Mário Fernandez

Evangelho é o Poder – A Noiva de Cristo

“Não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê: primeiro do judeu, depois do grego.” (Romanos 1:16 )

Eu venho de uma linha eclesiástica mais tradicional, ou seja o contrário de pentecostal. Naquele tempo se falava e ensinava pouco a respeito do sobrenatural, não por maldade, mas por não ser a ênfase ou o foco. Depois, ao longo da caminhada, acabei indo para uma linha mais carismática, com manifestações de Deus diferentes do início da minha caminhada. Conheci muita gente e muitos grupos nesses 30 anos, alguns bastante extremistas em seus posicionamentos. Poucos e honrosos grupos cativaram meu respeito e minha amizade pelo equilíbrio. Aqui é onde vale a pena meditarmos.

Se o evangelho é o poder de Deus para salvação de quem crer, temos aqui dois lados a serem entendidos, respeitados e cultivados – de forma equilibrada. Temos o poder para salvação (aspecto sobrenatural) e temos o evangelho (anúncio de boas novas, portanto compreensível dentro do natural). O que tem roubado o equilíbrio destes dois lados é justamente a falta de uma compreensão muito simples: uma coisa não invalida a outra, mas complementa. O fato de Deus agir no natural não invalida o sobrenatural e vice-versa. Vemos claramente que, para ser salvo por este poder (evangelho), é preciso crer. Para crer, sabemos que é preciso começar com o entendimento da salvação, mesmo que não plenamente. Ou seja, entendemos na mente e depois isso desce ao coração.

Se assim é para salvação, que é o passo que nos torna legitimamente igreja do Senhor e portanto noiva do Cordeiro, não deve ser diferente em outras frentes do Reino de Deus. Do meu ponto de vista, devemos o tempo todo tratar as coisa de Deus de forma equilibrada, a exemplo da salvação que é totalmente sobrenatural ou espiritual, mas que tem base nas escrituras que são, fundamentalmente, intelectual, portanto, natural.

Quero dizer algo respeitosamente: não precisamos do Espírito Santo para ler a Bíblia, podemos perfeitamente fazer isso sem Ele, desde que sejamos alfabetizados no idioma a ser lido. Estou careca de ver incrédulos lendo e não mudando em nada, bem como imagino (ou suponho) que o diabo saiba mais textos escritos do que nós todos juntos. MAS, precisamos indispensavelmente do Espírito Santo para ter revelação das Escrituras, para que as letras se tornem vida, para que os ensinamentos ali escritos sejam transformados em prática, para que o papel e a tinta se tornem sementes vindas diretamente do trono de Deus, para fluam rios de água viva do nosso interior (João 7:38ss).

Deus age salvando pessoas completamente malucas, perdidas, esquisitas, tatuadas, viciadas, condenadas, amarguradas, rejeitadas. Mas tambem salva caretas, quadrados, comportados, racionais, eticamente retos. Para uns, a salvação se apresenta sobrenaturalmente, para outros racionalmente e isso não compromete em nada o lado natural (está escrito) nem o lado sobrenatural (é por fé). Aliás, a fé é a maior demonstração de equilíbrio que Deus nos ensinou a desenvolver. Temos de ter firme convicção do que não vemos, mas nossa fé se estimula e aumenta quanto mais temos evidências de sua realidade.

A noiva do Cordeiro é formada pelos salvos. O evangelho é o poder de Deus para salvação do que crer. A fé vem pelo ouvir a Palavra. Tudo tende ao equilíbrio entre o natural e o sobrenatural. Não precisa ser no centro ou no meio, mas uma coisa não pode invalidar a outra – isso poderia matar a noiva.

