Vinicios Torres

Bom Perfume

“Porque nós somos para com Deus o bom perfume de Cristo, tanto nos que são salvos como nos que se perdem.” (2 Coríntios 2:15)

Gosto de perfumes. Acho que todos gostam de perfumes. Na verdade, conheço pouquíssimas pessoas que não gostam de perfumes.

Usamos perfume para que as outras pessoas se sintam bem quando estiverem perto de nós. Queremos que elas tenham uma experiência agradável por terem tido contato conosco. Sim, o perfume também tem a função de esconder algum odor que possa desagradar, mas a função primária é a de impressionar e fazer os outros se sentirem bem conosco.

No entanto, não é de todo perfume que eu gosto. Existem alguns cujos aromas não são compatíveis com o meu olfato. Estes, apesar de perfumes, para mim cheiram mal.

Paulo afirma que Deus também usa perfume. E este perfume somos nós mesmos. Assim como um perfume agradável faz com que alguém faça questão de ficar perto de nós, Deus nos usa para atrair as pessoas para Ele. As nossas vidas, nossas atitudes e nossos atos funcionam como perfumes que fazem as pessoas terem vontade e prazer em estarem na presença de Deus. Até o dia em que reconheçam a necessidade que tem do perdão de Deus e desejem, elas mesmas, se tornarem perfume de Cristo.

Para algumas pessoas, seremos bons perfumes, agradáveis e interessantes. Mas para outras, a presença de Deus e o Seu amor serão incômodos. Perfumes que não lhes agradarão.

“Querido Espírito Santo, ajuda-me a viver uma vida que seja um bom perfume de Cristo na vida de todas as pessoas ao meu redor.”

Vinicios Torres

Mário Fernandez

Certeza Furada

“Sucedeu que, entrando eles, viu a Eliabe e disse consigo: Certamente, está perante o SENHOR o seu ungido.” (1 Samuel 16:6 ARA)

Samuel se enganou. Bem no meio de uma missão dada por Deus, um homem de Deus sério, num momento sério, havia orado, estava consagrado, cercado de gente de Deus – e ainda assim errou feio. Notemos que a palavra chave ali é CERTAMENTE, porque ter dúvida não seria problema.

Eu e você certamente já devemos ter passado por isso algumas (muitas) vezes. Repletos de convicção, cheios de razão e na maior onda do “foi Deus que mandou” nos tornamos incapazes de ver o erro que estamos cometendo. Como é enganoso o coração do homem. Como a gente embarca em situações muito sérias somente por termos convicção. Para Glória de Deus, Samuel não se precipitou e acabou por ouvir a voz de Deus a ponto de pode agir corretamente, mas comigo pelo menos nem sempre foi assim.

Evidentemente precisamos de convicção para o que estamos fazendo. Não podemos ser contra a convicção, afinal é a paz de Cristo que deve ser o árbitro do nosso coração. Mas isso não significa que, se temos convicção, tudo está certo e vai acabar bem, pois o coração do homem engana. Como devemos agir então? Como evitar de cometer um erro que poderá impactar todo um reino, como no caso do profeta Samuel?

Primeiro, devemos controlar nossa ansiedade e esperar Deus se manifestar, como Samuel fez. Enquanto Deus não falou ele não ungiu ninguém, apenas ficou com sua certeza interior ali, latente. Segundo, precisamos olhar as circunstâncias ao nosso redor. Samuel gostou de Eliabe apenas porque era o primogênito e era um rapaz forte e valente, um guerreiro. Ou seja, o retrato de Saul, a quem Deus rejeitara. Terceiro, não custa lembrar que, mesmo convicto da decisão errada, Samuel seguiu todo procedimento para chegar até ali.

Em suma, podemos e devemos ter convicção sim, mas nunca confiar nela como único critério para discernir o que Deus quer de nós.

“Pai, eu quero ter total convicção de tudo que faço pra Ti, mas nem por isso quero ter razão se o Senhor tiver outros planos. Ensina-me a ser humilde e te ouvir.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Visão Clara

“Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, quando tens a trave no teu?” (Mateus 7:4 ARA)

Vou tomar este texto por base, ainda que o assunto seja ligeiramente fora do eixo. Tenho sido procurado ultimamente pelos inquietos membros de igrejas locais que gostam de polemizar, com o velho assunto do que pode e o que não pode no culto, o que é mundano e o que não é. Aparentemente tudo começou por conta de um grupo de coreografia.

