Mário Fernandez

Família – Vivendo o Evangelho

“Vós, filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isto é justo.” (Efésios 6:1)

Um dos conceitos que me parece mais deturpado nos nossos dias é justamente o de família. Eu vejo com muito receio os dias vindouros, se continuar o tipo de postura que o mundo está tomando com a família. Não me refiro necessariamente a casamento homoafetivos, divórcios, união estável sem casamento, recasamento e essas polêmicas de sempre. Meu foco é outro. Meu cérebro de gerente está treinado para ficar “um olho no peixe outro no gato”.

Estou muito preocupado com as famílias que parecem, mas não são. Parecem normais, parecem estáveis, parecem harmônicas, parecem respeitosas, parecem estar de bem, parecem espirituais, parecem uma bênção. Mas só parecem. Não é nas aparências que se determina a qualidade das coisas, é pelos frutos. Não sou eu que penso assim, foi Jesus que disse isso. A vida comprova isso, também. Até a lógica confirma isso. Estamos rodeados de famílias que facilmente podemos ver que estão bem de aparência, mas nos pontos que a Bíblia ensina estão mal.

Vamos apenas tomando este versículo como base, afinal essa maravilhosa carta de Paulo aos Efésios fala tanta coisa boa sobre família, a gente passaria semanas escrevendo. Qual o padrão de respeito e obediência dos filhos para com os pais nos nossos dias? Qual o padrão de justiça dos filhos para com seus pais? Em tempos em que dar uma bronca em um adolescente pode dar um processo judicial ou até mesmo prisão aos pais “insolentes” a gente pode esperar de tudo.

Vem chegando aí uma geração que não conhece limites, não sabe lidar com pressão, não conhece responsabilidade, não convive com objetivos a cumprir. Os pais não pode repreender ou corrigir pois são “maus tratos” – não sou a favor de violência, me entendam. Os pais também não querem privar dos confortos pois é “traumático” – não sou contra ter as coisas, me entendam. Os pais também não podem confrontar porque isso é “humilhante” – não sou a favor de espezinhar, me entendam. Mas sabem qual o pior tipo de funcionário que tenho? Os que tiveram tudo. Isso mesmo. São os que desistem na primeira dificuldade, não terminam o que começam, não entendem o conceito de cadeia de comando e nada lhes basta porque sempre querem mais da empresa.

Se para mim não está fácil, pense nos pastores, nos professores, nos educadores, nos legisladores, nos policiais. Misericórdia. Tudo isso simplesmente porque a Bíblia, que deveria ser o manual de fé e conduta das pessoas, passou a ser mais um livro no meio dos outros. Isso não é evangelho, não é estilo de vida de Deus, não é nada mais nada menos do que o esfriamento anunciado para os últimos dias – pela Bíblia. Vai piorar meu irmão, tenha certeza.

Cabe a mim e a ti fazermos diferente com nossos filhos biológicos, espirituais, discípulos, filhos na fé, funcionários, colegas – todos a quem possamos anunciar que este mundo jaz no maligno mas há um Deus, sim há, que se preocupa com todos nós e já nos deixou a receita do sucesso. Evangelho é vida, não conjunto de regras. Os frutos demonstram mais resultado que as aparências. E a família, creia em minhas palavras, é um termômetro mais do que social ou político, é espiritual.

Deus abençoe a todos.

“Senhor, usa-me como instrumento responsável para formar e ajudar a formar famílias que atendam os teus padrões. Quem eu puder abençoar, eu quero abençoar.“

Mário Fernandez

Resumo – Vivendo o Evangelho

“Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas” (Mateus 22:40)

Jesus foi e sempre será o maior. Neste versículo ele mostra que não é apenas o maior ser humano que já viveu, ele era o maior mestre e palestrante que a humanidade conheceu. Ele consegui colocar em meia linha (literalmente) o que levou 40 anos para o povo ouvir no deserto e mais uns 450 para ser interpretado e mal executado. Chega a ser engraçado.

Nós que temos toda revelação a nossa disposição, podemos olhar para os erros do povo de Israel no passado e aprender com eles, evitá-los, estudá-los. Nossos irmãos no passado não tiveram isso, somos privilegiados. Pense comigo: se tivermos que resumir tudo que sabemos de Deus, do Seu Reino, tudo tudo, em meia frase… Não dá, não consigo. Jesus conseguiu. Ame a Deus e seu irmão como a si mesmo.

