Mário Fernandez

Coração e Tesouro

“porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração.” (Mateus 6:21 ARA)

Eu e você certamente ouvimos já dezenas de pregações, palestras, estudos, ministrações e conversas sobre este texto. Teu tesouro são teus bens, dinheiro, propriedades deste mundo. Os dois versículos anteriores se dedicam a falar sobre isso, sobre acumular no céu. Mas recentemente atentei para um aspecto deste ensino que nunca havia me chamado a atenção.

Passei recentemente por um processo de transformação no mínimo interessante e quem não conviveu comigo antes não tem como saber. Mas reconheço que minha vida mudou e fui transformado. Não quero aqui fazer propaganda nem de mim mesmo nem do que me transformei, mas apenas testificar de que percebi onde estava meu coração. Inusitado, no mínimo, mas real.

Descobri que meu coração era meu tesouro. Nada me era mais precioso do que me preservar, meus sentimentos, minhas emoções. Nada me era mais caro do que minhas idéias, meu ego, minha vontade. Ainda que com um reconhecido senso de servir, dito por todos que me conhecem, até nisso era meu coração ditando o que me agradava e me era portanto, precioso – tesouro. Sabe meu leitor, sem tirar o texto fora de seu contexto, posso afirmar seguro que meu coração era meu tesouro e isso é coisa deste mundo. Minhas obras vão ficar aqui, meus sentimentos bons e ruins vão ficar aqui. Meu ego não passará pelo fogo. Vai restar apenas o que é espiritual e de acordo com os padrões do Reino de Deus, quer eu goste disso ou não, quer meu coração se agrade ou não.

O Reino de Deus tem um Rei Soberano, não uma democracia na qual eu poderei dizer como quero que o céu seja, como deverá ser o lugar ou as atividades celestiais. Eu vou para encontrar o que Deus preparou para mim e fim da história. Meu tesouro não pode ser o meu coração e sim o coração de Deus. Meu tesouro tem de ser o Reino vindouro. Meu enganoso coração tem um papel a cumprir sim, mas não é nem o papel de tesouro nem o papel de senhor da minha vida.

“Pai, tem misericórdia de mim. Ao invés de negar-me eu fico me protegendo. Ao invés de me dar eu fico me guardando. Ajuda-me Pai a vencer isso e colocar meu coração no tesouro certo, no Teu Reino.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Deixado Para Trás

“Perguntou Samuel a Jessé: Acabaram-se os teus filhos? Ele respondeu: Ainda falta o mais moço, que está apascentando as ovelhas. Disse, pois, Samuel a Jessé: Manda chamá-lo, pois não nos assentaremos à mesa sem que ele venha.” (1 Samuel 16:11 ARA)

Meu irmão, você pode ser deixado para trás pelas pessoas, pela família, pelo profeta e até mesmo em momentos importantes. Mas Deus não permitirá que você seja esquecido nem deixado para trás por Ele. Davi não foi chamado para a reunião do avivamento na casa do seu pai, só os irmãos dele foram chamados. Ali estava o profeta, a presença de Deus, os pais, os empregados, havia óleo de unção, havia tudo de bom ali. Mas Davi ficou de fora.

Deus providenciou que o profeta Samuel não se contentasse com o que os seus olhos pudessem ver, a ponto de perguntar a Jessé se os filhos haviam acabado, pois a palavra que lhe fora dada era no sentido de que o ungido seria um dos filhos dele. Não vamos nem comer enquanto não vier aquele que falta vir, em outras palavras. Meu querido, muitas vezes o deixado para trás fui eu ou pode ter sido você. Mas não se preocupe, o óleo não será derramado sobre a cabeça errada nem a festa se iniciará, até que a pessoa certa seja trazida.

Nada sutil o detalhe de que tiveram de buscá-lo, pois ele estava ocupado, assim como Pedro pescando, Mateus cobrando impostos ou Gideão malhando trigo. Ocupado não é esquecido, é apenas ocupado. Deus te desocupará no tempo Dele para ser ungido, se isso for para ser feito. Ninguém será deixado de lado se o Senhor estiver no controle.

Aprenda a confiar que mesmo seu profeta sendo falho como Samuel era falho, todos pensando da forma errada como os filhos de Jessé pensaram que eram os ungidos, mesmo que até seus pais o deixem por último e praticamente descartado.

A unção da sua cabeça não vai parar na cabeça de mais ninguém, portanto trabalhe e confie no Senhor. Apenas fique atento quando lhe chamarem, talvez no meio de uma tarefa simples do cotidiano, pois pode ser a sua vez.

