Vinicios Torres

Aniversário de Casamento

Eu e minha esposa comemoramos 26 anos de casamento semana passada. Foram tempos de alegrias, dificuldades, sonhos realizados e outros ainda não, e muito trabalho.

Pensando no que nos permitiu chegar a esta marca, que está cada dia mais difícil de encontrar casais que também chegam lá, imagino alguns motivos.

O primeiro, e mais importante no meu ponto de vista, é que abrimos mão de buscar a satisfação pessoal em primeiro lugar e buscamos a satisfação do outro e da família. Cada um de nós abriu mão de sonhos e desejos, que certamente poderiam ser conseguidos, para investir nos filhos e um no outro (1 Co 10:24).

O segundo é que mantivemos valores que nortearam nossos comportamentos e decisões (Lc 10:27). A prioridade na saúde e educação dos filhos, por exemplo, foi um valor que nos levou a tomar decisões que, se por um lado limitaram algumas coisas, por outro nos dá enorme satisfação ao ver os resultados na vida de filhos que se mantém íntegros e cheios de possibilidades. Os mesmos valores nos impediram de tomar “atalhos” ou aceitar “negócios” que poderiam comprometer a nossa integridade.

O terceiro é que apesar de errarmos um com o outro, de termos tempos de dificuldades no relacionamento, mantivemos a consciência alerta de que deveríamos perdoar e esperar o trato de Deus na vida um do outro (Ef 4:32). Descansamos no fato de que não importa o quanto um tente mudar o outro, se a motivação da mudança não vier do coração não surtirá efeito duradouro. Só Deus pode mudar o coração do ser humano.

O quarto é que continuamos a dizer “eu te amo” um ao outro todos os dias, mesmo naqueles em que nossas emoções parecem não condizer com a frase. Fazemos isso porque decidimos amar independentemente das circunstâncias, dos sentimentos, do saldo da conta bancária ou da previsão do tempo. Sabemos que todos os problemas e dificuldades são transitórios, mas o amor permanece (1 Co 13:8).

Como disse o apóstolo Paulo, “não julgamos ter alcançado, mas prosseguimos para o alvo” (Fp 3:13,14) pois ainda há muitos anos e desafios a frente.

Vinicios Torres

Mário Fernandez

Basta

“Porque basta o tempo decorrido para terdes executado a vontade dos gentios, tendo andado em dissoluções, concupiscências, borracheiras, orgias, bebedices e em detestáveis idolatrias.” (1 Pedro 4:3 ARA)

Curiosamente, em meio a uma leitura meditativa das Escrituras uma palavra ou outra salta aos olhos da gente de maneira única. Neste caso, como estou lendo as cartas de Pedro, foi aquele “basta”.

Basta significa que chega, que foi o suficiente, que não precisa mais, que está lotado ou completo. Num certo sentido é o fim de algo, por vezes, literalmente. Neste texto em particular eu vejo muito fortemente o sentido de que chegou o tempo de mudar, não se admite mais continuar como estava. Esse tempo passado teve sua vez e acabou, passou, foi suficiente, “basta”. Será que compreendemos isso aplicado ao nosso cotidiano? Será que entendemos que é o Senhor quem nos sustenta mesmo que tenhamos um trabalho ou fonte de renda “comum”? Será que está claro para nós que estamos falando de modo de vida e não de religião?

É preciso entender que o cristão não é caracterizado por frequentar uma igreja, ou por dar dízimo, ou fazer orações e nem mesmo por tê-las atendidas. Um cristão é marcado por nascer de novo e viver uma vida imitando a Cristo. Afinal, cristão = imitador de Cristo. Portanto, como disse o apóstolo Pedro, precisamos tomar consciência de que basta a velha vida e seus maneirismos.

Provavelmente muitos responderão dizendo que nasceram de novo e o importante é a essência e o ser interior, com o que obviamente concordo. Mas note que o texto desta carta fala de atitudes práticas que devem evidenciar esse ser interior renovado, ou na retórica de Pedro, as que evidenciam sua falta e devem ser evitadas. Nosso desafio é viver de modo que mostremos o que somos por dentro sem precisar de visão de Raio-X.