“Senhor, me ajude a encontrar a dose correta de natural x sobrenatural na minha vida, no meu ministério, na minha igreja local. Das coisas mais simples às mais complicadas, quero ser equilibrado.“

Mário Fernandez

Os Excluídos – A Noiva de Cristo

“Todos os anjos estavam de pé ao redor do trono, dos anciãos e dos quatro seres viventes. Eles se prostraram com o rosto em terra diante do trono e adoraram a Deus” (Apocalipse 7:11)

Eu comecei a ler este capítulo como se deve, ou seja, bem do começo. Gente selada para todos os lados, tribos se reunindo, a grande multidão incontável dos salvos – de todas as tribos, nações, povos e línguas. Anjos ao redor do trono, seres celestiais difíceis de descrever, trono. É o cenário do porvir, que nos está prometido e assegurado. Eu sou parte daquela multidão, isso me alegra e me motiva de formas que nem consigo explicar.

Mas o que eu não vi nesse grande encontro foi gente. Seres humanos, convidados, estrangeiros, autoridades, esse tipo de gente. Claro, eles não têm lugar nesse evento, pois é um evento especialmente criado pelo Pai Todo Poderoso para os Seus e não há convites. Não confunda o fato de ter uma multidão incontável com uma esculhambação ou uma dessas nossas festas em que entra qualquer um, mesmo sem ser convidado. Uma leitura, mesmo que rasa do restante do capítulo (principalmente verso 14), nos explica que essa multidão é especificamente de salvos e não de gente que veio para as bodas do Cordeiro como convidado, penetra, invasor, sem-convite, etc.

Eu conheço muito gente que, mesmo sem admitir, pratica uma teologia excessivamente bondosa, na qual Deus, sendo tão amoroso, vai dar um jeito para que no último momento os perdidos tenham algum recurso. Eu sinceramente lamento dizer, e me permitam a clareza necessária, que essa teologia baseada na “lei de Gerson” na qual se precisa levar vantagem em tudo, o jeitinho brasileiro – veio do inferno. Forjado nas chamas da condenação eterna, o entendimento de que vai haver um “jeitinho” só pode sentenciar pessoas ao próprio inferno. É muito claro biblicamente, mesmo para os menos aprofundados, que a condenação é tão real quanto a salvação. As bodas do Cordeiro não tem platéia, não tem convidados, não tem penetras – tem a noiva, tem o noivo, tem os anjos, tem o Trono.

Um dia isso fez sentido na minha vida e me levou a mudar de atitude, em especial no que concerne a minha postura com as demais pessoas. Tento deixar respeitosamente claro, ainda que sem ser muito sutil, que só tem um “caminho, verdade e vida”. Ao afirmarmos e proclamarmos que só Jesus salva, estamos carimbando nosso ticket de ingresso para as bodas do Cordeiro, pois essa confissão (sendo autêntica) é tudo que se necessita para ser parte da noiva.

Por algum motivo que me escapa ao entendimento, pouco ou nada ouço falar sobre isso atualmente. Por onde eu olho vejo gente pregando a palavra, mas parece que a cada dia essa pregação é mais aguada, mais diluída, menos focada no noivo, menos centrada nas Escrituras. Abrir a Bíblia e falar qualquer besteira não conta. É ótimo ler a Bíblia, não me entendam mal. Porém, eu defendo que, ao reunir o povo de Deus, não podemos desperdiçar o silêncio do céu com falta de conteúdo, músicas mal escritas, orações que nada aproveitam, pregações que nada ensinam, coisas que juntas e somadas ainda resultam em zero. Zero para anunciar que as bodas se aproximam, que o noivo está “ansioso” pelo Encontro, que a noiva deve se preprar – e correndo.

Resgatemos o senso de urgência de pregar um evangelho genuíno no qual não se tem medo de falar da salvação – e portanto da condenação. Resgatemos o foco no noivo, nas bodas e nas Escrituras que sobre isso nos ensinam. O tempo está, literalmente, se exaurindo.

“Senhor, não me permita desviar do foco de olhar para Ti como autor e consumador da minha fé, que deve ser o firme fundamento do que não vejo ainda – as bodas do Cordeiro – mas verei, pessoalmente. Me fortalece neste propósito.“

Mário Fernandez

Dedicação – A Noiva de Cristo

“Então, voltou aos seus discípulos e os encontrou dormindo. ‘Vocês não puderam vigiar comigo nem por uma hora?’, perguntou ele a Pedro.” (Mateus 26:40 )

Antes de mais nada, vamos alinhar o contexto deste versículo. Ele não tem qualquer relação com as bodas do Cordeiro, pois se refere a um episódio específico ocorrido na caminhada de Jesus na Terra. Não se faz doutrina em cima de uma coisa como esta, ao menos não sozinha, mas temos um princípio que precisamos aprender com o ocorrido.

