Mário Fernandez

Igualdade

“suprindo a vossa abundância, no presente, a falta daqueles, de modo que a abundância daqueles venha a suprir a vossa falta, e, assim, haja igualdade, como está escrito: O que muito colheu não teve demais; e o que pouco, não teve falta.” (2 Coríntios 8:14,15 ARA)

Quando falamos em igualdade pensamos em direitos iguais, oportunidades iguais, recursos iguais e assim por diante. Lendo este texto me deparei com o termo e resolvi estudá-lo melhor no idioma original. Seu significado na verdade é “equivalência” ou “proporcionalidade”. Isso afetou minha percepção a respeito de igualdade.

Eu ter dois carros e meu vizinho não ter nenhum pode ser igualdade. Se ele trabalhasse tanto quanto eu e há tanto tempo quanto eu, poupasse como eu, provavelmente também teria. Talvez não – mas o importante é que teria a oportunidade. Mas nosso foco não é nesse mundo nem nas coisas deste mundo.

O texto fala em suprimento básico, portanto material, especialmente em alimento e agasalho. É nítido, basta ler. Mas o espiritual não se distancia em nada. O alimento a que eu tenho acesso todos têm, desde que semeiem e colham como eu. Qualquer pessoa da Terra que se disponha a orar o quanto eu oro e estudar a Palavra quanto eu, encontrarão no mínimo as mesmas riquezas e serão tão abençoadas quanto eu. Talvez não tenham dom para escrever, mas poderão ter outros dons que eu não tenho – equivalentes aos olhos de Deus e portanto, em igualdade.

Nenhum de nós é especial se todos nós formos especiais e assim é diante do Pai. Eu acordo mais cedo para orar e me sinto envergonhado de dizer que não consigo fazer isso todos os dias. As pessoas que conheço que fazem isso mais intensamente do que eu tem mais intimidade com Deus. É simples: plantar e colher. Eu reparto um pouco do que recebo, pois repartir tudo é impraticável. Recebo de outros que repartem comigo. A abundância de uns supre a carência de outros. Isso é que é igualdade no Reino de Deus. O resto, são coisas deste mundo.

“Amado Deus, é maravilhoso te conhecer e ser conhecido por Ti. Fortalece-me para que eu esteja entre os que tem para repartir e não entre os que ficam buscando em escassez.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Consistência

“Jesus, porém, voltou-se e, fitando os seus discípulos, repreendeu a Pedro e disse: Arreda, Satanás! Porque não cogitas das coisas de Deus, e sim das dos homens.” (Marcos 8:33 ARA)

Eu já devo ter escrito algumas meditações sobre liderança, mas o lado do liderado sempre precisa de incentivo. Pedro foi um importante instrumento de Deus após a ressurreição de Jesus, isso não há como negar. Mas seus momentos anteriores à cruz foram sempre muito intensos e tumultuados. Chamou-me a atenção algo neste episódio: Pedro não deixou de andar com Jesus depois disso. E foi uma palavra muito dura.

Quantos de nós, gente como eu e você, se dói quando ouve palavras duras? Quantas vezes nós desisitimos e pulamos do barco por muito, sejamos sinceros, muito menos do que isso? Será que nossos líderes estão tão longe de Jesus que suas palavras quando duras nos machucam mais do que estas diririgadas a Pedro? Talvez sim, talvez não. Mas eu tenho certeza de uma coisa: quero imitar o melhor, não o pior.

O pior para mim não é referência. Os que desistem não são referência, os que murmuram também não, os que tratam mal seus liderados não são e eu não quero imitá-los. Quero ser imitador de Jesus, o melhor dos melhores. Quero ser imitador de Paulo, reflexo do melhor. Quero aprender com o que é bom, como topo e não como o sub-solo. Eu não admiro os perdedores ou desistentes, especialmente no mundo espiritual. Vou pra Glória Eterna com o Pai, sou herdeiro junto com Cristo. Quero me referenciar nisso – o melhor.

Meu irmão, meu amigo, temos de parar com o dodói. Se me dizem uma palavra dura que não mereço ouvir, aleluia. Se me agradarem e motivarem, aleluia. Preciso ser maduro para isso e me referenciar no melhor. Quem me maltrata não é o melhor, Deus tratará com ele.

