Mário Fernandez

Honrando aos Pais – Imitação

“‘Abraão é o nosso pai’, responderam eles. Disse Jesus: ‘Se vocês fossem filhos de Abraão, fariam as obras que Abraão fez.'” (João 8:39)

Uma das formas que me parece ser diretamente ligado a honrar aos pais (especialmente no sentido masculino de pai) é seguir os seus passos. Não defendo que devamos ter castas profissionais naquele sistema em que o filho obrigatoriamente segue a profissão (ou a falta de) do seu pai. Mas, principalmente, quando se trata de ensino, de princípios, de valores, de modo de viver, de fé – seguir os passos dos pais é algo valioso.

Claro, entendemos que para muitos isso é um desafio, pois temos de reconhecer que alguns homens desempenharam um papel de pai que foi, no mínimo, lamentável. Um homem certa vez veio pedir oração para não ser como seu pai pois, segundo ele, teria sido melhor crescer sem ele. É uma coisa muito triste, mas não pode nos impedir de olhar para os bons exemplos.

Não me parece ser uma coisa tão focada ou tão estreita, mas Jesus neste versículo qualifica de filho de Abraão quem segue as obras de Abraão. Notemos que este sentido é mencionado na Bíblia em outros textos, em expressões como filho de Belial, filho de Davi e outras. São referências a seguir os passos.

Se pudermos honrar nossos pais demonstrando respeito, zelo e continuidade pelos bons princípios que nos passaram, creio sinceramente que estaremos no caminho correto. É uma forma clara e objetiva de honrá-los. E não vejo motivo para não estender essa honra aos nossos pais espirituais, aos quais devemos seguir e honrar tanto quanto os biológicos. Sejam eles nossos ministros, discipuladores, pastores, líderes, ou outra forma de serem reconhecidos, são instrumentos de Deus para nossa edificação.

“Senhor, ajuda-me a honrar meu pai biológico e meus pais espirituais através da valorização e obediência ao que me ensinaram a respeito de Ti e do Teu Reino.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Crescendo em Oração – Solidariedade

“Cada um cuide, não somente dos seus interesses, mas também dos interesses dos outros. ” (Filipenses 2:4)

Quando olhamos para o verbo cuidar, temos geralmente uma visão muito pragmática, ao associarmos com algo que precisa ser feito e não necessariamente um pensamento, filosofia ou sentimento. Exatamente neste vetor quero colocar a oração com algo de extremamente prático, algo de pouca teoria e muita aplicação – e algo no qual precisamos crescer.

Cuidar é dar atenção, prestar atenção, olhando com cuidado, reparando nos detalhes. É não deixar passar em branco como se fosse invisível. A causa do meu irmão é interesse dele, mas eu posso cuidar dando atenção – sem bisbilhotar, sem me intrometer, sem ingerência.

Cuidar é agir para que algo termine bem, especialmente lembrando que muito ajuda quem não atrapalha. Se eu puder ajudar, quero ser abençoador, mais bem aventurado é dar. Se não posso, quero sair da frente e não ser pedra de tropeço no caminho.

Cuidar é proteger, e em se tratando de interesses de outros é sempre mais difícil. Mas eu posso proteger o meu irmão para que o interesse dele seja cumprido. Posso protegê-lo não falando mal dele, não permitindo que falem, não me juntando com quem fala.

Cuidar é priorizar, colocar primeiro, não esquecer, não deixar para depois. Cuidar é considerar mais importante orar pelo que é do irmão do que pelo que é meu. Às vezes, isso nos coloca no risco do exagero e negligência das próprias necessidade, mas eu creio de coração que podemos assumir esse risco.

Cuidar é orar. Orar é cuidar. É uma das formas mais sublimes de cuidado. Se realmente crescermos em oração, aprenderemos a cuidar daquilo que é do interesse dos irmãos, para com isso alcançar um nível de crecimento em oração. Não é um mero procedimento, é mais do que isso. É um estilo de vida com Deus. Nosso desafio é superar o desejo de só cuidar de nós mesmos.

