Mário Fernandez

Buscando a Face de Deus

“e se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face, e se desviar dos seus maus caminhos, então eu ouvirei do céu, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra.”(2 Crônicas 7:14)

Fiquei pensativo por estes dias com um detalhe deste versículo: qual é a diferença de humilhar e orar X buscar a face de Deus? Se fosse a mesma coisa nem este versículo nem outros mencionariam em separado. E agora?

Considerando o que diz o Salmo 25:14, tendo a considerar que buscar a face de Deus tem a ver com temor sim, mas vai além. Tudo aponta para intimidade, na minha opinião. Buscar a face é como apresentar-se diante Dele, ainda que Ele tudo veja. Eu posso estar sendo visto sem ter-me apresentado, como em outros casos posso ser visto sem ser notado.

Tenho ainda em mente que a obediência é um fator de buscar a face de Deus, pois aprendemos que Ele resiste à oração do desobediente, impede as orações dos maridos que tratam mal suas esposas e assim por diante.

Mas para mim o que mais representa buscar a face de Deus é a adoração. Deus não diz em lugar nenhum na Bíblia que busca adoração – mas busca adoradores que o adorem em espírito e em verdade. Quem O adora reconhece Sua natureza, elogia sua personalidade, exalta Seus muitos méritos, enaltece o Seu Ser, engrandece suas virtudes, destaca as maravilhas de Sua pessoa… Como fazer isso de forma soberba, altiva, orgulhosa? É um dos segredos: a adoração nos coloca em nosso lugar.

Buscar a face de Deus é adorar, em atitude de humildade e obediência, com temor e intimidade. Com isso, meu querido, certa e seguramente nossas orações são diferentes.

“Senhor, me ensina a buscar tua face para que a minha oração seja elevada a outro nível, a ponto de ser sarada a minha terra.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Relacionamentos Saudáveis e a Honestidade

“Mantém longe de mim a falsidade e a mentira; Não me dês nem pobreza nem riqueza; dá-me apenas o alimento necessário.” (Provérbios 30:8)

Outro aspecto essencial para relacionamentos minimamente saudáveis é a franqueza, ou honestidade como alguns preferem chamar. Conheço pessoas que parecem uma nota de 3 reais – basta olhar e vemos que é falso. Isso fere frontalmente os relacionamentos e dificulta a convivência.

O principal a respeito da falsidade e da mentira é que torna impossível desenvolver uma confiança profunda, que é um dos pilares fundamentais do relacionamento humano com intimidade. Sem confiança os relacionamentos se mantém razos, superficiais, para dizer o mínimo. Se uma pessoa mente de vez em quando ou mente compulsivamente sem parar, do ponto de vista dos relacionamentos faz pouca diferença. Credibilidade se contrói com transparência, com idoneidade, com bom testemunho, com clareza, com sinceridade – e ainda assim nem sempre funciona.

Tem outro aspecto que literalmente inferniza os relacionamento a respeito da mentira e que deve ser lembrado, pois nos foi ensinado diretamente pelo Senhor Jesus Cristo: João 8:44 diz que o criador, o fabricante, o inventor, o pai da mentira é o diabo. Diz também que ao mentir fazemos por agradá-lo, portanto invariavelmente isso não abençoa.

Se de fato queremos ter bons relacionamentos, amizades autênticas, relações de discipulado e liderança maduras, se queremos ter casamentos e famílias com relacionamentos sólidos, precisamos de algo que chamamos onde congrego de “coração de vidro”. Devemos ser transparentemente verdadeiros, mesmo que isso nos exponha um pouco. É melhor que algumas de nossas fraquezas e imperfeições apareçam do que termos debilidade de relacionamentos. É muito triste estar só.

Cabe-nos investir em relacionamentos saudáveis, fugindo da mentira e da falsidade.

“Senhor, tira de mim toda e qualquer intenção íntima de ferir a verdade. Quero ser íntegro e verdadeiro, amando as pessoas pelo que elas são. Ajuda-me Pai, ou nunca terei relacionamentos saudáveis.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Relacionamentos Saudáveis e a Ganância

“O fiel será ricamente abençoado, mas quem tenta enriquecer-se depressa não ficará sem castigo.” (Proverbios 28:20)

Uma pessoa normal tem suas ambições dentro de seu senso de realidade. Chamo isso de normal. Por exemplo: para uma pessoa que foi criada numa familia pobre, ter um carro pode ser uma ambição distante. Para outros, ter dois carros, pode ser pouco, são realidades diferentes. Convivo com pessoas que nunca viajaram de avião e eu estou enjoado de voar. Realidades diferentes levam a expectativas diferentes. O que corrompe o ser humano é a ganância.