“Pai, ajuda-me a ser forte no momento do confronto para não desistir e focar em Ti. Ensina-me a lidar com os que não me tratam bem, para meu crescimento.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Recuperar Ânimo

“Davi muito se angustiou, pois o povo falava de apedrejá-lo, porque todos estavam em amargura, cada um por causa de seus filhos e de suas filhas; porém Davi se reanimou no SENHOR, seu Deus.” (1 Samuel 30:6 ARA)

O povo, quando fica nervoso, faz coisas que depois se arrepende. Falavam em apedrejar Davi. Claro que ele estava angustiado, nada mais natural, mas aí apareceu sua ligação profunda com o Senhor. Davi se recupera buscando ânimo em Deus. Isso é atitude de quem conhece ao Deus verdadeiro, que o ama, que prefere fazer certo do que encarar sozinho.

Esse talvez seja um dos grandes problemas de nossos dias, pois cada vez menos pessoas buscam ânimo no Senhor. Eu não sou contra os psicólogos, terapeutas, conselheiros e afins. Aliás, defendo o exercício honesto de suas profissões como algo de elevado valor para a sociedade. Mas muita gente não precisaria estar em tratamento se estivesse em santidade. Se buscasse a face do Deus vivo não precisaria buscar ajuda clínica.

Obviamente cada caso é um caso e não se deve generalizar, mas uma coisa é certa e vale para todo mundo: Deus é fonte de refrigério, de socorro e de ânimo. Nele qualquer um de nós encontra uma fonte para se reanimar. Assim como foi com Davi, Deus tem interesse em ser com todos nós, com qualquer um de nós.

Eu vivo dias difíceis e vivo dias maravilhoso, deliciosos. A diferença não é a presença ou ausência de Deus e sim as circunstâncias ao meu redor. Assim como Davi nesse episódio, meu ânimo e minha angústia são afetados pelo que está ao meu redor. Mas nada afeta minha confiança em Deus, seja para mais ou para menos. Isso não pode acontecer. Confio em Deus pelo que Ele é, não pelo que acontece ao meu redor.

Davi se reanimou no Senhor diante de um povo que queria apedrejá-lo, e talvez até com razão. Não importava a situação. Sejamos assim também.

“Pai amado, que maravilha não precisar olhar ao meu redor para saber se posso confiar em Ti. Me ensina a ser mais confiante e mais motivado por Ti.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Quem é o Dono?

“E, na verdade, tenho também por perda todas as [coisas,] pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas e as considero como esterco, para que possa ganhar a Cristo” (Filipenses 3:8 ARC)

Eu já devo ter lido este texto dezenas de vezes ao longo de todos os anos que ando com Cristo. Mas somente em um tempo muito recente, algo me chamou a atenção como nunca antes. O fato de Paulo reputar por perda tudo que tinha antes, demonstra que para ele o Senhor de fato não era ele mesmo. Explico.

Algumas pessoas conduzem suas vidas como se fossem seus próprios donos, o que nunca é verdade. Enquanto condenados em uma vida de pecado, ainda que sendo objeto do amor de Deus estão sob domínio do mal. Tendo sido resgatados, Cristo deve passar a ser o Senhor (dono). Em outras palavras, não se trata de “ter a Jesus” como alguns costumam dizer, mas ser tido por Ele, o dono é Ele. Então quem tem a quem?

Talvez pela falta de compreensão deste aspecto de senhorio tenhamos tantos atritos e desentendimentos entre nós, que deveríamos agir como irmãos em tudo – no pensar, no proceder, no priorizar e, especialmente, no reagir. Não sou dono de minha opinião, pois tenho um Senhor e a Ele sirvo. Ele nos ordena a tolerância e a ninguém pensar de si mesmo além do que convém, tendo os outros como superiores.

Talvez, também por isso, tenhamos ainda um mundo tão dividido entre os que se dedicam ao serviço do Reino e os que não, ainda que membros de uma igreja. Há na Terra um grupo (menor) de dedicados e empenhados em fazer diferença neste mundo que jaz no maligno. Há outro grupo (maior), que simplesmente converte oxigênio em gás carbônico ao respirar e mais nada. Nosso dono não espera de nós mediocridade, não viveremos neste mundo para sempre. Não levamos nada desta vida.

Vamos nos entregar ao Senhor para que Ele governe nossas vidas e vejamos o que acontece.

