Mário Fernandez

Sombra

“a ponto de levarem os enfermos até pelas ruas e os colocarem sobre leitos e macas, para que, ao passar Pedro, ao menos a sua sombra se projetasse nalguns deles.” (Atos 5:15 ARA)

Meu querido leitor, eu me converti a Jesus Cristo em 1987 e sempre fiquei intrigado com essa história da sombra de Pedro curar enfermos. Esse homem era um dos improváveis da lista e fez tanta coisa inadequada e imprópria que chega a dar dó. Não em ordem cronológica, mas negou a Jesus, cortou orelha de soldado, falou besteira e ouviu “arreda Satanás”, não queria que lavasse seus pés, pediu para fazer tenda no monte, afundou andando sobre as águas e por aí vai. Era um sujeito complicado, briguento, iletrado e cheio de defeitos. Me lembra muito um cara que eu vejo de manhã no meu banheiro, ao espelho.

MAS, após uma experiência maravilhosa no dia de Pentecostes, esse irmão aparece num cenário absolutamente inalterado se comportando e produzindo de forma totalmente distinta. Nada mudou ao seu redor, as pessoas eram as mesmas, as situações eram as mesmas, Jesus nem estava mais ali fisicamente. Mas ele não era mais o mesmo, algo nele mudou e o fez ser o que Deus queria dele.

Essa é a virada que todos nós devemos experimentar. Passar de alguém que anda com Jesus, convive com Jesus, ouve Jesus e até ama Jesus sinceramente, para a condição de alguém que faz o que Jesus fazia como um seguidor deve fazer. Ser o Pedro dos evangelhos não é difícil e infelizmente há centenas nas igrejas, mas ser o Pedro do livro de Atos tem sido demonstrado por poucos.

O que nos falta? Disponibilidade do Espírito Santo não é, gente perdida para ser alcançada também não, Palavra revelada de Deus não é, então o que nos falta? Falta a coragem que Pedro sempre teve? Falta um toque de Deus? Falta entendimento do que já recebemos? Ou será que falta vergonha na cara?

Meu querido, talvez nenhuma destas coisas, ou todas elas, ou um pouco de cada. Mas claramente: descubramos e partamos para fazer o que Deus espera de nós. Despertemos o Pedro de Atos de cada um de nós, antes que venha o Senhor.

“Senhor, obrigado por me alertar de minha condição. Não quero ser só mais um que anda junto e fala bobagem, quero agir e fazer tudo que o Senhor tiver para mim. Ajuda-me, sou fraco e dependo de Ti”.

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Basta

“Porque basta o tempo decorrido para terdes executado a vontade dos gentios, tendo andado em dissoluções, concupiscências, borracheiras, orgias, bebedices e em detestáveis idolatrias.” (1 Pedro 4:3 ARA)

Curiosamente, em meio a uma leitura meditativa das Escrituras uma palavra ou outra salta aos olhos da gente de maneira única. Neste caso, como estou lendo as cartas de Pedro, foi aquele “basta”.

Basta significa que chega, que foi o suficiente, que não precisa mais, que está lotado ou completo. Num certo sentido é o fim de algo, por vezes, literalmente. Neste texto em particular eu vejo muito fortemente o sentido de que chegou o tempo de mudar, não se admite mais continuar como estava. Esse tempo passado teve sua vez e acabou, passou, foi suficiente, “basta”. Será que compreendemos isso aplicado ao nosso cotidiano? Será que entendemos que é o Senhor quem nos sustenta mesmo que tenhamos um trabalho ou fonte de renda “comum”? Será que está claro para nós que estamos falando de modo de vida e não de religião?

É preciso entender que o cristão não é caracterizado por frequentar uma igreja, ou por dar dízimo, ou fazer orações e nem mesmo por tê-las atendidas. Um cristão é marcado por nascer de novo e viver uma vida imitando a Cristo. Afinal, cristão = imitador de Cristo. Portanto, como disse o apóstolo Pedro, precisamos tomar consciência de que basta a velha vida e seus maneirismos.

Provavelmente muitos responderão dizendo que nasceram de novo e o importante é a essência e o ser interior, com o que obviamente concordo. Mas note que o texto desta carta fala de atitudes práticas que devem evidenciar esse ser interior renovado, ou na retórica de Pedro, as que evidenciam sua falta e devem ser evitadas. Nosso desafio é viver de modo que mostremos o que somos por dentro sem precisar de visão de Raio-X.

