Mário Fernandez

Verbo de Deus

“E estava vestido de uma veste salpicada de sangue; e o nome pelo qual se chama é a Palavra de Deus.” (Apocalipse 19:13)

Não consigo olhar pra esse texto sem lembrar imediatamente de João 1:1-3, que mostra o mesmo Jesus como verbo (Palavra) encarnado de Deus.

Jesus de Nazaré é o princípio e o fim, o primeiro e o último. O texto do Evangelho de João fala do início, quando Ele estava com Deus e diz que tudo foi feito por causa Dele – é como se fosse o patrocinador de toda criação. O texto do Apocalipse de João fala de suas vestes salpicadas de sangue, como um marco memorial do Seu sacrifício por você e por mim.

Isso me faz perceber que nem mesmo nós vamos nos livrar das lembranças dos sacrifícios que passamos. Se para Jesus a veste continua salpicada de sangue, o que resta para nós?

Noto ainda que a natureza essencial não muda, pois Jesus era o verbo de Deus e continuará sendo, pois este texto de Apocalipse ainda não se cumpriu, é uma visão futura.

Não posso deixar de mencionar também que nome indica identidade e Jesus deve ser conhecido como verbo encarnado de Deus. Não podemos pregar a um Cristo dissociado da Palavra, da cruz e do sangue salpicado nas vestes. O Jesus que cura e salva, ressuscita e liberta, não pode ser separado do verbo-palavra de Deus. Seria um erro imenso tentar servir-se Dele sendo Ele o Senhor.

Ser o verbo encarnado de Deus já seria suficiente, mas é pouco perto do que tem. Ser o verbo de Deus significa que Jesus é autor e consumador de tudo, pois a criação surgiu mediante Palavras de Deus, dando ordem para que surgissem. O anúncio da salvação se faz por palavras, confessando com a boca. Todo joelho se dobrará e toda língua confessará, com palavras, que Jesus é o Senhor.

Te convido a ler os versículos adiante para ver a quantidade impressionante de atributos Dele. Eu amo esse Jesus, embora nem consiga compreender tudo que Ele é. A Ele seja a Glória eternamente.

“Pai, obrigado por nos permitir compreender um pouco de quem é Jesus. Eu sei que ainda há muito mais, embora isso já me baste para crer Nele. Obrigado pela Tua Palavra.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Sem Mágica

“Então profetizei como se me deu ordem. E houve um ruído, enquanto eu profetizava; e eis que se fez um rebuliço, e os ossos se achegaram, cada osso ao seu osso.” (Ezequiel 37:7)

Fui alertado por um leitor atento e quero ser sensível à voz de Deus sobre o que falo e escrevo. Esta meditação é fruto do que creio e mediante este alerta, pelo qual sou grato e pedi permissão para usar.

Quando colocamos nossa fé na operação sobrenatural do Senhor, não podemos esperar mágica. Profetizarmos sobre o osso seco de uma crise financeira não é bilhete de loteria nem cheque ao portador. Meu Deus é poderoso para fazer cair dinheiro, contratos, perdão de dívidas – literalmente do céu. Mas faça sua parte e continue estudando, se aperfeiçoando, trabalhando. Devemos profetizar sobre um casamento tão morto quanto um osso seco, mas as feridas continuarão lá e quando forem curadas (pois eu creio que são) as cicatrizes ficarão lá. Podem não incomodar, não sangrar, não infeccionar e talvez nem coçar. Mas estarão lá.

Deus fará a parte Dele e tenho visto curas físicas espetaculares, da pessoa acordar lúcida de uma isquemia cerebral, há mais de duas semanas fora de si. Simplesmente acordou. Oramos, algo aconteceu, foi o Pai. Mas também tenho visto servos de Deus sofrendo e até mesmo morrendo de câncer sem serem agraciados com uma cura. E claro, também tenho visto gente sendo tratada pela medicina com ou sem sucesso, graças ao toque do Senhor. Deus é soberano, não importa o meio que decida usar.

Se formos falar tudo que vai em nosso coração faltará espaço. Mas o recado é simples e direto: ore com a mesma fé não importando se a resposta venha montada em uma lesma ou num alazão. Creia no mesmo Senhor e Deus Vivo, quer o milagre seja imediato ou consuma anos. Seja obediente como Ezequiel, seja algo simples ou impossível.

