Vinicios Torres

Aos inimigos… amor

“Persegui os inimigos e os alcancei, os consumi os atravessei, aos pés do Senhor caíram, não mais se levantaram”

Embora estes versos de uma música muito cantada nas igrejas brasileiras sejam inspirados em uma passagem bíblica (2 Sm 22:38; Sl 18:37) nunca me senti confortável em cantá-los. Sempre sentia que algo não se encaixava em entusiasticamente afirmar que eu estaria consumindo meus inimigos.

Todas as vezes que ouvia esta música as palavras de Jesus ecoavam em minha alma: “Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; para que vos torneis filhos do vosso Pai celeste” (Mt 5:43-45).

Como discípulos de Cristo não nos declaramos inimigos de ninguém, pois temos o mandamento de amar a todos como diretriz de vida. Mas não podemos impedir que outros se declarem nossos inimigos, e é a esses que Jesus está dizendo que devemos orar e abençoar.

Paulo nos estimula em Rm 12:20,21 a fazer o bem àqueles que se dizem nossos inimigos ajudando-os nos seus momentos de necessidade. Com isso não seremos derrotados pelo mal mas venceremos o mal com o bem. Na linguagem de Paulo colocaremos a consciência do nosso inimigo para pensar em porquê, apesar da sua atitude para conosco, nós retribuímos com uma atitude totalmente diferente da que ele esperava.

Estamos precisando de um exército, não de guerreiros sedentos de consumir seus inimigos, mas de discípulos que estejam dispostos a amar incondicionalmente como Jesus, o Mestre, o fez. Com certeza isso provocaria uma revolução, não com sangue derramado, mas com corações transformados.

“Senhor, ajuda-me a amar incondicionalmente a todos assim como incondicionalemente tu me amas.”

Vinicios Torres

Vinicios Torres

Aceitando os mandamentos

“O sábio de coração aceita os mandamentos…” (Provérbios 10:8 ARA)

Muitos equivocamente entendem que liberdade é não ter que obedecer ou prestar contas a ninguém. Tivemos até uma geração inteira (hippies, década de 1960) que se revoltou contra o sistema e tentou se “libertar” de todas as amarras que a sociedade lhes impingia.

No entanto, o que vimos como resultado foi um aumento alarmante de doenças sexualmente transmissíveis, uma multiplicação de lares onde os filhos foram criados sem pais, a distorção do conceito de família e a rejeição sistemática do conceito de autoridade. Enquanto rejeitar o modelo errado de autoridade humana pudesse ter seu mérito, o que aconteceu é que todos passaram a rejeitar também a idéia de que Deus tem a autoridade final e absoluta nos destinos da humanidade.

As pessoas passaram a viver desejando não ter que obedecer a nada e a ninguém.

Porém isso é uma impossibilidade. A vida exige que obedeçamos as suas leis para conseguirmos viver. E, indo um pouco mais além, a Bíblia declara que os sábios aceitam os mandamentos. Não aceitá-los é sinônimo de falta de sabedoria e, portanto, de sofrimento.

Você pode viver a vida toda resistindo aos mandamentos e às leis, mas estará em uma batalha inútil pois passará a vida rejeitando a idéia que tem de se submeter à sabedoria de Deus.

Mas em vez disso você pode escolher aceitá-los e praticá-los. Em vez de tensão constante por ter de assumir as consequencias da resistência, passa agora a experimentar a tranquilidade de praticar os mandamentos e colher os benefícios que pode receber por obedecê-los.

“Pai amado, quero fazer a escolha consciente de aceitar os teus mandamentos e ter a alegria de obedecê-los.”

Vinicios Torres

Mário Fernandez

Sabedoria para o Bem

“Pois a vossa obediência é conhecida por todos; por isso, me alegro a vosso respeito; e quero que sejais sábios para o bem e símplices para o mal.” (Romanos 16:19 ARA)

Tenho viajado muito, por várias partes do Brasil e algumas vezes para fora. Me chama muito a atenção como há especialistas em todos os assuntos, por todas as partes do mundo. Recentemente, em uma ida à Argentina, tive de ficar no final-de-semana por conta de uma mudança de planos e a pessoa que me recebeu, muito gentilmente, me convidou para um passeio de veleiro no sábado ao meio-dia.