Antes de sair tomando partido, permitam-me dizer que não tenho lado nesta questão. Não sou a favor da coreografia, na mesma intensidade que não sou contra ela. Isso vale para ritmos musicais, teatro, instrumentos musicais e etc. A questão central a mim parece ser muito mais o que nos impede de ver claramente o cisco do que o olho em si.

Se a expressão de adoração do meu irmão é de uma forma que se pode compreender e não desabona o evangelho, que lhe seja permitido, mesmo que eu não goste ou não concorde. A questão é discutir o que é moralmente correto e edificante e o que não é, não discutir se o costume A ou B é mundano ou não é. Falar ao celular e dirigir automóvel não são costumes mundanos? Quem inventou o celular ou o automóvel o fez para glória de Deus? E a internet? E as roupas de marca?

Nossa adoração deve ter expressão clara como um recado que precisa ser dado, mas a Deus. Se os demais ao nosso redor não podem dizer amém, convém fazê-lo sozinho ou não esperar apoio e participação. Se não temos o que oferecer como elemento de adoração, de nada vale discutir se é costume mundano ou não. Já vi pessoas envergonhando a Cristo enquanto oravam publicamente assim com já vi silêncios extremamente irreverentes.

A hora é de questionar a essência das coisas e não mais suas formas. O tempo é pouco e tem gente demais indo para o inferno enquanto discutimos coisas que não mudam a vida de ninguém.

“Senhor, tem misericórdia de nós, tão críticos que somos. Ensina-nos Deus a te adorar como Tu mereces sem criticar a adoração de nossos irmãos.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Sobrenome

“Paulo, servo de Jesus Cristo, chamado para ser apóstolo, separado para o evangelho de Deus,” (Romanos 1:1 ARA)

Quando se é líder de uma igreja grande ou empresário/executivo de alguma empresa conhecida, é fácil dizer “quem fala é o Pr Mário da igreja tal” ou ainda “sou o engenheiro Mário da empresa X”. Ao perder este status, a alma trinca de cima embaixo como um vidro fraco, e suportar com paciência passa de desafio a desaforo. Isso é o que chamamos de “perder o sobrenome”.

Paulo adotou uma abordagem de grande mérito e totalmente acertada quando escreveu aos Romanos, não adotando o sobrenome que fosse mesmo que tendo direito. Ele poderia ter se nomeado doutor da lei, cidadão romano, pregador de multidões, missionário para todos os povos e por aí adiante. Mas não o fez, preferindo antes ser simplesmente servo de Jesus Cristo, por mais que os outros títulos seria seus por direito. O verdadeiro servo de Cristo sabe e pratica que antes dele vem o seu Senhor.

Se nós em pleno século XXI fizéssemos assim, certamente alguns estranhariam mas com toda certeza não ficaríamos mais expostos a perder o sobrenome. Imagine seu celular tocando, você atende um 0800 qualquer, ligando para oferecer alguma coisa, e você responde “aqui é Mário, servo de Cristo”. Ou então procurar um cliente em seu escritório e apresentar-se à secretária dele dizendo “diga que aqui está o engenheiro Mário, servo do Deus Altíssimo”. O mais importante de tudo certamente é agradar àquele que nos chamou e nos amou primeiro. Todo resto pode ficar para depois, inclusive nosso sobrenome.

Faz parte desta filosofia responder “Glória a Deus” ao invés de “Obrigado” quando alguém elogia uma palestra ou uma música executada. Não apenas é a semente da humildade como ainda dará bom testemunho. Quem sabe não seja isso que esteja faltando numa época tão repleta de títulos e honrarias…

“Deus e Pai, eu não tenho condições por mim mesmo de fazer nada, nem mesmo manter um sufixo no meu nome. Dá-me a coragem necessária para colocar o Teu nome como meu sobrenome.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Prática da Paciência

“Pois que glória há, se, pecando e sendo esbofeteados por isso, o suportais com paciência? Se, entretanto, quando praticais o bem, sois igualmente afligidos e o suportais com paciência, isto é grato a Deus.” (1 Pedro 2:20 ARA)

Suportar aflição é um assunto que o Senhor vem nos ensinando ao longo dos anos com muito cuidado. Já houve fase emocional, de saúde, com problemas familiares, com problemas financeiros seríssimos, falência, traição nas amizades e negócios e outras coisas. Não murmurar é parte do processo, como integrante de suportar com paciência. Mas nem sempre as aflições serão tão visíveis e permitirão algum tipo de audiência externa. Há situações onde nossa alma sofre e nosso coração partido se inclina para o grito de desespero – mas a esperança está lá.