Isso é um resumo poderoso que tem em sua poderosa simplicidade uma verdade um pouco áspera para os nossos dias. Estamos privilegiando outros aspectos da vida cristã e deixando isso de lado. Com certeza. Eu me sinto amando cada vez menos, não creio estar sozinho. Mando mais WhatsApp do nunca, visito menos do que nunca. Lembro de orar mas oro menos. Gente, tem algo errado comigo! Jesus ensinou o contrário, se meu inimigo tiver fome tenho de dar de comer. Pegue tudo que Jesus disse e traduza assim “ame a Deus e a seu próximo como a si mesmo”. Ao tentar simplificar a gente complicou, somos habilidosos, estudiosos, aplicados. Só não amamos.

Eu gostaria de propor ao mesmo tempo uma reflexão e um desafio: será que conseguimos abrir mão de algo que nos seja precioso para amar alguém? Não estou falando de dinheiro (salvo se você que está lendo for um avarento). Mas Deus tem me falado muito sobre as riquezas deste tempo e estou convencido que a maior moeda dessa geração é o conforto (ou comodidade se preferir). Quem de nós abre mão? Saímos de casa numa noite com chuva para uma visita? Trocamos nossa hora de descanso por um aconselhamento?

Sabe, recentemente me perguntaram o que eu consideraria ser “perder a vida para Jesus”. Pensei um pouco e respondi “não morra”. Como assim? Morrer é uma fuga, abafa a sensação de sofrimento, coloca o desconhecido vindouro na pauta. Abrace o presente, viva o dia de hoje para Jesus, gaste sua vida com o evangelho e para o evangelho sem morrer nem “perder a vida”. Serei menos abençoado do que os que vão para os confins da Terra? Não creio. Tem gente perdida ao meu alcance para medir em palmos e não em milhares de km. Uns vão, outros não vão. Desde que todos produzam, tantos os próximos quanto os distantes serão alcançados.

E o desafio? Tente. Abra mão. Pense naquele momento preguiçoso que não é pecado (é descanso merecido) e abra mão de uma parte dele. Depois me conte se Deus não te fez sentir que valeu a pena. Vou testar neste momento, com licença.

“Senhor, tem algo para ser feito hoje de maneira simples que vai refletir o amor a Ti e ao proximo. Eu quero começar com isso e se ficar só nisso terei feito algo. Me ajuda, estou muito devagar.“

Mário Fernandez

Trabalho – Vivendo o Evangelho

“Prepara-se o cavalo para o dia da batalha, porém do Senhor vem a vitória.” (Provérbios 21:31)

Evidentemente o contexto de uma batalha campal como nos dias do Antigo Testamento são diferentes do que conhecemos hoje, tanto no sentido da realidade que vivemos no Ocidente como também pelo tipo das guerras. Não sou aficionado por história (para ser sincero sou pouco interessado) mas tenho noção de algumas coisas. Cavalos, arcos e flechas, escudos, espadas e principalmente um rei no campo de batalha – impensável em nossos dias.

Mas neste texto Deus falou comigo no sentido do trabalho, da preparação, na coisa de cada um cuidar da sua parte. Deus fará a parte Dele com absoluta certeza, Ele dará a vitória da batalha segundo Sua vontade, e isso se a vitória vier. Mas, não podemos negar que há um “cavalo” a ser preparado, não porque Deus precise dele mas porque EU preciso. Se eu não faço a minha parte, perco o direito de esperar que Deus faça a parte Dele.

Estamos vivendo dias em que a confusão é total. Nosso cenário político, econômico, social, etc inspiram “desespero”. Na véspera do dia que escrevi este, vi a notícia de um latrocinio (roubo seguido de morte) numa cidade de pouco mais de 40.000 habitantes no interior do RS, por onde eu passei poucas horas antes vindo para meu trabalho. Um comerciante reagiu a um assalto e foi morto na porta da loja. Isso era coisa de cidade grande. ERA. As condições de vida estão se tornando complicadas em todos os lugares. E isso reflete o mundo espiritual, portanto o avanço do inferno é mais notório que qualquer outra coisa.

