Mário Fernandez

Finalidade

“assim como lhe conferiste autoridade sobre toda a carne, a fim de que ele conceda a vida eterna a todos os que lhe deste.” (João 17:2 ARA)

Nada no Reino de Deus ocorre por acaso, por surpresa nem, muito menos, por descontrole. Jesus recebeu do Pai autoridade sobre toda carne, de uma tal maneira como o Senhor não daria a outro, por motivos fáceis de compreender (santidade, direito, herança, tantas outras coisas). Mas nem isso foi a toa ou sem propósito, havia algo claro desde o início do plano – conceder vida.

Independentemente do aspecto espiritual que isso implica, e creia-me que é vasto, temos algo prático para aprender. Não adianta pedir que Deus nos conceda o que não saberemos ou não poderemos usar. Deus daria prosperidade a um infiel ou desajuizado? Daria profecia para um imaturo? Daria poder profético como o de Elias a alguém vingativo ou rancoroso? Não creio e não tenho visto para mudar de ideia.

Mas há algo mais. O dom, ou dádiva, serão sempre proporcionais à grandiosidade da missão. Deus não daria um dom maravilhoso de evangelista como Billy Graham (só pra citar um bem conhecido) para alguém que não ame as almas como Billy – não teria serventia. Mas para pessoas que têm mais lágrimas para derramar do que palavras para dizer, quando o assunto são almas que se perdem no inferno, certamente o Senhor será generoso e fará frutificar como nunca visto.

E há ainda algo mais: para que Deus colocaria numa missão alguém que não fosse fiel? Mesmo que surgisse outro homem tão santo quanto Jesus (nem tente, é impossível) será que teria a fidelidade Dele para dar Sua vida pelos infiéis? Note: Jesus recebeu autoridade sobre toda carne para conceder vida aos que lhe foram dados – não aos que pedirem, não aos que merecem, não aos que chegeram primeiro, não aos que sabem de tudo. Aos que foram dados junto com a autoridade, pelo mesmo Senhor que deu tanto um como outro.

E para finalizar, tudo isso para cumprir o versículo anterior: glorificar ao Pai. Aprendamos a viver e desfrutar do que o Senhor nos deu, ou a buscar de forma apropriada o que ainda não recebemos. Glória a Deus que não joga dons pela janela.

“Senhor, não posso evitar de pensar que o Senhor pode ter mais para mim, desde que eu me disponha a pagar o preço e assumir a missão. Eis-me aqui para ser ensinado por Ti. Ensina-me”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Tempo Oportuno

“Tendo Jesus falado estas coisas, levantou os olhos ao céu e disse: Pai, é chegada a hora; glorifica a teu Filho, para que o Filho te glorifique a ti,” (João 17:1 ARA)

Ainda bem que nem todo mundo é como eu, pois tenho o grave defeito de ser apressado e querer as coisas no meu tempo. Aprendi a respeitar o tempo de Deus com obediência e disciplina, mas é puro esforço pois não me é natural. Para Glória do Pai, Jesus não era assim.

Neste versículo vemos claramente que Jesus poderia ter feito antes algumas coisas, mas esperou o momento correto. Quando Ele diz ao Pai “é chegada a hora”, eu me emociono. Fico imaginando quantas vezes eu devo ter, inocentemente, gritado ao coração do Pai “é chegada a hora” sem saber o que dizia. Penso em ministério, família, decisões importantes, tanta coisa. Tudo tem um momento oportuno, planejado, pensado por Deus.

Quem somos nós para ditar ao Senhor do Tempo? Ele sabe o que fazer e, principalmente, quando fazer. Se formos filhos obedientes, atentos ao que o Pai fala, não precisaremos conviver com a ansiedade. Homem (ou mulher) que Deus usa precisa aprender a ouvir a voz do chefe, inclusive no que se refere ao tempo das coisas. Tudo tem um tempo oportuno.

Fico meditando e considerando se é melhor perder o prazo ou apertar o prazo. Em outras palavras: será que é melhor perder o tempo do que se apressar? Sinceramente não sei responder. Mas com total certeza o bom é acertar. Basta aprender a entender o mover de Deus e ouvir Sua voz. Jesus nos dá o exemplo: começou o ministério aos 30 anos (velho para alguns padrões) e só tinha 3 anos de serviço quando entendeu que chegara ao fim (pouco para alguns padrões). Mesmo sabendo o fim horrível que teria, morrendo inocente no lugar dos culpados (eu e você), não deixou de entender que o tempo era chegado.

