Mário Fernandez

Finalidade Clara

“assim como nos escolheu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor” (Efésios 1:4 ARA)

Eu tenho ouvido muita gente pregando muita coisa sobre prosperidade, liberdade, atitude positiva na vida e coisas nesta linha. Isso é legal, mas o que Deus deseja de nós tem a ver com o motivo para ele ter nos criado, o que segundo este texto, é para que sejamos santos (semelhantes a Ele) e irrepreensíveis.

O retrato da santidade é evidentemente a vida de Jesus, o que é corroborado pelo fato de sermos colocados na posição de co-herdeiros com Ele, chamado em João 3:16 como primogênito de Deus – o primeiro de uma geração. Ele é como o irmão mais velho de uma geração que vem em seguida, portanto nada pode ser mais específico em termos de exemplo. O que não é nada simples, sendo nós humanos como somos, é conseguir seguir o exemplo.

A questão toda é que devemos nos lembrar continuamente que Deus nos criou para sermos santos, e isso não é uma coisa pequena. Nos tornamos gradualmente semelhantes a Jesus em caráter e posicionamento exige muito esforço, dedicação e um toque de amor pelas coisas de Deus. O Espírito Santo fará a parte Dele como parte interessada, mas nós devemos assumir a nossa. Não é necessário lembrar que se isso foi uma escolha que aconteceu antes da fundação do mundo, querer nadar contra uma correnteza destas é perda de tempo. Deus tem um propósito e seremos inclusive mais felizes ao perseguí-lo para nossa edificação.

Me perguntaram há alguns dias como eu definiria santidade. Foi duro de encontrar uma formulação mais firme, mas me veio algo como “fazer o que Jesus faria no seu lugar e não deixar de fazer o que Ele espera que você faça, sendo você mesmo”. Se é isso que Deus espera de nós, vamos correr atrás pois ninguém é mais beneficiado que nós mesmos.

“Deus querido, quero ser ensinado por Ti a ter como objetivo de vida o meu crescimento em santidade. Obrigado por me escolher.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Participantes

“Os nossos pais humanos nos corrigiam durante pouco tempo, pois achavam que isso era certo; mas Deus nos corrige para o nosso próprio bem, para que participemos da sua santidade.” (Hebreus 12:10 NTLH)

Só depois que nós temos nossos próprios filhos é que versículos como este começam a fazer sentido, com ênfase no ‘começam‘. Ao longo dos últimos nove anos e meio tenho me dedicado a colocar nos eixos uma meniniha magrinha de olhos azuis que Deus me deu, e há quase sete um rapazinho obstinado que mora comigo. E por incrível (ou não) que seja, eles ainda precisam aprender muita coisa. Quanto mais, imagino eu na minha fraca capacidade de imaginar, o quanto Deus tenha este tipo de conceito ao meu respeito depois de meros quase 40 anos sendo por Ele educado e corrigido.

Independentemente de entendermos as formas como Deus nos trata, Ele o faz por amor e com amor. Independentemente de gostarmos ou não daquilo pelo que estamos passando, Deus tem para nós uma vontade boa, agradável e perfeita. Quer nós consigamos aceitar isso ou não, nada foge ao controle Dele pois cada fio de cabelo da nossa cabeça está contado. Eu pretendo corrigir e educar meus filhos até o dia em que me pareçam maduros o suficiente para arcarem com os ônus e os bônus de suas decisões, acertadas ou equivocadas. Deus fará o mesmo comigo, com a sutil diferença de que eu jamais serei exatamente ‘maduro’ e Ele sabe disso muito bem – e ainda assim não desistirá de mim.

Sem isso, jamais seremos participantes de Sua santidade, com diz o texto. Isso não significa que seremos deuses, mas que teremos a parte que nos cabe da santidade dada pelo Senhor aos que se chamam pelo Seu nome. Para sermos de fato filhos amados, invariavelmente temos de ter a mesma natureza do Pai. Afinal, se filho de peixe tem de ser peixinho, filho de um Deus santo tem de ter santidade.

“Senhor, obrigado por não desistir de mim na tentativa de me fazer mais parecido contigo, pois este é um projeto grandioso. Ensina-me a honrar este Teu esforço de maneira apropriada.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

REALIDADE

“Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem.” (Hebreus 11:1 RA)

Há bem poucos dias eu me dei conta do grande ‘problema’ que a fé apresenta, sendo ministrado num culto de domingo. Mesmo que seja argumento retórico, o ‘problema’ da fé está inerente ao aspecto invisível da promessa esperada.

