Mário Fernandez

O Padrinho – A Noiva de Cristo

“E eu pedirei ao Pai, e ele lhes dará outro Conselheiro para estar com vocês para sempre,” (João 14:16 )

Na nossa cultura ocidental, a cerimônia de casamento tem um certo formato e como parte disso tanto noivo como noiva têm pessoas especiais que são convidadas a participar, não apenas da cerimônia, mas de sua nova vida de casados. Estou me referindo aos “padrinhos”. Sua origem, pelo que pesquisei, remonta ao Concílio de Trento, realizado entre 1545 e 1563. Nesta ocasião, o clero se reuniu para emitir inúmeros decretos dogmáticos sobre a fé e a disciplina da Igreja Católica e, entre outras coisas, criaram o sacramento do matrimônio. Até aquele momento, não havia necessidade de testemunhas para o casamento, o que obviamente gerava uma série de situações. Com o tempo os padrinhos assumiram papeis de preparar cerimônia, escolher presentes, arrumar a noiva. Mas isso é apenas história.

Pense no texto bíblico que escolhi. Mas preste atenção: vou parafrasear, explicar e contar uma história. O noivo precisa se ausentar por um tempo e, em um dos últimos momentos com a noiva, Ele não apenas avisa que vai e volta, mas ainda faz uma promessa. O Pai Dele tomará conta da noiva nesse tempo, para que nada lhe aconteça, para que os preparativos não sejam comprometidos, mas principalmente para que a noiva não se esqueça Dele. Esse “guardador” designado pelo Pai do noivo tem todas as características, conhecimento e capacidades para cumprir esta missão. Não é um guarda-cortas, mas toma conta. Não é um professor, mas ensina. Não é um psicólogo, mas consola. Não é um consultor, mas aconselha. Acho que deu para entender a analogia, não?

Neste caso, imagine o dia do Encontro, da celebração das bodas. O noivo manda chamar Sua noiva, o designado a traz e lhe apresenta. O Pai está presente, o noivo está presente, a noiva se apresenta. Quem traz a noiva, neste caso, cumpre o papel de testemunha, não apenas da celebração mas também do caráter da noiva. Imagine a cena: Ele chega, trazendo a noiva pela mão, apresenta-a ao noivo e faz os maiores elogios, ressaltando seu caráter, santidade, retidão, dedicação, tenacidade, paixão pelo noivo, méritos de comportamento, conta de milhares de situações em que poderia ter desistido e não o fez. Entrega-a ao noivo, como se fosse quem lhes apresentou. Gente, é a cena do padrinho de casamento cumprindo seu papel.

Mais do que uma analogia, quero ressaltar o papel fundamental do Espírito Santo, nosso Conselheiro e Consolador, pois Ele foi designado por Cristo para estar conosco até o dia do Encontro. Ele não é o noivo, mas sim algo como “melhor amigo” ou alguma coisa neste sentido. Partilha da essência dividida do noivo e Seu Pai. Suas ilimitadas capacidades permitem cumprir seu papel. Devemos conhecê-lo, amá-lo, respeitá-lo, obedecê-lo, ouvi-lo, ter um relacionamento amoroso com Ele. Sem trocar de papel com o noivo, mas sem negligenciá-lo.

Sou de uma geração de opostos extremos. Grupos se auto-denominam movidos por Ele como se Jesus nem fosse importante, é a chamada “turma do fogo”. Outros grupos, embora não neguem sua existência, agem como se ele fosse apenas um dos móveis da casa. Sejamos dos que o conhecem e compreendem Seu papel, equilibradamente e focando no alvo. As bodas se aproximam e o “padrinho”, por assim dizer, está agindo poderosa e intensamente para preparar a noiva. Isso é para quem crê, para quem espera e para quem vai chegar lá.