Ganância é um nome bonito para uma ambição exagerada, super-poderosa, dominante, escravizadora. Da ganância para a avareza é um pulinho: avareza é uma ganância que leva o indivíduo a colocar seus bens e riquezas na posição de uma divindade. Veja que Lucas 12:15 fala claremente que isso não é a vida. Não acho que seja uma questão numérica, mas de atitude.

Este versículo adverte sobre um castigo para o que quer enriquecer depressa, não para o que quiser enriquecer honestamente, ainda que isso seja muito, muito difícil – e em nossos dias cada vez mais difícil. Trabalhar é menos lucrativo do que trambicar, e a cada dia a distância aumenta mais.

O coração do fiel é generoso, enquanto que o ganancioso não reparte pensando que lhe sobrará mais. Na matemática desse mundo ganhar mil e gastar quinhentos faz sobrar quinhentos. Na matemática do Reino de Deus, o mil pode virar dois mil se repartirmos o que temos com os necessitados, se semeamos no Reino, se investirmos na expansão do Evangelho.

O que tem isso a ver com relacionamentos? Como se pode enriquecer depressa sem abusar de outros, sem explorar oportunidades, sem explorar pessoas, sem maltratar alguém? Como é possível acelerar o enriquecimento sem deixar para trás a generosidade, a fidelidade, o envolvimento com algo de interesse geral e não pessoal? Isso, meu querido, é relacionamento puro.

“Senhor, não quero desejar mais do que preciso e nem ser levado por ganâcia a menosprezar meus irmãos. Se for pra enriquecer à custa da minha integridade, ajuda-me a permanecer como estou.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Crescendo em Oração ao Aprender a Pedir

“Pedis, e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites.” (Tiago 4:3)

É inegável que os nossos prazeres naturais (deleites) são contrários aos interesses espirituais e portanto são contrários ao fluir do Reino de Deus. O que por vezes parece passar despercebido Ao povo de Deus em nosso tempo é que algumas coisas simples são carnalidade pura. Gula é um exemplo, soberba é outro exemplo, vontade de se impor sobre a comunidade é outro. Pessoas que agem na carne têm dificuldade de encontar respostas positivas em suas orações, como esse verso nos mostra.

Uma pessoa que pede prosperidade financeira para Deus pode receber ou não – depende de para que deseja prosperar. Se for para ter uma vida digna e em paz como a Palavra de Deus promete e dar mais conforto para sua familia, para abençoar aos demais – vejo boas chances. Se for apenas para enriquecer e se esquecer de Deus e não ter tempo para servir ao Reino de Deus – lamento, mas dificilmente será atendido.

Uma pessoa que pede saúde pode ser atendida ou não. Pode pedir algo biblicamente amparado e não receber. Pode pedir algo meio desajeitado e desnecessário aos olhos humanos e receber. Pode estar com pouca fé e ser atendido por ser algo mais focado no Reino. Pode estar com fé transbordando mas orando por algo ridículo como voltar a ser jovem (Deus nunca prometeu isso). Ser atendido não é uma equação matemática, não creio que haja como formatar precisamente. O que sabemos claramente e sem muito mistério, é que se pedirmos com fé, crendo que receberemos, e estiver alinhado com a vontade do Pai – receberemos. Isso sim tem promessa e Aquele que prometeu é Fiel.

O resumo, por duro que pareça ser, é que Deus não se comprometeu em responder positivamente qualquer oração, mas aquilo que for para glorificá-Lo. Para que prolongar os dias de um desobediente que não o serve? Poder pode, claro. Mas para quê?

Cabe a nós uma reflexão, uma meditação séria e profunda sobre o que somos diante de Deus e o que queremos Dele.

“Senhor, ajuda-me a me relacionar contigo por amor e não por interesse em ser abençoado. Com isso talvez eu cresça e consiga ter minhas orações atendidas.”