E o qual a relação com o texto? Pois é – nós igreja, corpo de Cristo na Terra, ao vermos isso ficamos escandalizados na primeira vez, assustados na segunda, impressionados na terceira, indiferentes na quarta e da quinta em diante… olha…. não tem muita diferença entre nós e os incrédulos, não. Por quê? Primeiro porque se nossa oração fosse regada com lágrimas, fosse intensa o suficiente e precedida de um grande arrependimento Deus faria novamente o que prometeu em 1 Crônicas 7:14. Não estamos preparando o cavalo, a vitória da batalha não está vindo.

Talvez daqui alguns anos este cenário seja apenas histórico, mas para mim é “meu hoje”. Preciso preparar meu cavalo. Preciso orar mais, preciso anunciar melhor o evangelho, preciso ser mais vitorioso. Sem isso, só me resta ser um derrotado sem reclamar, pois Deus teria feito Sua parte.

É uma reflexão dura, um reconhecimento amargo, mas um ensino necessário. Algo precisa ser feito urgente, e se for para ser feito por nós tem que ser por aí. Qualquer ser vivo pode protestar e fazer passeata, mas só o povo de Deus pode orar a ponto de mover o braço do Altíssimo. Vamos nessa?

“Senhor, não quero ser negligente com a minha geração. Se tem algo que posso fazer é orar mais. Me fortalece e me ensina a agir de modo digno do evangelho.“

Mário Fernandez

Ansiedade – Vivendo o Evangelho

“Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal.” (Mateus 6:34 ACF)

Nessa nossa geração apressada do século XXI o que tem aos montes é gente ansiosa. Eu já escrevi anteriormente sobre a tensão entre o otimismo e o pessimismo, nas suas relações com a fé. Quero meditar sobre esperar sem perder a esperança.

Todas as definições, artigos e dicionários que pesquisei descreveram ansiedade usando palavras como medo, antecipação, agonia, dor na alma e, em alguns casos, foi descrito como doença. Andar inquieto vai contra confiar em Deus, pois Ele cuida de tudo e prometeu cuidar de tudo.

Ansiedade nada mais é do que perder a esperança e a fé. Posso provar esta afirmação. Enquanto temos esperança estamos tranquilos, pois confiamos naquilo que virá, embora para alguns 10 minutos em uma fila seja uma espera torturante. Mas na fila do banco, com o cartão na mão, tendo total certeza que o dinheiro está na conta e basta chegar sua vez para sacar – tudo bem. Isso é esperança e a agonia da espera ou a inquietação da próxima tarefa não causam necessariamente ansiedade. Sem ter certeza do saldo, aí sim. Sem saber o que vai encontrar, aí sim. Ou seja, o que assusta não é a espera em si, mas o desconhecido à frente.

Agimos assim em todas as áreas da nossa vida. Temos a péssima fraqueza, de maneira geral, de comprometer a comemoração de uma vitória em detrimento da ansiedade da próxima batalha. Tenha fé meu irmão, olhe para ela com olhar de vencedor e creia na mão de Deus se movendo em seu favor. Encare a batalha e se for derrotado, como se diz na minha terra natal, “vai lamber as feridas”. Mas depois, não antes.

Ao confiarmos em Deus para cuidar de nossos problemas, desenvolvemos a fé que enxerga uma saída adiante e essa tira de nós o medo e a ansiedade. Eu viajo muito e ainda assim toda vez que vou para a estrada fico tenso. Tenho 30 anos de evangelho e sou pastor faz mais de 15, mas toda vez que vou pregar os joelhos tremem. Mas isso não é ansiedade, não é inquietação, não é falta de fé. É temor e zelo pelo que tem que ser feito. Me preocupa muito mais o sustento de minha familia se algo acontecer comigo do que tenho medo de morrer. Meu foco é ser fiel às Escrituras e dar o recado de Deus ao pregar, não é medo de passar vergonha.

O firme fundamento do que se espera nos alivia a tensão e permite viver um evangelho que define o estilo de nossa vida. Evangelho não é certeza de nada, é apenas uma boa notícia de salvação. Para quem não consegue confiar, dá na mesma. Para quem pretende viver com Jesus na eternidade, entende que semeia isso aqui e agora, isso é tudo que é preciso.