“Senhor, quero compreender e viver em conformidade com a Tua expectativa sobre mim, principalmente na relação com Teu Santo Espírito. Me ensina o equilíbrio, o foco nas bodas, a esperança eterna e principalmente me ensina a Te amar na totalidade daquilo que tens pra mim.“

Mário Fernandez

Esperança – A Noiva de Cristo

“Se é somente para esta vida que temos esperança em Cristo, dentre todos os homens somos os mais dignos de compaixão.” (1 Coríntios 15:19 )

Eu tenho orado por muita gente nas ultimas semanas, o que eu acredito que seja algo que Deus tenha para mim neste tempo da minha vida. Parece que por algum motivo, meus cabelos cada dia mais brancos chamam a atenção de pessoas que se sentem de alguma forma necessitadas de receber uma palavra de oração. Destas, grande parte pede auxilio em oração por família, casamento, filhos, vida financeira, enfermidades. O que todas elas têm em comum é justamente que vieram em busca de algo que lhes renove a esperança.

Eu tenho tentado ensinar que esperança é algo que precisa ser entendido – primeiro porque ela é volátil (se dissipa facilmente), segundo porque sem uma origem ou fonte ela morre ou nem nasce. Pois bem: que tem noção do Corpo de Cristo e das bodas do Cordeiro, tem esperança. E mais, é uma esperança que tem tudo que precisa ter em si mesma.

Primeiramente, temos de lembrar que a noiva está se preparando diariamente e a certeza de que as bodas não serão canceladas é total. Indo além, a noiva deve saber que se algo der errado no casamento não será culpa do noivo nem dos arranjos por Ele providenciados. Isso é suficiente para manter a esperança acesa diariamente, mesmo ante à incerteza do dia das bodas. A esperança baseada numa certeza tão firme, tão clara, tão robustamente confiável, no mínimo é rara.

Depois, lembremos que esta é a esperança terrena (portanto passageira) mais eterna possível pois ela se refere a algo que quando consumado, deverá durar por toda a eternidade. Acredite em mim quando digo que sei do que estou falando – uma esperança em algo que não se sustenta é desesperadoramente volátil, pouco duradoura e seus filhos se chamam “desapontamento” e “decepção”.

Ainda que a esperança um dia, quando consumada, desaparecerá pelo motivo mais singelo possível… tudo será consumado e portanto não haverá mais o que esperar. Olhar portanto para frente, para o alto e para a eternidade, é mais do que uma boa prática; é uma necessidade para manutenção da esperança.

Podemos usar desta esperança para aplacar nosso desespero, angústia, ansiedade, mazelas emocionais, enfim tudo que torna nossa vida na Terra em algo doloroso – mas isso é miseravelmente pequeno, mesquinho e ineficiente. A esperança que dura e que traz cura é aquela que aponta para a eternidade – e esta está reservada para os que esperam em Cristo pelo dia do Grande Encontro…

Meu querido, olhe para as Escrituras e intencionalmente busque em sua meditação e aprendizado compreender a eternidade que nos espera a partir das bodas do Cordeiro. Isso vai te animar e te dar esperança, do que tipo que não merece compaixão, nas palavras do irmão Paulo de Tarso. Junte-se a mim e vamos focar nossos esforços na eternindade.

“Senhor, me ajuda e manter minha perspectiva apontada para Cristo e a reunião com Sua noiva – a igreja. Não permita que meus pensamentos, olhares e foco me levem para fora deste objetivo.“

Mário Fernandez

O Sogro – A Noiva de Cristo

“Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.” (João 3:16)

Nem todo casamento tem um sogro, ao menos presente, considerando que há pessoas que se casam e cujo pai já tenha falecido ou seja desconhecido. Ainda assim, o sogro tem um papel a desempenhar. No caso do pai da noiva, a tradição é de que este conduza a noiva e a entregue ao noivo (aliás, para aqueles que como eu são pais de meninas, a cena tende a causar calafrios/falta de ar/taquicardia). O pai do noivo habitualmente tem um papel menos saliente, mas sua presença imponente ali empresta seriedade à cerimônia. Mas eu gostaria de meditar no papel do sogro fora da cerimônia. Pensemos juntos no que vem antes, talvez nos dias que antecedem mais imediatamente à cerimônia.

