas do cumprimento.

Uma analogia pra ajudar: o alvo é a cura, a flecha é Jesus, o arco é a cruz, a corda é o Pai… e os dedos do arqueiro são a minha fé.

“Senhor, obrigado por me oferecer pela cruz o cumprimento da Tua promessa que inclui cura. Eu creio que posso ser curado no corpo, na alma e no espírito. Eu te agradeço.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Cruz – Revelação

“E o centurião e os que com ele guardavam a Jesus, vendo o terremoto, e as coisas que haviam sucedido, tiveram grande temor, e disseram: Verdadeiramente este era o Filho de Deus.” (Mateus 27:54)

Eu não creio em coincidências. Para mim tudo tem um propósito e um objetivo de Deus, em tudo que acontece, seja no tempo que for. Não estou dizendo necessariamente que Deus faça tudo pessoalmente o tempo todo detalhe por detalhe de cada coisinha, mas pode.

Nos últimos momentos de Jesus ainda vivo em carne na Terra, nada acontece. Tudo parece absulutamente normal, natural, previsível, até mesmo sem graça se é que podemos dizer isso. Ele vai morrer, está por um fio. Nada muda, nada ocorre. Mas quando Ele rende o espírito e se vai, seu corpo sem vida fica desfalecido pendurado naquele madeiro, naquela cruz, um evento climático e sobrenatural acontece como descrito poucos versículos antes. E não coincidentemente, com Ele ainda na cruz, o centurião e os que estava ali reconhecem ser Ele o filho de Deus. O texto menciona que foram tomados de grande temor.

Isso para mim é revelação: algo que poucos minutos ou segundos atrás era normal ou natural e de repente se “revela” sobrenatural, anormal, acima da expectativa, imprevisível – e esclarecedor. Neste caso foi a confirmação de que Jesus, o Nazareno, era o Filho de Deus, o Messias esperado. Lindo, para dizer o mínimo.

A nós, em nosso tempo, está reservado entender com mais fé, pois não podemos reviver momentos como este. Temos muita coisa que os israelenses contemporâneos de Jesus não tinham: temos a Bíblia, temos estudos, temos os idiomas, temos o Espírito Santo que foi derramado depois disso, temos todo um histórico de vida com Deus para conviver e reviver. Mas não podemos ver com os olhos Jesus morrendo e a terra sendo abalada. Temos de ter mais fé (menos visão) mas temos até mais elementos. Por isso valorizo tanto a cruz como símbolo, como memorial, como forma de conectar minha fé racional com minha fé espiritual. Eles viram, eu li. Eles vivenciaram, eu creio. Eles sentiram temor, eu sinto temor.

A cruz foi apenas um suporte físico para Jesus ali naquele momento, mas continua sendo representativo para o momento da revelação de Jesus como Filho de Deus e note a expressão “verdadeiramente”. Ela denota que eles já sabiam disso, mas não aceitavam ou não reconheciam. Assim como muitos em nosso tempo, de tantas religiões, crenças, fés e faltas de fé – tantas tribos, povos, raças e nações… tantos ainda olham para um homem natural, beirando a morte, filho de carpinteiro, para alguns um agitador arruaceiro, para outros apenas mais um lunático, para outros tantos uma incógnita.

A cruz foi, no sentido espiritual, a lâmpada que se acendeu com a morte do verdadeiro Filho de Deus, como um farol que direciona os barcos em uma viagem cheia de neblina. A morte de Jesus na cruz foi a faísca que acendeu a luz. Eu? Eu creio por que assim como aqueles guardas vi o suficiente para ter revelação. Você? Talvez ainda precise um pouco mais de clareza. Ele? Morreu, ressuscitou, está vivo e voltará (quiçá, em breve).

“Senhor, obrigado por tão maravilhosa revelação dada na cruz do Calvário sobre a autenticidade de Jesus como Teu Filho. Agradeço por me permitir entender essa revelação mesmo sem ter vivido naquela época.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Derramar da Águas

Meu querido leitor, me permita tomar 3 minutos do seu tempo.

Eu vivo com Jesus desde 1987 e ainda não me arrependi disso por um único minuto. Tenho visto e vivido muita coisa, mas certamente o que mais me chateia é perder o mover de Deus quando está acontecendo. Se você é como eu nesse sentido, quero te fazer um convite.

Nos dias 4, 5 e 6 de setembro de 2015 realizaremos um evento na cidade de Gramado/RS para promover avivamento e unidade no meio do povo de Deus. É um seminário sem muito glamour, pois o que queremos é apenas derrubar as barreiras internas entre o povo de Deus, para que o agir do Espírito Santo seja mais amplo na Serra Gaúcha e transforme o meu estado natal em um lugar abençoado e abençoador como nunca antes. Não temos ministradores famosos, não temos propaganda na TV, não temos um apelo tão comercial como outros eventos – temos o mover de Deus acontecendo no meio de gente sincera, simples e disposta a ouvir o Todo Poderoso.

Este é o terceiro Derramar das Águas que, além de ser uma oportunidade de tirar um final-de-semana em Gramado, também servirá para conhecer irmãos em Cristo dali e de outros lugares e participar de algo que está crescendo. Eu estarei ministrando a Palavra de Deus em uma das atividades e este ano levarei toda minha família comigo. Vou dirigir 800 km para estar lá por dois dias e voltar – é a minha forma de semear no Reino de Deus em uma terra que ainda se mostra pouco fértil, mas pelo Poder do Senhor cremos que será no futuro um celeiro poderoso. Você pode procurar no YouTube o canal do Derramar das Águas e assistir as ministrações de 2013 e 2014. Confira.

