Mário Fernandez

O Noivo – A Noiva de Cristo

“Maridos, amem suas mulheres, assim como Cristo amou a igreja e entregou-se a si mesmo por ela para santificá-la, tendo-a purificado pelo lavar da água mediante a palavra,” (Efésios 5:25,26)

Num casamento os dois personagens principais são a noiva e o noivo, variando em importância e glamour de cultura para cultura. Aqui no Brasil, pelo menos por onde eu tenho ido e testemunhado, a noiva sempre chama mais atenção com entrada, vestido, daminhas, flores, bouquê, etc. Embora que casamento com noiva vestida de branco tem sido cada vez mais escasso… Mas nas bodas do Cordeiro, será diferente – noivo é quem brilha e quem terá toda atenção.

Talvez para algumas pessoas, e me refiro principalmente dentro das nossas congregações locais, a figura do noivo se dissipou. Temos um Jesus no presépio, temos o homem da cruz, temos o personagem histórico que está mais para andarilho de Israel, temos aquele cujo nome serve de ponto para nossas orações (as vezes vírgula), temos algumas músicas falando Dele (cada vez menos inclusive, antes que me esqueça). Mas este não é o noivo.

O noivo deu a vida pela noiva de forma voluntária e dolorosa, não foi algo nem fácil de fazer nem simples de entender. Se tem uma coisa que Jesus não é mais é o homem da cruz, pois venceu a morte – embora tenha passado pela cruz. Ele não é a virgula de nossas orações, Ele é o Alpha e o Omega, o princípio e o fim. O casamento dos nossos dias nasce com a possibilidade “direito assegurado” de desfazer se não der certo, mesmo com motivo fútil. O noivo de hoje olha para a noiva como sua futura ex-esposa com grande naturalidade. Não raras vezes já nem é a primeira noiva de sua vida. O Cordeiro não é assim, Ele deu a vida por essa noiva e fará de tudo por ela.

Não podemos deixar de lembrar quem é O noivo. Faça uma pequena pausa e leia Filipenses 2:6-11 para saber de quem estamos falando.

“que, embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens. E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até à morte, e morte de cruz! Por isso Deus o exaltou à mais alta posição e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, no céu, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai.”

Simplesmente o Rei dos Reis, Senhor dos Senhores, diante do qual todo joelho se dobrará – inclusive o da noiva. Curvar-se representa submissão, sujeição, obediência, respeito, reverência, humilhação, comfiança. Meu querido, cabe sim à noiva do Cordeiro se curvar de joelhos diante Dele. Deve a vida a Ele que se entregou por ela. Foi preciso que Ele morresse para garantir o casamento, então Ele morreu.

Saber quem é o noivo muda o comportamento da noiva, com certeza. Meus filhos, a esta altura, ainda são solteiros, mas ambos são adultos. Ensinei-os durante toda vida sobre a seriedade e importância do casamento. Testemunharam familias se formando e desmoronando e em cada oportunidade que tive, procurei esclarecer como as coisas realmente são e como devem ser. Se a igreja de nossos dias atentar aos ensinos de tantos anos, será uma noiva melhor, pois não merece nem de perto o noivo q quem ela foi prometida – Ele está num padrão muito muito acima do que jamais poderá ser alcançado. Acordemos para isso.

“Senhor, me ajuda a entender a superioridade do Noivo e conduzir minha vida de forma adequada, recíproca e respeitosa. Nunca poderei pagar ou compensar o amor que Ele teve por mim, morrendo em meu lugar – mas tem muito que devo fazer.“

Mário Fernandez

Prometida – A Noiva de Cristo

“Foi assim o nascimento de Jesus Cristo: Maria, sua mãe, estava prometida em casamento a José, mas, antes que se unissem, achou-se grávida pelo Espírito Santo.” (Mateus 1:18)

A história de Maria é admirável e a despeito do fato da teologia protestante não reconhecer tanto valor quanto é dado pela teologia católica, eu como servo de Deus me sinto em débito com essa moça chamada Maria. Biblicamente falando, Maria foi considerada bem-aventurada, o que foi para poucos, menos ainda com recado dado diretamente por uma anjo graduado do Reino. Mas nada me admira mais do que o fato de que, embora José tenha intentado desistir do casamento por causa de uma gravidez que não era sua, Maria não o fez – ao menos segundo os registros bíblicos, provavelmente porque sua convicção no recado do anjo era total.