A despeito do passeio ser agradável, o piloto do barco e a esposa do meu amigo discutiram política todo passeio. Ao lado, meu amigo e um francês discutiam futebol. Eu ali, em meio ao fogo cruzado, pensava como poderia falar-lhes do amor de Deus, mas parecia impossível…

Não há nada errado em ser informado sobre os assuntos e até mesmo ter especialidades, mas Paulo nos recomenda nesta caarta que sejamos sábios para o bem. Não me recordo de ter ouvido um só comentário que fosse no sentido de ajudar necessitados, criar empregos, melhorar a qualidade do ensino público, diminuir a marginalidade, combater a miséria, incrementar a saúde preventiva ou, mesmo que fosse apenas para constar, algum comentário honroso sobre algum político ou jogador de futebol.

Ser sábio para o bem implica saber e conhecer o que se pode fazer para beneficiar as pessoas, especialmente além das fronteiras do que chamamos “EU”. Implica em abrir mão do egoísmo e em adotar uma preocupação que a mente seja preenchida com algo que abençoa. Ainda que isso seja dificílimo e, provavelmente, fora do alcance da esmagadora maioria das pessoas, devemos sim influenciar para que as situações mudem. Não dar suborno, negar-se a mentir, respeitar as leis, fugir da sonegação fiscal, fazer doações dedutíveis, cumprir os compromissos, trabalhar para ter sustento…

Mesmo que nada mude, aparentemente, se nossa mente mudar na direção da sabedoria do bem, muita coisa já terá mudado. E o melhor – para onde Deus quer.

“Pai, quero ocupar minha mente com sabedoria para o bem, tornando-me hábil para abençoar muito mais do que qualquer outra coisa.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Boca Convertida

“As palavras dos perversos são emboscadas para derramar sangue, mas a boca dos retos livra homens.” (Provérbios 12:6 ARA)

Infelizmente eu conheço muita gente que diz ser servo de Jesus mas parece que partes delas não nasceram de novo. Para alguns a carteira não se converteu e por isso não ofertam. Muitos, bem mais do que deveriam, a boca não se converteu e por conta disso falam coisas que deveriam envergonhar, até enojar, quem serve a Cristo de fato.

Neste versículo do livro dos provérbios, aprendemos que a boca convertida ao Senhor promove conciliação e paz, ao contrário da boca dos perversos que causa tumulto e violência (derrama sangue). Não necessariamente trazer emboscada significa ou implica em derramar sangue literalmente. Há muitas formas de violência e agressão que podem ser verbalizadas.

Podemos elencar inúmeros exemplos, mas devemos destacar que uma boca que não serve a Deus faz fofoca, fala amargosamente, agride, ofende, difama, acusa, fala injustiça, reclama, murmura e por aí adiante. Para resumir numa palavra só, apesar da gente não gostar muito dela, amaldiçoa. Não traz bênção, não edifica. Se falar palavrão então, fica perfeito – no sentido irônico.

Já uma boca convertida abençoa. Louva ao invés de murmurar, agradece ao invés de acusar, ensina ao invés agredir e ofender, se cala ao invés de fofocar, aconselha ao invés de difamar. Por isso mesmo os retos livram a vida dos homens com suas palavras, tiram de encrenca, perdoam.

Temos de manter em mente que não adianta nada ter vergonha de falar as coisas na igreja ou na frente do pastor, se Deus tudo ouve e tudo sabe. É a Ele que devemos ser leais, fidedignos e por causa dEle que devemos abençoar e não amaldiçoar. Nenhum de nós precisa de alguém que fique nos lembrando do nosso pecado, mas o Espírito Santo o fará se for preciso.

Convertamos nossas palavras ao Senhor e semeemos vida ao invés de sangue derramado.

“Pai, eu quero que todas as minhas palavras sejam Tuas, como o Senhor deseja que seja feito. Ajuda-me pois sozinho eu não vou conseguir.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Culto estranho

“Eles vos expulsarão das sinagogas; mas vem a hora em que todo o que vos matar julgará com isso tributar culto a Deus.” (João 16:2 ARA)

Às vezes eu me pego pensando se este texto se refere a um evento futuro, no qual realmente nossas vidas serão sacrificadas, ou se é uma profecia da inquisição medieval, como alguns autores afirmam. Independentemente de ser uma ou outra coisa, fica uma lição importante a ser aprendida – nem todo mundo que julga estar servindo a Deus, por sincero que seja, de fato está.