Recentemente, ouvi uma palavra abençoada sobre amor e o pregador argumentou sabiamente que quem ama faz 3 investimentos: tempo, dinheiro e oração. Ou seja, aquilo que não merece meu tempo não tem o meu amor. Ao ver este versículo, entendi uma forte ligação com o que Jesus tentou ensinar aos seus então mais próximos. O problema não foi eles terem dormido, mas sim o fato deles não partilharem a importância do momento Dele. Tempo, meu querido, tempo.

Eu dedico tempo diariamente a conhecer melhor o noivo, a entender Seus critérios e desejos, a tentar desesperadamente ouvir Sua voz. O maior problema que vejo na nossa geração é justamente essa falta de dedicação de tempo ao Senhor, numa geração marcada pela pressa, pelo microondas, pela celeridade das coisas, pelos turbos, downloads, etc. Relacionamento não se apressa, tem ritmo próprio, tem exigência de foco e dedicação. E no caso de Jesus, como se dedica tempo?

Parece-me que nosso povo não tem mais o mesmo gosto pela coisa. Não estou dizendo que as gerações passadas eram melhores nisso, afinal se o fossem de fato, o mundo estaria todo evangelizado a estas alturas. Mas nós, nesse tempo, temos muito que aprender e é isso que me interessa. Tempo não se guarda, não se empresta, não se multiplica, nem se administra (seu uso sim). Para alguns é pouco interessante ficar orando, afinal assistir futebol é mais emocionante. Para outros um bom filme prende atenção por horas mas orar por 15 minutos é uma eternidade. O gosto pela coisa vem da prática, da persistência e dos resultados colhidos. Orar funciona, sou prova ambulante disso, minha família prova isso, minha igreja prova isso – tenho certeza absoluta que não sou o único.

Posso gastar tempo com Jesus orando, e isso é fantástico. Aliás, mais do que “posso” eu “devo” fazer isso. Mas preciso cultivar minha santidade, sem a qual ninguém verá o Senhor, e posso fazer isso de várias formas, o que conta como tempo com Ele. Preciso meditar na Palavra Dele, para conhecê-lo, e isso conta como tempo com Ele. Posso abençoar Seus filhos e isso me abençoará também, e vai contar como tempo com Ele e para Ele. Acho que nem preciso continuar. Cada um de nós pode encontrar formas de conviver com Ele e menos com nosso próprio ego, que aliás, nem convidado é para as bodas.

“Senhor, me ensina a focar minha vida de modo que eu encontre tempo para Jesus, de forma que eu consiga mais e mais intimidade. Quero aplicar meu tempo de forma proporcional ao meu amor por Ele.”

Mário Fernandez

O Padrinho – A Noiva de Cristo

“E eu pedirei ao Pai, e ele lhes dará outro Conselheiro para estar com vocês para sempre,” (João 14:16 )

Na nossa cultura ocidental, a cerimônia de casamento tem um certo formato e como parte disso tanto noivo como noiva têm pessoas especiais que são convidadas a participar, não apenas da cerimônia, mas de sua nova vida de casados. Estou me referindo aos “padrinhos”. Sua origem, pelo que pesquisei, remonta ao Concílio de Trento, realizado entre 1545 e 1563. Nesta ocasião, o clero se reuniu para emitir inúmeros decretos dogmáticos sobre a fé e a disciplina da Igreja Católica e, entre outras coisas, criaram o sacramento do matrimônio. Até aquele momento, não havia necessidade de testemunhas para o casamento, o que obviamente gerava uma série de situações. Com o tempo os padrinhos assumiram papeis de preparar cerimônia, escolher presentes, arrumar a noiva. Mas isso é apenas história.

