Mário Fernandez

Como Leão

“Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar;” (1 Pedro 5:8 ARA)

Para a glória de Deus um irmão me alertou para um detalhe deste texto que eu não tinha me detido. O adversário anda “como” leão ao derredor, ele não “é” um leão. O verdadeiro leão é Jesus Cristo de Nazaré, o Leão da Tribo de Judá, como diz Apocalipse 5:5.

Como sempre, nosso adversário perito em enganos e imitações de baixa qualidade, se coloca num papel que não lhe pertence. Ao dar uma olhada nas Escrituras, vemos que, na grande maioria das vezes o leão, é usado com símbolo de poder, de força, de domínio, ainda que algumas vezes como devorador (como foi com Daniel). Nenhum destes bons atributos pode ser dado ao diabo, que nada mais é do que um ser derrotado e cujo sentença já foi decretada. Não significa que devamos ignorar sua existência ou influência, mas sim colocá-lo no devido papel: é um adversário forte, nada mais do que isso.

Aos que atentam para o mundo ao seu entorno, como é meu caso, facilmente se percebe a presença de um rugido devorador. São obcenidades, tentações, gambiarras, trambiques, picaretagens e por aí adiante, tentando sempre nos afastar do verdadeiro propósito de nossas vidas que é amar e glorificar ao Deus Eterno, Imortal e Maravilhoso. Quando nos dedicamos demais a alguma coisa, quando amamos demais algo deste mundo, quando nos empolgamos demais com algo passageiro, estamos nos aproximando curiosamente para ouvir esse rugido. Devemos resistir.

Por mais difícil que possa parecer, devemos notar que as promessas de Deus vão se cumprir e as do inimigo são todas falsas. O imediatismo leva muitos de nós para o buraco, mas pode ser evitado com uma vida controlada pelo Espírito de Deus.

Este falso leão tem devorado a muitos, infelizmente, mas ele é uma serpente e não um leão. Vamos tratá-lo como tal.

“Senhor eu não quero menosprezar um adversário tão poderoso, mas também não vou superestimá-lo. Ensina-me a viver de tal modo que eu não caia nas ciladas do diabo.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Melhor

“Ora, de um e outro lado, estou constrangido, tendo o desejo de partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor.” (Filipenses 1:23 ARA)

Precisamos entender este mundo não é ideal; é um mundo real, onde as coisas dão errado, mesmo que tentemos tudo da melhor maneira. É um mundo onde, mesmo fazendo tudo certo, nem tudo dá certo o tempo todo. Alguns dias atrás conversava com um leitor abençoado do Ichtus sobre este assunto e fiquei com isso na cabeça. É claro que do lado de lá é melhor. Não precisa nem fazer muita força para concordar, afinal de contas esse mundo aqui tem tanta coisa ruim que não é tão difícil de imaginar algo melhor.

Mas eu queria ir além e pensar no que vai “deixar saudade” (peço uma licença poética neste sentido, pois creio que não sentiremos literalmente saudade de nada). Quero usar como uma medida de quanto nós amamos este mundo, na esperança de que isso nos ajude a sermos mais livres. Analisemos então o seguinte: vamos sentir saudade de cartão de crédito? Ou de jogar futebol? Ou de ir a um show? Ou de ir ao shopping? E de comer?

Meu querido, se eu for sincero diante de Deus, o que me liga a este mundo não é ganhar dinheiro ou ter bens. Quem me conhece sabe disso. Mas quando falar em comida, fazer festa, dar risada, conviver com amigos, escrever devocional… Fica um friozinho na barriga que diagnostica meu amor e apego a este mundo. Do que acho que sentirei falta?

Eu sinceramente creio que ao chegar lá não sentiremos falta de nada, mas ao olhar daqui o apego aparece. Quando surge um ‘mas’ no pensamento é por que tem raízes para serem removidas. Misericórdia, acabo de pensar que posso ser só eu com esse tipo de sentimento. Me perdoe se você leitor não tem disso, mas então neste caso ore por mim. Ou vamos orar juntos…

Nosso desafio, meu querido, é ir além e deixar para trás todo apego, todo ‘mas’, tudo que é tipo de raiz deste mundo.