“Pai, obrigado por me ensinar nesta carta que eu preciso renovar minhas atitudes para evidenciar minha vida renovada. Te agradeço por tanta riqueza numa carta tão simples.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Escondido

“Perguntou-lhe Natanael: Donde me conheces? Respondeu-lhe Jesus: Antes de Filipe te chamar, eu te vi, quando estavas debaixo da figueira. Então, exclamou Natanael: Mestre, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel!” (João 1:48-49 ARA)

Quando chegar na Glória quero perguntar para Natanael sobre esse lance da figueira. O que será que o varão fazia ali de tão sério que o levou a tal quebrantamento quando Jesus disse que o viu…

Alguns especulam que ele orava e clamava pela libertação de Israel, outros dizem que ele estaria fazendo algo realmente pecaminoso, enquanto para alguns outros ele duvidava de Deus e pediu uma prova. Não importa, realmente, pois o ensino central é que Jesus conhece os fatos, conhece o nosso coração e sabe qual a palavra que vai nos desmontar. Ainda bem que Natanael ouviu e acreditou, pois às vezes me parece que vivo no meio de uma geração de surdos. E parece ser contagioso, pois quando me dou por conta também não estou escutando muita coisa. É uma disciplina diária e contínua me manter sensível e o resultado ainda assim deixa a desejar.

Se para este israelita o impacto de uma palavra como esta foi tão grande, temos de aprender alguma coisa. Aquilo que só Jesus conhece a nosso respeito, aquilo que talvez nunca quiséssemos que viesse à tona, talvez até mesmo aquele pedido que nunca saiu da nossa mente – tudo isso deve servir como forma de confirmação de nossa fé e para nos fortalecer em Cristo. Não pode ser motivo de tormento, acusação ou inquietude.

Eu diria ainda mais: não deve ser necessário que seja denunciado para que seja abandonado. Aquilo que nos envergonha ou dificulta cumprir o chamado de Deus, deve ser voluntariamente abandonado e cicatrizado, sem que seja necessário um escândalo para isso. O caso de Natanael pode não ter sido neste sentido, mas aquele homem foi balançado. Devemos nos endiretar diante de Deus enquanto podemos, pois se for revelado pode ser pior.

Natanael adorou a Deus, devemos aprender com ele. Nosso desafio é buscar no Senhor aquilo que só Ele pode nos dar.

“Pai, assim como Natanael eu reconheço que Jesus é Teu filho, meu Rei, meu Salvador. Ajuda-me a endireitar meus caminhos, ações, reações e pensamentos diante de Ti, sem precisar ser revalado.”

Mário Fernandez

Vinicios Torres

Construa Sua Cela

Acompanho as notícias do trabalho da missão Portas Abertas desde meus tempos de adolescente (e olha que já faz tempo!). Recentemente, recebi um e-mail com o seguinte texto:

“Wang Mingdao foi o pastor e evangelista mais famoso da China. Ele ficou 23 anos na cadeia por crer em Deus. Durante uma entrevista, um jornalista da Portas Abertas lhe fez a seguinte pergunta:

– Nunca serei posto numa cadeia como o senhor. Como a sua fé pode impactar a minha?

Depois de refletir um pouco sobre o assunto, Mingdao respondeu:

– Quando me prenderam, fiquei arrasado. Eu desejava realizar cruzadas evangelísticas pela China; queria estudar minha Bíblia e escrever mais sermões. Mas, em vez de servir a Deus dessas formas, vi-me sentado sozinho numa cela escura. Não podia usar o tempo para escrever livros – não tinha papel e caneta. Não podia estudar a Bíblia e preparar sermões; tiraram a minha Bíblia de mim. Eu não tinha uma pessoa sequer a quem testemunhar, porque o carcereiro apenas empurrava minhas refeições pela porta da cela. Tudo o que me dava sentido como obreiro cristão fora tirado de mim. Eu não tinha nada a fazer. Nada, exceto conhecer Deus. E durante vinte anos aquele foi o melhor relacionamento que tive. Fui jogado numa cela, mas você terá de jogar-se numa. Você mesmo precisa construir uma cela para poder fazer por si próprio o que a perseguição fez por mim: simplificar sua vida e conhecer Deus.”