Pense no texto bíblico que escolhi. Mas preste atenção: vou parafrasear, explicar e contar uma história. O noivo precisa se ausentar por um tempo e, em um dos últimos momentos com a noiva, Ele não apenas avisa que vai e volta, mas ainda faz uma promessa. O Pai Dele tomará conta da noiva nesse tempo, para que nada lhe aconteça, para que os preparativos não sejam comprometidos, mas principalmente para que a noiva não se esqueça Dele. Esse “guardador” designado pelo Pai do noivo tem todas as características, conhecimento e capacidades para cumprir esta missão. Não é um guarda-cortas, mas toma conta. Não é um professor, mas ensina. Não é um psicólogo, mas consola. Não é um consultor, mas aconselha. Acho que deu para entender a analogia, não?

Neste caso, imagine o dia do Encontro, da celebração das bodas. O noivo manda chamar Sua noiva, o designado a traz e lhe apresenta. O Pai está presente, o noivo está presente, a noiva se apresenta. Quem traz a noiva, neste caso, cumpre o papel de testemunha, não apenas da celebração mas também do caráter da noiva. Imagine a cena: Ele chega, trazendo a noiva pela mão, apresenta-a ao noivo e faz os maiores elogios, ressaltando seu caráter, santidade, retidão, dedicação, tenacidade, paixão pelo noivo, méritos de comportamento, conta de milhares de situações em que poderia ter desistido e não o fez. Entrega-a ao noivo, como se fosse quem lhes apresentou. Gente, é a cena do padrinho de casamento cumprindo seu papel.

Mais do que uma analogia, quero ressaltar o papel fundamental do Espírito Santo, nosso Conselheiro e Consolador, pois Ele foi designado por Cristo para estar conosco até o dia do Encontro. Ele não é o noivo, mas sim algo como “melhor amigo” ou alguma coisa neste sentido. Partilha da essência dividida do noivo e Seu Pai. Suas ilimitadas capacidades permitem cumprir seu papel. Devemos conhecê-lo, amá-lo, respeitá-lo, obedecê-lo, ouvi-lo, ter um relacionamento amoroso com Ele. Sem trocar de papel com o noivo, mas sem negligenciá-lo.

Sou de uma geração de opostos extremos. Grupos se auto-denominam movidos por Ele como se Jesus nem fosse importante, é a chamada “turma do fogo”. Outros grupos, embora não neguem sua existência, agem como se ele fosse apenas um dos móveis da casa. Sejamos dos que o conhecem e compreendem Seu papel, equilibradamente e focando no alvo. As bodas se aproximam e o “padrinho”, por assim dizer, está agindo poderosa e intensamente para preparar a noiva. Isso é para quem crê, para quem espera e para quem vai chegar lá.

“Senhor, quero compreender e viver em conformidade com a Tua expectativa sobre mim, principalmente na relação com Teu Santo Espírito. Me ensina o equilíbrio, o foco nas bodas, a esperança eterna e principalmente me ensina a Te amar na totalidade daquilo que tens pra mim.“

Mário Fernandez

Esperança – A Noiva de Cristo

“Se é somente para esta vida que temos esperança em Cristo, dentre todos os homens somos os mais dignos de compaixão.” (1 Coríntios 15:19 )

Eu tenho orado por muita gente nas ultimas semanas, o que eu acredito que seja algo que Deus tenha para mim neste tempo da minha vida. Parece que por algum motivo, meus cabelos cada dia mais brancos chamam a atenção de pessoas que se sentem de alguma forma necessitadas de receber uma palavra de oração. Destas, grande parte pede auxilio em oração por família, casamento, filhos, vida financeira, enfermidades. O que todas elas têm em comum é justamente que vieram em busca de algo que lhes renove a esperança.

Eu tenho tentado ensinar que esperança é algo que precisa ser entendido – primeiro porque ela é volátil (se dissipa facilmente), segundo porque sem uma origem ou fonte ela morre ou nem nasce. Pois bem: que tem noção do Corpo de Cristo e das bodas do Cordeiro, tem esperança. E mais, é uma esperança que tem tudo que precisa ter em si mesma.

