Vinicios Torres

Não Fareis Segundo as Suas Obras

“Não fareis segundo as obras da terra do Egito, em que habitastes, nem fareis segundo as obras da terra de Canaã, para a qual eu vos levo, nem andareis nos seus estatutos.” (Lv 18:3 ARA)

Meditando sobre este texto percebi a associação dele com o livro dos Juízes. Se você já leu o livro dos Juízes perceberá que ele apresenta um padrão: o povo vive bem e decide passar a viver conforme o seu próprio pensamento. Deus então permite que os inimigos oprimam o povo de Israel e depois de algum tempo este se arrepende e se volta para o Senhor, que então os livra.

Cada vez que o povo voltava a viver de acordo com os costumes dos egípcios ou dos povos cananitas iniciava-se o período de decadência e opressão. Quando o povo voltava a viver de acordo com a instrução de Deus recebia a libertação e passava a viver em segurança e experimentar a bênção.

Fico imaginando quanto nós temos perdido da bênção e proteção de Deus por tentarmos fazer as coisas “à moda do Egito” ou da maneira “cananéia”. Jesus nos ensina uma forma revolucionária de viver, que vai decididamente contra a forma mundana de se fazer as coisas, e nós decidimos resolvê-las da mesma forma que o mundo.

Confiamos que o dinheiro nos dá a segurança, que o emprego será eterno, que a força física nos garante, que o plano de saúde evitará a morte, que o jeitinho vai resolver o problema, que o suborno vai abrir as portas, que a política vai nos fazer prosperar, que se conseguirmos um pouco mais de poder seremos, conforme ouvi de um pastor envolvido em escândalo político, “capazes de fazer ainda mais pelo Reino de Deus do que fizemos até aqui.”

Tudo isso é seguir os estatutos do Egito e de Canaã.

Precisamos reconhecer que a maneira de Deus é melhor mesmo que não entendamos. Precisamos crer que os seus resultados serão melhores mesmo que pareçam mais demorados. Precisamos permanecer firmes até o fim para vermos os resultados completos e não desistir no meio do caminho e nos voltarmos para os métodos mundanos achando que do modo de Deus as coisas estão indo lentas demais.

Quebrantemos o coração e arrependamo-nos da nossa falta de confiança em Deus e na sua proposta para a nossa vida.

“Senhor, perdoe-me a falta de confiança, quero render-me à tua direção e ser fiel em cumprir o teu propósito.”

Vinicios Torres

Vinicios Torres

Aprendendo com a Mudança

“Não fareis segundo as obras da terra do Egito, em que habitastes, nem fareis segundo as obras da terra de Canaã, para a qual eu vos levo, nem andareis nos seus estatutos.” (Lv 18:3 ARA)

Quando estamos num processo de mudança, é interessante observar que podemos tentar permanecer os mesmos, mesmo mudando. Temos a tendência natural a procurar estabilidade, faz parte das nossas defesas psicológicas assegurar que as coisas aconteçam de maneira previsível. Quem vive mudança constante acaba sofrendo um estresse além do consegue suportar.

Mas, mesmo quando a mudança é inevitável, necessária até, temos essa tendência de querer fazer as coisas do mesmo jeito que sempre fizemos. Raras vezes isso é possível. Além das óbvias mudanças geográficas, há também as mudanças sociais e psicológicas que precisam acontecer. Querer fazer tudo exatamente do mesmo jeito é receita para frustrações e problemas.

A própria passagem do tempo provoca esse mesmo fenômeno. Você já não pode mais fazer as coisas hoje da mesma maneira que fazia há dez anos. Algumas não são possíveis, outras não convém mais. É sinal de imaturidade, ou até de insensatez, não acompanhar essa mudança natural na vida.

Quando Deus tirou o povo de Israel do Egito deu instruções específicas: não farás lá como fazia aqui. Foi inclusive além, dizendo que quando chegassem lá, não era para fazer nem como os de lá. Ou seja, nem de um jeito nem de outro, mas do jeito dEle.

Na nova situação (seja ela geográfica ou não) Deus quer dirigir e ensinar como devemos proceder. Ele deseja nos mostrar a maneira melhor de viver, desfrutar a presença dEle e ser instrumentos de bênção para aqueles que Ele pode alcançar através de nós.

