Mário Fernandez

Carnalidade

“porquanto ainda sois carnais; pois, havendo entre vós inveja e contendas, não sois porventura carnais, e não estais andando segundo os homens?” (1Corintios 3:3)

Não quero desrespeitar os que pensam diferente, mas quero refletir: esta carta foi escrita para crentes em Corinto, membros da igreja fundada pelo apóstolo Paulo; este versículo diz claramente “ainda” sois carnais (grifo meu); Paulo diganostica a carnalidade por meio de inveja e contendas. Resultado: podemos ter entre nós irmãos que, embora alcançados pela graça salvadora de Cristo, “ainda” são carnais e agem assim.

Mas meu foco principal nem é este, pois a polêmica é inevitável ao entrar nesta seara. O que me chama a atenção é que não encontrei (preciso procurar mais, admito) nenhum outro diagnóstico ou sintoma de carnalidade. Ou seja, Paulo parece não ter escrito algo didático que explica o que é ser carnal além de inveja e contenda. Portanto, neste momento meu entendimento é que os invejosos e contenciosos estão na carne, sejam eles quem forem. Isso me “bateu pavor” pois presenciei algumas cenas lamentáveis recentemente.

Primeiro, cenas de inveja por coisas tão bobas como “fulano pregou e todo mundo elogiou, eu sempre prego e nunca falam nada”. Seja justo ou não ser reconhecido, não é bom ter inveja desse modo. A outra foi mais ou menos “deixa que se vire, ele ganha bem” num tom de abandono. A alma invejosa não prospera, não atrai benção sobre si. Inveja é carnalidade, não tenho dúvida disso, o que me preocupa é se percebemos quando a temos.

Contendas são frequentes e também lamentáveis, especialmente quando dentro de famílias e grupos menores. Irmãos que se tratam mal, cônjuges que vivem brigando, pais e filhos que nunca se entendem – são contendas que diagnosticam carnalidade.

Há cura para tudo isso e é tão simples quanto difícil de colocar em prática: deixar de ser carnal. Isso só pode ser feito tornando-se espiritual, abrindo mão do seu ego e vontade para deixar Deus agir como quiser pelo Seu Espírito. Fácil? De jeito nenhum! Possível? Com certeza!!!!

“Senhor eu quero ser tão espiritual quanto seja possível e não quero ser carnal em mais nada. Ajuda-me e ensina-me a ser outro tipo de gente e não destes invejosos ou contenciosos.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Uma Mão Só

“Os que estavam edificando o muro, e os carregadores que levavam as cargas, cada um com uma das mãos fazia a obra e com a outra segurava a sua arma;” (Neemias 4:17)

Contrariando as modernas teorias de produção que falam em foco e concentração, produzindo super-especialistas, estes homens dos dias de Neemias não se ocupavam completamente do que estavam fazendo. Eram adeptos das teorias de ser multi-tarefa, tomando conta de várias coisas ao mesmo tempo. Cada um deles edificou sua porção do muro e o empreendimento foi um sucesso, mas nenhum deles descuidou de sua arma.

Isso nos ensina que há algo para ser feito o tempo todo em nossa vida. Sempre há brechas no muro para serem reparadas, sempre há vazamentos para serem estancados, rachaduras para serem saradas. Podem ser situações emocionais, sentimentais, financeiras, espirituais, de relacionamentos, profissionais, em fim, podem ser situações em qualquer área da nossa vida onde, o que já foi firme como um muro, está rompido como uma ruína. É preciso trabalhar para reparar cada situação, uma por uma.

Mas também devemos aprender que nossas atividades não nos isentam de uma responsabilidade no combate, seja ele qual for. Se temos trabalho demais, não podemos usar isso de pretexto para não servir no Reino de Deus. Se estamos em tribulação, não podemos deixar de interceder por outros. Se estamos em dificuldade financeira, não podemos esquecer da generosidade. Se estamos angustiados, devemos adorar. Sempre há uma segunda responsabilidade ou atribuição, igualmente importante.

Não fazia sentido para o povo de Deus, nos dias de Neemias, reparar o muro sem se defender, pois bastaria um ataque de qualquer povo inimigo e todo trabalho se perderia. Não fazia sentido ficar ali armado esperando pelo inimigo sem consertar o muro. Não era possível dividir os homens em guerreiros e pedreiros, afinal eram todos do mesmo povo. Era preciso atuar nas duas frentes, com todos os recursos possíveis. Vivemos muitas vezes assim hoje em dia.

Nosso desafio é consertar o necessário mas guardar-se de novos ataques, seja isso como for na sua vida ou na minha.