Esse atributo me chamou a atenção – Maria estava prometida em casamento, portanto dela se esperavam algumas ações e atitudes. Onde estavam seus pais nessa altura da história? Com quem ela vivia? Que idade ela teria? Que tipo de vestimenta utilizava? Havia algum símbolo visível de seu compromisso como hoje temos a aliança? Como ela conheceu José? Quem a prometeu em casamento, foram eles que se apaixonaram ou foi arranjo familiar? Não sabemos ao certo nada disso, pelo menos não de base bíblica, mas uma coisa sabemos – estava prometida e levou isso a sério.

Enquanto hoje a noiva do Cordeiro vive sua vida como bem entende, os aspectos que são valorizados são justamente estes. A igreja de nossos dias defende sua denominação, valoriza seus ministérios, administra seus recursos, melhora sua infra-estrutura, decora seus prédios, divulga seus programas. Nada disso é ruim e nem está errado, mas isso só responde as perguntas anteriores, não necessariamente demonstra o compromisso com o noivo.

Demonstramos muito mais compromisso ao dizer um “não” do que qualquer outra atitude. Não aceitar uma vantagem indevida de um político (trocar voto por asfalto), não operar à margem da legalidade (o número de congregações que se reúnem sem alvará me assusta), declarando corretamente seus impostos (embora a igreja não pague precisa contabilizar), não se misturando (alguns eventos públicos me deixaram de orelha em pé). Compromisso exige promessa que exige restrição. Pior do que sermos teologicamente fracos ou com uma liderança pouco expressiva ou nossos músicos não serem tudo aquilo. Pior do que tudo isso é não saber a quem fomos prometidos e no que isso implica.

Quando prometi para minha namorada que me casaria com ela tomei providencias – um par de alianças, comecei a guardar dinheiro, procurei locais para festa, lugar para morar depois de casado, pensei nos padrinhos, conversei com meus pais e com os dela. Se estamos de fato prometidos ao Cordeiro, Ele é quem tomará as providencias, é verdade, mas nós devemos corresponder em compromisso.

Avaliemos nossa vida, nossas decisões, nosso “sim” e nosso “não” para ver se estamos de fato vivendo como quem está comprometido com o casamento, ou se estamos mais para uma menina irresponsável fazendo despedida de solteiro, noite após noite, se embriagando com o vinho deste mundo.

“Senhor, me ensina urgentemente a ver onde estou falhando em viver e demonstrar meu compromisso como noiva do Cordeiro. Eu preciso mudar onde for preciso e não vou conseguir sozinho. Sei que o noivo se aproxima.“

Mário Fernandez

Características da Noiva de Cristo

“E eu lhe digo que você é Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do Hades não poderão vencê-la.” (Mateus 16:18)

Estudando o perfil da igreja como noiva de Cristo, a primeira característica que me chamou a atenção foi neste texto, considerado por muitos estudiosos como a primeira menção bíblica da igreja. Uma declaração de Simão, a partir de então chamado de Pedro, anuncia pela primeira vez que o grupo de “chamados para fora” teria esta característica – vitorioso.

Primeiro de tudo precisamos entender que historicamente o termo “igreja” era conhecido na época, embora não no conceito que temos hoje. As pessoas se reuniam em determinados locais para deliberar assuntos que hoje chamamos de políticos, em uma espécia de assembléia. Estas pessoas saíam de suas casas e, por vezes, até mesmo dos limites da cidade, para estas assembleias. Daí vem o termo ekklesia, que foi traduzido como igreja. Jesus então usa este termo, conhecido, dando a ele um novo significado que aponta para outro tipo de assembléia, não mais para discutir assuntos da cidade mas para ser a sua própria assembléia – minha igreja, meu povo chamado para fora.

Temos de entender que uma das características da verdadeira igreja é sua vitória sobre o Hades, o abismo, o inferno. Um grupo de pessoas que se reúne para cantar, ler a Bíblia, meditar nas Escrituras, divulgar o Reino de Deus, fazer ação social, fazer artes, ajudar os carentes – pode não ser necessariamente a melhor expressão do que é a igreja de Cristo, ou que deveria ser. Um grupo de pessoas que se reúne para derrotar as portas do inferno, este sim, manifesta a identidade da noiva do Cordeiro, independentemente de como o façam ou quantos sejam.