Vinicios Torres

Mário Fernandez

Relacionamentos Saudáveis II

“Porque pela graça que me é dada, digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém; antes, pense com moderação, conforme a medida da fé que Deus repartiu a cada um.” (Romanos 12:3)

Do modo como creio, o segundo passo para relacionamentos adequados é a humildade, que além de ser algo mais agradável de conviver, evita uma série de aborrecimentos para todos os envolvidos. Uma pessoa que pensa de si mesmo além do que convém, certamente vai falar e agir desse mesmo modo, seja isso continuamente ou eventualmente.

Quando estamos em grupo, na coletividade, percebe-se facilmente um soberbo se destacando para chamar a si mesmo a atenção. Ou fala do que é, ou do que possui, ou do que é capaz, ou dos seus feitos – sempre em alto e bom som e com um toque de altivez que menospreza os demais presentes. É lamentável.

Ainda que possamos (e até devamos, em certo sentido) ter amizade com pessoas assim, não devemos compactuar ou incentivar esse comportamento, nem é assim que devemos ser. Cabe lembrar que a humildade nos torna mais parecidos com Jesus e portanto é o que devemos almejar para nossas vidas.

Note ainda que alguém que pensa de si mais do que convém raramente se disporá a ouvir o outro, seja para sua correção ou aprendizado. Há uma atitude de tentar manter o controle e não de aprender, o que complica ainda mais os relacionamentos.

Não posso também me furtar de comentar que não é raro eu ouvir de pessoas que suas orações não têm sido atendidas e isso muitas vezes está explicado em Provérbios 28:25 e Salmos 138:6. Há uma consequência espiritual para o que se julga mais do que realmente é.

Temos de reconhecer que ao sermos mais humildes encontraremos graça e favor diante dos homens e de Deus.

“Senhor, ensina-me a ser mais humilde do que sou e a encontrar em Teu Espírito a força para controlar meu ego. Quero realmente saber o meu lugar e pensar de mim o que convém.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Relacionamentos Saudáveis

“E ao servo do Senhor não convém contender, mas sim, ser manso para com todos, apto para ensinar, sofredor; ” (2 Timóteo 2:24)

Do meu ponto de vista, o primeiro passo para uma pessoa ter relacionamentos saudáveis é não ser uma pessoa briguenta. Ainda que dentro de algumas culturas seja comum haver gritarias e discussões que não necessariamente expressem ira ou raiva, eu não consigo concordar.

Para mim o primeiro a gritar é o último a ter razão, seja pelo motivo ou no contexto que for. Mesmo estando certo, quem se põe aos berros perde a razão diante do interlocutor e, para os que estão em volta, dá um mau testemunho complicado de reverter. A pessoa que grita cria um clima de atrito e contenda, que como disse muito bem o apóstolo Paulo, não convém.

Se analisarmos ao nosso redor, onde quer que vivamos, as pessoas mais agradáveis que convivemos e as que mais admiramos são justamente as que, embora tenham e demonstrem sentimentos, não perdem a calma e não entram em contenda. Note que outros versículos corroboram esta percepção:

– palavra branda abranda o furor: Provérbios 15:1;

– o exemplo é ser manso: Mateus 11:29;

– mansidão é fruto do espírito: Gálatas 5:19-22;

– pacificadores são bem-aventurados: Mateus 5:9.

Finalmente, quero dizer que, na minha interpretação, esse versículo não se aplica somente aos líderes mas a todos os cristãos, servos do Senhor, de todas as tribos, povos, raças, línguas e nações, nas mais diferentes expressões do povo de Deus na Terra. Ainda que a carta fora dirigida a Timóteo, um indivíduo, creio ser aplicável a todos nós.

Cabe-nos, portanto, fugir da aparência do mal e cair na simpatia do povo para que o Senhor nos acrescente mais e mais salvos. Ganhemos almas e cuidemos bem delas.

“Senhor, eu quero ser mais e mais manso do que sou. Sei que mesmo sendo imperfeito o Senhor me ama e tem interesse em mim. Ajuda-me”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Crescendo em Oração e Obediência

“Se alguém se recusa a ouvir a lei, até suas orações serão detestáveis.” (Provérbios 28:9)

Quando uma pessoa vem me procurar e diz que suas orações não estão sendo atendidas, fico procurando um forma de ajudar, de abençoar, sem me intrometer na vida pessoal. Na maioria das vezes existe uma soberba ou um pecado oculto que não quer ser abandonado, mas às vezes não é nenhuma coisa nem outra. Veio-me então certa vez este texto e foi tiro na mosca: desobediência.

