Mário Fernandez

Em Equipe

“Então, Daniel foi para casa e fez saber o caso a Hananias, Misael e Azarias, seus companheiros, para que pedissem misericórdia ao Deus do céu sobre este mistério, a fim de que Daniel e seus companheiros não perecessem com o resto dos sábios da Babilônia.” (Daniel 2:17-18 ARA)

Nos dias em que vivemos está difícil encontrar uma igreja local que reuna todas essas características: séria com Deus, de doutrina reta e com as finanças equilibradas (nos dois sentidos). Mais ainda uma comunidde onde as pessoas se importem umas com as outras a ponto de se juntarem para resolver juntos uma situação. Existe, mas são minorias.

Daniel foi condenado à morte por algo que não fez, unicamente por ira do rei, portanto seria injustamente morto. Todos os sábios do reino foram decretados como inúteis e sentenciados à morte, incluindo Daniel. A vida é cruel, coisas ruins acontecem com gente boa e com homens de Deus, nem sempre conseguimos o que intentamos, por mais que oremos e andemos em retidão.

Mas Daniel foi resolver as coisas de um modo que estamos pouco acostumados, ele juntou seus irmãos de fé e foram clamar ao Deus do céu. Que ensino precioso, que exemplo a ser seguido, que coisa mais linda pra se admirar e reproduzir. Buscar misericórdia na fonte de toda a misericórdia, juntar-se para lutar, desvalorizar o problema e valorizar a solução. Isso é ser temente a Deus, e me deixa envergonhado pela forma como resolvo meus problemas em tantas situações.

Onde foram parar nossos intercessores? Todos os ministérios são importantes em uma igreja, não desmereço nenhum deles. Mas os músicos têm estúdio, os pregadores têm bibliotecas, os administradores têm salas de trabalho – e os intercessores têm o quê? Ao menos um tapete? Não quero profissionalizar a vida de oração, mas creio sinceramente que podemos fazer melhor e começar informalmente é um bom meio.

Ou isso ou vamos ter de admitir que não cremos mais que Deus seja tão ativo e atento quanto nos dias de Daniel.

“Senhor, eu creio em Ti e quero aprender a resolver tudo na Tua Presença. Me ensina a encontrar em meus irmãos a solidariedade e a vida de oração necessários para buscar Tua misericórdia.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Liderança

“Davi retirou-se dali e se refugiou na caverna de Adulão; quando ouviram isso seus irmãos e toda a casa de seu pai, desceram ali para ter com ele.” (1 Samuel 22:1 ARA)

Um líder é uma pessoa que tem algo diferente em si mesmo, algo que não é fácil de explicar nem de copiar. Davi se refugiou, fugiu, se escondeu numa caverna. Não panfletou na esquina, não divulgou, não fez propaganda, estava foragido. Ainda assim foi reconhecido como líder e muitos o seguiram, tanto que nos próximos versículos vemos algumas centenas de homens se juntando a ele. Certamente não eram os nobres da sociedade, mas ali estavam e o seguiram, voluntariamente.

Isso talvez seja algo que mereceria mais de nossa atenção, pois temos visto e ouvido tantos que lideram pela força, pela imposição, pela autoridade delegada e não pelo carisma, pela liderança inata. No seio da igreja local despertam líderes diariamente, alguns que prosperarão e outros que serão sufocados ao longo do tempo. Imagine se nós tivéssemos mais discernimento e mais motivação para treinar estes líderes e fazer deles os influenciadores da nossa geração, o impacto que isso traria.

Mas, o que mais chama a minha atenção nesse episódio é o fato de que Davi era, sim, um homem comum, cheio de erros e pecados, cheio de limitações, como eu e você. Mesmo assim ele tinha essa característica de atrair para si liderados, com certa naturalidade.

Isso me ensina diretamente duas coisas: primeiro, não sãos as qualidades de um homem que atraem seguidores, do contrário Davi jamais teria um time de futebol. Segundo, nós é que decidimos o uso que damos para o carisma que temos, seja para amontoar gente ou para tirar proveito pessoal disso.

Que isso nos ajude a discernir os verdadeiros líderes, a liderar com excelência sem se vangloriar disso, e também a servir a Deus com o que temos, afinal foi Ele que nos deu. Davi com todos os defeitos que tinha fez coisas grandiosas para Deus.

