Vinicios Torres

13 Reasons Why, Baleia Azul e Depressão

Em outubro de 2015, escrevi sobre depressão. Recentemente, Little Hope falou em seu canal de vídeo a respeito devido ao crescimento do assunto devido a jogos de computador e séries de filmes.

O assunto deve ser tratado adequadamente pela Igreja. Vejo pouco sendo feito em nosso meio sobre esse assunto.

Se a sua igreja tem uma iniciativa a respeito comente conosco. Queremos ajudar a divulgar.

Enquanto isso, assista ao vídeo dela e repasse para para aqueles que você acha que precisam:

13 Reasons Why, Baleia Azul e Depressão

Vinicios Torres

Foco no Tempo que Transforma

“Por que alguns cristãos, apesar de ouvirem mil bons sermões, não têm avanço na vida espiritual? Porque eles negligenciam sua obrigação, seu quarto fechado, a solidão com Deus… eles não meditam no que ouviram. Eles “amam” o trigo, mas não moê-lo. Eles teriam o milho, mas eles não irão ao campo colhê-lo. O fruto está pendurado, mas eles não vão estender a mão. A água está fluindo em seus pés, mas eles não vão se inclinar para beber… Irão reclamar porque outros não fazem isso para eles… De tal loucura livrai-nos, ó Deus!”

– Charles Spurgeon

Segundo pesquisa “Futuro Digital em Foco Brasil 2015” (Digital Future Focus Brazil 2015), divulgada pela consultoria comScore os brasileiros são líderes no tempo gasto nas redes sociais, eles gastam em média 650 horas por mês em redes sociais.

Considere a comparação com as horas de trabalho: 40 horas por semana x 4 semanas = 160 horas de trabalho no mês. Ou seja, o brasileiro fica quase 4 vezes mais nas redes sociais do que trabalha.

Há algum tempo fizemos uma pesquisa no nosso site com os nossos assinantes e uma das perguntas era “Quanto tempo você gasta orando em casa ou particularmente (não contando o tempo na igreja ou nos cultos)?” A resposta foi que 40% gasta menos de 15 minutos por dia orando e outros 38% gasta menos de 30 minutos por dia. Isso representa menos de 5% do tempo do dia gasto em redes sociais.

Isso na verdade apenas evidencia que o nosso coração não está no lugar certo. Jesus disse “Porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração” (Mateus 6.21). Se o nosso tesouro fosse realmente a presença de Deus como cantamos tantas vezes em nossos cultos será que isso não se refletiria em como usamos o nosso tempo e em que gastaríamos tanto da nossa vida?

Chegamos nos cultos, nas células e nas reuniões de oração e pedimos para os outros orarem por nossos problemas e dificuldades e quando chegamos em casa fazemos o quê? Gastamos o tempo olhando futilidades e inutilidades numa timeline sem fim. Quantas vezes você não pensou: “Vou dar só uma olhadinha no face” para em seguida descobrir que se passou quase uma hora.

Jesus perguntou aos discípulos “Então nem uma hora pudeste velar comigo?” (Mateus 26:40) e nós conseguimos jogar fora horas com distrações que levam embora até mesmo o lucro financeiro. Os discípulos, pelo menos, tiveram a desculpa do cansaço.

, imagine a transformação que acontecerá na sua vida quando investir seu tempo conversando com Aquele que tudo sabe (inclusive o seu futuro), pedindo o que você precisa para Aquele que tudo tem, confidenciando as suas dores para Aquele que tudo cura.

Não precisa muito, basta que focalizemos em usar corretamente o nosso tempo.

Vinicios Torres

Foco na Palavra que Transforma

Algum tempo atrás questionei o fato de que muitos de nós recebemos conteúdo cristão demais durante o nosso dia e acabamos não usando adequadamente o que recebemos. Ouvimos sermões, recebemos mensagens e textos bíblicos e, agora com Facebook e WhatsApp somos inundados com imagens com versículos e mensagens “inspiradoras”.

