Mário Fernandez

Santificação e Integridade

“E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Tessalonicenses 5:23)

Ser santificado deve ser algo global, integral, sem distinção de alcance. É possível estar com o corpo em santidade mas a alma na lama. Igualmente o espírito pode estar bem mas o corpo não se rende à santidade. Ou o ser humano se entrega por completo a ser santo, ou vai continuar sendo repreensível.

Interessante notar que com Deus é tudo ou nada e Ele nos fez assim também. Se somos compostos de corpo, alma e espírito como este versículo nos mostra, faz todo sentido que sejamos santificados nas três esferas para que possamos ser encontrados plenamente conservados.

Ser santificado no corpo significa mais do negar-se à prostituição, mas controlar seus impulsos, dar-se ao cuidado físico, zelar pela saúde, valorizar as capacidades físicas que tem e, claro, não se dar a promiscuidade.

Ser santificado na alma nos fala de emoções e sentimentos curados, de perdão, de relacionamentos alinhados (saudáveis), de vontade e disposição sarados para servir ao Reino de Deus. Talvez seja a santificação mais difícil de se atingir, pois é a mais subjetiva e a menos ensinável de todas.

Ser santificado no espírito está no âmbito sobrenatural, nos ensina sobre uma ligação direta com Deus de forma santificada. Isso é, na minha opinião, resultado direto de uma vida de oração e de uma alma rendida a Cristo.

Para completar, lembremos que o alvo disso tudo, especialmente da santificação, é estar preparado para o dia do Grande Encontro com o Senhor, aquilo que todo cristão deve aguardar ansiosamente, incansavelmente, mas também preparadamente. A única preparação necessária, das quais todas as outras são consequência, salvo eu ter deixado passar alguma coisa, é a santidade.

“Senhor, ajuda-me a andar no caminho da santidade de forma integral, no corpo, na alma e no espirito.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Santificação e Participação

“Disse Josué também ao povo: Santificai-vos, porque amanhã fará o SENHOR maravilhas no meio de vós.” (Josué 3:5)

Eu considero muito errado uma pessoa querer servir a Deus, ser instrumento de Deus, seja da forma que for, e correr para se preparar momentos antes de começar a atuar. Se um pregador passou a semana na carne não vai ser nem em 15 nem em 60 minutos antes de pregar que ele vai se arrumar. Ele precisa de uma vida reta diante de Deus o tempo todo. É isso que é santificação. Por outro lado, este texto nos mostra a santificação como preparação para o que Deus fará em seguida, neste texto chamado de “amanhã”.

Neste versículo eu não vejo aspecto condicional, ou seja, o povo santificar-se não parece ser uma condição para as maravilhas que Deus faria no dia seguinte. Mas, apesar disso, a diferença seria para as pessoas e não para os fatos. Quem vê as maravilhas de Deus acontecendo e está santificado, participa mais do que assiste. Fazer parte é muito mais do que estar presente. Quem se santificou pode ser usado como instrumento operante das maravilhas e não apenas ser platéia. Além disso, nunca devemos descartar o aspecto da justiça de Deus, que eventualmente poderia consumir algum infeliz que ali no meio estivesse no mesmo caminho de pecado dos que Deus iria eliminar. Misericórdia.

Para quem está contente em ver Deus agir, isso não é necessário, mas existe o sério risco de ficar assistindo tudo sem participar. Eu não sou assim, literalmente “Deus me livre” disso. Quero ser tocado, quero fazer parte, quero ser usado, quero estar em todas e receber de tudo. Isso fará em mim algo que jamais seria feito se eu somente assistisse. Se eu faço parte acontece comigo. Se eu fico olhando pode ser que aconteça – mas é difícil.

Se buscarmos santidade, o Senhor fará maravilhas no nosso meio, em nós e através de nós. O quanto faremos parte disso dependerá de quanto nos santificarmos. Simples assim. Fazemos nossa parte e Deus faz a Dele.

“Senhor, já entendi que sem santidade nunca passarei de platéia. Me ensina a mudar de posição e particiar do teu mover, pois o maior beneficiado serei eu mesmo. Me ensina, por favor.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Oração e os Maus Pedidos

“pedis e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres.” (Tiago 4:3)

Tem gente sem noção para tudo, inclusive pra orar. Como eu sou meio “andado” para não dizer velho, já escutei muita coisa e, sinceramente, algumas eu poderia dispensar da memória. Já vi gente falando palavrão em oração, já ouvi gente pedindo que Deus amaldiçoasse pessoas e até já ouvi pessoas orando para Deus tirar cobrador do seu pé sem ter que pagar a dívida.