Mas então, como se vence as portas do inferno? Eu admito uma série de coisas como válidas, mas destaco:

  • Sendo verdadeiro, pois a mentira vem do inferno
  • Não sendo materialista, pois o amor ao dinheiro é a raiz do mal
  • Atendendo aos pobres, pois esta é a verdadeira religião
  • Vivendo por fé, sem a qual é impossível agradar a Deus
  • Vivendo em santidade, sem a qual ninguém verá o Senhor
  • Sendo justo, para ter herança
  • Tendo bom testemunho, para o Senhor acrescentar os salvos
  • Obedecendo os mandamentos, para ser amado Dele
  • Indo por todo o mundo, para ser obediente
  • Orando pelos doentes, para expressar sua fé

Eu poderia continuar, mas este espaço não é uma aula de teologia, é uma meditação devocional. Pensemos, meditemos, oremos: estamos mais para um grupo na terra ou para a verdadeira igreja, ante aos fatos bíblicos? A lista acima tem para cada item um versículo de base, embora não esteja citado.

Se queremos ser de fato noiva do Cordeiro, preparados para as bodas, creio sinceramente ser a hora de renovar nossos votos, refazer nossos passos e buscar nossa identidade. Sabemos o que fazer.

“Senhor, me ensina a viver e decidir como andar neste mundo de modo a ser e fazer aquilo que mais reflete o meu compromisso com Jesus. Isso fará de mim mais igreja do que jamais fui, e eu preciso disso.“

Mário Fernandez

Expectativas – A Noiva de Cristo

“e apresentá-la a si mesmo como igreja gloriosa, sem mancha nem ruga ou coisa semelhante, mas santa e inculpável.” (Efésios 5:27 )

Todo casamento começa com um casal que pretende viver junto, tem planos de futuro, tem objetivos para alcançar, tem ideias preparadas. Na cultura ocidental que estamos acostumados, todo casal se conhece antes de casar, via de regra se relacionam mais superficialmente por um tempo antes de casar – ou seja, não se casam dois estranhos no momento em que se conhecem. Como eu disse – via de regra.

As bodas do Cordeiro são descritas na Bíblia como a reunião final de Cristo (o noivo) com a sua igreja (noiva) por quem sacrificou Sua vida, venceu a morte, conquistou o Trono Eterno que lhe era devido. Mas, a não ser que seja muito, muito diferente do que conhecemos, todo noivo espera algo de sua noiva e eu creio que o Senhor (noivo) não deve ser muito diferente.

Em um casamento terreno o noivo espera de sua noiva que esta seja bonita (aos seus critérios de beleza), fiel, carinhosa, atenciosa, zelosa, caprichosa, asseada, boa mãe. Em algumas conjunturas deve ser boa dona de casa, sabendo cozinhar, costurar, limpar, organizar – em outras ela terá sua carreira profissional e deverá ser competente, prosperar, crescer. Esporadicamente, ouço de casais que não desejam voluntariamente ter filhos, então esterilidade não é uma opção comum, ao menos não intencionalmente. A parte sexual do relacionamento é também considerada muito importante para ambos. Mas, e nas bodas do Cordeiro?

O versículo escolhido nos mostra pelas palavras do Apóstolo Paulo que a expectativa é de uma noiva (igreja) gloriosa – sinônimo para brilhante, radiante, reluzente, esplendorosa. Sem mancha – sem pecado, sem defeito, sem cicatrizes, sem remendos. Sem ruga – sem defeitos naturais, sem desgaste, sem sinais de cansaço. Santa – sem pecado, sem maldade, sem falhas de caráter, separada desse mundo. Inculpável – não creio que precise explicar.