Mudanças são inevitáveis. Muitas delas é o próprio Deus que inicia, com o propósito de que busquemos nEle a sabedoria e a direção.

“Senhor, que eu tenha a humildade de entender que as mudanças são a oportunidade de aprender a maneira nova que queres que eu viva.”

Vinicios Torres

Mário Fernandez

Confusão

“Em tudo o que vos tenho dito, andai apercebidos; do nome de outros deuses nem vos lembreis, nem se ouça de vossa boca.” (Êxodo 23:13 ARA)

Posso estar sendo sentimental demais, mas fico entristecido quando vejo alguns “tristemunhos” por aí. O irmão fica 28 minutos falando da vida que levava, dos problemas que arrumou na bebedice, na feitiçaria, no adultério. Menciona nominalmente uma dúzia de espíritos malignos e pecados específicos. Depois, em 15 segundos, respira fundo e diz algo como “tudo isso ficou para trás, Jesus me transformou, aleluia”.

Tudo bem que este texto é do Antigo Testamento e tem um contexto centralizado e específico, mas eu creio que este princípio é eterno. As coisas velhas passam, ficam para trás. Meu amado, é para esquecer o nome dos antigos deuses, das antigas tranqueiras, dos antigos embaraços. Não se ouça da nossa boca o que não for para edificação. Podemos testemunhar sobre o que o Senhor fez e mencionar muito resumidamente pelo que passamos, mas os detalhes são sórdidos e merecem o anonimato. Creio, de coração, que ficar falando do problema glorifica-o.

Se você estiver discipulando alguém e quiser deixar claro o que acontece com quem peca, numa esfera de um-a-um, tome ainda cuidado para não exagerar. Mas não se ouça mais da tua boca o nome dos velhos deuses. Não se orgulhe do que foi no passado, mas do que o Senhor o tornará no futuro. Não fique remexendo no passado, profetize um futuro. Não fique vivendo acorrentado às memórias, semeie dias novos e uma história reescrita.

Tire a confusão da linguagem e semeie concordância, harmonia e unidade. Isso não havia na velha vida nem ao servir aos velhos deuses. Só o Senhor é Deus, e temo pelo juízo sobre alguns que mais exaltam suas mazelas. Saia dessa, meu irmão.

“Senhor, uma coisa eu quero aprender: esquecer as coisas que para trás ficam e prosseguir unicamente para o alvo.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Resgate

“Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver que por tradição recebestes dos vossos pais,” (I Pedro 1:18)

Só quem já perdeu alguma coisa entende o verdadeiro significado de resgate. Deus nos perdeu para o pecado já na origem, nos dias de Adão, motivo pelo qual providenciou um resgate, uma salvação, uma redenção. Muito mais do que simplesmente correr atrás de um prejuízo qualquer, o Pai olhou para nós como uma perda inaceitável, impossível de contabilizar.

Quando um carro é roubado ele pode ser resgatado, por exemplo por meio de um seguro bancário que permitirá, ao menos supostamente, comprar outro igual ou pelo menos equivalente. Quando uma vida se perde, nada deste mundo servirá ou terá valor para resgate. Podemos também, os mais afortunados, resgatar um valor aplicado ou depositado num banco. Mas note que esse valor já era seu, portanto esse resgate é um tipo de devolução.

Deus nos resgatou da morte eterna e isso não foi pago com ouro ou com prata. Isso deveria nos inspirar a dar valor no que tem valor. Vivo uma fase de minha vida na qual os bens materiais tem cada vez menos importância e creia, não é por tê-los em excesso. Nada me falta, o Senhor me sustenta, mas a cada dia e mês que se passa, dou menos valor às coisas que não poderei levar comigo quando for “promovido”. Nosso resgate era de morte e portanto tinha de ser pago com sangue.

Essa vã maneira de viver que Pedro menciona faz referência a toda uma vida e um sistema que são mundanos, passageiros e temporais, independente de época ou de tendências. Vivemos um materialismo globalizado, creio eu, nunca visto antes. As relações humanas são cada vez menos humanas. E ainda assim nos dias de Pedro era vão.

Nosso desafio é encontrar o valor do resgate pago por nós e reverter isso em gratidão, que só vejo ser possível de se expressar em uma vida de santidade, de valores fundamentados no Reino de Deus. Este é meu alvo, te convido a ser também seu.

