Mário Fernandez

Buscas

“Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração.” (Jeremias 29:13 ARA)

O ser humano está sempre em busca de alguma coisa, seja material ou não. Trabalho com pessoas gananciosas que não têm limite para seus ganhos. Muitos deles ganham por ano o que jamais ganharei a vida toda, mas continuam buscando mais. Outros buscam satisfação na bebida, sexo, drogas e outros vícios. Mas quando falamos em buscar a Deus, para muitos parece impossível, muito longe, muito trabalhoso.

Note que o trabalho que dá ser bandido justificaria arrumar um emprego. O trabalho que dá para buscar uma satisfação inatingível na bebida ou na prostituição, não é muito menor que o trabalho de buscar a Deus. É um trabalho diferente, e uso a palavra trabalho no sentido de um esforço que produz algum resultado, não de atividade remunerada.

A chave está na segunda parte deste versículo. Buscar de coração, na minha opinião, não está mais ao alcance de todas as pessoas. Para muitos, o ego é tão forte e a alma tão dominadora que tornou-se inacessível chegar ao coração. Isso nos ajuda a entender primeiro por que Deus, às vezes, parece distante de alguns. Também pode ser o motivo de tantas vezes encontrarmos resistência de algumas pessoas para entregarem-se a Cristo. Certamente, eu creio, ser também o motivo do esfriamento em tantas igrejas. O coração está inacessível.

Mas, para aqueles cujo desejo de encontrar ao Senhor é forte, para os que o ego pode ser subjugado e a alma não tem senhorio, a conversa é outra. Isso pode ser dominado e podemos, sim, buscar a Deus de todo coração. Ninguem disse que é fácil, nem eu estou dizendo. Mas afirmo que é possível, que pode ser alcançado.

O resultado? Simples e claro no texto: “ME ACHAREIS”. Experimente e depois me conte.

“Pai, o que eu mais quero é a proximidade contigo, a intimidade. Sei que isso cobra um preço mas eu também sei o resultado disso. Se para outros isso não importa, para mim é tudo que quero.”

Mário Fernandez

Vinicios Torres

Piadas e outros causos

“Porque o que eles fazem em oculto, o só referir é vergonha.” (Efésios 5:12 ARA)

Algum tempo atrás um irmão chegou para um grupo em que eu estava e contou uma piada. Alguns do grupo riram e outros ficaram constrangidos pois a “graça” da piada era baseada em um comportamento pecaminoso.

Como eu não ri, o irmão em questão me chamou de radical e bitolado, dizendo que meu compromisso era exagerado. Eu me limitei a responder que tinha muitos outros motivos e assuntos para rir e me alegrar e que não precisava me alegrar com o pecado dos outros.

Aliás, deveria ser justamente o contrário, deveríamos chorar ao saber que uma pessoa está em pecado, pois o pecado nos separa de Deus (Isaías 59:2).

Infelizmente, não são apenas as piadas sujas que estão ficando comuns no meio dos irmãos, mas comentar abertamente os comportamentos e atos praticados pelos pecadores. Inclusive, já vi pregadores descrevendo vividamente o que alguém praticava antes de conhecer a Jesus, tentando com isso valorizar o seu testemunho.

Nesta passagem, Paulo está instruindo os discípulos a serem imitadores de Deus (v. 1) e diz que para isso “entre vocês não deve haver nem sequer menção de imoralidade … como também de nenhuma espécie de impureza e de cobiça; pois essas coisas não são próprias para os santos” (v. 3, NVI).

Sim, viver biblicamente está cada vez mais difícil em nossa sociedade que tem se tornado cada vez mais permissiva. Mas pode ter certeza, o mundo está desesperado procurando pessoas que demonstrem pela sua maneira de viver (e isso inclui aquilo que falam) que existe uma vida que vale a pena viver.

“Senhor, a fim de não me tornar cúmplice dos pecadores, faço minha a oração de Davi: Põe guarda, SENHOR, à minha boca; vigia a porta dos meus lábios. (Salmo 141:3)”

Vinicios Torres

Mário Fernandez

Roubar

“O ladrão vem somente para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância.” (João 10:10 ARA)

O dicionário que consultei define o roubo como “subtração ou posse inautorizada de propriedade alheia com uso de violencia ou ameaça”. Quando Jesus se refere ao ladrão, nenhum de nós tem dúvida de a quem Ele se refere, mas podemos tentar entender melhor o que Ele quis nos ensinar com isso.