“Senhor, me ajuda a encontrar uma forma de vencer meu egoísmo, centrado em mim mesmo. Quero realmente crescer na Tua presença para poder abençoar meus irmãos.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Vitória Sobre a Tentação – Testemunhando

“exortando, consolando e dando testemunho, para que vocês vivam de maneira digna de Deus, que os chamou para o seu Reino e glória.” (1 Tessalonicenses 2:12)

Algo que me ensinaram sobre vencer a tentação me ajudou muito no início de minha caminhada cristã e quero compartilhar com você. Uma forma de enfrentar a tentação e dominá-la é portar-se como se estivesse sendo observado publicamente.

Ainda que sabemos que Deus tudo vê, tudo enxerga, nada Lhe é oculto, tudo Ele sabe… Mesmo assim nós muitas vezes nos portamos no nosso secreto como se fosse secreto para Ele também, seja pelo sentimento de impunidade (pensamos que não vai acontecer nada), seja por menosprezar a justiça de Deus, seja por menosprezar o quanto é verdade que Ele está vendo…

Uma frase que me marcou foi “se você tem vergonha de fazer diante de mim, tenha vergonha de fazer diante de Deus também”. Alguém que se sente vigiado provavelmente vai se conter um pouco mais, portanto vale a pena desenvolvermos o hábito e a disciplina de sentir-se vigiado, monitorado, fiscalizado. O texto de 2 Crônicas 16:9 nos fala claramente que somos de fato monitorados e o texto de Hebreus 4:13 diz isso e mais – prestaremos conta, ou seja, nada passará despercebido.

Vencer a tentação é um desafio muito intenso, contínuo, implacável até. É indispensável lutar para vencer e se coniderarmos que além de Deus que tudo vê, ainda há pessoas nos observando. Muitas vezes não percebemos, mas nossa conduta e, principalmente, nossas reações diante da tentação podem mudar o coração de pessoas que não tem compromisso com Deus. Veja que o versículo diz exortando, consolando e dando testemunho.

Mais do que palavras, testemunhar é mostrar com a vida, que fala mais alto que as próprias palavras. Devemos falar da nossa fé, mas o que mostrarmos falará mais alto. Asseguro que enquanto isso a tentação vai ficando de lado.

“Senhor, ajuda-me a manter minha atenção em Ti, sem perder o foco do que o Senhor quer para mim. A tentação é um desvio na rota e não posso permitir isso.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Vitória Sobre a Tentação – Fidelidade

“Quem é fiel no pouco, também é fiel no muito, e quem é desonesto no pouco, também é desonesto no muito.” (Lucas 16:10)

Quando se fala em tentação, talvez na maioria das vezes, vem à nossa mente a questão da sensualidade. Na verdade se formos estudar um pouco, veremos que tentação é todo desejo ou intento violento (intenso) de fazer algo, que pode ser certo ou errado – mas normalmente é errado. Isso nos leva ao conceito geral de fidelidade, que é fazer o certo mesmo quando custa mais caro.

Deste modo, será tentação sempre que desejarmos algo que não podemos ou não devemos tocar/ter/fazer/olhar/comprar/dizer/usar… O que precisa ficar claro é que tentação não é pecado, mas ceder e fazer o que não deve é pecado, sim.

Uma das formas de vencer a tentação é manter a mente focada na fidelidade que tem promessa de recompensa. Se lermos todo esse capítulo, veremos que o ensino central de Jesus é sobre integridade, sobre ser honesto em tudo e veremos que há uma recompensa. Certamente a maior recompensa de todas é ser aprovado por Deus, ser encontrado digno de elogio por parte do Pai. Isso deveria ser suficiente para nos manter longe de ceder à desonestidade que vem da tentação.

Podemos ser tentados na área financeira, na questão moral, e mesmo em coisas simples como dizer a verdade e acabar prejudicado por isso. Pense no guarda rodoviário perguntando se de fato você estava em excesso de velocidade – e estava mesmo. Ou na hora de declarar o imposto de renda. Ou na hora de confirmar se cumpriu um propósito de jejum ou leitura da Bíblia. Pense naquelas situações em que seu interlocutor não tem como confirmar a veracidade da sua afirmação e a questão fica entre você e Deus.

Nestes momentos, assim como nos mais “cabeludos” a saída é a mesma – devemos ser fiéis e fazer o certo mesmo que custe mais caro ou cause prejuízo. Devemos encontrar forças para dizer não. Isso é vencer a tentação.