“Deus amado, eu entendo que o Senhor me ama e me resgatou a preço caríssimo. Ensina-me a viver uma vida que corresponda a isso.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Dia Mau

“Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, depois de terdes vencido tudo, permanecer inabaláveis.” (Efésios 6:13 ARA)

Se há dia mau, é por que há dia melhor. A gente quer ser otimista, olhar tudo com fé na vitória, focar no Reino vindouro, não se deixar abalar, deixar as circunstâncias de lado e seguir sorridente… Mas atire o primeiro analgésico quem nunca se deprimiu ou desanimou diante de um dia ou semana difícil.

Há tempos e ciclos na vida da gente em que os dias são literalmente maus: nada dá certo, chove no dia “errado” e faz sol tarde demais, a gente erra o assado justo com a visita mais chique, o terno não entra, o computador não liga e o carro falha. Mas preste atenção: não existe vida ruim, embora posssa haver algum dia ruim. O coração da gente pode se apertar num dia, dois, três, uma semana – mas amanhece um dia e a alma se dá conta do dom da vida, da misericórdia recém renovada, da alegria que vem pela manhã. O choro termina, meu irmão, pode ter certeza. A época do Natal para mim foi marcada muitos anos por tristezas e disssabores. Mas aleluia, eu comemoro o fato e não a data – meu Redentor vive, nasceu para morrer por mim.

Foco e concentração é tudo quando se tem um objetivo e todo cristão tem um alvo. O dia mau existe, é uma realidade, está aí para nos aperfeiçoar em santidade e paciência. Mas não é e nunca deve ser o foco da vida de ninguém, por mais turbulento que seja. Por sofrido que seja. Por apavorante que possa ser, o Senhor é Soberano e tem para nós dias melhores à frente. Foque no melhor, esse é o alvo, apesar do que esteja acontecendo agora.

O foco é no alvo e o alvo é o Reino Celestial, assentado com Cristo. Vida vitoriosa neste mundo sim, com certeza. Mas não imaginemos que isso é vacina contra dissabores e encrencas que tiram nosso ânimo e por vezes nosso fôlego. Eu sei o quanto os dias podem ser maus, creia-me. Mas meu desânimo não me vence, não me supera, pois maior é Aquele que está em mim.

“Deus amado, perdoa minha fraqueza de ânimo quando as dificuldades superam minha força. Fortalece-me e ensina-me a ser mais forte em Ti.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Um Maior

“Sede fortes e corajosos, não temais, nem vos assusteis por causa do rei da Assíria, nem por causa de toda a multidão que está com ele; porque um há conosco maior do que o que está com ele. Com ele está o braço de carne, mas conosco, o SENHOR, nosso Deus, para nos ajudar e para guerrear nossas guerras. O povo cobrou ânimo com as palavras de Ezequias, rei de Judá.” (2 Crônicas 32:7-8 ARA)

Só de se falar em perseguição na igreja e todo assunto similar, que traga o senso de conflito, temos uma multidão se apavorando. Conheço gente que ora mais pelos perseguidos dos países asiáticos do que para o próprio marido se converter. Não sou contra nem uma coisa nem outra, mas acho que, às vezes, nosso povo dentro da igreja super-estima o inimigo.

Os poderosos que nos são contrários podem e geralmente são mais poderosos do que nós, isso é fato e não precisa muita explicação. Por isso mesmo sempre digo que não podemos andar sozinhos, pois Aquele que pode todas as coisas tem de estar conosco. Aqui o texto diz “há conosco um maior”, em perfeita sintonia com 1 João 4:4 e outros textos correlatos.

Meu receio é subestimar Aquele que é maior do que o que está no mundo. Vejo pregadores, evangelistas e principalmente membros das igrejas valorizando demais as obras do inimigo e dando uma sensação de que a cruz não representou muito. Fica parecendo que o maior não pode mais que o menor. Não sou triunfalista, mas é preciso reconhecer que vitorioso é quem vence, ponto final. Meu Deus é poderoso e ponto final. É maior do que aquele que está no mundo e ponto final. O acerto entre eu e Ele é outro assunto, mas que Ele é maior, é.

Será que não estamos nos furtando de batalhar por santidade e consagração por mera preguiça ou comodismo? Será que não valorizamos demais o que o olho pode ver, no caso dos problemas, e menosprezamos com isso uma cura invisível? São ótimas perguntas.