“Senhor, te glorifico e bendigo Teu nome porque o Senhor atenta para mim e para meu destino. Obrigado por ter promessa sobre a minha vida. Obrigado por me permitir confiar em Ti e saber que estou seguro Contigo.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Poder na Fraqueza

“Então, ele me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo.” (2 Coríntios 12:9 ARA)

Eu já ouvi tanta ladainha em cima deste versículo que decidi escrever outra devocional, depois de tantos anos da primeira. Meu irmão, não se confunda – fraqueza não é uma coisa boa e Paulo se gloriava nela porque era Paulo. Eu não sou, a fraqueza dói em mim como só eu posso saber.

Eu perco a paciência justo quando tem um testemunho para ser dado. Eu como aquele chocolatinho a mais no meio da dieta. Eu me acovardo de levar adiante meu evangelismo para aquela pessoa que beira o insuportável. Eu digo que não atento para as riquezas deste mundo mas fiquei furioso quando arrombaram meu carro. Eu digo que sirvo somente ao Senhor, mas cada pessoa que sai da minha cobertura pastoral leva consigo um pedaço de mim, arrancado a frio sem anestesia. São fraquezas. Como eu me gloriaria nisso? Como posso me alegrar não conseguindo?

Fomos educados numa escala de méritos na qual o bom é o que atinge o alvo. O mercado de trabalho não valoriza esforço, valoriza somente resultado. Os vendendores só recebem comissão do que vendem, não importa quanto trabalho deu e se não vender nada, não importa o trabalho que deu. Os eleitos são os mais votados e não necessariamente os melhores. Pastor bom é aquele que tem igreja grande, de preferência tendo começado pequeno há muito tempo atrás. Como é que posso me gloriar em pastorear meia dúzia?

O segredo são as última palavras do versículo: eu tenho que preferir ter o poder de Cristo em mim do que ter razão ou atingir meus objetivos. Se todo esse poder for para ganhar uma única alma, por que não? A obra não é Dele?

Não se preocupe, amado leitor, isso não é o desabafo de uma crise de identidade. Para glória de Jeová estou muito bem e esperançoso. Estou apenas levantando questionamento.

“Pai, obrigado porque não dependo da minha força nem da minha competência, ainda que seja doloroso negar-me a mim mesmo. Obrigado por não me deixar desanimar. Dá-me o necessário para eu não desanimar.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Amor de Mãe

“Acaso, pode uma mulher esquecer-se do filho que ainda mama, de sorte que não se compadeça do filho do seu ventre? Mas ainda que esta viesse a se esquecer dele, eu, todavia, não me esquecerei de ti.” (Isaías 49:15 ARA)

Ouvia uma música em um CD no carro que falava deste texto, tão conhecido, mas que há tanto tempo não me dizia nada. O Senhor falou fortemente comigo em pleno trânsito engarrafado e foi muito forte. Eu tenho dois filhos e os amo muito, mas não sei o que o amor de Deus pode significar. Preciso reconhecer isso, pois nisso somos muito inferiores a Ele.

Não consigo imaginar o que seja uma mãe desprezar um filho que amamenta, mas mesmo que tal repúdio seja real, Deus não se esqueceria de mim. Nada do que eu faça pode mudar isso, Ele me ama e veio ao meu encontro quando eu estava perdido por aí sem saber nem como nem por que voltar para casa. Ele me amou e continua me amando. Nada do que eu pense ou faça poderá abalar este amor que Ele tem por mim, ainda que algumas de minhas atitudes imponham separação entre nós afetando nosso relacionamento – mas nunca nada abala o amor Dele por mim. Nada.

Talvez por não compreender esta realidade com a profundidade adequada, muitos cristãos não têm evangelizado. Talvez por não ter noção disso muitos membros de igrejas têm se comportado como querem e não como Deus gostaria que se comportassem. Para alguns talvez ser amado não signifique muito, mas para mim é simplesmente tudo. Penso até que alguns acham que este amor invalida ou neutraliza a justiça. Mas me permita uma advertência bíblica: Deus é justiça também. Até porque, como Ele me ama muitíssimo, se Ele quiser ser justo comigo terá de me tratar e abençoar melhor do que os que Ele também ama, mas se comportam mal diante Dele. Não é assim que fazemos com nossos filhos? Não recompensamos o bom comportamento e punimos o mau, sem deixar de amar a ambos?

Ficar afastado de Deus é muito ruim, estar privado de Sua atenção para mim é o caos. Mas mesmo num vale deserto, árido, abandonado por tudo e por todos, humilhado, machucado e muito ferido: Deus não é todo mundo, Ele ainda me ama e não me quer ali. Me estende a mão e me tira dali.

Pense nisso.