Extraído do livro A fé que persevera.

Conheça mais sobre a missão Portas Abertas:

https://https://www.portasabertas.org.br

Vinicios Torres

Vinicios Torres

Como crescer espiritualmente

Li algum tempo atrás, em algum lugar (se alguém tiver a referência pode me mandar) uma dica de A.W.Pink:

“Nos meus primeiros anos eu assiduamente segui este triplo caminho:

  • Em primeiro lugar, eu lia toda a Bíblia três vezes por ano (oito capítulos do Antigo Testamento, e dois do Novo Testamento diariamente). Eu constantemente perseverei nisso durante dez anos, a fim de me familiarizar com o conteúdo, que só pode ser alcançado por meio de consecutivas leituras.
  • Em segundo lugar, eu estudei uma porção da Bíblia a cada semana, concentrando-me por dez minutos (ou mais) todo dia na mesma passagem, pensando na ordem dela, na ligação entre cada afirmação, buscando uma definição dos termos importantes, olhando todas as referências marginais, procurando seu significado típico.
  • Terceiro, eu meditei sobre um versículo a cada dia, escrevendo-o sobre um pedaço de papel na parte da manhã, memorizando-o, consultando-o em alguns momentos ao longo do dia; pensando separadamente em cada palavra, pedindo a Deus para revelar para mim o seu significado espiritual e para escrevê-la no meu coração. O versículo era o meu alimento para aquele dia. Meditação é para a leitura como a mastigação é para o comer.

Quanto mais alguém seguir o método acima mais deve ser capaz de dizer:

“A tua palavra é lâmpada que ilumina os meus passos e luz que clareia o meu caminho” (Salmo 119:105)

Vinicios Torres

Mário Fernandez

Honrar

“Tratai todos com honra, amai os irmãos, temei a Deus, honrai o rei.” (1 Pedro 2:17 ARA)

Volto ao tema para finalizar o que tenho em mente e no coração. Honrar ao rei foi mencionado em separado, quase de forma redundante. Tudo que a Bíblia repete me parece ser para reafirmar ou para confirmar, sendo que neste caso parece ser um reforço intencional com algum motivo.

O rei representa a autoridade terrena estabelecida para governar o povo. No Brasil não temos reis mas temos autoridades equivalentes que são os presidentes. Como fazemos para honrar uma autoridade como esta? E mais: como ter estima e consideração em meio a tanta polêmica? Vivemos uma divisão, há os prós e os contras, defendendo e malhando o mesmo fato com a mesma intensidade.

A Bíblia não manda ser sujeito somente às autoridades boas, mas a todas. Devemos honrar reconhecendo aquilo que consideramos bom ou positivo para o país, ainda que não seja o melhor para nós individualmente. Temos liberdade para comentar o que não nos agrada, mas temos de cuidar com a murmuração e maldições – desnecessários. Temos de usar a liberdade para dizer “não simpatizo com este governo, mas reconheço que esta medida foi boa”. Poucos fazem isso, mas é necessário entender que é um princípio bíblico.

Talvez por isso vivamos um tempo de filhos desobedientes e sociedade desordenada, relapsa e com serviços cada vez mais mal prestados. O povo de Deus deixa de lado a honra e a sociedade percebe, o reflexo imediato é uma geração que não liga. Não creio ser só um problema político ou educacional, mas de pais que não ensinam sobre honra. O que é bom precisa ser reconhecido, para que se adquira o direito de falar do que não considera bom.

Se começarmos no meio do povo de Deus, toda sociedade verá reflexo. Não defendo partido, não tenho vínculo com eles, mas não agrido ou critico nenhum. São homens e mulheres de carne e osso que erram e acertam.

Quem saberá honrar ao Rei dos Reis invisível e eterno, sem horar ao rei visível?

“Pai, nem tudo é facil para eu entender e a Tua sabendoria me faz falta. Ensina-me a ser, fazer e dizer que é necessário para honrar o rei, em obediência a Ti.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Honrar

“Tratai todos com honra, amai os irmãos, temei a Deus, honrai o rei.” (1 Pedro 2:17 ARA)

É duro de admitir, mas é mais fácil honrar a Deus do que às pessoas ao nosso redor. Precisamos aprender mais sobre honra e aprender a identificar ao nosso redor quem são as pessoas a quem devemos honrar.