Primeiramente, temos de lembrar que a noiva está se preparando diariamente e a certeza de que as bodas não serão canceladas é total. Indo além, a noiva deve saber que se algo der errado no casamento não será culpa do noivo nem dos arranjos por Ele providenciados. Isso é suficiente para manter a esperança acesa diariamente, mesmo ante à incerteza do dia das bodas. A esperança baseada numa certeza tão firme, tão clara, tão robustamente confiável, no mínimo é rara.

Depois, lembremos que esta é a esperança terrena (portanto passageira) mais eterna possível pois ela se refere a algo que quando consumado, deverá durar por toda a eternidade. Acredite em mim quando digo que sei do que estou falando – uma esperança em algo que não se sustenta é desesperadoramente volátil, pouco duradoura e seus filhos se chamam “desapontamento” e “decepção”.

Ainda que a esperança um dia, quando consumada, desaparecerá pelo motivo mais singelo possível… tudo será consumado e portanto não haverá mais o que esperar. Olhar portanto para frente, para o alto e para a eternidade, é mais do que uma boa prática; é uma necessidade para manutenção da esperança.

Podemos usar desta esperança para aplacar nosso desespero, angústia, ansiedade, mazelas emocionais, enfim tudo que torna nossa vida na Terra em algo doloroso – mas isso é miseravelmente pequeno, mesquinho e ineficiente. A esperança que dura e que traz cura é aquela que aponta para a eternidade – e esta está reservada para os que esperam em Cristo pelo dia do Grande Encontro…

Meu querido, olhe para as Escrituras e intencionalmente busque em sua meditação e aprendizado compreender a eternidade que nos espera a partir das bodas do Cordeiro. Isso vai te animar e te dar esperança, do que tipo que não merece compaixão, nas palavras do irmão Paulo de Tarso. Junte-se a mim e vamos focar nossos esforços na eternindade.

“Senhor, me ajuda e manter minha perspectiva apontada para Cristo e a reunião com Sua noiva – a igreja. Não permita que meus pensamentos, olhares e foco me levem para fora deste objetivo.“

Mário Fernandez

O Sogro – A Noiva de Cristo

“Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.” (João 3:16)

Nem todo casamento tem um sogro, ao menos presente, considerando que há pessoas que se casam e cujo pai já tenha falecido ou seja desconhecido. Ainda assim, o sogro tem um papel a desempenhar. No caso do pai da noiva, a tradição é de que este conduza a noiva e a entregue ao noivo (aliás, para aqueles que como eu são pais de meninas, a cena tende a causar calafrios/falta de ar/taquicardia). O pai do noivo habitualmente tem um papel menos saliente, mas sua presença imponente ali empresta seriedade à cerimônia. Mas eu gostaria de meditar no papel do sogro fora da cerimônia. Pensemos juntos no que vem antes, talvez nos dias que antecedem mais imediatamente à cerimônia.

Me recordo das conversas com meu pai e com meu sogro na época do meu casamento e fico pensando se foi assim com todo mundo. Havia explicações, declarações de intenções, planos e sonhos, algumas discussões, detalhes do casamento, lista de convidados, prestação de contas sobre onde ia morar e como ia viver, diversos alinhamentos sobre a vida de casado e sua relação com os pais. A decisão já estava tomada, as pessoas estavam escolhidas, os lugares determinados, os convites impressos, as fotos contratadas – e ainda assim foram conversas e mais conversas, com ambos os pais, meu e dela.

Agora imaginemos as bodas do Cordeira. Percebe quem é O Sogro? Fico imaginando a prestação de contas da noiva para este Sogro, falando de seu caráter e seus méritos. Imagino o Pai do Noivo ouvindo os questionamentos e pedidos da noiva. Claro, estou usando uma figura de linguagem pois estamos falando do Todo Poderoso que sabe todas as coisas e não precisa de qualquer explicação, o que aliás complica sobremodo esta conversa. O Pai do Noivo não pode ser enrolado, não se pode mentir para Ele, não se pode pedir um tempo para pensar, tudo está exposto e claramente visível. Para completar, Ele está ouvindo atentamente o que a noiva tem a dizer nas vésperas do casamento.