O problema é que embora tudo isso sejam conceitos muito simples e fáceis de entender, não é assim que vejo a noiva de nossos dias. De uma maneira geral, com exceções em algum aspecto para lá ou para cá, me parece que a noiva de hoje é mundana, pouco dedicada, não está se perfumando para as bodas, acumula rugas e defeitos e pouco ou nada está se preparando. Ou seja, está vivendo a vida de solteira como se o casamento não fosse chegar nunca, ou se fosse possível consertar tudo em cima da hora. Isso é, no mínimo, preocupante, pois o noivo deixou claro como quer e Ele é a autoridade nesta situação. Ou seja, não é a noiva que chegará na hora e dirá “se quiser é assim”.

Permita-me ser bem claro: ou essa noiva de hoje se organiza na vida, muda de atitude, toma rumo de quem está comprometida – ou vai ser barrada do lado de fora. E não se iluda: a festa continua, independentemente de quem esteja do lado de fora, pois, certamente, haverá casamento SIM.

Às vezes me pergunto se as pessoas de nossas congregações locais entendem o conceito de ficar de fora, o conceito de noiva plural (cada um de nós somados), o conceito de eternidade. Está me parecendo que não. Se for este o caso, estamos mais do que atrasados nesta jornada.

Que venha o noivo.

“Senhor, eu quero ser noiva imaculada e inculpável. Ensina-me a andar por caminhos e decisões que não comprometam a imagem de noiva que está determinada pelo noivo como aceitável. Não ficarei de fora.“

Mário Fernandez

Princípios – A Noiva de Cristo

“Regozijemo-nos! Vamos nos alegrar e dar-lhe glória! Pois chegou a hora do casamento do Cordeiro, e a sua noiva já se aprontou.” (Apocalipse 19:7 )

A gente sempre aproveita o início de ano para revalidar as coisas. Eu não sou muito ligado nestas coisas, mas depois de escrever por dois anos sobre o verdadeiro evangelho como estilo de vida, me senti impelido a mudar o assunto. Eu estive recentemente ministrando a Palavra em um evento no qual meu tema foi “a noiva de Cristo”. A Palavra que Deus me deu mexeu tanto comigo e com os presentes, que entendi no meu espírito ser o tema para este ano. Eu lembro claramente do dia do meu casamento, como se fosse ontem, ainda que já tenha se passado quase 30 anos. Eu não sou mais o mesmo, a esposa também não, vieram os filhos, um dia virão os netos – mas o casamento, as bodas, a celebração, isso não muda na memória de todos que lá estiveram.

Há pontos em comum e pontos distintos, se compararmos as bodas do Cordeiro com um casamento tal como conhecemos. Quero meditar tanto em um como em outro aspecto. O que há de comum é fácil de entender, o que é diferente deve nos preparar. Note o que temos em comum:

  • Há um casal, composto por um noivo e uma noiva.
  • Depois do casamento não serão mais noivos, sua condição mudará.
  • É um momento festivo.
  • Todos acreditam ser “para sempre”.
  • Há convidados, testemunhas e há estranhos.
  • Grandes expectativas de ambas as famílias.

Contudo, há importantes diferenças:

  • A data não é divulgada, embora esteja marcada.
  • A noiva não é exatamente “uma mulher”.
  • O que vem depois não é bem “uma família”.

Mas nada me chama mais a atenção nisso tudo do que o noivo Jesus. Ele já está esperando pacientemente, investiu tudo pela noiva, está muito muito acima dos padrões da noiva, isso para nem comentar do Pai Dele. Temos de concordar que se fosse pela lógica, Ele teria escolhas melhores a fazer, mas pela Graça e favor do Pai, o amor supera a lógica, e a escolha não foi feita pelos critérios que algum de nós usaria.

Quero dedicar minhas próximas meditações a buscar o mais profundo entendimento que puder alcançar sobre este noivado, casamento e participantes. Quero compartilhar as maravilhas que recebi do Pai. Um dia, que creio será breve, não precisaremos mais ter dúvidas ou incertezas – mas quero chegar nele preparado, esclarecido, adequado.

E acima de tudo, mais importante do que qualquer outro aspecto a ser considerado, vamos manter em mente que estamos às portas das bodas. Seja qual for nossa linha teológica sobre arrebatamento, milênio, escatologia – não importa, temos de concordar que breve o noivo virá.