Suportar com paciência é sempre mais fácil quando o assunto é público do que quando é interior. Ter paciência numa crise financeira não é fácil (sei do que falo), mas exceto por alguns que desesperadamente dão cabo da própria vida, a maioria perde a dignidade social sem perder a honra diante de Deus. Não queira experimentar passar por humilhações contínuas, perda da auto-estima, do reconhecimento, do nome limpo na praça, das amizades. Ser traído e decepcionar-se, não pelo cônjuge, mas pelos melhores amigos. Ou, a pior das experiências emocionais para um cristão sério – ser traído e injuriado pelas pessoas da igreja que servem ao seu lado.

Não estou dizendo para se resignar com a situação contrária, aliás, reaja. Mas não perca a paciência, pois Deus se agradar de você é mais importante que tudo. A paciência produz frutos de vida e embora seja um cultivo doloroso, estes frutos permanecem ao longo de toda nossa vida e nos torna pessoas melhores. Suporte, meu irmão, suporte.

“Deus amado quero ser paciente ao ponto de não murmurar, não perder a linha da ética, não Te desagradar nem pecar. É difícil, e preciso da Tua ajuda.”

Mário Fernandez

Vinicios Torres

Aos inimigos… amor 3

“Persegui os inimigos e os alcancei, os consumi os atravessei, aos pés do Senhor caíram, não mais se levantaram” (Trecho de uma música evangélica)

Se você está acompanhando as duas últimas mensagens pode não ter visto a relação entre a primeira (Aos inimigos… amor) e a segunda (Aos inimigos… amor 2). Vamos ver se conseguimos mostrar como elas se encaixam.

Se você observar a área de comentários da primeira mensagem (Aos inimigos… amor) verá que quase todos associaram nossos inimigos com o Diabo ou os demônios, lembrando de Efésios 6:12, onde Paulo fala que a nossa luta não é contra carne e sangue. Ou seja, nossos inimigos hoje são espirituais.

Não nego a existência do Diabo e seus anjos, nem da realidade da sua influência, mas permita-me fazer alguns questionamentos:

  • Se nossos inimigos são os demônios, onde, na Bíblia, está escrito que eu tenho de persegui-los?
  • Onde Jesus ou os apóstolos deram exemplo de que eles iam atrás dos demônios para atravessá-los e destruí-los?

Sabe o que é curioso? O que vejo é a Bíblia afirmando que Jesus veio para destruir as OBRAS do Diabo (1 João 3:8) e não o próprio.

Quais são as obras do Diabo? A pobreza, a fome, a prostituição, a corrupção, os vícios e todas as mazelas que assolam a humanidade e destroem a imagem de Deus no homem e o afastam da revelação do amor de Deus em Cristo. É contra essas coisas que devemos lutar.

Mas sabe o que nós fazemos? Brincamos de fazer batalha espiritual confortavelmente dentro das quatro paredes das nossas igrejas.

Alguns anos atrás estive em uma igreja onde o líder mandou que todas as cadeiras fossem amontoadas no centro do salão e que as pessoas formassem um círculo em volta delas. Então, em fila indiana, as pessoas andavam em círculo, repetindo as palavras de ordem que o líder gritava no microfone: “Diabo, fora daqui! Diana, fora daqui! Fulano e beltrano, fora daqui!”. Depois de mais de meia hora de marcha e de mandar embora demônios cujos nomes nem sabia que existiam, as pessoas bateram palmas com o líder afirmando que o trono do Diabo estava derrubado naquela cidade.

Sabe o que aconteceu depois?

Nada.

As pessoas continuaram as mesmas e os problemas da cidade também.

Experimente fazer batalha espiritual de verdade indo à favela para evangelizar as pessoas e ajudá-las a vencer o círculo vicioso da fome e da violência. Rapidamente, você descobrirá que os seus inimigos espirituais usarão de pessoas para lhe fazer oposição. Eles o perseguirão, o caluniarão e mentirão a seu respeito (Mateus 5:9-16) para fazer com que você desista da sua missão.

É nesse momento que você descobre o paradoxo que estamos tratando: temos um inimigo invisível que usa de pessoas de carne e osso para nos atingir. O que devemos fazer?

Segundo a Bíblia, devemos nos humilhar diante de Deus e resistir ao Diabo (Tiago 4:7). Resistimos ao Diabo não entrando no jogo dele. Ele opera por meio da violência, da vingança e do orgulho. Resistiremos a ele agindo de maneira contrária à sua provocação.

Devemos amar as pessoas que o Diabo usa para nos atacar, abençoar aquelas que ele usa para nos amaldiçoar, ajudar aquelas que nos acusam de que estamos ali por qualquer outro interesse que não o amor de Cristo por elas. É justamente essa a oportunidade de fazer a diferença praticando o que Jesus nos ensina no Sermão do Monte (Mateus 5:1-6:34).

