Mário Fernandez

Sem Memória

“De todas as transgressões que cometeu não haverá lembrança contra ele; pela justiça que praticou, viverá.” (Ezequiel 18:22 ARA)

Nosso Deus não é burro nem analfabeto, Ele conhece as Escrituras e não apaga de Sua mente o que já se passou. Ainda assim, este versículo ensina que não haverá lembrança do pecado (transgressão) daqueles que genuinamente se arrependem e se convertem dos seus maus caminhos.

É interessante, pois isso é uma decisão do coração do Pai. Ele nunca mais menciona, nunca mais traz à lembrança, nunca mais nos acusa. Eu fico olhando determinadas situações, por exemplo, em uma briga de casais, quando voltam-se às acusações antigas, como se fossem sementes para serem semeadas em tempo mais oportuno. Se o Pai Celestial não é assim, também nós não devemos ser. Por mais doloroso que seja o pecado, o amor cobre multidão de erros e permite que o coração de Deus abra mão de lembrar. Nós, portanto, também temos de adotar essa conduta.

Em algumas situações é difícil esquecer, se não impossível. A perda de um ente querido, uma tragédia, um ato brutal, são inúmeras coisas que nossa memória resiste em abandonar. Mas memória e lembrança não precisam andar juntas. Eu me lembro (memória) de ofensas que me foram lançadas, mas desde que perdoei perdi o direito de mencioná-las (lembrança) e isso me ajuda a colocar de lado o que atrapalha olhar para frente.

Devemos lembrar que é possível pecar sem envolver mais nenhum ser humano, mas sempre, invariavelmente, o Senhor Nosso Deus será envolvido, pois TODO pecado ofende Seu coração santo. Portanto, mesmo que seja algo que jamais alguém neste mundo fique sabendo, ou tenha conhecimento, ou seja mencionado – ao Pai está descoberto. Se Ele nos perdoa, é como se não tivesse acontecido.

Agradeçamos ao Nosso Deus fazendo algo que vai Lhe agradar – abandonemos os caminhos que O desagradam.

“Pai, obrigado porque Tua misericórdia e Teu amor por mim me levam a um lugar onde nada é mencionado e não sou acusado. Ensina-me, assim, a andar mais e mais perto de Ti.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Adoradores II

“Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores.” (João 4:23 ARA)

…Você é um adorador?

Assim terminei a devocional anterior, para iniciar esta continuação. Vamos em frente.

Note que todo ser humano que tem um mínimo conhecimento do Reino de Deus é uma pessoa que busca a Deus. Seja de forma voluntária, espontânea ou por que aprendeu assim, mas é a pessoa que, do seu modo e no seu ritmo, busca a Deus.

Buscar a Deus é correr atrás Dele, tentar contato com Ele, empenhar esforço para ter algo Dele, puxar conversa com Ele, aguardar o retorno Dele. Tudo apontando na direção Dele. Todo adorador é uma pessoa que busca a Deus incansavelmente, ou como alguns gostam de rotular, um caçador de Deus. Mas há algo mais a ser visto e considerado sobre o adorador, esta figura inusitada.

Este versículo diz que o adorador é objeto da busca de Deus, ou seja, Aquele que tão frequentemente é procurado também procura por alguém. E não coincidentemente é o adorador. Isso me leva a pensar e crer que Deus, sabedor de todas as coisas, considera que deve buscar aquele que mais intenta buscá-lo, como um empresário do nosso tempo que aumenta a produção do produto que lhe dá mais lucro. Claro, é uma comparação didática pois Deus não visa lucro. Mas o adorador é aquele que não se importa em ser procurado, pois é um buscador.

Na convergência destes interesses, eu vejo uma maravilhosa graça e favor de Deus. Quanto mais eu quiser estar com Ele, ainda mais se for adorador, mais Ele me buscará e desejará estar comigo. É lindo isso, afinal para algumas pessoas Deus é um mistério tão distante, tão sofrido, tão complicado, tão inatingível…

E você, é um adorador? Que tal se empenhar nisso?

“Deus amado, obrigado por responder tão amorosamente ao mais tênue esforço das pessoas em Te buscar. Ajuda-me a ser mais e mais dedicado na Tua adoração. Quero ser um adorador.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Adoradores

“Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores.” (João 4:23 ARA)

É interessante que quando prestamos atenção ouvimos algo que antes nos havia passado despercebido. Deus elege uns, escolhe outros, capacita outros, levanta mais uns… Mas a única referência que encontrei sobre Deus procurar é por os adoradores, o que na realidade não caracteriza, necessariamente, uma função e sim uma condição ou estilo.

