Mário Fernandez

Pouco Azeite

“E as néscias disseram às prudentes: Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas estão-se apagando. Mas as prudentes responderam: Não, para que não nos falte a nós e a vós outras! Ide, antes, aos que o vendem e comprai-o.” (Mateus 25:8-9 ARA)

Os dias em que vivemos são ao mesmo tempo terríveis e maravilhosos. Não me lembro de ter visto tanto mover de Deus ao redor do mundo e na minha cidade, mas também não me lembro de ver tanto crente desviado. Alguns estudiosos estão dizendo que tem um crente desviado para cada outro que está dentro da igreja, e isso sem descontar os que estão com o corpo dentro mas com a alma fora.

De qualquer modo, assim como as 10 virgens néscias, alguns infelizmente carregam pouco azeite e quando a coisa aperta saem correndo. Azeite nos fala de unção que representa o Espírito Santo e independente da expressão geral dessa parábola, fica muito claro que não ter azeite suficiente dá prejuízo. Seja na interpretação que for, o sábio (prudente) é o que se enche de azeite e se prepara para o dia da necessidade.

Como manter a botija cheia de azeite? Para alguns pode ser apenas se dizer cristão mas para mim tem muito mais. Congregar é importante (servir em uma igreja local, adorar coletivamente, partilhar de lutas e vitórias). Orar é essencial, sozinho e em conjunto. Ler a Bíblia é fundamental, tanto sistematicamente (um livro de cada vez, inteiro) como aleatoriamente (versículos salteados). Praticar boas obras faz parte, não para ser salvo mas para apresentar sua fé (ser ético, abençoar, não murmurar, suprir necessidades). Falar de Jesus aos perdidos e afastados para sua redenção é muito importante (nos enche da ação de Deus). Adorar é essencial (não apenas cantando mas de todas as formas que expressar a essência de Deus).

Independentemente de como sua fé seja expressada, em que nível de compreensão teológica esteja, nunca estamos suficientemente cheios de azeite a ponto de não poder mais. Busque mais, deseje mais. Deus tem mais para mim e para você.

“Pai, muito obrigado pela abundância de óleo na Tua Palavra para meu enchimento e crescimento. Ensina-me a encontrar fontes ricas de benção e me preencher de ti. Obrigado.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Lágrimas

“E, voltando-se para a mulher, disse a Simão: Vês esta mulher? Entrei em tua casa, e não me deste água para os pés; esta, porém, regou os meus pés com lágrimas e os enxugou com os seus cabelos.” (Lucas 7:44 ARA)

Eu sou meio chorão, para dizer o mínimo. Choro no meu particular, na frente da minha família e também em público. Ministrando a Palavra então, às vezes, é um verdadeiro aguaceiro. Mas essa mulher aqui narrada me ganha de longe. Imagine o tanto que precisa de lágrimas para lavar os pés de um homem adulto.

Esse texto me falou profundamente num dia em que ao chegar de um Encontro Face a Face com Deus, vejo 3 irmãs de cabelo raspado, em sinal de dedicação ao Senhor. Elas deixaram bem claro que Deus falou com elas sobre isso e ninguém deveria imitá-las. Mas eu lembro do cabelão que havia antes e me espanto. Para mulheres esse aspecto de vaidade e aparência é mais importante que para os homens, usualmente. Essa mulher sujou seus cabelos limpando os pés do mestre. Muita lágrima e certamente cabelos longos.

O que mais me fala profundamente neste texto é que esta mulher usou o que tinha ao seu alcance. Ela não comprou nada, talvez nem tivesse dinheiro para isso. Não foi um perfume caro, não foi uma roupa elegante, não foi um presente inesquecível. Foi um ato inesquecível, veja que estamos aqui 2.000 anos depois ainda comentando. Eu não sei se vão se lembrar de mim 2 anos depois que eu morrer, imagine.

Se esta mulher tinha lágrimas suficientes para lavar os pés do Senhor Jesus de Nazaré, nós deveríamos ter algo pra oferecer. Talvez não sejam lágrimas nem cabelos, mas lavar os pés fala de servir, de se humilhar, se rebaixar. Eu tenho 100% de certeza que todos nós podemos vivenciar isso em nossa realidade cotidiana de alguma forma. Não bastasse, Jesus nos ensinou que podemos servi-lo através dos pobres, presos, abandonados.

Vamos aprender com essa mulher o que pudermos, pois sua memória permanece. Vamos usar o que temos?