Controle sua ansiedade meu querido. Leia mais a Palavra de Deus, ore mais, vença a ociosidade, despolua sua mente (tv, internet, música de mau gosto), olhe para o alto e adore Aquele que vive para sempre. Sou testemunha viva: é quase egoísmo, pois a gente é que vive melhor sem ficar ansioso. Deus te abençoe.

“Senhor, eu quero ter fé e não andar ansioso. Me ensina a viver de tal modo que não Te envergonhe perdendo as esperanças e pensando no pior. Me ajuda a focar em Ti e vencer a ansiedade.“

Mário Fernandez

Confiáveis – Vivendo o Evangelho

“Mas escolha dentre todo o povo homens capazes, tementes a Deus, dignos de confiança e inimigos de ganho desonesto. Estabeleça-os como chefes de mil, de cem, de cinqüenta e de dez.” (Êxodo 18:21)

Um homem digno de confiança é um homem que morre mas não trai seus compromissos, não quebra sua promessa, não volta atrás no que diz, honra seus tratos. É um homem previsível, portanto, bastando perguntar ou verificar o que afirmou para saber o que aconteceu. É uma questão de caráter e de coragem.

Na minha carreira profissional, fora do meio eclesiástico, eu sou tentado continuamente a quebrar minha palavra ou a me comprometer “convenientemente” sabendo que não vou cumprir. É uma forma disfarçada de mentira, portanto não posso compactuar com isso. Hoje, ao escrever este texto são mais de 22h e tive um dia difícil. Muitos fornecedores cobrando, pressão para produzir, colegas inseguros, funcionários complicados. Seria mais cômodo dizer a cada um o que quer ouvir, mas não seria confiável.

Confiável é um homem que pode ter pouco ou muito estudo, pode ser jovem ou velho, rico ou pobre – mas será sempre previsível, no sentido de que fará o que disser que fará. Digno de confiança é acima de tudo e antes de mais nada “digno”. A Bíblia nos ensina que “Deus não é homem para que minta nem filho de homem para que Se arrependa”. Isso é ser digno de confiança.

É terrivelmente sofrido servir a um líder que não merece confiança, principalmente quando volta atrás naquilo que tratou – creiam, passei por isso mais de uma vez. O povo de Deus não merece isso, afinal pertence a um Deus confiável. Por outro lado, servi ao lado de homens que mesmo com dano próprio não voltam atrás em algo que se comprometeram. É impensável um homem liderar pessoas sem ser digno de confiança. De nada adianta a capacidade mal utilizada ou o temor a Deus sendo comprometido por uma falha de caráter tão grave quanto a de não ser confiável.

O evangelho mais legítimo que consigo imaginar é fundamentado na verdade que liberta, que traz luz. Assim sendo, ser digno de confiança é ser verdadeiro e firme em tudo. Viver o evangelho é amar a verdade a ponto de ter prejuízo para não comprometê-la. Isso, meu querido, é ser digno de confiança. Sem parcialidade, sem interesses escusos, sem surpresas. Como Deus é: Ele nos surpreende sim, mas nunca no que se trata de quebrar a Sua Palavra e Suas Promessas.

“Senhor, me ensina e me fortalece para eu ter coragem para sustentar aquilo que eu assumir, falar ou prometer. Sou humano, mas quero subir meus padrões na direção dos Teus.“

Mário Fernandez

Segunda Chance – Vivendo o Evangelho

“Então Sansão clamou ao SENHOR, e disse: Senhor DEUS, peço-te que te lembres de mim, e fortalece-me agora só esta vez, ó Deus, para que de uma vez me vingue dos filisteus, pelos meus dois olhos.” (Juízes 16:28)

O Deus a quem servimos nos vê de modo diferente do que nós vemos e é por isso que Ele nos dá novas chances de cumprir nossos propósitos. O jovem Sansão teve toda capacitação e oportunidades para ser o que Deus queria que ele se tornasse. Ele optou por ser um jovem impetuoso, briguento, arrogante, quebrador de regras e pior de tudo: mulherengo. Poucos são os atributos positivos deste homem que foi escolhido por Deus para ser um juiz no meio do povo. E ainda assim, Deus o usa atendendo seu pedido que aparece nesse versículo.