Me recordo das conversas com meu pai e com meu sogro na época do meu casamento e fico pensando se foi assim com todo mundo. Havia explicações, declarações de intenções, planos e sonhos, algumas discussões, detalhes do casamento, lista de convidados, prestação de contas sobre onde ia morar e como ia viver, diversos alinhamentos sobre a vida de casado e sua relação com os pais. A decisão já estava tomada, as pessoas estavam escolhidas, os lugares determinados, os convites impressos, as fotos contratadas – e ainda assim foram conversas e mais conversas, com ambos os pais, meu e dela.

Agora imaginemos as bodas do Cordeira. Percebe quem é O Sogro? Fico imaginando a prestação de contas da noiva para este Sogro, falando de seu caráter e seus méritos. Imagino o Pai do Noivo ouvindo os questionamentos e pedidos da noiva. Claro, estou usando uma figura de linguagem pois estamos falando do Todo Poderoso que sabe todas as coisas e não precisa de qualquer explicação, o que aliás complica sobremodo esta conversa. O Pai do Noivo não pode ser enrolado, não se pode mentir para Ele, não se pode pedir um tempo para pensar, tudo está exposto e claramente visível. Para completar, Ele está ouvindo atentamente o que a noiva tem a dizer nas vésperas do casamento.

Se nos apercebermos do fato de que nós, a igreja na Terra, somos a noiva do Cordeiro e sabemos quem é o Pai Dele, temos de mudar de atitude. Temos de melhorar nosso caráter, temos de “impressionar” um pouco mais o sogro, temos de aumentar o mérito e a apreciação não pela nossa pessoa em si (somos alvo do Seu amor eterno) mas me refiro à nossa conduta, nossa essência, nossos atos.

Eu não consigo me imaginar chegando diante do Pai do Noivo e, ao me receber, Ele me dizendo “pois bem, vamos conversar”. Me faz perder o fôlego. Ou vamos melhorar nossa pontuação, por assim dizer, ou vamos passar vergonha. A Bíblia nos diz que Ele amou a noiva a tal ponto que permitiu Seu Filho sofrer, ser humilhado, morrer. Por amor a nós, disponível para todo aquele que crer. Consegue imaginar uma conversa com este Pai? Melhor começar a imaginar porque o dia se aproxima e não há como desviar desse compromisso.

“Senhor, me ajuda a viver cada um dos meus dias me preparando para o grande encontro com o Noivo, para viver a eternidade de modo digno do amor com que Ele me amou. Obrigado por todas as vezes que o Senhor me alertou sobre isso.“

Mário Fernandez

O Noivo – A Noiva de Cristo

“Maridos, amem suas mulheres, assim como Cristo amou a igreja e entregou-se a si mesmo por ela para santificá-la, tendo-a purificado pelo lavar da água mediante a palavra,” (Efésios 5:25,26)

Num casamento os dois personagens principais são a noiva e o noivo, variando em importância e glamour de cultura para cultura. Aqui no Brasil, pelo menos por onde eu tenho ido e testemunhado, a noiva sempre chama mais atenção com entrada, vestido, daminhas, flores, bouquê, etc. Embora que casamento com noiva vestida de branco tem sido cada vez mais escasso… Mas nas bodas do Cordeiro, será diferente – noivo é quem brilha e quem terá toda atenção.

Talvez para algumas pessoas, e me refiro principalmente dentro das nossas congregações locais, a figura do noivo se dissipou. Temos um Jesus no presépio, temos o homem da cruz, temos o personagem histórico que está mais para andarilho de Israel, temos aquele cujo nome serve de ponto para nossas orações (as vezes vírgula), temos algumas músicas falando Dele (cada vez menos inclusive, antes que me esqueça). Mas este não é o noivo.