Nada errado com elas, se não fosse o fato de que são tantas que acabamos ignorando a maior parte delas e o seu impacto acaba se dissolvendo nas distrações do dia.

Recebi esta citação do pregador inglês Charles Spurgeon que me lembrou novamente desse fato:

“Por que alguns cristãos, apesar de ouvirem mil bons sermões, não têm avanço na vida espiritual? Porque eles negligenciam sua obrigação, seu quarto fechado, a solidão com Deus… eles não meditam no que ouviram. Eles “amam” o trigo, mas não moê-lo. Eles teriam o milho, mas eles não irão ao campo colhê-lo. O fruto está pendurado, mas eles não vão estender a mão. A água está fluindo em seus pés, mas eles não vão se inclinar para beber… Irão reclamar porque outros não fazem isso para eles… De tal loucura livrai-nos, ó Deus!”

– Charles Spurgeon

O que você tem feito com a Palavra de Deus que você recebe?

Está se apropriando dela, meditando, orando sobre ela e permitindo que ela faça efeito em sua vida? Ou ela está se perdendo no mar de informação que recebe todos os dias?

Sempre me provocou admiração os testemunhos dos cristãos perseguidos e presos nos países comunistas e islâmicos que, privados de possuírem um Bíblia de papel, se alimentavam espiritualmente dos textos memorizados. Eram poucos, em comparação com a Bíblia toda, mas os que lembravam faziam a diferença entre a vida e a morte espiritual.

Mantenha uma passagem bíblica em foco no dia, lembrando dela, memorizando, pedindo orientação de Deus em oração de como aquela passagem pode se aplicar na sua vida. Ignore o excesso de informação, mesmo aquela considerada cristã, e faça sua mente se concentar.

Isso dará mais frutos em sua vida do que ouvir sermões na internet o dia todo.

Vinicios Torres

19 anos – Até aqui o Senhor nos ajudou

Hoje, 1 de junho, fez 19 anos que começamos este site e no ano seguinte iniciamos o envio das mensagens devocionais por e-mail que acabou por se tornar o nosso ministério de fato.

Várias vezes pensamos em parar imaginando que a abundância de material que atualmente existe na internet, na televisão e a grande quantidade de livros suprem aquilo que inicialmente a gente sentia falta.

Porém, mais do que enviar conteúdo, percebemos que muitas pessoas acabaram se tornando nossas “amigas” neste processo. Muitas realmente se tornaram amigas reais com quem tivemos oportunidade de conviver e gastar muito tempo juntos. A maioria, amigas de e-mails, comentários. Verdadeiras, ainda que não físicas.

Muitas pessoas estiveram conosco por anos e não renovaram cadastro e perdemos contato. Outros permanecem conosco desde o início. Posso chamar isso de uma longa caminhada. Muitos de vocês acompanharam as mudanças de vida que acabamos expondo durante este tempo. Tantas vezes que pedimos suas orações e intercessão.

Em tempos de relacionamentos e comunidades virtuais, ICHTUS é uma grande comunidade unidade no propósito original do site: “Edificar o povo de Deus na Palavra de Deus na Internet”.

Esse é o desejo do meu coração: servir o corpo de Cristo ajudando a edificar uma vida de comunhão com Deus por meio da meditação constante na Palavra de Deus.

Apesar de ter passado tantos anos e “conteúdo” não faltar, entendo que existe um lugar para nós continuarmos com nosso trabalho, compartilhando aquilo que Deus tem depositado em nós. Pois se algo nos ajudou, pode ajudar outras pessoas. Se aprendemos algo de Deus, podemos transmitir para você e você para outros.

Quero agradecer a você, < !–data.assinante.firstName–>, que é assinante do nosso serviço, ou como se diz hoje um seguidor nosso, e te convidar a continuar firme no propósito de conhecer mais o nosso Deus e nosso Senhor Jesus Cristo.

