Vinicios Torres

Deslealdade

“Como dente quebrado e pés sem firmeza, assim é a confiança no desleal, no tempo da angústia” (Provérbios 25:19)

Você já teve a experiência de confiar em alguém que já havia decepcionado você anteriormente e a decepção se repetiu? Você já confiou em alguém que todas as pessoas à sua volta lhe avisaram para não confiar, baseadas em suas experiências negativas anteriores?

É comum acabarmos tendo más experiências com as pessoas que demonstraram alguma forma de deslealdade. Pessoas que lhe deixaram na mão uma vez tem a péssima probabilidade de repetirem a atitude.

Mas como agir em casos assim? De que maneira tratamos as pessoas que nos decepcionam abandonando-nos justamente quando mais precisamos delas?

Você pode arriscar andar com um pé sem firmeza, mas faz isso sabendo que ele pode vacilar e lhe fazer cair. Você pode comer com um dente mole na boca, mas está alerta que o dente pode cair na próxima mordida.

O amor nos faz tentar de novo apesar do desgaste do relacionamento provocado pela decepção. Mas a confiança é vacilante por causa do temor da repetição da deslealdade. Tudo que se fizer será sempre acompanhado do temor de novo abandono ou da próxima traição.

Este temor só será vencido depois de repetidas vezes em que a confiança for correspondida com lealdade. É interessante que basta uma ação negativa para destruir a confiança, mas exigirá muitas vezes anos de ação positiva para restaurá-la.

Se você foi desleal com alguém, não espere ser restabelecido ao mesmo patamar de confiança mesmo que você tenha se arrependido sinceramente e confessado o seu erro. Você vai ter que se esforçar muito para conseguir voltar ao lugar que ocupava no coração da pessoa ferida.

Se você foi vítima da deslealdade perdoe. E se a pessoa reconheceu seu erro dê à ela oportunidades para demonstrar os frutos do seu arrependimento. Só considere a possibilidade de afastar a pessoa do seu convívio quando houver certeza que ela não tem intenção de mudar de atitude.

“Senhor, ajuda-me a perdoar àqueles que me decepcionaram e a permitir que eles demonstrem o seu arrependimento reconstruindo a nossa confiança através do Teu amor.”

Vinicios Torres

Mário Fernandez

Incomum

“Porém, quando o Espírito Santo descer sobre vocês, vocês receberão poder e serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria e até nos lugares mais distantes da terra.” (Atos 1:8 NTLH)

Provavelmente lemos ou citamos este versículo centenas de vezes todos os anos. Ao longo de 20 anos de caminhada com Cristo, posso afirmar tê-lo citado ou lido mais de 1.000 vezes, com certeza. Mas Deus tem uma infinita capacidade de nos dar entendimento além da nossa capacidade natural. Este versículo sempre é usado no sentido de missão, chamado ou evangelismo, salvo raras exceções.

Ao ler novamente este verso nesta semana, me dei conta que somos pessoas comuns. Não temos poder, não temos virtude, não temos nada senão uma oportunidade. Oportunidade de receber algo que não é nosso, algo que não poderíamos ter, algo que nem sabemos usar. Oportunidade de receber o poder de Deus através do Seu Espírito.

Isso não nos permite dizer que não somos mais pessoas comuns, pois ainda somos completamente comuns. Somos carne e osso, sangue e água (muita água). Continuamos tendo sentimentos humanos de dor, prazer, medo, paz, frio, calor, amor, ódio – e pecado. Continuamos pecando, muitas vezes ainda por muito tempo em grande quantidade.

Mas passamos a ser pessoas comuns com um objetivo, com uma missão e uma capacitação incomum. Passamos a ser pessoas como Deus, não no sentido de Sua divindade ou perfeição, mas juntos com Ele assumimos o propósito de levar o nome de Jesus a toda criatura ao redor deste enorme mundo. Passamos a compartilhar do Seu Espírito e de Seu poder, ainda que não 100% como foi com Jesus – mas certamente isso é incomum.

Pessoas comuns com uma meta incomum, capacitados de forma incomum. Esta seria uma bela forma de definir a igreja e os cristãos. Pena que ao olharmos para estes grupos, só vemos pessoas comuns. Onde foram parar as partes incomuns desta cena? Vale nossa reflexão.

