Mário Fernandez

Autoridade III

“Obedeçam aos seus líderes e sigam as suas ordens, pois eles cuidam sempre das necessidades espirituais de vocês porque sabem que vão prestar contas disso a Deus. Se vocês obedecerem, eles farão o trabalho com alegria; mas, se vocês não obedecerem, eles trabalharão com tristeza, e isso não ajudará vocês em nada.” (Hebreus 13:17 NTLH)

Depois que a gente adquire um pouco de experiência pastoral, por mais que sejam apenas alguns anos, a visão de liderança tende a mudar. A gente acaba se dando conta de que sempre haverá os que serão companheiros e nos acompanharão. A genta acaba se dando conta de como estes são poucos. A gente acaba vendo que este versículo foi roubado, se não do papel e da tinta do que muitos carregam debaixo do braço, mas com certeza da mente e do coração.

A capacidade que algumas pessoas têm de jantarem seus pastores em casa depois do culto, e devorá-los ao longo da semana, é impressionante. Fala-se mal dos deputados corruptos, dos policiais corruptos, do governo ineficiente em uma ou outra área e aproveita-se, já que a bênção não está ali mesmo, e fala-se mal dos líderes espirituais, sejam pastores, bispos, diáconos, presbíteros, evangelistas, líderes de célula, não importa.

Meus irmãos, ecoa pelos céus um gemido, um brado, um alarido de dor, emitido por aqueles que com enorme tristeza carregam o peso de liderar pessoas ingratas. Eu poderia fazer uma lista de “igrejas” que conheço que atrozmente anulam o ministério e o ministro ciclicamente.

Este versículo termina com uma ‘invocação imprecatória’. Isso em português bem claro pode ser escrito ‘maldição’. Isso não ajuda em nada, isso amaldiçoa. Este gemido, este grito de dor destes pastores e líderes, será sarado um dia na Glória, e trocado por gemidos que virão do inferno por toda eternidade. Decida de que lado quer ficar enquanto ainda é tempo. Ofereça ombros e não punhos. Seja amigo e não estorvo. Ajude-se, ajudando.

“Pai, ensina-nos a sermos responsáveis no papel que ocuparmos, seja liderando ou sendo liderado. Se o Senhor estabelece a liderança, não quero ser eu a questioná-la.”

Mário Fernandez 

Vinicios Torres

Encoraje Seu Pastor

Entre os muitos artigos que publicamos e outros tantos que traduzimos, houve alguns que marcaram o momento em que foram publicados. De vez em quand, recuperarei alguns destes artigos ou mensagens e enviarei para que possamos ser despertados novamente às verdades que eles nos desafiaram, e para que aqueles que são mais novos na lista possam experimentar o mesmo que os pioneiros.


Encoraje o Seu Pastor
01/03/1999
por E. Glenn Wagner e Glen S. Martin

Os pregadores têm um trabalho penoso. Não é uma tarefa fácil vir com uma idéia fresca, uma palavra de sabedoria, uma história tocante, ou uma anedota engraçada TODA semana, e então, entregá-la com equilíbrio e perfeição para uma audiência sempre exigente e, freqüentemente, crítica. O homem, ou mulher, no púlpito precisam das nossas orações e do nosso apoio.

Maneiras de encorajar um pregador em seu ministério:

