Mário Fernandez

Muita Água

“e disse: Enchei de água quatro cântaros e derramai-a sobre o holocausto e sobre a lenha. Disse ainda: Fazei-o segunda vez; e o fizeram. Disse mais: Fazei-o terceira vez; e o fizeram terceira vez.” (1 Reis 18:34 ARA)

Eu já devo ter comentado, mas este é o meu texto favorito no Antigo Testamento. Devo ter pregado acerca dele uma dúzia de vezes. Mas bem recentemente algo me chamou a atenção justamente nele. Se olharmos para o cenário histórico estabelecido era o último dia de uma seca de 42 meses. Nem chuva nem orvalho caíram sobre a terra por 3 anos e meio. Fico imaginando a sequidão.

Meu irmão: de onde este profeta tirou 12 cântaros de água? Segundo algumas referências que pesquisei isso daria pelo menos 150 litros de água. No meio de uma seca dessas. Isso deveria valer uma fortuna. Só vejo uma possibilidade: saiu do estoque real. O rei Acabe compareceu ao evento e com certeza levou água para beber, para se refrescar e para seus animais. Como é que um profeta de Deus num momento totalmente contrário convence um rei impiedoso e iníquo a lhe dar tamanha quantidade de água? E o risco do rei dizer não e mandar matá-lo ali mesmo? É no mínimo intrigante. A água não era necessária, salvo pelo aspecto simbólico, porque o fogo ia consumir o holocausto da mesma forma.

Mas nos serve para várias lições: a intrepidez de alguém que sabe estar fazendo o que Deus deseja que ele faça; o respeito e a credibilidade diante de uma autoridade civil; o capricho em fazer tudo conforme o Senhor mandou; a convicção de que a chuva viria muito em breve e a água não faria falta.

Não sei nem quantos leitores estão assinando atualmente esta devocional, mas não importa. Cada um de nós Deus tem determinadas tarefas, alimenta expectativas a nosso respeito, espera algo de nós sabendo quem somos e o que vivemos. Cabe-nos enfrentar com fé, cumprir nosso papel. Te desafio e encontrar sua oportunidade de ser relevante e fazer sua parte, mesmo que a água necessária pareça que fará falta. Nossa geração precisa de exemplos de confiança e intrepidez no Senhor.

“Pai, eu quero ser o que Tu desejas de mim. Sei que para Elias não foi fácil e para mim também não é. Mas te peço que me fortaleça para ser e fazer a Tua vontade específica para minha vida.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Amar e Apascentar

“Pela terceira vez Jesus lhe perguntou: Simão, filho de João, tu me amas? Pedro entristeceu-se por ele lhe ter dito, pela terceira vez: Tu me amas? E respondeu-lhe: Senhor, tu sabes todas as coisas, tu sabes que eu te amo. Jesus lhe disse: Apascenta as minhas ovelhas.” (João 21:17 ARA)

Este versículo relata a terceira vez que Jesus pergunta a Pedro se ele o ama, e pela terceira vez lhe diz que se ama, apascente suas ovelhas/cordeiros. É bem verdade que nem todo mundo foi chamado por Deus para ser pastor, no sentido de um ofício ministerial. Mas, é difícil de não percebermos uma forte conexão com o fato de que Jesus não perguntou para mais ninguém se o amava. No texto de João 14:21 Jesus disse que aquele que pratica Seus mandamentos é quem o ama, mas não perguntou nada.

Meditei neste versículo sob uma ótica diferente. O que é pastorear? É ser pastor, no sentido eclesiástico do termo, ou é tomar conta das ovelhas? Se trilharmos o caminho de que pastorear é tomar conta das ovelhas, não vejo nenhum problema em relacionar isso com o amar a Deus. Afinal, o primeiro mandamento é amar a Deus e o segundo é amar ao próximo. Amar não é um mero sentimento platônico, mas implica em práticas de pastoreio, como cuidado, aconselhamento, suprimento, cobertura espiritual, intercessão e tantas outras coisas.

Meu irmão, se você ama a Deus deve se preocupar em pastorar Suas ovelhas. Sejam as ovelhas da sua casa (você marido ou chefe de familia), sejam as ovelhas da sua célula, igreja, ministério – ou até mesmo as ovelhas que estão apenas próximas. Não precisa ser necessariamente o pastor delas para pastorear. Apenas ame-as, como quem ama a Deus e quer repartir esse amor. Apenas seja benção na vida delas, para expressar seu amor a Deus.

Estou bem convicto de que este é um fator de mudança importante em nossas igrejas e comunidades. Amo cuidar de pessoas, mas também amo ser abençoado por elas. Isso é viver em igreja: expressar amor a Deus.