“Pai, ensina-me a ser comum sem ser mundano, e a ter o Teu senso de propósito para que eu desempenhe Teu chamado em minha vida.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Autoridade IV

“Contra Deus não blasfemarás, nem amaldiçoarás o príncipe do teu povo.” (Êxodo 22:28 ARA)

Interessante voltar a este assunto no Antigo Testamento. Somos tão rápidos e assertivos ao lembrar do primeiro e maior de todos os mandamentos (amarás o Senhor Teu Deus) mas nem sempre sabemos que neste versículo temos algo mais. Não blasfemar contra Deus nem merece explicações, é um assunto bastante pacífico.

Quanto a não amaldiçoar aqueles dentre o povo que se acham investidos de poder e autoridade, aqui chamados simplesmente de príncipes, podemos entender de duas formas distintas. A primeira é no sentido de não levantar a voz contra seus líderes, no sentido de amaldiçoar “ativamente” por assim dizer. Desejar sua ruína, falar mal de sua pessoa, apregoar maldições. O povo evangélico deste tempo é pouco dado a isso, mas convém citar.

Numa segunda ótica, provavelmente mais profunda, devemos nos lembrar que o único nome que podemos dar para falta de bênção é maldição. Então, ao não abençoarmos nossos líderes, estamos automaticamente deixando-os à mercê de serem suas próprias fontes de maldição. Se forem líderes cristãos, menos mal, porque alguém em algum lugar deve estar orando em seu favor (ao menos é o que esperamos). Mas, e aqueles que jamais entenderam a graça salvadora do Senhor? Vamos deixá-los perambulando sem vida? Ou vamos pensar que isso só se aplicava a Israel?

Para não haver dúvida, Paulo cita este texto em Atos 23:5 num contexto 100% neo-testamentário. Há uma regra bem simples e bem básica da interpretação bíblica que nos ensina que quando um ensino ou mandamento do Antigo Testamento é reiterado ou confirmado no Novo, aplica-se a nós.

Diante disso, temos de decidir obedecer ou nos rebelar, pois agora não somos mais desinformados. Cabe a nós agora agir (orar).

“Senhor, eu sinto dificuldade em abençoar pessoas que não julgo merecedoras de crédito. Mas o Senhor me amou enquanto eu ainda estava condenado e quero aprender a agir desta forma.”

Mário Fernandez

Vinicios Torres

Mudar o mundo

Gosto de ler um bom livro. Gosto muito de ler biografias, principalmente em primeira pessoa, ou seja, quando o próprio personagem relata as suas experiências e revela os seus sentimentos enquanto passava por elas.

Muito do meu caráter cristão foi formado através do desejo de me tornar semelhante às pessoas de quem li suas histórias: Irmão André, David Wilkerson, David Livingstone. E também pela coragem e exemplos de muitos que, mesmo não sendo explicitamente cristãos, fizeram diferença por aquilo que viveram e realizaram.

Saí da Microsoft para mudar o mundoRecentemente, ao passar pela seção de livros do supermercado, deparei-me com um livro cujo título me chamou a atenção, “Saí da Microsoft para Mudar o Mundo“. Para alguém, como eu, que trabalha na área de informática, o título não podia ser melhor isca.

Não vou repetir o que você pode ler em qualquer resenha. O que me chamou a atenção é a capacidade de transformação que alguém com vontade pode ter. Inspirado por um desafio que encontrou ressonânicia em seu coração, John Wood, começou a fazer diferença com os recursos de que dispunha e a ajuda de parentes e amigos. À medida que obtinha sucesso no nível em que estava, aventurava-se a ir mais longe no próximo projeto.

A “Room To Read“, a ONG fundada por John, hoje exerce influência e transforma vidas em diversos dos países mais pobres do mundo, provendo livros, bibliotecas, laboratórios de informática e bolsas de estudos para meninas.

O religioso completaria: “mas tá faltando o evangelho”. Concordo, a diferença que ele está fazendo se resume a esta vida e falta a dimensão eterna ao seu esforço.

Porém, estamos vivendo um momento de estranho desequilíbrio na igreja. De um lado temos toda uma ala que só se preocupa com o espiritual, e o outro lado, quando se preocupa com a prosperidade, o faz apenas com a sua própria, sem nada realizar para viabilizar a transformação e prosperidade do seu ambiente.

Isso me lembra Jeremias dizendo que não podemos ser prósperos e ter paz sem estar preocupados que nossos vizinhos e nossa cidade também sejam prósperos e desfrutem a paz (Jeremias 29:7).

Gostaria de recomendar o livro e desafiar-lhe a lê-lo com o coração aberto. Quem sabe o que Deus pode inspirar-lhe a deixar para mudar o mundo também?