No meio de algumas aberrações têm outras coisas que a gente merece pensar. Elias pediu para si a morte, e ele era um grande profeta de Deus. Jonas também orou para morrer. Deus simplesmente disse que não, mas e se Ele atendesse? Precisamos entender que não é o que queremos que importa, mas o que Ele quer.

O nosso foco aqui é aprender a orar e para isso é necessário entender que ninguém de nós precisa adivinhar o pensamento ou o desejo específico de Deus para daí, então, orar. Temos a Bíblia como revelação dos princípios de Deus e com isso já podemos alinhar uma série de coisas.

O que é esbanjar? Eu creio que tudo que é troca ou barganha com Deus não funciona – tipo assim “Deus se o senhor me der aquele carro eu te servirei mais”. Não cola. Tem um pastor amigo meu que sempre diz que Deus não aumenta o salário de quem não dá dizimo direitinho, para não ser roubado num valor maior. Faz sentido.

Eu creio também que tudo que é passageiro demais não é do foco de Deus, especialmente em termos de bens materiais. Experimente orar por almas, por salvação de pessoas. Experimente orar para Deus abrir seus olhos para aprender as Escrituras e trazer revelação. Tente orar para ser mais útil no Reino. As respostas vêm como chuva de verão.

Este é o versículo mais claro de que me lembro neste sentido: pedis e não recebeis por que pedis mal. Quem pede bem pode ser atendido (pode ser) mas quem pede mal nem chance tem. Simples assim. Direto e claro assim.

“Senhor, o que eu mais quero é aprender a orar e se o Senhor não me ajudar eu não vou conseguir. Ensina-me a dar um passo de cada vez, para não pedir mal, e com isso crescer.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Santificação II

“Falo como homem, pela fraqueza da vossa carne; pois que, assim como apresentastes os vossos membros para servirem à imundícia, e à maldade para maldade, assim apresentai agora os vossos membros para servirem à justiça para santificação.” (Romanos 6:19)

É consenso que Paulo, nesta passagem, se refere a prostituição quando fala de usar os membros para imundície. Tomando isso como referência, temos um precioso ensino sobre santificação. Algumas práticas são sim incompatíveis com a santidade.

Ainda que muitos estudiosos e teólogos defendam que o pecado sempre ofende a Deus da mesma forma, portanto não existe pecadinho ou pecadão, sou forçado a admitir que nem todo pecado gera em Deus a mesma reação. A prostituição, a feitiçaria, a idolatria, a mentira – são alguns exemplos que são citados em Apocalise 21 como tendo endereço certo. Aos soberbos Deus resiste (Salmo 138:6). Deus é contra o profeta falso ou forçado (Jeremias 23). Sendo assim e não polemizando, queria resumir dizendo o seguinte: santificação implica em abrir mão de algumas atividades que são claramente contrárias à santidade.

Nesse rol eu colocaria principalmente práticas pecaminosas como adultério, prostituição, feitiçaria e estes pecados que a Bíblia claramente menciona. Cada um é livre para tomar suas decisões e viver como quiser, mas estou dizendo que estas coisas são o contrário de santificação. Fugir delas é a favor.

Poderíamos resumir dizendo que santificação é abrir mão do que eu naturalmente tenho vontade, para fazer o que Deus deseja que eu faça? Sim, eu diria que sim. É difícil? Com certeza! Possível? Igualmente certo!! Natural? De jeito nenhum, isso é sobrenatural.

Mas Deus está do nosso lado nisso e o que precisamos para abrir mão do que nos prejudica é ter vontade e dedicação. Fazendo nossa parte Deus fará a Dele, tão certo como o ar que respiro.

“Senhor, fortalece meu coração e minha mente para resistir a tudo que me tenta e que me tira do caminho da santificação. Me mostra, me ajuda a ver o que devo fugir. Preciso de ajuda.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Santificação

“Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hebreus 12:14)

Ainda que eu já tenha lido essa interpretação em algum lugar, eu não creio nesse “ver” como algo físico ou para esta vida. Primeiro por que o texto de 1 João 4:12 diz que ninguém o viu, segundo por causa do relacionamento de Deus com Moisés a quem não quis mostrar-se diretamente, e por aí em diante.