“Pai, obrigado porque Teu amor é assombroso, não consigo imaginar a dimensão mas entendo que é muito grande. Obrigado por me amar desde sempre e não desistir de mim.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Último Grande Dia

“No último dia, o grande dia da festa, levantou-se Jesus e exclamou: Se alguém tem sede, venha a mim e beba.” (João 7:37 ARA)

No Reino de Deus o calendário é sempre meio invertido em relação ao nosso aqui deste mundo. Aqui a gente faz festa quando passa no vestibular, quando nasce um filho, quando casa, quando muda para uma casa melhor, quando começa as coisas. Pois a dinâmica de Deus é de fazer festa no final das coisas e não no começo. Isso faz um certo sentido, pois no contexto de uma batalha não se comemora antes de vencer e o Reino de Deus tem algo de luta espiritual.

O texto acima está falando de uma festividade em particular, mas o senso de que a festa fica boa no final, continua sendo válido. Alem disso outros textos mostram esse mesmo toque, como quando Jesus fez seu primeiro milagre, transformando água em vinho, o que deixou o melhor para o final.

O grande dia de festa é o último. O Senhor vai voltar, vem nos buscar para ficarmos com Ele para sempre, vai consumar todas as coisas. Eu anseio por este dia, como todos aqueles que amam verdadeiramente ao Senhor. Este sim é o dia da grande festa. Até lá, teremos pequenas vitórias e pequenas comemorações, sabendo que nossa luta não é nem contra carne nem contra sangue.

Sugiro encarar esta nossa caminhada na Terra e nossa batalha contínua como uma forma de treinamento para o mundo vindouro. Portanto, aprenda a celebrar e comemorar todas as vitórias, grandes e pequenas. Aprenda a caminhar com gratidão continuamente, para que quando o grande dia chegar esteja afiado. Valorize cada pequeno passo na direção correta, pois nossa jornada aqui é feita de passinhos.

Pelo princípio que nos ensina a parábola dos talentos, quem é fiel no pouco sobre muito será colocado. Eu considero que ser co-herdeiro com Cristo é muito e quero ser merecedor disso fazendo minha parte. Ainda que dependa muito mais da graça de Deus do que de qualquer outra coisa, Deus espera algo de mim e não serei omisso. Serei fiel em cada motivo de festividade, até o grande dia.

“Senhor, obrigado porque tenho motivos de comemoração ainda nesta vida e terei ainda mais na eternidade. Fortalece-me para eu olhar o lado bom dos fatos.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Ungido, mas Esperando

“A Jeú, filho de Ninsi, ungirás rei sobre Israel e também Eliseu, filho de Safate, de Abel-Meolá, ungirás profeta em teu lugar.” (1 Reis 19:16 ARA)

Até que ungir Jeú como rei sobre Israel deve ter sido relativamente tranquilo para Elias, especialmente neste momento em que ele acabara de dar cabo dos profetas de Baal no Monte Carmelo. Mas fico imaginando o que deve ter sido ungir Eliseu no seu lugar. Note que o texto diz claramente: “no teu lugar”. Não era um mero discípulo, não era um amigo seu, não era alguém do seu relacionamento. Era um estranho que iria ficar posteriormente em seu lugar. Quantos de nós temos maturidade para ungir nosso sucessor?

Não sou juiz da vida de ninguém e sou conhecido por não ter uma auto-estima muito valorosa. Mas acho que eu teria entrado em crise ou ficado depressivo com uma ordem destas. Deus parece que tem senso de humor de vez em quando. Depois de vencer a batalha mais difícil vou me encostar e colocar outro em meu lugar? Se você for um pouquinho parecido comigo, vai entender do que estou falando. Eu quero a unção para mim e fico resistindo a repartir, quanto mais a repassar. Mas sou mais obediente do que egoísta ou teimoso, então obedeço.

Mas olhe ao seu redor e avalie quantos homens do nosso tempo estão edificando algo para si de uma forma que não dá nenhum sinal de preparar o próximo ungido. Não é questão de julgamento, mas de entendimento. Nós, que somos menos expoentes em termos de liderança, temos a oportunidade de preparar nosso próximo de maneira mais tranquila. O que é mais fácil, ungir o próximo líder de célula ou o próximo pastor de uma igreja com 5.000 pessoas? E 20.000? E 50.000?

Não discuto questão de competência ou de preparo, mas da obediência mútua. Se por um lado Elias foi obediente ungindo seu sucessor, Eliseu foi obediente atendendo ao chamado de um estranho e indo com ele. Como ele saberia as maravilhas que Deus faria por seu intermédio no futuro? Não sabia como eu também não sei. Quem sabe quem eu ou você podemos ser em 5 anos?