A primeira coisa que me chama atenção é o fato de que o roubo inclui violência (quando não inclui, é furto). O nosso inimigo vem tomar o que não é dele e nunca é, como dizem os mais jovens “na boa”. Nunca. Sempre há alguma ameaça, alguma imposição ou, simplesmente, alguma agressão. Veja quantas familias destruídas, quanta gente doente, quanta depressão, quanta insatisfação, quanta miséria e quanta escravidão ao pecado. Tudo isso é necessariamente coisa do diabo? Talvez não, mas todas são coisas indesejáveis e roubam alguma coisa.

O segundo ponto é justamente este: nem sempre o que se rouba é algo material, como um bem físico. O inimigo rouba paz, sossego, saúde, auto-estima, relacionamentos – e tudo de forma imposta e violenta.

O que nos resta como alvo de seus ataques é saber que há vitória Naquele que veio trazer o contrário: abundância. Na minha concepção, e falo apenas por mim mesmo, a santidade é a cura para os ataques do ladrão. Ter seu tempo a sós com Deus, manter suas orações, sua leitura e meditação na Bíblia, congregar com o povo de Deus, adorar e louvar o Nome de Deus, fazer as obras que demonstram sua fé – são itens que vão compôr sua santidade. Evitar o mal, não participar das rodas de escarnecedores, tem uma linguagem limpa e uma ética irrepreensível, tudo faz parte.

O ladrão virá, pois o Senhor nunca prometeu que haveria vacina contra o ladrão. Mas podemos resistir a ele, e ele fugirá. Podemos não “deixar” as coisas para serem roubadas. Cuide de sua paz, de sua integridade, de sua santidade. Maior é o que está em nós e Ele nos guarda do ladrão.

“Pai, obrigado por me ensinar a andar Contigo e me permitir andar Contigo. Ajuda-me a evitar as ações deste ladrão, me assemelhando em caráter com Teu filho Jesus Cristo cada dia mais”

Mário Fernandez

Vinicios Torres

Inspiração

“Toda a Escritura é inspirada por Deus…” (2 Timóteo 3:16 ARA)

Nesta passagem Paulo faz uma afirmação interessante. Todas as traduções que consultei em português usam a palavra inspirada para traduzir o termo grego theopneustos. O termo é formado por duas palavras theos, que significa Deus, e pneo, que significa sopro ou expiração. Ao dizer isso, o apóstolo Paulo está dizendo que a Escritura tem sua origem no próprio Deus e foi por Ele expressada.

É por isso que a Bíblia é a fonte da autoridade da vida do cristão. Por ela o cristão conhece a Deus e a Sua vontade tanto para o mundo como para ele mesmo. A Escritura reveste-se de autoridade por ter sido originada em Deus que a usa para comunicar aos homens seu caráter e seus propósitos.

Infelizmente estamos vivendo tempos que os cristãos estão trocando a leitura da Bíblia por outro tipo de literatura como auto-ajuda, filosofia, religião, psicologia,etc. Não nego o valor dessas, mas nenhuma delas é “soprada” pelo próprio Deus. Elas são resultado da experiência humana e portanto são tão falhas e limitadas como são seus autores.

Nenhum tipo de literatura substitui a leitura e estudo diário da Bíblia para edificar um cristão saudável e relevante.

“Senhor, obrigado por colocar a nossa disposição a tua palavra, pois por ela podemos te conhecer.”

Vinicios Torres

Mário Fernandez

Amargor Contagiante

“atentando, diligentemente, por que ninguém seja faltoso, separando-se da graça de Deus; nem haja alguma raiz de amargura que, brotando, vos perturbe, e, por meio dela, muitos sejam contaminados;” (Hebreus 12:15 ARA)

Não se pode ignorar aquilo que é lei. Quer você creia ou não na lei da gravidade, por exemplo, cairá para baixo da mesma forma. Assim são as verdades espirituais. Este texto diz claramente que a raiz de amargura, brotando, contamina a muitos.