Um adorador pode ser um recém convertido como pode ser uma pessoa madura na sua fé. Um adorador pode ser um músico talentoso, ou um músico medíocre, ou mesmo um desafinado sem nenhum talento musical. Um adorador pode ser qualquer um no nosso meio. Afinal, o que é um adorador?

Aqueles a quem o Pai busca são os que dobram seus joelhos e derramam suas lágrimas diante da presença do Pai. Basta Ele se manifestar, em silêncio ou no tumulto. O adorador é aquele que não liga para os que estão a seu redor e faz o que sente no coração para agradar e reconhecer que Seu Dono chegou. O adorador é aquele que não se prende a protocolos, modos, formatos, mas para o que Ele crê que agrada seu Senhor. É o que canta, que dança, que pula. É o que se cala, fica imóvel. É aquele que sente saudade de conversar com o Pai, de ouvir Sua voz, de sentir Seu toque. É o sujeito que talvez esteja quieto ao seu lado, derramando uma gotinha discreta de suor, como se estivesse cochilando. É o que ora, é o que busca.

Um adorador é alguém que não se contenta com menos do que ser íntimo do Pai. Não se contenta em falar de longe, nem de ser recebido na sala da casa, mas tem de entrar ao cômodo interior, conversar rindo, com roupa informal e talvez até descalço. O adorador não aceita menos, não desiste enquanto não é tocado, não liga para o prejuizo que tiver pois o real prejuízo é não adorar.

Você é um adorador?

“Pai, eu quero aprender a fazer mais do que adorar; eu quero aprender a ser um adorador. Fazer não me basta mais, eu agora quero ser. Ajuda e ensina este Teu filho.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Envelhece

“Eles, porém, não deram ouvidos a Moisés, e alguns deixaram do maná para a manhã seguinte; porém deu bichos e cheirava mal. E Moisés se indignou contra eles.” (Êxodo 16:20 ARA)

Existe um mistério de ensino profundo no maná. Nestes últimos dias, chamou-me a atenção algo a este respeito. Note que maná é alimento e não pode ser guardado. Nós nos alimentamos no corpo e no espírito. O maná era para o corpo físico mas trazia consigo um suprimento espiritual da parte de Deus para Seu povo. Entendamos: se a provisão é espiritual e não dura de um dia para o outro, como podemos querer hoje viver uma vida alimentada unicamente por um culto semanal?

Eu não sou igrejista nem igrejeiro, acho que a igreja tem o seu papel e eu sou defensor dela, mas não a tenho por solução ou caminho de nada. Jesus é o caminho, a verdade e a vida, portanto tenho a igreja como mera ferramenta, como um computador, um carro, um idioma, a internet ou qualquer outro recurso de que disponho para viver mais em comunhão com o Pai. Nada mais. Contudo, devo reconhecer que neste papel a igreja tem seu desempenho como supridora por parte de Deus.

Se a pregação de domingo não me alimentar (graças a Deus não é meu caso, estou sendo bem atendido) meu tempo devocional, minhas leituras, meu discipulador, algum outro curso, outros estudos – tudo deve ser somado para alcançar o alimento de que preciso. Se a pregação de domingo me alimentar (como é meu caso), eu preciso “comer” menos durante os demais dias, mas não vou ficar com fome ou à beira da inanição. Devo e quero me alimentar mais e mais, pois no espírito não existe obesidade, toda “proteína” que ingerirmos será transformada em musculatura e força.

Mas não podemos ter a ilusão de que vamos guardar para o dia seguinte, pois tal como o maná se estragava, ou ficava vencido, igualmente o que recebemos como alimento espiritual não deve ser estocado. Deve ser consumido continuamente, fortalecendo o nosso espírito de forma contínua. Obviamente isso dá trabalho, mas é necessário. E sejamos francos: quando nossos irmãos no passado não tinham a Bíblia, nem os demais recursos que temos hoje, era muito mais difícil. Façamos a nossa parte.

“Pai, ajuda-me a encontrar meu alimento nas formas que o Senhor estabeleceu para mim, diariamente. Não quero viver com uma refeição eventual ou espaçada, mas todos os dias.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Delegação

“Olha que hoje te constituo sobre as nações e sobre os reinos, para arrancares e derribares, para destruíres e arruinares e também para edificares e para plantares.” (Jeremias 1:10 ARA)

É sempre muito complicado falar sobre autoridade de uma forma geral. sobre autoridade espiritual mais ainda. Eu realmente creio, no meu coração, que o Senhor Nosso Deus não tem filhos prediletos, no sentido de favorecer a uns em detrimento de outros como alguns pais terrenos o fazem. Mas também creio que, se nem todos recebem o mesmo chamado, os mesmos dons e as mesmas atribuições, nem todos têm a mesma autoridade.

