Mário Fernandez

Pesistência

“prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina.” (2 Timóteo 4:2 ARA)

Persistir na pregação da Palavra, no ministério, em um emprego ruim ou casamento medíocre, é algo que muitos conseguem. Nem todos têm coragem e intrepidez para provocar uma mudança para melhor. O que são poucos que entendem e praticam é persistir com as pessoas. Quando Paulo recomenda a Timóteo que persista a tempo e fora de tempo, nos ensina que não há tempo ruim.

Quero trazer isso para o campo pessoal. Esqueça por um momento os ministérios de massa, o microfone, o palco, a projeção, os títulos. Esqueça tudo e focalize apenas naquela pessoa que tudo indica que não vale a pena. Aquele que decepciona, desiste, não se empenha. O tal que a primeira milha é um suplício e a segunda só pela fé. É com estes que devemos insistir. Isso é que significa fora de tempo.

Confesso que eu fui um destes, que para a glória de Deus recebi investimento de pessoas que como ainda me dizem, eram mais teimosos do que eu. Os favoritos, as estrelas do show, em sua grande maioria já ficaram para trás ou sumiram de cena. Perdi notícias de tantos da época de meus primeiros passos com Jesus. Alguns, graças a Deus, estão com tudo em seus ministérios. Mas os que ainda recebo informações são justamente os que já estavam desenganados. Eram os que já eram rotulados como sem cura, sem jeito, caso perdido.

Não é necessário ser uma grande encrenca para se tornar uma bênção na mão de Deus. Mas isso não dá a ninguém o direito de rotular alguém como “encrenca”. Deixe que Deus julgue quem é quem. Persista, invista, discipule, chore e ria junto, busque, conserte, aconselhe, corrija, exorte… Use de longanimidade (ânimo longo) e ensine doutrina (visão reta). Com todos, fáceis ou não. Os que correspondem ou não.

“Pai, fortalece-me e ensina-me olhar para as pessoas com Teus olhos e ver o que está na Tua visão. Não permita que eu desista de ninguém.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Consciência

“mantendo fé e boa consciência, porquanto alguns, tendo rejeitado a boa consciência, vieram a naufragar na fé.” (1 Timóteo 1:19 ARA)

A expressão naufragar me preocupa sobremaneira. Ela sugere que algo que flutuava afundou, perdeu sua capacidade de navegar, ficando presa a uma posição e provavelmente destruída. É triste imaginar ou conviver com alguém cuja fé está afundada, encalhada e aos pedaços, difíceis de serem reunidos.

Tão triste quanto isso é observar o quanto essas pessoas já foram bençãos enquanto navegavam. Talvez nunca tenham sido grandes líderes, mas basta que tenham sido fiéis testemunhas de Cristo ou pessoas de oração. Para mim, particular e pessoalmente, estes valem muito. Como imaginar que meus intercessores naufragaram?

Isso tudo aconteceu, nesta menção de Paulo à Timóteo, por não preservar uma boa consciência. Rejeitar uma boa consciência é mais fácil do que parece:

– Preferir assistir TV do que orar
– Pensar mal das pessoas
– Falar mal das pessoas
– Julgar acontecimentos por emoção
– Decidir na carne, sem orar
– Tentar burlar as regras
– Reter a generosidade
– Viver fofocando (manipular a narrativa dos fatos)
– Trocar a igreja local pelo futebol (ou equivalente)
– Não abençoar, tendo possibilidade

Nada disso é roubo, assassinato ou adultério, que são pecados “da moda”. Mas levam a deixar de lado a boa consciência em troca de um legalismo onde parece que tudo que importa é seguir regras básicas.

É preciso desejar para que a consciência se mantenha boa. Tanto boa no sentido de sua qualidade como no sentido de sua saúde. E mais do que desejo, é preciso voluntariamente exercitar a boa consciência. Note que os que naufragaram, segundo Paulo, rejeitaram a boa consciência. Não foi algo sem-querer…

“Deus amado, fortalece-me para que eu deseje manter minha consciência limpa, boa, saudável. Sem Tua ajuda não conseguirei.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Esperança

“na esperança da vida eterna que o Deus que não pode mentir prometeu antes dos tempos eternos” (Tito 1:2 ARA)

Algumas verdades deste texto serão preciosas quando entendidas. Hoje quero meditar na esperança da vida eterna, mencionada não somente aqui como em outros versículos bíblicos também.

