Mário Fernandez

Carne e Osso

“Pois isto: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não cobiçarás, e, se há qualquer outro mandamento, tudo nesta palavra se resume: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.” (Romanos 13:9 ARA)

A Bíblia é um livro fascinante com ensinos profundos e maravilhosos, sou deslumbrado com a profundidade que aparece quando a lemos dedicadamente. Este verso ensinou algo a mim que peço a Deus que ensine a mais pessoas.

Nosso próximo é alguém de carne e osso, que precisa de coisas que gente humana precisa. Às vezes nos comportamos como se nosso próximo, nosso vizinho, nossos parentes, colegas de trabalho, amigos – fossem todos seres celestiais. Anjos, talvez. Mas não, eles são de carne e osso. Por causa disso, eles precisam ser abençoados e evangelizados como seres humanos. Precisamo ser amados como seres humanos.

Refiro-me igualmente aos irmãos da fé e aos que infelizmente ainda não se renderam a Cristo. O mandamento do amor ao próximo é para seres humanos, dado por Deus a um ser humano que deveria ensinar a seus compatriotas humanos. Não há distinção no que se refere ao amor, ainda que outros textos bíblicos nos ensinem algumas coisas sobre como se relacionar com incrédulos, lobos vestidos de ovelhas, falsos profetas, etc. Muitas pessoas já me perguntaram se Jesus amava Judas Iscariotes mesmo sabendo que ia ser traído por ele. SIM, sem dúvida, mesmo que tudo indique que o rapaz não merecia. Jesus pode não ter desenvolvido uma amizade com ele como foi com João por exemplo, mas inegavelmente o amava. Por que motivo? Porque Judas era humano, não precisa mais motivo que isso.

Muitos querem ser reconhecidos pelos seus dons, seu carisma, sua capacidade de pregar, alguns pela “unção”. Mas Jesus nos disse que deveríamos ser reconhecidos pelo amor que nos une. Sim, isso mesmo. Estou dizendo que todo resto, embora certo e útil, não serve como referencial no lugar do amor.

Vamos aprender a amar estes humanos ao nosso redor?

“Pai querido, o Senhor ama pessoas como eu apenas por serem pessoas de carne e osso. Ensina-me a amar da mesma forma para que eu seja reconhecido como Teu filho.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Generosidade

“Quem é generoso progride na vida; quem ajuda será ajudado.” (Provérbios 11:25 NTLH)

Ouvi há pouco tempo de um dos pastores mais bem-sucedidos deste tempo que o mundo não precisa mais de exemplos de prosperidade, mas ainda carece muito de exemplos generosidade. Concordo totalmente com ele.

Pois no momento em que dar é melhor que receber, não precisamos querer ganhar tanto. Se estamos neste mundo como peregrinos, não precisamos acumular tanto. Se encaramos tudo como perda por causa de Cristo, podemos ter menos e dar mais.

A maioria dos membros de igrejas cristãs, não vou entrar no mérito se convertidos ou não, não entendeu esse recado. E se eu fosse para o meu chefe para pedir aumento dizendo “chefe, meu missionário na África precisa de mais recursos, por favor aumente 15% meu salário”. E se eu, quando tiver lucro nos meus negócios, comemorasse dizendo “aleluia, mais 35 refeições para nossa creche”. E se, em vez de trocar de carro agora, eu esperasse mais um ano e abençoasse alguém?

Não estou pregando voto de pobreza nem espírito de miséria, mas equilíbrio. Generosidade não é passar fome para atender aos demais, mas tem muito a ver com não deixar os outros passando fome se posso atender. O texto diz que o generoso progride, em algumas traduções usa palavras como “prosperará” e em outras “engordará”. O sentido é o de repartir o que tem com quem não tem.

Generosidade deve ser amar mais às outras pessoas do que às coisas que possuo, inclusive dinheiro. Não preciso ter limite para meus ganhos, mas preciso ter limite para quanto preciso para viver – generosidade acima da ganância. Preciso ter limite sobre o preço cobrado para ganhar mais – santidade acima da ganância.

Afinal, se é dando que se recebe, ter bom coração (generoso) quase é algo egoísta. Só não conte com Deus para fazer barganha, Ele não é disso.