É inocente (ou ignorante) quem acha que seu amargor é um problema exclusivamente seu, pois a única pessoa que não percebe o quanto o amargor é amargo é o amargurado. Todos a seu redor percebem e sentem o fel sendo destilado. Muitos, quando não todos, são contagiados. A amargura tem raizes profundas que vão até a alma e o herbicida que mata essa erva daninha se chama perdão. Sem perdoar, ser humano algum conseguirá viver neste mundo sem ser amargo. Aprender a perdoar é um exercício pesado, reconheço.

Quando a amargura se torna perceptível, já é tarde demais e já contaminou alguém. Eu costumo pensar nas coisas da forma mais simples e prática possível. Eu considero amargura qualquer um dos sentimentos abaixo, e acumular é sinal de enraizamento:

  • não poder ficar por perto;
  • só perceber aspectos negativos;
  • não conseguir compartilhar nada;
  • ser incapaz de orar junto;
  • não ter vontade de abençoar;
  • achar que tem razão e a pessoa não merece.

 

Com este tipo de sentimento a bênção de Deus escasseia com certeza. É preciso pedir e liberar perdão, deixar de lado o que causou a mágoa e seguir em frente. Não é nem fácil nem simples e pode envolver situações extremamente dolorosas e desagradáveis. Mas eu já ajudei algumas pessoas com câncer e posso dizer com certeza: atitude conta muito. Tudo que é difícil precisa ser vencido com atitude firme e positiva.

Encaremos de frente as nossas mágoas e deixemos de amarguarar os que estão a nosso redor.

“Senhor, eu não quero ser prejudicial a ninguém, por isso peço tua ajuda e teu poder sober mim para vencer as mágoas. Fortalece-me para aprender a perdoar e ser livre.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Memória Apagada

“A sua memória desaparecerá da terra, e pelas praças não terá nome.” (Jó 18:17 ARA)

Enquanto eu não tive meus filhos nunca valorizei a memória de uma familia. Neste versículo o amigo de Jó está falando do destino dos maus em meio a uma série de flagelos e desgraças, menciona que sua memória será apagada. Estamos vivendo uma geração e um tempo onde as famílias e as tradições já perderam muito de sua força e gradualmente estão perdendo ainda mais.

Infelizmente, esta realidade de nossos dias desvalorizou aquilo que uma memória pode fazer. Lembramos do heroísmo de nossos ancestrais, de sua bravura desbravando terras desconhecidas ou mesmo começando negócios que hoje são prósperos. Isso está sumindo. Nossa história está sendo apagada e tenho visto que a maioria de nós mora em ruas que tem nomes de pessoas, mas não fazemos a menor idéia de quem foram.

Pela herança cultural em si eu me preocupo pocuo, mas temo pelo aprendizado. Estes homens e mulheres acertaram e erraram no passado e podemos aprender com isso. Note que o amigo de Jó fala disso como se fosse uma sentença, como se dissesse que a vida dos ímpios não merecesse ser lembrada.

Sua vida merece ser lembrada? Algo será dito a seu respeito nas gerações futuras, depois de sua partida?

Preocupe-se com isso agora, tenha você 12 ou 82 anos de idade. Quero que meus filhos sejam lembrados como crianças obedientes e tementes a Deus. Quero ser lembrado como bom pai, marido e colega de trabalho. Quero que todos se lembrem de algo que eu tenha dito ou ensinado. É um esforço diário, é uma intenção, é uma decisão.

O que seria de nós se perdessemos a memória dos nossos Abraão, Moisés, Davi, Salomão, Isaías, e principalmente do Amado Senhor Jesus?

Meu irmão, decida-se. Ou sua memória será um grande “branco” ou poderá manter algo na mente das pessoas. Invista nisso, pois tenho certeza que vai melhorar seu hoje e depositar para seu amanhã. É um desafio diário…

“Senhor, eu por mim mesmo farei pouco ou nada que mereça ser lembrado, mas se Tu tomar conta de mim e me fortalecer, eu posso ser uma memória que vale a pena. Ajuda-me, por favor.