“Pai, obrigado por me ensinar nesta carta que eu preciso renovar minhas atitudes para evidenciar minha vida renovada. Te agradeço por tanta riqueza numa carta tão simples.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Escondido

“Perguntou-lhe Natanael: Donde me conheces? Respondeu-lhe Jesus: Antes de Filipe te chamar, eu te vi, quando estavas debaixo da figueira. Então, exclamou Natanael: Mestre, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel!” (João 1:48-49 ARA)

Quando chegar na Glória quero perguntar para Natanael sobre esse lance da figueira. O que será que o varão fazia ali de tão sério que o levou a tal quebrantamento quando Jesus disse que o viu…

Alguns especulam que ele orava e clamava pela libertação de Israel, outros dizem que ele estaria fazendo algo realmente pecaminoso, enquanto para alguns outros ele duvidava de Deus e pediu uma prova. Não importa, realmente, pois o ensino central é que Jesus conhece os fatos, conhece o nosso coração e sabe qual a palavra que vai nos desmontar. Ainda bem que Natanael ouviu e acreditou, pois às vezes me parece que vivo no meio de uma geração de surdos. E parece ser contagioso, pois quando me dou por conta também não estou escutando muita coisa. É uma disciplina diária e contínua me manter sensível e o resultado ainda assim deixa a desejar.

Se para este israelita o impacto de uma palavra como esta foi tão grande, temos de aprender alguma coisa. Aquilo que só Jesus conhece a nosso respeito, aquilo que talvez nunca quiséssemos que viesse à tona, talvez até mesmo aquele pedido que nunca saiu da nossa mente – tudo isso deve servir como forma de confirmação de nossa fé e para nos fortalecer em Cristo. Não pode ser motivo de tormento, acusação ou inquietude.

Eu diria ainda mais: não deve ser necessário que seja denunciado para que seja abandonado. Aquilo que nos envergonha ou dificulta cumprir o chamado de Deus, deve ser voluntariamente abandonado e cicatrizado, sem que seja necessário um escândalo para isso. O caso de Natanael pode não ter sido neste sentido, mas aquele homem foi balançado. Devemos nos endiretar diante de Deus enquanto podemos, pois se for revelado pode ser pior.

Natanael adorou a Deus, devemos aprender com ele. Nosso desafio é buscar no Senhor aquilo que só Ele pode nos dar.

“Pai, assim como Natanael eu reconheço que Jesus é Teu filho, meu Rei, meu Salvador. Ajuda-me a endireitar meus caminhos, ações, reações e pensamentos diante de Ti, sem precisar ser revalado.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Honrar

“Tratai todos com honra, amai os irmãos, temei a Deus, honrai o rei.” (1 Pedro 2:17 ARA)

Volto ao tema para finalizar o que tenho em mente e no coração. Honrar ao rei foi mencionado em separado, quase de forma redundante. Tudo que a Bíblia repete me parece ser para reafirmar ou para confirmar, sendo que neste caso parece ser um reforço intencional com algum motivo.

O rei representa a autoridade terrena estabelecida para governar o povo. No Brasil não temos reis mas temos autoridades equivalentes que são os presidentes. Como fazemos para honrar uma autoridade como esta? E mais: como ter estima e consideração em meio a tanta polêmica? Vivemos uma divisão, há os prós e os contras, defendendo e malhando o mesmo fato com a mesma intensidade.

A Bíblia não manda ser sujeito somente às autoridades boas, mas a todas. Devemos honrar reconhecendo aquilo que consideramos bom ou positivo para o país, ainda que não seja o melhor para nós individualmente. Temos liberdade para comentar o que não nos agrada, mas temos de cuidar com a murmuração e maldições – desnecessários. Temos de usar a liberdade para dizer “não simpatizo com este governo, mas reconheço que esta medida foi boa”. Poucos fazem isso, mas é necessário entender que é um princípio bíblico.

Talvez por isso vivamos um tempo de filhos desobedientes e sociedade desordenada, relapsa e com serviços cada vez mais mal prestados. O povo de Deus deixa de lado a honra e a sociedade percebe, o reflexo imediato é uma geração que não liga. Não creio ser só um problema político ou educacional, mas de pais que não ensinam sobre honra. O que é bom precisa ser reconhecido, para que se adquira o direito de falar do que não considera bom.

Se começarmos no meio do povo de Deus, toda sociedade verá reflexo. Não defendo partido, não tenho vínculo com eles, mas não agrido ou critico nenhum. São homens e mulheres de carne e osso que erram e acertam.

Quem saberá honrar ao Rei dos Reis invisível e eterno, sem horar ao rei visível?