“Pai, ajuda-me a entender como devo amar as pessoas ao meu redor para que com isso possa expressar como eu Te amo. Fortalece-me Senhor.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Ou é de Deus ou Sai

“Ele, porém, respondeu: Toda planta que meu Pai celestial não plantou será arrancada.” (Mateus 15:13 ARA)

Nestes tempos em que vivemos, tudo está se tornando cada vez mais confuso. Temos milhares de igrejas. Com nomes diferentes, com ênfases distintas, com estilos variados e o povo, ao meu ver, está ficando sem referências. Isso deveria ser uma benção, afinal de contas a humanidade é diversa então deveria servir para que qualquer um pudesse se enquadrar em algum lugar. Infelizmente está mais difícil.

Eu creio sinceramente que nosso papel como cristãos é claro. Devemos encontrar uma comunidade ou igreja local onde nos identificamos, onde a Bíblia é pregada e a presença de Deus é uma prioridade. No demais, o coração de cada um é que deve arbitrar. Este versículo nos ensina que aquilo que não é do Pai será arrancado, mais cedo ou mais tarde. Tudo bem que tem verdadeiros impérios centenários que ainda estão aí, mas a paciência é uma virtude. Ainda que para nós seja tardio, Deus terá seu tempo próprio para fazer justiça.

Devemos é deixar de lado as críticas e polêmicas, nos concentrando em ser a favor do que somos e não sendo contra os demais. Quem não estiver contente com a igreja onde está, se posicione. Quem está, intensifique. Quem chegou agora, se aprofunde. Todo restante deve ser deixado de lado. Os escândalos e tropeços são problema de quem está envolvido.

Tomamos uma posição em nossa igreja e decidimos não falar mal de ninguém em hipótese alguma. Isso para testemunho ao mundo e para purificação de nossa alma. Em vez de criticar a igreja vizinha, estamos focados em crescer e amadurecer. Em vez de salientar a heresia dos mal intencionados, pregamos a verdade. Em vez de discutir interpretações, ensinamos a Palavra de Deus.

Te convido a refletir se suas atitudes são ditadas pelo que você acha que os vizinhos deveriam fazer ou se é pelo que você tem a convicção de fazer.

“Pai, quero estar focado na Tua vontade específica para minha vida e não pelo que as outras pessoas deveriam fazer.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Ainda Quer Unção?

“Todo o melhor do azeite, do mosto e dos cereais, as suas primícias que derem ao SENHOR, dei-as a ti.” (Números 18:12 ARA)

Sou descendente direto de espanhóis, então o azeite de oliva é parte da dieta, da cultura e da despesa fixa. Usamos azeite para tudo na cozinha. Nada como um extra virgem de primeira prensagem a frio e baixa acidez. É o melhor que há.

Neste versículo o Senhor fala a Arão do que lhe era de direito nas ofertas trazidas e incluía o melhor do azeite. Meu irmão, você sabe o que é curioso sobre azeite de oliva? Já reparou quanto se fala em unção, que representa o Espírito Santo, e se faz com azeite? Sabe como se faz azeite?

Meu querido irmão, somente azeitona madura dá óleo. Azeitona verde dá um suco ácido e em pequena quantidade. As azeitonas são prensadas, o azeite é tirado sob pressão. Aprendamos com esta lição. Se queremos de fato verter unção do óleo do Espírito, precisamos aceitar a pressão do esmagamento que faz o óleo escorrer e precisamos estar maduros.

Pressão sempre lembra tribulação, prova, teste, trato, dificuldade. A mesma pressão que transforma carvão em diamante é a que faz da batata o purê. Reconheça que Deus pode colocar pressão sobre sua vida para que a unção apareça e procure desfrutar disso.

Ser maduro não é ser velho nem ser experiente. Ser maduro é ser transformado. Conheço gente com idade para ser meu pai e que se comporta de modo infantil, tanto na fé como na vida prática. Conheço irmãos que são convertidos, estão na igreja faz mais de 30 anos, mas nunca amadureceram.

A junção de pressão e maturidade produz azeite, mata o ego, ensina a negar-se a si mesmo, aponta para um evangelho de cruz, direciona para um caminho estreito e sinuoso, fala sobre vencer DEPOIS de ter lutado, trata de caminhar cuidando de um dia de cada vez não tendo nada por propriamente seu.

Alguém aí ainda quer ser ungido?