O noivo deu a vida pela noiva de forma voluntária e dolorosa, não foi algo nem fácil de fazer nem simples de entender. Se tem uma coisa que Jesus não é mais é o homem da cruz, pois venceu a morte – embora tenha passado pela cruz. Ele não é a virgula de nossas orações, Ele é o Alpha e o Omega, o princípio e o fim. O casamento dos nossos dias nasce com a possibilidade “direito assegurado” de desfazer se não der certo, mesmo com motivo fútil. O noivo de hoje olha para a noiva como sua futura ex-esposa com grande naturalidade. Não raras vezes já nem é a primeira noiva de sua vida. O Cordeiro não é assim, Ele deu a vida por essa noiva e fará de tudo por ela.

Não podemos deixar de lembrar quem é O noivo. Faça uma pequena pausa e leia Filipenses 2:6-11 para saber de quem estamos falando.

“que, embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens. E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até à morte, e morte de cruz! Por isso Deus o exaltou à mais alta posição e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, no céu, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai.”

Simplesmente o Rei dos Reis, Senhor dos Senhores, diante do qual todo joelho se dobrará – inclusive o da noiva. Curvar-se representa submissão, sujeição, obediência, respeito, reverência, humilhação, comfiança. Meu querido, cabe sim à noiva do Cordeiro se curvar de joelhos diante Dele. Deve a vida a Ele que se entregou por ela. Foi preciso que Ele morresse para garantir o casamento, então Ele morreu.

Saber quem é o noivo muda o comportamento da noiva, com certeza. Meus filhos, a esta altura, ainda são solteiros, mas ambos são adultos. Ensinei-os durante toda vida sobre a seriedade e importância do casamento. Testemunharam familias se formando e desmoronando e em cada oportunidade que tive, procurei esclarecer como as coisas realmente são e como devem ser. Se a igreja de nossos dias atentar aos ensinos de tantos anos, será uma noiva melhor, pois não merece nem de perto o noivo q quem ela foi prometida – Ele está num padrão muito muito acima do que jamais poderá ser alcançado. Acordemos para isso.

“Senhor, me ajuda a entender a superioridade do Noivo e conduzir minha vida de forma adequada, recíproca e respeitosa. Nunca poderei pagar ou compensar o amor que Ele teve por mim, morrendo em meu lugar – mas tem muito que devo fazer.“

Mário Fernandez

Prometida – A Noiva de Cristo

“Foi assim o nascimento de Jesus Cristo: Maria, sua mãe, estava prometida em casamento a José, mas, antes que se unissem, achou-se grávida pelo Espírito Santo.” (Mateus 1:18)

A história de Maria é admirável e a despeito do fato da teologia protestante não reconhecer tanto valor quanto é dado pela teologia católica, eu como servo de Deus me sinto em débito com essa moça chamada Maria. Biblicamente falando, Maria foi considerada bem-aventurada, o que foi para poucos, menos ainda com recado dado diretamente por uma anjo graduado do Reino. Mas nada me admira mais do que o fato de que, embora José tenha intentado desistir do casamento por causa de uma gravidez que não era sua, Maria não o fez – ao menos segundo os registros bíblicos, provavelmente porque sua convicção no recado do anjo era total.

Esse atributo me chamou a atenção – Maria estava prometida em casamento, portanto dela se esperavam algumas ações e atitudes. Onde estavam seus pais nessa altura da história? Com quem ela vivia? Que idade ela teria? Que tipo de vestimenta utilizava? Havia algum símbolo visível de seu compromisso como hoje temos a aliança? Como ela conheceu José? Quem a prometeu em casamento, foram eles que se apaixonaram ou foi arranjo familiar? Não sabemos ao certo nada disso, pelo menos não de base bíblica, mas uma coisa sabemos – estava prometida e levou isso a sério.