“Senhor, ajuda-me a ser autêntico na Tua presença, pois não sou naturalmente bom nisso. Quero te obedecer independente de ser attendido como eu quero ou de outra forma.”

Mário Fernandez

Vinicios Torres

Integridade na Oração

“Respondeu-lhes: Bem profetizou Isaías a respeito de vós, hipócritas, como está escrito: Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim.” (Marcos 7:6 ARA)

Um dos motivos chave por que as nossas orações não são respondidas está expresso nesse versículo em que Deus se expressa através do profeta Isaías. A falta de sintonia entre aquilo que dizemos e aquilo que nosso coração realmente acredita ou quer.

Isso demonstra, na verdade, a falta de integridade da nossa personalidade, a nossa capacidade de dissimular nossas palavras escondendo a verdadeira intenção do nosso interior. E fazemos isso, na maioria das vezes, inconscientemente. Quanto mais nos acostumamos a tentar fazer os outros se sentirem bem conosco mais tentamos fazer o mesmo com Deus, como que tentando fazê-lo ficar do nosso lado.

Quem nunca orou para Deus “fazer a sua vontade” no caso daquela doença quando na verdade o coração estava gritando por cura. Quem nunca orou para que o evangelho seja pregado, mas lá no íntimo estava dizendo “mas não mande a mim”? Qual o empresário não orou para que a empresa seja um ministério mas, no coração, estava contando que a bênção do ministério se transformasse em riqueza? Quantos já não oraram perdoando alguém e quando terminaram a oração ficaram imaginando mil e uma maneiras como aquela pessoa poderia receber a “recompensa”.

Deus nos ensina através de Samuel que Ele não se impressiona com o exterior. De nada adianta fazer orações bonitas ou repeti-las à exaustão se o que é dito não expressa o real desejo de quem ora. Não há conjunto de palavras, por mais bonitas que sejam, que chamarão a atenção de Deus se elas não condizerem com a atitude interior.

Precisamos aprender a ser íntegros com Deus fazendo com que nossas orações sejam expressão do mais profundo do nosso coração. Do contrário, continuaremos sem respostas.

“Senhor, dependo da Tua graça até mesmo para orar a Ti. Ajuda-me a ser íntegro diante de Ti.”

Vinicios Torres

Mário Fernandez

Sem Ovelhas

“Porque ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; ainda que decepcione o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja gado;” (Habacuque 3:17)

Ovelhas são representação de almas, de vidas para serem cuidadas, mas isso é coisa de pastor. Também é simbolo de povo, de familia, de grupo de relacionamento – ovelhas são coletivas, vivem em coletividade. Pensemos que não ter ovelhas represente não ter amigos, família, convívio – simboliza isolamento.

Isso não deveria acontecer com nenhuma pessoa, de ficar sozinho, mas acaba circunstancialmente ocorrendo com muitos. Eu já fiquei fora da minha cidade por alguns meses e me senti solitário, até me adaptar em uma igreja local. Há os que se mudam, seja de cidade ou de país. Outros simplesmente não conseguem encontrar uma igreja local que os agrade. Outros estão colhendo o que semearam na vida e hoje estão sem seus familiares por perto. Cada um tem sua história e lida com ela de sua própria forma, mas para todos uma coisa é comum: todo mundo se sente só quando não está em convívio coletivo. Deus nos fez assim.

Mesmo nestas situações e apesar da solidão, nossa alegria precisa vir do Senhor. Já me senti só em meio a multidões, mas o Senhor é minha fonte. Com o passar do tempo, a ação do Senhor e com as orações, Deus coloca pessoas ao nosso redor, restitui familias destruídas, reenquadra os desencaixados, dá tolerância aos intolerantes e cura os chatos, dos quais já fui o maior. O papel da igreja local nisso é decisivo.

A alegria vem do Senhor quando não temos povo, não temos ovelhas, pois Deus não depende disso para ser Deus. Nós é que dependemos das coisas para nos sentirmos alguma coisa. Nem deveria ser assim, mas o ser humano é assim.