Honrar, no conceito de um de meus mestres, é a soma de reconhecimento + investimento. Certamente não é a única definição possível, mas me agrada pensar que tenha dois ingredientes tão importantes e tão profundos compondo algo dado para nossa edificação. É claro, não podemos nos furtar de comentar que honra pressupõe algum mérito, o que talvez explique nossa dificuldade em honrar às pessoas – temos dificuldade de ver nelas o que merece ser honrado.

Reconhecimento é verbalizar a gratidão, a valorização, a consideração e o respeito por algo que alguém é ou fez. Tem porções de elogio, de incentivo, de movitação, mas principalmente de exposição – no sentido de deixar público e claro que foi percebido o fator reconhecido. Isso já é um desafio para nós, pois a bem de não bajularmos às pessoas nem inflarmos indevidamente os seus egos, acabamos exagerando e nos tonando meio secos. Eu preciso melhorar nisso, creio não ser o único.

A essência deste ensino é profunda demais para uma devocional como esta, mas levanta um questionamento interessante: será que não estamos murmurando demais e por isso mesmo não honramos os que estão ao nosso redor? Será que não estamos deixando passar despercebido algo que para nós é sem importância mas que para quem fez ou tornou-se é grande?

E agora, será que ao deixar de honrar as pessoas sou desobediente, negligente? Será que por causa disso honro menos a Deus, que os criou?

“Pai, nem tudo é facil para eu entender e a Tua sabendoria me faz falta. Ensina-me a ser, fazer e dizer que é necessário para honrar as pessoas ao meu redor, em obediência a Ti.”

Mário Fernandez

Mário Fernandez

Recurso

“Vejam isso os aflitos e se alegrem; quanto a vós outros que buscais a Deus, que o vosso coração reviva.” (Salmos 69:32 ARA)

Eu estou vivendo uma fase na minha vida em que o Senhor tem me feito perceber Seu cuidado comigo de forma muito saliente. Eu tenho algumas dúvidas se o cuidado Dele aumentou comigo ou apenas eu que estou percebendo mais, mas isso não importa. O que importa é que como diz este salmo, o coração dos que buscam a Deus revive em alegria e em esperança.

O privilégio de servir a Deus me leva a querer servir mais ainda. A garantia que tenho de que dará tudo certo é a fé, mais nada, mas não significa que é pouco. Passo por um momento que alguns anos atrás seria desesperador, mas está completamente sob controle, tranquilo e sereno. Meu coração revive na presença do Todo Poderoso, a quem busco como nunca busquei e a quem adoro como nunca adorei. Mérito meu? NENHUM.

O Senhor tem feito de mim um homem íntimo Dele, não por esforço ou mérito meu. Não por ter vontade disso, ainda que seja verdade, mas por que Ele quer fazer alguma coisa que não é próprio da superficialidade. Há tanta gente que precisa entender o Reino de Deus, que precisa olhar ao redor e saber da maldade do mundo em que vivemos e decidir por uma vida diferente. Reagir ao invés de se entristecer, participar de algo ao invés de se isolar.

O medo e vergonha faz as pessoas solitárias, mesmo que estejam no meio de uma multidão no shopping center. No Reino de Deus não tem disso, somos irmãos e estamos na casa do Pai. Não tem motivo para vergonha ou timidez. Claro, não somos perfeitos, erramos, assustamos, falhamos. Mas ainda assim a igreja é o melhor lugar desse mundo para se estar e para se fazer parte, até mesmo por que as opções são todas piores.

Quanto mais busco a Deus, mais me fortaleço, mais me animo e mais quero buscar. É viciante. Alguns não gostam dessa palavra, mas eu não tenho preconceito. O que é bom também pode viciar, eu creio.

“Pai, me sinto tão bem Contigo que tenho vontade de não sair mais de diante de Ti. Mas algo precisa ser feito por este mundo perdido e preciso da Tua vida em mim. Obrigado.”

Mário Fernandez