Enquanto hoje a noiva do Cordeiro vive sua vida como bem entende, os aspectos que são valorizados são justamente estes. A igreja de nossos dias defende sua denominação, valoriza seus ministérios, administra seus recursos, melhora sua infra-estrutura, decora seus prédios, divulga seus programas. Nada disso é ruim e nem está errado, mas isso só responde as perguntas anteriores, não necessariamente demonstra o compromisso com o noivo.

Demonstramos muito mais compromisso ao dizer um “não” do que qualquer outra atitude. Não aceitar uma vantagem indevida de um político (trocar voto por asfalto), não operar à margem da legalidade (o número de congregações que se reúnem sem alvará me assusta), declarando corretamente seus impostos (embora a igreja não pague precisa contabilizar), não se misturando (alguns eventos públicos me deixaram de orelha em pé). Compromisso exige promessa que exige restrição. Pior do que sermos teologicamente fracos ou com uma liderança pouco expressiva ou nossos músicos não serem tudo aquilo. Pior do que tudo isso é não saber a quem fomos prometidos e no que isso implica.

Quando prometi para minha namorada que me casaria com ela tomei providencias – um par de alianças, comecei a guardar dinheiro, procurei locais para festa, lugar para morar depois de casado, pensei nos padrinhos, conversei com meus pais e com os dela. Se estamos de fato prometidos ao Cordeiro, Ele é quem tomará as providencias, é verdade, mas nós devemos corresponder em compromisso.

Avaliemos nossa vida, nossas decisões, nosso “sim” e nosso “não” para ver se estamos de fato vivendo como quem está comprometido com o casamento, ou se estamos mais para uma menina irresponsável fazendo despedida de solteiro, noite após noite, se embriagando com o vinho deste mundo.

“Senhor, me ensina urgentemente a ver onde estou falhando em viver e demonstrar meu compromisso como noiva do Cordeiro. Eu preciso mudar onde for preciso e não vou conseguir sozinho. Sei que o noivo se aproxima.“

Mário Fernandez

Características da Noiva de Cristo

“E eu lhe digo que você é Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do Hades não poderão vencê-la.” (Mateus 16:18)

Estudando o perfil da igreja como noiva de Cristo, a primeira característica que me chamou a atenção foi neste texto, considerado por muitos estudiosos como a primeira menção bíblica da igreja. Uma declaração de Simão, a partir de então chamado de Pedro, anuncia pela primeira vez que o grupo de “chamados para fora” teria esta característica – vitorioso.

Primeiro de tudo precisamos entender que historicamente o termo “igreja” era conhecido na época, embora não no conceito que temos hoje. As pessoas se reuniam em determinados locais para deliberar assuntos que hoje chamamos de políticos, em uma espécia de assembléia. Estas pessoas saíam de suas casas e, por vezes, até mesmo dos limites da cidade, para estas assembleias. Daí vem o termo ekklesia, que foi traduzido como igreja. Jesus então usa este termo, conhecido, dando a ele um novo significado que aponta para outro tipo de assembléia, não mais para discutir assuntos da cidade mas para ser a sua própria assembléia – minha igreja, meu povo chamado para fora.

Temos de entender que uma das características da verdadeira igreja é sua vitória sobre o Hades, o abismo, o inferno. Um grupo de pessoas que se reúne para cantar, ler a Bíblia, meditar nas Escrituras, divulgar o Reino de Deus, fazer ação social, fazer artes, ajudar os carentes – pode não ser necessariamente a melhor expressão do que é a igreja de Cristo, ou que deveria ser. Um grupo de pessoas que se reúne para derrotar as portas do inferno, este sim, manifesta a identidade da noiva do Cordeiro, independentemente de como o façam ou quantos sejam.