“Pai, eu quero ser mais generoso do que sou, suprindo os necessitados com o que puder. Ensina-me a ser como Jesus, que nem duas túnicas tinha.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Petulância

“Vendo isto, os discípulos Tiago e João perguntaram: Senhor, queres que mandemos descer fogo do céu para os consumir? Jesus, porém, voltando-se os repreendeu e disse: Vós não sabeis de que espírito sois.” (Lucas 9:54-55 ARA)

Ouvindo um pregador de rádio num dia destes lembrei-me deste texto. Se fosse para descer fogo do céu e consumir alguém ou alguma coisa, certamente Jesus o faria. Será que os dois discípulos quiseram deixar seu nome na história de uma forma “marcante”? Não sabemos.

O que sabemos e podemos aprender com este texto é que nem sempre as boas intenções do nosso coração enganoso agradam a Deus. Se interpretarmos que Jesus afirmou serem eles do maligno, por não saberem de que espírito eram, a coisa fica ruim. Mas é bem possível, considerando que a atitude não era boa. Se por outro lado interpretarmos que foi ao contrário, no sentido de que por serem de Deus não devem ter esta atitude, continua feio, ainda que menos ruim. Foi uma repreensão por parte de Jesus, sem dúvida.

Mas a intenção era boa. Queriam agradá-lo. Queriam talvez até demonstrar pró-atividade, iniciativa, competência. “Deixa com a gente, mestre”. Mas o tiro saiu pela culatra e não agradou. Seria biblicamente compatível? Claro, lembre de Sodoma. Seria adequado? Sim, lembre de Níneve. Mas não agradou.

Quantas pessoas perecem longe de Cristo, sem agradá-lo, por passarem a vida tentando jogar fogo na cabeça do vizinho? Cheios de boa intenção, mas não perguntam, como fizeram estes queridos aqui, antes de executar? Quanta gente não estará já, neste momento, no inferno perguntando o que deu errado?

O que deu errado e sempre dará errado é querer tomar atitudes e iniciativas sem perguntar para Deus, querendo ser independente. A frase famosa é “independência OU morte” mas no Reino de Deus é “independência É morte”.

“Senhor, às vezes a gente se perde e quando dá por si fez e disse coisas que não precisava. Ensina-nos moderação e santidade.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Saudades

“Lembramo-nos dos peixes que, no Egito, comíamos de graça; dos pepinos, dos melões, dos alhos silvestres, das cebolas e dos alhos.” (Números 11:5 ARA)

Quando alguém tenta andar comigo, especialmente em discipulado, morro de medo de ouvir isso. Não faz muito tempo ouvi isso e fiquei pensando o que será que deixa alguém com saudade do Egito.

Quando paramos para pensar no processo de conversão e nova caminhada com Cristo, não é difícil imaginar o que se passa na cabeça de uma pessoa que tem muito a perder. De fato, andar sem dinheiro não é agradável, mesmo quando Deus não permite que nada nos falte. A saúde viver por um fio, com direito a piripaques eventuais, também não é agradável mesmo sabendo que Deus nos poupa de tanta coisa pior. Sujeitar-se a outro homem, que pensa diferente e agride nosso ego frontalmente sempre que necessário, deixa qualquer um se perguntando se precisa ouvir isso, mesmo que saiba que precisa negar-se a si mesmo.

Infelizmente, nem todo mundo compreende que isso é um mero diagnóstico de religiosidade e superficialidade. Quem de fato se empenha para caminhar em santidade prefere orar do que criticar, prefere pedir ajuda do que sofrer, prefere chorar no ombro do que ficar pecando, e com 100% de certeza será abençoado. Mas para isso o ego tem de ser assassinado de forma cruel, tão rápida quanto possível e de preferência de modo mortal. Tem gente que mata o ego mas ele ressuscita, fica moribundo, aparece de tudo. Eu chamo isso de “matar o cara”. Quem não “mata o cara” fica escravo dele e nunca se santifica quanto poderia. Somos tão íntimos de Deus quanto quisermos ser, porque Ele jamais rejeita um coração sincero querendo se aproximar.

O Egito é consensualmente associado ao mundo e Canaã com a vida com Deus. Eu concordo e ainda acrescento: o Egito é seu ego e Canaã é o Espírito Santo de Deus. Saudades do Egito e de suas cebolas é morte certa.

“Pai, tem misericórdia de mim porque eu já não deveria ser fraco na luta contra meu ego. Ensina-me a negar-me a mim mesmo de forma firme e crescente, pois eu quero andar em santidade. Quero ser melhor a cada dia.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Só na Mente

“Crês, tu, que Deus é um só? Fazes bem. Até os demônios creem e tremem.” (Tiago 2:19 ARA)

Tenho andado incomodado com o tema do conhecimento de um Deus meramente intelectual. Tenho pessoas na família, no trabalho e na vizinhança, que vivem numa condição de perdidos (por não terem se entregue a Cristo) mas que dizem conhecê-lo, temê-lo e até mesmo servi-lo. Há pessoas assim até mesmo dentro da igreja, dentro da célula, dentro de ministérios. Misericórdia.