Eu fico imaginando, pela minha lógica completamente humana, que Sansão não merecia ser atendido nesse pleito. O propósito maior de Deus não era matar filisteus nem trazer vingança para alguém que estava colhendo os frutos de seus erros. Porque então concedeu o pedido? Porque permitiu a Sansão morrer com mais dignidade do que viveu boa parte de sua vida? A resposta é dolorosamente simples: não sei, Deus não pensa como eu.

O maior ensino que consigo ver neste texto é de que se eu alinhar meu esforço com o propósito de Deus eu terei mais força. É meio maluco, poderia ser mais fácil. Mas me permita explicar: se eu pedir o que Deus quer me dar, eu terei. Se a missão de Sansão era diminuir o numero de filisteus, bingo. Se Deus fez isso “em nome dos velhos tempos”, o que não creio, estaria honrando um pedido final de um servo que em momentos passados foi fiel. Faz sentido, mas é meio desconfortável de aceitar se pensarmos que foi o próprio Sansão quem abriu mão de seguir o caminho “dos velhos tempos” então recompensar um erro fica esquisito.

Daí me vejo com meio século de caminhada, três décadas de evangelho e pouca coisa produzida. Se Deus quer algo de mim ainda tenho tempo, talvez. Se Deus espera que eu peça algo a Ele que é o que Ele quer me dar, eu já deveria saber disso. Vou esperar meu último suspiro? Sinceramente, tenho decidido que não. Estou mais e mais dedicando minhas madrugadas e começos de manhã a buscar entendimento e pedir a Deus para fazer em mim o mais simples de tudo – a Sua vontade. Isso faz parte de um evangelho mais vivido que teorizado, mais genuíno do que enfeitado, mais celestial do que mundano, mais espiritual do que lógico.

“Senhor, eu não quero desperdiçar a única vida que tenho para chegar no fim dela e tentar Te servir. Me ajuda a recuperar a urgência da Tua obra e a pressa em ser e cumprir minha missão na Terra”

Mário Fernandez

Honesto – Vivendo o Evangelho

“Mas escolha dentre todo o povo homens capazes, tementes a Deus, dignos de confiança e inimigos de ganho desonesto. Estabeleça-os como chefes de mil, de cem, de cinqüenta e de dez.” (Êxodo 18:21)

Não sei o que será de nosso Brasil nos próximos anos, mas hoje vivemos operação Lava-jato e tantas outras, donos de empreiteiras presos, políticos sendo presos, protestos e manifestações para todo lado, partidos trocando acusações, eleições conturbadas – em resumo um caos. Tudo isso porque… porque… porque… Nem sei mais. Poderia resumir dizendo que a confusão veio do excesso de informação que fez com que ninguém mais parecesse honesto. É bom ou ruim? É melhor assim ou nem saber de nada? O tempo dirá.

Inimigos do ganho desonesto são os honestos. São os que preferem menos, mas o combinado, o justo, o que foi tratado. São os que não fazem questão de mais se for para quebrar princípios ou regras, se for para prejudicar alguém. São os que não idolatram a riqueza nos altares da avareza, no qual não se tem limite para ganhar, ganhar e ganhar ainda mais.

Talvez para alguns meu estilo de vida seja um exagero, digam que eu poderia trabalhar menos, me contentar com um salário menor, viver mais a vida. Talvez para outros eu esteja certo. Ainda poderá haver alguns que digam que sou otário e poderia ganhar mais. A todos o meu recado é o mesmo: seja genuinamente você mesmo, pois é isso que faço. Mas nada disso pode tirar uma coisa de mim e de você: honestidade. Se o ganho for 1, for 10 ou for 100 não importa, pois isso é relativo a cada um. Mas a honestidade é um conceito bem mais claro.

Honestidade é merecer o que ganha e ganhar o que merece. É buscar e fazer valer seus direitos, mas é merecer para ter direito. É combinar melhor para poder cobrar o combinado mas é cumprir o combinado para merecer mais. O ganho desonesto vem do exagero, da mentira, do abuso, da balança enganosa, do metro curto, da hora rápida, do troco errado, ou de tudo que fuja do certo. O ganho honesto vem da verdade e da transparência sem limites.