Deus nos permita encontrar nosso lugar na sociedade, nas igrejas, nas familias, nos grupos. Deus nos ensine e capacite a aprender a andar Nele e por Ele mesmo sem isso.

“Senhor, é terrível o sentimento de solidão e não quero me conformar a ele. Te peço que me fortaleça para me alegrar no Senhor estando rodeado de amados ou estando só.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Sem Mantimento

“Porque ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; ainda que decepcione o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja gado;” (Habacuque 3:17)

Eu nunca passei fome por falta de comida em toda minha vida, para Glória de Jeová. Mas já comi o último ovo, o último bife, o último pão e gastei o último dinheiro – incontáveis vezes. No dia seguinte o Senhor provisionou de uma ou de outra forma e nunca nos faltou nada, nem a mim nem a meus familiares. Mas a realidade de alguns é de constante escassez e de falta.

Não posso dizer qual é a sensação de louvar a Deus com a barriga vazia, não passei por isso e seria hipocrisia se dissesse algo. Mas conheço a realidade e sei que nada é fácil quando estamos numa pior. Não ter mantimento é tão básico que nos faz sentir mal pelos outros. Tenho tentado suprir as necessidades de irmãos e queridos que atravessam desertos financeiros, mas nossos recursos também são limitados. Mas entre eles, tem um irmão em especial que adora, que louva e que exalta ao Senhor com dois dias comendo banana. Nada mais do que banana. Mais de 40 anos de idade, um filho de 5 anos.

A alegria que devemos ter no Senhor pela abundânica e pelo suprimento deve se estender até quando não temos mantimento. A alimentação é a essência da vida humana, junto com o ar e a água, mas mesmo a sua falta está sob controle do Pai. É uma palavra dura, eu sei. Mas o Senhor é soberano sobre a falta de comida, sim.

Independente dos motivos que nos levam a uma eventual escassez de pão, nosso desafio é focar nossa alegria no Senhor. Não estou dizendo que quando o suprimento chegar a alegria não deva aumentar, por que vai mesmo. Mas não se deixar desfocar do Senhor no momento de dificuldade é o real desafio – Ele é Soberano.

“Pai, trabalha em mim para que o Senhor seja minha alegria independente de ter abundância de pão para repartir ou de não ter nem para mim. É difícil, por favor, preciso de Tua ajuda.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Sem Uvas

“Porque ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; ainda que decepcione o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja gado;” (Habacuque 3:17)

A videira (vide) é a árvore que produz uvas, de onde se faz o vinho. Isso tem dois símbolos mais evidentes, entre outros: a videira é Cristo e os ramos os crentes; a uva representa o vinho que representa festividade, comemoração, celebração, alegria. Vou me ater ao segundo aspecto, por opção.

Quando faltam motivos de comemoração, nossa tendência é de tristeza, de depressão e de uma falta de esperança preocupante. Somos levados pela negatividade e só falamos disso, chegando à murmuração num passo. Permita-me dizer-lhe que a murmuração é o oposto do louvor e portanto quem murmura não louva genuinamente. Precisamos conseguir olhar além e encontrar no Senhor e no Seu Reino todo motivo necessário para comemoração, independentemente desta vida nos mostrar algo neste sentido ou não. Tenho conversado com pessoas tão desanimadas, tristes, desiludidas, deprimidas – e por causa disso não se alegram no Senhor. Não permita que as circunstâncias ao seu redor se tornem o seu deus…

Em compensação, tenho o privilégio e a alegria de conviver com pessoas que estão em situações que só de pensar me dá nó no estômago. Gente que as enchentes levaram a casa estão adorando, pais de família desempregados dirigindo louvor, evangelistas sem dinheiro sequer para pegar um ônibus continuam a pregar, pastores comidos de câncer que não desistem de treinar seus liderados. São pessoas que entenderam e literalmente encarnaram sua missão neste mundo, portanto sua alegria é e está no Senhor, nada mais, apesar de tudo ao redor. É um grande exemplo para nós. E note: nem tudo é financeiro, há as enfermidades e desafios emocionais.

Nosso desafio é adorar, agradecer, alegrar-se e exultar no nosso Deus em meio às situações e circunstâncias desfavoráveis.