  • Ore pelo seu pastor todos os dias. Faça-o saber que você está orando por ele. Procure saber das necessidades especiais que ele possa ter.
  • Preste atenção ao sermão. Dê ao pregador toda a sua atenção, com olhares e gestos de aprovação. Os pregadores precisam saber que estão ‘conectados’ com a congregação.
  • Decida-se a aprender com seu pastor. Deixe que o sermão do domingo seja o início do seu estudo semanal. Pegue o que você ouviu e aplique-o às suas outras leituras, estudos e leitura bíblica.
  • Não traga diferentes pontos de vista logo ao final do culto – especialmente se você souber que ele irá pregar a mesma mensagem em outro culto. Guarde os seus comentários até o momento apropriado para discussão e depois de você mesmo tê-lo avaliado bem. Teste aquilo que ele/ela disse por meio das Escrituras e não pelas suas opiniões.
  • Pergunte a si mesmo: Como posso encorajar o meu pastor a cada domingo? O que eu posso começar a fazer, que ainda não tenha feito no passado para animá-lo. Eu estou apoiando o pastor e seu ministério – e mostro isto pelas coisas que eu digo e faço?
  • Se você tiver dúvidas a respeito do ensino do pastor, pesquise nas escrituras e estude-as cuidadosamente, com a mente aberta. Discuta a interpretação com seu pastor de maneira franca e sincera, e depois permita ao Espírito Santo guiá-lo e ensiná-lo na verdade. Esteja preparado para diferenças honestas de opinião acerca do significado de algumas passagens.
  • Encoraje o seu pastor a gastar tempo regularmente em oração e estudo. Certifique-se que o orçamento da sua igreja tem fundos reservados para a sua educação e aprimoramento, para a compra de livros e participação em seminários e congressos.
  • Deixe para ele um bilhete de vez em quando mencionando coisas que ele tenha dito ou feito que teve algum significado para você. Menções específicas de como as mensagens têm ministrado a você. Onde apropriado, mencione coisas acerca dos membros da sua família que você tenha notado que são positivas. (O bom comportamento dos filhos, esposa/marido que ajudaram alguém em necessidade, etc). Faça seus comentários sinceramente, sem bajulação.
  • Estimule grupos na sua igreja – especialmente aqueles dos quais você faz parte – a encorajar o pastor e a sua família. Converse com outros a respeito dos ensinos dos sermões. Promova conversas e ensino, baseados nos sermões, como uma parte regular das suas conversas na igreja.
  • Peça a Deus para mostrar-lhe maneiras inovadoras de de encorajar o seu pastor e sua família.

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E. Glenn Wagner é o o autor de The Heart of a Godly Man e contribui para o best-seller Se Promessas de um Homem de Palavra. Ele é o pastor sênior da Igreja do Calvário em Charlotte, N.C. (E.U.A.), e serviu como vice-presidente de prmoção ministerial para Promise Keepers. Dr. Wagner e sua esposa, Susan, têm um casal de filhos.

Glen S. Martin é pastor sênior da Igreja da Comunidade Batista em Manhattan Beach, Calif. (E.U.A.). É o autor de Beyond the Rat Race e The Issachar Factor. também é membro do corpo docente do Leadership Seminar de Promise Keepers. Dr. Martin e sua esposa, Nancy, têm três filhos.

Extraído de Your Pastor’s Heart: Serving the One Who Serves You by E. Glenn Wagner and Glen S. Martin, copyright (c) 1998. Used by permission by Moody Press, Chicago, Ill., 1-800-678-6928.

Tradução de Vinicios Torres da lista Live It!

Mário Fernandez

Autoridade II

“Não critique o governo nem mesmo em pensamento e não critique o homem rico nem mesmo dentro do seu próprio quarto, pois um passarinho poderia ir contar a eles o que você disse.” (Eclesiastes 10:20 NTLH)

Eu nasci nos anos 60, e a ditadura militar no Brasil já tinha começado com a revolução de 64 – nasci depois disso. Cresci nos primeiros anos de infância naquele clima de cuidado com afirmações ‘subversivas’, censura, entre outras situações. Vi amigos de meu pai serem presos por falarem mal do governo, ouvi falar de muita gente que sumiu… Depois tudo isso passou.

Independente disso, desde antes de Jesus nascer a recomendação de Deus para os homens a respeito das autoridades e dos governantes, era que houvesse respeito. Independente de caráter, erros e acertos, decisões acertadas ou equivocadas, ideologia – autoridade deve ser respeitada por submissão a Deus.

Nós, atualmente no Brasil, pelo regime em que vivemos e pela chamada liberdade de expressão, podemos avaliar as decisões tomadas e expressar nossa opinião, concordante ou não, portanto isso não constitui pecado. Mas termina nisso. Se criticarmos no sentido de amaldiçoar, denegrir, atacar, humilhar – pecamos e não importa se com razão ou não. Autoridade se trata com respeito.

O mesmo vale para todas as autoridades, dentro ou fora da igreja. O povo de Deus deveria ser pacífico e ordeiro, cumpridor das leis que não ferem frontalmente a Palavra de Deus. Se assim fosse de forma extensiva, o poder de barganha e as reivindicações seriam recebidas de forma bem diferente. Ainda podemos mudar isso.