O que eu deduzo é que a maioria das pessoas não se apercebe é que as coisas da fé são REAIS. É o firme fundamento do que se espera – mas virá. É a convicção de fatos não vistos – mas que existem. Não é uma questão de prazo ou de visibilidade, mas de realidade. É real, é verdadeiro, é autêntico. Estou convencido que a maioria das pessoas está atrelada a uma religiosidade que aprisiona e faz parecer que a fé está assentada sobre algo que pode não existir.

Ter fé significa ver o invisível, não realizar o irrealizável. Operar milagres e tornar o tornar possível o que é impossível, tem outro nome, não é fé. Evidentemente a fé torna real algo inalcansável a quem não tem fé, mas a fé não materializa, não cria, não transforma – é VISÃO. Não ter fé significa não ver algo que existe, mas não o torna irreal. A fé é o agente que desencadeia o milagre – mas não é o milagre.

Se eu conseguir fazer com que 10% das pessoas que eu influencio se dêem conta de que a fé se trata apenas de visão e não de realidade, tenho absoluta certeza de que seremos uma igreja e uma sociedade diferente. Ter fé só leva as pessoas a mudarem de vida e de atitude se elas crerem na realidade do invisível. Diferente disso, teremos religiosidade, procedimento, liturgia, ou seja lá qual for o nome que queiramos dar.

Cabe a nós encarar de frente a realidade invisível com a mesma desenvoltura e coragem das realidades visíveis. Ou isso, ou largar de uma vez por todas e viver a vidinha do dia-a-dia.

“Pai, não me permita ser engolido pela correria a ponto de só crer no que posso ver. Ensina-me a ver CRENDO no invisível. “

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Incomum

“Porém, quando o Espírito Santo descer sobre vocês, vocês receberão poder e serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria e até nos lugares mais distantes da terra.” (Atos 1:8 NTLH)

Provavelmente lemos ou citamos este versículo centenas de vezes todos os anos. Ao longo de 20 anos de caminhada com Cristo, posso afirmar tê-lo citado ou lido mais de 1.000 vezes, com certeza. Mas Deus tem uma infinita capacidade de nos dar entendimento além da nossa capacidade natural. Este versículo sempre é usado no sentido de missão, chamado ou evangelismo, salvo raras exceções.

Ao ler novamente este verso nesta semana, me dei conta que somos pessoas comuns. Não temos poder, não temos virtude, não temos nada senão uma oportunidade. Oportunidade de receber algo que não é nosso, algo que não poderíamos ter, algo que nem sabemos usar. Oportunidade de receber o poder de Deus através do Seu Espírito.

Isso não nos permite dizer que não somos mais pessoas comuns, pois ainda somos completamente comuns. Somos carne e osso, sangue e água (muita água). Continuamos tendo sentimentos humanos de dor, prazer, medo, paz, frio, calor, amor, ódio – e pecado. Continuamos pecando, muitas vezes ainda por muito tempo em grande quantidade.

Mas passamos a ser pessoas comuns com um objetivo, com uma missão e uma capacitação incomum. Passamos a ser pessoas como Deus, não no sentido de Sua divindade ou perfeição, mas juntos com Ele assumimos o propósito de levar o nome de Jesus a toda criatura ao redor deste enorme mundo. Passamos a compartilhar do Seu Espírito e de Seu poder, ainda que não 100% como foi com Jesus – mas certamente isso é incomum.

Pessoas comuns com uma meta incomum, capacitados de forma incomum. Esta seria uma bela forma de definir a igreja e os cristãos. Pena que ao olharmos para estes grupos, só vemos pessoas comuns. Onde foram parar as partes incomuns desta cena? Vale nossa reflexão.

“Pai, ensina-me a ser comum sem ser mundano, e a ter o Teu senso de propósito para que eu desempenhe Teu chamado em minha vida.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Autoridade IV

“Contra Deus não blasfemarás, nem amaldiçoarás o príncipe do teu povo.” (Êxodo 22:28 ARA)

Interessante voltar a este assunto no Antigo Testamento. Somos tão rápidos e assertivos ao lembrar do primeiro e maior de todos os mandamentos (amarás o Senhor Teu Deus) mas nem sempre sabemos que neste versículo temos algo mais. Não blasfemar contra Deus nem merece explicações, é um assunto bastante pacífico.