Qual é a diferença afinal de contas?

Crer que há um Deus único é pouco, não basta. Com o misticismo que cerca algumas igrejas, precisamos resgatar novamente a simplicidade do evangelho, de uma vida simples com Deus, talvez com dons menos “populares”. Nada contra profetizar, ter visões, buscar curas – sou a favor até dos dons que eu não tenho desde que sejam bíblicos e apontem para glória de Deus. Mas devemos lembrar da paciência, da bondade, da fidelidade – todos frutos do Espírito. Escuto, às vezes, “o irmão fulano é uma bênção, ele profetiza” mas nunca ouvi “o irmão fulano é uma bênção, é tão fiel”, ou ainda, “ele não é guloso”.

Entregar o coração a Cristo é muito mais do que tudo isso. É ter certeza da salvação, é viver para Deus sem dar valor a este mundo, não ser materialista nem ganancioso, ter vida de oração, evangelizar, meditar na Bíblia diariamente, confiar em Deus quando é tão simples como beber um pouco d’água tanto quanto se for um ato impossível. É viver uma vida de servir aos outros, sejam irmãos ou não. É não ter-se em conceito acima do que convém. É não ser egoísta ou arrogante – mas fazer tudo por amor. É não viver para si mesmo.

Crer em um Deus único é pouco. Tenho um amigo que diz “tudo que falar de Deus eu gosto, seja o que for”. O coitado vai pro inferno dizendo isso, apesar de me ter ao seu redor repetindo a ele que isso não basta, que ele precisa é de um encontro pessoal com Jesus.

Vida transformada e novo nascimento saíram de moda em alguns lugares, mas não no coração de Deus.

“Deus querido, eu quero fazer diferença na vida das pessoas de um modo tal que o Senhor seja conhecido e glorificado da forma correta. Ensina-me e fortalece-me para que eu leve pessoas a Te conhecer.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Da Boca Para Fora

“O Senhor disse: Visto que este povo se aproxima de mim e com a sua boca e com os seus lábios me honra, mas o seu coração está longe de mim, e o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens, que maquinalmente aprendeu,” (Isaías 29:13 ARA)

Vejo muita semelhança do texto com os dias atuais. Nunca se falou tanto de Deus, nunca houve tanta pregação em público – TV, rádio, internet, CD, DVD, show, cultos públicos, diferentes igrejas com tudo quanto é estilo. Nunca na história nações como o Brasil e tantas outras foram tão abertas ao evangelho, presidentes mandando chamar pastores para atos de posse, reuniões importantes – e não me refiro aos pastores que são políticos.

Contudo, isso nem de perto é sinônimo de espiritualidade, ainda que devamos reconhecer o crescente número de pessoas que tem manifestado uma decisão no sentido de entregar seus corações a Cristo. Como distinguir uma pessoa realmente convertida de uma “da boca pra fora” é o nosso desafio. Não para que julguemos ou façamos discriminação, antes pelo contrário, para que encontremos uma forma eficiente de confrontar aqueles que falam mas não vivem, a levarem a sério o Deus que sua boca já conhece, mas não reina em seus corações.

Ouve-se tanto “Deus abençoe”, “Amém”, “Aleluia” e por aí adiante. Mas de pessoas que dizem isso entre uma mentira e outra, entre uma tragada e outra de um cigarro, entre um gole e outro de uma bebida. Todos concordam que Deus é bom, que Deus existe, que Deus abençoa. Mas não concordam em entregar seus corações verdadeiramente a Ele. O que fazer?

Temos de reaprender nosso evangelismo, pois a ignorância total da existência de um Deus passou, pelo menos no Brasil. Precisamos partir para a confrontação saudável de apresentar um Jesus que só faz diferença por dentro, assim como um medicamento que precisa ser engolido. Na prateleira da farmácia não há cura, apenas o potencial da cura. Precisamos levar pessoas a conhecerem este Deus de quem falam. Talvez cada um de nós ao seu modo, ou em grupo, ou pelos meios que Deus nos apresentar. Mas é indispensável reconhecermos que há uma geração se perdendo ao nosso redor com Deus nos lábios, mas apenas isso, da boca pra fora.