Mas então, como se vence as portas do inferno? Eu admito uma série de coisas como válidas, mas destaco:

  • Sendo verdadeiro, pois a mentira vem do inferno
  • Não sendo materialista, pois o amor ao dinheiro é a raiz do mal
  • Atendendo aos pobres, pois esta é a verdadeira religião
  • Vivendo por fé, sem a qual é impossível agradar a Deus
  • Vivendo em santidade, sem a qual ninguém verá o Senhor
  • Sendo justo, para ter herança
  • Tendo bom testemunho, para o Senhor acrescentar os salvos
  • Obedecendo os mandamentos, para ser amado Dele
  • Indo por todo o mundo, para ser obediente
  • Orando pelos doentes, para expressar sua fé

Eu poderia continuar, mas este espaço não é uma aula de teologia, é uma meditação devocional. Pensemos, meditemos, oremos: estamos mais para um grupo na terra ou para a verdadeira igreja, ante aos fatos bíblicos? A lista acima tem para cada item um versículo de base, embora não esteja citado.

Se queremos ser de fato noiva do Cordeiro, preparados para as bodas, creio sinceramente ser a hora de renovar nossos votos, refazer nossos passos e buscar nossa identidade. Sabemos o que fazer.

“Senhor, me ensina a viver e decidir como andar neste mundo de modo a ser e fazer aquilo que mais reflete o meu compromisso com Jesus. Isso fará de mim mais igreja do que jamais fui, e eu preciso disso.“

Mário Fernandez

Expectativas – A Noiva de Cristo

“e apresentá-la a si mesmo como igreja gloriosa, sem mancha nem ruga ou coisa semelhante, mas santa e inculpável.” (Efésios 5:27 )

Todo casamento começa com um casal que pretende viver junto, tem planos de futuro, tem objetivos para alcançar, tem ideias preparadas. Na cultura ocidental que estamos acostumados, todo casal se conhece antes de casar, via de regra se relacionam mais superficialmente por um tempo antes de casar – ou seja, não se casam dois estranhos no momento em que se conhecem. Como eu disse – via de regra.

As bodas do Cordeiro são descritas na Bíblia como a reunião final de Cristo (o noivo) com a sua igreja (noiva) por quem sacrificou Sua vida, venceu a morte, conquistou o Trono Eterno que lhe era devido. Mas, a não ser que seja muito, muito diferente do que conhecemos, todo noivo espera algo de sua noiva e eu creio que o Senhor (noivo) não deve ser muito diferente.

Em um casamento terreno o noivo espera de sua noiva que esta seja bonita (aos seus critérios de beleza), fiel, carinhosa, atenciosa, zelosa, caprichosa, asseada, boa mãe. Em algumas conjunturas deve ser boa dona de casa, sabendo cozinhar, costurar, limpar, organizar – em outras ela terá sua carreira profissional e deverá ser competente, prosperar, crescer. Esporadicamente, ouço de casais que não desejam voluntariamente ter filhos, então esterilidade não é uma opção comum, ao menos não intencionalmente. A parte sexual do relacionamento é também considerada muito importante para ambos. Mas, e nas bodas do Cordeiro?

O versículo escolhido nos mostra pelas palavras do Apóstolo Paulo que a expectativa é de uma noiva (igreja) gloriosa – sinônimo para brilhante, radiante, reluzente, esplendorosa. Sem mancha – sem pecado, sem defeito, sem cicatrizes, sem remendos. Sem ruga – sem defeitos naturais, sem desgaste, sem sinais de cansaço. Santa – sem pecado, sem maldade, sem falhas de caráter, separada desse mundo. Inculpável – não creio que precise explicar.

O problema é que embora tudo isso sejam conceitos muito simples e fáceis de entender, não é assim que vejo a noiva de nossos dias. De uma maneira geral, com exceções em algum aspecto para lá ou para cá, me parece que a noiva de hoje é mundana, pouco dedicada, não está se perfumando para as bodas, acumula rugas e defeitos e pouco ou nada está se preparando. Ou seja, está vivendo a vida de solteira como se o casamento não fosse chegar nunca, ou se fosse possível consertar tudo em cima da hora. Isso é, no mínimo, preocupante, pois o noivo deixou claro como quer e Ele é a autoridade nesta situação. Ou seja, não é a noiva que chegará na hora e dirá “se quiser é assim”.