“Senhor, longe de mim ser negligente com as Tuas coisas. Ensina-me a ser prático e precavido, reparador mas pronto para batalha. Dependo de Ti.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Sem Crescimento

“Por esta razão, nós também, desde o dia em que ouvimos, não cessamos de orar por vós, e de pedir que sejais cheios do pleno conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e entendimento espiritual;” (Colossenses 1:9)

Eu não desmereço o crescimento numérico das igrejas e grupos, sejam quais forem, pois através do crescimento numérico é que novas almas são alcançadas e transportadas do império das trevas para o Reino da Luz. Mas eu não consegui encontrar nenhum versículo no qual o apóstolo Paulo ore pelo crescimento dos grupos pelos quais ele era responsável. Não digo que ele não o fizesse, mas não encontrei registro bíblico e isso sempre me sugere alguma coisa.

Tenho meditado em até que ponto estamos orando de forma correta diante de Deus e dos homens. Temos orado por crescimento, para que venham mais e mais pessoas conhecer da graça salvadora de Jesus Cristo, que a salvação alcance nossos amigos e familiares, vizinhos e colegas, homens e mulheres que nunca firmaram um compromisso com o Senhor. Confesso que não acho isso errado de forma alguma, mas Paulo tinha outra estratégia.

Vemos o apóstolo que Deus levantou para evangelizar os gentios (não judeus) ocupando suas orações em favor daqueles a quem ele já tinha alcançado, para que estes fossem mais espirituais, fossem cheios de conhecimento e revelação, entendessem o Reino de Deus, transbordassem do Espírito Santo… Com isso, meu irmão, invariavelmente estes iriam alcançar os demais com facilidade, coisa que hoje parece ser mais difícil. A correria de nossos dias colocou até nossos filhos, ainda tão jovens, numa agenda apertada a ponto de não terem tempo nem de serem crianças.

Podemos continuar orando sim pelo crescimento da igreja, eu não considero que haja erro nisso. Mas só isso nos deixará mancos de uma perna, pois Deus deixa claro pela Bíblia que as nações serão alcançadas por nós, os crentes. Essa missão é nossa, portanto não precisamos perguntar se Deus quer nos usar, e sim COMO e ONDE. Ouso dizer, do meu ponto de vista, que nem QUANDO é uma dúvida, pois o tempo é agora.

“Senhor, eu quero ser muito útil alcançando perdidos e para isso me disponho a ser obediente a Ti. Ensina-me a ser mais parecido com Jesus para com isso eu poder ganhar mais almas para Ti.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Lutadores

“Dos gaditas se passaram para Davi, ao lugar forte no deserto, homens valentes adestrados para a guerra, que sabiam manejar escudo e lança; seus rostos eram como rostos de leões, e eles eram tão ligeiros como corças sobre os montes.” (1 Crônicas 12:8)

Vou ser sincero no melhor estilo curto-e-grosso: gente briguenta não me impressiona. Dizer que bateu em tantos, que lutou com sei lá quantos, que nunca perdeu briga, que é o tal… Violência não me chama a atenção, não assisto luta nem na TV. Concordo que a Bíblia ensina que vivemos em batalha/guerra constante, mas é espiritual.

Mas o que me chamou a atenção a respeito destes soldados Gaditas não foi nem a cara de leão de nem a velocidade de corsa. Foi empunhar escudo e lança. Uma arma de defesa e uma de ataque. O versículo 14 diz que o menor deles valia por 100 e o maior por 1000. Eram organizados, homens de comando firme. Sem descuidar da defesa nem do ataque.

Sinto grande tranquilidade quando falo de alguns assuntos, mas este me constrange. Sou pouco dado a entender estratégias militares, regras de combate, essa coisa toda me foge da capacidade. Mas reconheço algo de valor quando vejo: um soldado cujo menor vale por 100, empunha um escudo. Isso me leva a pensar que de fato alguns entre nós cairão em combate por falta de defesa.

Isso pode ser trazido para a prática lembrando que Deus nos deu armas de defesa: o escudo da fé, o capacete da salvação, as sandálias do evangelho, o cinturão da verdade. Nada disso é arma de ataque. Não quero duvidar da salvação de ninguém, mas alguns de meus irmãos com certeza andam com a cabeça desprotegida, pois caem em pensamentos horríveis. Outros levam flechadas do inimigo, portanto seu escudo de fé falhou.

Meu querido leitor, meu irmão em Cristo: nem tudo numa batalha é atacar, inclusive na espiritual. Defender-se faz parte, mesmo para os que valem por 100 ou por mil. Tenhamos em punho a atitude de um destes gaditas e valorizemos o que o Senhor nos deu em termos de armas de defesa – afinal também são armas.