“Senhor, me dá forças para enfrentar a tentação e me colocar em posição de resistir. Se eu começar a resistir sei que vencerei. Ajuda-me, pelo Teu amor a mim.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Crescendo em Oração – Sem Palavras

“Da mesma forma o Espírito nos ajuda em nossa fraqueza, pois não sabemos como orar, mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis.” (Romanos 8:26)

Precisamos urgentemente aprender que orar não é falar incessantemente e “atolar” os ouvidos de Deus com aquilo que queremos lhe dizer. É importante aprender a ouvir, aliás, a mim parece ser o aspecto mais importante a aprender na prática da oração. Nunca podemos resumir o diálogo da oração a um monólogo, principalmente se for só a gente que fala. É preciso deixar Deus falar.

Na vida de oração eu já experimentei falta de palavras. Não faltavam sentimentos, não faltava um recado a ser dado, não faltava objetivo e nem tampouco faltava nobreza ao objetivo. Mas faltaram palavras, eu simplesmente não sabia como dizer o que que eu queria. Acho que todo mundo já passou por isso, tem horas que um grito fala tudo. Assim é quando o Espírito de Deus intercede por nós – com gemidos – não cabe na linguagem das palavras, principalmente na linguagem humana, por isso gemidos.

Gemido representa num certo sentido um sofrimento, uma dor, uma angústia. Em outros momentos pode ser um sentimento prazeroso, como quando comemos algo que nos agrada muito. Quer me parecer que no caso deste versículo, por ser uma intercessão, deve ser apenas o primeiro sentido.

Se assim é, por que é que nós temos de falar o tempo todo? Não devemos! Precisamos aprender a orar com silêncio, com gemidos, com sussurros, com coisas que talvez nem façam sentido. Por que não? Se expressarmos melhor a ideia não falando, por que falar?

Note, Deus em Sua Onipotência é capaz de entender qualquer expressão que tenhamos, ainda mesmo antes da palavra nos vir aos lábios. Se inventarmos um idioma Ele entenderá. Ser inventarmos uma forma de comunicação Ele compreenderá.

Nosso desafio é falar menos e ouvir mais enquanto estivermos orando. Isso vai ser bem interessante…

“Senhor, perdoa a minha tagarelice. Eu quero aprender e Te ouvir mais do que eu falo. Ensina-me, por amor do Teu Nome.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Disciplinas Espirituais – Meditação

“Então lhes abriu o entendimento, para que pudessem compreender as Escrituras.” (Lucas 24:45)

Compreender as Escrituras é algo que pode ir além da simples capacidade de estudo de uma pessoa, pois como vemos neste versículo foi necessário que Jesus lhes abrisse o entendimento. Mas, independentemente do aspecto sobrenatural do entendimento em si, não consigo imaginar como será possível ter entendimento de algo com que nunca teve contato. Para Jesus abrir nosso entendimento, é preciso primeiro termos lido e meditado em algo. Eu posso até mesmo ler e não ter entendimento, mas jamais terei entendimento sem ler. E ler é apenas o primeiro passo, meditar é ir além.

Na medida em que eu me dedico a meditar na Palavra de Deus eu gero oportunidade para que Deus me abra o entendimento. Além disso, o Salmo 1 fala de uma bem-aventurança para os justos que meditam dia e noite. Tiago 1:25 relata algo muito similar a quem medita e pratica. Temos de abrir mão de parte do nosso tempo, dos nossos afazeres, do nosso interesse pessoal – dedicar tempo disciplinadamente para meditar na Palavra de Deus.

Pode-se começar com apenas a leitura de alguns versículos por dia, coisa que leva 3 ou 4 minutos. É evidente que o ideal é um tempo maior, que com a disciplina e a perseverança virá. No ano 2013 a igreja onde congrego está num propósito de ler a Bíblia toda ao longo do ano. Isso é gerar disciplina. Muitos que nunca tinha lido a Biblia inteira estão empolgados e já estão se habituando a separar um tempo diário de leitura.

Precisamos investir em separar tempo para meditar. Tenho certeza e convicção de que o Senhor nos abrirá o entendimento, se fizermos a nossa parte.