“Senhor, me ajuda a ter foco das tuas coisas nesta vida, fazendo o que quer eu me dedique a fazer. Fortalece-me para não desviar do Teu propósito.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Atitude de Fé

“Então, lhes disse: Lançai a rede à direita do barco e achareis. Assim fizeram e já não podiam puxar a rede, tão grande era a quantidade de peixes.” (João 21:6 ARA)

A obediência destes pescadores chama a atenção, principalmente considerando que eram pescadores experientes e não haviam reconhecido a Jesus naquele momento. Vigiar as nossas fraquezas é prudente e recomendável. Mas vigiar onde somos fortes (ou experientes) é um ato de fé.

Se você meu leitor for apenas um pouco parecido comigo, vai entender do que estou falando. Ouvir novamente aquela palavra sobre aquele mesmo assunto, que a gente se acha tão maduro. Receber conselho outra vez, sobre algo que nunca caímos. Ter de escutar a mesma história com a mesma ilustração pela milésima vez, da mesma pessoa, pelos mesmos motivos. Receber ordens novamente, para fazer tudo de novo, depois de tanto tempo.

São meros exemplos que eu tolero com dificuldade ou nem tolero. Minha paciência tem limite. Mas a de Deus não. E os pescadores aqui foram abençoados por terem tido esse tipo de paciência. Imagine, pescador a vida inteira, pescando no mesmo lugar, depois de uma noite sem resultado, dando o maior duro – simplesmente lançar a rede de novo só por que um sujeito mandou. Lembre-se: só se aperceberam de que era Jesus bem depois.

O nosso ego é um inimigo considerável, não devemos menosprezá-lo. Eu critiquei no passado um pastor por seu posicionamento, hoje eu o imito – já pedi perdão. Mas tenho aprendido que essa falta de fé custa um lote de peixes na vida da gente. Se gostamos do barco vazio, amém, mas vamos admitir isso. Não adianta reclamar sem estar disposto a enchê-lo.

Na prática, o que podemos fazer é encarar tudo que nos parece absurdo como ato de fé. O que não for compatível com a fé, pulemos fora de imediato. Obviamente, para qualquer um dos dois casos, arcaremos com as consequências.

“Senhor, não quero perder de ser abençoado por teimosia ou falta de fé. Ensina-me a distinguir a Tua voz para ser obediente voluntária e imediatamente.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Lugar Errado

“Ele não está aqui, porque já ressuscitou, como tinha dito. Vinde e vede o lugar onde o Senhor jazia.” (Mateus 28:6 ARC)

Muitas pessoas ainda procuram a Jesus no lugar errado, por exemplo, na cruz ou no sepulcro. Ele não está mais naquela cruz, pois ressuscitou. Também não está mais no sepulcro, pelo mesmo motivo. Vamos entender isso de forma mais clara e mais profunda.

Procurar Jesus na cruz é ignorar tudo que aconteceu depois da crucificação. É o comportamento de Tomé, tão criticado por alguns que o têm por um incrédulo. Toda vez que ignoramos promessas como “estarei convosco todos os dias”, ou se desdenhamos coisas como “estes sinais seguirão os que crerem”, ou ao negligenciar mandamentos como “ide por todo mundo”, o que fazemos é exatamente parar o cronômetro da história na cruz. Mas isso não invalida tudo que Jesus de Nazaré fez neste período, apenas nos deixa à margem. O prejudicado, portanto, é apenas e tão somente quem tem este tipo de conduta. Está buscando Jesus na cruz, pois estou falando de pessoas que oram, que afirmam crer nele, estão nas nosssas igrejas, dão dízimo. Apenas não conseguem ir adiante da cruz.

Procurar Jesus no sepulcro é o que fazem os que se intitulam céticos, racionalistas, ateus, ou simplesmente não aceitam nada sobrenatural. Tudo tem de ter lógica, tem de ser científico, tem de fazer sentido. A ressurreição é um ato sobrenatural de Deus e não de fazer sentido racional. Não crer nisso o deixa historicamente no sepulcro. Mas igualmente, não muda a verdade dos fatos e tão somente coloca à margem os que assim procedem. Há pessoas assim dentro de nossas igrejas, mas muito mais fora delas. A própria constituição da igreja e seu cotidiano é incompatível com este tipo de coração.

O que faremos então? Vamos manter Jesus na cruz? Ou sepultado? Não sou companheiro para isso. Meu Jesus ressuscitou, não está mais ali. Creio nas promessas, nos milagres, nos sinais, no sobrenatural de Deus. O mesmo poder que ressuscitou a Cristo age em mim hoje e é pelo Seu Santo Espírito.