“Senhor, é mais fácil falar do que agir e se não for pela Tua misericórdia sei que serei consumido. Ajuda-me a entender como me livrar do apego à este mundo, especialmente naquilo que não é errado. Preciso de Ti.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Objetivo Claro

“a fim de viverdes de modo digno do Senhor, para o seu inteiro agrado, frutificando em toda boa obra e crescendo no pleno conhecimento de Deus;” (Colossenses 1:10 ARA)

Esse assunto de viver de modo coerente, ou digno, está me perseguindo já faz uns dias. Este verso em particular é assustador quando diz “para o seu inteiro agrado” pois ele aponta para a anulação de nossa vontade individual, no sentido de fazer o que eu quero em vez daquilo que Deus quer. Obviamente temos outros textos bíblicos que ensinam a mesma coisa e não precisamos duvidar deste princípio. Mas, e quanto ao colocar em prática?

Na hora de viver desse modo tudo fica mais difícil. Deus nos fez com vontade própria e nos fez diferentes uns dos outros. Podemos ter similares, mas nunca somos idênticos. Eu quero uma coisa, meu irmão criado na mesma casa quer outra, minha esposa ainda outra e meus filhos que são geneticamente 50% “eu”… adivinhe…

Nossa vontade não pode ser nosso inimigo, devemos nos valer dela para agradar a Deus. É uma escolha contínua que devemos fazer, diariamente, o tempo todo, usando nossa vontade para escolher agradar a Deus. Isso compreende o que fazer e o que não fazer, inclui desejar o que Deus deseja e está expresso na Bíblia, inclui também abrir mão daquilo que é contrário.

Se levarmos isso a sério, supriremos melhor aos necessitados, teremos compaixão e misericórdia dos que se perdem e não vamos nos cansar de ir atrás dos que não querem saber de Deus. Seremos muito parecidos com Jesus, não como andarilhos em terras israelenses, mas no caráter e na missão de vida. Servir a Deus dá sentido para a vida, ainda que alguns achem que isso seja para pastores e missionários. Frutificar em toda boa obra e crescer no pleno conhecimento de Deus é o que vem em seguida, nos capacitando para viver de modo digno. É um ciclo fechado, positivo, autoalimentado.

Tenho certeza que podemos olhar para nosso cotidiano e escolher coisas que podemos fazer para agradar a Deus.

“Senhor, eu quero Te agradar em tudo que faço e deixo de fazer, mas isso não é meu natural. Preciso da Tua intervenção sobrenatural para conseguir.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Comportamento

“exortamos, consolamos e admoestamos, para viverdes por modo digno de Deus, que vos chama para o seu reino e glória.” (1 Ts 2:12 ARA)

Eu estava discipulando uma pessoa recentemente e tive que dizer umas verdades duras de ouvir, ainda que também sejam duras de dizer. Mas se queremos realmente viver por modo digno de Cristo e Seu Reino, precisamos ir além de tudo o que vemos ao nosso redor. Falei com o maior amor que pude, mas eram verdades duras, embaladas em palavras amorosas.

O foco da conversa era uma crise emocional, que segundo a pessoa estava “resolvida por dentro”. Queria me convencer com palavras que tinha tratado com Deus e que estava tudo bem. Meu questionamento e minha meditação é a seguinte: o viver, o praticar, o comportamento, as coisas práticas, o proceder – confirmam que esta coisa “está resolvida por dentro”? Ou terá sido somente mais um episódio emocionalmente lamentável que não produziu aprendizado?

Vivemos dias em que as pessoas esqueceram (ou nem sabiam) que aprendizado é sinônimo de mudança, de transformação, e não mero acúmulo de conhecimentos ou de informações. Se você diz que aprendeu algo mas isso não mudou em nada sua mente ou sua vida, que aprendizado foi este?

Inacreditavelmente as pessoas dizem uma coisa e vivem outra como se fosse isso normal. É cantar “eu escolho Deus” mas não dizer não para uma tentação simples como comer demais. É dizer “não vivo sem ti” mas perder a hora do culto por um programa na tv. É pedir ajuda em oração e não fazer absolutamente nada pra mudar a situação. E o pior de tudo, é se dizer cristão sem investir nada para ser imitador de Cristo.

Precisamos viver de modo digno do Reino de quem nos chamou e isso se faz na prática. É mais do que uma lista de “não” – eu não fumo, eu não bebo, eu não roubo. É uma lista de “sim” – eu ajo diferente, eu falo a verdade, eu vivo em santidade.

A pancada é forte, mas sem ela a gente não sai do lugar.

“Senhor, na base da brincadeira ou sem empenho eu sei que não vou crescer espiritualmente. Ensina-me a olhar para a vida e saber o que fazer para viver de modo digno do Teu chamado.”