“Senhor, Tu não tens interesse em nada que eu possa oferecer, pois tudo já é Teu. Mas eu quero oferecer o que voluntariamente eu poderia negar – meu tempo, meu esforço e se for preciso, lágrimas e cabelos. Ensina-me a te servir.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Emudecer

“Porque assim é a vontade de Deus, que, pela prática do bem, façais emudecer a ignorância dos insensatos; como livres que sois, não usando, todavia, a liberdade por pretexto da malícia, mas vivendo como servos de Deus.” (1 Pedro 2:15-16 ARA)

Esse nosso mundão está perdido, como diz um amigo meu, na escuridão sem luz. A cada dia a gente vê mais violência, mais doença, mais relacionamento rompido, mais e mais safadeza institucionalizada e por aí vai. Não fosse isso suficiente, uma parte das igrejas se contaminou com este mundo de tal forma que a Bíblia nem é mais fonte de referência e muito pouco é lida. O que nos resta para dar esperança?

Nos resta, meu querido leitor, aquilo que sempre tivemos. Nos resta viver de modo diferente, distinto, incomum. Viver de modo digno do evangelho que cremos e pregamos. Não para ser recompensado por Deus por isso, pois não é assim que funciona. Não para agradar a líderes ou para ser popular. Mas sim para cumprir a vontade Daquele que nos chamou e nos transformou em resgate de uma morte literalmente infernal. É um ato prático de gratidão e não uma teoria teológica, um pensamento bonito. É o arregaçar das mangas e fazer tudo que estiver ao alcance para ser reconhecido publicamente com alguém que serve a Deus. Isso emudecerá a ignorância dos insensatos.

Note apenas um detalhe: ser cristão em nossos dias, ou evangélico que é a palavra mais em uso, virou sinônimo de frequentar uma igreja ou ter vínculo com alguma denominação. Meu querido, não caia nesse engano. O mais importante é o menos enfatizado e praticado. O evangelho é baseado em cruz, em sacrifício e em renúncia. Não é baseado em cura, prosperidade, comunhão, manifestação de poder – embora tenha tudo isso, e eu confesso gostar de tudo que é do Reino. Mas nada disso é a base, a base é sacrificial. Essa base muda nossa prática.

Se a base é importante, demonstrá-la é igualmente importante.

“Pai, quero viver de modo compatível, digno e apropriado ao Teu chamado para mim, seja servindo a Ti num ministério eclesiástico ou apenas vivendo para Ti no dia-a-dia. Ajuda-me.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Anônimo

“Então, propuseram dois: José, chamado Barsabás, cognominado Justo, e Matias.” (Atos 1:23 ARA)

Se alguém puder me ajudar eu agradeço. Procurei intensamente e não encontrei nenhuma menção de Matias antes desse versículo, nem com nomes equivalentes (era comum na época ter dois nomes). Pelo menos na Bíblia não encontrei nada. Quem era esse irmão e para onde foi depois disso? Tão anônimo era antes quanto ficou depois, pois some no verso 26 e não se encontra mais.

Se lermos os versículos 21 e 22 vamos ver os critérios de escolha que apontaram para Matias e então aprendemos algumas riquezas. Ele andou com Jesus desde o início e testemunhou sua ascenção, desde o batismo de João. Ou seja, era um daqueles que sempre esteve ali mas nunca se destacou.

Meu irmão, eu já perdi ovelha na igreja por muito muito menos do que isso. Por não ter mais um cargo, por mudarem os tapetes, por cada coisa simples. Esse Matias não era um dos 12, talvez fosse o 13º ou o 70º dos 70, mas estava lá e não desistiu. O dia dele chegou, afortunadamente, mas poderia nem ter sido ele o escolhido e sim o tal do José Barsabrás, que, por sinal, preencheu os mesmos requisitos e não foi escolhido. Meu Deus, os caras estavam lá fazendo tudo certo e ficaram anonimos, totalmente despercebidos dos historiadores, sem qualquer registro ou reconhecimento.

Querido, isso me ensina muito, mas muito mesmo, sobre humildade e foco. Se fazemos as coisas para nossa satisfação ou alegria das pessoas, desistiremos. Não importa se somos reconhecidos, se alguém nos agradece, se temos cargo, se somos remunerados, se há qualquer coisa que nos tire do anonimato. NAO IMPORTA. Se estamos bem com Deus e focados na missão, basta seguir em frente. Eu comecei escrevendo devocionais para uns 200 assinaturas que hoje são milhares e confesso que, às vezes, recebo 8 ou 9 comentários de quase 70.000 pessoas. Não importa, o recado está sendo dado e a voz do Espírito no meu ouvido continua dizendo “não pare”.

Meu irmão, ouça isso: não pare por falta de reconhecimento. Esqueça as opiniões das pessoas e faça para Deus.

