Mário Fernandez

Soberba

“Porque o Dia do SENHOR dos Exércitos será contra todo soberbo e altivo e contra todo aquele que se exalta, para que seja abatido;” (Isaías 2:12 ARA)

No meu convívio diário tenho contato com mais pessoas incrédulas do que cristãs. Na igreja, obviamente, a realidade é diferente; são mais cristãos do que incrédulos. O que é comum, infelizmente, é o percentual de pessoas que tem de si mesmas um conceito superior ao que deveria, ou mesmo acima do que corresponde à verdade.

Independentemente do seu conceito ou entendimento sobre o Dia do Senhor, acredite no que este texto diz com total clareza: o Senhor é contra todo aquele que se exalta. Eu tive um chefe, anos atrás, que nunca me deixou me expôr diante de clientes. Sempre que algum atrito surgia, ele dizia “não advogue em causa própria”. Isso me ensinou, pela boca daquele homem, a não arriscar ter diante de um cliente uma atitude que me fizesse parecer “o cara” para defender uma posição. O Senhor é contra esta atitude.

A humildade é elogiada e estimulada em toda Bíblia, pois é uma virtude do Reino de Deus. Podemos ser competentes, isso é ótimo. Podemos e devemos ser honestos e honrar nossos compromissos. Nossa formação acadêmica, nossos estudos e nossa cultura devem ser nossos aliados. Mas isso não deve, não pode, ser nossa bandeira ou nossa marca registrada. Simplicidade e conceito próprio abaixo do que deve são vantagens.

O grande problema é que nunca conheci ninguém que fosse um pouquinho altivo. Esse caminho não tem volta e o controle não existe. Ao trilhar o caminho da soberba, quando perceber foi longe demais. Tenhamos a disposição de demonstrar, com atitudes e resultados, quem somos e do que somos capazes. Que nosso conceito público seja formado pelos outros e não por nós mesmos.

Eu sei que a turma do marketing vai dizer que é preciso vender sua própria imagem, mas todo mundo prefere contratar um competente humilde, a contratar um gênio insuportável. Além disso, o Reino de Deus tem seu próprio marketing…

“Pai, ajuda-me a ser mais humilde do que sou, menos altivo do que sou. Faz-me perceber quando ajo de forma inadequada para que eu possa melhorar.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Problema e Responsabilidade

“Vendo Moisés que o povo estava desenfreado, pois Arão o deixara à solta para vergonha no meio dos seus inimigos, pôs-se em pé à entrada do arraial e disse: Quem é do SENHOR venha até mim. Então, se ajuntaram a ele todos os filhos de Levi,” (Êxodo 32:25-26 ARA)

Que Moisés foi um líder exemplar, não é preciso que eu argumente. Como ele fez isso, sempre merece reflexão. Este texto nos dá um exemplo disso, quando Moisés retorna do alto do monte, depois de um grande encontro com Deus, encontra o povo corrompido adorando a um bezerro de ouro. Mesmo tendo intercedido pelo povo, fico imaginando o quanto este líder se sentiu frustrado tendo aquela situação para lidar.

Primeiro, o pivô da crise foi Arão, seu irmão, que cedendo à pressão do povo fundiu o bezerro. Depois, para ser bem franco, Moisés não teve nada a ver com o bezerro. Não mandou fazer, não ajudou, não contribuiu com ouro, nem concordou, nem liberou. Mas fizeram e agora o problema estava estabelecido. Nem por isso Moisés fugiu ou deixou o povo à mercê da condenação.

Um líder de excelência precisa ter esta visão. Mesmo não sendo sua culpa, os problemas que afetam o grupo que lidera são de sua responsabilidade. Alguém precisa tomar a frente e corrigir o problema da forma que seja necessária. Moisés fez isso.

Note: temos poucos líderes neste nível em nossos dias, é verdade. Nos dias de Moisés também era assim, lembre-se da história dele. Não haveria por acaso algum do povo que pudesse ocupar este lugar? Talvez. Mas o fato é que foi Moisés que ocupou, como talvez seja você agora numa posição de tomar decisões corretivas para problemas que você não criou. Talvez seja você no papel de apoiar seu líder nesse processo, como fizeram os filhos de Levi. Deus sabe. O importante é não fugir da raia. O problema pode não ser do líder, mas a responsabilidade é.

“Deus amado, liderar não é fácil como parece. Eu quero ser um líder de excelência e assumir minhas responsabilidades, assim como dar suporte aos meus líderes em suas atribuições. Fortalece-me.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Livres da Condenação

“Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida.” (João 5:24 ARA)

Em praticamente todas as religiões existe o conceito de salvação, exceto em algumas filosofias em que não se crê algo para ser salvo. Isso, baseado no entendimento de que o ser humano é bom e não precisa ser salvo.