“Senhor, não me permita perder de vista e de foco o mais importante senso de urgência da minha vida neste mundo – o noivo vem, as bodas estão às vésperas.“

Mário Fernandez

Identidade – Vivendo o Evangelho

“Respondeu Maria: ‘Sou serva do Senhor; que aconteça comigo conforme a tua palavra’. Então o anjo a deixou.” (Lucas 1:38)

A maior e pior crise que podemos viver não é nem financeira, nem política, nem institucional – é de identidade. Quando o diabo foi tentar Jesus no deserto foi direto na identidade ao desafiar com “se és filho de Deus”. A carta de Paulo aos Efésios é praticamente um tratado sobre identidade. Esse texto contém uma declaração poderosa sobre identidade – eu sou!

Eu creio sinceramente que é chegado um tempo de deixar de lado os clichês, frases de efeito, repetecos de todo tipo. É tempo de olhar para a Palavra de Deus e ver o que de fato ela diz que somos, assumir nossa identidade e andar para frente como quem sabe quem é. Dias atrás eu vi um filme (coisa rara na minha vida) e o sujeito era herdeiro de uma fortuna mas não sabia, portanto vivia como pobre. Quando descobriu quem era, sua vida mudou. Percebe alguma analogia? Fui sutil demais?

Meu querido e minha querida, chega de sermos o que dizem que devemos ser, de vivermos pela legenda de outros. Sejam nossos lideres sociais, nossos pais, nossos patrões, nossas autoridades e até mesmo nossos pastores. Todos eles podem estar certos ou errados sobre isso, mas não importa, pois não se trata de saber quem está certo e sim O QUE está certo – e sempre será a Palavra de Deus. Eu não estou incentivando rebelião, estou incentivando saber quem é em Deus. Não sugiro discordar de todos, sugiro concordar com Deus. Só que para isso só tem uma forma e trata-se do bom e velho (mas não antiquado) hábito da leitura e meditação na Bíblia.

Maria sabia claramente “sou serva”. Pedro disse claramente “Tu é o Cristo”. Jesus disse “Eu sou”. Paulo se apresentou “chamado para ser apóstolo”. Pedro chegou dizendo “servo e apóstolo”. Acho que não precisamos esticar muito mais isso, o recado está dado.

Mas vem com toda força no meu coração a pergunta “e eu, quem sou?“. Se eu não souber quem sou em Deus, minha vida será uma eterna enrolação sem sentido focada em absolutamente nada. Como se diz na minha terra “cor de burro quando foge não é cor”. Meu querido, em terra de cego que tem um olho só é CAOLHO… Não se deixe iludir, é indispensável saber claramente quem somos. Se for para ficar no genérico “sou servo” ótimo, vivamos como servos. Se for algo mais específico como “chamado para ser” então sejamos, seja lá o que for. Desde que seja de Deus, para Deus e por Deus, porque Dele, por Ele e para Ele são TODAS as coisas.

Eu me nego a conformar minha vida a um molde esquisito, molengo e indefinido que simplesmente não define nada. Quero saber exatamente o que Deus quer de mim e quem sou Nele. Até porque, geralmente sei o que quero Dele.

“Senhor, não aceito andar às escuras, preciso saber claramente minha identidade em Ti. Me ajuda a entender a Tua Palavra para saber e viver de modo alinhado como tudo que Tu queres de mim.“

Mário Fernandez

Enrosco – Vivendo o Evangelho

“Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas! Vocês fecham o Reino dos céus diante dos homens! Vocês mesmos não entram, nem deixam entrar aqueles que gostariam de fazê-lo.” (Mateus 23:13)

Eu sempre li este texto com olhos críticos voltados para os líderes eclesiásticos, assim como esse era também o tom das pregações e mensagens que tenho ouvido sobre ele. O foco é sempre nos líderes que fazem mais mal do que bem, os “servos do inferno” ou “lobos em pele de ovelha”. Não que isso esteja errado ou desalinhado, mas como sempre eu quero mais. Comecei então a meditar e tentar entender como as coisas chegam a este ponto.

Uma pessoa se sente chamada por Deus para ministrar o evangelho, se prepara, faz curso, estuda, aprende, deixa de ter outra carreira, se incomoda cuidando de gente para cumprir seu propósito, na esmagadora maioria tem uma remuneração de medíocre para baixo (se comparado com uma carreira que poderia ter), dificilmente terá mais de uma centena de pessoas ao seu redor, pouquíssimos alcançam a mídia massiva além da Internet… mas afinal, o que deu nessa gente querendo ser “servo de Deus” e ganhar tão pouco? Como as coisas chegam ao ponto em que não entram no Reino nem deixam os outros entrar?