“Senhor, não me imagino em uma batalha no mundo físico, agredindo e ferindo pessoas. Mas sou combatente do Teu exército e espiritualmente lutarei com todas as minhas forças. Ajuda-me a entender a importância da defesa e de colocá-la em prática”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Intercessor

“E sucedia que, tendo decorrido o turno de dias de seus banquetes, enviava Jó e os santificava; e, levantando-se de madrugada, oferecia holocaustos segundo o número de todos eles; pois dizia Jó: Talvez meus filhos tenham pecado, e blasfemado de Deus no seu coração. Assim o fazia Jó continuamente.” (Jó 1:5)

O coração de um intercessor é um coração inquieto, creia-me. É incessante o desejo de buscar a Deus em favor daqueles que amamos, mesmo em momentos onde um certo “egoísmo” se justificaria. Se todos em casa estão doentes, o pai intercessor ora mais pelos seus do que por si mesmo. Se há escassez de pão o intercessor busca sustento para os demais. Se há tribulação, o intercessor clama pelo bem-estar dos amados. Ser um intercessor é colocar-se intencionalmente por último na fila.

Seja através de um ministério formal, como algumas igrejas e comunidades têm estabelecido, seja apenas no coração daqueles a quem o Pai chamou – os intercessores têm um papel muito importante na obra de Deus. Eu não imagino como a obra de Deus teria caminhado por mais de 20 séculos sem gente cujos joelhos ficam mais dobrados do que esticados, cuja petição supera o interesse próprio ou cujo coração se importa menos consigo do que com os demais. São os interecessores lubrificando as engrenagens.

Lembro-me de uma história de uma senhora muito simples que sentava-se no fundo todos os cultos e nunca falava nada. Quando o seu pastor chegou na glória, pensando ser o “grande homem”, o Senhor lhe informou que havia alguém maior que ele. Adivinha quem era? Era aquela mesma senhora que orava por ele.

Sem intercessores eu me sinto realmente nú, seja para pregar a Palavra ou para qualquer outra coisa. Não saio de casa sem destacar um guerreiro para minha cobertura, não vou pregar sem algum interecessor para me abençoar. E sou, frequentemente, cobertura para outros no papel de intercessor. Obviamente, meus filhos e minha esposa são meus alvos prioritários de oração, em seguida meu pastor e meu discipulador.

Não é preciso ser um super-homem, basta ter vontade e coração para interceder. O resto cabe ao Espírito Santo, como foi com Jó – mesmo na dúvida, oferecendo sacrifícios pela vida de seus filhos.

“Senhor, eu amo a Tua Palavra e o Teu Reino, mas sei que o mundo jaz no maligno e preciso de cobertura. Obrigado por aqueles que intercedem por mim e pela oportunidade de inteceder por outros.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Caminho

“para que o Senhor teu Deus nos ensine o caminho por onde havemos de andar e aquilo que havemos de fazer.” (Jeremias 42:3)

Acho fascinante que em diversos momentos pessoas de outros povos e crenças recorrem a um homem de Deus para pedir direção – invariavelmente é direção. Quando é uma cura, um favor de outra espécie, pouca é a clareza sobre ser de Deus, afinal vem-se ao profeta como se fosse ele o autor da façanha.

Com isso tenho aprendido e entendido que o Senhor é mais reconhecido quando se busca direção, como se as pessoas tivessem uma ilusão de que outro ser humano pode sim ter poderes para uma cura, por exemplo, mas não teria para uma palavra de direção e sabedoria – isso teria de ser de Deus. Ledo engano, todo poder e toda autoridade são Dele e não de homem algum, mas nem todos compreendem isso.

Quando “estranhos” buscam direção de Deus, temos que nos focar em que Ele e somente Ele seja glorificado. Seja uma profecia, uma palavra de revelação, um ensino, uma palavra bíblica. Seja uma cura, um milagre, um prodígio ou um sinal. Seja o que for, toda honra e toda glória pertencem ao Único que vive para sempre, e não a mim ou a qualquer outro. Devemos aprender que há, como neste exemplo, pessoas de outras crenças e que servem a outros deuses mas que mesmo assim buscam direção no Deus Eterno.

Não é no sentido pejorativo ou depreciativo que falamos em “estranhos” mas sim no sentido de que inegavelmente a Bíblia traz uma distinção entre o povo de Deus e os demais povos, especialmente no Antigo Testamento. No Novo, igualmente, há uma distinção entre os que creem e os que não creem. Em todos os casos, aprendemos que são alvo do amor e misericórdia de Deus.

Eu considero honroso pedir ajuda quando se necessita, e pessoalmente me sinto muito necessitado. Raramente faço qualquer coisa sozinho, sempre estou em equipe ou em grupo. Frequentemente peço ajuda, peço apoio. Sendo assim entre pessoas, muito mais ainda com Deus.