O Cristianismo discorda. O ser humano é pecador, motivo para este mundo estar no estado em que está, repleto de guerras, fome, doenças, ecossistema deteriorado, desigualdades, miséria e tantas outras coisas. Mesmo se não crêssemos no inferno (mas cremos) seria necessário que algo ou alguém nos salvasse – de nós mesmos em nossa natureza destrutiva.

Jesus Cristo disse, neste versículo narrado por João, que a condenação de um juízo pode ser evitada, bastando para isso ouvir o que Ele disse e crendo, não Nele, nem no que Ele disse ou fez, mas Naquele que o enviou. É lindo isso e tão simples que talvez por isso mesmo muitos não consigam crer. Teria de ser algo complicado, penitente, longo, seletivo, sei lá. Mas aleluia, não é. Eu não teria conseguido se fosse mais difícil do que é. Basta crer, basta ouvir e crer.

Nada sutil, ainda há o fato do verbo estar no presente. Quem ouve (tempo presente) tem a vida (tempo presente). Isso nos ensina que basta crermos agora para termos assegurada a vida agora. Não precisamos esperar o fim da vida para descobrir se deu certo, se funcionou. Já temos tudo que precisamos para ter certeza da vida eterna aqui. É bem verdade que o verbo no tempo presente também sugere um ato contínuo, algo a ser praticado de forma ininterrupta. Ou seja, devemos crer continuamente na Palavra de Deus, temos de manter uma postura e um estilo de vida, por assim dizer, crédulo.

Eu pessoalmente fico muito feliz com isso. Seria muito ruim para mim não ter certeza de estar no caminho certo…

“Pai, ensina-me a agir de forma que minha vida reflita o tanto que creio em Ti. Dá-me as forças necessárias para crer e viver de forma coerente. Se não serei condenado, nada tenho a temer.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Esforço Sem Medida

“E, não achando por onde introduzi-lo por causa da multidão, subindo ao eirado, o desceram no leito, por entre os ladrilhos, para o meio, diante de Jesus.” (Lucas 5:19 ARA)

Frequentemente escuto que tudo na vida tem limite, embora eu ache este conceito meio polêmico. Quebrar os paradigmas diante de nós é algo que custa um esforço grande, especialmente do nosso ego. Mas para os amigos deste paralítico, parece que este limite virtualmente não existia. O homem estava no leito, precisava ir a Jesus, não tinha como chegar. Vamos por cima.

Fico pensando que cena seria: no meio de um culto de domingo, aquele pregador famoso pregando, quando de repente se escuta um barulho no telhado e uma cama descendo por umas cordas. Primeiro ia ser uma correria para todos os lados possíveis, pois o povo hoje em dia é muito mais apavorado. Já ia pensar em ataque terrorista, bomba, avião caindo, qualquer coisa. Segundo, o pregador ia dar aquela parada estratégia e de duas uma: ou ia continuar como se nada tivesse acontecido ou gritaria “corre pessoal”.

Com Jesus não foi assim. A Bíblia não relata nenhuma histeria, nenhuma confusão, apenas Jesus olhando para o tamanho da fé daquelas pessoas e perdoando o paralítico. O tumulto foi entre os fariseus e escribas, pois Jesus primeiro lhe perdoou os pecados e só depois de argumentar com eles é que o curou. Tudo indica que o culto continuou…

Aliás, apenas a título de curiosidade, o texto diz que o paralítico imediatamente tomou seu leito e foi para casa, nem ficou para o restante do culto. E para completar, não menciona que alguém o tenha censurado.

O foco aqui é simples: seus amigos se esforçaram por ele a ponto de arrebentar um telhado e descê-lo. Você tem amigos assim? Você é um amigo assim? Por que amigos assim são cada vez mais raros?

São tempos difíceis, mas algo pode (e precisa) ser feito enquanto ainda podemos.

“Pai, ensina-me a ser dedicado a meus amigos a ponto de me importar e me esforçar por eles.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Ajuda Faz Diferença

“Vieram, então, uns homens trazendo em um leito um paralítico; e procuravam introduzi-lo e pô-lo diante de Jesus.” (Lucas 5:18 ARA)

A primeira coisa que chama a atenção neste episódio é justamente o fato de que este paralítico era paralítico. Se de nascimento ou não, neste momento não importa. O fato é que estava num leito e tudo indica que não tinha condições de levantar-se. Habitualmente os escritores bíblicos destacam quando é uma criança ou um menino, portanto é razoável imaginar, ainda que não seja explícito, que era adulto. Mas, o que não é suposição é que este paralítico tinha amigos.