Eu teria de admitir que o espírito de engano é mais poderoso do que posso crer que seja, não vai rolar. Ou eu teria de aceitar que tem pessoas que têm tanta sede de poder que até um grupinho de 20-30 lhe bastam, mas me parece forçado. Ou ainda eu teria que admitir que as pessoas um pouco mais carismáticas consegue dominar sua pequena multidão a qualquer custo e que isso não tem remédio, mas resisto muito à essa ideia. Parecia ser um beco sem saída, quando me lembrei que no começo da minha fé me ensinaram que para estudar a Bíblia é preciso deixar um texto no seu contexto (sim), mas é preciso olhar globalmente à luz dos demais textos (também). Uma coisa não invalida a outra.

Pense comigo por um momento: esses mencionados por Jesus eram os “profissionais da fé” em sua época, tal como hoje temos, por exemplo, mas não exclusivamente os pastores e padres. Muitos absolutamente dignos e bem intencionados, sei disso, mas outros que realmente parecem se encaixar na descrição. Não são fariseus, são pastores. Vivem no século XXI, não no I. O que temos em comum então com os dias de hoje? O POVO. Calma, não vou colocar a culpa no povo, apenas entender o que acontece.

O povo padece por falta de entendimento, erra por não conhecer as Escrituras nem o Poder de Deus. Vemos hoje a cena dos dias de Jesus na Terra com outra roupagem porque o problema essencial é o mesmo. Sempre haverá no meio do povo pessoas, em proporções que podemos discutir, que não se aplicam o suficiente para conhecer a Bíblia, a vontade de Deus, a Revelação, as Escrituras – chame como quiser. Nossos melhores relatos são de quando perseveravam unânimes diariamente em torno da Palavra, ainda que mesmo naqueles dias surgiram problemas.

Minha única conclusão é que estes a quem Jesus repreendeu e os de hoje, correm soltos nas raias da sociedade porque o povo não tem suficiente de Bíblia no sangue, não conhece o Senhor o suficiente para evitar de ser enganado. De quem é a culpa? De ambos, claro. Não vamos eximir a culpa de um líder abusado, nem menosprezar o quanto alguém pode ser influenciado em seu desconhecimento.

A cura portanto, por mais óbvia e repetitiva que nos pareça, é ensinar o nosso povo a aprender. Mais do que pregar, ensinar a lerem a Bíblia. Mais do que consolar, ensinar a buscar consolo nas Escrituras. Mais do que ter razão, mostrar o certo. Isso nunca vai zerar a conta, mas vai permitir que pessoas como as descritas neste texto, sejam mal intencionadas ou apenas hipócritas se auto-iludindo, tenham que se contentar com meia dúzia de gatos pingados.

Aos líderes, e me incluo nisso, lembremos que tem Jeremias 23 em todas as Bíblias e por mais antigo que aquilo seja, os princípios permanecem pois Deus não muda de caráter.

“Senhor, abre meus olhos para eu estar o mais próximo possível de Ti por meio da Tua Palavra, sem engano e sem ser enganado. Eu sou co-herdeiro do Reino dos Céus juntamente com Cristo e quero levar comigo tantos quantos eu possa.“

Mário Fernandez

Memórias e Lembranças

“A memória deixada pelos justos será uma bênção, mas o nome dos ímpios apodrecerá.” (Provérbios 10:7)

Essa época do ano a gente se envolve com diversos memoriais, simbologias, festividades, feriados, viagens, cerimonias. Parece que a vida clica num “pause” esquisito. As pessoas ficam frenéticas se tiverem que trabalhar no dia 25/12 de qualquer ano, como se fossem morrer. Este ano resolvi me dedicar a meditar sobre isso e apontar o que penso, para edificação.

O Natal, sendo ou não sendo em 25/12, tanto faz. A gente não sabe a data, então se for pra comemorar em qualquer um dos 364 dias errados, não me importo que seja esse – principalmente porque creio que se Deus preferisse a data exata ela estaria nas Escrituras. Não gosto do Papai Noel, não curto pinheirinho, raramente compro peru nessa época – mas a data não me incomoda. Eu comemoro o fato, independente da data. Aliás, e em tempo, a única memória que Jesus ordenou foi com respeito a Sua morte e não Seu nascimento, mas vamos em frente.