Para exigir nossos direitos, primeiro precisamos cumprir nossas obrigações. Quando abençoarmos massivamente nossos dirigentes, líderes, pastores, governantes, policiais, juízes – aí sim, teremos cumprido boa parte (e não tudo) da nossa parte.

“Pai, quero aprender a ser obediente quando minha opinião diverge da Tua Palavra e quando o objeto da bênção nem faz por merecer.”

Mário Fernandez

Autoridade

“Quem se revoltar e desobedecer a qualquer ordem sua será morto. Acima de tudo seja forte e corajoso!” (Josué 1:18 NTLH)

Talvez pouca gente consiga perceber o que de fato signifique ser um líder, mesmo no mundo material ou empresarial, muito menos no mundo espiritual. Ao ler textos como este ouço expressões como ‘exagero’, ‘poder demais’, ‘autoritarismo’. É verdade, temos margem para pessoas abusarem do poder por tê-lo, e já meditamos sobre isso tempos atrás. Mas não podemos jogar o bebê fora junto com a água suja do banho.

Ser líder é um privilégio sim e o poder corrompe sim. Mas ao mesmo tempo é de uma responsabilidade monstruosa. Pare para pensar no que significa prestar contas a Deus com mais severo juízo, ou então ser responsável por vidas de pouca vontade.

No caso aqui de Josué, foi colocado sobre seus ombros um peso que poucas pessoas talvez tenham percebido. Deus lhe delegou autoridade sobre o povo, mas muito mais espiritual do que social/política. Note, Josué podia sim mandar o que quisesse, não havia restrição ali. Mas Ele prestaria contas a Deus de tudo.

Mas acima de tudo isso, devemos lembrar que em muitos casos pesa sobre os ombros de Josué a vida de muitos. Imagine pessoas que ele amava mas que não se sujeitavam a ele. Pessoas que ele sabia que eram desobedientes e rebeldes, ainda que amadas. Ele sabia que seriam mortas, pois o Senhor não tardava sua sentença. E imagine o peso sobre seus ombros ao dar uma ordem que ele nem tinha certeza ser executável, algo que fosse apenas compatível com sua fé mas não com a de seus comandados.

Não podemos esquecer que o poder corrompe, mas mais do que isso o poder cobra caro. Não podemos esquecer que acima de nós há um Deus que atenta para todas as coisas.

“Pai, ensina-me a ser sábio para usar a autoridade que me for conferida de forma coerente, e a seguir as autoridades com Tu queres.”

Vinicios Torres

Há 9 anos

bolo.jpgPois é, este mês faz nove anos que estamos na internet. Eu fui ver qual foi o primeiro artigo com o qual comecei o site e fiquei impressionado com a total atualidade dele. Veja ele logo a seguir e observe que se trocarmos os nomes pelos atuais, você não dirá que o artigo foi escrito há 9 anos. Tristemente verificamos que a situação só piorou.

Mas muita coisa mudou para melhor. Em 1999, fiz alguns testes com vídeo mas tive que desistir pelo altíssimo custo e a falta de velocidade das conexões com a internet. Imagine que naquela época o ADSL não era conhecido e banda larga se referia à largura dos pneus de automóveis. Em 2001, deixei por uns dois meses um servidor de áudio com algumas mensagens, precursor dos podcasts, mas desisti pelo alto custo. Hoje, isso tudo já faz parte do dia-a-dia de qualquer um que usa internet.

O objetivo inicial, que era o de prover conteúdo cristão de qualidade em uma internet carecente de bons materiais em português, já não se justifica. Existem muitos ótimos site. Como sempre o joio cresce junto com o trigo, mas se tivermos paciência e exercermos bom juízo seremos capazes de encontrar muita coisa boa.

Só conseguimos permanecer este tempo todo realizando este trabalho devido à sua intercessão e à sua ajuda. Várias vezes decidimos parar. Mas todas as vezes que o fazíamos recebíamos uma enxurrada de e-mails testemunhando a diferença que as nossas mensagens regulares faziam ao coração de muitas pessoas. Como parar algo que Deus está nos usando para abençoar?