Liderar o povo de Deus sem abominar o ganho desonesto é uma bomba relógio para ambos. O líder vai se explodir sozinho e o povo vai se desapontar com ele e com Deus. Não porque Deus mereça ou cause desapontamento, mas uma liderança corrompida pelos ganhos vai macular a Sua imagem santa pelos respingos. Isso é inadequado, mas acontece. Muitas pessoas abandonam sua fé porque misturam o líder com o Deus a quem deveriam servir.

Um evangelho que merece ser vivido, como estilo de vida, não tem espaço algum para ganho desonesto. No verdadeiro evangelho o Reino de Deus vem primeiro e acrescenta as demais coisas, supre o pão a cada dia, restringe o mal do dia ao próprio dia. No evangelho de Deus cada coisa tem o seu lugar, e o ganho desonesto tem lugar lá fora, bem longe daqui. Sejam espelhos da glória de Deus sem essa mancha.

“Senhor, eu posso ser tentado a ganhar mais do que mereço mas não posso aceitar isso em minha vida. Me ensina, me fortalece, me alerta e me mostra o que devo fazer. Preciso que as pessoas olhem para mim e Te vejam, inclusive na minha honestidade de ganhos.“

Mário Fernandez

Tementes – Vivendo o Evangelho

“Mas escolha dentre todo o povo homens capazes, tementes a Deus, dignos de confiança e inimigos de ganho desonesto. Estabeleça-os como chefes de mil, de cem, de cinqüenta e de dez.” (Êxodo 18:21)

Para ser sincero, tudo começou com um homem de minha igreja local me procurando no final de um culto e perguntando “Pastor, temor é sinônimo de medo? Para eu ser temente a Deus devo ter medo Dele?”

Embora a pergunta mereça ser respondida, até mesmo porque ela é recorrente e aflige a alma de muitos, é uma dúvida que não deveríamos ter. Não é razoável ter medo de alguém que nos ama, nos perdoa, nos oferece salvação, paga o preço dos nossos erros e se dispõe a nos receber para viver com Ele pela eternidade. Nossa intimidade com Deus deveria retirar essa dúvida de nossos corações, ainda que na nossa mente algo poderia nos indagar.

Ser temente a Deus é ter tamanho respeito por Deus que pecar não é uma opção. Tem que doer tanto em mim ofender a Deus, que prefiro não fazer. O constrangimento por contrariar quem faz tudo por mim tem que me impedir de cometer os erros. Não significa perfeição, mas significa um esforço pela perfeição ao limite das forças e das capacidades.

Este texto fala de separar do meio do povo homens tementes a Deus (entre outros méritos) para liderar ou chefiar grupos. Sendo eles capazes, porque ainda precisam ser tementes a Deus? Eu respondi isso poucas linhas acima – porque os tementes tem vergonha na cara e sente dor ao cometer erros contra Deus.

Eu preciso, me sinto obrigado, a comentar um detalhe nada sutil a este respeito, que na minha opinião resolve muitas questões mas está fora de moda. Para ser temente a Deus é preciso conhecê-lo, saber o que Ele aprova ou reprova. Isso é absolutamente impossível sem conhecer profundamente a Palavra de Deus, as Escrituras Sagradas, a Bíblia. Quem é fraco de conhecimento Bíblico nunca será adequadamente temente a Deus. NUNCA. Pelo simples motivo de que aquele “constrangimento” que mencionei acima, não faz sentido para quem não sabe o que é certo ou errado – e o único certo é o que a Bíblia chamar de certo.

Portanto, do meu ponto de vista simples, prático e direto, os tementes a Deus deverão necessariamente ser aqueles que tem prazer na Palavra de Deus. Não pelo conhecimento em si, não pela letra, não pela palavra sobre papel – mas pela intimidade que isso traz com o Dono da Palavra.

Dentro de um evangelho como estilo de vida, ser temente a Deus é peça chave. E como a Bíblia mesmo ensina “o temor do Senhor é o princípio da sabedoria”. Deus nos ajude a conhecê-lo para ter intimidade e não para ter medo Dele.

“Senhor, eu tenho muitos limites, mas sei que preciso te conhecer melhor e temer a Tua Presença. Eu quero Te respeitar a ponto de não fazer nada que Te ofenda.“