“Pai, nem tudo é facil para eu entender e a Tua sabendoria me faz falta. Ensina-me a ser, fazer e dizer que é necessário para honrar o rei, em obediência a Ti.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Honrar

“Tratai todos com honra, amai os irmãos, temei a Deus, honrai o rei.” (1 Pedro 2:17 ARA)

É duro de admitir, mas é mais fácil honrar a Deus do que às pessoas ao nosso redor. Precisamos aprender mais sobre honra e aprender a identificar ao nosso redor quem são as pessoas a quem devemos honrar.

Honrar, no conceito de um de meus mestres, é a soma de reconhecimento + investimento. Certamente não é a única definição possível, mas me agrada pensar que tenha dois ingredientes tão importantes e tão profundos compondo algo dado para nossa edificação. É claro, não podemos nos furtar de comentar que honra pressupõe algum mérito, o que talvez explique nossa dificuldade em honrar às pessoas – temos dificuldade de ver nelas o que merece ser honrado.

Reconhecimento é verbalizar a gratidão, a valorização, a consideração e o respeito por algo que alguém é ou fez. Tem porções de elogio, de incentivo, de movitação, mas principalmente de exposição – no sentido de deixar público e claro que foi percebido o fator reconhecido. Isso já é um desafio para nós, pois a bem de não bajularmos às pessoas nem inflarmos indevidamente os seus egos, acabamos exagerando e nos tonando meio secos. Eu preciso melhorar nisso, creio não ser o único.

A essência deste ensino é profunda demais para uma devocional como esta, mas levanta um questionamento interessante: será que não estamos murmurando demais e por isso mesmo não honramos os que estão ao nosso redor? Será que não estamos deixando passar despercebido algo que para nós é sem importância mas que para quem fez ou tornou-se é grande?

E agora, será que ao deixar de honrar as pessoas sou desobediente, negligente? Será que por causa disso honro menos a Deus, que os criou?

“Pai, nem tudo é facil para eu entender e a Tua sabendoria me faz falta. Ensina-me a ser, fazer e dizer que é necessário para honrar as pessoas ao meu redor, em obediência a Ti.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Recurso

“Vejam isso os aflitos e se alegrem; quanto a vós outros que buscais a Deus, que o vosso coração reviva.” (Salmos 69:32 ARA)

Eu estou vivendo uma fase na minha vida em que o Senhor tem me feito perceber Seu cuidado comigo de forma muito saliente. Eu tenho algumas dúvidas se o cuidado Dele aumentou comigo ou apenas eu que estou percebendo mais, mas isso não importa. O que importa é que como diz este salmo, o coração dos que buscam a Deus revive em alegria e em esperança.

O privilégio de servir a Deus me leva a querer servir mais ainda. A garantia que tenho de que dará tudo certo é a fé, mais nada, mas não significa que é pouco. Passo por um momento que alguns anos atrás seria desesperador, mas está completamente sob controle, tranquilo e sereno. Meu coração revive na presença do Todo Poderoso, a quem busco como nunca busquei e a quem adoro como nunca adorei. Mérito meu? NENHUM.

O Senhor tem feito de mim um homem íntimo Dele, não por esforço ou mérito meu. Não por ter vontade disso, ainda que seja verdade, mas por que Ele quer fazer alguma coisa que não é próprio da superficialidade. Há tanta gente que precisa entender o Reino de Deus, que precisa olhar ao redor e saber da maldade do mundo em que vivemos e decidir por uma vida diferente. Reagir ao invés de se entristecer, participar de algo ao invés de se isolar.

O medo e vergonha faz as pessoas solitárias, mesmo que estejam no meio de uma multidão no shopping center. No Reino de Deus não tem disso, somos irmãos e estamos na casa do Pai. Não tem motivo para vergonha ou timidez. Claro, não somos perfeitos, erramos, assustamos, falhamos. Mas ainda assim a igreja é o melhor lugar desse mundo para se estar e para se fazer parte, até mesmo por que as opções são todas piores.

Quanto mais busco a Deus, mais me fortaleço, mais me animo e mais quero buscar. É viciante. Alguns não gostam dessa palavra, mas eu não tenho preconceito. O que é bom também pode viciar, eu creio.