O desobediente encontra diante de Deus uma resistência, uma oposição, uma indisposição (se podemos usar essa palavra) por parte do Pai em abençoá-lo. Claro, somos abençoados pelo fato de estarmos vivos, de não explodir a casa em que moramos, por termos água a beber e alimento, etc. Mas me refiro àquilo que buscamos como sendo vontade do nosso coração. Jesus disse em Mt 7:7 que se pedirmos receberemos, mas isso deve ser entendido no contexto geral e não de forma isolada.

Deus não tem compromisso nenhum com quem não tem compromisso com Ele, o que pode ser expresso de diversas maneiras diferentes de modo prático. A mais contundente e inquestionável é a obediência – se não obedecemos naquilo em que a Palavra de Deus é clara e cristalina, que compromisso temos? Em que estamos comprometidos se nem no que nos é patente estamos dispostos a sacrificar nossa vontade? Que podemos exigir de Deus se nós não temos nem a intenção de nos comportamos como alguém que foi por Ele comprado por alto preço?

Se quisermos ter nossas orações atendidas e encontrar favor diante do Rei dos Reis, temos de nos dispôr à obediência. Podemos começar com o básico: abrir a Bíblia e ver aquilo que ela nos orienta e que não temos dúvida nenhuma – e colocar em prática. Podemos deixar pra depois o complicado e começar pelo fácil. Comece perdoando, andando a segunda milha, orando mais, proclamando sua fé e assim por diante.

Tenho certeza que as orações nunca mais serão as mesmas – nem a vida cotidiana…

“Senhor, eu quero ser comprometido Contigo pois o primeiro passo já foi dado por Jesus ao morrer por mim. Me ajuda a encontrar formas de praticar a obediência pelo menos naquilo que está claro.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Crescendo em Oração e a Confissão dos Pecados

Estejam, pois, atentos os teus ouvidos e os teus olhos abertos, para ouvires a oração do teu servo, que eu hoje faço perante ti, dia e noite, pelos filhos de Israel, teus servos; e faço confissão pelos pecados dos filhos de Israel, que temos cometido contra ti; também eu e a casa de meu pai temos pecado.” (Neemias 1:6)

Uma das coisas mais difíceis que tenho visto as pessoas encararem é a confissão. Meditava alguns dias atrás neste ponto e percebi que muito mais duro e difícil do que confessar os pecados à outra pessoa, é muito mais dificil confessar sinceramente para Deus. Ainda que Ele não esteja ali fisicamente ou visivelmente, o fato de saber que Ele sabe de tudo, controla tudo, mexe com tudo e age em tudo… É de cortar.

Mas se olharmos com um mínimo de atenção veremos Neemias pedindo perdão por si mesmo e por toda sua nação, o que alguns inclusive têm dificuldade de aceitar. Concordo que é polêmico, mas temos de aceitar que Neemias confessou os pecados dos filhos de Israel textualmente neste versículo. Basta lermos como o livro discorre os fatos que sucederam para vermos que isso literalmente mudou a história de Israel naquela geração.

Eu não quero fazer doutrina em cima disso, mas gostaria sim de resgatar o verdadeiro valor do arrependimento precedido de uma confissão sincera. Eu errei, eu merecia morrer pelo meu erro (salário do pecado), mas conto com a misericórdia de Deus para ser perdoado e absolvido, pois estou arrependido do meu erro. É até simples, mas é tão pesado e tão difícil.

Sem isso temo pela integridade do cristianismo contemporâneo que se vale de tudo para ganhar tempo e não seguir a cartilha. Temos culto virtual, drive-thru de oração, oferta financeira em campanha – nada disso é heresia, mas eu pessoalmente temo pelo que isso semeia entre nós. Sem tomar a cruz e seguir a Jesus, não tem cristianismo biblicamente embasado. Me pergunto se sobra algo mais do que “nunca vos conheci”.

“Senhor, não me deixe enredar pelos meus erros e cauterizar a minha alma a ponto de perder o caminho da cruz. Ensina-me a confessar, admitir e arrepender de meus pecados.”

Mário Fernandez