No meu modo de entender, este “ver” se refere a comparecer diante Dele e, principalmente, aponta para a eternidade. Tudo para mim tem um toque de eternidade, mas neste caso é um grande toque. Sem santificação a eternidade não será com o Senhor, não se poderá vê-lo na eternidade sem santidade. Creio ser claro o suficiente o que isso significa e a sua implicação.

Algumas pesssoas me perguntam se eu creio que alguém realmente salvo pode não ter interesse em se santificar. Eu usualmente respondo que sim, e justifico aqui. A unção é de Deus, o toque é de Deus, a benção é de Deus. Mas o caráter é do homem e santificação é um processo sobrenatural que cabe a Deus executar nos corações que o recebem. Assim como uma emissora que não para de transmitir não tem nenhum resultado em termos de comunicação se ninguém sintonizar sua frequência, igualmente é o agir de Deus não encontrando terra fértil.

Claro que é uma resposta simplificada, pois temos de avaliar há quanto tempo o indivíduo foi alcançado pela graça salvadora, de que forma foi alcançado e principalmente que oportunidade teve para se santificar. Eu jamais emito julgamente no sentido de dizer se a pessoa é realmente salva ou não. Mas eu me sinto apto a discernir quando uma pessoa está brincando de cristão ou quando está buscando santidade com intensidade e seriedade. O Espírito Santo me ajuda nisso e me permite discernir.

O fato é que devemos despertar para a necessidade de termos desejo pela Presença do Pai, e a chave para isso é a santificação. Coloquemos isso em prática, urgentemente.

“Senhor, me ajuda a entender o que significa me santificar para que eu possa caminhar na direção de estar contigo. Torna isso uma prioridade no meu coração, por favor.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Oração e o Nosso Tesouro

“porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração.” (Mateus 6:21)

Uma das coisas mais difíceis que devemos aprender para ter uma vida de oração adequada é conhecer nosso coração. Eu posso testemunhar (contra mim mesmo) que muitas vezes estive orando por coisas absolutamente egoístas que na verdade nem eram boas para mim, mas ainda assim era o que meu coração desejava. Nesse ímpeto, quando menos percebemos, estamos tentando dar ordens ao Todo-Poderoso para que, numa tentativa infrutifera e vazia, Ele faça o que nós queremos e não o que Ele quer.

Onde está nosso tesouro, nossos valores, aquilo que nos é caro, aquilo de damos importância – é ali que nosso coração estará. Quando batem no seu carro e você tem uma fração de segundo de pensamento involuntário e descontrolado, sobre o que é? A extensão do dano? O preço do conserto? De quem foi a culpa? Ou é se alguém se machucou? Situações como esta ajudam a entender o que temos no coração, mais do que na mente. Racionalmente eu sempre penso nos que se machucaram, mas no impulso talvez eu pense primeiro no tamanho do estrago. Onde está meu coração? O que de fato tem valor para mim?

Quando oramos com o coração aplicado a algo, não temos certeza de que seremos antendidos no nosso pedido. MAS quando nosso coração está alinhado com o coração de Deus, na verdade estamos orando com o coração Dele aplicado. Neste caso, temos promessas inquebráveis de um prometedor infalível – seremos atendidos. A oração atendida é aquela que tem uma ligação de coração para coração, nos colocando frente a frente com o desejo do Pai, quase que se confundindo com o nosso.

Isso é tão lindo quanto difícil de colocar em prática. Para dominar o coração e aprender a desejar o que Deus deseja, só tem um caminho: muita oração, muita leitura e meditação na Palavra e muita, mas muita, mas muita força de vontade para renunciar o que só o nosso coração quer.

“Senhor, eu quero aprender a orar como convém, mas para isso preciso aprender e conhecer e dominar o meu coração. Ajuda-me a encontrar formas de colocar isso em prática.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Certeza da Salvação

“Estas coisas vos escrevi a vós, os que credes no nome do Filho de Deus, para que saibais que tendes a vida eterna, e para que creiais no nome do Filho de Deus.” (1 João 5:13)

Há uma polêmica teológica antiga (aliás muito antiga) sobre a perda da salvação. A pergunta “uma vez salvo, salvo para sempre?” tem atormentado teólogos e estudiosos por séculos. Claro, alguns não perdem o sono com isso mas outros fazem um cavalo de batalha por ele. Eu quero focar nossa meditação em um foco periférico, ainda que bastante relevante.