“Pai, me sinto tão bem Contigo que tenho vontade de não sair mais de diante de Ti. Mas algo precisa ser feito por este mundo perdido e preciso da Tua vida em mim. Obrigado.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Desperdício

“Estando ele em Betânia, reclinado à mesa, em casa de Simão, o leproso, veio uma mulher trazendo um vaso de alabastro com preciosíssimo perfume de nardo puro; e, quebrando o alabastro, derramou o bálsamo sobre a cabeça de Jesus.” (Marcos 14:3 ARA)

Fico curioso com algumas coisas. Os versículos seguintes descrevem a murmuração de alguns dos presentes com o desperdício de um perfume caro. Mas ninguém se dispôs a dar nada aos pobres para “ensinar uma lição” àquela mulher. Para falar havia disposição, para fazer nem tanto.

Perguntemo-nos o seguinte: essa mulher era rica? Será que vendeu seu patrimônio para comprar o perfume? Ou era uma herança? Ou ela era perfumista? No texto paralelo de Lucas 7 diz que ela era “pecadora” e os murmuradores de plantão questionaram inclusive que se Jesus fosse profeta saberia de sua vida. Olhando para o contexto da época, isso me cheira a prostituição. Será que no fundo aqueles homens não estavam com inveja, por ela ter acesso a um perfume tão caro? Ou será que eram “clientes” do estabelecimento onde esta pecadora prestava seus “serviços”?

Tudo isso é conjectura, mas há algo de real e muito sério nisso: é mais fácil chamar de desperdício do que admirar. É mais fácil murmurar do que incentivar. É mais fácil criticar do que dar exemplo. Penso que a repreensão do Senhor para aqueles homens vale para nossos dias, quando olhamos para algo que nos parece desperdício mas que na verdade não é da nossa conta. Os mega-templos, os pastores com jatos particulares, as excursões caras e dispendiosas, enfim tudo que não é problema meu, prefiro não comentar. Basta não participar, não é necessário censurar.

Temos a tendência de olhar como quem foi chamado para juiz, mas não somos juízes. O maior castigo dos safados é o anonimato em solidão. Desperdício realmente é perder tempo reparando nas obras alheias com gente indo pro inferno tão perto de nós. Eu quero mudar de atitude e te convido a vir comigo.

“Pai, não quero ser o crítico de plantão e muito menos murmurador da turma. Se algo está errado não quero participar, mas por outro lado, quer ser exemplo e referência. Ajuda-me a ser correto.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Foco e Gratidão

“Nenhum soldado em serviço se envolve em negócios desta vida, porque o seu objetivo é satisfazer àquele que o arregimentou.” (2 Timóteo 2:4 ARA)

Esta é uma mensagem de gratidão. Cerca de 14 anos atrás um amigo precioso a quem amo, me convidou a escrever uma meia dúzia de devocionais, pois o autor anterior havia declinado. O projeto começava a dar sinais de vigor com lá seus mais de 100 assinantes recebendo devocionais três vezes por semana.

Esta é exatamente, de minha assinatura, a devocional número 1.000, o que é um feito razoável. Sinto-me privilegiado por ter alcançado esta marca, mas realmente não me sinto um conquistador. Sinto-me um soldado em plena marcha, servindo a meus concidadãos do Reino de Deus. Que toda honra e toda glória, todo reconhecimento e gratidão sejam direcionados ao verdadeiro autor destas meditações – o Deus Todo Poderoso, o Senhor dos Exércitos.

Como um soldado focado em satisfazer o comandante, minha oração é que pelo menos um único dos nossos quase 70.000 leitores seja tocado pela Palavra de Deus a cada devocional. Minha oração é que o fluir da Palavra siga crescendo para mais e mais conservos. Se o Senhor assim o permitir, queremos alcançar ainda mais pessoas e desenrolar mais e mais dos rolos de sabedoria do Senhor.

Minha gratidão a Deus pelo chamado e aos leitores pela oportunidade. Tenho sido ricamente abençoado recebendo primeiro para repassar depois. Quero incentivá-lo, se você pelo menos uma vez ou outra foi abençoado por uma devocional desta fonte, dedique uma fração de seu tempo não para me agradecer, mas para orar ao Senhor que nos conceda mais graça, mais misericórdia, mais revelação e principalmente mais de Sua Presença.

Não temos ganho financeiro com isso, não temos nenhum reconhecimento público com isso, e é assim que queremos que continue. Mas a recompensa celestial e o retorno espiritual são absolutamente abundantes e mais do que suficientes.

A você, leitor, de hoje ou de muitos anos, minha gratidão.

“Deus querido, obrigado por que o Senhor faz o que ninguém poderia fazer. Obrigado por me usar para levar a Tua Palavra para estas pessoas, que me abençoam lendo e comentando.”

Mário Fernandez