Mário Fernandez

Vinicios Torres

Solidão

“Volta-te para mim e tem compaixão, porque estou sozinho e aflito.” (Sl 25:16)

Meditando sobre a última mensagem do Mário (Amigo) me perguntei por que algumas vezes dá a impressão que os amigos somem. Algumas vezes, quando os problemas nos assaltam, outras vezes, parece não haver motivo. Algumas vezes, por um curto tempo, outras vezes, parece que você fica anos sem experimentar um relacionamento que você possa classificar de amizade verdadeira.

Questionando a Deus o por quê dessa experiência, sabendo que nada que nos acontece se perde em vão, mas pode ser usado por Deus e transformado em bem (Romanos 8:28), recebi o esclarecimento ao ler esse salmo.

O salmista está clamando pela presença e auxílio de Deus.

Períodos de solidão devem ser transformados em oportunidades de experimentar a presença e o auxílio de Deus. Momentos de receber diretamente dEle ao gastar o tempo em oração e súplica. Momentos em que a nossa alma compreende e se convence que não foi ajuda humana que nos sustentou mas foi o próprio amor de Deus. Momentos que a fome de significado e companheirismo são satisfeitos pelo próprio Senhor. Que a aflição, a angústia e a depressão são curadas e dissipadas ao experimentar a presença e o amor de Deus.

Nestes momentos, como a aflição e a solidão tiram qualquer emoção frívola, a teoria se torna prática, a Palavra se torna vida, o louvor é real e a adoração verdadeira. O coração se quebranta e o espírito aprende o que é o temor de Deus.

É nesses momentos que temos a oportunidade de ver nascer em nós a amizade mais significativa da nossa vida, pois, como o salmista diz no versículo 14, a intimidade (amizade profunda e verdadeira) do Senhor é para os que o temem.

“Senhor, ajuda-me a não desperdiçar esses momentos de solidão, mas a te buscar com coração sincero.”

Vinicios Torres

Mário Fernandez

Amigo

“O que tem a noiva é o noivo; o amigo do noivo que está presente e o ouve muito se regozija por causa da voz do noivo. Pois esta alegria já se cumpriu em mim.” (João 3:29 ARA)

Eu sempre fui uma pessoa de fácil entrosamento e raramente tive momentos de solidão, ainda que nem sempre pude dizer que tinha bons amigos. Recentemente um de meus melhores amigos desapontou a todos com uma atitude muito radical em sua vida, mas nem por isso deixei de considerá-lo como amigo, apesar de seu afastamento. Um amigo é o que é, quer nós aprovemos ou não.

Mas este versículo me chamou a atenção pelo fato do amigo do noivo se alegrar “muito” ao ouvir a sua voz. Para glória de Deus e por causa da sua graça e favor, hoje posso dizer que há pessoas que se alegram com minha voz. Alguns deles nem sabem minha profissão, outros se encontram comigo a cada tempo, mais de um ano. O que eles têm em comum? Fora o fato de serem todos homens de Deus, dedicados a seus ministérios e intensamente empenhados em levar seu relacionamento com Deus a sério, o que tem em comum é o fato de me amarem. Nenhum deles pode se beneficiar de sua relação comigo, não temos negócios em comum. O que eles podem aprender comigo poderiam aprender com outros, e para ser sincero acho que eu aprendo mais com eles.

Deus coloca pessoas assim em nosso caminho ao longo da vida para que possamos perceber Seu cuidado conosco, e claro, com nossos amigos. É bom ser amado, é muito bom receber um abraço sorridente dizendo que te ama e chamando de amigo. Mas eu considero ainda melhor dar o abraço e chamar o outro de amigo. Eu entendo que não posso ser o noivo da parábola todas as vezes, mas posso ser o amigo presente muitas vezes.

Seja amigo, tenha amigos, cultive e regue suas amizades. Não olhe para o benefício que pode tirar delas, exceto pelo abraço e amor mútuo. Deus está nesse negócio.

“Senhor, obrigado por colocar amigos em minha vida e por me fazer amigo de tantos homens que Te amam acima de tudo. Ensina-me a caminhar nestas amizades de forma saudável.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Pão

“Jesus, porém, respondeu: Está escrito: Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus.” (Mateus 4:4 ARA)

Eu estou ficando indignado de ver o evangelho de Jesus Cristo, que é o poder de Deus para salvação daquele que crer, ser usado como pretexto para vagabundagem. É nítido que temos pessoas mal intencionadas no nosso meio, é biblicamente claro que só vai piorar na medida em que se aproxima o fim dos tempos, é óbvio que nem todo mundo é assim. Mas eu fico injuriado do mesmo tanto.