“Pai de misericórdia, nunca me dei conta do quanto o Senhor me ama mesmo quando estou sob pressão. Ensina-me a caminhar segundo Tua Palavra para amadurecer.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Alma Farta

“A alma farta pisa o favo de mel, mas à alma faminta todo amargo é doce.” (Provérbios 27:7 ARA)

Se tem uma coisa que irrita a gente é ingratidão. Às vezes damos uma moeda para um mendigo e ao invés de agradecer ele diz “que miséria”. Me arrebento na cozinha preparando uma refeição e escuto “isso de novo”. Corto a grama porque o jardineiro não vem e ouço “que sujeira na calçada”. Ajudo alguém a arrumar um emprego e ele diz “essa senzala”. Jejuamos pela vida das pessoas e escutamos “que cara feia”. Que coisa!!! Nada serve!!!

Pois é, mas esse sintoma é antigo e conhecido. A alma farta pisa o favo de mel. Somos assim mesmo, como seres humanos. Sempre digo para meus dois filhos que sejam gratos em tudo, por singelo que seja. Nossa casa é pequena, mas é uma casa e não uma tenda. Nossas roupas não são de marca, mas estão sempre limpas e decentes. Temos dois carros debutantes, mas são dois. Gratidão, meu irmão.

Para o faminto tudo é doce. Na época em que a gente andava no carro-tabernáculo (seguido pela nuvem da glória) era melhor que a chuva. Fomos fiéis sobre pouco e Deus nos abençoou com mais. Quando a casa não tinha quarto para todo mundo, compartilhávamos. Carne moída era churrasco. Ovo cozido tinha gosto de picanha. Gratidão, meu irmão, gratidão.

Não sejamos assim com Deus. Antes de reclamar do marido/esposa, agradeça não ter ficado só. Antes de reclamar que está só, agradeça não ter se casado mal. Antes de pedir aumento, agradeça o que já ganha. Antes de pedir um emprego, agradeça ter saúde para trabalhar. Antes de pedir cura, agradeça ter tido saúde antes.

A advertência bíblica aqui é para todos nós, jovens ou velhos, fartos ou famintos, homens ou mulheres: sejamos agradecidos como a alma faminta. Ser faminto nem sempre é um depreciativo e este é um bom exemplo. Ser faminto da presença de Deus é outro exemplo, faminto pela Sua Palavra.

Vivamos com a atitude da alma faminta para fazer juz à fartura.

“Pai, que bom que o Senhor cuida mim e de nada terei falta. Confio em Teu suprimento e Te agradeço por ele.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Terceira Vez

“Então, veio o SENHOR, e ali esteve, e chamou como das outras vezes: Samuel, Samuel! Este respondeu: Fala, porque o teu servo ouve.” (1 Samuel 3:10 ARA)

Os tempos eram outros na época de Samuel. O aprendiz era dedicado ao profeta ou sacerdote para viver com ele, andar com ele, comer com ele, morar com ele. Era um mentoreamento total, imersivo. Eli estava disponível para orientar Samuel diuturnamente no ofício profético.

Ainda assim Samuel precisou ser chamado 3 vezes para que atendesse ao Senhor, e não que ficasse pensando que era seu mestre. Não reconhecera a voz de Deus e a confundiu com a de Eli. O próprio Eli só compreendeu o que lhe dizer na terceira vez e era um sacerdote experiente. Assim andamos nós, as vezes.

Conheço pessoas que dizem ter um chamado pastoral, mas me parece que não. Posso estar enganado. Ou ele. Conheço pessoas que tem chamado missionário mas não o aceitam ou não o reconhecem. Ou eu estou errado. O fato incontestável é que Deus continua chamando por nós pelo nosso nome. Com a graça de Deus tenho aprendido a dizer como Samuel “fala que teu servo ouve” mas isso me custou mais de 20 anos de caminhada com Jesus, regado com muita teimosia e ego inchado. Samuel foi chamado quando Deus o considerou pronto, mas ele era ainda jovem. Eu fui chamado várias vezes e me considerei inapto, inadequado. Pequei, pois me coloquei no lugar do juiz para mim mesmo e fui mais severo que Ele. Custou-me alguns cabelos brancos a mais.

Não seja assim meu irmão. Coloque-se a disposição de Deus e disponha-se a ouvir o chamado Dele para sua vida. Samuel acordou 3 vezes mas só aproveitou a última. Desperdiçou sono e não cumpriu seu papel. Não seja assim meu irmão. Se desconfiar que o chamado é de Deus, busque confirmação, busque conselho, dedique-se a dizer “teu servo ouve” e peça que Deus fale claramente. Não menospreze o chamado.

Sou convicto de que muitos grandes homens e mulheres de Deus ainda dormem, apesar da voz de Deus chamar pelos seus nomes.