Permita-me ser bem claro: ou essa noiva de hoje se organiza na vida, muda de atitude, toma rumo de quem está comprometida – ou vai ser barrada do lado de fora. E não se iluda: a festa continua, independentemente de quem esteja do lado de fora, pois, certamente, haverá casamento SIM.

Às vezes me pergunto se as pessoas de nossas congregações locais entendem o conceito de ficar de fora, o conceito de noiva plural (cada um de nós somados), o conceito de eternidade. Está me parecendo que não. Se for este o caso, estamos mais do que atrasados nesta jornada.

Que venha o noivo.

“Senhor, eu quero ser noiva imaculada e inculpável. Ensina-me a andar por caminhos e decisões que não comprometam a imagem de noiva que está determinada pelo noivo como aceitável. Não ficarei de fora.“

Mário Fernandez

Princípios – A Noiva de Cristo

“Regozijemo-nos! Vamos nos alegrar e dar-lhe glória! Pois chegou a hora do casamento do Cordeiro, e a sua noiva já se aprontou.” (Apocalipse 19:7 )

A gente sempre aproveita o início de ano para revalidar as coisas. Eu não sou muito ligado nestas coisas, mas depois de escrever por dois anos sobre o verdadeiro evangelho como estilo de vida, me senti impelido a mudar o assunto. Eu estive recentemente ministrando a Palavra em um evento no qual meu tema foi “a noiva de Cristo”. A Palavra que Deus me deu mexeu tanto comigo e com os presentes, que entendi no meu espírito ser o tema para este ano. Eu lembro claramente do dia do meu casamento, como se fosse ontem, ainda que já tenha se passado quase 30 anos. Eu não sou mais o mesmo, a esposa também não, vieram os filhos, um dia virão os netos – mas o casamento, as bodas, a celebração, isso não muda na memória de todos que lá estiveram.

Há pontos em comum e pontos distintos, se compararmos as bodas do Cordeiro com um casamento tal como conhecemos. Quero meditar tanto em um como em outro aspecto. O que há de comum é fácil de entender, o que é diferente deve nos preparar. Note o que temos em comum:

  • Há um casal, composto por um noivo e uma noiva.
  • Depois do casamento não serão mais noivos, sua condição mudará.
  • É um momento festivo.
  • Todos acreditam ser “para sempre”.
  • Há convidados, testemunhas e há estranhos.
  • Grandes expectativas de ambas as famílias.

Contudo, há importantes diferenças:

  • A data não é divulgada, embora esteja marcada.
  • A noiva não é exatamente “uma mulher”.
  • O que vem depois não é bem “uma família”.

Mas nada me chama mais a atenção nisso tudo do que o noivo Jesus. Ele já está esperando pacientemente, investiu tudo pela noiva, está muito muito acima dos padrões da noiva, isso para nem comentar do Pai Dele. Temos de concordar que se fosse pela lógica, Ele teria escolhas melhores a fazer, mas pela Graça e favor do Pai, o amor supera a lógica, e a escolha não foi feita pelos critérios que algum de nós usaria.

Quero dedicar minhas próximas meditações a buscar o mais profundo entendimento que puder alcançar sobre este noivado, casamento e participantes. Quero compartilhar as maravilhas que recebi do Pai. Um dia, que creio será breve, não precisaremos mais ter dúvidas ou incertezas – mas quero chegar nele preparado, esclarecido, adequado.

E acima de tudo, mais importante do que qualquer outro aspecto a ser considerado, vamos manter em mente que estamos às portas das bodas. Seja qual for nossa linha teológica sobre arrebatamento, milênio, escatologia – não importa, temos de concordar que breve o noivo virá.

“Senhor, não me permita perder de vista e de foco o mais importante senso de urgência da minha vida neste mundo – o noivo vem, as bodas estão às vésperas.“