Isso vale por princípio de ensino para todos aqueles que matam os que são hereges aos seus olhos (literalmente o que o texto diz e por isso a associação com a inquisição), mas também vale para todo tipo de ação que contrarie um princípio bíblico em nome de cultuar a Deus. Isso é sério. Se Deus ama a vida e diz “não matarás”, matar pessoas por não concordar com elas realmente é bizarro e não pode ser aceito como certo.

Ainda que algumas religiões preguem e ensinem formas diferentes de cultuar a Deus, nós, que cremos na Bíblia, devemos acima de tudo ser tolerantes e amorosos para que as pessoas sejam ganhas pelo amor constrangedor do Pai. Podemos e devemos não concordar com qualquer tipo de manifestação de culto que saia dos limites estabelecidos pela Bíblia, mas devemos lembrar que temos o mesmo direito de todos os demais. Mas daí a extrapolar é exagero. Não temos o direito de chutar, queimar ou derrubar – nem física nem verbalmente.

Sempre que agirmos ou abrirmos nossa boca para falar mal do que os outros pensam ser culto a Deus, perdemos tempo deixando de prestar o NOSSO culto. Culto é adoração e serviço em sujeição, de modo que não tem espaço para nada que não edifica. E se ao invés de criticar e fazer polêmica, orássemos? E se fossemos servir a estes que consideramos errados?

Eu tenho certeza que seria muito mais culto do que qualquer outra coisa. Pense nisso.

“Pai, ensina-me não apenas a ser sincero diante de Ti, como também e principalmente a ser servo daqueles que pensam te cultuar.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Fidelidade ao ensino

“Por esta razão, importa que nos apeguemos, com mais firmeza, às verdades ouvidas, para que delas jamais nos desviemos.” (Hebreus 2:1 ARA)

Como pastor e pregador da Palavra de Deus, as vezes fico me perguntando se as pessoas realmente ouvem o que falamos. Não me questiono se são surdas, mas se algo fica retido daquilo que procuramos ensinar. Há alguns dias alguém me falou que mesmo sem lembrar o que havia comido todos dias, estava alimentado e era grato por isso. É um alento…

De qualquer modo, este verso da carta aos Hebreus nos ensina algo muito valioso a respeito de fidelidade. Aquilo que talvez nunca tenhamos aprendido, ou que nunca tenha sido assimilado, nós podemos deixar para meditar depois. Mas aquilo que sabemos, que faz parte do que aprendemos, não pode ser negligenciado. Devemos ser totalmente fiéis, com nossos pensamentos e atitudes, para refletir o que sabemos. É equivalente a dizer que devemos resumir nossos erros apenas ao que não conseguirmos controlar ou desconhecemos, pois não erraremos sabendo que está errado.

O texto fala de firmeza, o que sugere esforço voluntário. De modo algum conseguiremos no apegar por acaso ao que aprendemos. Pode não ser fácil, pode não ser sempre agradável, pode nem sempre satisfazer nossos anseios, mas SEMPRE será o melhor para nossas vidas.

Ademais, devemos nos apegar às verdades e não ao que nos convém. A Palavra de Deus é a verdade e nela devemos nos apegar, sem medo de errar. Se ficarmos escolhendo o que é mais conveniente ou não, incorreremos em um dos maiores erros que a humanidade já conheceu – trocar o ensino de Deus pelo nosso ego. Não cabe na mesma algo um ego humano e a presença de Deus.

Se andarmos em fidelidade às verdades, sem desvio, mesmo que as lutas venham seremos vencedores. E como vitoriosos, poderemos andar de cabeça erguida, levando adiante o nome do nosso Senhor. Quer coisa melhor?

“Pai, ensina-me a ser fiel em firmeza a tudo quanto o Senhor me permitir aprender de acordo com Tua revelação.”

Mário Fernandez

Vinicios Torres

Se não tiver amor…

“se não tiver amor, nada disso me aproveitará.” (1 Coríntios 13:3b)

É possível viver na igreja, executar diversas tarefas, exercer um ministério, pregar várias vezes por semana, ensinar, liderar grupos e ainda assim se tornar irrelevante?