Ao longo da história de Israel homens sempre foram levantados por Deus para liderar, mas isso também sempre foi polêmico. Por que seria diferente hoje? Nossos pastores, missionários, evangelistas, ministros de louvor e tantos outros líderes – também são questionados, nunca agradam a todos… Mas este é o estilo de Deus para liderar seu povo. Imagino se nos nossos dias alguém chegasse diante da igreja local dizendo que Deus apareceu a ele e lhe dissesse o que este versículo narra. Misericórdia…

A despeito da reação das pessoas, nós temos de ter uma coisa chamada senso de missão. Se Deus decidir me usar como líder de multidões, eu tenho de me resolver nisso com Ele. Se for chamado para liderar 4 pessoas, tenho de ter a mesma resolução com Ele. Ninguém é melhor do que ninguém no Reino de Deus, mas alguns de fato deverão encarar missões ou tarefas mais grandiosas aos olhos humanos. Por quê? Nem imagino, Deus é soberano e quer assim.

O cerne deste ensino é que se Deus nos chamar, não devemos nos esconder. Se não chamar, não devemos nos meter. A convicção é pessoal, a confirmação pode ser coletiva. O chamado, meu irmão, é instransferível. Alguém pode até fazer o que precisa ser feito, mas se a vaga é sua, como dizem nossos adolescentes, corre pro abraço que é contigo.

Minha oração neste dia é que o Senhor confirme Seu chamado na vida de cada um de Seus filhos, e que cada vocacionado entenda seu próprio chamado.

“Pai, ajuda-nos a compreender o chamado do Senhor pra cada um de nós, por mais simples que possa parecer diante dos homens. Ensina-nos a Te honrar com fidelidade.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Intercessão

“Mudou o SENHOR a sorte de Jó, quando este orava pelos seus amigos; e o SENHOR deu-lhe o dobro de tudo o que antes possuíra.” (Jó 42:10 ARA)

Não gosto de fazer doutrina em cima de um versículo sozinho, mas esse em particular tem me ensinado algo relevante. Depois de tudo pelo que Jó passou, depois de todo sofrimento e privação, ele ainda encontrou forças para orar pelos seus amigos, deu-se a interceder por eles. Nesse momento mudou o Senhor a sua vida.

Esse versículo não ensina necessariamente que toda vez que orarmos por outros seremos alcançados pelo favor de Deus, mas abre um precedente interessante – isso pode acontecer. Jó é um exemplo para mim, principalmente em dias de dificuldade e enfermidade.

Quer isso seja uma regra ou não, há algo que devemos aprender com Jó. Jamais, nunca mesmo, estaremos tão mal que não possamos orar pelos que nos rodeiam. Nunca estive tão mal quanto Jó, mas eu já perdi o ânimo para orar pelos outros e foquei em mim mesmo. Foi um erro, percebo isso. Se foi possível para Jó tem de ser possível para mim também. Independentemente de sermos intercessores fervorosos ou apenas moderados, temos de manter nossa vida de oração e nela incluir continuamente nossos irmãos, amigos, familiares, pastores, líderes, enfim os que nos rodeiam.

Jó foi alcançado enquanto se dedicava aos demais, o que não era obrigação sua. Jesus Cristo foi para cruz por nós, o que não era obrigação sua (o pecado era meu). E eu, o que tenho feito além daquilo que é apenas minha obrigação e meu dever? O que tenho empenhado para alcançar misericórdia para outros e não apenas para mim? Até quando deixarei de ser abençoado por ficar justamente buscando benção para mim mesmo?

É tempo de mudar o discurso e de se importar com os outros. Talvez, e somente talvez, isso faça mudar minha sorte como mudou a de Jó.