Obediência, meu irmão, é melhor que sacrifício.

“Senhor, obrigado por me mostrar para onde devo caminhar. Não quero reter comigo o que o Senhor me der, nem quero me negar a um chamado Seu. Ajuda-me.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Os Leprosos

“Então, disseram uns para os outros: Não fazemos bem; este dia é dia de boas-novas, e nós nos calamos; se esperarmos até à luz da manhã, seremos tidos por culpados; agora, pois, vamos e o anunciemos à casa do rei.” (2 Reis 7:9 ARA)

Temos que aprender algo com estes leprosos. A frase “este é dia de boas novas” não sai da minha cabeça faz duas semanas, afinal a palavra do Novo Testamento para boas novas é evangelho. “Este é dia de evangelho”.

Te convido a ler este capítulo desde o início para entender a história, mas resumindo estes leprosos estavam para morrer e arriscando encontrar comida encontraram um tesouro. Nos seus corações, era impraticável ficar com tudo aquilo sem repartir com seus compatriotas, mesmo sabendo que por serem leprosos continuariam sendo rejeitados, imundos para a sociedade.

Meu irmão, nós que encontramos a Cristo e nos entregamos a Ele para salvação, encontramos um tesouro. Nos alegramos, nos lambuzamos todos como criança comendo mel, nadamos nas águas abundantes da paz do Senhor, navegamos pelo oceano do Espírito, participamos da maravilha do Reino vindouro, nos tornamos participantes de uma nova raça. NÃO NOS CALEMOS. Como aqueles leprosos correram para a caa do rei para anunciar que encontraram algo abundante, corramos nós também na direção de todos os famintos de alma e espírito.

Os leprosos não tinham nada a perder, iam morrer de fome. Se fossem encontrados pelos sírios seriam mortos. Não havia comida nem para os sãos, as cabeças de jumento já valiam como iguaria fina. Mas tudo mudou, encontaram muita comida. Como ficar calado? Como esperar até amanhecer?

Veja como é simbólico isso. Tem senso de urgência, tem senso de responsabilidade, tem generosidade, tem gratidão, não tem medo de rejeição. Dá prioridade para anunciar as boas novas em detrimento até do senso de auto-preservação.

Que isso nos inspire…

“Pai, quero entender o que é importante e o que não é. Quero aprender a ter uma atitude altruísta como daqueles leprosos.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Puro Foco

“Não leveis bolsa, nem alforje, nem sandálias; e a ninguém saudeis pelo caminho.” (Lucas 10:4 ARA)

Este texto tem se mostrado emblemático para mim, especialmente nesta fase da minha vida. Na sua primeira parte, ele fala e nos ensina sobre a confiança no suprimento de Deus para nosso sustento pessoal, pois a bolsa era onde se carregava comida, o alforje onde se carregavam as roupas e ferramentas e as sandálias não precisam ser explicadas. Sem carregar isso numa viagem, ficamos totalmente a mercê de recebermos ajuda para não morrermos de fome, de frio a noite e até mesmo da necessidade de algum medicamento. Quando Jesus enviou os setenta com esta orientação, sentenciou-os a confiar em Deus para não morrerem. Eu já me senti assim muitas vezes na minha vida. Confesso que me apavorei muitas vezes, até aprender que não é a bolsa que garante que haja comida mas sim a mão do Pai. Portanto, não confiar em Deus dá encrenca, com ou sem bolsa.

Na segunda parte, Jesus não está dizendo para serem antipáticos com ninguém, não se trata de ser pedante. Trata-se de entender que a saudação envolvia uma parada, uma conversa, uma perda do foco da viagem. Pelo caminho, não pare para conversar, seria uma paráfrase bem aceitável. Isso tem me ensinado que meu caminho neste mundo não é para lazer ou bate-papos, pois meu destino está na outra ponta, do outro lado. Perder tempo pelo caminho tira meu foco.

Por outro lado, preciso ainda entender que a viagem dos 70 não tinha um único destino e portanto implicava em mais de uma missão. Estou nesta caminhada neste mundo com um destino final sim, mas tenho inúmeras paradas pelo percurso, pois se minha caminhada aqui não servir para abençoar meus compatriotas terráqueos, considero questionável meu esforço. Se for só para mim, duvido que seja de Deus.

Aqueles primeiros missionários saíram para abençoar, como eu você devemos estar. Avalie sua jornada e verifique se não há mais enroscos e paradas indevidas do que destinos intermediários. Isso pode comprometer sua viagem.

“Pai, dá-me a capacidade de olhar para meus passos e entender o que é missão e o que é distração. Fortalece-me para que eu seja de fato uma benção.”

Mário Fernandez