Com isso decidimos não parar, mas reinventar. No início deste ano aderimos ao formato de blog, iniciamos o uso dos podcasts e sonhamos logo poder criar vídeos que possam ajudar a edificar uma igreja forte e saudável.

Quero agradecer a VOCÊ que nos ajudou em todos estes anos, tanto com incentivo por meio de suas mensagens e testemunhos como financeiramente.

Ore por nós para que cheguemos ao décimo ano realizando os planos de ter um site que faz diferença na internet servindo de referência para um ensino sadio, doutrina solidamente bíblica e que motive todos aqueles a quem este site alcançar a desejar conhecer profundamente a Palavra e ao Senhor da Palavra.

Ore para que Deus nos dê recursos para conseguir uma filmadora digital e assim podermos usar mais este meio para edificar o povo de Deus na internet.

Contamos com você!

No amor de Cristo,

Vinicios Torres
ICHTUS Webmaster

01/06/1998
Televisão: MÁ COMPANHIA

“Não vos enganeis. As más conversações (companhias) corrompem os bons costumes.” (1 Co 15:33)

“Para que o mal floresça entre as pessoas de bem, é preciso que ele seja aceito com outro nome – um nome mais palatável, que possa esconder a sua verdadeira identidade. É claro que se lhe dermos o nome de entretenimento podemos ampliar bastante a sua aceitação.”
John Underwood, Miami Herald

“Quase todas as noites, a média das famílias americanas, apertando uma tecla de um controle remoto, recebe em sua sala a visita de uma mistura de gente mal-educada e de boca suja. Se outra pessoa entrasse nesta mesma sala, empregando tal linguagem, imediatamente seria posta na rua à força.Quem usasse tais palavras numa reunião de gente fina logo seria considerado bronco e grosseirão.”
atribuído ao Sen. Robert Byrd

Já dizia um antigo filósofo grego: “Dize-me com quem andas, e te direi quem és.”

Hoje a situação exige uma modificação no ditado: “Dize-me o que assistes e te direi quem és.” A geração passada ainda se preocupava em examinar as amizades de seus filhos a fim de saber se não estavam recebendo más influências. Sabiam, pela experiência própria ou recebida dos mais velhos, como uma amizade pode fazer diferença na vida de uma pessoa.

O apóstolo Paulo conhecia esta verdade. Ao afirmar que as más amizades destroem os bons costumes, ele está dizendo que a amizade errada vai destruir as coisas boas que você faz ou impedi-lo de realizá-las.

Hoje muitas pessoas tem mais “amizade” com os apresentadores de programas ou com as personagens de novelas do que com a própria família. Submetem-se ao “aconselhamento” diário dos seus artistas favoritos. Vestem-se e falam da mesma maneira. Seguem a moda.

Recentemente, teve início uma novela que faz apologia do homossexualismo feminino (Torre de Babel). Já houve outra que fazia o mesmo sobre homossexualismo masculino, outra com um  “drag-queen”, outra com tantas cenas de nudez (Pantanal) que tornava as revistas eróticas desnecessárias.

A exposição repetida a um determinado assunto faz com que se perca a sensibilidade a ele. Os profissionais da área de saúde usam este princípio de maneira benéfica ao não se sensibilizarem mais com o sangue e a dor, o que lhes permite trabalhar mais eficientemente. Porém, a sociedade, ao não mais se sensibilizar com a degradação moral, perde o respeito para com a vida humana.

Esta semana (primeira de junho/98), na novela Corpo Dourado, o delegado inventou um “casamento simbólico”. Só ele, a noiva e “Deus, por testemunha”. Estremeci, ao lembrar-me de uma situação passada há mais de doze anos, quando um casal de jovens da igreja fez sozinho uma cerimônia de “casamento espiritual”. A moça, muito mais velha e com histórico de problemas familiares, convenceu o rapaz de que o esquema era válido, pois estava sendo feito com “sinceridade”. Resultado: meses de dificuldades, tanto para eles quanto para os líderes da igreja, e duas vidas permanentemente afetadas. Quantos adolescentes não terão achado a idéia uma “inspiração”?

Há algum tempo vi um um outdoor com propanganda da revista Playboy com o destaque: “Ela tem 18 anos, mas com um corpinho de 15.” Nem as nossas filhas adolescentes estão livres de serem alvos da libido estimulada dos consumidores da revista. Isto é um claro incentivo à pedofilia, pois se hoje se fala em 15, logo será aos 12 e depois sabe-se lá onde chegará.