“Pai, tem misericórdia de mim pois não sei direito como agir e preciso do teu ensino. Quero ser eficiente ao te apresentar para pessoas, que talvez até digam te conhecer, mas não se entregaram a Ti. Ajuda-me.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Grandes Trevas

“São os olhos a lâmpada do corpo. Se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso; se, porém, os teus olhos forem maus, todo o teu corpo estará em trevas. Portanto, caso a luz que em ti há sejam trevas, que grandes trevas serão!” (Mateus 6:22-23 ARA)

Às vezes parece que a gente só perde tempo evangelizando as pessoas, porque um não crê, outro não entende, outro não aceita, outro nem ouve… A despeito do nosso amor pelos perdidos e nosso senso de missão evangelística, nós precisamos sempre manter em mente que palavras não salvam ninguém, pois quem salva é o Senhor, e isso acontece por revelação sobrenatural e não por conhecimento intelectual.

Como alguém pode receber revelação de algo que não entende? Não dá. Por isso mesmo que é sobrenatural. Mas vamos nos manter atentos ao fato de que os olhos estão ruins, portanto há trevas predominantes. Grandes trevas, aliás.

Meus irmãos, vamos olhar para os perdidos de outro ponto de vista. Vamos deixar de olhar com olhos de condenação e olhar como quem vê pessoas em trevas, certamente porque os olhos são ruins. Isso vai produzir em nós uma percepção diferente, porque temos de aumentar o brilho do que estamos mostrando. Se há trevas, que haja mais luz em nós para compensar. Que a mensagem que temos para passar aos que se perdem seja mais iluminada. Que os nossos olhos brilhem para que, pelo menos em nós, haja luz e esta luz seja visível aos que andam no escuro.

Como fazer isso? Refletindo o brilho da luz de Cristo, que é a Luz do Mundo. Sendo farol na noite com uma luz que não é nossa. Tirando o brilho tosco do nosso ego da frente. Como se faz isso? Sendo mais humilde, orando mais, buscando mais a presença de Deus, adorando mais, se santificando mais. Todas as demais coisas Deus é quem faz.

“Deus amado, dá-me um olhar luminoso do Teu brilho para que as pessoas possam te conhecer e com isso ter uma vida melhor.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Luminoso

“São os olhos a lâmpada do corpo. Se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso; se, porém, os teus olhos forem maus, todo o teu corpo estará em trevas. Portanto, caso a luz que em ti há sejam trevas, que grandes trevas serão!” (Mateus 6:22-23 ARA)

Curioso notar como cada pessoa reage diante de seus irmãos de fé quando os defeitos pessoais começam a aparecer e complicam o relacionamento de alguma forma. Isso sempre acontece, é apenas uma questão de tempo.

Entre aqueles que aprendem a amar como Jesus, os defeitos são encarados com naturalidade e produzem oração, clamor, intercessão, conversas desprovidas de acusação – e o amor de Cristo constrange a mudar. Bons olhos, boas luzes. Resultado luminoso para todos os envolvidos, Jesus glorificado.

Já para os que apenas tiveram um “upgrade” na sua religiosidade, ao invés de desenvolverem uma vida espiritual de fato, os defeitos se tornam tudo que resta na vida. A lista de “picuinhas” impede até mesmo que Deus seja louvado ou glorificado por coisas que realmente não são nem importantes nem espirituais. Maus olhos, luz ruim, trevas. Os relacionamentos se degradam e invariavelmente aqueles que tendem a só ver os defeitos das pessoas se esfriam e afastam. Ninguém sai edificado, Cristo não é glorificado.

Nossos olhos devem ser bons, trazendo boa luz. Não para que sejamos idiotas quando abusados ou para perdermos o discernimento, mas para que foquemos nosso olhar no que de fato importa que é o amor de Cristo, a santidade e a espiritualidade. O restante é apenas para tomar espaço e tirar o foco.

Posso testificar que amo tanto meu pastor que os defeitos dele me parecem naturais, fatores de convivência e alvo das minhas orações. Ponto. Não há o que me impeça de adorar, não há má intenção.

Será que estou só? Não creio. Há mais homens de Deus que amam seus irmãos com olhos de boas luzes. Como fui ser assim? Porque me amaram assim. Vamos encarar este desafio?

“Pai amado, ensina-me a ter olhos que produzem luz de boa qualidade, porque as trevas são desagradáveis e me afastam de Ti.”

Mário Fernandez