Preciso dizer o óbvio: Jesus é meu modelo e referência, de novo.

“Pai, eu não quero nem ser rebelde nem atrasado, pelo contrário, quero entender o tempo do Senhor para mim e desfrutar do melhor do Reino para minha vida e meu ministério. Ajuda-me, por favor.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Chamados Para Fora

“Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.” (Mateus 16:18 ARA)

Esta é a primeira menção bíblica da palavra “igreja” e talvez num contexto em que para nós o sentido é limitado. Essa palavra original (ekklesia) era comum naquele tempo e se referia a toda junção de pessoas que era chamada para fora da cidade para tratar de algum assunto importante. Talvez parecido com o que hoje conhecemos como assembléias ou reuniões de condomínio.

A igreja é o grupo dos chamados para fora, em todos os sentidos. Ser igreja é ser chamado para fora das estruturas, dos moldes desse mundo, dos valores deste século, das organizações, das religiões e principalmente, em primeiríssimo lugar, chamados para fora de si mesmos. Temos dezenas de versículos no Novo Testamento falando em negar-se a si mesmo, esvaziar-se, renegar paixões pessoais, não dar espaço para os caprichos da carne e assim por diante. Ou seja, sair de si mesmo.

Ser chamado para fora implica em abrir mão de sua opinião, de seus direitos de sua primazia. Eu venho depois, não apenas de meus líderes e pastores, mas de qualquer um que Deus coloque adiante de mim. Falo com isso com total liberdade, pois ainda que sendo pastor ordenado neste momento não estou a frente de nenhuma igreja local e portanto não faço este comentário em defesa própria ou nada neste sentido. Há líderes que não merecem suas posições, isso é outro problema. Quando alguém está numa posição e ali foi colocado pelo Senhor, deve-se esvaziar mais ainda, pois foi chamado para fora.

De nada vale se intitular igreja e viver como vivem todas as pessaos, pensar como pensa a sociedade, agir e reagir como todo mundo faz. Não é necessário ser diferente, é necessário ser correto, idôneo, sem culpa diante de Deus. É preciso ser igual ao padrão de Deus, custe o que custar.

Isso sim é igreja, isso sim é ser chamado para fora.

“Senhor, eu não sou capaz de me esvaziar como deveria para poder te servir como Tu queres. Preciso desesperadamente que Teu Santo Espírito faça uma grande obra em mim, me chamando para fora de mim mesmo.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Foco

“A sabedoria é o alvo do inteligente, mas os olhos do insensato vagam pelas extremidades da terra.” (Provérbios 17:24 ARA)

Lembro-me de um conhecido conto de um arqueiro que primeiro atirava flechas pela cidade depois corria pintar alvos onde as flechas haviam caído. Por causa disso ele tinha fama de infalível e de pontaria perfeita. Safado, você pensou? Trapaceiro? Certamente, mas acima de tudo preguiçoso. Infelizmente, assim andam vivendo alguns cristãos.

Se a sabedoria é o alvo, não adianta ler somente os versículos que convém, ou meditar naquilo que interessa, nem tampouco escolher os pregadores que dizem o que queremos ouvir. É preciso ser confrontado para ser aperfeiçoado e focar no alvo é essencial para quem tiver o mínimo de vontade de acertar. Não mirar em nada é uma forma de acertar em alguma coisa, mas convenhamos que não produz nada. Note o que o versículo nos ensina: os olhos do insensato não olham para nada, não têm foco, não miram em alvo nenhum.

Buscar profetadas e palavras convenientes não é acertar no alvo, é pintá-lo onde atirou. Me preocupa sobremaneira quando alguém acha que a vida se resume apenas a ouvir o que quer ouvir sem nunca ser contrariado. Não foi assim que Jesus ensinou, não foi esta Sua pregação nem a de um dos homens mais elogiados do Novo Testamento, João Batista, o profeta, que não tinha realmente nenhum toque de sutileza em suas palavras, muitas das quais desagradaram seus ouvintes. Mas eram verdadeiras e precisavam ser ditas. Não recomendo dizê-las e não o faço, mas é preciso ouvi-las desde que seja da boca de um homem de Deus.

Nós estamos esclarecidos a respeito da Palavra de Deus o suficiente para tomar uma decisão acertada: ou olhamos para um alvo ou ficamos vagando entre um erro e outro. A propósito: pecado significa literalmente “errar o alvo”. Não é coincidência.