O Senhor nos tem ajudado nestes 19 anos. Com certeza Ele continuará a fazê-lo!

Vinicios Torres

A Quem Honra, Honra – David Balmant (In Memoriam)

Você já imaginou alguma vez que a sua vida normal pode fazer diferença na vida de outras pessoas? Muitas vezes nós nos iludimos de que, para fazer diferença, precisamos fazer algo fora normal, espetacular, algo que nos faça parecer heroicos.

Porém, muitas vezes, é justamente a nossa vida do dia dia que vai tocar as vidas das pessoas ao nosso redor.

Este foi o caso do seu David Balmant e sua família.

Eu tinha 14 anos de idade quando minha mãe decidiu que era hora de eu aprender a trabalhar. Então ela foi conversar com o seu Davi, que era alfaiate na cidade onde morávamos, e perguntou se ele tinha uma vaga para um aprendiz. A partir daquele dia comecei a ir todos os dias à tarde na sua alfaiataria para aprender o ofício. Lá trabalhavam, além dele, sua esposa e seu filho mais velho, Carlos.

Por ser filho de um pai alcoólatra a quem eu via muito pouco, e quando via estava quase sempre envolto em problemas, a experiência de trabalhar com seu David e sua família começou a fazer efeito em mim.

Eu não via ele gritando com seus filhos nem falando alto ou de maneira ríspida com sua esposa. Ele era honesto nos negócios e muito cordial com todas as pessoas com quem tratava, fossem clientes ou conhecidos que passassem para conversar com ele na alfaiataria. Seus filhos lhe tratavam com respeito, sempre vinham almoçar todos juntos e conversavam alegremente à mesa. Até então, eu havia experimentado isso apenas em momentos festivos e não sabia que era possível viver assim no dia a dia.

Seu outro filho, Moisés, embora não trabalhasse na alfaiataria, passava a tarde estudando na sala ao lado de onde eu trabalhava. Ele gostava muito de conversar e começou a me falar sobre a Bíblia e a compartilhar as coisas que ele aprendia na igreja. Por causa da maneira como eles viviam eu estava aberto a ouvir o que eles tinham a dizer.

Após algumas semanas eles me convidaram para conhecer a igreja. Eu gostei do grupo de adolescentes e comecei a frequentar a escola dominical. Depois de alguns meses aconteceu um encontro de adolescentes em um retiro da Igreja Metodista, na cidade de Telêmaco Borba – PR. Moisés iria participar e me convidou para ir junto. Neste encontro, durante uma mensagem do pastor Rosalino Domingos, eu entreguei a minha vida a Cristo.

Assim, a minha nova vida começou bem embasada pelo bom exemplo do seu David e sua família. Como Carlos era líder dos jovens, ele me ensinou muita coisa sobre a Bíblia, não apenas nos estudos bíblicos como também emprestando muitos dos seus livros. Como eu já gostava muito de ler, foi juntar a fome com a vontade de comer.

Seu David já partiu para estar com o Senhor a quem ele serviu. Eu sei que eu não fui o único a ser influenciado pela sua vida. Agradeço a Deus que o tocou a aceitar aquele aprendiz magricela que, apesar de não ter aprendido a profissão, ele colocou no caminho do Reino. Sua vida rende muitos frutos ainda hoje pois todos os três filhos são pastores e estão levando adiante a herança de benção recebida do pai.

Quero hoje honrar ao seu Davi e aos seus filhos pois foram instrumentos de Deus para minha salvação.

O apóstolo Paulo diz para permanecermos semeando pois se não desanimarmos colheremos os resultados. Lembre se que a melhor semeadura que nós podemos fazer é aquela que fazemos todos os dias.