Quanto a não amaldiçoar aqueles dentre o povo que se acham investidos de poder e autoridade, aqui chamados simplesmente de príncipes, podemos entender de duas formas distintas. A primeira é no sentido de não levantar a voz contra seus líderes, no sentido de amaldiçoar “ativamente” por assim dizer. Desejar sua ruína, falar mal de sua pessoa, apregoar maldições. O povo evangélico deste tempo é pouco dado a isso, mas convém citar.

Numa segunda ótica, provavelmente mais profunda, devemos nos lembrar que o único nome que podemos dar para falta de bênção é maldição. Então, ao não abençoarmos nossos líderes, estamos automaticamente deixando-os à mercê de serem suas próprias fontes de maldição. Se forem líderes cristãos, menos mal, porque alguém em algum lugar deve estar orando em seu favor (ao menos é o que esperamos). Mas, e aqueles que jamais entenderam a graça salvadora do Senhor? Vamos deixá-los perambulando sem vida? Ou vamos pensar que isso só se aplicava a Israel?

Para não haver dúvida, Paulo cita este texto em Atos 23:5 num contexto 100% neo-testamentário. Há uma regra bem simples e bem básica da interpretação bíblica que nos ensina que quando um ensino ou mandamento do Antigo Testamento é reiterado ou confirmado no Novo, aplica-se a nós.

Diante disso, temos de decidir obedecer ou nos rebelar, pois agora não somos mais desinformados. Cabe a nós agora agir (orar).

“Senhor, eu sinto dificuldade em abençoar pessoas que não julgo merecedoras de crédito. Mas o Senhor me amou enquanto eu ainda estava condenado e quero aprender a agir desta forma.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Acerca dos Comentários do Post “Desordem II”

Dado alguns comentários mais afoitos com relação ao post anterior, nos parece apropriada uma resposta pública. Primeiramente, porque ICHTUS é um ministério que não visa polemizar nada nem criar tumulto, mas tão somente edificar e levantar questionamentos saudáveis com base na Palavra de Deus.

A tônica do comentário é que nenhum ser humano vá exercer um governo perfeito. O contraponto entre anarquia (governo algum), capitalismo (ter vale mais do que ser) e comunismo (onde supostamente todos são iguais, exceto os governantes) é meramente retórica para apontar que a falibilidade do ser humano aparecerá em todos os seus projetos. Deus é o único no qual se encontra perfeição e plena santidade.

Em momento alguma a idéia do autor for dizer que o regime A seja melhor que B, mas que todos carecem da presença de Deus para ser bem sucedido. Mesmo nos casos em que o governo era uma monarquia dirigia por Deus, como na história bíblica do povo de Israel, falhas ocorreram – e sempre ocorreram do lado das pessoas e nunca do lado de Deus. Há portanto, tão somente, um senso de que devemos depender do Pai em tudo e para tudo.

A afirmação de que o evangelho esteja sendo alienado com isso, parece antagônica ao que a devocional afirma, pois o ideal “seria” um governo sem pessoas e somente com Deus. Ou seja, devemos nos colocar no papel de imitadores de Cristo e impactar positivamente, mas não nos nossos padrões e opiniões mas sim nos Dele. Alienado seria achar que tudo está bem e cruzar os braços na espera de que Deus resolva tudo sobrenaturalmente, negligenciando nossas práticas cristãs neste interim.

Devemos lembrar que ainda existem regimes e países onde as pessoas não podem sequer mudar de profissão pois sua casta não pode ser mudada. Há países onde não se pode escolher seguir o cristianismo pois o estado determina a fé de todos, com punições. Há lugares neste nosso Brasil onde as pessoas não tem acesso a internet, não tem esgoto e nem água encanada. Nem que tudo que vemos ou percebemos define a totalidade dos fatos.

O que se pretende com uma devocional como esta, está resumido no último parágrafo. Experimente comparar qualquer regime de governo, local ou nacional, com os milagres que Deus faz nas nossas vidas. Facilmente se perceberá o quanto somos falhos e Ele é bom. Ainda que nem tudo corra como nós desejamos, todas as coisas cooperam para o bem daqueles que o amam.

Ademais, só teremos esquemas, estratégias, métodos, formas, meios, técnicas, e coisas semelhantes. Deus vai além disso – Deus tem caráter.