Viver sozinho não é bom para o ser humano. Se este paralítico não tivesse amigos teria morrido no leito sem experimentar a cura que Jesus tinha para ele. Se eram seus familiares ou não, eram pessoas que se importavam com ele a ponto de carregá-lo. Era pelo fato de ter quem se importasse com ele que foi levado a Jesus, e ao ler o texto percebemos claramente, com muito esforço. O verbo “procuravam” que aparece no texto indica um ato contínuo e traz o conceito de esforço. Ou seja, seus amigos se esforçavam continuamente para estar diante de Jesus.

Ser ajudado não é humilhante, é abençoador. Ajudar é muito mais bênção, pois como Jesus mesmo disse “melhor coisa é dar do que receber” e isso se aplica à ajuda. Mas ser ajudado pode fazer toda diferença, muitas vezes entre salvação e perdição, vida e morte.

Não há dúvida que ao vivermos em comunidade dentro das igrejas, temos muito leito para carregar. São enfermos do corpo, da alma, das emoções, dos relacionamentos, das finanças e assim por diante. Tembém pode ser que precisemos ser carregados em alguma situação. O importante é estarmos prontos e dispostos a nos importar com as pessoas ao ponto de carregá-las.

Eu ouso dizer que não precisa esperar ficar paralítico para aprender a lição. Ser ajudado é consequência de ter quem se importe. Para chegar a isso, nós teremos de nos importar com os outros primeiros. Semeadura…

“Senhor, ensina-me a me importar com as pessoas a ponto de carrega-las. Ajuda-me para que eu não precise ser carregado, mas se precisar, ter a humildade de receber ajuda.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Fontes de Vida

“Depois disto, o homem me fez voltar à entrada do templo, e eis que saíam águas de debaixo do limiar do templo, para o oriente; porque a face da casa dava para o oriente, e as águas vinham de baixo, do lado direito da casa, do lado sul do altar.” (Ezequiel 47:1 ARA)

Deus é a fonte de toda vida, em todas as suas formas e expressões, a qualquer tempo e em qualquer intensidade. Falou em vida, a fonte é o Deus Eterno Todo-Poderoso, Aquele que vive para sempre. Entre muitos outros, este texto nos mostra isso.

Templo é uma figura para habitação de Deus, tanto no Antigo Testamento como no Novo. No Antigo a figura era um prédio e no Novo é o nosso corpo físico. Rio é fluir de águas, que em toda Bíblia é figura para vida e para o Espírito de Deus (que por vezes também é figurado por fogo). Aliás, fogo e água são muito relacionados em outros sentidos e aplicações. Neste texto, o rio que proporciona vida até o Mar Morto vem de debaixo do limiar do templo.

Isso nos leva a pensar que a vida de Deus flui da Sua presença. Se no Novo Testamento o templo de Deus é nosso corpo, como diz 1 Coríntios 6, o que devemos deduzir? Deverão acaso fluir rios de água de vida de debaixo de nós. SIIIIIIIIIM!!

Ao termos conosco o Espírito Santo, somos o templo de onde flui vida para um mundo perdido, sem vida, condenado a morrer. Somos nós que estamos aqui como baldes de água num deserto, cumprindo papel de semente de Deus neste mundo árido e sem vida. Temos de assumir nosso papel de anunciadores do Reino de Deus, especialmente no sentido de deixar fluir o rio de Deus na sociedade, na família, nas empresas, nas escolas, nos condomínios, nos bairros, nas estradas, nos shoppings, no comércio de rua, nas favelas e nas mansões, nos carrões e nos ônibus. Nossas atitudes, nossas palavras e nossas vidas são a bica por onde este rio deverá fluir.

Se falamos de vida, semeamos vida. Se perdemos tempo falando deste mundo, enterramos o rio. Se vivemos em retidão e santidade, anunciamos o rio. Se profetizamos, anunciamos cura, impomos a mãos, oramos, expulsamos demônios – não estamos fazendo nada mais do que aquilo que deveríamos fazer, afinal estes sinais seguem aos que creem. E nós? Vamos crer e fluir com o rio ou apenas ficar lendo e escrevendo?