Vinicios Torres

A Quem Honra, Honra – Pr. Edson Barbosa

“Dai a cada um o que lhe é devido: … a quem honra, honra.” (Romanos 13:7)

Era 1982 e era a primeira vez que eu o ouvia a pregar. Eu tinha chegado recentemente do interior e estava agora morando em Curitiba, a capital do Estado, e frequentando a Igreja Metodista Central. Eu era um novo convertido pois não tinha ainda três anos que havia entregado minha vida a Cristo. Muitas coisas numa igreja grande de capital eram novidades para mim. Quando o pastor Edson Barbosa, na época um missionário da Cruzada Estudantil e Profissional para Cristo, começou a pregar, imediatamente prenderam a minha atenção duas características muito peculiares: primeiro, a sua eloquência; segundo, a maneira fácil e clara com que ele transmitia conceitos bíblicos que eu ainda não conhecia.

“O justo viverá pela fé”, dizia ele repetindo o apóstolo Paulo, “mas a nossa fé não é um sentimento. Os sentimentos vêm e vão. Sentimentos variam com as circunstâncias, mas a nossa fé deve ser baseada nas promessas da imutável Palavra de Deus. A nossa vida deve ser como um trem: a fé é a locomotiva que puxa o trem e as emoções são apenas um dos vagões da vida”. Conceito muito simples, mas para mim era uma novidade libertadora, pois eu vivia tentando sentir fé e me frustrava pois todas as vezes que eu precisava de fé os meus sentimentos me confundiam.

A admiração daquela primeira vez fez com que eu participasse dos cursos da Cruzada e alguns anos depois me decidisse participar, agora com minha família, da igreja que ele fundara. Foram muitas as vezes que ele pastoralmente me ouviu e me aconselhou. Eu e minha família tivemos o privilégio de conviver com ele e sua esposa Hilce.

Tenho até hoje um caderno no qual anotava as mensagens e estudos dos quais participava na igreja e em um deles há uma observação: “Este foi o dia que o meu filho convidou o Cristo para entrar no seu coração”. Ele tinha 6 anos de idade e naquele culto o pastor Edson tinha pegado uma mensagem baseada em um versículo de Hebreus que fala sobre Cristo ter sido crucificado fora dos muros da cidade. Mensagem com bastantes conceitos teológicos mas, no final dela, meu filho virou-se para mim e perguntou: “Pai, com isso tudo aí que ele disse significa que eu também tenho que aceitar a Cristo não é?” E eu respondi: “Exatamente meu filho você também tem que tomar uma decisão de convidar Cristo para entrar no seu coração”. Ele perguntou: “eu posso fazer isso agora? Posso ir lá na frente e fazer oração para que Cristo entre na minha vida?” Levantamos, fomos à frente e meu filho fez uma oração entregando à Vida a Cristo naquela noite.

Em vários momentos chaves da nossa vida a influência do Pastor Edson se fez notada.

Um das coisas mais marcantes que ele imprimiu em mim, foi a sua ênfase em cuidar de pessoas. Em todo o tempo que eu conheço sempre vi ele gastando tempo em acompanhar e ajudar as pessoas. Vi várias iniciativas e ministérios nascerem inspirados pelas suas ideias e levadas adiante por pessoas que foram despertadas pelo seu cuidado.

Certa vez assisti a um clipe da música “Flores em Vida”, do cantor Paulo César Baruk, e achei interessante como a mensagem da música e o tema do clipe me lembravam muito as coisas que eu via o pastor Edson ensinar e pregar. Na época, fazia anos que nós tínhamos mudado de cidade e estávamos longe. Algum tempo depois, li uma entrevista do Paulo César contando como foi a inspiração para escrever aquela música. Ele havia recebido um telefonema de um pastor de Curitiba que havia ligado para ele apenas para agradecer pelo trabalho que ele estava fazendo, ele disse que estava dando flores em vida. O pastor em questão era o Pastor Edson Barbosa, conforme as minhas suspeitas.