“Pai, obrigado por que o Senhor é o que me basta tanto para ser reconhecido como para prosseguir. Só dependo de Ti. Se o Senhor estiver comigo eu prossigo.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Sombra

“a ponto de levarem os enfermos até pelas ruas e os colocarem sobre leitos e macas, para que, ao passar Pedro, ao menos a sua sombra se projetasse nalguns deles.” (Atos 5:15 ARA)

Meu querido leitor, eu me converti a Jesus Cristo em 1987 e sempre fiquei intrigado com essa história da sombra de Pedro curar enfermos. Esse homem era um dos improváveis da lista e fez tanta coisa inadequada e imprópria que chega a dar dó. Não em ordem cronológica, mas negou a Jesus, cortou orelha de soldado, falou besteira e ouviu “arreda Satanás”, não queria que lavasse seus pés, pediu para fazer tenda no monte, afundou andando sobre as águas e por aí vai. Era um sujeito complicado, briguento, iletrado e cheio de defeitos. Me lembra muito um cara que eu vejo de manhã no meu banheiro, ao espelho.

MAS, após uma experiência maravilhosa no dia de Pentecostes, esse irmão aparece num cenário absolutamente inalterado se comportando e produzindo de forma totalmente distinta. Nada mudou ao seu redor, as pessoas eram as mesmas, as situações eram as mesmas, Jesus nem estava mais ali fisicamente. Mas ele não era mais o mesmo, algo nele mudou e o fez ser o que Deus queria dele.

Essa é a virada que todos nós devemos experimentar. Passar de alguém que anda com Jesus, convive com Jesus, ouve Jesus e até ama Jesus sinceramente, para a condição de alguém que faz o que Jesus fazia como um seguidor deve fazer. Ser o Pedro dos evangelhos não é difícil e infelizmente há centenas nas igrejas, mas ser o Pedro do livro de Atos tem sido demonstrado por poucos.

O que nos falta? Disponibilidade do Espírito Santo não é, gente perdida para ser alcançada também não, Palavra revelada de Deus não é, então o que nos falta? Falta a coragem que Pedro sempre teve? Falta um toque de Deus? Falta entendimento do que já recebemos? Ou será que falta vergonha na cara?

Meu querido, talvez nenhuma destas coisas, ou todas elas, ou um pouco de cada. Mas claramente: descubramos e partamos para fazer o que Deus espera de nós. Despertemos o Pedro de Atos de cada um de nós, antes que venha o Senhor.

“Senhor, obrigado por me alertar de minha condição. Não quero ser só mais um que anda junto e fala bobagem, quero agir e fazer tudo que o Senhor tiver para mim. Ajuda-me, sou fraco e dependo de Ti”.

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Basta

“Porque basta o tempo decorrido para terdes executado a vontade dos gentios, tendo andado em dissoluções, concupiscências, borracheiras, orgias, bebedices e em detestáveis idolatrias.” (1 Pedro 4:3 ARA)

Curiosamente, em meio a uma leitura meditativa das Escrituras uma palavra ou outra salta aos olhos da gente de maneira única. Neste caso, como estou lendo as cartas de Pedro, foi aquele “basta”.

Basta significa que chega, que foi o suficiente, que não precisa mais, que está lotado ou completo. Num certo sentido é o fim de algo, por vezes, literalmente. Neste texto em particular eu vejo muito fortemente o sentido de que chegou o tempo de mudar, não se admite mais continuar como estava. Esse tempo passado teve sua vez e acabou, passou, foi suficiente, “basta”. Será que compreendemos isso aplicado ao nosso cotidiano? Será que entendemos que é o Senhor quem nos sustenta mesmo que tenhamos um trabalho ou fonte de renda “comum”? Será que está claro para nós que estamos falando de modo de vida e não de religião?

É preciso entender que o cristão não é caracterizado por frequentar uma igreja, ou por dar dízimo, ou fazer orações e nem mesmo por tê-las atendidas. Um cristão é marcado por nascer de novo e viver uma vida imitando a Cristo. Afinal, cristão = imitador de Cristo. Portanto, como disse o apóstolo Pedro, precisamos tomar consciência de que basta a velha vida e seus maneirismos.

Provavelmente muitos responderão dizendo que nasceram de novo e o importante é a essência e o ser interior, com o que obviamente concordo. Mas note que o texto desta carta fala de atitudes práticas que devem evidenciar esse ser interior renovado, ou na retórica de Pedro, as que evidenciam sua falta e devem ser evitadas. Nosso desafio é viver de modo que mostremos o que somos por dentro sem precisar de visão de Raio-X.