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Desordem II

“Naquele tempo não havia rei em Israel, e cada um fazia o que bem queria.” (Juízes 21:25 NTLH)

A Bíblia não tem um nome específico para isso, mas na língua portuguesa isso se chama anarquia. Governo de ninguém, ou ainda ausência de governo. Na nossa cultura brasileira, é sinônimo de bagunça, desordem, caos. É quando cada um faz o que bem entende. Se assim foi com o povo de Israel, não é muito diferente de nós; a Bíblia não comenta isso como um bom exemplo.

A democracia é muitas vezes um regime tão podre quanto qualquer comunismo, que tanto condenamos. Se elegermos representantes que não representam nossa vontade, se as autoridades estabelecidas não prevalecem sobre a desordem e o crime, se as pessoas de bem não são privilegiadas – o que temos é um sufoco. Pelo menos, se fosse um comunismo, seria previsível. Mas o comunismo é ruim, é previsivelmente ruim. O capitalismo pelo menos nos abre possibilidade de crescimento, de acertar na vida. Mas é cruel e os poderosos cada dia tem mais poder. Nada é bom?

Na verdade, o único governo que pode funcionar direito é sem pessoas, com alguém governando que seja super-humano, isento de erros de julgamento, com percepções elevadas e que tenha uma escala de valores que transcenda a capacidade de entendimento dos julgados. Que distribua riquezas conforme entender melhor e nem isso crie tumulto. Que seja respeitado pelo que é e pelo que faz, inquestionavelmente. Daí não há sufoco, não há desprezo, não há escasses para ninguém. Impossível?

Esta é a teocracia, ou governo de Deus. Ele mesmo escolhe quem serve em que função, Ele mesmo determina os rumos, Ele mesmo faz a partilha das riquezas. Este governo deveria ser visto na igreja local, mas infelizmente estamos cada dia mais longe. Mas, se você assim decidir, este governo poderá ser visto na sua casa, na sua vida pessoal, nas suas atividades. Experimente. É melhor que ficar rico, pode acreditar.

“Senhor, tira de mim a ignorância de achar que o problema está no governo sendo que todos somos falhos. Ensina-me a confiar em Ti a ponto de ser por Ti governado.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Desordem

“Não havendo profecia, o povo se corrompe; mas o que guarda a lei, esse é feliz.” (Provérbios 29:18 ARA)

Há mais ou menos 8 anos, um irmão muito querido me procurou para resolver uma situação. Precisava de algumas devocionais para colocar no site. Todo este tempo depois, 3 ou 4 fisionomias diferentes no site, muita experiência com Deus, e ainda estamos aqui, escrevendo uma “meia-dúzia” interminável.

Esta é a devocional de minha autoria que leva o número 700 e eu jamais imaginei que passaria de 100. O segredo? O de sempre – buscar na presença de Deus a força, a inspiração, a confirmação, a orientação e principalmente a direção. Sem farol o navio se perde e assim nós somos como seres humanos, pastores ou não, sejamos missionários de muitos anos ou recém convertidos. No dia em que acharmos que a direção de Deus não se faz mais necessária, nos tornamos qualquer outra coisa menos cristãos.

Vale para todas as nações, povos, culturas, tribos, línguas,  raças, idades, faixas sociais e estaturas. Sem a revelação, sem o toque, sem a manifestação do Deus presente, o ser humano se corrompe. Tanta coisa começou bonita em nome de Deus e tornou-se em corrupção. Tanta gente já foi igreja e hoje é difícil até de dar nome. É hora de se rebelar contra a rebeldia, contra o caos, contra as “novidades” e voltar-se ao Deus da Palavra, no qual não há sombra de variação. É hora de voltar às primeiras práticas, ao primeiro aroma, ao primeiro amor.

É hora de deixar de lado modismos, tradições, estatutos, apostilas, costumes, teologias ensinadas em CD e voltar para a Palavra de Deus, onde está a profecia transcultural e atemporal. A voz dos profetas pode ter se calado nas ruas, nas casas e em muitas igrejas. Mas não se calou na Bíblia e dali não perderá. É hora de decidir ser joio ou trigo. É hora de ser, nas palavras deste versículo, FELIZ.

“Pai, Tua Palavra deve me bastar e por ela devo me guiar. Tira de mim o sentimento de rebeldia e corrupção. Ensina-me a ser como Tu és.”

Mário Fernandez