“Pai, fortalece-me para que eu me importe mais com os outros do que comigo mesmo, a bem de Te servir e Te agradar. Se em meio a isso aprouver ao Senhor me agraciar, aleluia. Se não, aleluia.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Juiz

“Um só é Legislador e Juiz, aquele que pode salvar e fazer perecer; tu, porém, quem és, que julgas o próximo?” (Tiago 4:12 ARA)

Até mesmo por conta de uma polêmica anterior, estou meditando sobre julgamento, juizado e conceitos de justiça. A gente tem o feio costume de emitir julgamentos, conceitos, tomando decisões como se fôssemos nós mesmos os juízes de tudo e de todos. Se o assunto é política, futebol, igreja – todo mundo tem opinião (e isso é bom) mas muitos querem ter a razão e para isso julgam a opinião e postura dos demais.

Curioso notar que gostar ou não gostar de alguma coisa, é um direito que me assiste e expressar minha opinião faz parte do convívio social. Mas quando minha opinião é, basicamente, sobre os pontos negativos da opinião dos demais, estou julgando. É como no mundo dos negócios. Eu posso optar por falar bem do meu produto ou por falar mal do concorrente. Em ambos os casos eu terei clientes que decidirão comprar de mim e clientes que decidirão comprar de meus concorrentes. Mas será muito mais adequado falar bem do meu do que mal do concorrente, o que seria um julgamento.

Exatamente assim ocorre com as relações humanas, especialmente em momentos de discórdia ou conflitos. Parece campeonato onde cada ponto negativo do outro conta positivo para mim. Isso não é bom, nada bom. Se eu não quiser me colocar como juiz de meus irmãos, preciso focar no meu ponto positivo e não no negativo do outro.

Este verso nos ensina que não há dois juízes, portanto num certo sentido ao tentar julgar nosso irmão, tomamos o lugar de Deus e isso é ruim, muito ruim… Eu não diria que chega a caracterizar idolatria, mas rebeldia com certeza e a diferença não é muito grande em termos de desagrado ao coração do Pai.

Se cada um de nós focasse mais em si mesmo e menos nos demais, em termos de conceito e opinião, sem deixar de atentar para o convívio e as necessidades a serem supridas, provavelmente entenderíamos melhor o que Jesus disse com “amai-vos”.

“Pai, me ajuda a conseguir encontrar o equilibrio das idéias e conceitos, sem julgar meus irmãos e sem tomar o lugar de juiz, pois não sou Justo como Tu. Ajuda-me, por favor.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Vencedores

“Quem é o que vence o mundo, senão aquele que crê ser Jesus o Filho de Deus?” (1 João 5:5 ARA)

  • Ainda que ao olhar ao nosso redor, o mundo seja cruel – e é.
  • Ainda que pareça que não se pode vencer o sistema.
  • Ainda que para cada um de nós hajam 20 incrédulos.
  • Ainda que sejamos perseguidos diariamente.
  • Ainda que pareça que estamos perdendo terreno.
  • Ainda que a igreja local não seja o que gostaríamos.
  • Ainda que nossos pastores não sejam perfeitos.
  • Ainda que não compreendamos tudo que Bíblia diz.
  • Ainda que haja desavenças entre nós, irmãos.
  • Ainda que o diabo seja um inimigo astuto e poderoso.
  • Ainda que, às vezes, nos sintamos esquecidos, abandonados.
  • Ainda que tudo pareça desmoronar ao seu redor.

AINDA ASSIM….

Ainda assim os vencedores não são os valorosos, ou os bem instruídos, ou os bem vestidos, ou os bem comportados, ou os que oram mais, ou os adoradores. A vitória que vence o mundo é a fé no Filho de Deus, na manifestação visível e encarnada do Deus Vivo e Eterno – Jesus de Nazaré, o Dono de toda autoridade no céu e na Terra, cujo nome foi exaltado acima de todo nome e diante do qual todo joelho se dobrará.

Não se deixe impressionar pelas adversidades, não deixe que as situações ditem a sua fé. Foco no alvo, foco no alvo, foco no alvo – e o alvo é Jesus Cristo.

Talvez esta devocional não faça muito sentido para você neste momento, mas posso assegurar que no meu momento de vida faz todo sentido. Ou Jesus será meu foco ou ficarei literalmente desnorteado. Eu vencerei, creio nisso e não é frase de efeito. Junte-se a mim e vamos adorar àquele que venceu, mesmo em meio às nossas tempestades. Com fé, com firmeza, com clareza e com foco.

O mundo? O mundo passará, mas as Palavras Dele durarão para sempre. Vai apostar no eterno ou no passageiro?

“Pai, obrigado por abrir meus olhos para a vitória que o Senhor tem para cada um de nós mediante a fé no Teu filho. Fortalece-nos e ensina-nos a levar adiante nossa condição vitoriosa, para glória do Teu nome”

Mário Fernandez