Tem mito demais no dia 01 de janeiro, as pessoas fazem propósitos como se tivessem renascido, querem emagrecer/estudar/adquirir/prosperar/perdoar como se não houvesse amanhã. Para mim é pura perda de foco, o Senhor voltará como relâmpago, como ladrão, como dores de parto – não porque mudou o ano no calendário. Quem não der conta de ler a Bíblia em um ano que leia em dois, mas leia. Quem não perder os pretendidos quilos até dezembro que continue suando, nenhum dia é bom para infartar. Quem esperou para perdoar já pecou, corre lá e liquida de uma vez. Entenda, a única forma de ter um ano abençoado é vivendo na benção todos os dias do ano não apenas no primeiro de janeiro.

O Carnaval é um feriado bizarro, enorme e mal localizado no calendário, atrapalha tudo e o Brasil só acorda depois do Carnaval da ressaca do reveillon (aliás, eita palavrinha complicada). Se a gente parasse de criticar as barbaridades que acontecem e investisse os demais 360 dias do ano falando do amor de Deus e apresentando um evangelho sincero e verdadeiro, não precisaria combater nada, pois as pessoas entenderiam o princípio.

Os feriados chamados “católicos” tipo “dia de finados” são meramente comemorativos, eu não tenho nada contra eles por si mesmo. Se isso ajuda lembrar de alguma coisa ótimo, memórias ajudam a viver. Desde que o motivo seja biblicamente legal, estou junto, vamos pro feriado. Mas repito – o evangelho verdadeiro se vive todos os dias, as pessoas que amamos tem que ser amadas todos os dias, as pessoas que morrem estão mortas todos os dias. Deus nos ama todos os dias e devemos a Ele um compromisso de santidade – todos os dias.

Os feriados comerciais “dia dos pais” ou “dia das mães” são igualmente legais e importantes para mim, tanto quanto podem ser insuportáveis ou sem nenhuma importância pois trata-se de 1/365 do evangelho que devo viver. Se for para me lembrar da minha mãe somente neste dia fiz uma coisa boa e 364 pecados, o que na minha avaliação é um resultado bem ruim.

O versículo que escolhi para meditar fala da memória do justo. Isso para mim é tudo. No dia em que o Senhor me levar para junto Dele de vez, muito provavelmente haverá um sepultamento e pessoas estarão entristecidas com a notícia. Há possibilidades de arrebatamento coletivo, etc – mas deixemos isso de lado por enquanto. A memória a meu respeito não será marcada pelos Natais, dias de Ano Novo, feriados – nada. Nenhuma data vai influenciar minha memória pois o versículo fala em “justo”, o que não tem relação com data nenhuma mas sim com um caráter, um comportamento, um estilo de vida. Estou investindo em ser lembrado como homem de Deus, faz uns bons anos. Tenho sido abençoado por Deus com 365 oportunidades anuais de fazer isso, as vezes até 366.

Meu querido, se quiser comemorar o Natal e isso não agredir a sua fé, divirta-se. Se isso for contra sua fé, não faça isso, pule a data. Se o tal do Ano Novo te ajuda a viver melhor, faça da melhor maneira. Mas lembre-se dos demais 364. Não sou juiz sobre a vida de ninguém nem tenho autoridade para ficar condenando datas, embora tenho posição e ensino claro sobre as motivações de coisas como “Halloween”, por exemplo.

Te convido, aproveitando esse início de ano, já que para tantas pessoas isso importa. Te convido, a quê? A seguir em frente, a viver para Deus 365 dias por ano, a se santificar um pouco mais, a orar um pouco mais, a meditar na Bíblia um pouco mais, a olhar pelos aflitos, a viver um evangelho digno do Deus que nos chamou – vem aí o noivo!!!

“Senhor, obrigado por cada um dos dias do ano que posso viver contando com Tua Presença, Teu Amor, Tua Glória, Tua Provisão, Teu Cuidado, Tua Salvação… Vai faltar espaço então – OBRIGADO!“