É urgente a necessidade de um posicionamento da Igreja de Cristo quanto a estes aspectos. Na última revista Ultimato, Rev. Augustus Nicodemus, alerta para a proliferação da pornografia, inclusive entre evangélicos, que é facilitada e até estimulada por esta cauterização da consciência social.

Em recente artigo na Gazeta do Povo, de Curitiba/PR, um jornalista questiona a sexualização precoce e irresponsável das nossas crianças e adolescentes e menciona a passividade da Igreja quanto a este aspecto.

As emissoras de televisão sempre argumentam que o controle último está nas mãos dos pais: o controle remoto. Que, se os pais realmente acham que seus filhos estão assistindo programação indevida, tem sempre a opção de mudar de canal. Embora, esta seja uma argumentação válida, ela é presunçosa, pois as emissoras sabem que as alternativas são mínimas.

O que move a televisão hoje é o dinheiro. Portanto, a única maneira de chamar a atenção das emissoras é fazendo com que elas percam dinheiro, ou pelo menos não ganhem tanto quanto poderiam. Além de mudar de canal ou, ainda melhor, desligar a televisão, deveríamos tornar as emissoras e os patrocinadores dos programas cientes de que fizemos isso. Assim, os patrocinadores saberão que o dinheiro investido em publicidade através da televisão não está atingindo o público que poderia, e isso poderia levá-los a pensar a respeito do tipo de programas a patrocinar.

Vinicios Torres é profissional de informática e webmaster do ICHTUS.

Mário Fernandez

Boa Palavra

“Não digam palavras que fazem mal aos outros, mas usem apenas palavras boas, que ajudam os outros a crescer na fé e a conseguir o que necessitam, para que as coisas que vocês dizem façam bem aos que ouvem.” (Efésios 4:29 NTLH)

Incrível a nossa capacacidade de conversar sobre assuntos e coisas que não edificam em nada. Como eu sempre estive acima do peso, sempre fui gordo. Na infância e adolescência era gordo mesmo, mas até quando melhorei a condição para “fofo” continuava “gordo”. Até uma certa idade muitos colegas da escola nem sabiam meu nome – eu era o “gordo”. Outros são magros, narigudos, orelhudos, carecas, perna-torta, dentuços – para ficar nos adjetivos da parte física, porque ainda tem os choraminguento, babões, etc.

De que vale uma conversa neste tom? O que acrecenta na vida das pessoas? Ser cristão deveria incluir isso de forma natural, nos privando do interesse de ficar falando sobre coisas e pessoas que nada edificam. Fico enlouquecido quando ouço duas pessoas “comentando” o que uma terceira fez, ainda mais se ela está ausente. Porque não têm esta disposição para elogiar o que de bom foi feito e salientar as virtudes? Por que somente as mancadas têm popularidade para frequentar nossas rodinhas?

Se isso mudar dentro da igreja muda na sociedade, tenho convicção. Nunca ouvi falar de uma pessoa sendo impopular ou rejeitada por ser mais calada, recatada em seus comentários, que poupa suas críticas, que só fala o que realmente acrescenta na vida das pessoas. Ao contrário, sua fama costuma ser de alguém que só fala o que vale quebrar o silêncio. E se estas pessoas forem os cristãos, aí sim seremos sal e luz em um mundo que jaz no maligno.

Não estou dizendo que seja fácil ou simples mudar uma cultura estabelecida, mas é necessário inclusive para nossa sobrevivência como igreja neste mundo, do contrário qualquer outro grupo será mais agradável de frequentar. Ou mais seguro.

“Pai, ensina-me a conter meus comentários ao nível daquilo que realmente acrescenta alguma coisa. Tira de mim o desejo de falar o que não presta, não edifica e não abençoa.”

Mário Fernandez

Unção e Poder

“Sabem também como Deus derramou o Espírito Santo sobre Jesus de Nazaré e lhe deu poder. Jesus andou por toda parte fazendo o bem e curando todos os que eram dominados pelo Diabo, porque Deus estava com ele.” (Atos 10:38 NTLH)

Eu não sou dado a ficar de olho em coisas que somente os olhos humanos podem ver. Habitualmente procuro olhar para o que a Palavra aponta ou ensina, até porque nosso Deus tem demonstrando grande prazer em prometer e honrar suas promessas, ainda que muitas vezes nós como seres humanos não correpondamos aos Seus desejos. Não podemos negar que somos incompatíveis.