Te convido a participar pelo menos de uma das seguintes formas:

  • Indo pessoalmente. Visite www.derramar.com.br e faça sua inscrição o mais rápido possível. Nos vemos lá.
  • Orando. Tire um tempo para orar diariamente desde o dia 04 de agosto até o dia 06 de setembro. Queremos cobrir 30 dias antes e durante o evento. Nos encontramos nas madrugadas.
  • Enviando alguém. O evento é muito barato, a despesa relevante é da viagem. MAS vale cada centavo.
  • Divulgando. Veja os vídeos no Youtube e confirme a simplicidade das maravilhas de Deus naquele lugar. Informe, comente, espalhe, indique, convide, fale.

O evento não tem fins lucrativos, ainda não é tão grande e sua participação fará muita diferença para nossa e para sua vida espiritual.

Uma abraço fraternal em Cristo.

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Cruz – Inversão

“Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes;” (1 Coríntios 1:27)

A cruz é a coisa mais invertida e geradora de confusão que consigo imaginar no Reino de Deus. Pense comigo:

  • O justo morre pelos injustos;
  • O sem pecado carrega o pecado de todos;
  • O único que podia dizer não, morre voluntariamente;
  • O herdeiro abre mão de tudo para morrer.

Lembremo-nos que morto não tem direito a nada, não decide nada, não faz nada. Jesus foi ressuscitado por Deus porque de fato morreu e morto estava. Não consigo imaginar nada mais fraco do que isso, e ainda assim Ele é trazido de volta pelo Pai, Seu Nome é colocado acima de todo nome, nomeado Rei dos reis e Senhor dos senhores pela eternidade. Eita coisa que confunde a sabedoria.

Nada disso tem lógica alguma, o certo na nossa sabedoria terrena é cada um pagar pelos seus erros, cada um arcar com as consequências de seus atos, cada um herdar o que tem direito, cada um por si e SE, com muita “sorte”, Deus por todos.

Nada pode ser mais louco do que crucificar Jesus, não me admira neste sentido os sábios deste mundo não compreenderem. Numa cultura onde o bonito vale mais do que o feio, o grande vale mais do que o pequeno, o novo vale mais do que o velho, o importado vale mais do que o local, o diferente é mais atrativo que o monótono, a morte sacrificial do Filho de Deus não tem qualquer sentido, qualquer racionalidade.

Se eu disser que sou um homem simples e de pouco estudo mas que ouço a voz de Deus receberei talvez uns 3 convites para pregar em igrejas pequenas. Se eu disser que tenho duas faculdades e um mestrado, falo 4 idiomas, morei fora do Brasil e leio a Bíblia inteira todos os anos em um idioma diferente… Sei lá, pelo menos uns 30 convites aparecem em igrejas bem mais “famosas”. Quem sou eu afinal? Não importa, só importa quem é ELE. Não é pela lógica, é pela loucura do Reino. Cruz é isso, é não fazer sentido, é crucificar os títulos, entregar as coroas aos pés do trono, é abrir mão para receber (mão fechada não recebe!).

A linguagem da simplicidade e da renúncia não tem sentido para a sabedoria deste mundo. Nada pode ser mais fraco do que um andarilho filho de carpinteiro, solteiro, de pouca formosura, criado em Nazaré, literalmente o filho da Dona Maria. Sem casa própria, sem um jumento seu (talvez o carro de grife da época), sem roupas chiques, sem influência política, condenado a morte por acusação de insurgencia contra o governo vigente. Não tem o menor sentido, é completamente loucura, é inversão total.

Por isso tenho dito e pregado que no Reino de Deus o grande é pequeno, o pequeno pode muito, as coisas caem para cima, o fundo cai e a tampa não voa. Sejamos loucos e incoerentes para este mundo, desde que dentro do que a Bíblia nos ensina e nos dá fundamento. Se quisermos ser simplesmente insanos que sejamos, mas naquilo que o Pai nos ensinou. Desde que seja bíblico, não precisa fazer sentido para este mundo. Jesus foi prometido, profetizado, anunciado e ainda assim teve muito pouco crédito. Enquanto curava eram milhares para comer pão e peixe, na hora de sua morte contavam-se nos dedos seus seguidores.

Hoje temos a oportunidade ímpar de ler e entender a Palavra de Deus como completa revelação do Nazareno que foi para aquela cruz no meu lugar. Aproveitemos. Não precisa fazer sentido, precisa ser de Deus. Não preciso entender preciso crer. E, ironicamente, fará sentido à luz das Escrituras, mesmo sendo insanidade e incoerência para este mundo.

Nosso desafio é viver para morrer e morrer em favor da vida, assim como fez o Mestre Jesus, nosso irmão mais velho.

“Senhor, obrigado por me ensinar a não depender do entendimento para Te servir. Pouco importa ser aceito pelos homens se eu for aceito por Ti. Me ensina a obedecer a Tua Palavra.”

“Senhor, obrigado por me ensinar a não depender do entendimento para Te servir. Pouco importa ser aceito pelos homens se eu for aceito por Ti. Me ensina a obedecer a Tua Palavra.”

Mário Fernandez