“Senhor, ensina-me a ser fonte de água de vida.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Senhorio

“Foi precisamente para esse fim que Cristo morreu e ressurgiu: para ser Senhor tanto de mortos como de vivos.” (Romanos 14:9 ARA)

Eu amo textos com a clareza deste versículo. Podemos teorizar nas mais fundamentadas veias da teologia, mas nunca teremos uma resposta melhor nem mais clara que a dada pela Palavra de Deus, a Biblia. Tudo que Jesus fez em sua vida terrena apontou para a cruz e a cruz apontou para a ressurreição. E tudo isso tinha um único propósito: ser Senhor de todos.

Ser Senhor significa ser DONO de mortos e vivos. Dono faz o que quiser, usa quando quiser, não deve satisfação às suas posses.

Mas e quanto a salvação pela remissão dos nossos pecados? Foi para ser Senhor. Mas e a justificação? E quanto a derrotar principados e potestades? E levar sobre si toda nossa maldição? E para sermos um como Ele e o Pai são um? E quanto a nos dar o Espírito Santo? E a respeito de tomar para Si as chaves da morte? Tudo isso foi para ser Senhor.

Nada disso tem qualquer valor se não for para Jesus se assenhorar de todos nós, no sentido mais amplo e profundo possível. Tudo isso é verdade, aliás maravilhosamente verdadeiro. Tudo isso é útil para nossa vida, em todos os sentidos. E não mencionei tudo, há muito mais. Mas não vamos confundir O QUE com PORQUE. O que a cruz e a ressurreição proporcionam ocuparia algumas páginas. Mas o motivo era um só: ser Senhor de mortos e vivos.

Talvez nós pudéssemos olhar para a cruz e para o Senhor Jesus Cristo de uma forma diferente. Deveríamos, até, considerar que o Seu ato de amor por nós, foi um ato pensado, planejado. Fazia parte de um plano para ser Senhor. Todos os grandes imperadores e conquistadores fizeram ao contrário: mataram a muitos para serem reconhecidos e assumirem reinos, impérios e conquistas. Jesus fez o contrário: deu Sua própria vida por um Reino que, no fundo, já era Dele.

E tudo isso, meu amigo e meu irmão, foi causa de gente como você. Gente como eu. Gente como nós. É muito amor.

“Pai, é comovente perceber que Teu amor por mim vai além de palavras e ações superficiais. Mas não posso fugir de entender que o objetivo claramente era de ser Senhor. Ensina-me a praticar o reconhecimento do Teu senhorio sobre minha vida.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Injustiça

“Que diremos, pois? Há injustiça da parte de Deus? De modo nenhum!” (Romanos 9:14 ARA)

Poucos admitem, mas muitos julgam Deus como injusto, e me refiro a pessoas que se dizem cristãos e estão dentro de igrejas. Parece radical, mas é a verdade. Vejamos.

É justo reclamarmos que nossa liderança é incompetente ou desonesta, que não assume suas incumbências ou que não faz juz a seus cargos? Pode ser que sim, pode ser que não. Se for verdade, temos um impasse. Ou Deus errou ao escolhê-los ou eles não fazem juz ao seu chamado. Não há injustiça da parte de Deus, então o erro está aqui embaixo.

Uns tem mais sucesso nos negócios do que outros, mesmo trabalhando com a mesma intensidade. Uns tem boa saúde mesmo sem muito cuidado e outros com todo esmero padecem de problemas. Uns enfrentam problemas familiares terríveis e são um doce de pessoa; já para outros, mesmo sendo meio displicentes, tudo corre bem. Deus é injusto com alguns? De modo algum.

O texto, poucos versos antes, diz que Deus amou a uns e aborreceu a outros. O nome disso não é injustiça e sim soberania: Deus pode fazer o que quiser no momento que quiser e nem por isso será injusto. Mas não se iluda, isso não é dogma ou crendice. O que acontece é que nem sempre Deus vai justificar seus motivos, suas razões, por seus próprios sensos ou critérios. Seja por não termos capacidade de compreender ou simplesmente por Ele não querer nos revelar, há sempre algum motivo maior.

Injustiça é algo que se pratica intencionalmente de forma a não dar a alguém o que lhe é devido. Se você achar que merece algo que lhe é devido e Deus nega-se a dar-lhe, então sim Deus é injusto. Mas eu não creio que isso exista porque não creio que mereçamos nada além da morte e o inferno. Nascemos em pecado e nos desenvolvemos no pecado. Recebemos algo que não merecemos sim, mas noutro sentido. Temos acesso a uma salvação que jamais alcançaríamos por mérito.

Neste sentido, Deus não praticou justiça: praticou misericórdia. Aleluia!

“Pai, que bom que posso confiar no teu juízo que será sempre perfeito. Ensina-me a enxergar tua justiça pela ótica correta para ser abençoado por Ti.”

Mário Fernandez