“Pai, eu prefiro escolher o acerto do que o erro, a vitória do que o fracasso. Ensina-me a agir corretamente e olhar para o alvo da sabedoria.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Coletivo

“Não é assim entre vós; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva;” (Mateus 20:26 ARA)

Jesus falava aos 12 quando esta palavra foi dada e ela está repetida em Marcos 10 e Lucas 22. Neste momento não quero me ater ao gatilho que disparou a palavra mas a um efeito que pouco temos observado em nossos dias.

Os coletivos de coisas comuns são conhecidos: Alcatéia de lobos, Bando de aves, Cacho de bananas e uvas, Cardume de peixes, Colméia de abelhas, Frota de navios, Rebanho de ovelhas e assim por diante. Fiquei a pensar que Igreja deveria ser coletivo de algumas coisas e este versículo me levou a meditar que deveríamos ser conhecidos como grupo de servos, buscando incansavelmente servir uns aos outros. Portanto, poderíamos dizer que num certo sentido igreja é coletivo de servos.

Hoje até a palavra servir está um pouco desgastada, mas não é culpa do evangelho. Jesus sempre falou em servir, o senso de servo era comum no seu tempo e hoje nós vivemos em uma sociedade em que ser servo soa como humilhação, rebaixamento, falta de estima e até mesmo incompetência. Mas o que Jesus ensina é claro, não tem muito para pensar. Podemos decidir “como” servir, mas não temos que perguntar “se” devemos servir. Até mesmo entre o povo de Deus, que deveria compreender isso, o servo, às vezes, é chamado de “puxa-saco” e tantas outras coisas.

No grupo em que convivo e congrego, nós procuramos servir ao máximo e com o melhor que temos, tanto uns aos outros como aos de fora. É um esforço intencional, contínuo, como um exercício físico. Isso inclui trabalho, obviamente, inclui tolerar e incluir, muitas vezes ajudar fazendo coisas que não seriam nossa primeira opção. Toma tempo. Às vezes, custa dinheiro. Mas eu sei, ainda estamos tão longe do que Jesus quer de nós!

Se cada um de nós fizer um pouquinho mais, cada um no seu contexto, o mundo verá e nos conhecerá como coletivo de servos. Quem não quer ser amigo dos grandes? Pois eis aí uma chance.

“Pai, ensina-nos como podemos servir aos nossos irmãos, de forma graciosa e apropriada. Queremos de fato ser grandes no Teu Reino, da forma correta e para Tua Glória.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Disposição

“Ela, contudo, replicou: Sim, Senhor, porém os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus donos.” (Mateus 15:27 ARA)

Quem quer reclamar passa a vida toda reclamando. Até no culto reclama que o som é alto, que está muito quente ali dentro, que nada lhe agrada, nem mesmo a mensagem. Comecei a colocar estas pessoas no lugar desta mulher cananéia e fiquei imaginando…

Jesus chamou a mulher e sua familia de cachorrinhos. Por mais carinhosa que tenha sido a expressão, no sentido de que as pessoas amam seus animaizinhos de estimação, ninguém gosta de ser chamado de cachorro. Pode ser bonitinho, amado, pode ser o que for, ninguém gosta. Meu querido leitor, nossas igrejas estão cheiras de gente que não atura desaforo, nem que venha de Jesus. Essa mulher foi diferente, ela tinha uma situação em casa com sua filha que não lhe dava margem para dengos e melindres.

Se olharmos para Jesus com objetividade e focarmos em solucionar as situações, certamente seremos menos sensíveis ao que nos é falado. Por mais que tenhamos razão, por mais que o interlocutor seja indelicado (o que não foi neste caso com Jesus), por mais que tudo tenha justificativa razoável – nem sempre a Palavra que recebemos será música para nosso ouvido e precisamos, precisamos, aprender a viver focados no alvo. O alvo da mulher cananéia era a cura de sua filha, nada era mais importante do que isso. Perceba que mais pessoas deixaram de seguir Jesus por palavras duras do que por não crer Nele. Foi assim com o jovem rico…

Qual é o seu alvo? O que é mais importante do que tudo em sua vida? É assim importante a ponto de tolerar ofensas, desaforos, palavras duras? Me permita um conselho, e digo eu, não o Senhor: foque nisso e deixe o resto de lado. Não faça conta do que te dizem se não for para te colocar ainda mais no foco. Para o que tirar do foco, ensurdeça. E creio de todo coração que teremos igrejas locais, reuniões, cultos – muito diferentes. Você e eu podemos ser responsáveis por isso.