Primeiro, ela está prometida. Aquilo que cremos por dedução, ou que temos fundamentos teológicos, ou que está evidente, não se compara a uma promessa explícita. Se Deus falou, está falado e assim será até a consumação dos séculos. Creiamos portanto.

Segundo, quem prometeu é fiel. Deus não apenas prometeu como reitera que é incapaz de mentir, pois isso não faz parte de Sua essência, do Seu ser, de Sua “natureza”. Isso não significa que tenha algo que Deus não possa fazer, no sentido de lhe faltar capacidade ou poder. Se Ele decidir fazer, fará. Mas não decidirá, pois já afirmou isso. É um Ser totalmente verdadeiro, que decidiu ser verdadeiro e isso é irrevogável, não pode ser cancelado. Tanto quanto Ele é Deus, Ele é verdadeiro e no mesmo tanto prometeu que teríamos vida Eterna. Para duvidar de uma coisa, temos de duvidar de todas elas inclusive de Deus.

Terceiro, a promessa é antiga. Foi feita antes do tempo, antes do nada existir. É um pouco abstrato, mas é infinito para trás em uma condição que nem entedemos. Pode ser difícil de entender mas não é difícil de aplicar: sempre foi assim, não mudou até agora não muda mais. Quem te garante isso? ELE.

Para que serve uma esperança? Para direcionar nosso futuro, para nos acalmar, par nos alegrar, para nos fazer confiantes, para nos dar senso moral, para fazer com que caminhemos não apenas no rumo correto, mas no ritmo correto e pelos motivos corretos.

Meu irmão, se esta esperança em particular não te anima, tem algo errado aí dentro. Busque a Deus em oração, pois isso precisa mudar.

“Pai, ensina-me a viver alegre e confiante pela esperança do Teu Reino, da vida eterna contigo, da Tua Presença. Dá-me forças para crer.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Livramento

“Não vos sobreveio tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados além das vossas forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, vos proverá livramento, de sorte que a possais suportar.” (1 Coríntios 10:13 ARA)

Eu sou um homem falho, muito mais do que gostaria de ser. Meus irmãos ao meu redor têm limitações, cometem erros, fazem bobagens, se enganam. Uns mais e outros menos, somos todos imperfeitos. A expressão de nossa imperfeição aparece nas palavras, nas atitudes, no sentimentos. Algumas destas imperfeições são, digamos assim, tolerávais mais do que outras. Claro, para Deus qualquer pecado será uma ofensa, mas não podemos negar que suas consequencias são muito distintas.

O que nos permitirá vencer essas falhas e imperfeições não é nosso, não está em nós (naturalmente falando) e nem pode ser comprado. Deus nos provê o livramento mediante as tentações. Isso vem Dele, somente Ele pode fazer e isso nunca será diferente.

Precisamos entender que fomos criados por Deus e Ele sabe que não somos perfeitos. Ele não poderia se iludir achando que conseguiríamos isso, portanto nos deu uma mãozinha. E que mãozinha…

Ao colocar em nós o Espírito Santo, Deus nos dá um mestre, um ensinador, um consolador, um companheiro. Podemos vencer aquilo que nos torna imperfeito. Os nervosos podem se acalmar. Os duros podem ser gentis. Os adúlteros podem ser fiéis, como os mentirosos podem ser verdadeiros e os viciados podem ser livres. Toda tentação, por maior que seja, é humana e portanto natural. Mas o nosso Deus, o Pai, é SOBRENATURAL e está disposto a nos livrar.

Clame a Ele, peça a Ele, busque Nele. Podemos suportar, podemos vencer, não importa o que seja será menor que o Eterno e Ele pode livrar. Só de fazer isso, com intensidade e vigor, genuina e sinceramente, já sobrará menos tempo e ficaremos expostos à tentação. Nunca soube de alguém que foi tentado enquanto estava a sós, em seu quarto secreto ou no monte orando…

“Senhor, Tu és meu livramento e meu socorro. Não tenho outro recurso para minha vida, pois sou falho e limitado. Ajuda-me a ser forte e decidido contra aquilo que me tenta, seja o que for.”