O que teologicamente chama a atenção aqui nesta citação, é que todas as ações, ministério, ensino, curas e exorcismos, são meros indícios da presença de Deus na vida de Jesus. Ele fazia estas coisas porque Deus estava com Ele e não o contrário. O que temos visto e ouvido muito nos últimos tempos é o inverso, no qual invoca-se a presença de Deus para que as coisas aconteçam.

Este entendimento corrobora o que temos ensinado há anos na igreja local, de que o caráter e a santidade vêm em primeiro lugar. Isso é o que aproxima ou afasta a manifestação de Deus em nossa vida. Sem fé é impossível agradar a Deus, sem crer é impossível ver, sem ser santo é impossível querer que Deus se manifeste. Unção vem de santidade e não o contrário. Não consigo encontrar base bíblica para que alguém peça para ser ungido por Deus e com isso se santifique. O que vejo é “santificai-vos hoje pois amanhã o Senhor fará maravilhas no vosso meio”.

Alguns dos ditos profetas dos nossos dias, preocupados com seu próprio ventre, colocam primeiro os sinais e depois a presença de Deus. Tem EU demais nas frases. Não me admiro que, de tempos em tempos, caiam um ou outro por aqui e ali. Não que santidade seja sinônimo de perfeição humana, mas caráter transformado mostra transformação – isso é que traz consigo os sinais de Deus.

“Pai, quero ser útil em Tuas mãos como fruto de santidade de vida e não para que algo do meu agrado aconteça.”

Vinicios Torres

Incertezas

“Semeia pela manhã a tua semente e à tarde não repouses a mão, porque não sabes qual prosperará; se esta, se aquela ou se ambas igualmente serão boas.” (Eclesiastes 11:6 ARA)

Não reposes a tua mãoA maioria de nós hoje trabalha por salário que é recebido periodicamente, a cada 15 dias ou uma vez por mês. O mais próximo da realidade agrária que temos hoje é o caso daqueles que trabalham com vendas e que tem parte ou todo o seu rendimento em comissões.

Estes sabem que não podem descançar na confiança da promessa de um único cliente. Eles precisam conquistar o maior número possível de clientes para que consigam bater suas metas de vendas e assim garantir comissão para formar o salário necessário naquele mês.

Há dois pontos a observar neste raciocínio, um externo e outro interno.

O externo refere-se à sua dependência para com os de fora. E se ele conseguir um só cliente e este desistir da compra? E se ele não pagar como prometido? A incerteza quanto àquilo que lhe foge ao controle o leva a não depositar toda sua esperança em um único cliente. No ambiente agrário, o agricultor geralmente não planta apenas uma cultura, mas divide o seu campo em várias culturas para ficar menos sujeito aos fatores imprevistos.

O interno refere-se à incerteza quanto à sua própria condição. O versículo nos incita a não repousar quando uma parte estiver feita, mas ter a disposição de continuar e fazer um pouco mais. Quem garante que depois de visitar um cliente hoje você estará disponível amanhã para visitar outro? E se ficar doente de hoje para amanhã? E se em vez de visitar o cliente, sai mais cedo e vai jogar bola com os amigos e torce o pé, impedindo-o de fazer a visita do dia seguinte? Visita essa que poderia ser a diferença entre ter salário este mês ou não.

Mesmo para os assalariados esse raciocínio é aplicável. Depois de trabalhar as oito horas normais, aplique-se a um curso ou a abrir um negócio que lhe forneça renda extra. Quem garante que terá seu emprego eternamente? De repente, no mês que vem aquele treinamento, aquela pessoa que você conheceu naquele evento, o professor do curso que você está participando podem ser a diferença entre um novo trabalho ou a fila dos desempregados.

A mensagem da sabedoria neste versículo é que você não deve se acomodar após fazer o mínimo necessário. Faça mais para se prevenir das incertezas. Se a incerteza não acontecer e ambas as sementes produzirem, você pode usar o que sobrar para investir e prosperar.