“Pai, não quero negligenciar minhas batalhas, mas preciso confiar mais em Ti. Ensina-me a caminhar confiante sem ser soberbo.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Fé Famosa

FÉ FAMOSA

“Primeiramente, dou graças a meu Deus, mediante Jesus Cristo, no tocante a todos vós, porque, em todo o mundo, é proclamada a vossa fé.” (Romanos 1:8 ARA)

Muito legal o apóstolo Paulo mencionar os irmãos em Roma como pessoas cuja fé atravessou fronteiras. A fama da fé daqueles irmãos era internacional. Fico me perguntando, em meio a estas tantas meditações, como isso pode ter acontecido.

Hoje vivemos um tempo onde tudo é muito passageiro, muito efêmero, em geral não se valoriza históricos e estabilidades. Os casamentos já não duram tanto, as empresas já não duram tanto, assim como os empregos. A cultura do descartável nos faz pensar que assim como um eletrodoméstico barato não compensa ser consertado, justamente por que o novo é tão barato, tudo pode ser assim. Se a igreja não me agrada descarto, se meu casamento não me faz feliz descarto, se meu emprego não é bom eu descarto. Isso é perigoso.

Também não estou dizendo que devamos nos ancorar em zonas de conforto onde tudo é como é e ponto. Mas há de existir um equilíbrio, um meio termo, um ponto razoável no qual possamos ao mesmo tempo cultivar alguma coisa que nos seja satisfatória, mas que dure algum tempo.

Assim deve ser com a fé. Desapontamentos e decepções fazem parte da vida. Se para cada disssabor eu quiser abandonar minha fé então sou muito frouxo. Ou, talvez, nunca tenha crido realmente em nada com profundidade. Preciso avaliar tudo isso, do contrário jamais a minha fé se tornará como a dos romanos, conhecida e reconhecida.

Curiosamente ou não, diversos lugares que foram berço do cristianismo hoje são territórios predominantemente muçulmanos ou judeus, a exemplo de Jerusalém. Roma, por outro lado, continua sendo um ponto de referência do cristianismo.

O mundo precisa de referências neste tempo. A nossa fé deve ser uma delas.

“Senhor, ajuda-me a ter uma fé firme a ponto de se tornar conhecida em outros lugares.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Fim da Confusão

“E, quando aquele som ocorreu, ajuntou-se uma multidão, e estava confusa, porque cada um os ouvia falar na sua própria língua.” (Atos 2:6)

Esse episódio narrado em Atos 2, na minha concepção, é o fim da era de Babel. No evento de Genesis 11 Deus confundiu a linguagem das pessoas para que não se comunicassem e com isso frustrou seu propósito. Estavam unidas, motivadas, capacitadas, equipadas e envolvidas num grande projeto – fazer uma torre para ficarem famosos e receber glória. Neste texto de Atos, Deus faz totalmente o inverso. Inicia-se um tempo em que as pessoas começam novamente a se entender, conseguem comunicar-se e podem novamente se unir. O detalhe é que agora não será para construir uma torre física, mas uma casa espiritual.

Se Deus não nos quisesse unidos não investiria nesse episódio. Note que o verso 11 logo abaixo diz que os estrangeiros entendiam em seu idioma “das grandezas de Deus”. O objetivo me parece muito claro: Deus iniciou um tempo em que devemos nos entender. Tristemente não tem sido isso que temos visto, mas ainda é tempo de revertermos o cenário.

Se tivermos disposição para sermos tolerantes naquilo que não nos é essencial, se nosso foco for em santidade e intimidade com Deus, tenho total certeza de que poderemos fazer muito mais do que fazemos. Podemos ir mais longe do que jamais fomos, podemos alcançar o que nunca alcançamos. Deus tem muito pra fazer nesse mundo, mas nós somos os “limitadores”, pois, ele decidiu no passado usar homens e mulheres, pessoas de carne e osso. Se não houver quem clame as pedras clamarão. Mas proclamar as maravilhas desse grande Deus é obra humana, não são os anjos que farão isso.

É isso, meu irmão, ou continuar vivendo nos dias de Babel, numa confusão literalmente desgraçada.

“Senhor, obrigado por fazer tudo de forma maravilhosa. Ajuda-me a encontrar forças para andar em unidade com minha liderança, meus irmãos e com Tua legítima igreja na Terra.”

Mário Fernandez