O apóstolo Paulo afirma que se fizermos qualquer dessas coisas sem amor não tiraremos proveito delas.

Curiosamente, se você observar as pessoas que assim agem dá a impressão de que elas estão usufruindo os benefícios do que fazem: os que pregam bem acabam admirados por aqueles que os ouvem, os que ensinam ganham respeito dos que aprendem deles e os que lideram influenciam os seus liderados. Como então Paulo diz que não terão proveito?

João diz que Deus é amor e aqueles que não amam não conhecem a Deus (1 João 4:8). Afirma também que aquele que não ama seu irmão a quem vê não pode amar a Deus que não vê (1 João 4:20). O amor é a atitude que dá significado e proveito ao que nós fazemos aos outros.

Tudo o que fazemos deve ser permeado pelo amor àqueles que serão atingidos pelas nossas obras. O amor dá um significado especial para aquilo que fazemos aos olhos daqueles que o recebem. Todos percebem isso quando são atendidos por um funcionário que está apenas cumprindo as horas obrigatórias do emprego e quando o são por alguém que gosta do que faz. Todos se lembram daquele professor que dava aula apenas por que precisava e daquela professora que o fazia porque amava os seus alunos e queria ajudá-los a crescer.

Infelizmente é possível ser pastor sem amar as ovelhas, ser diácono sem gostar de ser servo, ser presbítero só pelo status, ser bispo ou apóstolo apenas para ter poder. Como Paulo diz, as obras podem até ser feitas sem amor, mas no último dia, quando prestarmos contas a Deus de nossos atos, entenderemos porque eles não tiveram proveito (1 Coríntios 3:12-15).

“Senhor, arrependo-me de tudo que fiz sem amor e te peço que o teu Espírito Santo me capacite a servir com amor.”

Vinicios Torres

Vinicios Torres

Ano novo… vida nova?

“E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas.” (2 Co 5:17 ARA)

Se você é como eu, então já está a todo vapor trabalhando neste novo ano. Fora o fato que o final do ano foi um tempo de festas e de rever parentes e amigos, nada mudou.

Sempre ouvi a expressão ano novo, vida nova e nunca entendi porque as pessoas diziam isso. Durante muito tempo achei que havia nesta expressão um que de simpatia e a evitava.

No entanto, ao parar para idealizar o que gostaria de conseguir alcançar este ano, percebi que vários de meus desejos e objetivos tinham mais a ver com mudanças de atitudes do que com bens a adquirir. Percebi que o que estava idealizando era, na verdade, uma vida nova.

É importante para o ser humano o estabelecimento de marcos e registros. Embora devamos manter nossos olhos no futuro, naquilo que desejamos alcançar, é importante olhar para trás e ver os marcos da nossa trajetória e identificar os momentos de progresso. Deus, em várias ocasiões, ordenou ao povo judeu que erigisse monumentos em lugares estratégicos. Estes marcos fariam com que o povo mantivesse vivo na memória os atos de amor e bondade de Deus para com eles.

É por isso que as mudanças de anos no calendário acabam por se tornar estes marcos para nós hoje. Olhamos para trás e nos lembramos que foi naquele ano que Deus fez isso ou fez aquilo. É por isso que no início de um novo ano olhamos para os próximos 12 meses com a esperança de alcançar o que até o ano passado ainda não havíamos conseguido.

Já se passou metade do primeiro mês deste ano. Você fez o seu planejamento para este novo ano? Quais são os seus desejos? O que o motiva a viver? As respostas a essas perguntas são mais importantes do que nós podemos imaginar. São elas que determinarão como usaremos o tempo que teremos disponível nesse novo ano.

O passado já passou e só serve para tirarmos lições para o nosso viver atual, o futuro ainda está por fazer. Saiba que, com o poder do Senhor Jesus, podemos desfrutar uma nova vida, com um interior renovado, ainda que nada tenha mudado do lado de fora.

“Senhor, eu quero experimentar a nova vida que tens para mim neste ano. Quero permitir que teu Espírito Santo atue em mim para torná-la possível.”

Vinicios Torres