Este versículo que acabamos de ler nos ensina que podemos saber que temos a vida eterna. Ao ler este versículo e associá-lo com Romanos 8:16, entendo que existe aqui uma realidade espiritual. Deixando de lado a polêmica acalorada da perda ou não da salvação, estes dois versículos nos ajudam a entender que podemos ter certeza da vida eterna, o que para mim basta. Me permita explicar.

Se pensarmos em um líder (pastor, padre, missionário, …) que abandonou a fé e caiu nas drogas, na prostituição ou na feitiçaria (ou em todos) dificilmente não se ouve a pergunta “mas ele nunca foi convertido ou perdeu a salvação?”. Sinceramente… Tanto faz.

Se colocarmos em dúvida se nossa liderança é convertida, ficaremos o tempo todo de sobreaviso esperando o mínimo deslize mais sério para levantar o dedo em riste e dizer “eu sabia!”. Isso vai sabotar a unidade da igreja e será danoso para todos, indistintamente. Se por outro lado pensarmos que ele era salvo mas decidiu abandonar, colocamos em dúvida se amanhã outro de nossos líderes não passará por isso, e, consequentemente, lá vem o dedão levantado de novo e o “eu sabia” vai fazer eco outra vez.

O que precisamos focar, com objetividade e seriedade, é que a Palavra de Deus nos ensina, sem muita margem para duvidar, que se perseverarmos até o fim receberemos a coroa da vida, que aquele que não se corrompe é galardoado, que ao vencedor há uma linha de chegada reservada. Isso me basta e deve bastar a você também. Conserve sua fé, ande em santidade, busque a Deus incessantemente, ore e medite na Palavra. A vitória está reservada e garantida, o resto não importa.

Onde há certeza e convicção não cabe dúvida. Para mim basta.

“Senhor, ajuda-me viver de modo digno de Ti, andando como vitorioso mas em humildade, com total convicção de quem sou no Teu Reino. Obrigado por me escolher, me chamar e me capacitar.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Aprendendo a Orar II

“E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios, que pensam que por muito falarem serão ouvidos ” (Mateus 6:7)

Muitas pessoas acreditam que Deus é surdo, umas por que gritam e outras por que não param de falar. Na verdade, a Bíblia ensina, sim, que devemos persistir e perseverar nas nossas orações, mas isso não nos permite confundir Deus com algum surdo. Também, ao contrário do que já ouvi, essas ditas vãs repetições não são quando a pessoa é pouco eloquente e repete demais as palavras.

O que podemos entender como repetições vazias são aquelas que são embaladas por um coração vazio. Não adianta dizer “Deus eu te amo” se não estiver disposto a obedecê-lo, pois aquele que obedece é o que ama (João 14:21). Não adianta dizer palavras de adoração sem um coração humilde, pois Deus resiste ao soberbo (Tiago 4:6). Não adianta pedir e pedir e pedir sem crer que receberá, pois isso é falta de fé e o único resultado será uma repetição sem sentido de frases feitas.

Ser ouvido é mais do que ter sua voz reconhecida. O sentido bíblico, e principalmente neste versículo, é de ser atendido na sua petição. Temos inúmeros exemplos bíblicos de pessoas que oraram uma única vez e Deus os atendeu, e outros que ficaram orando por anos a fio sem uma resposta aparente. Alguns de fato nunca foram atendidos. Nunca podemos esquecer ou negligenciar que Deus é soberano e pedimos a Ele justamente por isso. Se Ele fosse qualquer um, para que orar para Ele? Sendo Ele quem é, pode ou não atender nosso pedido, isso não muda nada do lado Dele.

Persistir sim, repetir de forma vazia não. Como equilibrar? É mais simples do que parece, mas não é fácil de fazer. É preciso estar de todo coração empenhado, para que a repetição persistente não seja vazia. É possível, mas somente pela fé.

“Senhor, eu reconheço que não sei orar como convém. Por favor me ensina a buscar em Ti sem o coração vazio, pelo contrário, totalmente derramado a Ti.”

Mário Fernandez