“Pai, muito obrigado porque a Bíblia me mostra que é possível fazer tantas coisas boas mesmo sendo tão limitado. Ajuda-me a servir a Ti e a Teu povo de maneira justa e correta.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Pouco Azeite

“E as néscias disseram às prudentes: Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas estão-se apagando. Mas as prudentes responderam: Não, para que não nos falte a nós e a vós outras! Ide, antes, aos que o vendem e comprai-o.” (Mateus 25:8-9 ARA)

Os dias em que vivemos são ao mesmo tempo terríveis e maravilhosos. Não me lembro de ter visto tanto mover de Deus ao redor do mundo e na minha cidade, mas também não me lembro de ver tanto crente desviado. Alguns estudiosos estão dizendo que tem um crente desviado para cada outro que está dentro da igreja, e isso sem descontar os que estão com o corpo dentro mas com a alma fora.

De qualquer modo, assim como as 10 virgens néscias, alguns infelizmente carregam pouco azeite e quando a coisa aperta saem correndo. Azeite nos fala de unção que representa o Espírito Santo e independente da expressão geral dessa parábola, fica muito claro que não ter azeite suficiente dá prejuízo. Seja na interpretação que for, o sábio (prudente) é o que se enche de azeite e se prepara para o dia da necessidade.

Como manter a botija cheia de azeite? Para alguns pode ser apenas se dizer cristão mas para mim tem muito mais. Congregar é importante (servir em uma igreja local, adorar coletivamente, partilhar de lutas e vitórias). Orar é essencial, sozinho e em conjunto. Ler a Bíblia é fundamental, tanto sistematicamente (um livro de cada vez, inteiro) como aleatoriamente (versículos salteados). Praticar boas obras faz parte, não para ser salvo mas para apresentar sua fé (ser ético, abençoar, não murmurar, suprir necessidades). Falar de Jesus aos perdidos e afastados para sua redenção é muito importante (nos enche da ação de Deus). Adorar é essencial (não apenas cantando mas de todas as formas que expressar a essência de Deus).

Independentemente de como sua fé seja expressada, em que nível de compreensão teológica esteja, nunca estamos suficientemente cheios de azeite a ponto de não poder mais. Busque mais, deseje mais. Deus tem mais para mim e para você.

“Pai, muito obrigado pela abundância de óleo na Tua Palavra para meu enchimento e crescimento. Ensina-me a encontrar fontes ricas de benção e me preencher de ti. Obrigado.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Lágrimas

“E, voltando-se para a mulher, disse a Simão: Vês esta mulher? Entrei em tua casa, e não me deste água para os pés; esta, porém, regou os meus pés com lágrimas e os enxugou com os seus cabelos.” (Lucas 7:44 ARA)

Eu sou meio chorão, para dizer o mínimo. Choro no meu particular, na frente da minha família e também em público. Ministrando a Palavra então, às vezes, é um verdadeiro aguaceiro. Mas essa mulher aqui narrada me ganha de longe. Imagine o tanto que precisa de lágrimas para lavar os pés de um homem adulto.

Esse texto me falou profundamente num dia em que ao chegar de um Encontro Face a Face com Deus, vejo 3 irmãs de cabelo raspado, em sinal de dedicação ao Senhor. Elas deixaram bem claro que Deus falou com elas sobre isso e ninguém deveria imitá-las. Mas eu lembro do cabelão que havia antes e me espanto. Para mulheres esse aspecto de vaidade e aparência é mais importante que para os homens, usualmente. Essa mulher sujou seus cabelos limpando os pés do mestre. Muita lágrima e certamente cabelos longos.

O que mais me fala profundamente neste texto é que esta mulher usou o que tinha ao seu alcance. Ela não comprou nada, talvez nem tivesse dinheiro para isso. Não foi um perfume caro, não foi uma roupa elegante, não foi um presente inesquecível. Foi um ato inesquecível, veja que estamos aqui 2.000 anos depois ainda comentando. Eu não sei se vão se lembrar de mim 2 anos depois que eu morrer, imagine.

Se esta mulher tinha lágrimas suficientes para lavar os pés do Senhor Jesus de Nazaré, nós deveríamos ter algo pra oferecer. Talvez não sejam lágrimas nem cabelos, mas lavar os pés fala de servir, de se humilhar, se rebaixar. Eu tenho 100% de certeza que todos nós podemos vivenciar isso em nossa realidade cotidiana de alguma forma. Não bastasse, Jesus nos ensinou que podemos servi-lo através dos pobres, presos, abandonados.

Vamos aprender com essa mulher o que pudermos, pois sua memória permanece. Vamos usar o que temos?