Se nos apercebermos do fato de que nós, a igreja na Terra, somos a noiva do Cordeiro e sabemos quem é o Pai Dele, temos de mudar de atitude. Temos de melhorar nosso caráter, temos de “impressionar” um pouco mais o sogro, temos de aumentar o mérito e a apreciação não pela nossa pessoa em si (somos alvo do Seu amor eterno) mas me refiro à nossa conduta, nossa essência, nossos atos.

Eu não consigo me imaginar chegando diante do Pai do Noivo e, ao me receber, Ele me dizendo “pois bem, vamos conversar”. Me faz perder o fôlego. Ou vamos melhorar nossa pontuação, por assim dizer, ou vamos passar vergonha. A Bíblia nos diz que Ele amou a noiva a tal ponto que permitiu Seu Filho sofrer, ser humilhado, morrer. Por amor a nós, disponível para todo aquele que crer. Consegue imaginar uma conversa com este Pai? Melhor começar a imaginar porque o dia se aproxima e não há como desviar desse compromisso.

“Senhor, me ajuda a viver cada um dos meus dias me preparando para o grande encontro com o Noivo, para viver a eternidade de modo digno do amor com que Ele me amou. Obrigado por todas as vezes que o Senhor me alertou sobre isso.“

Mário Fernandez

O Noivo – A Noiva de Cristo

“Maridos, amem suas mulheres, assim como Cristo amou a igreja e entregou-se a si mesmo por ela para santificá-la, tendo-a purificado pelo lavar da água mediante a palavra,” (Efésios 5:25,26)

Num casamento os dois personagens principais são a noiva e o noivo, variando em importância e glamour de cultura para cultura. Aqui no Brasil, pelo menos por onde eu tenho ido e testemunhado, a noiva sempre chama mais atenção com entrada, vestido, daminhas, flores, bouquê, etc. Embora que casamento com noiva vestida de branco tem sido cada vez mais escasso… Mas nas bodas do Cordeiro, será diferente – noivo é quem brilha e quem terá toda atenção.

Talvez para algumas pessoas, e me refiro principalmente dentro das nossas congregações locais, a figura do noivo se dissipou. Temos um Jesus no presépio, temos o homem da cruz, temos o personagem histórico que está mais para andarilho de Israel, temos aquele cujo nome serve de ponto para nossas orações (as vezes vírgula), temos algumas músicas falando Dele (cada vez menos inclusive, antes que me esqueça). Mas este não é o noivo.

O noivo deu a vida pela noiva de forma voluntária e dolorosa, não foi algo nem fácil de fazer nem simples de entender. Se tem uma coisa que Jesus não é mais é o homem da cruz, pois venceu a morte – embora tenha passado pela cruz. Ele não é a virgula de nossas orações, Ele é o Alpha e o Omega, o princípio e o fim. O casamento dos nossos dias nasce com a possibilidade “direito assegurado” de desfazer se não der certo, mesmo com motivo fútil. O noivo de hoje olha para a noiva como sua futura ex-esposa com grande naturalidade. Não raras vezes já nem é a primeira noiva de sua vida. O Cordeiro não é assim, Ele deu a vida por essa noiva e fará de tudo por ela.

Não podemos deixar de lembrar quem é O noivo. Faça uma pequena pausa e leia Filipenses 2:6-11 para saber de quem estamos falando.

“que, embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens. E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até à morte, e morte de cruz! Por isso Deus o exaltou à mais alta posição e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, no céu, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai.”

Simplesmente o Rei dos Reis, Senhor dos Senhores, diante do qual todo joelho se dobrará – inclusive o da noiva. Curvar-se representa submissão, sujeição, obediência, respeito, reverência, humilhação, comfiança. Meu querido, cabe sim à noiva do Cordeiro se curvar de joelhos diante Dele. Deve a vida a Ele que se entregou por ela. Foi preciso que Ele morresse para garantir o casamento, então Ele morreu.