É muito especial a sua maneira de valorizar as pessoas e fazer com que elas saibam que são amadas por Deus. Veja como ele faz isso assistindo este vídeo de uma devocional realizada em um curso no Instituto Haggai:

Quero hoje honrar ao Pr. Edson Barbosa, agradecendo a Deus pelas sementes da Palavra e das atitudes que foram plantadas em nós. Muitas dessas sementes já frutificaram e outras continuarão a frutificar pelo resto da vida.

Vinicios Torres

2017 Será Melhor que 2016?

“Ele muda os tempos e as estações; ele remove os reis e estabelece os reis; é ele quem dá a sabedoria aos sábios e o entendimento aos entendidos.” (Daniel 2:21)

Conversava com meu filho ontem sobre alguns planos para este ano e, em dado momento, ele comentou uma constatação que fez:

  • Este ano (2016) foi um ano difícil para todos. Todos os segmentos profissionais foram afetados e sentiram os efeitos da instabilidade política e econômica igualmente. Mas percebi dois tipos de pessoas – um tipo que terminou bem o ano e um tipo que diz que terminou o ano pior do que começou ou, na melhor das hipóteses, do mesmo jeito.
  • Mas aquelas que terminaram mal o ano tem um coisa em comum. Elas reclamaram o ano todo, ficaram dizendo como as coisas estavam difíceis e lamentando os problemas que estavam travando as vidas e as empresas delas. As que terminaram bem o ano eram positivas e estavam constantemente procurando soluções e alternativas.

Particularmente, o ano de 2016 foi trabalhoso (trocadilho para dizer que trabalhei de 12 a 18 horas por dia quase o ano todo, incluindo fins-de-semana e feriados) para dar conta do básico. Mas iniciei o ano com uma forte crença que Deus abençoaria meu trabalho, abriria portas e supriria nossas necessidades. Ainda que sem emprego e sem estabilidade de nenhum tipo, todas as nossas necessidades foram supridas.

Este novo ano será melhor que o anterior?

Com certeza!

Pois me rendi ao Senhor da Glória quando entreguei minha vida a Cristo ao aceitá-lo como Salvador e Senhor, e todas as coisas estão sujeitas à sua autoridade e ao seu poder. Estou descansado que nada em minha vida estará fora do seu controle e que todas as coisas, até mesmo no âmbito político e econômico da nação, estão sob a sua autoridade e Ele poderá usá-las para abençoar a minha vida e de todos os que nEle confiarem.

Ah, sofreremos, sim, pois Jesus disse “no mundo tereis aflições”. Lutaremos, trabalharemos, negociaremos, abriremos mão, tomaremos posse, correremos, descansaremos, aprenderemos, quem sabe até choremos e perguntemos ao Senhor “por quê?”. Mas faremos todas essas coisas na perspectiva de que Deus nos ama, quer nos abençoar, habita em nós pelo seu Espírito Santo e nos dá o poder para viver a vida de Cristo em meio a todas as batalhas que a vida nos apresentar.

Se você começar o ano olhando as circunstâncias e rendendo os seus sentimentos ao negativismo e à desesperança, eu não preciso nem ser profeta para antecipar que você terminará este ano como as pessoas que meu filho comentou, pior do que começou.

Mas se olhar para Deus, crendo em Sua autoridade e Seu amor, buscando a sabedoria da Sua Palavra para viver, vivendo com integridade e disposto a trabalhar, Ele o abençoará e você poderá terminar este novo ano testemunhando o quanto o Senhor fez por você.

Se você quer vida fácil e tranquila, sinto muito em lhe dizer que não encontrei lugar nenhum na Bíblia prometendo isso. Mas por toda ela encontro promessas de vitória àqueles que permanecem firmes e confiantes no agir de Deus.

Nós, que confiamos em Deus, podemos realmente desejar com convicção:

FELIZ ANO NOVO!