“Senhor, Tu não tens interesse em nada que eu possa oferecer, pois tudo já é Teu. Mas eu quero oferecer o que voluntariamente eu poderia negar – meu tempo, meu esforço e se for preciso, lágrimas e cabelos. Ensina-me a te servir.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Emudecer

“Porque assim é a vontade de Deus, que, pela prática do bem, façais emudecer a ignorância dos insensatos; como livres que sois, não usando, todavia, a liberdade por pretexto da malícia, mas vivendo como servos de Deus.” (1 Pedro 2:15-16 ARA)

Esse nosso mundão está perdido, como diz um amigo meu, na escuridão sem luz. A cada dia a gente vê mais violência, mais doença, mais relacionamento rompido, mais e mais safadeza institucionalizada e por aí vai. Não fosse isso suficiente, uma parte das igrejas se contaminou com este mundo de tal forma que a Bíblia nem é mais fonte de referência e muito pouco é lida. O que nos resta para dar esperança?

Nos resta, meu querido leitor, aquilo que sempre tivemos. Nos resta viver de modo diferente, distinto, incomum. Viver de modo digno do evangelho que cremos e pregamos. Não para ser recompensado por Deus por isso, pois não é assim que funciona. Não para agradar a líderes ou para ser popular. Mas sim para cumprir a vontade Daquele que nos chamou e nos transformou em resgate de uma morte literalmente infernal. É um ato prático de gratidão e não uma teoria teológica, um pensamento bonito. É o arregaçar das mangas e fazer tudo que estiver ao alcance para ser reconhecido publicamente com alguém que serve a Deus. Isso emudecerá a ignorância dos insensatos.

Note apenas um detalhe: ser cristão em nossos dias, ou evangélico que é a palavra mais em uso, virou sinônimo de frequentar uma igreja ou ter vínculo com alguma denominação. Meu querido, não caia nesse engano. O mais importante é o menos enfatizado e praticado. O evangelho é baseado em cruz, em sacrifício e em renúncia. Não é baseado em cura, prosperidade, comunhão, manifestação de poder – embora tenha tudo isso, e eu confesso gostar de tudo que é do Reino. Mas nada disso é a base, a base é sacrificial. Essa base muda nossa prática.

Se a base é importante, demonstrá-la é igualmente importante.

“Pai, quero viver de modo compatível, digno e apropriado ao Teu chamado para mim, seja servindo a Ti num ministério eclesiástico ou apenas vivendo para Ti no dia-a-dia. Ajuda-me.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Anônimo

“Então, propuseram dois: José, chamado Barsabás, cognominado Justo, e Matias.” (Atos 1:23 ARA)

Se alguém puder me ajudar eu agradeço. Procurei intensamente e não encontrei nenhuma menção de Matias antes desse versículo, nem com nomes equivalentes (era comum na época ter dois nomes). Pelo menos na Bíblia não encontrei nada. Quem era esse irmão e para onde foi depois disso? Tão anônimo era antes quanto ficou depois, pois some no verso 26 e não se encontra mais.

Se lermos os versículos 21 e 22 vamos ver os critérios de escolha que apontaram para Matias e então aprendemos algumas riquezas. Ele andou com Jesus desde o início e testemunhou sua ascenção, desde o batismo de João. Ou seja, era um daqueles que sempre esteve ali mas nunca se destacou.

Meu irmão, eu já perdi ovelha na igreja por muito muito menos do que isso. Por não ter mais um cargo, por mudarem os tapetes, por cada coisa simples. Esse Matias não era um dos 12, talvez fosse o 13º ou o 70º dos 70, mas estava lá e não desistiu. O dia dele chegou, afortunadamente, mas poderia nem ter sido ele o escolhido e sim o tal do José Barsabrás, que, por sinal, preencheu os mesmos requisitos e não foi escolhido. Meu Deus, os caras estavam lá fazendo tudo certo e ficaram anonimos, totalmente despercebidos dos historiadores, sem qualquer registro ou reconhecimento.

Querido, isso me ensina muito, mas muito mesmo, sobre humildade e foco. Se fazemos as coisas para nossa satisfação ou alegria das pessoas, desistiremos. Não importa se somos reconhecidos, se alguém nos agradece, se temos cargo, se somos remunerados, se há qualquer coisa que nos tire do anonimato. NAO IMPORTA. Se estamos bem com Deus e focados na missão, basta seguir em frente. Eu comecei escrevendo devocionais para uns 200 assinaturas que hoje são milhares e confesso que, às vezes, recebo 8 ou 9 comentários de quase 70.000 pessoas. Não importa, o recado está sendo dado e a voz do Espírito no meu ouvido continua dizendo “não pare”.

Meu irmão, ouça isso: não pare por falta de reconhecimento. Esqueça as opiniões das pessoas e faça para Deus.