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Ocultar

“Assim mesmo também as boas obras são manifestas, e as que são de outra maneira não podem ocultar-se.” (I Timóteo 5:25)

Importante termos sempre em mente que no Reino de Deus as coisas não se ocultam. Nas empresas, na família, na vizinhança é até possível acobertar atos positivos ou negativos, é possível esconder o autor de algumas coisas. Mas no Reino de Deus não é assim, pois Deus é interessado na clareza e visibilidade das coisas. Não apenas neste versículo, temos outros que dão base.

Dizer que as boas obras são manifestas não significa dizer, como pensam alguns, que haverá louros e coroações pelas boas atitudes. Igualmente não significa necessariamente que Deus o recompensará de imediato, como se tivesse Ele alguma obrigação neste sentido. Mas significa sim que para Deus nada disso passa desapercebido. Lembremos de Jesus de Nazaré prometendo que ao darmos um copo dágua a um sedento, ou um pão a um faminto, ou visitando um enfermo ou encarcerado, faríamos para Ele.

“As que são de outra maneira” refere-se ao que não se pode enquadrar como boas obras, portanto aquilo do qual não dá para se orgulhar. Isso também será percebido por Deus e eventualmente pode ser trazido à tona. Eu pessoalmente não creio em trazer a tona no sentido de humilar o infrator, mas para edificação e para preservar o corpo de Cristo. O que tenho visto de gente do meio eclesiástico sendo desmascarado, alguns em situações muito graves, me leva a crer que Deus faz isso para manter um certo nível na liderança. O principio é simples: não apronte pensando que vai passar batido, Deus percebe e nada pode ser oculto para sempre.

Se conseguirmos manter nossa linha clara, no sentido de fazer todas as coisas como se fossem publicadas no jornal do dia seguinte, talvez nossos atos mudem. Se este for nosso caso, devemos mudar. Se nada do que fazemos dá mau testemunho ou envergonha, então podemos continuar sossegados.

“Pai, quero poder deixar às claras tudo que faço para que nada engergonhe Teu nome. Ajuda-me a fazer somente aquilo que Te agrada.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Pai Perfeito

“Quando atingiu Abrão a idade de noventa e nove anos, apareceu-lhe o SENHOR e disse-lhe: Eu sou o Deus Todo-Poderoso; anda na minha presença e sê perfeito. Farei uma aliança entre mim e ti e te multiplicarei extraordinariamente.” (Gênesis 17:1-2 ARA)

Tem gente que se acha velha aos 40 anos. Tem gente que acha que esperar por alguns anos pela promessa de Deus é tempo demais. Tem gente que chama Deus de lerdo e tardio, por conta de algumas semanas de silêncio. Abrão nos inspira com sua história de vida, especialmente ao vermos que recebeu uma tão grande promessa aos 99 anos de idade.

Esperar em Deus nos aperfeiçoa, embora isso seja bastante difícil de encarar. Sei do que estou falando, pois já vivi inúmeros vales de silêncio que me angustiaram muito. Hoje com a graça de Deus consigo entender que o silêncio também é uma resposta. Mas a chave do sucesso na vida de Abraão veio pela obediência dele a Deus e provavelmente, assim eu creio, este episódio de Deus falando com ele (ainda Abrão) mudou sua relação com Deus.

Todos nós temos um caminho a trilhar e este caminho passa por algumas viradas, como foi com Abrão se tornando Abraão. Talvez nem todos nós vamos ter um contato com Deus como ele teve, mas a oportunidade teremos sim. A aliança de Deus com cada um de nós é distinta, segundo Seus planos, mas certamente o desejo do Pai é o mesmo pra todos nós: anda na minha presença e sê perfeito.

Nem todos nós seremos pais de nações, mas aqueles de quem formos pais (seja físico ou espiritual) temos de honrar em compromisso de santidade. Andar e ensinar a andar na presença de Deus é um compromisso da mais alta nobreza. Não temos o grau de perfeição que Deus gostaria, mas Ele não é ignorante; Ele sabe até onde podemos chegar e não vai aceitar menos.

Nosso desafio é encarar uma escalada que não podemos vencer completamente, mas devemos subir até onde pudermos. Nem um milímetro a menos. Sejamos portanto, perfeitos.

“Pai, eu entendi Teu chamado em minha vida de modo diferente de Abrão, mas nem por isso quero fugir da Tua presença. Ajuda-me e fortalece-me para que eu seja tão perfeito quanto eu puder.”

Mário Fernandez