Mário Fernandes

Mário Fernandez

Permanecer

“E aquele que guarda os seus mandamentos permanece em Deus, e Deus, nele. E nisto conhecemos que Ele permanece em nós, pelo Espírito que nos deu.” (1 João 3:24 ARA)

São dias de muito tumulto no meio do nosso povo. Pessoas se dizendo cristãos membros da denominação A ou B ou C, estão ocupando posições de destaque. Não tenho nada contra isso. São jogadores de futebol, políticos, governantes, empresários, apresentadores de TV, escritores e tantos outros. Mas o testemunho deles me preocupa, assim como a legitimidade deste.

Um testemunho legítimo de um cristão legítimo tem de levar ao engrandecimento e ao reconhecimento do nome de Deus. Deve exaltar somente a Jesus Cristo e Seu Reino Eterno. Não é adequado que pessoas de destaque apontem para si mesmas, pois isso nos levaria a desconfiar que são falsamente convertidas. Por que digo isso? Simples.

Os mandamentos a que João se refere incluem humildade, incluem generosidade, incluem respeito. Quem rouba de seu próximo desobedece, quem cobiça outra mulher que não é a sua desobedece, quem mente desobedece.

Torcer conceitos de roubo é fácil, mas o verdadeiro é simples: pegou sem permissão o que não é seu, roubou. Não importa se tem dono ou não, se não é seu, não pegue. Cobiçar é desejar, não importa se tocou, basta ter pensado em tocar. Mentir é tudo que dizemos ou escrevemos que não corresponde à verdade que conhecemos – no imposto de renda por exemplo.

A palavra chave ali é “permanecer”, que sugere um ato contínuo e não alterável. Não apenas algo feito sem parar, o tempo todo, como algo inalterado, sendo feito sempre do mesmo jeito e com a mesma intensidade. Nossa relação com os mandamentos de Deus deve ser assim: de noite e de dia, no banho ou na sociedade, trabalhando ou descansando. Quem será capaz de conseguir isso?

Aquele que recebeu de fato o Espírito Daquele que vive para sempre, permite que ele fale, ouve, se esforça para ser obediente. No final da conta, trata-se de obediência e muito pouco mais.

“Senhor, é meu desejo ser fiel a Ti, mas minhas forças são limitadas. Fortalece-me para que eu encontre o caminho da santidade, da obediência.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Juízo

“Meus irmãos, não vos torneis, muitos de vós, mestres, sabendo que havemos de receber maior juízo.” (Tiago 3:1 ARA)

É de ficar horrorizado ao ver a quantidade e o tipo das encrencas que tantos pastores têm se metido. Não que isso seja novidade, deve ter acontecido sempre, mas é adultério, fraude, manipulação, desfalque, intrigas e outras coisas mais. Alguns são muito jovens e isso poderia ser um motivo, devido ao despreparo.

O fato é que este verso nos dá alerta sério e consistente para a liderança eclesiástica. Quem quiser ser mestre, o que aqui simbolicamente representa todo tipo de líder, deve estar preparado para ser julgado com mais rigor. Como devemos entender isso?

É relativamente simples. Todo mundo pagará por seus pecados e colherá seus frutos, como em uma horta de morangos. Só que os morangos dos líderes crescerão mais. Se um homem mentir, ao ser descoberto será embaraçoso, mas se for um mestre, isso será um escândalo. A margem para errar é menor e a punição mais severa. É preciso estar ciente disso.

Para quem é líder, ou mestre, mais do que um alerta e uma fonte de temor, isso deve ser a inspiração para uma vida exemplar em santidade, na qual o Senhor seja glorificado e não seja necessário ter qualquer constrangimento. Não se pode pensar duas vezes antes de fazer alguma burrada; terá de ser 10 vezes.

Para quem é liderado, ou não é mestre, Deus continuará sendo juiz e o julgamento um realidade. Mas cabe lembrar que se seu problema é com algum dos mestres, acima de sua causa está o Todo Poderoso, que fará justiça e com severidade. Nunca imagine que “nada vai acontecer com ele” porque vai. Mas cuide-se também, pois amanhã poderá ser sua vez.

Carecemos sim de uma liderança mais preparada, mais santificada, mais dedicada ao Senhor. Mas de onde virão, se não do seio de um povo santificado, que ensina bem seus filhos e planta vidas retas?