“Senhor, eu não quer ser um murmurador e sim um adorador. Tem misericórdia de mim e me permita aprender focar unicamente no alvo, desconsiderando tudo que me afasta dele.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Duas Vezes

“Então, novamente lhe pôs as mãos nos olhos, e ele, passando a ver claramente, ficou restabelecido; e tudo distinguia de modo perfeito.” (Marcos 8:25 ARA)

Eu tenho aprendido que a obra de Deus é completa e eficaz, sendo fruto da mão de um Deus Perfeito. O cego curado nessa narrativa ficou perfeitamente curado, vendo claramente. Jesus tocou-lhe os olhos com saliva, o que já é um por si só um método no mínimo polêmico para nossos padrões. Mas Deus me fez atentar a um ponto que nunca me chamara a atenção: na primeira imposição de mãos ele ficou míope, o que já é melhor que cego, mas não ficou curado. O que teria acontecido? Pouca saliva talvez? Falta de unção do “obreiro” é que não foi…

Este detalhe tem me ensinado que mesmo que Jesus esteja pessoalmente agindo, nem tudo precisa acontecer como nós entendemos ser o correto ou o melhor. Jesus de Nazaré teve de impor as mãos duas vezes para que o cego ficasse sarado, certamente não por falta de santidade ou de unção, nem tampouco por ter orado pouco. Eu não tenho uma resposta conclusiva e inquestionável, teologicamente fundamentada e com base adequada nas Escrituras. O que eu sei, meu irmão, é que esse mistério aconteceu por que a Bíblia conta e eu creio.

Será que isso não se passou apenas para nos ensinar sobre persistência? Ou será que de fato existem coisas que não se pode resolver na primeira pegada? Ou o cego precisava primeiro começar a ver para ter fé de que seria completamente curado? Repito, eu não tenho uma resposta muito boa. Tenho a minha versão.

Aprendi com isso que não podemos deixar nada pela metade pois talvez só falte orar e impor as mãos mais uma vez. Aprendi que não sou mais que um instrumento e posso não conseguir na primeira vez. Aprendi, principalmente, que não importa quanta unção eu tenha, pode ser preciso continuar lutando.

Sirvamos nosso Deus insistentemente, mesmo que pareça que tudo está pela metade.

“Pai, obrigado por me ensinar que as coisas não dependem de serem entendidas para acontecer. Quero ser um servo útil para o Teu Reino.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Resgate

“o qual a si mesmo se deu em resgate por todos: testemunho que se deve prestar em tempos oportunos.” (1 Timóteo 2:6 ARA)

Certa vez meu carro estragou na estrada, justamente numa curva, num lugar em que o celular não dava sinal. A muito custo, andando para um lado e outro, consegui mandar uma mensagem para um discípulo que veio me buscar com o carro dele. Quando chegou a frase “seu regate chegou” soou como um doce som.

Hoje, alguns anos depois, encaro o resgate com outro tom, talvez mais amadurecido. Naquela oportunidade eu estava com um pequeno problema, mas vejo que as pessoas em geral estão literalmente perdidas. Ser resgatado tem a ver com o perdido, não com o resgatador. Não se trata, em outras palavras, de alguém querer ser resgatador, mas de alguém precisar ser resgatado. O curioso no Reino de Deus é que raramente alguém procura resgate, pois não se dá conta de sua condição de perdido. Isso tem me incomodado.

As pessoas que vagueiam pelo mundo apenas existindo, sem rumo definido e sem noção de eternidade, não sabem ou não se dão conta que estão perdidas. Pedir socorro para quê? Talvez isso explique a razão pela qual alguns grupos encontram tanta dificuldade em crescer, pois estão tentando resgatar quem não pediu socorro. Se voltarmos às origens do evangelho, veremos que tudo começou com o anúncio do Reino de Deus e do arrependimento, portanto, apontando ao pecador a necessidade mais básica que ele não sabe que tem: conhecer sua condição de perdido.

Uma mensagem contemporânea, amorosa mas firme, interessada no bem-estar mas desfocada do imediatismo, fundamentada na verdade mas sem acusações. Se encontrarmos essa fórmula, as pessoas se entenderão perdidas e aceitarão ajuda, certamente a ajuda do Senhor. Como sempre, trata-se de voltar ao elementar e básico, simples e direto. Descompliquemos e conseguiremos.

Ele já Se deu em resgate, agora basta se apropriar.

“Pai, tem compaixão de nós que pensamos que sabemos de alguma coisa mas não nos importamos com os perdidos. Faz de nós anunciadores eficientes da Tua graça e Resgate.”

Mário Fernandez