“Pai, obrigado por me ensinar nesta carta que eu preciso renovar minhas atitudes para evidenciar minha vida renovada. Te agradeço por tanta riqueza numa carta tão simples.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Escondido

“Perguntou-lhe Natanael: Donde me conheces? Respondeu-lhe Jesus: Antes de Filipe te chamar, eu te vi, quando estavas debaixo da figueira. Então, exclamou Natanael: Mestre, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel!” (João 1:48-49 ARA)

Quando chegar na Glória quero perguntar para Natanael sobre esse lance da figueira. O que será que o varão fazia ali de tão sério que o levou a tal quebrantamento quando Jesus disse que o viu…

Alguns especulam que ele orava e clamava pela libertação de Israel, outros dizem que ele estaria fazendo algo realmente pecaminoso, enquanto para alguns outros ele duvidava de Deus e pediu uma prova. Não importa, realmente, pois o ensino central é que Jesus conhece os fatos, conhece o nosso coração e sabe qual a palavra que vai nos desmontar. Ainda bem que Natanael ouviu e acreditou, pois às vezes me parece que vivo no meio de uma geração de surdos. E parece ser contagioso, pois quando me dou por conta também não estou escutando muita coisa. É uma disciplina diária e contínua me manter sensível e o resultado ainda assim deixa a desejar.

Se para este israelita o impacto de uma palavra como esta foi tão grande, temos de aprender alguma coisa. Aquilo que só Jesus conhece a nosso respeito, aquilo que talvez nunca quiséssemos que viesse à tona, talvez até mesmo aquele pedido que nunca saiu da nossa mente – tudo isso deve servir como forma de confirmação de nossa fé e para nos fortalecer em Cristo. Não pode ser motivo de tormento, acusação ou inquietude.

Eu diria ainda mais: não deve ser necessário que seja denunciado para que seja abandonado. Aquilo que nos envergonha ou dificulta cumprir o chamado de Deus, deve ser voluntariamente abandonado e cicatrizado, sem que seja necessário um escândalo para isso. O caso de Natanael pode não ter sido neste sentido, mas aquele homem foi balançado. Devemos nos endiretar diante de Deus enquanto podemos, pois se for revelado pode ser pior.

Natanael adorou a Deus, devemos aprender com ele. Nosso desafio é buscar no Senhor aquilo que só Ele pode nos dar.

“Pai, assim como Natanael eu reconheço que Jesus é Teu filho, meu Rei, meu Salvador. Ajuda-me a endireitar meus caminhos, ações, reações e pensamentos diante de Ti, sem precisar ser revalado.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Honrar

“Tratai todos com honra, amai os irmãos, temei a Deus, honrai o rei.” (1 Pedro 2:17 ARA)

Volto ao tema para finalizar o que tenho em mente e no coração. Honrar ao rei foi mencionado em separado, quase de forma redundante. Tudo que a Bíblia repete me parece ser para reafirmar ou para confirmar, sendo que neste caso parece ser um reforço intencional com algum motivo.

O rei representa a autoridade terrena estabelecida para governar o povo. No Brasil não temos reis mas temos autoridades equivalentes que são os presidentes. Como fazemos para honrar uma autoridade como esta? E mais: como ter estima e consideração em meio a tanta polêmica? Vivemos uma divisão, há os prós e os contras, defendendo e malhando o mesmo fato com a mesma intensidade.

A Bíblia não manda ser sujeito somente às autoridades boas, mas a todas. Devemos honrar reconhecendo aquilo que consideramos bom ou positivo para o país, ainda que não seja o melhor para nós individualmente. Temos liberdade para comentar o que não nos agrada, mas temos de cuidar com a murmuração e maldições – desnecessários. Temos de usar a liberdade para dizer “não simpatizo com este governo, mas reconheço que esta medida foi boa”. Poucos fazem isso, mas é necessário entender que é um princípio bíblico.

Talvez por isso vivamos um tempo de filhos desobedientes e sociedade desordenada, relapsa e com serviços cada vez mais mal prestados. O povo de Deus deixa de lado a honra e a sociedade percebe, o reflexo imediato é uma geração que não liga. Não creio ser só um problema político ou educacional, mas de pais que não ensinam sobre honra. O que é bom precisa ser reconhecido, para que se adquira o direito de falar do que não considera bom.

Se começarmos no meio do povo de Deus, toda sociedade verá reflexo. Não defendo partido, não tenho vínculo com eles, mas não agrido ou critico nenhum. São homens e mulheres de carne e osso que erram e acertam.

Quem saberá honrar ao Rei dos Reis invisível e eterno, sem horar ao rei visível?

“Pai, nem tudo é facil para eu entender e a Tua sabendoria me faz falta. Ensina-me a ser, fazer e dizer que é necessário para honrar o rei, em obediência a Ti.”

Mário Fernandez