Saber quem é o noivo muda o comportamento da noiva, com certeza. Meus filhos, a esta altura, ainda são solteiros, mas ambos são adultos. Ensinei-os durante toda vida sobre a seriedade e importância do casamento. Testemunharam familias se formando e desmoronando e em cada oportunidade que tive, procurei esclarecer como as coisas realmente são e como devem ser. Se a igreja de nossos dias atentar aos ensinos de tantos anos, será uma noiva melhor, pois não merece nem de perto o noivo q quem ela foi prometida – Ele está num padrão muito muito acima do que jamais poderá ser alcançado. Acordemos para isso.

“Senhor, me ajuda a entender a superioridade do Noivo e conduzir minha vida de forma adequada, recíproca e respeitosa. Nunca poderei pagar ou compensar o amor que Ele teve por mim, morrendo em meu lugar – mas tem muito que devo fazer.“

Mário Fernandez

Prometida – A Noiva de Cristo

“Foi assim o nascimento de Jesus Cristo: Maria, sua mãe, estava prometida em casamento a José, mas, antes que se unissem, achou-se grávida pelo Espírito Santo.” (Mateus 1:18)

A história de Maria é admirável e a despeito do fato da teologia protestante não reconhecer tanto valor quanto é dado pela teologia católica, eu como servo de Deus me sinto em débito com essa moça chamada Maria. Biblicamente falando, Maria foi considerada bem-aventurada, o que foi para poucos, menos ainda com recado dado diretamente por uma anjo graduado do Reino. Mas nada me admira mais do que o fato de que, embora José tenha intentado desistir do casamento por causa de uma gravidez que não era sua, Maria não o fez – ao menos segundo os registros bíblicos, provavelmente porque sua convicção no recado do anjo era total.

Esse atributo me chamou a atenção – Maria estava prometida em casamento, portanto dela se esperavam algumas ações e atitudes. Onde estavam seus pais nessa altura da história? Com quem ela vivia? Que idade ela teria? Que tipo de vestimenta utilizava? Havia algum símbolo visível de seu compromisso como hoje temos a aliança? Como ela conheceu José? Quem a prometeu em casamento, foram eles que se apaixonaram ou foi arranjo familiar? Não sabemos ao certo nada disso, pelo menos não de base bíblica, mas uma coisa sabemos – estava prometida e levou isso a sério.

Enquanto hoje a noiva do Cordeiro vive sua vida como bem entende, os aspectos que são valorizados são justamente estes. A igreja de nossos dias defende sua denominação, valoriza seus ministérios, administra seus recursos, melhora sua infra-estrutura, decora seus prédios, divulga seus programas. Nada disso é ruim e nem está errado, mas isso só responde as perguntas anteriores, não necessariamente demonstra o compromisso com o noivo.

Demonstramos muito mais compromisso ao dizer um “não” do que qualquer outra atitude. Não aceitar uma vantagem indevida de um político (trocar voto por asfalto), não operar à margem da legalidade (o número de congregações que se reúnem sem alvará me assusta), declarando corretamente seus impostos (embora a igreja não pague precisa contabilizar), não se misturando (alguns eventos públicos me deixaram de orelha em pé). Compromisso exige promessa que exige restrição. Pior do que sermos teologicamente fracos ou com uma liderança pouco expressiva ou nossos músicos não serem tudo aquilo. Pior do que tudo isso é não saber a quem fomos prometidos e no que isso implica.

Quando prometi para minha namorada que me casaria com ela tomei providencias – um par de alianças, comecei a guardar dinheiro, procurei locais para festa, lugar para morar depois de casado, pensei nos padrinhos, conversei com meus pais e com os dela. Se estamos de fato prometidos ao Cordeiro, Ele é quem tomará as providencias, é verdade, mas nós devemos corresponder em compromisso.

Avaliemos nossa vida, nossas decisões, nosso “sim” e nosso “não” para ver se estamos de fato vivendo como quem está comprometido com o casamento, ou se estamos mais para uma menina irresponsável fazendo despedida de solteiro, noite após noite, se embriagando com o vinho deste mundo.

“Senhor, me ensina urgentemente a ver onde estou falhando em viver e demonstrar meu compromisso como noiva do Cordeiro. Eu preciso mudar onde for preciso e não vou conseguir sozinho. Sei que o noivo se aproxima.“