“Senhor, ajuda-me a ter força de vontade para começar a ler e continar lendo, aprender a meditar no que leio. Abre meu entendimento, para que eu conheça Tua vontade.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Disciplinas Espirituais – Confissão

“Quem esconde os seus pecados não prospera, mas quem os confessa e os abandona encontra misericórdia.” (Provérbios 28:13)

A confissão dos pecados é algo bem fora de moda no nosso tempo, na nossa geração. É uma prática e uma disciplina que precisam ser resgatadas pois não apenas este versículo mas também outros, especialmente no Novo Testamento, nos mostram o que ocorre na confissão. Veja Tiago 5:16, Romanos 10:10 e Atos 19:18.

Vivemos dias em que as pessoas em geral são realmente de pouca confiabilidade e isso dificulta muito, mas temos de crer no Deus sobrenatural que afirmamos que cremos. Pela graça de Deus eu tenho um discipulador confiável e que me ama, posso confessar minhas falhas a ele e pedir que ore por mim. Tenho colegas de ministério que merecem confiança e posso me abrir com eles sobre o que atormenta minha alma e me tira o sossego. Mas reconheço que nem sempre foi assim e para alguns ainda não é.

Ainda assim, temos nosso tempo a sós com Deus para chegar diante Dele e admitir tudo que fizemos que contraria Sua vontade expressa na Bíblia que é a Sua Palavra. Podemos chegar diante Dele e falar abertamente o que sabemos que não deveríamos ter feito. Podemos e devemos verbalizar aquilo que sabidamente é contrário ao que Ele já nos revelou. Se tivemos alguma direção específica Dele, também devemos obedecer e ao não fazê-lo pecamos – isso deve ser confessado. Aquele que sabe o bem que deve fazer e não o faz está pecando – isso deve ser confessado.

Não estou dizendo que seja fácil, mas é possível e portanto devemos tentar ao limite de nossas forças. Enquanto não começarmos não se tornará um hábito e enquanto não nos habituarmos não haverá disciplina. Se Deus não esperasse isso de nós, estaria dito e repetido na Bíblia. Até por que, como sempre, os maiores beneficiados somos nós mesmos.

“Senhor, eu quero aprender a derramar meu coração diante de Ti. Ensina-me, por favor. Ajuda-me, por Teu amor.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Crescendo em Oração – Bendizer

“Da mesma boca procedem bênção e maldição. Meus irmãos, não pode ser assim!” (Tiago 3:10)

Ainda que este texto esteja no contexto de um ensino sobre o uso da língua, gostaria de atentar ao aspecto de bendizer, de abençoar, de falar bem – mas em oração. Não vamos tirar do contexto, vamos apenas analisar do ponto de vista de que ao orar também falamos. Me parece que, na maioria das vezes, oramos em voz audível, mas mesmo quando pensamos, fazendo uma oração silenciosa, sem som, usamos palavras. São palavras da mesma forma, e a boca derrama aquilo de que o coração está cheio.

Devemos desenvolver uma atitude de oração na qual gastamos tempo bendizendo, abençoando. Eu tenho praticado isso pessoalmente e tenho experimentado um tempo muito agradável com Deus. Podemos bendizer pessoas – pais, amigos, pastores, colegas, discípulos, vizinhos… Podemos bendizer a igreja. Podemos bendizer as pessoas investidas de autoridade. Podemos bendizer o emprego que temos, ou qualquer outra fonte de renda que Deus nos tenha concedido.

Mas de tudo e de todos que merecem ser alvo de nossas palavras, eu creio realmente que devemos nos dedicar intensamente a bendizer a Deus, falar bem de Seu Santo Nome, de Sua Majestade, Sua Santidade, Sua Bondade, enfim, aquilo que Ele é. Bendizer é falar bem, e no caso de Deus não é difícil encontrar atributos inspiradores para bendizer.

Se isso fosse algo fácil e natural todos fariam, mas infelizmente está fora do foco das orações que tenho visto e ouvido. Ouvimos muita oração pedindo, pedindo e pedindo mais. Tenho total convicção de que se pedirmos menos e bendizermos mais, acabaremos recebendo mais. Crescer em oração diante de Deus implica em pedir menos e menos, adorando e bendizendo mais e mais.

É um desafio bem interessante, principalmente se começarmos bem agora, neste momento.

“Senhor, eu reconheço Tua Santidade, Teu Amor por mim e Tua Perfeição. Entendo e reconheço que só Tu és Deus e não há outro. Bendigo Teu Nome em toda Terra.”

Mário Fernandez