“Pai, ensina-me a entender que não sou eu o juiz, que não me cabe julgar. Prepara-me para ser mestre, se assim for a Tua vontade. Prepara-me para ser liderado. Quero priorizar Teu Reino.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Unidos Somos Mais

“Rogo-vos, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que faleis todos a mesma coisa e que não haja entre vós divisões; antes, sejais inteiramente unidos, na mesma disposição mental e no mesmo parecer.” (1 Coríntios 1:10 RA)

Eu não sei se os cristãos têm idéia de quem são. Este texto poderia ser um arraso no inferno se levado a sério. Se conseguíssemos, por um único dia, ser inteiramente unidos na mesma disposição, seria o fim.

O país mais populoso atualmente é a China com algo em torno de 1,5 bilhão de pessoas. Se todos eles se unirem, será o maior povo da Terra? Não, a igreja é maior, se olharmos em todas as suas expressões, denominações, estilos, formas e jeitos. Há mais do que isso de cristãos espalhados no mundo. O maior exército é menor que a igreja. O país mais rico tem menos recursos do que a soma das riquezas de todos os cristãos.

Mesmo não falando o mesmo idioma, não tendo os mesmos gostos culinários, não expressando a mesma cultura, sem ter a aparência uniforme, ainda que absolutamente diferentes uns dos outros – somos unidos por Cristo de uma forma sobrenatural e tudo isso deixa de ter importância. Se nos unirmos, somos maioria em qualquer sentido. Como fazer isso, eu não sei.

Num contexto mais restrito, nós em nossas igrejas locais podemos alcançar um bom nível de unidade. Podemos encontrar uma unidade que vai expressar, em escala menor, a unidade do Reino de Deus em sua totalidade. Podemos atingir uma tal sintonia que chame a atenção de um mundo que jaz no maligno. Obviamente, há um preço a ser pago. Minha opinião, meus gostos e meus desejos precisam ficar em segundo plano.

Hoje é um bom dia para começarmos essa caminhada.

“Amado Pai, talvez não saibamos nem por onde começar, mas queremos conseguir unidade. Ensina-nos a caminhar de forma que o Seu propósito seja atingido.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Recebendo Ajuda

“penso em fazê-lo quando em viagem para a Espanha, pois espero que, de passagem, estarei convosco e que para lá seja por vós encaminhado, depois de haver primeiro desfrutado um pouco a vossa companhia.” (Romanos 15:24 ARA)

Paulo fala aos romanos com grande alegria por poder visitá-los, mas deixa claro que gostaria de ajuda para seguir à Espanha. Mais do que simplesmente uma visita para rever amigos, Paulo pretendia receber apoio.

Eu tenho visto igrejas fecharem, missionários voltarem para sua origem e também projetos sendo cancelados. Eu não sei ao certo o motivo disso, afinal é um tempo em que vejo um crescimento tão sólido e tão consistente em diversas frentes, igrejas, projetos – é uma dualidade. Na igreja onde congrego estamos fazendo batismos a cada 3 meses e com quase uma centana de pessoas por vez. Outras crescem muito mais.

Talvez, e estou apenas supondo, seja por que Paulo deixou claro o que estava fazendo, o porquê de estar fazendo, pra onde iria depois, o que faria lá, suas motivações, seus alvos e objetivos. Os argumentos eram claros e deixavam expresso que o evangelho estava sendo pregado e que, da mesma forma e com a mesma paixão com que os romanos haviam sido alcançados, os espanhóis também seriam.

Hoje os tempos são complicados, parece que todo mundo tem seu próprio projeto e acaba que tendo muita gente para ser ajudada. Ao mesmo tempo, fica nítido que o evangelho avança num lado e recua no outro. Me parece faltar foco e concentração. Sinto falta de clareza e de objetividade. Fico até triste quando escuto um jovem motivado a ser missionário dizendo “quero pregar a todo mundo”. É meio demais só para ele, a meu ver, mas enquanto ele não se der conta disso… Isso não é alvo, é uma linha geral, então não é projeto.

Se todos nós sabemos para onde queremos ir, o que pretendemos fazer lá, nossos motivos – tudo fica mais fácil e se torna um projeto “apoiável”. Isso vale para os que vão, para os que sustentam e para os que oram.

“Senhor, é muito mais fácil falar do que fazer, mas te peço ajuda para ver com clareza a expansão do Teu Reino neste mundo. Ajuda-me a apoiar projetos que fazem o que eu não faria e ser o que eles não são.”

Mário Fernandez