“Senhor, não permita que eu me esconda por detrás de circunstâncias negativas para me esquecer do tanto que Tu já fizeste em minha vida e minha familia.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Sem Olivas

“Porque ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; ainda que decepcione o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja gado;” (Habacuque 3:17)

As oliveiras são as árvores que produzem as olivas, no Brasil conhecidas como azeitonas, que são de onde se tira o azeite. A falta delas, portanto, representa simbolicamente falta de unção, falta de resultado espiritual no ministério, falta de inspiração, e assim por diante.

Existem períodos de nossas vidas ministeriais em que parece que pregamos para as paredes, que evangelizamos botinas e que ministramos adoração para uma horta de abóboras. Nada acontece, ninguém se move, nem uma conversão, nada de cura, nem ao menos um “aleluia” se ouve. É como orar e a oração não passar do teto. Já passei por isso e vejo tantos cristãos passando por isso. Posso dizer com propriedade: isso passa, então persista. É só continuar orando, clamando por misericórdia e claro, pedir que Deus mostre o que foi que afastou o óleo de sua cabeça. É uma questão de tempo, de provação e de aperfeiçoamento.

Quando falta azeite falta tempero, tudo fica meio sem gosto. É o mesmo alimento de sempre, mas falta algo. Alguns conseguem (não imagino como) tocar toda uma vida inteira nessa falta de unção. Outros, por causa de um pouquinho de óleo, correm até quase perder as pernas. Outros se acomodam em fases alternadas de grande unção e grande vazio. O que deve ser constante é a busca por mais do Reino de Deus, mais do Pai Celestial.

A despeito do que quer que falte, o Senhor é nossa fonte de alegria e exultação, independentemente de nos sentirmos altamente ungidos ou desprivilegiados. O Senhor é quem nos restaura mediante a receitinha de sempre: se o Meu povo que se chama pelo Meu nome…. 2 Crônicas 7:14.

Nosso desafio é adorar, agradecer, alegra-se e exultar no nosso Deus em meio às situações e circunstâncias desfavoráveis.

“Senhor, não permita que eu me acomode entre um vácuo e outro, quero andar continuamente cheio do Teu óleo. Sei que o Senhor deseja isso, portanto eu peço, por favor, me ajude.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Sem Figos

“Porque ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; ainda que decepcione o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja gado;” (Habacuque 3:17)

A figueira é um símbolo de Israel, da nacionalidade, da identidade de um povo escolhido por Deus. Simbolicamente, portanto, não ter figo na figueira significa não ter dignidade, não ter direitos, não ter unidade com seus semelhantes e conterrâneos. É símbolo de humilhação.

Habacuque com isso nos diz, poeticamente e de forma simbólica, um ensino muito profundo e poderoso. Ainda que não tenhamos neste momento dignidade nenhuma e estejamos em total humilhação, nosso socorro, nossa alegria e nossa exultação vêm do Senhor. Nenhum de nós é capaz de fazer com suas próprias forças, mas na força do Espírito Santo tudo é possível.

Atualmente o senso de dignidade está um pouco diferente dos dias de Habacuque. Consideramos dignidade ter um bom emprego, ter plano de saúde, ter estudo, poder viajar, ter alguns confortos que nem existiam naquela época. Nada disso é errado por si só, mas igualmente todos nós devemos nos alegrar no Senhor em meio à falta de dignidade. Não é importante neste momento discutir ou avaliar o seu critério pessoal de dignidade, mas aconselho meditar sobre isso num momento pessoal. As vezes, a dignidade se confunde com luxúria ou com materalismo e isso sim nada tem a ver com o Reino de Deus. O importante é entendermos que quando falta o que consideramos digno a nós, nossa alegria deve ser o Senhor.

Note que Habacuque falou em a figueira nem florescer, quanto mais dar fruto. Se não floresce não há nem ao menos promessa de frutos, de mudança de cenário, de restauração da dignidade esperada. Ainda assim a alegria deve ser o Senhor.

Nosso desafio é adorar, agradecer, alegrar-se e exultar no nosso Deus em meio às situações e circunstâncias desfavoráveis.

“Senhor, eu não preciso de dignidade para te adorar, eu preciso é da Tua Presença. Ajuda-me a caminhar em santidade para ver com Teus olhos, independente do que ocorre ao meu redor.”

Mário Fernandez