“Senhor, eu faço questão absoluta de encontrar em Ti meu socorro e minha direção, não apenas no desespero mas em todos os momentos. Ensina-me a depender de Ti e Te glorificar quando buscado por outras pessoas.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Casamento

“Assim deu Jesus início aos seus sinais em Caná da Galileia, e manifestou a sua glória; e os seus discípulos creram nele.” (João 2:11)

Curiosamente Jesus fez seu primeiro sinal (milagre) em um casamento. Mesmo não querendo forçar a barra a respeito, temos de admitir que oportunidades haviam para que fosse em outras situações, por exemplo no templo ou em qualquer outra festividade mais “espiritual”.

Mas é justamente nisso que creio estar a chave do entendimento do fato: o casamento é sim um ato espiritual, ainda que alguns discordem. A união de um homem e uma mulher foi idealizada por Deus no jardim do Éden e abençoado como forma de propagação da espécie humana pelo planeta. Foi criado pelo Senhor para que homem e mulher se complementassem como pessoas, mesmo sem ter filhos. Foi a forma que Deus decidiu que os seres humanos se relacionariam na mais profunda intimidade, e não me refiro apenas ao relacionamento físico. Deus criou o casamento, quer gostemos dele ou não.

Jesus frequentava casamentos, isso fica patente. Seus pais frequentavam casamentos. Milagres aconteceram em casamentos nos dias do Senhor Jesus encarnado. O que podemos concluir sobriamente é que o casamento não é algo do Antigo Testamento, não é algo que Deus deixou de lado, não é algo para ser negligenciado ou esquecido. Mais do que nunca em nossos dias é lugar de milagre, como foi naqueles dias de João 2. O milagre pode ser na festa ou depois dela, mas nossos casamentos carecem de milagres.

Mas o que me parecer ser o ponto chave é que poucos se importam ou se apercebem de que o milagre vem com a presença de Jesus. Sem ele no casamento, seja na festa ou depois dela, os milagres serão apenas histórias.

Quem sabe não seja este o momento de você, de fato e não só de palavras, colocar Jesus no seu casamento? Talvez você seja solteiro e nunca tenha pensado nisso, então inclua no plano. Talvez você tenha passado da idade de pensar nisso, mas ainda é tempo pelo menos de ajudar os mais jovens. Sempre é tempo de milagre, desde que Jesus esteja convidado e presente.

“Senhor, eu não compreendo algumas coisas sobre o casamento, mas com toda certeza eu preciso de Jesus no meu relacionamento conjugal. Eu quero que Ele seja o convidado de honra diariamente. Ajuda-me a colocar isso em prática.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Oração

“E, quando estiverdes orando, se tendes alguma coisa contra alguém, perdoai, para que vosso Pai celestial vos perdoe as vossas ofensas.” (Marcos 11:25 ARA)

Percebi algo neste versículo que quero compartilhar: a oração não é para tentar mudar a Deus, mas para mudar a nós. O texto foi apenas um gatilho para algo que Deus quis me ensinar: Ele não é modificado por minha oração, eu é que sou. Posso pedir o que quiser, clamar pelo que quiser, e Ele tem promessas reveladas na Bíblia que vão se cumprir, assim como posso confiar no Seu sustento e visitação, mas Ele não muda. Quando nossas orações são atendidas é por que foram ao encontro dos princípios que Ele mesmo estabeleceu. Mas Seu caráter e Sua essência não mudam.

Interessante que ao meditar sobre isso só agora percebo que é errado orar por algumas coisas. Pensei em alguns exemplos simples de entender: a conversão do diabo (já está dito de sua ruína); perguntar para Deus se Ele quer alguém salvo (já revelou que quer todos salvos); pedir que Deus ame alguém (Ele é amor).

Igualmente, isso me ensinou a orar melhor sobre alguns assuntos, especialmente quando se trata de algo que envolve atitudes práticas de minha parte. Adianta orar para emagrecer se não me exercito e continuo comendo feito louco? Adianta pedir para minha célula crescer se eu não evangelizar? Aidanta pedir perdão por algo que não estou nem tentando abandonar?

A oração é para mudar algo em mim. Ela até pode influenciar o que Deus fará, pois temos exemplos bíblicos disso, como no caso de Jó, Moisés, Daniel, Jonas e outros. Mas Seu caráter e Sua opinião a respeito das coisas não vai mudar. Ele pode até fazer algo diferente, mas não vai negar Sua Palavra nem quebrar promessas.

Acho que tomei consciência do que significa “não sabemos orar como convém”…

“Senhor, eu sei que Tu me amas e deseja o melhor para meu aperfeiçoamento e edificação. Ensina-me a orar melhor e a trabalhar melhor naquilo que eu oro.”

Mário Fernandez