“Pai, ensina-me a ter mais fé, no sentido de crer naquilo que a Biblia ensina, especialmente quando não faz sentido. Ajuda-me.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Contenda

“Fazei todas as coisas sem murmurações nem contendas;” (Filipenses 2:14 ARC)

Contender é sinônimo de luta, combate, briga ou disputa. Isso simplesmente não deveria aparecer no meio do povo de Deus, mas pela época deste escrito de Paulo, fica nítido que não é coisa nova. Hoje portanto, não só não é novidade como já deveria ter dado tempo de ser retirado do nosso meio. Contendas surgem por conta de egoísmo, sede de poder, valorização pessoal…

As brigas e disputam acontecem de várias formas, inclusive com contato físico. É horrível, mas já vi irmãos se empurrando por conta de contendas dentro da igreja. Não é comum, admito. Mas a gritaria, as ofensas e as várias formas de influência, legítima ou não, sobre as demais pessoas, consiste em contenda.

Talvez passe despercebido para alguns, mas Deus nunca estabeleceu distinção entre o serviço santo e o secular, até por que o Novo Testamento nos ensina claramente que todos somos raça eleita e sacerdócio real, somos Dele e para Ele, todos nós e o tempo todo. Isso significa que não devemos excluir coisas difíceis de “todas as coisas” mesmo fora da igreja.

Leve isso para seu vizinho chato que ouve música muito alto. Ou para o atendende que insiste em errar no troco, ou naquela situação em que seus direitos são violados. Há outras formas de fazer seus direitos prevalecerem e a justiça ser feita. Sem gritaria, sem agressão, sem necessidade de contenda. Não se resolve nada tentando gritar mais alto ou perdendo a compostura. Por outro lado, é muito constrangedor gritar com alguém que revida com sorriso e constantemente oferece a outra face ao invés de revidar – que foge da contenda, se preferir.

Não se trata de temperamento, mas de domínio do Espírito Santo sobre nossa vida. É natural contender. É sobrenatural vencer a tendência de contenda.

“Senhor, eu quero ser a cada dia mais parecido com Teu propósito para o meu caráter. Fortalece-me para vencer minhas fraquezas.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Murmuração

“Fazei todas as coisas sem murmurações nem contendas;” (Filipenses 2:14 ARC)

Paulo está tratando neste capítulo de aspectos da conduta cristã, especialmente das coisas cotidianas de uma vida simples. Mas a murmuração é um grande gigante a ser derrubado, pelo menos em nossos dias, da mesma maneira que já era naquele tempo. Murmurar é o oposto de louvar e ocupa o tempo e as palavras que deveriam apregoar as boas novas de Cristo.

Quando a Bíblia usa a expressão ‘todas’, se refere a ‘todas’ as coisas. Como ajudar um alcóolatra ou drogado pela décima vez? Como perdoar uma liderança relapsa? Como continuar contribuindo com uma causa que parece não progredir? Como continuar tentando um casamento que parece ter desmoronado? Cada pergunta tem sua resposta específica, mas para todas elas inclua “sem murmurar”.

Murmurar se tornou uma cultura internacional e tem, em si mesmo, um conceito pouco notado de emitir juízo – eu murmuro e critico por que no meu julgamento não deveria ser como é. Ao murmurar por que chove, criticamos Aquele que fez a chuva. Ao criticarmos o sol, fazemos o mesmo. Ao criticarmos as pessoas, especialmente as que servem a Deus, estamos criticando o Senhor delas. A murmuração faz mal para quem fala, faz mal para quem ouve. Não muda a realidade ao nosso redor, semeia algo da mesma espécie – mais murmuração.

É fácil pensar sobre isso: se vamos contratar um funcionário ou escolher um vizinho para morar, escolhemos o otimista ou o que murmura? Se temos perto de nós uma pessoa que murmura, preferimos alimentar seu hábito ou nos afastamos? Agora pense comigo: por que alguém vai querer ouvir o evangelho de alguém que murmura? Se só reclama, como vai trazer boas novas?

Precisamos aprender a desenvolver alegria para servir a Deus em todas as instâncias e isso pode ser conseguido com atitude interior, mas a murmuração vai minar esse esforço. Quem consegue parar de murmurar consegue começar a louvar. Quem consegue vencer a murmuração muda as coisas ao seu redor.

“Pai, ensina-me a controlar meu temperamento e parar de murmurar. Pode ser que existam pessoas que murmurem até mais do que eu, mas quero tua ajuda assim mesmo.”

Mário Fernandez