“Senhor, eu já errei muito e não sou perfeito. Mas quero estar centrado na Tua vontade e disposto para Te atender.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Entregando as Coroas

“os vinte e quatro anciãos prostrar-se-ão diante daquele que se encontra sentado no trono, adorarão o que vive pelos séculos dos séculos e depositarão as suas coroas diante do trono, proclamando:” (Apocalipse 4:10 ARA)

Chamou minha atenção certo dia, ouvindo um grande homem de Deus ministrando a Palavra, o fato dos anciãos depositarem suas coroas. Havia tantos ali, por que justamente eles? Será que é por que leva uma vida para ser coroado? Não meu querido leitor, estou convencido que não. Leva uma vida para aprender a ter a humildade de entregar a coroa.

Custou-me 42 anos de idade, 23 anos de convertido, para eu entender isso. Minha coroa é tudo aquilo que eu conquistei. Meus bens, talentos, títulos, almas, até mesmo dons que desenvolvi depois de Deus ter me brindado com eles. É preciso ser ancião para ter a maturidade de comparecer diante do Trono e depositar sua coroa. Se eu fosse um jovem ainda cheio de vigor (ainda que para glória do Senhor tenho muito azeite na botija), seria indescritivelmente mais fácil encher o peito e requisitar o que é meu por direito. Não seja assim meu irmão, o que merecemos é a morte, salário pelo nosso pecado. Todo restante, melhor que isso, é presente de Deus por graça e favor de Sua parte.

Se nós aprendermos esta verdade e levarmos tudo que conquistamos diante do Pai, entregarmos a Ele, prostrados diante Dele, estaremos demonstrando maturidade, mesmo para aqueles que gozam de poucos anos cronológicos em suas vidas. Não posso aceitar que ancião seja necessariamente alguém velho, mas sim experiente.

Precisamos aprender que a verdadeira vitória não tem qualquer relação com o que conquistamos, onde chegamos ou o que acumulamos. Tem tudo a ver, na verdade, com o que me tornei depois da batalha. Isso vale para quem teve um câncer ou para quem deixou um vício e até mesmo, para glória de Deus, quem parou de mentir. Não importa, meu irmão. Vença em nome de Jesus e torne-se melhor.

“Senhor, obrigado por me mostrar que tenho muito para te entregar, pois tudo vem de Ti. Ensina-me a verdadeira humildade e a verdadeira vitória.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Unção para … repartir

“afasta de mim a falsidade e a mentira; não me dês nem a pobreza nem a riqueza; dá-me o pão que me for necessário; para não suceder que, estando eu farto, te negue e diga: Quem é o SENHOR? Ou que, empobrecido, venha a furtar e profane o nome de Deus.” (Provérbios 30:8-9 ARA)

Aprendi, confesso que há pouco tempo infelizmente, algo que mudou minha vida no que se refere aos bens materiais. Nunca foi materialista nem ganancioso, mas tenho sim algum apego às coisas materiais.

Não é preciso unção especial de Deus para receber nada. Se alguém quiser me dar dinheiro, posso receber sem problemas. Se quiser me dar um carro, posso aceitar. Se quiser fazer de mim um homem rico, sou bem capaz até de me acostumar com a idéia. Mas isso é importante? É isso que conta? De modo algum.

O que conta é como vou administrar o que receber. Note que o autor aqui não pede muito, embora também não peça pouco. Mas por que não pede muito é a chave. Ele sabia e escreveu que isso seria perigoso pois poderia fazê-lo esquecer do Senhor. Meu querido leitor, é preciso ter muita, mas muita, unção de sabedoria de Deus para gerir os recursos que recebemos Dele.

Agora, se tem uma coisa para qual conheço pouca gente que tem unção é para dar e repartir o que recebeu. A Bíblia tem centenas de textos falando sobre surprir os necessitados, mas parece que isso entrou na lista dos textos banidos das práticas. Ouvi alguém dizendo que para fazer ação social na igreja precisava de chamado ministerial para isso. Uma ova, conversa do capeta! Isso é obrigação de quem foi resgatado do império das trevas e ia parar, literalmente, nos quintos dos infernos. Por que motivo Deus não nos arrebata na conversão? Ou no batismo? É por que precisamos ainda fazer alguma coisa.

Acordemos povo de Deus. Estamos ficando para trás porque a nossa “unção” tem sido para muita coisa menos para usar BEM o que o Senhor nos tem confiado. Ainda é tempo e eu já comecei a mudar meu posicionamento. Junte-se a mim.

“Amado Deus, perdoa-nos por termos sido materialistas e pedido mais e mais daquilo que nem precisamos. O importante é a Tua Presença e se temos isso, queremos ser sábios na administração do restante.”

Mário Fernandez