Vinicios Torres

Deixando de Ser Crianças

Um dia destes, eu e minha esposa levamos nossos netos para brincar em um parque perto de casa. Em um dado momento meu neto mais novo, com um ano e dois meses, cambaleando, passou sobre um morrinho com grama e saiu do outro lado sem cair. Ficou todo satisfeito e quis repetir a façanha. E depois passou de novo e ficou fazendo isso por vários minutos mostrando um sorriso enorme cada vez que conseguia subir e descer. Umas duas semanas antes minha esposa tinha contado que ele tinha feito algo parecido quando descobriu que conseguia descer um pequeno degrau entre a cozinha e a lavanderia. Ficou indo e voltando, vezes sem conta, durante vários e vários minutos.

Coisa perfeitamente natural no caso de uma criança que está aprendendo tudo e descobrindo o mundo a cada passo que dá.

Eu tinha uns seis ou sete anos de idade quando perdi o medo e aprendi a dar cambalhota. Fiz isso no sofá da sala, que era macio e se caísse não me machucaria. quando ganhei confiança comecei a variar as maneiras que fazia a cambalhota e fiz isso por várias horas. Minha mãe o tempo me mandando ter cuidado. Eu tinha descoberto uma “habilidade incrível”.

Naquela noite, por volta das quatro horas da madrugada, acordei chorando com dores no pescoço, não conseguia mexer a cabeça para lado nenhum. Como na época estava tendo um surto de meningite na cidade, meus pais ficaram preocupados e me levaram para o pronto-socorro. Depois de me examinar e fazer alguns testes para descartar um problema mais grave o médico perguntou se eu tinha feito algum esforço ou movimento diferente no dia anterior. Minha mãe imediatamente lembrou das horas de cambalhotas no sofá. Diagnóstico? Torcicolo. Uma esticada no pescoço e usar um colar cervical por uma semana resolveram o problema.

Parece que faz parte do processo de aprendizagem de uma criança esse comportamento: descoberta, repetição, domínio e evolução. Ou seja, primeiro descobre que o desafio existe, segundo descobre que consegue realizar, terceiro repete até internalizar o processo, por último, aquele conhecimento/habilidade passa a ser base para novos conhecimentos/habilidades.

O problema é quando enrosca em algum desses passos e não vai para frente.

Muitos cristãos “descobrem” coisas na vida cristã e, por algum motivo, travam em algum desses passos. Tornam-se pessoas obcecadas por algum aspecto doutrinário ou prático e tudo na vida acaba se resumindo àquilo.

Conhece a pessoa que não importa o que você fale faz a conversa cair naquele assunto que ela não para de falar?

Ou aquele que acha que todos as pessoas devem fazer determinadas coisas como ele faz porque Deus falou com ele para fazer assim. O que ele não compreendeu é que Deus falou COM ELE e PARA ELE.

Muitas vezes Deus trata uma pessoa e ela, por não compreender o processo, trava em algum ponto. O tratamento de Deus fica travado naquela vida e ela passa a dar trabalho para outros.

Certa vez, em uma igreja que participamos, uma irmã começou a insistir com todos que ela conversava que deviam parar de ver televisão, inclusive devendo tirá-las de suas casas. O pastor dela chamou-a para conversar e perguntou o que motivou aquele súbita “santificação”. Depois de deixar de argumentar ela se abriu com o pastor e contou que era viciada na televisão a ponto de ter problemas de relacionamento com o marido e os filhos e por causa da negligência com a casa. Em um momento de oração ela sentiu-se tocada por Deus e motivou-se a vencer o problema. A solução para ela? Tirar a televisão de casa e focar a atenção em outras atividades. Para ela a televisão era um problema e tirá-la de casa a sua solução. Mas, ela estava extrapolando o trato de Deus com ela para todos os irmãos à sua volta.

Examine-se e veja se você, por acaso, não se “enroscou” em algum parte de um processo qualquer que Deus tenha te colocado. Assuma a sua parte no processo e vá em frente, não fique travado. Aprenda, pratique, domine e use esta nova habilidade/conhecimento para ir adiante.

E lembre-se: se Deus falou com você, é com você que ele está tratando.