Aos inimigos espirituais devo resistir, às pessoas que se declaram minhas inimigas devo amar. É por isso que não consigo cantar a música.

“Pai amado, dá-me a humildade necessária para depender de ti sempre que precisar resistir ao inimigo e para amar as pessoas.”

Vinicios Torres

Aos inimigos… amor 2

“O Rei, respondendo, lhes dirá: Em verdade vos afirmo que, sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.” (Mateus 25:40 ARA)

Recebi o seguinte e-mail em reação à mensagem “Aos inimigos… amor“. Gostaria que você fosse pensando na inquietação do coração do Rinaldo. Na próxima mensagem desenvolverei mais o tema.

Olá pessoal,

Segue, abaixo, texto da ICHTUS.

Vinicios fala, no último parágrafo, de algo que perdemos há muito tempo: discípulos (seguidores) que estejam dispostos a amar incondicionalmente como Jesus amaria se estivesse em nosso lugar.

Hoje mesmo pela manhã, quando me dirigia para o trabalho, vi uma cena que está se tornando “comum” nas grandes cidades. É bizarro e paradoxal, foi a cena de um casal dormindo em uma marquise de um imóvel desocupado…

O que mais me chamou a atenção foi o contraste que percebi: Vários carros importados parados aguardando o sinal de trânsito abrir e as pessoas olhando para esse casal…

Ver isto e perceber o quanto a gente é, e está ficando cada vez mais, insensível ao ser humano é o que mais me chocou.

Tenho ouvido muitos reclamarem da crise, da falta de dinheiro, alguns até reclamam da falta de visibilidade a médio-longo prazo. E esses miseráveis que não tem teto, comida e emprego, que será que dizem? Alguém se atreve a perguntar-lhes? Confesso que tive vontade, mas nesse caso não foi suficiente.

Nessas horas eu questiono o tipo de pregação e o tipo de evangelho que temos recebido e passado adiante.

Como é que podemos dizer que o Reino de Deus veio a nós se irmãos nossos estão morrendo de fome por todos os lados. Como é que podemos responder SINCERAMENTE com um “TUDO BEM!!!” quando nos perguntam: “E ai, irmão, tudo bem na sua comunidade?”

Como se admitir estar bem se pessoas as quais Jesus Cristo morreu por elas estão sendo consumidas pela miséria e descaso?

Talvez o choque de ter visto cenas bizarras seja o primeiro passo para minha inconformação e minha mudança. ASSIM ESPERO.

Boa leitura e excelente fim-de-semana.

Cordialement, Saludos, Best Regards

Rinaldo Camacho – São Paulo/SP

Vinicios Torres

Aos inimigos… amor

“Persegui os inimigos e os alcancei, os consumi os atravessei, aos pés do Senhor caíram, não mais se levantaram”

Embora estes versos de uma música muito cantada nas igrejas brasileiras sejam inspirados em uma passagem bíblica (2 Sm 22:38; Sl 18:37) nunca me senti confortável em cantá-los. Sempre sentia que algo não se encaixava em entusiasticamente afirmar que eu estaria consumindo meus inimigos.

Todas as vezes que ouvia esta música as palavras de Jesus ecoavam em minha alma: “Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; para que vos torneis filhos do vosso Pai celeste” (Mt 5:43-45).

Como discípulos de Cristo não nos declaramos inimigos de ninguém, pois temos o mandamento de amar a todos como diretriz de vida. Mas não podemos impedir que outros se declarem nossos inimigos, e é a esses que Jesus está dizendo que devemos orar e abençoar.

Paulo nos estimula em Rm 12:20,21 a fazer o bem àqueles que se dizem nossos inimigos ajudando-os nos seus momentos de necessidade. Com isso não seremos derrotados pelo mal mas venceremos o mal com o bem. Na linguagem de Paulo colocaremos a consciência do nosso inimigo para pensar em porquê, apesar da sua atitude para conosco, nós retribuímos com uma atitude totalmente diferente da que ele esperava.

Estamos precisando de um exército, não de guerreiros sedentos de consumir seus inimigos, mas de discípulos que estejam dispostos a amar incondicionalmente como Jesus, o Mestre, o fez. Com certeza isso provocaria uma revolução, não com sangue derramado, mas com corações transformados.

“Senhor, ajuda-me a amar incondicionalmente a todos assim como incondicionalemente tu me amas.”

Vinicios Torres