Mário Fernandez

Acerca dos Comentários do Post “Desordem II”

Dado alguns comentários mais afoitos com relação ao post anterior, nos parece apropriada uma resposta pública. Primeiramente, porque ICHTUS é um ministério que não visa polemizar nada nem criar tumulto, mas tão somente edificar e levantar questionamentos saudáveis com base na Palavra de Deus.

A tônica do comentário é que nenhum ser humano vá exercer um governo perfeito. O contraponto entre anarquia (governo algum), capitalismo (ter vale mais do que ser) e comunismo (onde supostamente todos são iguais, exceto os governantes) é meramente retórica para apontar que a falibilidade do ser humano aparecerá em todos os seus projetos. Deus é o único no qual se encontra perfeição e plena santidade.

Em momento alguma a idéia do autor for dizer que o regime A seja melhor que B, mas que todos carecem da presença de Deus para ser bem sucedido. Mesmo nos casos em que o governo era uma monarquia dirigia por Deus, como na história bíblica do povo de Israel, falhas ocorreram – e sempre ocorreram do lado das pessoas e nunca do lado de Deus. Há portanto, tão somente, um senso de que devemos depender do Pai em tudo e para tudo.

A afirmação de que o evangelho esteja sendo alienado com isso, parece antagônica ao que a devocional afirma, pois o ideal “seria” um governo sem pessoas e somente com Deus. Ou seja, devemos nos colocar no papel de imitadores de Cristo e impactar positivamente, mas não nos nossos padrões e opiniões mas sim nos Dele. Alienado seria achar que tudo está bem e cruzar os braços na espera de que Deus resolva tudo sobrenaturalmente, negligenciando nossas práticas cristãs neste interim.

Devemos lembrar que ainda existem regimes e países onde as pessoas não podem sequer mudar de profissão pois sua casta não pode ser mudada. Há países onde não se pode escolher seguir o cristianismo pois o estado determina a fé de todos, com punições. Há lugares neste nosso Brasil onde as pessoas não tem acesso a internet, não tem esgoto e nem água encanada. Nem que tudo que vemos ou percebemos define a totalidade dos fatos.

O que se pretende com uma devocional como esta, está resumido no último parágrafo. Experimente comparar qualquer regime de governo, local ou nacional, com os milagres que Deus faz nas nossas vidas. Facilmente se perceberá o quanto somos falhos e Ele é bom. Ainda que nem tudo corra como nós desejamos, todas as coisas cooperam para o bem daqueles que o amam.

Ademais, só teremos esquemas, estratégias, métodos, formas, meios, técnicas, e coisas semelhantes. Deus vai além disso – Deus tem caráter.

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Desordem II

“Naquele tempo não havia rei em Israel, e cada um fazia o que bem queria.” (Juízes 21:25 NTLH)

A Bíblia não tem um nome específico para isso, mas na língua portuguesa isso se chama anarquia. Governo de ninguém, ou ainda ausência de governo. Na nossa cultura brasileira, é sinônimo de bagunça, desordem, caos. É quando cada um faz o que bem entende. Se assim foi com o povo de Israel, não é muito diferente de nós; a Bíblia não comenta isso como um bom exemplo.

A democracia é muitas vezes um regime tão podre quanto qualquer comunismo, que tanto condenamos. Se elegermos representantes que não representam nossa vontade, se as autoridades estabelecidas não prevalecem sobre a desordem e o crime, se as pessoas de bem não são privilegiadas – o que temos é um sufoco. Pelo menos, se fosse um comunismo, seria previsível. Mas o comunismo é ruim, é previsivelmente ruim. O capitalismo pelo menos nos abre possibilidade de crescimento, de acertar na vida. Mas é cruel e os poderosos cada dia tem mais poder. Nada é bom?

Na verdade, o único governo que pode funcionar direito é sem pessoas, com alguém governando que seja super-humano, isento de erros de julgamento, com percepções elevadas e que tenha uma escala de valores que transcenda a capacidade de entendimento dos julgados. Que distribua riquezas conforme entender melhor e nem isso crie tumulto. Que seja respeitado pelo que é e pelo que faz, inquestionavelmente. Daí não há sufoco, não há desprezo, não há escasses para ninguém. Impossível?

Esta é a teocracia, ou governo de Deus. Ele mesmo escolhe quem serve em que função, Ele mesmo determina os rumos, Ele mesmo faz a partilha das riquezas. Este governo deveria ser visto na igreja local, mas infelizmente estamos cada dia mais longe. Mas, se você assim decidir, este governo poderá ser visto na sua casa, na sua vida pessoal, nas suas atividades. Experimente. É melhor que ficar rico, pode acreditar.