Jesus não disse que o pão era dispensável, Ele disse “não apenas” indicando que temos uma coisa sem dispensar a outra. Meu querido leitor, todo mundo precisa comer. Eu respeito o fato de haver necessitados legitimamente necessitados, pessoas a quem devemos socorrer em tempo de tribulação, mas me refiro aos vagabundos. Estou me referindo aos que desfrutam da generosidade de um povo que busca servir a Deus com a índole deturpada de tirar proveito sem trabalhar. Toda vez que se fala de pão, volta-me o texto onde o Senhor diz “ganharás teu pão do teu suor”.

Trabalhar é preciso e não é este versículo maravilhoso que nos isenta de trabalhar para ganhar o pão. Nem só de pão temos de viver, mas também de pão ganho com trabalho. Ou nós vamos nos conscientizar que o Senhor nos sustenta em tudo ou temos de nos assumir como incrédulos da providência Dele. Se o seu pão vem de um emprego como o meu, aleluia. Eu trabalho e ouso dizer que trabalho bastante. Se você é autônomo, aleluia. Se você é um empresário ou profissional liberal que tem uma equipe, aleluia. Se você é aposentado é por que já trabalhou a sua parte, aleluia. Se você trabalha para o Reino de Deus em tempo integral, aleluia. É tudo a mesma coisa, é o Senhor nos sustentando pelo trabalho.

Não vou deixar de ajudar os que precisam por conta dos sem-vergonha, mas é preciso levantar a voz e deixar claro que o Senhor Jesus Cristo nunca incentivou o ócio. Isso não é bíblico, não é adequado e precisa ser esclarecido.

“Pai, obrigado por que eu posso trabalhar. Sei que nem todos podem, mas quero ser um atalaia para os que podem e não querem, pois sei que o Senhor quer sustenta-los – com trabalho.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Sem Entender

“Eis que um etíope, eunuco, alto oficial de Candace, rainha dos etíopes, o qual era superintendente de todo o seu tesouro, que viera adorar em Jerusalém,” (Atos 8:27 ARA)

Recebi o comentário de um leitor alguns dias atrás e duas coisas neste texto, citado por ele, me chamaram a atenção. Primeiro, que um etíope estava em Jerusalém adorando; segundo, ele não compreendia o que lia. Agradeço ao irmão por me permitir aprender com este texto, seu toque foi instrumento de Deus.

O fato de um estrangeiro ter vindo adorar em Jerusalém pode ser mero sincretismo. Ou não, pode ser que ele fosse convertido. Não sabemos, pelo menos até este versículo. Mas o fato é que ele veio e com isso pôde ser abençoado por Filipe, instrumento de Deus para vida dele. Estava no lugar certo, na hora certa.

Mas o que realmente me desperta interesse e curiosidade é que mesmo assim ele não entendia o que lia. Certamente era alfabetizado, pois estava lendo. Compreendia o idioma, pois estava lendo. Por que motivo não entendia então? Isso me arremeteu a pessoas que, às vezes, sentam ao meu lado nos cultos de celebração e nas células. São pessoas que sabem ler, que compreendem leem. Se falta entendimento falta revelação, que vai além da mera informação e da leitura, vai além de decorar e vai além de saber o que está escrito. É vida sobre a letra morta, fluindo do Espírito de Deus.

Creio sinceramente que, como diz um pastor da minha cidade, a revelação de Deus vem sobre a informação, ou seja, quem nem leu não recebe revelação. O etíope leu, Filipe ajudou a entender, o Espírito Santo trouxe revelação. Meu querido, faça sua parte para ser abençoado. Não entender nada não é desculpa para não ler, pois nunca vi Deus ler para ninguém. Depois que a Biblia foi escrita, temos a revelação de Deus ali para ser extraída, mas sem uma leitura profunda e sistemática… Sem chance.

Quero te incentivar a fazer como eu e meus discípulos, lendo diariamente (não menos do que diariamente) as Escrituras. Leia muito ou leia pouco mas leia todos os dias. Deus em algum momento trará revelação.

“Pai, sou grato por que o Senhor não nos desampara nem quebra Tuas promessas. Há de ter revelação para os que meditarem na Tua Palavra de dia e de noite. Eu te agradeço e confio nisso.”

Mário Fernandez