“Pai, obrigado por que o Senhor é o que me basta tanto para ser reconhecido como para prosseguir. Só dependo de Ti. Se o Senhor estiver comigo eu prossigo.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Sombra

“a ponto de levarem os enfermos até pelas ruas e os colocarem sobre leitos e macas, para que, ao passar Pedro, ao menos a sua sombra se projetasse nalguns deles.” (Atos 5:15 ARA)

Meu querido leitor, eu me converti a Jesus Cristo em 1987 e sempre fiquei intrigado com essa história da sombra de Pedro curar enfermos. Esse homem era um dos improváveis da lista e fez tanta coisa inadequada e imprópria que chega a dar dó. Não em ordem cronológica, mas negou a Jesus, cortou orelha de soldado, falou besteira e ouviu “arreda Satanás”, não queria que lavasse seus pés, pediu para fazer tenda no monte, afundou andando sobre as águas e por aí vai. Era um sujeito complicado, briguento, iletrado e cheio de defeitos. Me lembra muito um cara que eu vejo de manhã no meu banheiro, ao espelho.

MAS, após uma experiência maravilhosa no dia de Pentecostes, esse irmão aparece num cenário absolutamente inalterado se comportando e produzindo de forma totalmente distinta. Nada mudou ao seu redor, as pessoas eram as mesmas, as situações eram as mesmas, Jesus nem estava mais ali fisicamente. Mas ele não era mais o mesmo, algo nele mudou e o fez ser o que Deus queria dele.

Essa é a virada que todos nós devemos experimentar. Passar de alguém que anda com Jesus, convive com Jesus, ouve Jesus e até ama Jesus sinceramente, para a condição de alguém que faz o que Jesus fazia como um seguidor deve fazer. Ser o Pedro dos evangelhos não é difícil e infelizmente há centenas nas igrejas, mas ser o Pedro do livro de Atos tem sido demonstrado por poucos.

O que nos falta? Disponibilidade do Espírito Santo não é, gente perdida para ser alcançada também não, Palavra revelada de Deus não é, então o que nos falta? Falta a coragem que Pedro sempre teve? Falta um toque de Deus? Falta entendimento do que já recebemos? Ou será que falta vergonha na cara?

Meu querido, talvez nenhuma destas coisas, ou todas elas, ou um pouco de cada. Mas claramente: descubramos e partamos para fazer o que Deus espera de nós. Despertemos o Pedro de Atos de cada um de nós, antes que venha o Senhor.

“Senhor, obrigado por me alertar de minha condição. Não quero ser só mais um que anda junto e fala bobagem, quero agir e fazer tudo que o Senhor tiver para mim. Ajuda-me, sou fraco e dependo de Ti”.

Mário Fernandez

Vinicios Torres

Ensinando os Filhos

“Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele.” (Pv 22:6 ARA)

Estava estudando este versículo e notei uma coisa interessante. A maioria das traduções diz “ensina a criança”, que dá um sentido genérico de gênero. Mas o texto original diz “ensina o menino” ou “ensina o jovem”, aquele que está na fase de transição para a idade adulta. Nos nossos tempos modernos, chamamos de adolescentes.

Algumas traduções em inglês traduzem o verbo “ensinar” por “treinar”. Não é apenas o ensino teórico mas o acompanhamento da prática da vida diária.

A ideia do autor bíblico é que os pais (homens) deveriam ensinar, por meio do treinamento, os seus filhos (homens) a viver. Deveriam ensiná-los a trabalhar, tornar-se exímios em sua profissão, fazer os negócios com honestidade, cuidar responsavelmente de suas famílias. Ou seja, treiná-los para serem homens íntegros e produtivos. Este é o pressuposto do versículo (na verdade de todo o livro de Provérbios), pois ele adverte que, uma vez aprendido, não haverá desvio desse padrão.

Infelizmente, a pressão dos padrões mundanos faz com que fiquemos tão sobrecarregados que, como consequência, somos levados a deixar de lado o padrão bíblico. Delegamos à escola a educação moral e profissional de nossos filhos. Você acha que lá eles serão “treinados” para a vida com esse padrão de excelência? Você acha que a escola se preocupará especificamente com o seu filho? (Por melhores que sejam os profissionais e suas intenções, esta não é a função deles).

Pergunte a qualquer psicólogo ou educador e ele confirmará: as crianças aprendem muito mais por imitação do que por discurso. A Bíblia não apenas confirma isso mas nos adverte a usar esse princípio trazendo nossos filhos para aprenderem a viver da mesma maneira que nós vivemos.

“Deus querido, ajuda-nos, como pais, a vivermos vidas que valham a pena ser imitadas pelos nossos filhos e dá-nos coragem para convidá-los a serem nossos imitadores.”

Vinicios Torres