“Senhor, tira de mim a ignorância de achar que o problema está no governo sendo que todos somos falhos. Ensina-me a confiar em Ti a ponto de ser por Ti governado.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Desordem

“Não havendo profecia, o povo se corrompe; mas o que guarda a lei, esse é feliz.” (Provérbios 29:18 ARA)

Há mais ou menos 8 anos, um irmão muito querido me procurou para resolver uma situação. Precisava de algumas devocionais para colocar no site. Todo este tempo depois, 3 ou 4 fisionomias diferentes no site, muita experiência com Deus, e ainda estamos aqui, escrevendo uma “meia-dúzia” interminável.

Esta é a devocional de minha autoria que leva o número 700 e eu jamais imaginei que passaria de 100. O segredo? O de sempre – buscar na presença de Deus a força, a inspiração, a confirmação, a orientação e principalmente a direção. Sem farol o navio se perde e assim nós somos como seres humanos, pastores ou não, sejamos missionários de muitos anos ou recém convertidos. No dia em que acharmos que a direção de Deus não se faz mais necessária, nos tornamos qualquer outra coisa menos cristãos.

Vale para todas as nações, povos, culturas, tribos, línguas,  raças, idades, faixas sociais e estaturas. Sem a revelação, sem o toque, sem a manifestação do Deus presente, o ser humano se corrompe. Tanta coisa começou bonita em nome de Deus e tornou-se em corrupção. Tanta gente já foi igreja e hoje é difícil até de dar nome. É hora de se rebelar contra a rebeldia, contra o caos, contra as “novidades” e voltar-se ao Deus da Palavra, no qual não há sombra de variação. É hora de voltar às primeiras práticas, ao primeiro aroma, ao primeiro amor.

É hora de deixar de lado modismos, tradições, estatutos, apostilas, costumes, teologias ensinadas em CD e voltar para a Palavra de Deus, onde está a profecia transcultural e atemporal. A voz dos profetas pode ter se calado nas ruas, nas casas e em muitas igrejas. Mas não se calou na Bíblia e dali não perderá. É hora de decidir ser joio ou trigo. É hora de ser, nas palavras deste versículo, FELIZ.

“Pai, Tua Palavra deve me bastar e por ela devo me guiar. Tira de mim o sentimento de rebeldia e corrupção. Ensina-me a ser como Tu és.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Foco nos Outros

Binóculos“Sabem também como Deus derramou o Espírito Santo sobre Jesus de Nazaré e lhe deu poder. Jesus andou por toda parte fazendo o bem e curando todos os que eram dominados pelo Diabo, porque Deus estava com ele.” (Atos 10:38 NTLH)

Não acredito ser coincidência o fato de que a presença do Espírito Santo de Deus produza sinais, mas entendo ser igualmente não-coincidente o fato de que estes sinais benficiam sempre outras pessoas e não o portador da unção. Jesus curava outras pessoas, abençoava outras pessoas, fazia o bem a outras pessoas.

Ministério cristão é algo sério e deve ser tratado com seriedade, especialmente quando tratamos com respeito ao foco de nossas ações. Toda vez que trazemos o foco dos luminosos para nós, que nos exaltamos e tomamos espaço, que fazemos algo que beneficia muito a nós, perdemos de vista o que Deus deseja. Existe no coração de Deus um intenso desejo de que dependamos uns dos outros – e para isso encontraremos dezenas de versículos para embasar.

Nossa interdependência deve ir ao nível de não me preocupar absolutamente nada comigo mesmo, pois estou sendo cuidado e abrigado pelos que me rodeiam. Devo, sim, zelar pelo meu corpo como morada do Espírito Santo, devo sim amar a mim mesmo para saber amar ao meu próximo; devo, sim, cuidar de mim mesmo. Mas nunca devo me preocupar comigo mesmo, pois estou abrigado. Há uma enorme diferença em tomar cuidado de si e preocupar-se consigo.

Deus é Pai, e o mais competente de todos os pais. Quem de nós dá a um filho uma pedra quando ele pede um pão? Imagine Deus cuidando de nós. E Deus por vezes cuida pessoalmente, por vezes usa circunstâncias e situações, por vezes vai usar servos consagrados e até mesmo – como já fez – vai usar uma mula pra falar.

Se para mim e para você isso for claro, a humildade vai tomar conta e a igreja neste mundo será bem difente.

“Pai, ensina-me a depender do Senhor para ser suprido e atendido, sem negligenciar meu cuidado comigo, de forma humilde e dependente.”